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Violator - Ao vivo na Avenida Paulista

Mundo Metal [ Live Review ]



Imaginem a seguinte situação: você acaba de chegar em casa, exausto e completamente destruído após uma tremendo show de Thrash, liga o computador, acessa o seu Facebook... e descobre que a banda que você acabou de assistir decidiu fazer – aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo – uma apresentação gratuita às 09h da manhã. PxQxPx! Pois bem, foi exatamente isso que ocorreu comigo, meus caros amigos, e certamente não fui o único a ser surpreendido dessa maneira.

Após realizarem uma apresentação absolutamente monstruosa e irrepreensível no Sesc Belenzinho no último sábado (20), os Thrashers brasilienses do Violator proporcionaram um segundo round para os seus apreciadores no dia seguinte. De acordo com o guitarrista Capaça, como muitos fãs não conseguiram garantir ingresso para comparecer ao show do Sesc, optaram por fazer essa "brincadeira" de última hora e, sem dúvida alguma, foi uma atitude muito louvável e extremamente bem-vinda. Quem não pôde comparecer ao show anterior conseguiu ter uma nova uma oportunidade de assistir a banda antes do hiato e alguns fãs que haviam comparecido na apresentação de sábado puderam ter mais um "gostinho" da violência sonora dos caras.

É pouco mais de 09h da manhã e um grupinho de fãs se aglomera em volta da banda. O sempre carismático vocalista e baixista Poney faz uma breve saudação: "Bom dia, Av. Paulista!". Saudação essa no tom mais irônico e bem-humorado possível, afinal, os caras estavam simplesmente prestes a obliterar o asfalto, a calçada e tudo ao seu redor com seu repertório altamente infeccioso, cortesia do mais insano e visceral Thrash Metal com pegada oitentista... Em plena manhã de domingo! Não é todo dia que temos o privilégio de testemunhar tamanha desgraça – no melhor sentido da palavra, oras!

"Infernal Rise", a faixa de abertura do último trabalho produzido pela banda, o EP "The Hidden Face of Death" (2017) inicia a curta, porém ótima apresentação. As notas da composição agridem brutalmente o ambiente, como uma onda de resíduos altamente tóxicos em contato com alguma superfície. Após o encerramento desse som, Poney fala que estão tocando no palco das maiores manifestações da Patolândia, mencionando até o prefeito de São Paulo, João Dória. O músico não perde a oportunidade de chamar Dória de "coxinha de camisa de grife", provocando risos em todos.

Essa troca de palavras para o público é a ponte perfeita para o quarteto executar uma música que retrata precisamente o infame círculo interminável dos tiranos: "Endless Tyrannies", do último álbum da banda, "Scenarios of Brutality" (2013). É importante mencionar que, a princípio, muitos dos presentes demonstravam sinal de cansaço, inclusive a própria banda, afinal, a performance na Paulista foi uma ideia muito repentina. Os músicos e os fãs que haviam comparecido ao Sesc na noite anterior estavam visivelmente cansados e aqueles que não haviam ido ao show de sábado também, muito provavelmente pelo fato de ser uma manhã de domingo e um show marcado de última hora. Apesar disso, tanto a banda como os presentes foram se animando mais e mais no decorrer da apresentação e isso foi perceptível nesse segundo som que tocaram.

Depois, temos outro discurso de Poney a respeito da solidariedade e contra o fascismo. "Que isso espalhe cada vez mais a nossa solidariedade e não deixe esse fascismo diário dessa classe média terrível que a gente tem no Brasil dominar, sacou? Nós somos bem mais do que isso, essa 'coxinhada' aí, velho. Nós somos bem mais!", diz o músico. Ele explica que a próxima música que irão tocar fala a respeito da desocupação de Pinheirinho, que, diga-se de passagem, foi um acontecimento muito trágico ocorrido há seis anos.

Apenas para contextualizar, para que não se recorda, o episódio na qual Poney se refere ocorreu em 22 de janeiro de 2012, quando a Polícia Militar de São Paulo (PMSP) e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) da cidade de São José dos Campos (SP) promoveram uma violenta invasão à ocupação que ficou conhecida como Pinheirinho. O motivo dessa invasão era exercer um mandato de reintegração de posse promulgada pela Justiça Estadual. Esse fatídico episódio ficou conhecido como o "Massacre do Pinheirinho", uma vez que as forças policiais se utilizaram de brutalidade desmedida para intimidar e desalojar os moradores. Como já era de se imaginar, os residentes recusaram sair do local, optando por resistir e provocando consequências devastadoras: famílias desabrigadas, pessoas gravemente feridas, encarceramentos e, de acordo com algumas fontes, até mortes. "Que aquela tragédia não se repita, que a gente esteja atento pra que não se repita.", finaliza Poney. E tome "Respect Existence or Expect Resistance", outra pedrada crua e diretíssima de "Scenarios of Brutality". A recepção do som? Muito positiva, com alguns dos presentes se aproximando mais da banda para poder cantar a letra da música com intensidade.

Nesse momento, ocorre uma situação um tanto engraçada. "Cuidado aí com o ônibus aí, cara! Não é perigoso não?", diz o frontman, assustado ao ver um ônibus passar muito perto de uma grade onde alguns fãs estavam. O músico agradece a todos novamente e continua: "A cidade é nossa mesmo, cara e a gente têm que usar como a gente quiser, é nossa...", finalizando com "A gente é criado pra ter medo de usar a cidade, pra ter medo da gente mesmo se expressar, né cara? A gente é criado com medo da Polícia e com medo... com medo muito razoável mesmo, eu acho..." – Todos caem na gargalhada nesse momento – "Mas enfim, é muito bom a gente poder tá aqui fazer as coisas e dizer 'Não cara, isso aqui é nosso também e a gente existe, tamo aqui, é isso aí'. Então, muito obrigado a todos vocês!", conclui ele, culminando numa salva de palmas geral.

O vocalista/baixista acrescenta que o guitarrista Capaça se mudará em três semanas e é realmente muito bom poder fazer essa despedida, ressaltando que jamais imaginou que tocariam na Avenida Paulista um dia. Nesse instante, Poney também agradece a Capaça por todo trabalho que o integrante fez pela banda e, obviamente, o público também responde, aplaudindo logo em seguida. Pra finalizar esse breve intervalo, é claro, já emenda um "Foda-se Jair Messias Bolsonaro!", culminando em um "AEEEEE!!!!" proferido de forma uníssona por todos. Eis que é hora da singela canção em homenagem ao controverso candidato a presidência ser executada, da forma mais suja, crua e agressiva possível. "False Messiah",  anuncia Poney ao microfone e então, a música ecoa como uma manifestação violentíssima, encorpada e assustadoramente potente. Uma execução estupidamente impecável!

Assim que a música é encerrada, Poney anuncia que vão tocar o último som e é interrompido do modo mais brusca e hilária possível. "Eu acabei de chegar, caralho!", fala uma transeunte muito entusiasmada, que vestia um par de óculos que mais parecia um binóculo. Essa interrupção gera risos em todos, deixando o momento ainda mais descontraído tanto para os presentes como para a banda em si. Poney até brinca nesse momento "Pô, cara! Eu nem tinha notado que você não tinha chegado antes". Na realidade, ressalto que essa personagem havia parado para assistir a apresentação pouco depois da mesma ter se iniciado e já havia provocado risos em todos exatamente no momento em que chegou, diga-se de passagem, gritando algo como "Aeee! Rock'n'Roll!"

Sem perder tempo, Poney agradece a presença de cada um mais uma vez e novamente, é surpreendido por um improviso muito aleatório e inusitado do guitarrista Capaça, algo que arranca ainda mais risadas. O frontman menciona que o Violator completou 16 anos nesse ano e ressalta novamente a pausa que a banda fará, reforçando como o grupo sempre foi uma reunião de amigos feita por amigos, acreditando muito no jeito de produzir da forma mais simples e underground e como foi um prazer trabalhar com pessoas muito boas ao longo de todos esses anos e evidentemente, agradece mais uma vez a cada um dos fãs ali presentes, resultando em mais uma salva de palmas igualmente sincera de todos.

"Sem pagação de pau!", diz Poney, imitando hilariamente um dos bordões icônicos do igualmente carismático Alex Camargo, frontman da banda de Death Metal gaúcha Krisiun, deixando tudo ainda mais descontraído e divertido. E dá-lhe "Ordered to Thrash", instrumental arrasa-quarteirão do álbum de estreia do quarteto, o emblemático "Chemical Assault" (2006). que faz com que todos "bangueiem". Nem preciso dizer que quando chega o trecho do "Thrash!!!" todos berraram ao mesmo tempo, correto? Preciso sim, seus fanfarrões! Pense num coro polifônico altamente insano. Pra variar, os fãs pedem mais uma música e adivinhem? Rola mais um "Foda-se Jair Messias Bolsonaro", apenas para causar aquela discórdia marota, dessa vez acompanhado de um belo coro por parte de todos: "Ei, Bolsonaro! Vai tomá no cu!!!"

Agora, como dizem, a porra realmente ficou séria a seguir, quando o hino "UxFxTx (United for Thrash)" começou. De repente, um incendiário circle pit tomou conta da calçada, algo realmente insano. Detalhe importantíssimo: como já mencionei antes no texto, alguns dos fãs que estavam no circle pit –  incluindo quem vos escreve – já haviam agitado muito no show ocorrido na noite anterior, entretanto isso não impediu em nada da dose ser repetida com muito gosto. O resultado de toda essa onda de histeria e Thrash visceral foi uma performance arrasadora não apenas da banda ou do público, mas sim de todos. Realmente, nada mal para um show improvisado em plena manhã de domingo e ainda por cima após um show que já havia sido excruciante o suficiente.

Para encerrar com uma sangrenta chave de ouro, ainda tivemos outra pedrada do debut "Chemical Assault". "Enquanto alguns estão destinados a nascer, outros estão destinados a morrer." Sim, era hora de "Destined to Die" e claro, para não deixar a insanidade parar, Poney pede para todos abrirem o circle pit novamente. Posso ser bem honesto? Ele nem precisava ter pedido! A roda tomou conta da calçada mais uma vez, provavelmente ainda mais insana e caótica, se me permitem dizer. E da forma mais monstruosa e visceral possível a apresentação atingiu seu fim.

Mais uma vez, o Violator não apenas realizou uma apresentação impactante, como também mostrou novamente o motivo de possuir uma legião de admiradores bem fiéis. Após o encerramento da performance, ainda conversaram bastante com o fãs, tiraram fotos e tudo mais, como já era de se esperar. Infelizmente, o quarteto entrará em um hiato por tempo indeterminado e sabe-se lá quando retomarão as atividades. Vão deixar saudades! Uma coisa é certa: já deixaram sua marca cravada no cenário da música pesada independente, tanto pelas músicas como pela postura e atitude.

Por hora, não vejo outra forma de encerrar esse texto desejando boa sorte ao Capaça em sua empreitada profissional na Irlanda e claro, os meus mais sinceros agradecimentos ao Violator por sempre ter proporcionado um bom trabalho dentro do Thrash Metal brasileiro. Em tempo, quem sabe Poney e os membros remanescentes não montam algum projeto paralelo igualmente barulhento e caótico, não é mesmo? Seria demais!  Aliás, um retorno do Possuído Pelo Cão, então, seria simplesmente avassalador e claro, que o Violator retome as atividades o mais breve possível. Nós agradecemos muito desde já!

Mais alguma coisa? Mas é claro! UxFxTx!

Integrantes:

Pedro "Poney Ret" Arcanjo (vocal/guitarra)
Pedro “Capaça” Augusto Dias (guitarra)
Marcio Cambito (guitarra)
David “Batera” Araya (bateria)

Setlist:

1. Infernal Rise
2. Endless Tyrannies
3. Respect Existence or Expect Resistance
4. False Messiah
5. Ordered to Thrash
6. UxFxTx (United for Thrash)
7. Destined to Die

Redigido por David "Fanfarrão" Torres

Violator - Sesc Belezinho (20.01.18)

Mundo Metal [ Live Review ]


Falar do Violator é algo bem complexo. Pense numa banda que consegue ser amada e odiada com a mesma proporção. Formada em Brasília (DF) no início dos anos 2000, período que foi marcado pelo ressurgimento com força total do Thrash Metal, a banda rapidamente se consolidou com uma das mais queridas da safra atual do estilo graças a seus dois álbuns, "Chemical Assault" (2006) e "Scenarios of Brutality" (2013), bem como os EPs "Violent Mosh" (2004) e "Annihilation Process" (2010), angariando gradativamente uma legião de fãs.

Jamais escondendo suas crenças e ideias e sempre se posicionando politicamente contra as mazelas que atormentam as minorias diariamente, o grupo também passou a ser alvo de árduas críticas, principalmente após o episódio em que publicaram uma foto em sua página oficial do Facebook trazendo o vocalista/baixista "Poney Ret" mostrando o dedo do meio durante uma das apresentações da banda com a legenda "Foda-se Jair Messias Bolsonaro!". Creio que essa frase totalmente "carinhosa" é autoexplicativa e dispensa muita dissertação. A repercussão nas redes sociais foi enorme e até hoje é enxergada de uma forma controversa por muitos, que alegam que os músicos são militantes e que apenas fazem esse tipo de coisa para chamar atenção. 

Particularmente, discordo desse pensamento. Como sempre digo, uma boa parcela de bandas e gêneros musicais que flertam com o Hardcore/Punk sempre se manifestaram abertamente em causas políticas e sociais, inclusive tecendo severas críticas a diversas figuras políticas também, principalmente dentro do Thrash, uma das vertentes mais contestadoras do Metal. Assim que o Violator anunciou uma única apresentação em São Paulo, no Sesc Belenzinho, diversos fãs correram para garantir os ingressos do show. 

Promovendo o seu mais recente lançamento, o EP "The Hidden Face of Death", lançado no fim de 2017, o show do quarteto contou não apenas com as músicas inéditas e matadoras que compõem esse pequeno registro, como muitas composições já consideradas clássicas da banda, incluindo pauladas que os músicos não tocavam há algum tempo, para a surpresa e felicidade de todos. Infelizmente, a essa altura do campeonato, todos já sabem que o guitarrista Capaça vai se mudar para a Irlanda e por esse motivo, a banda vai entrar num hiato por tempo indeterminado. Uma notícia bastante triste para todos os fãs e que certamente motivou muitos a comparecerem em peso a esse evento estupidamente caótico, insano e totalmente energético que rolou nesse último sábado (20).

A abertura do Sesc Belenzinho ocorreu às 19h30 e nesse horário, era possível ver o quarteto brasiliense fazendo a passagem de som antes da destruição em si começar algumas horas depois. Aos poucos, o local foi enchendo e 21h30 em ponto, ovacionados por todos os presentes, Pedro "Poney Ret" Arcanjo (vocal/guitarra), Pedro “Capaça” Augusto Dias (guitarra), Marcio Cambito (guitarra) e o integrante com o melhor apelido possível, David "Batera" Araya (bateria), sobem ao palco e dão início a um espetáculo de devastação sonora quase indescritível. Literalmente, é hora da violação começar!

Quando ecoam os arranjos da introdução de "Infernal Rise" – música de abertura do novo EP "The Hidden Face of Death e também a composição que iniciou esse show – a sensação que se teve é como se estivéssemos assistindo a uma ode ao hino "Hell Awaits" (Slayer), devido ao seu andamento inicial fúnebre, cadenciado e altamente atmosférico. O público urrava e agitava no mesmo ritmo do som, algo que sempre faz toda diferença numa performance desse tipo. 

Havia uma faixa de segurança próximo ao palco e levando em consideração o tipo de público que existe no Thrash, especialmente se tratando de uma banda como o Violator, nem preciso dizer que a mesma veio abaixo em questão de segundos após a apresentação começar, não é mesmo? E isso foi apenas o começo do ataque impetuoso de Poney e cia. Assim que a introdução instrumental se encerra, Poney faz uma breve saudação e induz todos a se matarem impiedosamente no moshpit e nos stage dives. Quem já viu ao menos uma vez a banda em ação tem uma boa noção do poder de fogo que esses caras possuem e nessa noite, não foi nem um pouco diferente. Tivemos uma legítima aula de Old School Thrash Metal! 

Logo após tocarem a primeira pedrada do set, Poney interage novamente com o público, saudando mais uma vez cada um dos presentes. Então, ele emenda dizendo que "O círculo dos tiranos continua a girar e a girar e agirar...". Eis que somos golpeados com requintes de crueldade por "Endless Tyrannies", de "Scenarios of Brutality", outro ataque sonoro cujos danos mal podem ser descritos, tamanha a crueza de suas notas. Apenas imagine o caos em sua mais pura forma. Na sequência, Poney menciona que a Veja publicou uma matéria sobre a banda, algo que jamais imaginou que poderia ocorrer um dia na carreira do grupo. O frontman também brinca com o fato do evento não ter contado com bandas de abertura e dá muita ênfase no complexo momento atual que o país vive, bem como sobre o Violator estar sempre ao lado dos gays, lésbicas e minorias oprimidas em geral, discurso sempre presente nas apresentações dos caras e que sempre incomoda a muitos, como estamos saturados de saber. 

Sem perder tempo, Poney anuncia "Respect Existence or Expect Resistance", outro som de "Scenarios of Brutality", que por sinal reflete exatamente o que foi dito no discurso que a antecedeu.  Esse som é violentamente emendado com uma duplinha igualmente moedora de ossos: a instrumental "Death Descends (Upon this World") do mesmo álbum e a obrigatória "Atomic Nightmare", do debut "Chemical Assault". O resultado da execução dessas músicas não poderia ser outro a não ser o mais agressivo possível. Imagine um rolo compressor obliterando cada centímetro da pista e do palco. Pois bem, agora imaginem isso 666x mais!

Um clima de suspense antecede a excruciante introdução de "Futurephobia", a única representante do EP "Annihilation Process" que foi tocada na noite. Como já era de se esperar, todos os presentes agitaram mais uma vez sem parar, cantando o refrão simples e direto a plenos pulmões. Novamente, temos uma breve pausa e Poney troca mais algumas palavras com os presentes, enfatizando que 2018 é um ano de luta para todos nós e claro, por se tratar de um ano marcado pelas eleições presidenciais e seus candidatos pra lá de controversos, pra não dizer corruptos, inescrupulosos... e até racistas, homofóbicos e afins – ops, eu já disse! – rolou um belo "Foda-se Jair Messias Bolsonaro!" em alto e bom som, sucedido por um coro em uníssono de todos: "Ei, Bolsonaro! Vai tomá no cu!" Esse momento do show é a deixa para a segunda faixa do último EP ser executada com potência total. Sim, falo a respeito de "False Messiah", que contou com uma performance avassaladora, com boa parte do público feminino promovendo ininterruptos stage dives, enquanto outra parcela dos fãs debulharam tudo no circle pit, fazendo a pista girar incessantemente e do modo mais colérico possível. 

Por sinal, algo que sempre enche o orgulho do fã de Rock/Metal em apresentações como essas é justamente essa interação única e impagável entre a banda e seu público. É algo que simplesmente não tem preço e claro, ver todos os presentes se respeitando e agitando juntos, lado a lado, é sempre magnífico. São exatamente atitudes como essas que fazem da música pesada – seja ela o Metal, o Hardcore/Punk ou qualquer outra vertente igualmente intensa e visceral do Rock – ser o que ela é. 

Antes de darem continuidade ao repertório, Poney pede para todos agitarem ao máximo, afinal esse seria o último show antes do hiato. Em seguida, é a vez da infecciosa "Toxic Death", outra representante de "Chemical Assault" dilacerar cada parte do Sesc Belenzinho. O moshpit rolava na pista como uma máquina de destruição em massa incontrolável, jamais parando e cada vez mais violento e mortal. E os stage dives? Cada vez mais loucos e incessantes, sem mencionar os fãs que subiram ao palco durante a performance de diversas músicas do set – inclusive nessa aqui – e cantaram alguns trechos ao lado de Poney.

"After Nuclear Devastation", a última faixa de "Chemical Assault", dá continuidade ao extermínio, nunca deixando qualquer um ficar indiferente. É hora de mais um pequeno intervalo e nesse momento, Poney ressalta mais uma vez que todos são bem-vindos em seus shows, sempre mencionando o quanto reforça isso nas apresentações da banda. Também fala a respeito da mudança do guitarrista Capaça, que se mudará para a Irlanda em breve e aproveita para dissertar sobre a conexão entre a banda e seu público, falando sobre como o Metal pode sim unir cada vez mais os seus fãs e proporcionar momentos como esse, terminando por agradecer mais uma vez a presença de todos. Evidentemente, o público aplaude e em seguida, o frontman anuncia que vão tocar uma música que está fora do repertório da banda há algum tempo. Contra a polícia, é a vez de "Let the Violation Begin", a primeira faixa do EP "Violent Mosh". O público foi ao delírio, afinal, trata-se de uma pedrada que não era tocada ao vivo há um bom tempo. Vale mencionar que ainda rolariam mais algumas surpresas bem agradáveis até o encerramento do show. 

Nesse momento, Poney interage novamente com os fãs, explicando que pela primeira vez o Violator tocaria com três guitarristas e sem qualquer demora, recruta ao palco o guitarrista Felipe Nizuma (Braindeath, ex-Blasthrash), figurinha conhecida no meio urderground. Durante essa pausa, Poney também reconhece alguns amigos e parceiros do cenário da música pesada independente no meio da plateia, como Diego Nogueira (Anthares, Blasthrash) e aproveita para contar um relato insano e engraçado que ocorreu quando tinha cerca de 17 anos de idade, quando houve um tiroteio em um show do Blasthrash: "Fugimos oito pessoas num Voyage 81 do Dario, cara, com equipamento e tudo e fomos parar no Madame Satã!", culminando em risos por parte dos presentes. 

Em seguida, ele diz que a próxima música do setlist também não era tocada ao vivo há muito tempo e era dedicada a todos e para aquele momento, em especial. "Os maníacos do Thrash!", o frontman grita ao microfone. E tome "Thrash Maniacs", mais uma pedrada clássica de "Violent Mosh", que surge rasgando tudo com seus riffs e levada atrozes. De fato, foi a música mais apropriada para aquele momento da apresentação. Os Thrashers de plantão não deixaram pedra sobre pedra. Outra dobradinha infernal vem a seguir: a avassaladora instrumental "Ordered to Thrash" e a matadora "Destined to Die" e claro, ambas mantiveram a chama da apresentação com a mesma intensidade. Impossível não entrar em um transe quase que psicótico quando todos gritam em uníssono "Thrash!" durante a "paradinha" mortal de "Ordered to Thrash" e mais difícil ainda é se conter com os riffs alucinantes de "Destined to Die", que por sinal, também contou com a participação especial do vocalista Thiago Nascimento (D.E.R., Urutu).

Infelizmente, o final da apresentação está próximo. Poney afirma que estão muito felizes de fazer esse encerramento e que o evento exalava uma sensação de missão cumprida e para a alegria de todos, é anunciado que tocarão outra desgraceira Old School que estava fora do repertório há algum tempo: "The Plague Never Dies", outra bordoada esmagadora de "Violent Mosh". Sou um tanto quanto suspeito pra falar dessa música, pois é uma de minhas favoritas da banda e nem tinha esperanças de vê-la ao vivo e até arregalei os olhos assim que ela foi anunciada. O que falar a respeito? Fomos presenteados com mais uma performance aniquiladora. O gran finale não poderia deixar de ser o hino "UxFxTx (United for Thrash)", que como de costume, levou metade dos fãs para o palco durante sua estupenda execução, finalizando a apresentação da forma mais apoteótica possível.

Por fim, ainda me faltam palavras para descrever a destruição que ocorreu nesse último sábado. De forma simples, clara e direta, foi uma apresentação totalmente irrepreensível, intensa e insana do início ao fim. Ao término do show, Poney ainda desceu do palco e foi muito atencioso com os fãs, como sempre, tirando fotos e interagindo com todos sem exceção, sem nenhum estrelismo típico de tantas bandas e artistas que vemos por aí. Aliás, muitas bandas do meio deveriam aprender com eles, diga-se de passagem! 

Já mencionei isso diversas vezes e repito: o Violator é uma daquelas bandas que passei a admirar e respeitar mais e mais com o tempo, não apenas por produzirem um som veloz e intenso de qualidade, mas principalmente pelo fato de serem caras realmente muito legais, algo que faz total diferença. Pra finalizar, é uma pena que esse tenha sido o último show do grupo por conta do hiato, pois certamente vão deixar saudades. Ao menos na data de ontem (21) ainda tivemos mais um pouco de destruição no show gratuito e improvisado de última hora na Avenida Paulista. Para os interessados, em breve providenciarei outra resenha especialmente para essa apresentação, portanto, fiquem atentos!

UxFxTx!

Integrantes:

Pedro "Poney Ret" Arcanjo (vocal/guitarra)
Pedro “Capaça” Augusto Dias (guitarra)
Marcio Cambito (guitarra)
 David “Batera” Araya (bateria)

Músicos convidados:
Felipe Nizuma (guitarra em "Thrash Maniacs")
Thiago Nascimento (vocal em "Destined to Die")

Setlist:

1. Infernal Rise
2. Endless Tyrannies
3. Respect Existence or Expect Resistance
4. Death Descends (Upon This World)
5. Atomic Nightmare
6. Futurephobia
7. False Messiah
8. Toxic Death
9. After Nuclear Devastation
10. Let the Violation Begin
11. Thrash Maniacs 
12. Ordered to Thrash
13. Destined to Die
14. The Plague Never Dies
15. UxFxTx (United for Thrash)

Redigido por David "Fanfarrão" Torres

Nile - "What Should Not Be Unearthed Tour"

Mundo Metal [ Live Review ]



Após a saída do guitarrista e vocalista Dallas Toler-Wade, os fãs de Nile ficaram bem chateados, ou pelo menos a maior parte deles. Isso é perfeitamente compreensível. Dallas integrava a banda há anos e sua importância para o grupo era, evidentemente, muito grande. O músico possui um timbre gutural característico e principalmente nos trabalhos mais recentes, teve uma participação muito expressiva. Entretanto, a vida continua e a música nunca pode parar. Pouco após a saída do integrante, Karl Sanders, o líder da banda, recrutou Brian Kingsland (vocal/guitarra) e certamente, os apreciadores brasileiros do grupo estavam muito ansiosos para conferir a performance ao vivo desse novo line up. A turnê sul-americana de "What Should Not Be Unearthed" (2015), o oitavo e mais recente álbum dos veteranos do Brutal/Technical Death Metal, contou com apenas uma única apresentação aqui no Brasil. O evento ocorreu nesse último sábado (26), no Manifesto Bar, em São Paulo/SP.

Com abertura programada para às 18h, uma fila repleta de fãs da banda e de Metal Extremo em geral se formou no local e como já era de se esperar, a ansiedade daqueles que compareceram era nítida. Sem banda de abertura, pouco mais de 20h, Karl Sanders (vocal/guitarra, Brad Parris (vocal/baixo), Brian Kingsland (vocal/guitarra) e George Kollias (bateria) entram em cena, ovacionados por todos os presentes. A climática instrumental "Ushabti Reanimator", de "What Should Not Be Unearthed", ecoa e prepara não apenas a banda, mas também o seu público para a devastação sonora que está para ter início. Curiosamente, antes de ir ao show, separei alguns dias da semana para revisitar a discografia do Nile e enquanto ouvia novamente o mais recente trabalho dos estadunidenses, pensei em como seria apropriado os músicos utilizarem essa faixa instrumental como introdução para o show. Foi uma sábia escolha!

Logo após a composição se encerrar, o quarteto inicia sua apresentação com a clássica e obrigatória "Sacrifice Unto Sebek", do brutal "Annihilation of the Wicked" (2005). Seu riff de abertura e de encerramento é muito grudento e muitos dos presentes fizeram um coro cantando o mesmo a plenos pulmões. À respeito da execução do som em si com o novo line up, sem comentários! A banda realmente provou que está em grande forma, mesmo sem a presença de Dallas. A comunicação entre eles era muito natural e isso ficou bem perceptível durante toda a apresentação. Destaque também para o baixista e vocalista Brad Parris, que vestia uma camiseta do Krisiun. É sempre muito bom ver artistas de outros países prestigiando grandes bandas de nosso país e boa parte do público certamente aprovou o tributo feito pelo músico. 

O repertório do show prossegue com outro grande clássico, "Defiling the Gates of Ishtar", uma das faixas mais icônicas do segundo álbum do grupo, "Black Seeds of Vengeance" (2000). Sou muito suspeito pra falar da banda, mas algo que sempre me chamou a atenção na sonoridade produzida por eles, além da temática e letras brilhantes, é a atmosfera criada por seus integrantes e ver suas composições executadas ao vivo comprova muito bem essa experiência. Sim, há muito peso e brutalidade, contudo há um clima místico e sobrenatural que permeia cada música concebida pelos estadunidenses.  

Brad Parris faz um breve discurso mencionando que é muito bom voltar ao Brasil. A última passagem da banda em solo brasileiro havia acontecido no Open the Road Festival III, em maio de 2015. O vasto universo da música pesada mundial é sempre recebido de forma calorosa na América do Sul e a satisfação de músicos que praticam esse estilo musical sempre fica estampada em seus rostos, diga-se de passagem. Sem mais delongas, Parris anuncia que a próxima música que vão tocar é o single de "Those Whom the Gods Detest" (2009), a matadora faixa de abertura "Kafir!". Sua execução foi completamente intensa e irrepreensível, levando todos a cantarem sua letra e a "banguearem" incessantemente. 

"Obrigado! Saludo, motherfuckers!", diz um carismático Karl Sanders, que assim como todos os integrantes da banda, demonstrava estar bem a vontade. "Hittite Dung Incantation", a segunda faixa de "Those Whom the Gods Detest" dá sequência ao show, mantendo o mesmo padrão de agressividade e claro, qualidade. O guitarrista e vocalista Brian Kingsland diz que esse é o último show da turnê e anuncia a próxima música, "In the Name of Amun", a única composição de "What Should Not Be Unearthed" a ser tocada. O mais recente trabalho do Nile foi muito bem recebido por muitos fãs e a performance dessa música comprovou isso mais uma vez, pra variar.

Os músicos fazem mais uma breve pausa e Brad Parris apresenta ao público o mais recente integrante da banda, Brian Kingsland, que veio ao Brasil pela primeira vez. Aplaudido por todos, a performance da banda prossegue com "The Fiends Who Come to Steal the Magick of the Deceased", uma das melhores de "At the Gate of Sethu" (2012). A alternância de vocais presente nessa composição transmite um clima único e sobre-humano, ainda mais quando tocada ao vivo. Kingsland anuncia em seguida que tocarão algo clássico e dá-lhe a pedrada visceral "The Howling of the Jinn", do álbum de estreia "Amongst the Catacombs of Nephren-Ka" (1998). O termo brutalidade define bem a execução desse pandemônio musical.

Após a performance da última música, algo bastante inusitado aconteceu. Karl Sanders aponta o seu dedo para um dos fãs que estava próximo ao palco e diz algo bastante "carinhoso": "Ei, você! Você mesmo! Se você apontar essa câmera mais uma vez na minha cara, vou enfiá-la no seu c*!". Provavelmente, o flash da câmera do sujeito estava atrapalhando o músico, porém engana-se quem pensa que esse momento esfriou a apresentação, muito pelo contrário. O fã se desculpou e em seguida, Sanders esboçou um sorriso e esticou o seu braço para cumprimentá-lo. Realmente, tanto ele como os demais músicos esbanjavam carisma e entrosamento com seu público o tempo todo. 

Em seguida, Parris faz outro breve discurso e menciona que irão tocar uma música de "In Their Darkened Shrines" (2002). Um fã grita "Sarcophagus!" e Parris responde "Não é essa!" e então, mandam "Kheftiu Asar Butchiu", numa performance estupendamente violenta. Curiosamente, a próxima composição a ser tocada foi justamente "Sarcophagus". Seu ritmo mais arrastado e atmosférico deixou todos os presentes hipnotizados durante sua execução e claro, não há como deixar de ressaltar o clima único e marcante proporcionado por seus arranjos finais. Essas notas finais, minimalistas, são capazes de provocar um arrepio na espinha de qualquer um. Assim que a música se encerra, Sanders anuncia outra composição do mesmo álbum, a fantástica "Unas, Slayer of the Gods". Particularmente, essa é minha música predileta da banda. Poderosa, repleta de passagens e trechos altamente marcantes e muito feeling. Sua performance ao vivo é simplesmente um deleite. Épica demais!

Infelizmente, a apresentação estava chegando ao fim. Parris agradece a todos mais uma vez e diz que vão tocar a saideira, que não poderia ser outra a não ser a devastadora "Black Seeds of Vengeance", que sempre encerra os shows do grupo. A introdução instrumental "Invocation of the Gate of Aat-Ankh-es-en-Amenti" ecoa e então, o quarteto entrega sua última pedrada da noite, finalizando sua performance com chave de ouro e muita desenvoltura.

Ao término do show, os rostos dos presentes esbanjavam aquele olhar de plena satisfação. Em poucas palavras, para aqueles que se perguntam se o Nile está realmente bem com sua nova formação, a resposta é sim, com certeza. Existe muita química nesse novo line up e ainda que Dallas Toler-Wade deixe saudades, a banda prova que possui não apenas forças para prosseguir, como também muita lenha para queimar. Que continuem nos presenteando com grandes álbuns e shows como esse.

Integrantes:

Karl Sanders (vocal/guitarra)
Brad Parris (vocal/baixo)
Brian Kingsland (vocal/guitarra)
George Kollias (bateria)

Setlist:

1. Sacrifice Unto Sebek
2. Defiling the Gates of Ishtar
3. Kafir!
4. Hittite Dung Incantation
5. In the Name of Amun
6. The Fiends Who Come to Steal the Magick of the Deceased
7. The Howling of the Jinn
8. Kheftiu Asar Butchiu
9. Sarcophagus
10. Unas Slayer of the Gods
11. Black Seeds of Vengeance

Texto e fotos por David "Fanfarrão" Torres

Testament - "Brotherhood of the Snake Tour"

Mundo Metal [ Live Review ]



Dois anos após sua última passagem pelo Brasil, ao lado do Cannibal Corpse, os Thrashers veteranos da Bay Area, Califórnia (EUA) do Testament retornam ao nosso país para promover a turnê de seu mais recente trabalho, "Brotherhood of the Snake", o 11º álbum de estúdio do grupo. Os músicos estadunidenses estão em um momento muito produtivo de sua carreira e a expectativa dos fãs da banda certamente era alta. Em São Paulo, o show foi programado para o último sábado (19), no Carioca Club, localizado na região de Pinheiros. Coincidentemente, o último show da banda aqui em São Paulo também foi realizado nesse local. Ainda que o clima estivesse frio e pouco amigável, engana-se quem pensa que isso impediu uma invejável legião de fãs e apreciadores de comparecerem ao evento.

A abertura da casa ocorreu às 18h e pouco após, teve início a atração de abertura, Circle of Infinity, banda de Death/Black Metal oriunda de Limeira (SP). Edson Moraes (vocal/guitarra), Allan Farias (guitarra), Celsão (baixo) e Alexandre Bento (bateria) realizaram uma apresentação curta, porém muito eficiente e dinâmica, que certamente teve uma resposta positiva por parte do público, em especial aqueles que também apreciam Metal Extremo. O ápice do show dos caras foi quando o frontman Edson Moraes anunciou que prestariam uma homenagem ao eterno Chuck Schuldiner (Death, Control Denied) (R.I.P. 2001) e a banda executa um cover de "Zombie Ritual", clássico obrigatório do Death. 

E então, pouco mais 20h, ovacionados pelo público, Gene Hoglan (bateria), Steve DiGiorgio (baixo), Eric Peterson (guitarra), Alex Skolnick (guitarra) e Chuck Billy (vocal) entram em cena, mandando logo de cara a faixa de abertura de seu novo álbum, a matadora faixa título "Brotherhood of the Snake". Além da performance sempre empolgante e irrepreensível do quinteto, não posso deixar de mencionar o fato de boa parte dos presentes já conhecerem bem as letras do álbum, cantando a plenos pulmões. Na sequência, mandam outra pedrada, a excepcional "More Than Meets the Eye", de "The Formation of Damnation" (2008), música que já se tornou obrigatória em suas apresentações, assim como a música seguinte, "Rise Up", do aclamado "Dark Roots of Earth" (2012). Essa composição já nasceu um hino, não há muito o que dizer. Existe uma dinâmica muito grande quando ela é tocada, em especial quando o sempre carismático frontman Chuck Billy profere "When I say rise up, You say war" e todos os presentes respondem, em uníssono, "War!", em alto e bom som.

O show prossegue com mais duas novas, "The Pale King", que recebeu um videoclipe oficial e a porrada "Centuries of Suffering", música que faz jus a seu título agressivo. Desnecessário dizer que o moshpit já estava comendo solto na pista, não é mesmo? Por sua vez, a clássica e cadenciada "Electric Crown", do álbum "The Ritual" (1992), põe todos a cantar sua letra e refrão grudentos na sequência. Os integrantes fazem uma pequena pausa e Chuck diz que a próxima música é dedicada ao pessoal do moshpit. Sim, senhoras e senhores fanfarrões! É hora de "Into the Pit"! Uma roda generosa se abriu na pista, com todos os presentes agitando incessantemente. Quem estava fora dela, "bangueou" e enlouqueceu da mesma forma, é claro. A destruição continua com "Stronghold", uma das faixas mais legais do novo álbum, seguida da clássica "Low", do álbum homônimo de 1994, que fez muitos "banguearem" sem parar com seus riffs pegajosos e repletos de groove.

Assim que terminam de tocá-la, Chuck menciona que São Paulo é sempre um lugar especial para a banda e indaga ao público se todos ainda estão praticando o que pregam. Exatamente, havia chegado o momento da clássica "Practice What You Preach", do álbum homônimo de 1989. O moshpit simplesmente não tinha fim, ainda mais que outro hino da banda foi tocado na sequência, "The New Order", do clássico disco de mesmo nome lançado em 1988. Depois dessas duas pedradas obrigatórias, o vocalista deixa o palco por alguns minutos para os instrumentistas da banda tocarem a excelente instrumental "Urotsukidôji", do álbum "Low". Esse foi, de longe, o momento de maior tranquilidade do show, uma vez que todos os presentes pararam para assistir a virtuose repleta de feeling e atmosfera dos quatro músicos. Destaque total para as linhas do baixo monstruoso e pulsante de Steve DiGiorgio, que aliado a bateria do genial Gene Hoglan, forma simplesmente uma das "cozinhas" mais fenomenais do Metal.

A apresentação prossegue com uma trinca matadora de clássicos: "Souls of Black", do álbum homônimo de 1990, "Over the Wall" e "Alone in the Dark", ambas do álbum de estreia "The Legacy" (1987). Sem comentários! O público não deixou barato e se entregou a essa belíssima aula de Thrash Metal, é claro. Antes de executarem "Over the Wall", o grande baterista Gene Hoglan trocou algumas poucas palavras com o público, incentivando, de forma bastante humorada, o público a agitar ainda mais. O bis ficou reservado para outra cacetada obrigatória nos shows do grupo, "Disciples of the Watch", de "The New Order", que encerrou a performance de forma impactante e apoteótica. Ao término da apresentação, Chuck apresentou cada um dos integrantes da banda ao público e agradeceu a todos pela noite especial.

Em poucas palavras, foi uma apresentação realmente destruidora, como já era de se esperar. O Testament é um dos muitos grupos veteranos do Metal que demonstra estar muito vivo, tanto pelos seus novos lançamentos, como pelo seu desempenho ao vivo. Seus músicos esbanjam carisma, sempre interagindo com a plateia, demonstrando que realmente curtem o que fazem e "praticam o que pregam". Que continuem assim pelo tempo que for, pois nós, apreciadores da boa música pesada, agradecemos imensamente. 

Integrantes:

Chuck Billy (vocal)
Alex Skolnick (guitarra)
Eric Peterson (guitarra)
Steve DiGiorgio (baixo)
Gene Hoglan (bateria)

Setlist:

1. Brotherhood of the Snake
2. More Than Meets the Eye
3. Rise Up
4. The Pale King
5. Centuries of Suffering
6. Electric Crown
7. Into the Pit
8. Stronghold
9. Low
10. Practice What You Preach
11. The New Order
12. Urotsukidôji
13. Souls of Black
14. Over the Wall
15. Alone in the Dark

Encore:
16. Disciples of the Watch

Texto e fotos por David "Fanfarrão" Torres

Liberation Festival (2017)

Mundo Metal [ Live Review ]



Em dezembro do ano passado, os fãs de Heavy Metal foram pegos de surpresa quando a produtora Liberation Music Company anunciou um festival que leva seu nome, na casa de shows Espaço das Américas, localizada na região da Barra Funda, em São Paulo. O motivo de tal alvoroço é que o tal festival, que comemora o 25º aniversário da produtora, contou com ninguém mais ninguém menos do que o célebre músico dinamarquês King Diamond e sua banda como atração headliner. Quase vinte anos depois de sua última passagem em solo brasileiro, em 1999, a banda retornou ao Brasil para essa única e tão aguardada apresentação, que ainda contou com outras atrações de peso em seu line up, as bandas Test (São Paulo), Heaven Shall Burn (Alemanha), Carcass (Reino Unido) e Lamb of God (Estados Unidos). E como foi esse evento tão aguardado por muitos, afinal? Pois bem, falemos sobre isso nas próximas linhas...

A abertura da casa ocorreu por volta das 16h e muito cedo já era possível ver uma legião de headbangers em frente ao local. Destaque para os muitos fãs de King Diamond caracterizados com seus característicos corpse paint. Como já era de se esperar, a produtora disponibilizou o seu merchandising oficial, o que culminou em uma enorme fila de pessoas que desejavam adquirir itens como camisetas das bandas do festival a copos personalizados, esses, diga-se de passagem, muito procurados por uma grande quantidade dos presentes. O duo de Grindcore paulistano Test foi a primeira atração do evento e iniciaram sua curta e devastadora apresentação às 17h30. A dupla promove o seu segundo álbum de estúdio, “Espécies” (2015) e por mais que o público ainda não estivesse muito expressivo, não há como negar que João Kombi (vocal/guitarra) e Barata (bateria) realizaram uma apresentação excepcionalmente brutal.

Por sua vez, às 18h10 é a vez da apresentação dos alemães do Heaven Shall Burn se iniciar. Algo que creio que seja importante de ser mencionado é o fato de muitos headbangers terem despejados diversas críticas negativas a banda assim que a mesma foi confirmada no cast do festival. Muitos sequer conheciam o seu trabalho e sua proposta musical e saíram detonando o grupo sem mais nem menos. Puro preconceito infantil e desnecessário! Ainda que a banda possua sim uma proposta mais “modernosa”, digamos assim, são músicos extremamente competentes e realizam uma fusão bem coerente de Metalcore e Melodic Death Metal. Sendo assim, vamos ao que interessa que é a apresentação da banda em si.

O quinteto formado por Marcus Bischoff (vocal), Maik Weichert (guitarra), Alexander Dietz (guitarra), Eric Bischoff (baixo) e Christian Bass (bateria) sobe ao palco e então, uma introdução de piano surge dos P.A.’s. O energético frontman Marcus Bischoff solta um “Are you ready?”, em alto e bom som, dando lugar a primeira música do setlist “The Loss of Fury”, a faixa de abertura do mais recente trabalho dos germânicos, “Wanderer” (2016). O repertório oferecido pelos músicos prosseguiu com “Bring the War Home”, a segunda faixa de “Wanderer”. Marcus agradece a todos e sem perder tempo, já mandam “Voice of the Voiceless”, do álbum “Antigone” (2006), além de “Corium”, outra composição recente da banda. O grupo faz outra pequena pausa e seu vocalista novamente profere agradecimentos ao público e menciona que é um prazer tocar ao lado de grandes bandas, como Carcass, Lamb of God e claro, King Diamond. O restante da apresentação foi composta por “The Weapon They Fear”, “Combat”, “Awoken (Intro”), “Endzeit”, “Counterweight” e “Black Tears”, cover do Edge of Sanity, que encerrou a performance da banda de forma bastante totalmente satisfatória. Uma apresentação muito profissional e poderosa! 

Exatamente uma hora após a apresentação do Heaven Shall Burn, às 19h10 tem início uma das atrações mais aguardadas do festival: Carcass! Certamente, a banda é uma das mais aclamadas do Metal Extremo mundial e levando em consideração que sua última passagem por terras brasileiras foi em 2013, todos os seus fãs estavam muito ansiosos pelo show dessa lenda. A hipnótica introdução “1985”, do mais recente álbum dos ingleses, o excepcional “Surgical Steel” (2013), ecoa e então, Jeff Walker (vocal/baixo), Bill Steer (guitarra/vocal de apoio), Ben Ash (guitarra) e Daniel Wilding (bateria) sobem ao palco, tocando a potente “316L Grade Surgical Steel”, uma das faixas do já mencionado último álbum. As clássicas “Buried Dreams”, de “Heartwork” (1993) e “Incarnated Solvent Abuse”, de “Necroticism - Descanting the Insalubrious” (1991) fizeram a casa vir abaixo, como já era de se esperar. Também representantes do idolatrado álbum “Heartwork”, a paulada “Carnal Forge” e a cadenciada “No Love Lost” foram executadas na sequência, com muito vigor e feeling, diga-se de passagem. 

O frontman Jeff Walker agradece a todos e sem perder tempo, emendam com outro petardo de “Surgical Steel”, a espetacular “Unfit for Human Consumption”, seguida de um pequeno trecho instrumental de “A Congealed Clot of Blood”, outra faixa do mesmo disco. Explorando ainda mais as composições de seu último álbum, o quarteto deu sequência a apresentação com a devastadora “Cadaver Pouch Conveyor System”, que fez os apaixonados por moshpit se acabarem na roda. A destruição continuou com a igualmente empolgante “Captive Bolt Pistol”. Em um determinado momento, a banda fez uma pequena pausa durante a performance da música e Jeff Walker perguntou se por acaso havia alguém do Chile e da Argentina e em seguida mencionou que essa composição era dedicada a eles e em seguida continuaram a tocá-la.

Walker pergunta se os presentes estavam ansiosos pela grande atração da noite, King Diamond e logo após comenta que possuem mais vinte minutos de show. Vinte minutos que foram muito bem aproveitados, por sinal! A intro de “Edge of Darkness” é emendada com a poderosa “This Mortal Coil”. Durante o momento mais ameno da música, Jeff pede para o público bater palmas, algo que proporcionou um clima bem interessante e até inusitado, levando em consideração que se trata de uma apresentação de Metal Extremo. O lado mais pútrido e vil dos ingleses veio com a execução de dois clássicos emblemáticos de sua fase Goregrind: “Exhume to Consume” e “Reek of Putrefaction”, do visceral “Symphonies of Sickness” (1989). O moshpit comeu solto nessa hora e quem não estava na roda, “bangueou” e agitou sem dó da mesma forma. 

Sabe aquela apresentação da qual pensamos que não dá pra melhorar e de repente somos surpreendidos? Pois é, essa é uma delas. O ultra clássico “Corporal Jigsore Quandary” surge na sequência, levando todos os fãs da banda a um frenesi infernal e então, chega a hora do gran finale, que não poderia ser outro se não um dos maiores hinos da banda e do Metal Extremo mundial: “Heartwork”, a emblemática composição do clássico álbum homônimo de 1993. A apresentação se encerrou com seu frontman agradecendo novamente a todos e com a banda toda tocando um curto trecho de “Carneous Cacoffiny”, faixa de seu terceiro e igualmente clássico álbum “Necroticism - Descanting the Insalubrious”. Em poucas palavras, o show da banda foi uma aula maravilhosa de Metal Extremo. Que não demorem a retornar a nosso país!

Inicialmente programado para as 20h30, a apresentação dos estadunidenses do Lamb of God tem início após um atraso de apenas dez minutos e começa de forma empolgante e intensa com “Laid to Rest”, faixa de abertura de “Ashes of the Wake” (2004). Randy Blythe (vocal), Willie Adler (guitarra), Mark Morton (guitarra), John Campbell (baixo) e Chris Adler (bateria) botam os seus fãs para agitar e quebrar tudo com uma facilidade incrível. A banda é uma das mais aclamadas da atualidade dentro da vertente Groove Metal/Metalcore e sua última passagem pelo Brasil ocorreu em 2015, no palco Sunset do Rock in Rio, portanto, o seu retorno foi muito aguardado pelos apreciadores do grupo, em especial por aqueles que ainda não tiveram o privilégio de vê-los ao vivo.

Representando o álbum “As the Palaces Burn” (2003), “Ruin” foi a segunda música a ser tocada, novamente recebida de braços abertos por muitos. Há uma breve pausa e o frontman Randy Blythe agradece a todos e anuncia que tocarão uma composição de seu mais recente álbum “VII: Sturm und Drang” (2015), a ótima “512”, que fez muitos “banguearem” e cantarem sua letra. Diretamente do disco “Resolution” (2012), “Desolation” deu continuidade a apresentação com muita força e energia. O inquieto vocalista agradece a todas as bandas do festival e em seguida anuncia o próximo som, “Walk with Me in Hell”, de “Sacrament” (2006). Novamente, a destruição e o caos tomaram conta da pista. A recente e não menos poderosa “Still Echoes” foi tocada logo após, sem deixar os fãs respirarem. 

Depois de outro pequeno discurso de Blythe, o vocalista anuncia a música seguinte: “Now You've Got Something to Die For”, pedrada que sempre figura nos shows da banda e fez com que os fãs agitassem constantemente, “bangueando” e promovendo moshpit na pista. A pancadaria continuou com “Hourglass”, outra faixa de “Ashes of the Wake”, “Ghost Walking”, hit de “Resolution” e outra composição do novo álbum, “Engage The Fear Machine”. Randy faz um discurso em tom cômico a respeito de King Diamond, questionando a todos “Vocês gostam de Satã?” e emendando com “Eu adoro a porra do diabo!”. Após a brincadeira, a banda emenda com a clássica “The Faded Line”, com direito ao vocalista gritando um hilário “Sataaaaan!!!” bem no começo da música, arrancando gargalhadas dos fãs da banda. O final da apresentação ficou a cargo de “Blacken The Cursed Sun” e “Redneck”, ambas de “Sacrament”. Nessa última música, Blythe pediu por um circle pit e claro, foi prontamente atendido por um grupo de ensandecidos fãs. Pra variar, mais uma performance irrepreensível e repleta de energia.

Durante a apresentação do Lamb of God, era extremamente nítida a impaciência de quem não era fã da banda para que o show terminasse logo e a apresentação do King Diamond tivesse início. Aliás, vale mencionar que em um determinado antes do show dos estadunidenses ter início, foi possível ver um pouco do magnífico palco da apresentação de Diamond atrás do backdrop do Lamb of God. Isso sem sombra de dúvida aumentou a ansiedade dos fãs e então, após uma demora considerável, pouco mais de 22h da noite era possível ouvir a música “The Wizard”, de Uriah Heep ecoar pelos P.A.’s, preparando o clima atmosférico exigido para uma apresentação do porte da que estava para começar...

Eis então que tem início a climática e soturna introdução “Out from the Asylum”. Diversos celulares estavam em punho nesse momento, registrando cada nuance daquele tão aguardado momento. Assim que a introdução se cessa, uma performance explosiva tem início e o Espaço das Américas literalmente vem abaixo!  Ao som da magistral “Welcome Home”, do clássico álbum “Them” (1988), um legítimo espetáculo teatral e hipnótico teve início, com luzes por todos os lados e um palco capaz de impressionar qualquer um. Quando o inconfundível vocalista King Diamond entrou em cena, então, parecia uma miragem! Muitos sequer acreditavam que estavam ali, assistindo um dos shows de Heavy Metal mais aguardados em muitos anos. A performance do lendário vocalista e da  personagem Grandma no palco foi algo sobrenatural de se ver. E falando em sobrenatural, o que dizer a respeito do desempenho assustador de Diamond? Como continua cantando horrores o baixinho!

O espetáculo continuou com “Sleepless Nights”, uma das canções mais marcantes de “Conspiracy” (1989). Os músicos, então, realizam uma breve pausa, na qual King Diamond dá um “Boa noite, São Paulo!” em alto e bom som e claro, é prontamente respondido por todos os presentes. Após trocar algumas palavras com o público, o frontman dinamarquês apresenta os integrantes da banda e membros adicionais que colaboram com a performance ao vivo: Jodi Cachia (performance de Grandma e de várias personagens), Hel Pyre (vocal de apoio), Mike Wead (guitarra), Pontus Egberg (baixo), Matt Thompson (bateria) e claro, o espetacular guitarrista Andy LaRocque, que foi aplaudido e ovacionado por todos instantaneamente e emendando com os primeiros riffs do gigantesco clássico “Halloween”, da obra prima “Fatal Portrait” (1986), o álbum de estreia da carreira solo de King Diamond. Depois de agradecer novamente ao público, o carismático vocalista oferece a todos a faixa de abertura de “The Eye” (1990), “Eye of the Witch”, outro grande clássico que é recebido com muito gosto por cada um dos presentes. 

Eis então que, após tocarem grandes hinos de sua carreira solo, King Diamond e Cia. nos presenteiam com a execução avassaladora de dois hinos dos tempos de Mercyful Fate: “Melissa”, do clássico álbum homônimo de 1983 e “Come to the Sabbath”, do igualmente clássico “Don’t Break the Oath” (1984). Não há muito que dizer! Quando esses dois petardos foram tocados a comoção de todos ficou mais explícita do que nunca, com todos os fãs cantando as letras a plenos pulmões, agitando e apreciando cada fração de segundo da mágica performance da banda. Destaque absoluto para o enorme pentagrama surgido durante a execução da poderosíssima “Come to the Sabbath”. Simplesmente não há palavras que descrevam a atmosfera que pairou no local. 

Novamente, o palco é alterado e a instrumental “Them”, do álbum homônimo ecoa pelos P.A’s, emendada com a clássica introdução “Funeral”. É hora do clássico álbum “Abigail” (1987) ser tocado na íntegra! Esse grande álbum de Heavy Metal completará em outubro desse ano três décadas de existência e uma palavra define a sua execução por terras brasileiras: perfeição! Ao mesmo tempo em que a introdução é tocada, duas figuras encapuzadas trazem um caixão contendo uma pequena boneca, que faz menção à criança natimorta  da história do álbum. De repente, o frontman pega uma adaga e crava a lâmina na boca da boneca, levantando-a sobre sua cabeça e simula beber seu sangue. O marcante e épico riff de “The Arrival”, a faixa de aberta do álbum, entra em cena, enlouquecendo ainda mais cada um dos presentes. 

Por sinal, se o público já estava em um delírio surreal, isso apenas aumentou quando a banda prosseguiu a apresentação com a aclamada “A Mansion in Darkness”. Seus arranjos empolgantes não deixaram pedra sobre pedra e durante a performance da canção, a artista estadunidense Jodi Cachia, que no início do show já havia interpretado a personagem de Grandma, dá as caras no alto do palco trajando um vestido branco e carregando um candelabro em uma de suas mãos. Para quem não sabe, Jodi é muito conhecida por suas performances nos shows da banda e ao longo da apresentação, fez diversas aparições, evidentemente.

Logo em seguida, outro grande destaque do disco é tocado, “The Family Ghost”. A teatralidade da apresentação continua envolvente e deslumbrante, com Jodi interpretando que estava grávida e caindo no final da escadaria do palco. Os belíssimos dedilhados de “The 7th Day of July 1777” marcam o início de outra grande composição da obra oitentista. Se o clima da apresentação permanecia repleto de muita teatralidade e atmosfera? Mas é claro que sim e assim permaneceu até o final.

Igualmente poderosa, “Omens” conta com mais um desempenho irrepreensível de todos que estavam no palco, doses cavalares dos agudos sempre surpreendentes de King e claro, uma espetáculo visual majestoso e realmente indescritível. “The Possession”, como já era de se esperar, contou com Jodi interpretando uma possessão demoníaca e durante a execução da faixa título, “Abigail”, entregou um desempenho performático completamente insano e fascinante. A última faixa do álbum, a épica “Black Horsemen”, anunciou o final dessa grandiosa apresentação de forma brilhante, com mais atmosfera e performances teatrais. Jodi emerge no alto da escadaria, agora com um vestido preto, simulando estar grávida novamente. De repente, ela interpreta ter dado luz ao bebê e o arremessa no chão. Eis que duas figuras encapuzadas aparecem no palco e o levam embora. 

O show se encerra com uma das faixas de “The Eye”, “Insanity”, rolando nos P.A.s. A banda e seus membros adicionais se reúnem ao meio do palco e são aplaudidos por todos. King Diamond ainda fica no palco durante alguns minutos, fazendo sinais de agradecimento a muitos dos presentes, além do icônico gesto do horns up para muitos dos que estavam ali. Ao término de uma apresentação dessa magnitude, todos se perguntavam se o que haviam assistido realmente havia acontecido. Uma apresentação que certamente entrou para a história e que com certeza será comentada por muitos fãs durante muito tempo. 

Por fim, após o encerramento de um festival tão diversificado e organizado como esse, simplesmente cabe a nós agradecermos a produtora Liberation Music Company e ao Espaço das Américas por tamanho entretenimento de qualidade que proporcionaram. Tudo foi concebido com muita competência e profissionalismo e que esse tipo de iniciativa sirva de inspiração a muitas outras produtoras de shows.


Redigido por David Torres

Live Review: Jackdevil

Hangar 110 - São Paulo – 09/06/2017


O lendário Hangar 110, uma das mais respeitadas casas de shows de São Paulo, localizada na região do Bom Retiro, foi palco da segunda edição do Thrash Under Pressure, que ocorreu na sexta-feira do dia 6 desse mês. Contando com as bandas Jackdevil (MA), Blasthrash (SP), Comando Nuclear (SP), Sounder (SP) e Bastardo (SP), o evento pode ser resumido como uma tremenda celebração do Metal nacional, entretanto, creio que isso seja muito pouco para definir a qualidade do fest como um todo, não é mesmo?


Com abertura programada para as 19h, a casa ainda estava com um público razoável, mas quem já estava ali, pode presenciar a apresentação dos Thrashers paulistanos do Sounder. A banda foi formada em 2006 e teve suas atividades encerradas durante algum tempo. Agora, felizmente, o grupo está de volta e quem conferiu o show do quarteto, assistiu uma performance completamente dinâmica, que contou com composições como “The Hell Is Here”, “Kill the Raper” e “Sounder (Crucial Battle)”, presentes em seu primeiro álbum, “Hell Hymns” (2008). Sem dúvida, foi uma excelente escolha para abrir o evento!


Às 20h, saudados por muitos headbangers, sobem ao palco os músicos do Comando Nuclear. Também oriunda de São Paulo, a banda é encabeçada atualmente por Ron Cygnus (vocal), Éric Würz (guitarra), Rex (guitarra), Rodrigo Exciter (baixo) e Hugo Golon (bateria), executa uma sonoridade direcionada ao Heavy/Speed Metal oitentista e tocou composições de seus dois álbuns de estúdio, “Batalhão Infernal” (2006) e “Guerreiros da Noite” (2011), tais como “Unidos pelo Metal”, “Comando Nuclear”, “Princesa Infernal”, “Guerreiros da Noite”, “Vingança Metal” e “Ritual Satânico”. Durante a execução dessa última, o som ficou mais alto, diga-se de passagem. Logo no início da apresentação, o vocalista Ron Cygnus proferiu agradecimentos as bandas e ao evento, mencionando que estavam há mais de um ano sem tocar em São Paulo. Mais um show que fez muitos dos presentes cantarem e agitarem ao lado da banda.


Pouco mais de 21h, foi a vez dos Thrashers paulistanos e veteranos do Blasthrash desfilarem a suas composições velozes e altamente energéticas. Antes de começarem a tocar, o frontman Dario Viola apresentou a banda de forma bem simples e direta e em seguida, os músicos já mandaram ver com seu Thrash Metal contagiante e visceral. A apresentação do Blasthrash, composto atualmente por Dario Viola (vocal), Jhon França (guitarra), Diego Rocha (guitarra), Diego Nogueira (baixo) e Rafael Sampaio (bateria), contou com músicas como “Violence Just for Fun” e “Radiation Death”, que em questão de poucos segundos fizeram com que os moshers de plantão abrissem um moshpit insano e muito crativo. Algo muito inusitado e divertidíssimo ocorreu nesse momento, quando um dos presentes entrou na roda carregando uma mochila cor-de-rosa infantil de rodinhas! Isso mesmo, caro(a) leitor(a)! Foi simplesmente insano e hilário. Um detalhe técnico que é importante de ser mencionado é que a acústica estava melhor na lateral da casa, pois ao meio o som aparentava estar um pouco embolado, porém nada que tenha comprometido o show da banda, muito pelo contrário.


Finalmente, às 21h55, o local já estava bem mais cheio e os maranhenses do Jackdevil sobem ao palco, fazendo uma saudação bastante calorosa e sendo instantaneamente ovacionados por todos os presentes. Certamente, a banda é uma das mais aclamadas do cenário da música pesada brasileira atual, especialmente quando o assunto é Thrash/Speed Metal com generosas pitadas da saudosa NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal). Até o presente momento, o grupo possui quatro registros em sua discografia, sendo eles uma demo, lançada em 2012, um EP, lançado em 2013, além de dois álbuns de estúdio, lançados respectivamente nos anos de 2014 e 2015. No ano passado, também lançaram uma coletânea que compila todas as faixas da demo e do EP. 

Encabeçada por André Nadler (vocal/guitarra), Ric Mukura (guitarra), Renato Speedwolf (baixo) e Fernando Hellboy (bateria), a banda retornou ao Brasil após uma bem-sucedida turnê europeia, a “Satan Command European Tour”. O carismático frontman André Nadler fez um breve discurso bem no início da apresentação falando a respeito da turnê e de como estavam felizes em tocar novamente no Brasil. Alegou que a banda também estava 100% após a excursão pelo Europa e sem mais delongas, ofereceu a todos a primeira música do show, a excepcional “Evil Strikes Again”, faixa de abertura do álbum homônimo de 2015. Rapidamente, todos se renderam ao som dos caras, é claro. O show prosseguiu com a igualmente empolgante “Devil Awaits”, seguida de “Age of Antichrist”, do primeiro álbum da banda, “Unholy Sacrifice” (2014).


“Agora é hora do moshpit!”, diz André e seu pedido é prontamente atendido assim que “Flashlights”, do EP “Faster Than Evil” (2013) é executada. Em seguida, foram tocadas “Beastrider” e “Bastards in the Guillotine”, dois petardos que também não deixaram ninguém ficar indiferente. Os músicos fazem outra pequena pausa e nesse momento André faz um pequeno discurso sobre a cena da música pesada brasileira, abordando um pouco sobre a dura realidade em nosso país, sobre os custos e dificuldade que todos sofrem para ir a um, independente do valor do ingresso, além de prestar agradecimentos a todos. Na sequência, mandam uma pequena prévia da próxima música que irão tocar, “Under the Metal Command”, gravada originalmente na demo “Under the Satan Command” (2012) e posteriormente regravada como faixa bônus do debut “Unholy Sacrifice”. 

Possuindo um título que já fala por si só, “Thrash or Die” dá continuidade ao show com toda a euforia caótica exigida em uma apresentação do gênero. O público, composto de muitos jovens, repletos de energia e “sangue no olho”, pede para a banda tocar ainda mais rápido. Tendo isso em mente, a banda sabiamente toca “Faster Than Evil”, composição mais que adequada e que foi sucedida por “Vixen of Satan”. Tivemos mais alguns agradecimentos sinceros ao público e sem demora, o delírio foi retomado com a obrigatória “Thrash Demons Attack”. Para encerrar o show com chave de ouro, a banda executou a versão em espanhol de “Satan’s Rite”, “Rito de Satán”. A banda já estava tocando essa versão em sua turnê europeia e essa versão também está presente na coletânea “Back to the Garage” (2016). Uma ótima e competente versão para uma música que já era muito boa e indubitavelmente finalizou a apresentação da melhor forma possível, deixando todos completamente satisfeitos.


Após a impecável performance do Jackdevil, boa parte do público já estava deixando a casa, porém quem ficou ao menos mais um pouco no local também pode conferir a performance da banda de Crossover Thrash paulistano Bastardo. Formada em 2013, a banda é composta por Thiago de Jesus (vocal), Diego Rocha (guitarra), Cae Magalhães (guitarra), Felipe Salutti (baixo) e Nino Tenório (bateria) e em breve deverá lançar o seu primeiro álbum no formato físico, “Something To Do With Death”. Quem é fã de Crossover, vale muito a pena conferir o trabalho dos caras!

Não há muito que falar! Mais uma vez o Hangar 110 está de parabéns por esse grande evento! Todas as bandas mandaram muito bem os seus respectivos recados. Com relação ao Jackdevil, a banda está a todo vapor e que continuem assim, pois todos os seus fãs e apreciadores agradecem e muito e é claro, que não demorem a tocar por aqui novamente.

Integrantes:

André Nadler (vocal/guitarra)
Ric Mukura (guitarra)
Renato Speedwolf (baixo) 
Fernando Hellboy (bateria)

Setlist:

01. Evil Strikes Again
02. Devil Awaits
03. Age of Antichrist
04. Flashlights
05. Beastrider
06. Bastards in the Guillotine
07. Under the Metal Command
08. Thrash or Die
09. Faster Than Evil
10. Vixen of Satan
11. Thrash Demons Attack
12. Rito de Satán  


Redigido por David “Fanfarrão” Torres

Live Review: D.F.C.

Clash Club - São Paulo – 27/05/2017


A Cospe Fogo Gravações, em parceria com a Loja 255, da Galeria do Rock foram responsáveis por outro grande evento underground no fim do mês passado, realizado na casa de shows Clash Club, localizada na região da Barra Funda, em São Paulo. Diretamente de Brasília (DF), o D.F.C., uma das bandas mais importantes do cenário Crossover Thrash/Hardcore, retornou a São Paulo e fez uma apresentação absolutamente matadora e memorável, entretanto, o evento também contou com a presença de outras 6 bandas igualmente insanas e heterôneas, sendo elas o V.M.R. (Vanguarda Metal Revolucionária) (SP), Sem Hastro (EUA), Santa Muerte (SP), Cerberus Attack (SP), CrotchRot (PR) e Surra (Santos). Pois é, meus caros amigos! A pancadaria foi realmente braba, como podem imaginar...


Conforme divulgado, a abertura da casa ocorreu às 16h e desde já deixo os meus mais sinceros elogios à organização. Como de praxe, os horários das apresentações de cada banda foram bem distribuídos e a playlist selecionada também estava totalmente de acordo com o público e com as bandas que foram escaladas para se apresentar. Os paulistanos do V.M.R. (Vanguarda Metal Revolucionária) foram os primeiros a subirem ao palco e fizeram isso com muita garra e presença, diga-se de passagem. Os rostos de comunistas famosos, como Karl Marx, Angela Davis e Carlos Marighella, foram exibidos durante toda a performance da banda, que possui um discurso político esquerdista muito acentuado, especialmente por parte de seu frontman, o carismático Marcelo “Mosh X” (Criminal Mosh), figura emblemática da cena underground. O restante da banda é composto por Edoom (guitarra), Juca (baixo) e Mindu (bateria). Dentre as composições apresentadas pela banda, podemos mencionar algumas como “Mulher, Negra e Comunista”, “Marighella”, “Viver é Lutar” e “Comunismophobia”. Ainda que a casa estivesse com um público ainda não muito expressivo, foi uma apresentação poderosa e que serviu como um grande aquecimento para o restante do evento. 


Algum tempo depois, foi a vez do Hardcore/Punk do Sem Hastro, banda estadunidense que conta com um vocalista brasileiro, Xavico. Sua formação também conta com Skuzz (guitarra), Vogel (baixo) e Viper (bateria) e o show dos caras foi igualmente furioso. O grupo destilou a sua proposta musical com muita desenvoltura e ainda prestou um pequeno tributo ao lendário Olho Seco, com um cover do clássico “Botas, Fuzis e Capacetes”.


O Power Trio feminino paulistano do Santa Muerte também foi responsável por uma apresentação igualmente insana. A banda, encabeçada por Marilia Massaro (vocal/guitarra), Rebecca Prado (baixo/vocal de apoio) e Jhully Souza (bateria), mandou muito bem o seu recado, tocando composições de seu EP lançado ainda nesse ano, “Psychollic”, como “Cyco Pit” e “Trap on Track”. Também houve espaço para uma pequena homenagem a uma banda que, de acordo com a frontwoman Marília, foi a principal influência da banda em seu início, o Sepultura. E dá-lhe “Troops of Doom”, que fez com que o público, ainda tímido e retraído, promovesse um pequeno moshpit. 


A quarta banda a se apresentar já é uma velha conhecida no cenário underground, especialmente quando o assunto é Thrash Metal. Falo do Cerberus Attack, grupo paulistano formado em 2009, que possui atualmente em sua formação Jhon França (vocal/guitarra), Marcelo Araujo (guitarra/vocal de apoio), Marcelo Maskote (baixo/vocal de apoio) e Bruno Morais (bateria). A banda está prestes a lançar finalmente o seu primeiro álbum de estúdio, “From East With Hate” e não deixou pedra sobre pedra, brindando a todos com pedradas como “Welcome to Destruction”, do EP homônimo de 2011 e a nova “Face Reality”. O show dos caras certamente foi um momento muito aguardado pelos seus apreciadores e o resultado foi uma sucessão animalesca de rodas e moshpit incessante. 


Trazendo uma proposta anti-musical completamente indigesta, o Crotchrot, grupo de Goregrind de Curitiba (PR), deu continuidade ao evento com sua performance marginal, bizarra e assustadoramente hilária. Para se ter uma boa noção, de acordo com a própria banda, o nome “Crotchrot” re refere ao “aroma pungente oriundo da região do púbis genital característico de quem tem doença venérea em progressão”. Pois é, isso já diz tudo! Formada por Muringa (vocal), Cynthia (guitarra), Angela (baixo) e Karina (bateria), a banda já subiu ao palco no maior clima de “What the Fuck?”. As três instrumentistas foram as primeiras a dar as caras e, quando menos esperávamos, um tresloucado cidadão, vestindo apenas uma calça, uma touca com abertura para os olhos e a boca, além de fitas isolantes nos mamilos e no abdômen, também sobe ao palco, revelando ser o vocalista do grupo. Como já era de se esperar, o quarteto foi responsável por uma apresentação muito estranha, escrachada e ao mesmo tempo hipnótica, que deixou muitos sem saber o que pensar e certamente levou muitos dos presentes a, no mínimo, darem boas risadas com as músicas, que beiravam o mais hediondo non-sense, tendo, inclusive, inserções de Funk carioca, como na introdução de “Orgia do Crackudo”, a faixa de abertura do EP “Pata de Camelo” [sic] (2015). 


A essa altura do campeonato, a casa já estava bem cheia e muitos aguardavam ansiosamente pela apresentação dos santistas do Surra, banda de Crossover Thrash/Hardcore que cresce cada vez mais. Encabeçada por Leeo Mesquita (vocal/guitarra), Guilherme Elias (baixo/vocal) e Victor Miranda (bateria), os caras deram uma belíssima e excruciante aula de agressão musical, simplesmente isso. “Não Escolha”, a faixa de abertura do primeiro álbum da banda, o excepcional “Tamo na Merda” (2016), abriu o show dos caras da forma mais insana que se pode imaginar. Sem perder tempo, já emendam com outra do mesmo trabalho, “Peso Morto”, além da “carinhosa” “Tu Ainda Vai Se Fuder”. O frontman Leeo Mesquita faz um breve discurso a respeito do político Geraldo Alckmin e é claro, dá-lhe “Merenda”, clássico do devastador EP “Bica na Cara” (2012) cuja letra diz é um tremendo arregaço na fuça de qualquer desavisado. 

E o clima do público durante a apresentação? Simplesmente caótico, no melhor sentido da palavra! O stage dive e o moshpit jamais tinham fim e certamente a apresentação dos caras teve um clima quase que de headliner, principalmente levando em consideração que muitos ali estavam loucos para vê-los em ação. Mais pauladas sonoras foram executadas a seguir. “Xquema”, “Xerifão”, “Daqui Pra Pior”, “Sete a Um”, “Povo Feito de Imbecil”, “Tamo na Merda”, “Embalado pra Vender”, “Cubathrash”, “30 Kg de Merda”, “Valeu Memo”, “Não tem Boi” e “Ditadura” levaram todos a um delírio indescritível. Em poucas palavras, uma performance absolutamente irrepreensível e devastadora, tanto da banda como do público, que não parou de agitar por um minuto sequer. 


Pouco mais de 21h, os brasilienses Tulio (vocal), Miguel (guitarra), Leonardo (baixo) e Bruno (bateria) sobem ao palco e eis que chega o momento mais aguardado da noite: a apresentação D.F.C., é claro! Após uma breve e divertida saudação do sempre carismático vocalista Tulio, o que se assistiu foi uma legítima aula de Crossover Thrash/Hardcore, cujo início foi marcado pelo clássico obrigatório “Pau no Cú do Capitalismo em Posições Obscenas”, do primeiro álbum da banda, o clássico “Tchan Nan Nan Nan Nan” (1994). Em questão de segundos o moshpit e os stage dives mais insanos que se pode imaginar surgiram novamente. Sem tempo para respirar ou sequer pensar, a banda já manda outro clássico, “Lucro é o Fim”, de “Igreja Quadrangular do Triângulo Redondo” (1996). Logo após, tivemos uma sequência de porradas certeiras, “Eu Não Preciso do Sistema”, “Eu Não Preciso do Sistema” e “Eles Querem te Controlar”. A banda faz uma pequena pausa e Tulio menciona que a banda vem do mesmo local onde se encontram os políticos mais sujos do país e rapidamente oferece a todos a composição “Todos Eles te Odeiam”.

“O Vírus do Peculato”, de “O Massacre da Guitarra Elétrica” (2002) mantém a adrenalina e toda a atmosfera anárquica necessária em uma apresentação do gênero, bem como a música seguinte, “Pobre Coitado”. Os músicos fazem uma nova pausa e Tulio menciona que a próxima composição que irão tocar abre o último disco da banda, “Sequência Animalesca de Bicudas e Giratórias” (2014). E dá-lhe “Venom”, que é recebida de forma feroz e calorosa por todos, é claro! Os caras continuam com a segunda música do mesmo álbum, “Não São Casos Isolados”, cuja recepção é igualmente furiosa. Sempre introduzida em tom cômico e irônico, “Vai se Fuder no Inferno”, de “O Mal que Vem pra Pior” (2005) fez todos cantarem e se arrebentarem no mosh e nos stage dives. 


A primeira faixa de “Sob o Signo de Satã” (1999), “Roleta Russa” chegou destroçando tudo e todos, dando continuidade a apresentação da melhor maneira possível, ou seja, muita demência e balbúrdia. E o que falar do restante do repertório da banda? “O Mal da Liberdade”, “Punk ou Panqui?”, “Possuído Pelo Cão”, “Hidelbrando Chainsaw Massacre”, “Petróleo Maldito”, “CPMF”, “Censura e Corroído Pelo Ódio” deixaram todos completamente eufóricos e não é para menos. Especialmente dedicada à cidade natal de seus integrantes, “Cidade de Merda” prosseguiu com o pandemônio, não deixando qualquer um indiferente ao que estava acontecendo. “Dirty Sanchez”, “Demônio da Fé Cristã”, “Existência Ignóbil”, “Franchising”, além da hilária e divertidíssima “Querida Sogra” também não deixaram por menos, adicionando ainda mais insanidade a performance. 

Os integrantes fazem mais uma pequena pausa e Tulio menciona que tocarão uma música que foi gravada originalmente na primeira demo da banda, “Erramos Tudo ao Mesmo Tempo Agora” (1993). Nesse pequeno discurso, ele apresenta o ex-baixista e fundador do D.F.C. Phú, que inclusive assistiu a apresentação inteira, de forma extremamente bem-humorada, na lateral esquerda do palco, ao lado dos managers e demais membros da equipe da banda. A música em questão foi a clássica “P.A.T.A.M.O.”, que pra variar, fez todos o que sabiam sua letra cantarem e obviamente promoveu mais uma roda generosa. Pouco depois, houve um momento muito engraçado, onde Túlio brinca que apresentaram o fundador da banda, mas se esqueceram de apresentar o novo baterista, Bruno, que foi aplaudido por todos em seguida.


Ainda falando de mosh/circlepit, “Inferno na Terra”, “Cuspindo no Sagrado”, “Respeito é Bom e Conserva os Dentes”, “O Caguete” e “Há Males que Vem para Pior” também fizeram todos agitarem incessantemente. A euforia e o caos jamais tinham fim! Túlio pede para o público que está na roda dar as mãos e hilariamente oferece a “gentil” “Vou Chutar a Sua Cara”, composição muito apropriada para “dançar” com os amigos, mas é claro! Infelizmente, tudo que é bom, dura pouco e a apresentação chega ao fim com as músicas “Quadrilha de Sádicos”, “Guilhotina” e claro, o ultra-clássico do D.F.C. “Molecada 666”. Aliás, ao mencionar que o show estava chegando ao fim, todos gritavam justamente pela música. Alguns fãs cantaram até mesmo sua letra debochada e marcante. Sempre muito cortês e simples, Tulio indaga ao público sobre qual show da banda deixa essa música de fora do setlist e em um clima extremamente animado, os músicos executam o som, que encerra a apresentação de modo maravilhosamente apoteótico, com muitos fãs subindo ao palco para cantar a agitar com a banda.

Muitos são os adjetivos que podem ser atribuídos a esse evento, entretanto serei muito breve e incisivo com minhas palavras: foi simplesmente IxNxSxAxNxOx! Ao término do fest, dava para notar de longe que todos que compareceram estavam exaustos e plenamente satisfeitos. Não apenas o D.F.C., como todas as bandas e o público proporcionaram um evento intenso e perfeito. Novamente, é de suma importância ressaltar a organização da Cospe Fogo Gravações e da equipe da Loja 255, que como sempre, concebem espetáculos volumosos dentro do cenário independente.

Integrantes:

Tulio (vocal)
Miguel (guitarra)
Leonardo (baixo)
Bruno (bateria)

Setlist:

01. Pau no Cú do Capitalismo em Posições Obscenas
02. Lucro é o Fim
03. Eu Não Preciso do Sistema
04. Só Tem Merda na TV
05. Eles Querem te Controlar
06. Todos Eles te Odeiam
07. O Vírus do Peculato
08. Pobre Coitado
09. Venom 
10. Não São Casos Isolados
11. Vai se Fuder no Inferno
12. Roleta Russa
13. O Mal da Liberdade
14. Punk ou Panqui?
15. Possuído Pelo Cão
16. Hidelbrando Chainsaw Massacre 
17. Petróleo Maldito
18. CPMF
19. Censura
20. Corroído Pelo Ódio
21. Cidade de Merda
22. Dirty Sanchez
23. Demônio da Fé Cristã
24. Existência Ignóbil
25. Franchising
26. Querida Sogra
27. P.A.T.A.M.O.
28. Inferno na Terra
29. Cuspindo no Sagrado
30. Respeito é Bom e Conserva os Dentes
31. O Caguete
32. Há Males que Vem para Pior
33. Vou Chutar a Sua Cara
34. Quadrilha de Sádicos
35. Guilhotina
36. Molecada 666


Redigido por David “Fanfarrão” Torres

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