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Live Review: Maximus Festival 2017


Autódromo de Interlagos - São Paulo – 13/05/2017

Para o fã da música pesada, é sempre muito gratificante quando surgem novos eventos e festivais voltados para o vasto universo do Rock/Metal. Dentro dessa premissa, temos o Maximus Festival, que ocorre no Brasil e na Argentina e nesse mês, tivemos a sua segunda edição. No ano anterior, o festival foi responsável por trazer bandas de renome e diferentes estilos, tais como Marilyn Manson, Rammstein, Disturbed, Hell Yeah e Woslom. Na ocasião, esses grupos se apresentaram para um público de cerca de 25 mil pessoas. A estrutura do evento, menor que a do festival alternativo Lollapolooza, conta com três palcos, sendo dois deles situados um ao lado do outro, Maximus e Rockatansky e outro mais afastado, Thunder Dome.

Nessa segunda edição, que ocorreu no sábado do dia 13 de maio, mais uma vez no Autódromo José Carlos Pace (Interlagos), em São Paulo, tivemos um line-up ainda mais diversificado e ousado, que incluiu 15 bandas distintas, sendo elas Slayer, Linkin Park, Rob Zombie, Ghost, Hatebreed, Red Fang, Five Finger Death Punch, Prophets of Rage, Pennywise, Flatliners, Bohse Onkelz, Rise Against, Oitão, Dead Fish e Nem Liminha Ouviu. A configuração do festival em si permanece a mesma e quem compareceu a edição anterior e repetiu a dose nesse ano, certamente já se sentiu familiarizado com o sistema do evento. Os três palcos foram distribuídos da mesma forma e o sistema de pagamento Cashless permaneceu inalterado, tendo a proposta de reduzir as filas e facilitar o consumo de alimentos e bebidas no local.

O evento teve início oficialmente ao meio dia e a primeira atração a tocar foi a banda paulistana Nem Liminha Ouviu, no palco Thunder Dome. Possuindo um nome pra lá de peculiar – para não dizer estranho –, a banda tem como premissa resgatar, de forma bem humorada, clássicos do Rock nacional que, de acordo com a proposta do grupo, não tiveram o devido reconhecimento na época em que foram criados. A banda é formada pelo vocalista Tatola (que cantou em bandas como Muzak, Cabine C, Fellini, Inocentes, Não Religião, GVarsóvia e Replicantes), além de Wecko (guitarra), Marcão (baixo), Jacaré (bateria) e Gabriel (guitarra). O repertório da banda no festival contou com oito músicas, que incluiu covers de grupos como Os Replicantes, Plebe Rude e Inocentes.

Às 12h50, no palco Rockatansky, foi a vez dos paulistanos do Oitão quebrarem tudo com seu Hardcore/Punk direto e reto, do jeito que tem que ser. Henrique Fogaça (vocal), Ciero (guitarra), Ed Chavez (baixo) e Marcelo B.A (bateria) fizeram uma apresentação extremamente intensa e visceral, que contou com as composições “Tiro na Rótula”, “Podridão Engravatada”, “Doença”, “4º Mundo”, “Pobre Povo”, “Chacina”, “Maldito Papa”, “Papel”, “Não Me Entrego”, “Imagem da Besta” e “Faixa de Gaza”. Durante o show, era possível ver uma parte do público ovacionar o nome de Fogaça constantemente, bem como “MasterChef”, a versão brasileira do reality show exibida pela emissora de TV Band, na qual o vocalista é um dos jurados.


Enquanto isso, às 13h15, o Dead Fish, grupo consagrado de Hardcore oriundo de Vitória, no Espírito Santo, deu sequência as atrações do palco Thunder Dome. Aliás, com exceção da primeira banda a se apresentar no palco (Nem Liminha Ouviu), todas as demais bandas que se apresentaram no palco possuem a sonoridade voltada para o Hardcore. O setlist do Dead Fish contou com 17 músicas, sendo elas “Autonomia”, “A Urgência”, “Tão iguais”, “Escapando”, “Venceremos”, “Fragmento”, “Sausalito”, “Diesel”, “Jogojogo”, “Selfegofactóide”, “Asfalto”, “Zero e Um”, “Queda Livre”, “Proprietários do Terceiro Mundo”, “Afasia”, “Bem-Vindo ao Clube” e “Sonho Médio”.

Os estadunidenses do Red Fang deram início às apresentações do palco Maximus e conseguiram surpreender muitos que sequer faziam ideia de quem eram com seu Stoner Rock/Metal de muita qualidade. Aaron Beam (vocal/baixo), Maurice Bryan Giles (guitarra/vocal), David Sullivan (guitarra/vocal) e John Sherman (bateria) promovem atualmente o mais recente álbum da banda, “Only Ghosts” (2016) e ainda que o repertório da apresentação tenha contado com apenas sete músicas, foram recebidos de forma muito calorosa por todos. O setlist contou com “Blood Like Cream” e “Crows in Swine”, de “Whales and Leeches” (2013), “Malverde” e “Wires”, de “Murder the Mountains” (2011), “Flies” e “Cut it Short”, de “Only Ghosts” (2016) e “Prehistoric Dog”, do primeiro e autointitulado álbum da banda (2008), que foi responsável por encerrar o show do quarteto de forma muito satisfatória.

Alguns minutos depois, mais precisamente às 14h, os veteranos do Hatebreed subiram ao palco para mandar o seu Metalcore perfeitamente agressivo e sujo na medida certa. O show se iniciou de forma explosiva com as clássicas “Threshold” e “Destroy Everything”, ambas de “Supremacy” (2006), canções essas que já fizeram o seu público se mexer e cantar as letras com vontade. Por sua vez, “Looking Down the Barrel of Today”, a música seguinte, foi a única representante do álbum mais recente da banda, “The Concrete Confessional” (2016. O sempre carismático frontman Jamey Jasta pede para a plateia promover um circle pit no som que dá sequência ao setlist, a avalanche de proporções cataclísmicas “Empty Promises”, primeira faixa do primeiro álbum do grupo, “Satisfaction Is the Death of Desire” (1997). Nem preciso dizer que tal pedido foi prontamente atendido pelos fãs, não é mesmo?

E dá-lhe “Beholder of Justice”, do ótimo “Rise of Brutality” (2006). Após esse som, Jasta pergunta a todos se estão tendo um bom dia e se o público está preparado para o show do Slayer. Após uma breve conversa com o público, a banda emenda com “As Diehard as They Come” e “Last Breath”. Mais uma pequena pausa e o vocalista diz que quer ver um moshpit na próxima música que será tocada, “Tear it Down” e é claro, tome mais destruição! Logo após, foi a vez de “Driven by Suffering” esquentar a pista. Jasta pergunta ao público se também estão preparados para os shows de Prophets of Rage e Ghost e faz um agradecimento especial ao festival. O final do repertório da banda ficou reservado para “Live for This”, “Honor Never Dies” e claro, a obrigatória “I Will be Heard”. Ainda que tenha sido uma apresentação bem curta, certamente foi um tremendo show, intenso e recheado de composições bem selecionadas na medida do possível.


Enquanto isso, às 14h45, no palco Thunder Dome, foi a vez do grupo canadense de Punk Rock The Flatliners se apresentar. O grupo é um definitivamente retrato de muito esforço, uma vez que nunca mudaram de formação desde o seu surgimento. Composta por Chris Cresswell (vocal/guitarra), Scott Brigham (guitarra), Jon Darbey (baixo) e Paul Ramirez (bateria), a banda lançou nesse ano o seu sexto álbum de estúdio, “Inviting Light” e sua performance incluiu 13 canções, sendo elas “Sew My Mouth Shut”, “Eulogy”, “Resuscitation of the Year”, “Liver Alone”, “Hang My Head”, “Meanwhile, In Hell...”, “Carry the Banner”, “Human Party Trick”, “Monumental, Shithawks”, “Indoors”, “Count Your Bruises” e “Fred's Got Slacks”.

Por sua vez, às 14h40, os veteranos alemães do Böhse Onkelz subiram ao placo Maximus. Fundada nos anos oitenta, a banda sofreu diversas mudanças em sua carreira. Entre os anos de 1980 à 1982, executavam uma sonoridade direcionada ao Punk Rock. Já em 1983, tiveram uma fase skinhead, migrando a sua musicalidade para o Streetpunk/Oi!, com influências de Ska. Após o final dessa fase, de 1985 em diante, a banda passou a executar uma mescla de Hard Rock e Heavy Metal, mantendo essa sonoridade até os dias de hoje. Composta por Kevin Russell (vocal), Matt Gonzo Roehr (guitarra), Stephen Weidner (baixo) e Peter Schorowsky (bateria), a banda executou uma apresentação bastante energética, que incluiu nove composições, sendo elas “10 Jahre”, “Hier sind die Onkelz”, “Finde die Wahrheit”, “Danke für nichts”, “Bomberpilot, Kirche”, “52 Wochen”, “Irgendwas für nichts” e “Auf gute Freunde”. É importante mencionar que os fãs da banda estavam muito participativos durante toda a apresentação, trajando roupas do grupo e cantando as letras das músicas intensamente.

Sem demora, às 15h25, um dos nomes mais aclamados da música pesada atual sobe ao palco Rockatansky, o Ghost. Surgida em 2009, na Suécia, a banda ganhou uma notoriedade cada vez maior nos últimos anos. Sua proposta musical é completamente diferente das que costumamos ouvir por aí, uma vez que combinam Heavy Metal, Doom Metal, Rock psicodélico dos anos setenta, além de Rock Alternativo atual, com temáticas envolvendo satanismo, escuridão e o mal. Agora, não há como negar que a banda certamente ganhou uma popularidade invejável pelo fato de seus integrantes ocultarem suas verdadeiras identidades e se vestirem de forma bastante peculiar.


Os trabalhos mais recentes do grupo são o álbum ”Meliora” (2015) e o EP “Popestar” (2016) e o show teve início justamente com a primeira faixa do EP lançado no ano passado, Square Hammer. Assim que os cinco instrumentistas mascarados, nomeados “Nameless Ghouls” e o vocalista Papa Emeritus III – que no início do show vestia um par de inusitados óculos escuros – subiram ao palco, os fãs do grupo simplesmente deliraram. As harmonias hipnotizantes da primeira música do setlist também deram o tom ideal para o início da apresentação, diga-se de passagem.

Na sequência, ainda tivemos mais seis músicas, “From the Pinnacle to the Pit”, “Ritual”, “Cirice”, “Year Zero”, “Absolution” e “Mummy Dust”, todas executadas com propriedade pelos músicos, que certamente cativaram o seu público, especialmente os mais fieis. Na plateia, era possível ver diversos fãs não apenas trajando camisetas da banda, como também com os rostos pintados da mesma forma que o vocalista Papa Emeritus III se caracteriza. Em suma, ainda que tenha sido uma apresentação curta, não há dúvida que o grupo realizou uma apresentação muito honesta, eficiente e intensa dentro de sua proposta. A interação entre a banda e seu público também merece muitos elogios e ao término do show, era possível reparar no semblante dos fãs, muito satisfeitos e felizes com o que presenciaram. 

Antes do show do Ghost terminar, o palco da próxima atração do palco Maximus já estava sendo preparado. Uma enorme bandeira com o clássico monstro cinematográfico King Kong, de sua primeira versão para as telonas, produzida no longínquo ano de 1933, poderia ser vista com facilidades por todos que estavam no local. Então, às 16h10, é hora do show do veterano músico e cineasta Rob Zombie ter início. Assim que Ginger Fish (bateria), John 5 (guitarra), Piggy D (baixo) e claro, o inconfundível Rob Zombie subiram ao palco, outro grande show teve início. Indubitavelmente Zombie conserva para si uma legião de admiradores e sem dúvida alguma foi uma apresentação pra lá de energética.


“Dead City Radio and the New Gods of Supertown”, do álbum “Venomous Rat Regeneration Vendor” (2013), foi a música que deu início ao repertório apresentado pela banda. Como já é de praxe, todos os músicos estavam devidamente caracterizados e usando todos os seus apetrechos, incluindo Zombie, sempre performático e dinâmico. A segunda música do setlist foi a clássica “Superbeast”, a primeira representante do primeiro álbum de Zombie, “Hellbilly Deluxe” (1998), a ser tocada. Sua letra foi cantada por todos os fãs mais ardorosos do grupo ali presentes. Na sequência, tivemos  “Demonoid Phenomenon”, “In the Age of the Consecrated Vampire We All Get High”, do álbum mais recente “The Electric Warlock Acid Witch Satanic Orgy Celebration Dispenser” (2016), além de outro hit, “Living Dead Girl”, recebida de forma completamente calorosa.

“Scum of the Earth” deu sequência ao “Horror Show” e antes de iniciarem a música seguinte, “Well, Everybody’s Fucking in a U.F.O.”, o frontman jogou dois ET’s de plástico para a plateia se divertir. Outra composição que certamente teve uma ótima receptividade foi o primeiro cover de White Zombie – antiga banda de Rob – do show, “More Human Than Human”, do álbum “Astro-Creep: 2000 – Songs of Love, Destruction and Other Synthetic Delusions of the Electric Head” (1995). Um fato que merece ser mencionado é que um fã arremessou o seu boné do White Zombie para o carismático guitarrista John 5, que não apenas pegou o boné, como também o vestiu, tocando com ele durante uma pequena parte do show. Certamente, foi uma atitude muito louvável de se ver.

Aproveitando para falar sobre o grupo como um todo, quem conhece ao menos um pouco de Rob Zombie sabe muito bem da estética inspirada em filmes de terror utilizada pela banda e dentro desse quesito, não dá para deixar de mencionar as constantes trocas de figurino tanto do frontman como de seus integrantes, que, diga-se de passagem, não apenas se limitavam a trocar de figurino, como também de instrumentos. O guitarrista John 5 e o baixista Piggy D tocavam com instrumentos muito legais e exóticos durante toda a apresentação, ampliando ainda mais a teatralidade da performance. Também era nítido que todos os membros da banda estavam realmente curtindo estar ali, sempre agitando muito, tocando com vontade e sorrindo. O mesmo se aplica a Zombie, que desceu do palco, cumprimentou o público que estava mais a frente e não parava quieto um minuto sequer.


A música jamais pode parar e sendo assim, ainda tivemos “Never Gonna Stop (The Red, Red Kroovy)”, de “The Sinister Urge” (2001), “The Hideous Exhibitions of a Dedicated Gore Whore”, “House of 1000 Corpses”, além de um solo de guitarra de John 5. Ao término do solo, a banda já emendou outro cover de White Zombie, a antológica “Thunder Kiss ‘65”, do clássico álbum “La Sexorcisto: Devil Music Vol. 1” (1992). Na metade da música, a banda fez uma pequena inserção de um trecho de “Schools Out”, mega-clássico de Alice Cooper e prosseguiu com o final da música. O bis ainda contou com “The Lords of Salem”, de “Educated Horses” (2006), “Get Your Boots On! That's the End of Rock and Roll” e claro, a mais que obrigatória “Dragula”, que encerrou a apresentação de maneira mais que apoteótica. Em poucas palavras, um baita show!

Enquanto rolava o show do Rob Zombie no palco Maximus, no palco Thunder Dome, as expectativas para o show do Pennywise certamente eram as melhores possíveis, afinal, estamos falando dos mestres do Hardcore californiano! Assim que a banda entrou no palco às 16h20, saudou o público e começou seu show, todas essas expectativas foram cumpridas. A primeira pedrada foi “Wouldn't It Be Nice”, som que abre o disco de estreia da banda, “Pennywise” (1991). Logo de cara, a banda conquistou o público que agitava sem parar. Um mosh insano teve início sem qualquer demora.

O show continuou intenso com a banda executando na sequência “Can't Believe It” e “My Own Country”, ambas de “Straight Ahead” (1999), porém se percebia até então que o som estava um pouco baixo, talvez por um erro de regulagem, fato que infelizmente durou até o fim do show, mas que apesar de tudo não atrapalhou a performance da banda e muito menos fez os presentes pararem de agitar e curtir a apresentação. Voltando ao que interessa, houve um momento em que o local quase veio abaixo, quando a banda anunciou que o próximo som era “Peaceful Day”, clássico do disco “About Time” (1995). Em meio a rodas e moshs insanos, já vem na sequência “My Own Way” e outro clássico absoluto, “Same Old Story”. A satisfação estampada no rosto de cada um dos presentes era indescritível!

Logo após executarem a ótima “The World”, o vocalista Jim Lindberg começa a observar as camisetas de bandas dos presentes e comenta a respeito. Depois começou a perguntar para o público se gostariam de ouvir um cover e então, diante da aceitação da galera é, anunciado um som dos veteranos do Bad Religion, “Do What You Want”. Diga-se de passagem, executaram o cover com muita competência. Na sequência, emendaram com outro cover, a imortal “Blitzkrieg Bop”, dos Ramones, com direto ao obrigatório coro de “Hey ho, let's go!” de todos os presentes.

Chegando a metade do show, o público sem sinal nenhum de cansaço volta a promover um descontrolado moshpit com a música que dá nome à banda, “Pennywise” e está presente no debut do grupo e já emendando com o clássico recente “As Long As We Can”, de “Reason to Believe” (2008). “Perfect People”, outra representante de “About Time”, bem como “Society”, de “Full Circle” (1997) e “Fuck Authority”, de “Land Of The Free” (2001) deixaram os fãs extasiados e a essa altura do campeonato, as rodas praticamente tomaram todo local. Voavam copos, bonés… e até uma calça! Sim, uma calça voava entre os presentes! Uma loucura absolutamente linda de se ver, como podem imaginar.


Outro cover veio a seguir, a clássica releitura feita pela banda para “Stand by Me” de Ben King e logo após, a excepcional “Alien”. Pra fechar como já é de praxe, um dos maiores clássicos da banda e ponto alto em todos os shows, “Bro Hymn”, que evidentemente foi cantada em coro por todos, fechando assim um dos melhores shows do festival. Energético, intenso e emocionante. Provavelmente são as melhores palavras pra descrever o show do Pennywise. Uma experiência que todos que curtem Hardcore tem que passar pelo menos uma vez na vida!

Sempre que uma banda vem ao nosso país pela primeira vez é possível ver a felicidade de seus fãs a incontáveis quilômetros de distância e foi exatamente isso que rolou com o Five Finger Death Punch, banda de Metalcore que até então nunca havia tocado em solo brasileiro. Em todo o fest, era possível ver diversos fãs bem jovens vestindo camisetas do grupo, evidenciando que o público que admira a banda estadunidense havia realmente comparecido em peso para assistir ao show deles. Às 17h15, Jeremy Spencer Heyde (bateria), Zoltan Bathory (guitarra), Jason Hook (guitarra/vocal de apoio), Chris Kael (baixo/vocal de apoio) e Ivan L. Moody (vocal) sobem ao palco, ao som de “Lift Me Up”, de “The Wrong Side of Heaven and the Righteous Side of Hell, Volume 1” (2013). Tanto a banda como os presentes estavam em grande sintonia, agitando ininterruptamente e de forma intensa.

A apresentação contou ainda com as composições “Never Enough”, “Wash It All Away”, “Got Your Six”, o cover de “Bad Company” (Bad Company), “Jekyll and Hyde”, além de “Burn MF”, na qual vários presentes subiram ao palco para cantar e agitar com a banda. Em seguida, a música “Remember Everything” foi apresentada em formato acústico e ainda tivemos “Coming Down”, “Under and Over It” e “The Bleeding”. Na plateia, era nítida a expressão de satisfação daqueles que estavam querendo ver a apresentação da banda e claro, também era notória a impaciência dos fãs do Slayer, que durante o show do 5FDP estavam de olho no backdrop da banda ser preparado.

Logo após a confirmação da segunda edição do festival ter sido anunciada e o nome do Slayer ter sido confirmado, foi possível ver diversos fãs da música pesada comentando a respeito nas redes sociais de que não perderiam a oportunidade de assistir a lenda do Thrash Metal estadunidense em ação. Contudo, como bem sabemos, gosto musical é algo que não se discute, cada um de nós possui a sua preferência e uma parcela do público que compareceu ao Maximus nessa ocasião almejava assistir o Rise Against, às 18h20, no palco Thunder Dome, ao invés dos ícones do Metal oitentista.

Formado em Chicago, Illinois (EUA), o Rise Against é uma banda que executa um Rock alternativo calcado no Hardcore/Punk melódico. Composta atualmente por Tim McIlrath (vocal/guitarra), Zach Blair (guitarra/vocal de apoio), Joe Principe (baixo/vocal de apoio) e Brandon Barnes (bateria), a banda promove o seu trabalho mais recente, “Wolves”, lançado nesse ano e executaram 13 composições no formato convencional, sendo elas “Ready to Fall”, “The Good Left Undone”, “Re-Education (Through Labor)”, “Satellite”, “The Violence, Architects”, “Help Is on the Way”, “Give It All, Black Masks & Gasoline”, “I Don't Want to Be Here Anymore” e “Prayer of the Refugee”. O show também teve uma parte acústica, na qual apenas o vocalista/guitarrista Tim ficou no palco, onde foram executadas as músicas “Hero of War”, “Swing Life Away”, “Audience of One” e “Savior”.


E eis que finalmente chega o momento de um dos shows mais aguardados do festival, senhoras e senhores: SLAYER! Finalmente, às 18h20, no palco Maximus, ecoa dos P.A.s a instigante e atmosférica introdução “Delusions of Saviour”, faixa que abre o mais recente álbum da banda, “Repentless” (2015). A essa altura, já tínhamos diversos fãs ardorosos da banda estadunidense de Thrash Metal ovacionando o nome do grupo a plenos pulmões. Meus caros amigos e amigas, assim que Paul Bostaph (bateria), Kerry King (guitarra), Gary Holt (guitarra) e Tom Araya (vocal/baixo) entram em cena e mandam a poderosa “Repentless”, foi como se os portões do inferno tivessem sido abertos na pista. O caos tomou conta de todo o local! Não sobrou pedra sobre pedra...

Quem estava próximo à grade e até mesmo um pouco mais atrás dela acabou sendo esmagado pela galera que estava mais ao meio, o que culminou em diversos problemas que foram amplamente divulgados através das redes sociais. Muitos fãs de Linkin Park tiveram a péssima ideia de ficar próximos a grade durante a apresentação do Slayer, pois assim poderiam ter um lugar estrategicamente guardado para quando fossem assistir ao show da banda, contudo, pelo visto, eles não tinham a menor ideia de como era um show do Slayer. O resultado disso, muitos de vocês já sabem a essa altura do campeonato: muitos fãs de Linkin Park passaram mal, se feriram gravemente e tiveram que ser socorridos às pressas. Sem dúvida alguma, foi uma péssima jogada colocar o Linkin Park logo após a banda mais agressiva do festival se apresentar, entretanto, como dizem, "vida que segue"!

Voltando ao foco principal da coisa, a apresentação do Slayer foi maravilhosamente insana e perversa. O repertório do grupo prosseguiu com uma das melhores faixas de “God Hates Us All” (2001), “Disciple”, seguida da implacável “Postmortem”, da obra prima “Reign in Blood”(1986), que fez todos os Thrashers de plantão banguearem incessantemente com seu riff principal absolutamente grudento e mortal. Seu trecho final é simplesmente um arregaço, ainda mais quando executado ao vivo, sempre promovendo um estrago de proporções estratosféricas e evidentemente, em solo brasileiro, isso jamais seria diferente, ainda mais que contamos com um dos públicos mais dementes de todo planeta.

Outro petardo veio a seguir, a arrasa-quarteirão “Hate Worldwide”, de “World Painted Blood” (2009). O moshpit jamais se encerrava, devastando cada centímetro da pista. Nitidamente, tanto a banda como o público estavam em perfeita sintonia. Agora, caro(a) leitor(a), se você acha que isso ainda era pouco, a loucura só aumentou ainda mais quando o frontman Tom Araya anuncia a música seguinte, o hino “War Ensemble”, de “Seasons in the Abyss” (1990). Sua letra foi cantada a plenos pulmões por todos e sua execução como um todo foi uma aula de brutalidade, simplesmente isso.

Aliás, creio que seja importante mencionar a respeito da performance da banda. Substituir o finado guitarrista Jeff Hanneman (R.I.P. 2013) certamente não é das missões mais fáceis do mundo e por mais complexo que isso seja, o amigo de longa data da banda e talentoso guitarrista Gary Holt (Exodus) certamente foi a escolha mais adequado para exercer esse papel. Seu desempenho ao vivo é simplesmente impecável, sempre tocando com toda a precisão e feeling que uma banda como o Slayer necessita. O baterista Paul Bostaph (ex-Forbidden, ex-Exodus, ex-Testament) é outra figura que não dá mesmo para deixar de mencionarmos. O cara literalmente segurou a peteca – mais precisamente, as baquetas! –diversas vezes para a banda durante a sua carreira e novamente demonstra que é um músico exímio e muito criativo, tanto em estúdio como ao vivo.


Ainda que receba árduas críticas de diversos fãs, o guitarrista Kerry King também é, inegavelmente, uma figura completamente emblemática e mesmo após todos esses malditos anos, continua firme e forte, tocando com toda a truculência e perversão que o Slayer exige e claro, o mesmo se aplica ao baixista e vocalista Tom Araya, figuraça que sempre está sorrindo, não importa o quão caótico esteja o show e mesmo estando cada vez mais grisalho, mantém a veia de insanidade necessária para assumir a linha de frente desse monstro do Thrash Metal.

Dando uma leve esfriada na apresentação, surge na sequência a morna “When the Stillness Comes”, outra representante do mais recente trabalho “Repentless”. Levantando o ânimo do show, tivemos também a obrigatória “Mandatory Suicide”, de “South of Heaven” (1988), seguida da veloz “Fight Till Death”, do álbum de estreia da banda “Show No Mercy” (1983). Após tocarem essa última música, o sempre carismático e sorridente frontman Tom Araya dirige a palavra aos presentes dizendo que tocariam uma “canção de amor”, provocando risos gerais. E dá-lhe “Dead Skin Mask”, uma das composições mais marcantes de “Seasons in the Abyss”, cuja letra retrata o notório serial killer Ed Gein. Se tem algo que gostaria de mencionar sobre a performance dessa música é o excelente desempenho vocal de Tom Araya, que não apenas cantou muito bem, como mandou algumas linhas vocais bem ousadas, levando em consideração que não é mais o jovem músico que gravou o clássico álbum de 1990.

A canção que deu sequência ao show foi justamente a estupenda “Seasons in the Abyss”, cujo refrão foi cantado de forma intensa por todos. Performance totalmente irrepreensível! Agora, adivinhem o hino majestosamente visceral que veio à seguir? Apenas duas palavrinhas: “Hell Awaits”! Sua icônica introdução instrumental fez cada cabeça ali presente banguear incessantemente e assim que a música muda o seu andamento para um ritmo completamente vertiginoso, a pista se tornou novamente um campo de batalha do inferno, no melhor sentido da palavra. Soando como um canto dos cisnes para o mar de loucura e sangue que pairava por ali, se iniciam os arranjos fúnebres e minimalistas de outro hino do quarteto, “South of Heaven”. Dizer que a composição foi muito bem recebida pelos fãs chega a ser um ultraje pra lá de redundante, não é mesmo? Outra performance digna se todos os elogios possíveis e imagináveis.

O gran finale da apresentação desses senhores veteranos não poderia ter sido diferente! “Raining Blood”, estrategicamente emendada com “Black Magic” e “Angel of Death” encerraram essa apresentação infernal com mais rodas e moshpit desenfreado. Assim que o show se encerrou, era possível ouvir alguns fãs clamando por mais músicas, pedido que certamente não foi atendido, contudo, a satisfação tanto dos fãs como da banda em si eram mais do que nítidos. Todos estavam com enormes sorrisos estampados de orelha a orelha. Se alguém algum dia perguntar como é um show do Slayer, simplesmente diga: INSANIDADE! Assim mesmo, em letras graúdas e com um tremendo ponto de exclamação no final. Uma legítima aula de violência e carnificina sonora que todo fã da música pesada deve passar ao menos uma vez na vida. Obrigatório!

Após os portões do inferno se fecharem e o show do Slayer ter se encerrado, foi a vez dos estadunidenses do Prophets of Rage mandarem o seu som no palco Rockatansky, às 19h35. Para os mais desavisados, a banda nada mais é que um supergrupo formado no ano passado que reúne membros já conhecidos no meio musical, sendo eles três ex-membros do saudoso Rage Against the Machine, Tom Morello (guitarra), Tim Commerford (baixo) e Brad Wilk (bateria), além de dois membros do Public Enemy, o DJ Lord e o rapper Chuck D, além do rapper B-Real, do Cypress Hill. O primeiro registro do grupo, o EP “The Party's Over” (2016) teve uma ótima repercussão e em setembro desse, será lançado o primeiro álbum de estúdio, o autointitulado “Prophets of Rage”.


O show do grupo também era muito aguardado por muitos dos presentes e certamente foi uma performance incendiária, ainda que o setlist tenha sido composto quase que exclusivamente de covers, entretanto levando em consideração que a banda ainda disponibiliza de pouco material autoral, isso é perfeitamente compreensível. “Prophets of Rage”, do Public Enemy, foi a música que deu início a essa explosiva apresentação, seguida de Testify – um dos trocentos covers de Rage Against the Machine da noite –, que fez todos cantarem e agitarem feito loucos. Outro cover de Rage Against the Machine veio a seguir, “Take the Power Back”. Quem tem o hábito de acompanhar as publicações das redes sociais e Internet como um todo certamente ficou sabendo do fato do guitarrista Tom Morello ter colado um papel escrito “Fora Temer” na parte detrás de sua guitarra, exibindo-o constantemente durante o show realizado em São Paulo, na Áudio Club, em 9 de maio. Já era de conhecimento de todos que essa façanha seria repetida no show realizado pela banda no festival e logo no início da apresentação, Morello já estava fazendo isso, sendo aplaudido e ovacionado por todos.

E dá-lhe mais cover de Rage Against the Machine: “Guerrilla Radio”! Em seguida, ainda tivemos “How I Could Just Kill a Man”, cover de Cypress Hill executado na versão feito pelo R.A.T.M. Outro clássico do Rage foi executado logo na sequência, a literalmente bombástica “Bombtrack”. A clássica “Fight the Power”, do Public Enemy manteve a apresentação em clima de constante euforia. Para a música seguinte, os membros do grupo recrutaram Tim McIlrath e Zach Blair, do Rise Against. Nesse momento, podemos ouvir a seguinte frase: “Now it's time to kick out the jams, motherfucker!” e tome “Kick Out the Jams”, do MC5.

Um medley de diversas músicas do Cypress Hill e do Public Enemy foi executado na sequência: “Hand on the Pump”/ “Can't Truss It”/ “Insane in the Brain”/ “Bring the Noise”/ “I Ain't Goin' Out Like That”/ “Welcome to the Terrordome”/ “Jump Around”. Por sua vez, a parte final do show foi reservada quase que exclusivamente para mais covers de Rage Against the Machine, é claro! “Sleep Now in the Fire”, “Bullet in the Head” e “Know Your Enemy” foram executadas com maestria e recebidas com muito gosto por todos os presentes. É interessante mencionar que o final de “Sleep Now in the Fire” ainda contou com um pequeno trecho de “Cochise”, do Audioslave. Mal sabíamos que o excepcional vocalista Chris Cornell (Audioslave, Soundgarden) cometeria suicídio pouco depois...

O grupo faz uma pequena pausa e oferece a todos uma música autoral e que fará parte do vindouro debut da banda, “Unfuck The World”. A canção foi muito bem recebida por todos, diga-se de passagem! Após a sua execução, a banda ainda fez um breve cover instrumental de “Seven Nation Army”, do White Stripes. A reta final do show não poderia ser outra: “Bulls on Parade” e “Killing in the Name”, dois dos maiores hits do Rage Against the Machine, que encerraram a apresentação da melhor forma possível. Como foi dito anteriormente, ainda que o grupo execute atualmente mais covers que composições autorais, certamente é um grupo de grande potencial e sem dúvida será muito bom ouvir mais material autoral deles ao vivo assim que possível. Em tempo, não há como negar que foi uma performance completamente empolgante!


Encerrando o festival, às 21h, era o momento que muitos dos fãs mais jovens aguardavam: o show dos estadunidenses do Linkin Park. O grupo lançou em maio o seu sétimo álbum de estúdio, “One More Light” e ainda que sua sonoridade seja completamente antagônica a diversos grupos que se apresentaram no evento, a banda certamente conserva para si uma fiel legião de admiradores. Assim que a introdução “Fallout/Roads Untraveled” ecoava dos P.A.s, era possível ver uma fila interminável de fãs do grupo na pista.

Em poucas palavras, Chester Benington (vocal), Mike Shinoda (guitarra, vocal, teclado), Brad Delson (guitarra), Dave “Phoenix” Farrell (baixista), Mr. Hahn (DJ) e Robert Gregory Bourdon (bateria) realizaram uma apresentação exclusivamente para esses fãs mais ardorosos, na qual contou com as seguintes composições: “The Catalyst”, “Wastelands”, “Talking to Myself”, “Burn It Down”, “One Step Closer”, “Castle of Glass”, “Good Goodbye”, “Lost in the Echo”, “Battle Symphony”, “New Divide”, “Breaking the Habit (Acapella Outro)”, “Crawling (Piano Version)”, “Leave Out All the Rest (2017 version)”, “Somewhere I Belong”, “What I've Done”, “In the End”, “Faint”, “Numb”, “Heavy”, “Papercut” e “Bleed It Out”. Durante a apresentação da banda, era possível ver boa parte do público deixando o local, pois como foi dito acima, o show foi realmente apenas para quem realmente era fã da banda.

Em linhas gerais, essa segunda edição do Maximus Festival, ainda que com algumas falhas na organização com relação a escalação do Linkin Park após o Slayer e no mesmo palco, foi realmente tão bem-sucedida como anterior, não apenas pelo fato de manter o conceito de mesclar bandas e sonoridades completamente diferentes ou por terem escalado diversos grupos de renome e que conservam para si uma legião de fãs ardorosos, porém também porque prezaram mais uma vez por uma organização digna de um evento desse porte. Ainda que o palco Thunder Dome continue muito afastado dos outros dois palcos, os horários das apresentações foram bem pontuais, com cada um deles tendo poucos minutos de diferença entre o outro, proporcionando um lazer altamente prazeroso a todos.

Como mencionei anteriormente, nem tudo são flores e o conflito entre os fãs de Slayer e Linkin Park ganhou proporções gastronômicas através das redes sociais, contudo, apesar dos pesares, não há como negar que o evento cumpriu mais uma vez o que prometia. Ao final dele, tivemos diversos rostos sorridentes e semblantes de fãs completamente satisfeitos e exaustos. Também é realmente lamentável o que tenha acontecido com os fãs de Linkin Park que se feriram gravemente, porém serve de aprendizado aos organizadores para que planejem melhor a escalação das bandas, evitando assim episódios desnecessários como esse. E claro, por fim, mas jamais menos importante, vida longa ao festival, pois a música pesada, independente da vertente, merece ter cada vez mais espaço. Tanto as bandas como os fãs carecem disso.

Redigido por David “Fanfarrão” Torres e Leonardo Aguiar

Fotos por David “Fanfarrão” Torres

Slayer: "Somos uma nação de bebês chorões!"


Tom Araya atraiu olhares de reprovação para si, quando no último dia 20 de janeiro, resolveu fazer uma brincadeira e postar na conta oficial do Slayer no Instagram, uma montagem onde a formação clássica da banda aparecia ao lado do então recém eleito presidente dos EUA, Donald Trump. 

Muitos não entenderam muito bem a brincadeira, tanto que a postagem foi deletada por alguém não identificado e Tom resolveu fazer um reposte. Desta vez a mensagem era clara: 

"Acreditem ou não, esta imagem foi postada por mim, Tom Araya, em 20 de janeiro, eu achei que era engraçada... Fiquei espantado com os comentários referentes a imagem, alguns positivos e alguns negativos, mas o mais surpreendente foi ver que em 2 horas haviam 10.000 curtidas... Eu nunca teria imaginado que existem tantos caras criados a base de leite com pera comentando seu desgosto a respeito do novo presidente. Gostem ou não, ele é o presidente... Acordei na manhã seguinte e descobri que alguém havia apagado o post... Alguém pode explicar o por que...?"


O acontecido gerou muito falatório desde então e recentemente, Tom declarou para a Radio chilena Futuro:

"Isso é o que a America se tornou, um bando de pessoas que porque não conseguiram o que queriam, resolveram ficar loucas. Eu compartilhei uma imagem que achei engraçada. Será que não conseguem entender uma piada. Será que nem sequer conseguem rir de si mesmos. Não conseguem se divertir. E é incrível Isso que aconteceu. Somos uma nação de bebês chorões".

Opinião Mundo Metal: isso não é exclusividade dos EUA, na verdade somos um um planeta formado por bebês chorões Tom!

Slayer - "Divine Intervention" (1994)

Enquanto isso, nos anos 90...



Olá Mundo Metal! 
Antes do meu primeiro post aqui na página, quero me apresentar e falar um pouco de como o metal, de certa forma, sempre esteve presente em minha vida. 

Meu nome é Leandro e no início dos anos 90, no auge dos meus 10 anos de idade, uma das minhas primeiras memórias que não estavam ligadas aos brinquedos, desenhos animados e HQs, era a minha mania de sempre pegar o rádio relógio da minha mãe, levar para o meu quarto e ficar caçando música. Foi então que descobri Guns n’ Roses e o Skid Row (me desculpem a decepção, mas ninguém, eu repito NINGUÉM, começa nesse mundo escutando Unleashed, Tokyo Blade ou Tankard rs). 

O som que as bandas faziam me chamou atenção e um tempo depois, graças ao Clip Trip (citar rádio relógio e Clip Trip no mesmo texto denuncia demais a idade rs), a MTV com o Fúria Metal e que além disso, tinha muita coisa boa em sua programação normal, conheci outras bandas e fui desbravando o Rock, Hard, Heavy, Thrash, Death e tantos outros subgêneros que me fizeram um apaixonado por essa sub cultura tão vasta e rica.

Mas vamos ao que realmente interessa.

Os anos 90. Época que geralmente é deixada para trás quando se trata de bandas clássicas ou até mesmo do metal mais tradicional. O grunge causou grande impacto na cena musical, o que é sabido por todos e fez muitas bandas passarem pelo ostracismo ou até mesmo se reinventar (Stomp 442 do Anthrax é um grande exemplo de disco de uma grande banda de thrash que passou a incorporar novos elementos), mas até aqui nenhuma novidade, que qualquer um que gosto de ler sobre o assunto  já não tenha visto N vezes em tantos lugares.

Minha intenção com as minhas postagem é falar sobre um disco, uma banda, um subgênero, que trazem aquele espírito dos anos 90. 

E vamos ao primeiro disco tipicamente “anos 90”.

Banda da vez – SLAYER (ou se preferirem SLAYEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEER)


Aquela banda que todo headbanger ama, ou odeia, ou ama odiar o fato que eles mudaram o som e nunca mais serão o “Slayer” (por mais que isso não faça sentido, mas tudo bem). E antes de falar sobre o disco em si, vou tentar contextualizar um pouco o que acontecia no Slayer nesta década. 

Eles era soberanos nos anos 80, lançando clássico atrás de clássico e crescendo exponencialmente a cada ano. Mas nos anos 90 muita coisa mudou. 

Em 1990 eles lançaram Seasons in the Abyss, álbum que dividiu muito as opiniões na época, pois muitos fãs acusaram o Slayer de ficar mais “pop” (se é que isso é possível) e isso devido ao fato, acredito eu, deles terem lançado o vídeo de Seasons e o mesmo ter sido reproduzido várias vezes ao dia na programação da MTV, chegando ao Top 10 da emissora por muitas semanas.

Logo após (1991), lançaram Decade of Aggression, álbum ao vivo e duplo gravado durante a Clash of the Titans (turnê que contava com Slayer, Megadeth, Anthrax, Suicidal Tendencies, Testament e Alice in Chain). Disco gravado da forma mais crua e ríspida possível. Do jeito que nós gostamos. Mas o que nós não sabíamos é que a primeira grande baixa do Slayer aconteceria em breve. Sai então Dave Lombardo, o baterista referência no thrash. E me desculpem os grandes Ventor, Tom Hunting, Charlie Benante, o próprio Paul Bostaph e tantos outros grandes bateras, mas o Lombardo é referência sim. E o que poderia abalar as estruturas do Slayer a ponto de fazer a banda encerrar as atividades, só fez eles ficarem com mais raiva e criar um disco que é divisor de águas e um dos mais polêmicos da sua carreira.

O Álbum – "DIVINE INTERVENTION" (1994)

O disco já começa muito bem pela apresentação visual. A capa (arte de Wes Benscoter) é agressiva até o talo e uma das mais bonitas capas do Slayer na minha humilde opinião. E na primeira audição é impossível não tentar comparar Paul Bostaph com o Lombardo, e quem não tem a cabeça fechado ao ponto de só gostar de “clássicos” e formações originais, percebe logo em de cara o talento de Bostaph (e quem já conhecia seus trabalhos no Forbidden, não se espantou nenhum pouco). Killing Fields já começa com ele mostrando toda sua capacidade e agressividade, esmurrando seu kit e se mostrando digno do posto que está ocupando. E isso ocorre durante todo o disco. Ponto positivo pro Bostaph!

O disco é um show de agressão gratuita, típico do Slayer e claro, que muito diferente dos anteriores e muitas vezes mais cadenciado, mas falar que o álbum não é agressivo chega a ser ofensa. A dupla Kerry King e Jeff Hanneman manda seus riffs sangrentos um após o outros, hora mais rápidos, hora mais volumosos. E Tom Araya ainda emana e respinga ódio de sua voz de forma singular.

E por falar em cadência, o que é Sex Murder Art e Divine Intervention? Músicas excepcionais, com estruturas músicas complexas e matadoras. Dittohead, Circle of Beliefs e Serenity in Murder é aquele Slayer maroto, aquele Slayer moleque, fã aquela agressão rápida e gostosa de deixar os ouvidos apitando por horas. SS-3 mais lenta mas nem por isso menos agressiva. E a introdução de 213? É de arrepiar e deixar qualquer um com aquela sensação de suspense, esperando o que está por vir. Essa música podia estar como trilha sonora de qualquer filme de terror que cairia muitíssimo bem. As partes lentas onde o Araya praticamente declama a letra, traz aquele terror primal atormentado os mais desavisados. Fechando com chave de outro o álbum, vem Mind Control, que pra mim é a mistura da estrutura de todas as outras músicas. Tem de tudo, partes rápidas, partes lentas, partes cadenciadas e é claro, riffs, riffs e riffs! E a produção do disco, pra mim só não é melhor que Reign in Blood. Muito bem gravado e melhor ainda executado.

Disco matador! Daria uma nota 8,0 fácil se fosse pra qualificar, mas a intenção aqui não é essa e sim relembrar e celebrar grandes e ótimos discos que muitas vezes ficaram de fora do que é conhecido como clássico.

Caso tenha a menta mais aberta à sonoridade dos anos 90, venha se deliciar nesse mar de sangue e agressão gratuita. Agora se você procurar o som parecido com o Reign in Blood, Hell Awaits ou o Show no Mercy, passe longe.

Por Leandro Maurício dos Santos

Saldo positivo nos lançamentos do Big Four?


Com o novo álbum do Metallica chegando as lojas nesta sexta feira, 18 de novembro, fecha-se o ciclo de lançamentos dos quatro grandes do Thrash estadunidense. A grande questão que fica pendente neste momento é: o saldo do Big Four foi positivo? 

O Slayer foi o primeiro a lançar e em setembro de 2015 apresentou o surpreendente "Repentless". Sem contar com Dave Lombardo nas baquetas e com Gary Holt (Exodus) substituindo o saudoso Jeff Hanneman, falecido em 2013, a banda mostrou enorme superação e mesmo com a ausência de um dos seus dois grandes compositores, as faixas contidas no novo trabalho foram capazes de chamar a atenção até mesmo dos fãs mais antigos. 

Logo no início de 2016, o próximo integrante do Big Four a colocar nas lojas seu mais novo disco foi o Megadeth. "Dystopia" foi lançado no final janeiro e apresentava a nova formação da banda, com o guitarrista brasileiro Kiko Loureiro (ex-Angra) e o baterista Chris Adler (Lamb Of God) ao lado de Dave Mustaine e David Ellefson. O registro agradou aos fãs com uma musicalidade moderna e um Thrash que prioriza o peso em detrimento da velocidade. 

Um mês mais tarde foi a vez do Anthrax lançar o seu "For All Kings". A única mudança na formação foi a entrada de Jonathan Donais substituindo Rob Caggiano e o trabalho caiu nas graças de toda a mídia, sendo o disco mais vendido do grupo desde o início da década de 90. Diversas faixas fazem menção a fase inicial da banda e mesmo com algumas composições soando mais modernas, a audição é bem balanceada e agradou a grande maioria dos fãs.


Com Slayer, Megadeth e Anthrax lançando registros de peso, a expectativa foi toda direcionada para o Metallica. "Hardwired... To Self-Destruct" será lançado oficialmente em alguns dias, porém todos já devem ter escutado o material, pois o disco vazou na internet.

Em se tratando de Metallica, esperar por uma avaliação unânime do público ou imprensa é pedir muito e como já era esperado, o álbum dividiu opiniões. Não podemos classificar "Hardwired... To Self-Destruct" como Thrash Metal, acredito que o ideal seja Heavy Metal com alguns elementos de Thrash e duas músicas legitimamente Thrash ("Hardwired" e "Spit Out The Bone"). Se por um acaso você pensa que isso diminuiu o disco, está redondamente enganado, pois o novo trabalho de James, Lars, Kirk e Robert Trujillo, segue com a evolução e mudança de postura iniciada em "Death Magnetic" e traz um Metallica tocando de maneira despojada, sem experimentalismos desnecessários e sem mudanças drásticas.  

O disco não é nem de longe inovador, porém passa a quilômetros de distância de tudo o que a banda fez nos esquecíveis anos 90 e início dos anos 2000. É o Metallica tocando Heavy Metal sem se preocupar com rótulos e só por esse motivo, já merece uma ressalva positiva. Para aqueles que argumentarem que nem de longe parece o Metallica dos velhos tempos, a minha resposta é simples, qual dos quatro trabalhos aqui apresentados lembra os melhores momentos do passado das respectivas bandas? Com exceção de algumas poucas músicas, nenhum deles foi composto pra se parecer com o passado glorioso, então o que vale pra um, vale pra todos.

Em um balanço geral, os quatro integrantes do Big Four apresentaram trabalhos dignos e confirmaram o ótimo momento do gênero. Se as bandas novas vem roubando a cena e lançando discos surpreendentes, os veteranos não vem deixando a desejar e também apresentam álbuns com qualidades inegáveis. 

Que ótima fase vivemos!

por Fabio Reis 


Slayer: assista ao mais novo vídeo clipe para a faixa "Pride In Prejudice"



O álbum "Repentless", lançado em 2015, continua rendendo bons frutos ao Slayer. A série de vídeos temáticos iniciados com a faixa título "Repentless" e a porrada "You Against You", recebe uma nova e sangrenta continuação, desta vez com "Pride In Prejudice".

Você pode assistir ao vídeo acessando o link abaixo:



Slayer: futuro da banda é incerto, será este o fim?


Em meio a uma onda devastadora de nomes renomados da música pesada anunciando o seu fim e muitas outras bandas ainda tocando, porém com formações que parecem mais uma concha de retalhos do que suas formações clássicas, eis que surge mais uma notícia que se por um acaso se confirmar, dará mais um duro golpe no Metal, mais especificamente no Thrash.

Em uma entrevista recente a Loudwire , em um clima de descontração Tom Araya foi questionado sobre aposentadoria, o baixista e vocalista do Slayer respondeu a questão da seguinte maneira:

"Após 35 anos, é hora de recolher a minha pensão (risos). Este é um passo em minha carreira e eu sou grato por temos tocado por cerca de 35 anos, é um tempo muito longo. Então sim, para mim é a hora. Quando nós começamos tudo foi ótimo, porque sabe, você  é jovem e invencível, mas depois chegou uma hora em que eu me tornei um homem de família. Tive um momento difícil voando pra lá e pra cá, então agora, nesta fase, no nível que estamos agora, eu posso fazer isso, eu posso voar de volta para casa quando eu quero, em dias de folga eu passo algum tempo com a minha família, que é algo que eu não era capaz de fazer quando meus filhos estavam crescendo. Agora os dois estão mais velhos e maduros, então eu vou tirar vantagem disso"

Tal declaração liga um sinal de alerta e é impossível não lembrar dos anos recentes e todos os acontecimentos envolvendo a banda. O Slayer conseguiu seguir adiante mesmo quando perdeu dois de seus membros originais, Dave Lombardo saiu por discordar da maneira como Kerry King trata os negócios relacionados ao grupo e Jeff Hanneman faleceu em 2013. 

Muitos fãs não acreditavam e não queriam que a banda seguisse, principalmente sem Jeff, o responsável por uma grande parte das composições, porém Gary Holt (Exodus) assumiu o posto e "Repentless", o último disco lançado, acabou surpreendendo a todos e a impressão era a de que o Slayer permaneceria ainda por bons anos na ativa.


A grande pergunta que fica agora é, levando em conta o fato de que Tom odeia estar em turnês e agora com a declaração pública de que o músico pretende se aposentar, poderia a banda seguir em frente? Sinceramente não consigo nem imaginar o Slayer no palco sem a presença e a voz característica e inconfundível do senhor Araya. 

Kerry King foi questionado sobre tais declarações e sobre os planos de Tom para o futuro do Slayer, a resposta foi a seguinte: "É totalmente incerto. É apenas como ele é. Não sei se ele gosta de guardar as suas cartas na manga ou o quê. Quero dizer, eu não tenho uma resposta, eu estou adiando um monte de coisas que eu quero fazer na minha casa só porque eu não sei se eu vou estar trabalhando daqui a dois anos. Aliás, vou estar trabalhando, espero que com o Slayer. Sim claro, o que mais eu estaria fazendo? Eu saí da escola e caí em uma porra de uma turnê (Risos)."

Após a resposta de King, inevitavelmente a pergunta seguinte foi relacionada a um fim próximo para o Slayer, "Não para mim. Não para mim cara. Especialmente depois de um bom registro. Não sei se tocarei por mais 35 anos, mas ainda gravarei mais um ou dois álbuns."

A situação da banda segue indefinida e mesmo que Tom seja persuadido a permanecer por mais alguns anos, mesmo que grave mais um disco, o grupo não parece ter folego para muito mais e a cada dia, o fim parece estar mais próximo.

O encerramento das atividades de um ícone máximo da música extrema como o Slayer parece ser algo difícil de superar, porém caso aconteça, devemos nos lembrar que deixaram um legado fantástico e que sem dúvidas, jamais será esquecido. A única situação que seria realmente desastrosa, seria ver um Slayer subindo ao palco com Kerry King sendo o único integrante da formação original, espero que isso não aconteça.

por Fabio Reis

Política: O que os grandes ícones do Metal estadunidense pensam a respeito de Trump


Se o Brasil vive um momento conturbado na política com um processo de Impeachment pra lá de polêmico e um início de mandato cheio de escândalos do atual presidente em exercício, nos EUA a corrida presidencial vem sendo alvo de diversas especulações e graças as declarações do candidato Donald Trump e suas posições pra lá de questionáveis, há um grande debate em exercício no país.

Vocês devem estar se questionando o que o Metal tem a ver com isso não é? 

Bem, em estilos mais extremos como o Thrash e o Death Metal, é bem natural que as bandas se inspirem exatamente na política para elaborar as suas letras. Protestos e pontos de vista sobre o tema são bem naturais em álbuns de Metal, assim como é natural os integrantes das bandas se posicionarem a favor ou contra partidos e políticos em específico. 

O por que de tanto ódio e principalmente o falatório em cima do candidato republicano Donald Trump, se deve ao fato de que o megaempresário deu declarações em que acusava o México de enviar drogas e estupradores através da fronteira dos EUA e prometeu caso fosse eleito, "construir um muro" entre os dois países. 

O governo mexicano rebateu as acusações dizendo se tratar de idéias preconceituosas e desde então, músicos renomados do Metal vem emitindo as suas opiniões sobre a candidatura de Trump.

Eric Peterson, guitarrista do Testament, opinou sobre as eleições de 2016 em uma entrevista ao PlanetMosh:

"Eu realmente não sou um republicano, eu gostava de algumas das coisas que Donald estava dizendo, em primeiro lugar, você sabe, quando você retirar os trocadilhos, é bem legal. Ele teria sido o presidente perfeito nos anos 40, quando tudo era mais pró-americano e o mundo não era tão voltado para os EUA, seria ótimo, mas o mundo agora é todo globalizado e precisamos parar de falar sobre a construção de paredes, ele precisa ser mais global e não ficar dizendo, você sabe, "fora muçulmanos!'" ou "os mexicanos..." e eu tenho certeza que isso não significa que ele quer isso. Ele é mais como uma pessoa normal e está aprendendo que você não pode simplesmente dizer o que pensa na política, você simplesmente não pode. As pessoas vão realmente julgar o que ele disse, seria como eu me candidatando à presidência, provavelmente diria um monte de coisas estúpidas, mas eu não quis dizer isso. Eu só estou dizendo que, entendam, "eu penso em dizer isso, mas na verdade eu quis dizer de uma outra maneira" e eu acho que ele está descobrindo isso."

O guitarrista do Slayer Kerry King, como sempre, expressou sua opinião de forma menos polida e disse a revista Rolling Stone:

"Eu certamente não sou um analista político, mas eu acho que Hillary Clinton é a escolha correta. Trump é apenas um espetáculo que eu nem vou pedir desculpas a todos os seus seguidores. Eu acho que a razão pela qual ele é tão popular é porque ele é como a versão política da WWE, ele é sensacional como um wrestling e é por isso que a media americana o ama, ele é o maior mentiroso que eu já vi na política. Quer dizer, a maioria deles são mentirosos, mas ele apenas despeja mentiras na sua face"

Outro músico conhecido por tecer letras ácidas sobre a política global, principalmente sobre a dos EUA e que também falou sobre o tema foi o líder e fundador do Megadeth, Dave Mustaine. O guitarrista e vocalista conversou com um fã através do Periscope e quando questionado se era um fã de Trump, respondeu o seguinte:

"Eu sou um fã de Donald Trump. Bem, ele é um empresário muito bem sucedido e se eu vou votar nele? Isso não é da sua conta. Se eu fosse eu não iria lhe dizer e se não fosse, eu também não iria te dizer. O que eu posso te dizer é que não voto em Hillary, gostaria de votar a favor de Vic Rattlehead (a mascote da banda)"

Muitos outros artistas e personalidades expressaram as suas opiniões, o Brujeria até prestou uma "singela homenagem" a Trump em seu recém lançado single, "Viva Presidente Trump!". Confira a canção através do link abaixo:


Este é sem dúvidas o assunto do momento na terra do Tio Sam e os músicos ligados ao Metal em sua maioria, dão as suas opiniões sem que milhares de julgamentos ocorram, simplesmente cada um possui a sua visão e a expõe, bem diferente do que ocorre no Brasil, onde cria-se regras para tudo e qualquer declaração vira um debate sem fim e sem respeito algum ao próximo.

Recentemente a banda Violator expressou o seu sentimento, em forma de um xingamento ao político Jair Messias Bolsonaro em sua página oficial do Facebook, o resultado foi uma verdadeira guerra onde centenas de frases prontas e a maioria delas, sem embasamento algum, desferiram teorias nonsense e regras sobre como um headbanger deve se enquadrar politicamente para que tenha ou não direito de ouvir Metal. Uma tremenda babaquice de ambas as partes.

Gostaríamos de saber o que pensam a respeito das declarações dos músicos e como uma possível eleição de Donald Trump afetaria o mundo?

Observação importante: esta postagem é informativa e com a pergunta acima, pretendemos promover um debate de idéias, sem xingamentos e principalmente, contando com o respeito a idéias opostas. Ninguém é o dono da verdade suprema e cada indivíduo pode e deve exercer o direito de expor suas opiniões, porém sempre respeitando o próximo. Qualquer comentário desrespeitoso será imediatamente apagado.

por Fabio Reis

Slayer: fã é expulso de show após cuspir em Tom Araya


Durante uma apresentação da banda Slayer na última quinta feira (21/07/2016) na Comic Con em San Diego um fã cuspiu em Tom Araya, após o incidente o fã foi retirado do local do show.

Confira no vídeo:



Da série "EPerfeição": relembre quatro EP's clássicos e impecáveis


EP é a sigla utilizada para designar o termo "extended play" e faz menção a discos que possuem duração maior que um single ou compacto simples, mas não possuem o tempo correspondente a um álbum completo, geralmente possuem 4 músicas, porém isso não é uma regra. Na década de 80, foram muitas vezes chamados de mini álbuns devido aos mini LP's.

Muitas bandas fazem uso até hoje do lançamento de EP's e desde que surgiram, muitos deles ficaram marcados como peças fundamentais nas discografias de diversos grupos. Chamamos de "EPerfeição" o EP que além de possuir material inédito, também é detentor de composições excepcionais, clássicas e fundamentais nas trajetórias das bandas.

Desde sempre, o Mundo Metal tem com foco apresentar as grandes novidades da música pesada e também relembrar os clássicos do passado. Sendo assim, apresentamos quatro EP's simplesmente fantásticos, cada um deles trazendo clássicos importantíssimos e que somaram muita qualidade as trajetórias de Mercyful Fate, Slayer, Helloween e Megadeth.


Mercyful Fate - "Mercyful Fate" (1982)

Este lançamento antecede o clássico álbum de estréia da banda e traz uma sonoridade bem diferenciada pra época, tanto na parte vocal trazendo os lendários vocais de King Diamond, como também apresentando um instrumental muito original e uma dupla de guitarristas magnífica.

Faixas:

1. "A Corpse Without Soul" 
2. "Nuns Have No Fun"  
3. "Doomed by the Living Dead"  
4. "Devil Eyes"


Slayer - "Haunting The Chapel" (1984)

"Haunting The Chapel" foi lançado após o lançamento do mítico debut "Show No Mercy" e é o passo mais importante na guinada musical que o Slayer promoveu em sua musicalidade. Se no registro de estréia, temos um Speed Metal com muitos elementos das bandas pertencentes a NWOBHM e apenas alguns elementos do que viria a ser o Thrash propriamente dito, neste EP a banda executa composições que contem as principais características do estilo.

Faixas:

1. "Chemical Warfare"  
2. "Captor of Sin"  
3. "Haunting the Chapel"  
4. "Aggressive Perfector"


Helloween - "Helloween" (1985)

Este EP é responsável pela introdução do Helloween na cena mundial, se anos mais tarde o grupo se caracterizaria pelo Power Metal melódico e ritmos mais alegres, aqui o Speed Metal come solto e os vocais, riffs, solos e composições de Kai Hansen, aliados ao poder criativo de Michael Weikath, transformam um simples EP de estréia em um dos maiores registros da década de 80.

Faixas:

1. "Starlight" 
2. "Murderer"
3. "Warrior" 
4. "Victim of Fate" 
5. "Cry for Freedom"


Megadeth - "Hidden Treasures" (1995)

Este lançamento coroa a fase fantástica que o Megadeth vivia na década de 90. Após dois álbuns que atingiram grande sucesso comercial, "Countdown To Extinction" (1992) e "Youthanasia" (1994), a banda se tornou extremamente popular e começou a receber convites específicos. "Hidden Treasures" traz seis canções compostas para servir de trilha sonora para filmes de Hollywood e mais três covers.

Faixas:

1. "No More Mr. Nice Guy" (Alice Cooper cover e trilha sonora de Shocker)
2. "Breakpoint" (Trilha sonora de Super Mario Bros.)
3. "Go to Hell" (Trilha sonora de Bill & Ted's Bogus Journey)
4. "Angry Again" (Trilha sonora de Last Action Hero)
5. "99 Ways to Die" (Trilha sonora de The Beavis and Butt-head Experience)
6. "Paranoid" (Black Sabbath cover)
7. "Diadems" (Trilha sonora de Tales from the Crypt Presents Demon Knight)
8. "Problems" (Sex Pistols cover)



por Fabio Reis

Slayer: banda recebe disco de ouro ainda no palco


Após a apresentação da banda no Jarocin Festival, na Polônia, o Slayer foi surpreendido em receber ainda no palco, o disco de ouro referente as vendas de "Repentless" (2015), o mais recente trabalho lançado pelo lendário quarteto.

No total somaram-se mais de 10 mil cópias vendidas apenas na Polônia e o grupo agradeceu seus fãs através de mensagens em suas redes sociais.

Discos Trintões: Slayer - "Reign In Blood" (1986)


“Reign in blood”. Só de ouvir esse nome, o que vem a mente são  frases como: “Obra prima”, “melhor disco do Slayer”, “melhor disco do Big Four”, e até mesmo “melhor disco de Thrash Metal já lançado”. Alcunhas que não são desproporcionais a obra que gerou o quarteto oriundo de Huntington Park e não há como negar que Tom, Jeff, Kerry e Dave, marcaram época com o terceiro álbum da banda, que alias não era aguardado com bons olhos pelos fãs.

Nos dias de hoje, 30 anos depois de seu lançamento, é quase impossível encontrar um aficionado por Slayer que não idolatre “Reign in blood”, clima bem diferente dos meses que antecederam o seu lançamento. A noticia que o grupo avia trocado a Metal blade records, tradicionalíssima gravadora de Heavy Metal e suas vertentes, pela Def Jam de Rick Rubin, gravadora essa que acreditem, era voltada para o Hip-hop e contava com artistas como Run DMC e Beastie Boys, caiu como uma bomba para os thrashers mais xiitas.

Os fãs tinham medo do Slayer resolver se distanciar de sua musicalidade característica e resolver gravar algo na linha de “Master of Puppets”, lançado meses antes, e fazer um som comercial e mais “digerível” seria imperdoável para aquela que já era intitulada “a banda mais pesada do mundo”.

Tais medos e desconfianças, é claro foram estraçalhados depois do lançamento oficial do álbum, quem achava que a banda seria mais amena se calou nos primeiros 20 segundos do full-length, mais especificamente no icônico grito de Tom na abertura de “Angel of death”.

Jeff e Kerry disseram que a banda na época da gravação, estava ouvindo muito Metallica e Megadeth e decidiram criar composições na direção contraria das duas bandas, ou seja, canções consideravelmente menores e diretas.

O antecessor “Hell awaits”, que tinha duração de 37 minutos e apenas 7 faixas, foi o oposto do que foi apresentado em “Reign in blood”, com 10 faixas e apenas 29 minutos. As letras são mais viscerais e grotescas, além de ter riffs mais velozes e pesados. O tema das canções mostrava uma nova direção, além da produção mais limpa que a do álbum prévio.

Musicalmente, não há o que discutir, o trabalho é absurdamente violento e brutal, merecendo adjetivos como “pedrada”, “porrada” e “destruição sonora”, com honras.


Em 1986 o Slayer definiu novos parâmetros para o Thrash Metal, apostando em uma musicalidade extremamente veloz e ao mesmo tempo incrivelmente pesada, tudo isso feito com uma técnica das mais refinadas. 

A critica especializada e os fãs adoraram, mas a arte da capa e o conteúdo lírico não agradaram a Columbia Records, que se recusou a fazer a distribuição do álbum, fato que atrasou o lançamento em alguns meses. Por fim, a Geffen Records foi quem acabou encarregada da distribuição embora o disco jamais tenha constado em seu catálogo.

Em um trabalho tão uniforme, escolher um destaque não é tarefa fácil, todas as musicas são geniais e fantásticas, mas a abertura e encerramento do álbum se tornaram com o passar dos anos, mais que geniais e passaram a ser hinos do Thrash Metal, “Angel Of Death” e “Raining Blood”, são duas das composições mais icônicas do Slayer e o fato de serem respectivamente, a abertura e o encerramento do álbum, foi uma ótima sacada da banda, a frase “perfeito do inicio ao fim” nunca fez tanto sentido como em Reign in blood”.

Apesar da quase ausência de divulgação pelas rádios e pela grande mídia, este álbum conseguiu atingir a 94ª posição nas paradas norte-americanas e ainda chegou na 47ª posição da parada britânica. Seja pelas boas vendas, seja pelo conteúdo, o registro rivalizou com os grandes lançamentos do ano, como os dos britânicos do Iron Maiden, Judas Priest e Black Sabbath, mas principalmente com seus conterrâneos do Metallica e Megadeath. 

Tanto Jeff Hanneman quanto Tom Araya, já afirmaram que Reign in Blood foi o ápice da banda, para Araya, “Christ illusion”(2006), foi o que chegou mais próximo.
“Reign In blood” definiu novos parâmetros para o Thrash Metal, influenciando uma infinidade de bandas dentro do estilo, mas influenciar “apenas” grande parte das bandas do mesmo estilo era muito pouco para uma obra como esta, então este foi também o disco que influenciou bandas como Death e Possessed, auxiliando na definição dos parâmetros que ocasionaram no nascente do Death Metal. Um verdadeiro marco para a história da música extrema.
Obrigatório!



Integrantes:

Tom Araya (baixo e vocal)
Jeff Hanneman (guitarra)
Kerry King (guitarra) 
Dave Lombardo (bateria)

Faixas:

1. Angel of Death 
2. Piece by Piece 
3. Necrophobic 
4. Altar of Sacrifice 
5. Jesus Saves 
6. Criminally Insane 
7. Reborn 
8. Epidemic 
09. Postmortem 
10. Raining Blood

por Vitor Hugo Quatroque
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