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Havok - "Conformicide" (2017)

 Century Media Records

Mundo Metal [ Lançamento ]



O renascimento do Thrash Metal dividiu os fãs do estilo em dois campos opostos. De um lado, há aqueles fãs que sentem fortemente que nenhuma banda de Thrash moderna poderia superar as bandas clássicas que lançaram as bases do estilo, argumentando que as bandas da nova geração apenas reciclam riffs e não fazem nada que soe original. 

Do outro lado estão aqueles que abraçam completamente o movimento Neo Thrash, banqueteando-se com sua homenagem aos grandes expoentes do estilo, levantando a bandeira e carregando a tocha empírica do Thrash Metal.

Os primeiros devem estar fingindo ignorância, pois o movimento Neo Thrash nunca teve a presunção de substituir os grandes ícones do estilo, cujo legado é incontestável, mas sim, dar continuidade. 
O mesmo tem gerado algumas bandas excepcionalmente talentosas, dentre essas bandas, e sem dúvida no topo, está Havok de Denver.

Uma banda ainda relativamente jovem, sua estreia em (2009) com "Burn" foi certamente uma homenagem aos clássicos álbuns de Thrash que seus integrantes cresceram ouvindo, mas repleto de uma visão de originalidade e fúria.

O registro seguinte, "Time Is Up" de (2011), foi um salto à frente do Thrash clássico de "Burn", fazendo a banda mergulhar confortavelmente numa sonoridade mais técnica, sem abrir mão de sua ferocidade
"Unnatural Selection" (2013) foi uma mistura saudável de ambos, associando seu Thrash moderno com uma quantidade justa de Crossover, mas ainda deixando muito espaço para crescer. 
Agora, quatro anos mais tarde, o Havok, desencadeou seu quarto registro completo, "Conformicide", e valeu a pena esperar. 


No passado, a inovação provou ser o pior inimigo do Thrash Metal, mas o mais recente trabalho da banda prova que não necessariamente tem que ser assim, e que nem todos os álbuns têm que soar como "Master Of Puppets" ou "Reign In Blood", a fim de capturar esse espírito mágico dos anos 80 e traduzi-lo em algo novo para a atual geração e isso a banda conseguiu executar com maestria. 

Este é um daqueles álbuns que ratifica claramente que o  estilo não é apenas e então somente encadeado e engessado pela estilística oitentista, e sim pode-se utilizar e incorporar livremente influências dentro e fora do Metal, sem descaracterizar a proposta inicial do bom e velho Thrash Metal.

O resultado de tudo isso é uma coleção de canções bastante longas e extremamente multifacetadas que misturam velocidade, interlúdios, extensas passagens acústicas e agressividade.

As dez faixas que compõem "Conformicide" desdobram-se lentamente através de 58 minutos, esparramando-se em uma miríade de direções, repletas de técnica, floreios rítmicos insanos e linhas de baixo e riffs que vão fazer você banguear até o nariz sangrar. 

As linhas de baixo merecem menção especial, pois marca a estréia do novo baixista, Nick Schendzielos (Job For A Cowboy, Cephalic Carnage) emprestando seu talento virtuoso.
Seu estilo funky, slap-heavy desempenha um papel proeminente na totalidade do registro, oferecendo um desempenho do mais alto nível que faria Les Claypool orgulhoso.
Em outro canto da seção rítmica está Pete Webber, que equilibra técnica, ferocidade e velocidade fazendo uso pleno de seu kit de forma inexorável, com uma sensibilidade rítmica impecável com a precisão de um sommelier.
Ambos conduzem um seção rítmica poderosa ao extremo, quase telepática às vezes, mas mais do que isso, eles são verdadeiramente inventivos.

Os guitarristas David Sanchez e Reece Scruggs tecem riffs de condução cheios de intenções brutais e afiados com ganchos de ligação irresistíveis, nenhum riff é reciclado e nenhum solo soa reconstruído, dando a cada canção sua própria identidade. 


No departamento lírico, Sanchez cospe com ódio venenoso sobre as mentiras e traições e uma variedade de tópicos, desde política, meios de comunicação, religião, até a censura da cultura do politicamente correto em que nos encontramos, utilizando plenamente para isso sua assinatura vocal peculiar. 

A produção de Alan Douches é cristalina e equilibrada, o resultado é uma banda em que todos os membros brilham majestosamente exibindo uma sonoridade exuberante e completa, desde o segundo em que você pressiona play até o segundo final, o registo soa fantástico. 

"FPC" é uma ótima abertura para o álbum, começa com uma introdução de guitarra acústica melódica antes de um riff assassino, aos poucos é dominada por alguns funky, groovy slap-bass, pois coloca um foco sobre a direção aonde o Havok pretendente levar sua música, sem medo de romper limites, trabalhando com sabores de outros gêneros musicais, aliada a uma letra bastante clara e ousada: "Eles querem te calar, e colocar sua mente em uma gaiola"

"Hang 'em High" é uma crítica aberta ao governo dos EUA, "O inimigo não vem do exterior", regada com seus riffs frenéticos e seção rítmica urgente.

"Dogmaniacal" é uma canção selvagem efervescendo uma aversão à religião em todos os níveis, "Você olha com seus olhos, Mas você não consegue ver, Porque você está cego, cego pela ideologia religiosa" enquanto um pouco contraditoriamente mostra algumas das mais fortes intenções melódicas ao longo do registro. 

A introdução para 'Intention To Deceive' é absolutamente brilhante. "... e nas notícias de hoje, cobrimos histórias triviais para distraí-lo do que realmente está acontecendo no mundo", o que se segue é um forte e incisivo groove carregado, com riffs que são instantaneamente viciantes, com letras se referindo a preocupação com o posicionamento da mídia que mente e manipula a população. 


"Ingsoc", uma referencia a obra-prima de George Orwell, 1984 e seu partido "Newspeak", se baseia em uma introdução estranha, mas atraente, oferecendo na sequencia um buffet de riffs cativantes antes de se estabelecer em um que finalmente propulsa a canção assim como uma turbina de um caça supersônico. 

"Masterplan", com sua introdução lembrando uma marcha militar acompanhada de riffs melódicos pegajosos, trazendo em sua letra referencia aos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. 

"Peace Is in Pieces" repleta de raiva e agressividade, é uma canção impressionante, uma trilha peculiar possuindo uma pegada Hardcore/Punk em cima de uma abertura insolente que chama a atenção,

"Claiming Certainty" o bom e velho Thrash Metal que tanto amamos, rápido e direto, contendo uma muralha de riffs intransponível. 

"Wake Up" revela uma introdução apocalíptica, buzinas, gritos e tiros ao fundo, é mais uma vez um caso acelerado e frenético riffs  rugindo de todos os lados, mas abertamente melódica. 

"Circling the Drain" tem o que quase pode ser descrito como um raio positivo de esperança em seu tom, um chamado para a humanidade se levantar contra todos seus aspectos negativos para construir um amanhã melhor.

"String Break" a canção mais curta do álbum, repleta de coros polifônicos ameaçadores. 

E finalmente "Slaughtered" cover do Pantera, originalmente gravada no álbum "Far Beyond Driven" (1994) com sua levada, pesada e grooveada na medida certa, fechando o registro.


Considerações finais:

Com o risco de fazer uma declaração ousada, "Conformicide" provavelmente será lembrado como um clássico do Thrash moderno. 
A banda sem duvida alguma trouxe à luz seu trabalho mais completo e eloquente até hoje. Poucos álbuns na memória recente captam a atitude e a essência do Thrash Metal tão perfeitamente quanto esse registro o faz.


Avaliação: 9,5


Integrantes:

David Sanchez - Vocal e Guitarra 
Pete Webber - Bateria
Reece Scruggs - Guitarra e Vocal (backing)
Nick Schendzielos - Baixo e Vocal (backing)

Faixas:

01. F.P.C.
02. Hang ‘Em High
03. Dogmaniacal
04. Intention to Deceive
05. Ingsoc
06. Masterplan
07. Peace Is in Pieces
08. Claiming Certainty
09. Wake Up
10. Circling the Drain
11. String Break
12. Slaughtered


Redigido por Claudio Santos

Megadeth: Dave e Justis Mustaine rebatem acusações do Havok


Dave Mustaine e seu filho Justis, rebateram as acusações feitas no dia 17 de agosto na página oficial da banda estadunidense Havok. A nota dizia que o grupo foi "chutado" da turnê em conjunto com o Megadeth por não assinar um contrato que era na opinião da banda "inaceitável" com a Mustaine Management.

Dave Mustaine ao ler a nota oficial escrita pelo vocalista e guitarrista David Sanchez, fez alguns comentários em seu Twitter. Eis alguns deles:

"Foi oferecido a eles um contrato padrão da indústria, o mesmo que eu tenho. Cinco meses depois, ainda não haviam assinado, então eles caíram fora

Mustaine escreveu ainda que o Havok "Deixou de pagar milhares de dólares à Justis", acusou a banda "Eles não estão pagando suas contas." e ainda acrescentou: "Pergunte à empresa de merchandising que conseguimos pra eles se foram pagos"

Justis Mustaine também se defendeu e através de seu Facebook, deixou a seguinte nota:

"Eu trabalhei com o Havok por um ano. Apesar de ter pagado o Havok, os comercializado e exposto em todo esse tempo, trazendo-lhes um novo acordo de merchandising, agente de reservas e fiscalizado o que foi claramente o seu maior ano, fui recompensado pobremente por meu trabalho, então eu finalmente coloquei um contrato na frente deles, que iria me proteger em 15% da renda (o padrão da indústria). Eles se recusaram a concordar, por isso eu os deixei. Eu desejo ao Havok tudo de melhor em seus esforços para ser uma banda profissional, mas como evidenciado pelo fator fofocas, eles ainda tenho um longo caminho a percorrer. Ótima música e grande banda!"

O Havok foi oficialmente substituído na turnê em conjunto com o Megadeth pela banda Lillake, grupo que conta com o ex-guitarrista do Suicidal Tendencies, Nico Santora. 

Me parece que desta vez, Mustaine não vetou a banda como foi exposto pelo Havok, o que houve foram questões contratuais e a falta de um acerto que satisfizesse ambas as partes.

Havok: mais uma banda vetada por Dave Mustaine


Desta vez não houveram questões religiosas, o motivo que fez com que o Havok anunciasse em sua página oficial que estava fora da turnê em conjunto com o Megadeth, foram por motivos contratuais ligados a Mustaine Management, empresa associada a Dave Mustaine e que segundo os membros do Havok, ofereceu um contrato inaceitável ao grupo.

Todos os detalhes são explicados na nota oficial publicada por David Sanchez, guitarrista e vocalista da banda, confira:


"Comunicado para a imprensa:

Com profundo pesar, somos obrigados a informar os fãs de Metal que nós não estaremos na próxima tour com Megadeth, Amon Amarth, Suicidal Tendencies e Metal Church. Nós também não iremos para o México no final de agosto e início de setembro como foi planejado.

Estávamos realmente ansiosos para esses shows, mas infelizmente o senhor Mustaine escolheu nos retirar da programação. As razões da nossa ausência estão relacionadas diretamente com a insistência em negociar um contrato com a Mustaine Management - uma negociação que se mostrou errada. Estamos autorizados a dizer que nos ofereceram um contrato de gestão inaceitável com a Mustaine Management, nós declinamos.

Enquanto trabalhávamos com o nosso advogado para negociar os termos do contrato, Mustaine Management ameaçou nos chutar fora da turnê com o Megadeth, Mustaine Management por repetidas vezes não respondeu nossos telefonemas e e-mails e eventualmente nos disse (através de seu advogado) que Mustaine Management já não trabalha mais com o Havok. Nós estamos divulgando tais informações para dar aos nossos fãs uma honesta satisfação sobre as razões pelas quais não estaremos nas turnês.

Não podemos revelar mais detalhes neste momento (até a diretiva de nosso advogado), mas no entanto, gostaria de agradecer a Mustaine Management pelas oportunidades que trouxeram para a mesa no passado enquanto trabalhávamos juntos. Também gostaríamos de pedir desculpas para os fãs que não serão capaz de nos ver  - sentiremos falta de todos vocês. Novas datas da turnê serão anunciadas em breve e estamos ansiosos para estar de volta na estrada para balançar nossas cabeças com os melhores fãs do mundo."
(David Sanchez)


A Mustaine Management ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Trinca de Ases: Havok


Com a chegada de uma nova geração extremamente talentosa, capaz  de apresentar excepcionais novas bandas e lançar grandes trabalhos, temos ao mesmo tempo muitos medalhões do estilo  voltando a empolgar. Juntamente com os nomes mais recentes, os grandes ícones também vem compondo registros repletos de referências as suas melhores fases e talvez seja este, o principal motivo para o inquestionável auge que o Thrash Metal vive desde a virada do século.

Com esta união entre o “velho” e o novo, o estilo é nos dias de hoje, um dos subgêneros mais cultuados de todo o Metal. É claro que não podemos nos esquecer que o Thrash passou pela década de 90 com seus maiores representantes lançando discos mais amenos e alguns, experimentando sonoridades bem diferentes das mostradas em seus clássicos dos anos 80. Foi apenas a partir do ano 2000, que o gênero finalmente amadureceu e voltou empolgar.

De toda esta nova e promissora safra, uma banda que desde o início me chamou a atenção é o Havok. Formado em 2004, natural dos Estados Unidos, mais precisamente na cidade de Denver, Colorado, o grupo vem cravando seu nome como um dos principais destaques da cena e conquistando cada vez mais fãs ano após ano.


A banda possui total inspiração nos grandes nomes que ajudaram a moldar o estilo em seu surgimento e conseguem trazer com muita competência, toda essa influência de uma forma bem moderna. Mesmo com todos estes elementos mais atuais, jamais deixam de soar “old school” e cada um dos seus discos, mostra grande evolução, com características marcantes e uma musicalidade bem definida.

A discografia desta grande revelação estadunidense é uma prova irrefutável de que o Metal não vive apenas de bandas formadas na década de 80. Qualquer ouvinte desavisado que por ventura ainda tenha dúvidas sobre a competência desta mais nova geração, certamente irá se surpreender com a qualidade, técnica e criatividade contidas nos três álbuns do grupo. Pra quem ainda não conhece, estes são OS DISCOS a serem ouvidos:

“Burn” (2009)

Álbum de estréia. Uma verdadeira viajem ao mais puro Thrash Metal oitentista. Músicas cheias de viradas repentinas, riffs marcantes, solos muito bem elaborados e os vocais de David Sanchéz, que caem como uma luva na sonoridade da banda.

Faixas como “The Root Of All Evil”, “Morbid Symmetry”, “Category Of The Dead” e “Afterburner” caíram imediatamente nas graças de todos os apreciadores do estilo e transformaram o grupo na mais nova promessa do Metal.



“Time Is Up” (2011)

Sem dúvidas, trata-se de um dos trabalhos mais inspirados apresentados nos últimos anos e inclusive, na humilde opinião deste redator, “Time Is Up” pode até mesmo ser considerado um novo clássico do Thrash.

Sendo uma evolução natural do debut, mas com uma inspiração e criatividade muito acima do esperado, o que chama a atenção é a capacidade do grupo em compor riffs grudentos e tecer canções à moda antiga, em que com poucas audições, solos, refrões e passagens se tornam marcantes e se fixam com facilidade no subconsciente do ouvinte.

Indico a audição cuidadosa do trabalho como um todo e destaco algumas faixas que, sem dúvidas, se tornaram indispensáveis nos “set lists” do grupo. “Fatal Intervention”, “D.O.A.”, “Covering Fire”, “Killing Tendencies” e a faixa título “Time Is Up”, são ótimos exemplos de músicas que tem tudo para ser chamadas de hinos do estilo em poucos anos.



“Unnatural Selection” (2013)

Para muitas pessoas, o terceiro álbum é o que marca a consolidação de uma banda. Se esta afirmação realmente é verídica, podemos afirmar que o Havok passou no teste com louvor e se firma na cena Thrash com possibilidades reais de alçar vôos mais altos.

“Unnatural Selection” apresenta todas as principais características dos dois registros anteriores e ainda consegui dar mais um passo. O disco mostra uma nova faceta da banda, onde canções mais cadenciadas e grudentas, que acrescentam ainda mais elementos a sonoridade encorpada do quarteto.

“Worse Than War” e “It’s True” são provas desse amadurecimento, enquanto “Give Me liberty, Or Give Me Death”, “Unnatural Selection” e “I Am The State”, mostram o Thrash rápido, cortante e habitual do grupo, fazendo com que o trabalho mantenha o nível de qualidade apresentado até o momento, em todos os seus lançamentos.




Este ano, o novo álbum da banda será lançado. Aguarde, pois mais Thrash Metal de qualidade vem aí!

por Fabio Reis


Os dez melhores discos da nova safra do Thrash (Parte 1): Havok - "Time Is Up" (2011)


Não poderia começar esta série de resenhas senão com este trabalho dos estadunidenses do Havok. Uma das bandas pertencentes a nova geração do Thrash e que além de soar old school, possui uma série de características que merecem ressalva.

Se o amigo leitor é fã do estilo, mas ainda não ouviu a musicalidade do quarteto oriundo da cidade de Denver, Colorado, o primeiro elemento que irá chamar a atenção será a forte influência das bandas da Bay Area de meados da década de 80. O mais legal nisso tudo é que apesar dessa referência, o grupo não soa como uma cópia de nenhuma delas e apresenta um som bem original, tanto com relação a construção das faixas como também no que se refere aos riffs, solos e refrões. 

O Havok nasceu em 2004 e este "Time Is Up", é o seu segundo registro oficial, para a maioria dos fãs é também a sua obra prima, impecável do início ao fim e repleto de canções marcantes, o disco  se destacou até mesmo em meio aos ótimos trabalhos que vem sendo lançados pelos medalhões do estilo.

Há uma infinidade de novos nomes do Thrash, porém poucos conseguem a diversidade do Havok. Suas composições possuem como principal característica, soar extremamente diferentes entre si e aquela sensação de estar escutando um disco com uma única faixa contínua é absolutamente inexistente. As mudanças rítmicas e os riffs elaborados, trazem de volta aquele fator que as bandas antigas usavam e abusavam, onde após ouvir poucos segundos de alguma composição, sabíamos quem era o artista, qual a música e o disco, esse é um diferencial importante e que poucos grupos conseguem atualmente.


Sobre as faixas de "Time Is Up", temos um trabalho altamente empolgante desde a abertura com "Prepare For Attack" até o encerramento com a música que dá nome ao álbum. Para destacar algumas composições, precisarei usar além de critérios técnicos, o meu gosto pessoal, já que o disco é homogêneo e qualquer canção citada poderia ser mencionada como destaque tranquilamente.
Citarei apenas quatro momentos do álbum, pois acredito que são os capazes de resumir toda a proposta da banda. São eles:

"Fatal Intervention": Uma canção direta, com ótimos riffs, andamento acelerado, um refrão grudento e com uma das principais características da banda: solos marcantes, daquele tipo que você "canta o solo" e dessa forma, fugindo das fritações e exibicionismo exacerbado. Um ótimo cartão de visitas.

"D. O. A.": Esta considero não apenas a melhor faixa do álbum, como uma das melhores de toda a carreira da banda. Com um início arrebatador que conta com um solo em dueto de David Sanchez e Reece Scruggs e um andamento bem cadenciado, a composição vai se desenvolvendo até chegar em seu clímax, com breques certeiros, riffs cavalgados e explode num final a lá Slayer, com andamento rápido e vocais viscerais, transformando os momentos finais em insanidade pura.

"Covering Fire": A típica música de Thrash Metal, uma porrada do início ao fim, mostrando que o grupo faz jus ao título de old school e sabe conceber também ótimos clichês do estilo. Uma das preferidas dos fãs nos shows. Indispensável.

"Killing Tendencies":  Cadenciada, com um refrão pra lá de grudento, mostra mais uma faceta do grupo. As linhas de guitarra são excelentes e a capacidade de criar harmonias de fácil aceitação sem fugir da principal proposta é outro elemento interessante na musicalidade do Havok.

Sou um admirador assíduo desta nova safra do gênero e a esta pérola do estilo, se fosse dar uma nota, certamente seria 10 pelo conjunto da obra. Indico também a audição dos outros dois registros, "Burn" (2009) e "Unnatural Selection" (2013), ambos excelentes. 

Atualmente, o grupo se encontra produzindo e gravando seu mais novo trabalho, ainda sem nome, mas com previsão de lançamento para o final do ano. Certamente, um dos discos mais aguardados 2016 e provavelmente, o que estabelecerá de vez o Havok como um dos grandes nomes do Thrash Metal contemporâneo.

Na segunda parte desta série, teremos Metal brazuca, aguardem!

Integrantes:

David Sanchez (vocal e guitarra)
Reece Scruggs (guitarra)
Pete Webber (bateria)
Nick Schendzielos (baixo)

Faixas:

1. Prepare For Attack
2. Fatal Intervention
3. No Amnesty
4. D.O.A.
5. Covering Fire
6. Killing Tendencies
7. Scumbag In Disguise
8. The Cleric
9. Out Of My Way
10. Time Is Up

por Fabio Reis

Havok: David Sanchez deixa mensagem empolgante na página oficial da banda



Como foi anteriormente noticiado, o Havok está no processo de produção de seu mais novo álbum de estúdio. Ainda sem nome, o disco tem previsão de lançamento para o final do ano e ontem, David Sanchez, guitarrista e vocalista da banda, deixou a seguinte mensagem na página oficial da banda:

"Hoje será um grande dia! Estou convertendo alguns arquivos de áudio para as versões demo de nossas músicas novas. Todos nós da banda concordamos que este novo disco é o nosso melhor até agora. Você não será decepcionado! :)

Lembrem-se, suas atitudes descrevem você. A vida é o que você faz dela e como o seu dia vai ser, depende apenas da sua escolha. Você pode ter um bom dia ou um mau dia, tudo dependerá das suas atitudes. Aproveitem o fim de semana, pessoal!" 

Pelo jeito, os músicos andam bem empolgados com os resultados obtidos nas novas composições e apostam bastante no novo material. O jeito é aguardar até que mais faixas sejam liberadas, por enquanto apenas o vídeo clipe ao vivo de "Claiming Certainty". Confira:


HAVOK


É nítido o auge que o Thrash Metal vive desde que os anos 2000 se iniciaram, uma nova geração muito boa vem surgindo e lançando grandes trabalhos ao mesmo tempo em que muitos medalhões do estilo vem também voltando a empolgar com álbuns que remetem as suas sonoridades características.

Com a união do "velho" com o novo, o Thrash é hoje um dos subgêneros mais cultuados do Metal. Depois de ter passado a década de 90 com seus maiores ícones lançando álbuns com sonoridades bem diferentes das de seus clássicos álbuns dos anos 80, o estilo amadureceu e voltou com tudo no novo século.

Uma das bandas que mais me chamam a atenção e que pertence a esta nova safra de grupos é o Havok. Formada em 2004 em Denver, Colorado, o grupo vem, ano após ano, fincando seu nome como grande destaque no estilo e conquistando cada vez mais fãs e seguidores.

Possuem total inspiração nas bandas que ajudaram a moldar o estilo em seu surgimento e conseguem trazer toda essa influência de uma forma bem moderna, porém sem jamais deixar de receber a alcunha "old school". Cada um dos álbuns lançados mostra grande evolução e características bem marcantes e próprias na sua musicalidade já bem definida.

Os 3 trabalhos do Havok são provas vivas de que o Metal não vive apenas de bandas nascidas na década de 80 e mostra para qualquer ouvinte desavisado que a nova geração do Metal possui muita competência e tem tudo para alçar voos muito altos.


Burn (2009) - Álbum de estréia. Uma verdadeira viajem ao mais puro Thrash Metal oitentista. Músicas cheias de viradas repentinas, riffs marcantes, solos muito bem elaborados e os vocais de David Sanchéz, que caem como uma luva na sonoridade da banda. Faixas como The Root Of All Evil, Morbid Symmetry, Category Of The Dead e Afterburner caíram imediatamente nas graças de todos os apreciadores do estilo.


Time Is Up (2011) - Na minha visão, este trabalho já pode ser considerado um novo clássico do Thrash. Simplesmente uma evolução natural do debut, mas com inspiração e criatividade muito acima do esperado. Destaco todas as faixas mas algumas se tornaram indispensáveis nos "set lists" do grupo. Fatal Intervention, D.O.A., Covering Fire e a faixa título Time Is Up são composições que, sem dúvidas, se tornarão hinos do estilo e clássicos da banda.


Unnatural Selection (2013) - Muitos dizem que o terceiro álbum é a consolidação da banda, se essa afirmação realmente é um fato, podemos afirmar que o Havok passou no teste. Unnatural Selection apresenta todas as principais características dos dois registros anteriores e ainda consegui dar mais um passo e revelar canções cadenciadas e cheias de riffs, que acrescentam novos elementos na sonoridade da banda. Worse Than War e It's True são a prova desse exito, Give Me liberty, Or Give Me Death, Unnatural Selection e I Am The State mostram o Thrash habitual do grupo e fazem com que o trabalho mantenha a qualidade sempre apresentada.

Em 2015, o Havok lançará o seu quarto "full lenght" e desde já, é um dos mais aguardados lançamentos do ano na minha visão, deve colocar a banda em definitivo no mais alto escalão do Thrash e quem ainda não escutou os trabalhos do grupo, está perdendo tempo e deixando de apreciar uma das melhores bandas que surgiram nos últimos anos. Lembre-se:


"Follow me into the void
Of emptiness that fills your mind
Think of all the bullshit
You will get to leave behind
On your feat for sentencing

Your time is up
Time is up
Your time is up
Time is up"


Escrito por Fabio Reis

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