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Kamelot: do menos expressivo ao melhor álbum


A sessão “do mais fraco ao melhor” foi criada com o objetivo de tentar elencar os álbums de determinadas bandas, do menos expressivo ao mais significativo. Os critérios usados para o ranking são diversos, como aceitação crítica do álbum em questão, importância do lançamento para a época, nível técnico em comparação a outros trabalhos da banda e fator diversão (obviamente), entre outros. Note que não há aqui certezas ou leis, apenas uma análise feita por mim para decidir a ordem dos álbums baseado nas informações acima e, portanto, se seu álbum favorito estiver abaixo no ranking ou se aquele play que você acha uma merda estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata. De qualquer forma, tentarei potencializar ao máximo os critérios técnicos acima e minimizar interferências pessoais.


Voltando aos trabalhos em alto estilo, essa semana vamos dissecar a discografia de um dos maiores expoentes do Prog/Power Metal em todos os tempos. Formada em 1991 por seu principal letrista e exímio guitarrista Thomas Youngblood, o Kamelot ganhou notoriedade internacional quando o primeiro vocalista Mark Vanderbilt e o baterista Richard Warner saíram da banda em 1997 por não terem disponibilidade para turnês e Youngblood recrutou o então prodígio e ex vocalista do Conception Roy Sætre Khantatat (ou simplesmente Roy Khan) e o garoto Casey Grillo. A partir disso, a sonoridade tomou um outro corpo e o lado épico se aliou ao Power progressivo dos primeiros trabalhos, resultando em verdadeiras obras-primas nos álbuns que vieram a seguir. Em sua terceira fase – já sem os dotes de Khan e sua teatralidade -, o Symphonic Power entrou em cena e continuou mantendo os estadunidenses no topo da cadeia do estilo, e os caras não mostram sinais de parar tão cedo. Vejamos então o que é bom, o que é ótimo e o que fica abaixo nessa discografia tão heterogênea!

Nota do redator: Álbuns ao vivo, Demos e singles não são contabilizados no ranking


11 – Dominion (1997)


Segundo álbum de estúdio dos nativos de Tampa, ‘Dominion’ é o último a contar com Mark Vanderbilt e Richard Warner. Talvez as músicas do play tenham sido escritas na mesma época que ‘Eternity’ saiu, tamanha é a semelhança entre as composições (inclusive, muitos chamam os dois álbuns em questão de “irmãos”). Apesar de não ser ruim e contar com clássicos dos caras como “One Day I’ll Win” e “We Are Not Separate”, mostra um Kamelot ainda tentando encontrar sua identidade e derrapando aqui e ali, além de contar com uma produção e mixagem inferiores ao debut.

10 – Poetry for the Poisoned (2010)


Era claro que havia algo de diferente com o humor e gênio do místico Roy Khan quando ‘Poetry for the Poisoned’ foi lançado. Considerado como o álbum mais sombrio e depressivo da história do Kamelot, o trabalho dividiu opiniões e o choque de composições em relação aos plays anteriores acabou por machucar o produto final. Há, contudo, momentos de brilho como “The Great Pandemonium” e “Once Upon a Time”.

9 – Eternity (1995)


‘Eternity’ é talvez o álbum mais injustiçado e esquecido pelos fãs do Kamelot. O lançamento nos proporcionou um dos maiores hinos já compostos por Youngblood em “Call of the Sea” (o que é hoje, inclusive, ignorado pela própria banda nos shows, o que considero uma heresia) e mostra o lado progressivo dos integrantes, cheios de energia e vitalidade. “Black Tower”, “Proud Nomad”, “One of the Hunted”...é praticamente impossível ver uma música ruim na peça!

8 – Silverthorn (2012)


Primeiro álbum com Tommy Karevik (Seventh Wonder) à frente da banda, ‘Silverthorn’ levantou dúvidas sobre se o Kamelot conseguiria continuar o alto nível de lançamentos sem Khan. Apesar de não ser tão forte quanto os álbuns do começo dos anos 2000, o trabalho mostrou ser suficientemente capaz de levantar os ânimos mais uma vez com melodias certeiras como “Sacrimony (Angel of Afterlife)”, “Torn” e a magnífica e agressiva “Veritas”, uma das melhores em muito tempo. Boa reviravolta.

7 – Haven (2015)


Os elementos sinfônicos foram abraçados por completo na nova fase do Kamelot, mas Haven consegue balancear bem os momentos opulentos com faixas mais diretas e despretensiosas. Fica claro aqui que a adição de Tommy Karevik para substituir o insubstituível Roy Khan foi a escolha mais sensata, já que o timbre e poder vocal do Sueco fazem jus ao nível de qualidade pretendido por Youngblood e companhia. De músicas grudentas como “Fallen Star” e “My Therapy” a pedaços agressivos como em “Liar, Liar (Wasteland Monarchy” e “Revolution” (ambas com a participação da hoje frontwoman do Arch Enemy, Alissa White-Gluz), há um pouco pra cada gosto em ‘Haven’.

6 – Siége Perilous (1998)


O debut de Roy Khan e Casey Grillo não marcou tanto na época de seu lançamento, mas é lembrado hoje como um dos melhores trabalhos do Kamelot pela crítica, seja por nostalgia ou por aliar perfeitamente o Power Metal com os princípios progressivos. As poderosas “Millenium” e “King’s Eyes”, a inteligente “Providence”, os hinos “The Expedition” e “Once a Dream”...tudo se encaixa em perfeito uníssono num álbum criminalmente marginalizado pelo fã casual, mas corretamente apreciado pelos conhecedores da discografia do Kamelot.

5 – Ghost Opera (2007)


Suceder ‘Epica’ e ‘The Black Halo’ é uma tarefa ingrata. O suquinho da criatividade, porém, estava farto na mesa de Youngblood e companhia, que haviam recrutado o tecladista Oliver Palotai como membro fixo da banda após o grandioso ao vivo ‘One Cold Winter’s Night’ de 2006, por isso ‘Ghost Opera’ veio como uma bala e atingiu em cheio os fãs na forma de um álbum mais sombrio e sinfônico que seus antecessores. A performance individual de Khan rouba a cena e injeta doses de emoção nas letras e composições, como de praxe. Desde “Rule the World” ao final divertidíssimo em “EdenEcho”, os caras conseguiram criar uma obra vencedora mais uma vez.

4 – The Fourth Legacy (1999)


‘The Fourth Legacy’ mora no fundo do meu coração e – junto de ‘Epica’ – é meu álbum favorito do Kamelot. Talvez o único trabalho dos estadunidenses 100% Power Metal, a obra é completamente abarrotada de músicas acima da média, cativantes e inspiradíssimas. O tom e o pitch da voz de Roy Khan são impecáveis e o frontman alcança as maiores notas de seu tempo com o Kamelot aqui (ver “Nights of Arabia”), Youngblood derrete cérebros com riffs viciantes e feeling único e a cozinha perfeita de Casey Grillo e Glen Barry são a cereja do bolo. Destaque especial para a parte final do álbum, que conta com as maravilhosas “Alexandria”, “The Inquisitor” e “Lunar Sanctum” – minha música favorita da banda.

3 – Karma (2001)


Deixo claro que, ao meu olho crítico, o quarteto de trabalhos lançados entre 1999 e 2005 pelo Kamelot são obras-primas, e a ordem do primeiro ao quarto colocados no ranking foi decidida depois de muito tempo pensando e pesando vários aspectos. ‘Karma’, mostra uma banda extremamente focada em criar músicas divertidas, épicas e viciantes, e o produto é extremamente satisfatório. Contendo a canção que talvez seja a mais conhecida e aclamada pelos fãs, ‘Forever’, além de verdadeiros hinos do Power Metal como “Wings of Despair”, “Across the Highlands”, as belas “Don’t You Cry” e “Temples of Gold” e a genial trilogia “Elizabeth” – isso tudo sem mencionar a majestosa faixa-título -  fica fácil exaltar essa pepita de ouro.

2 – The Black Halo (2005)


O final épico da rendição do Kamelot sobre a lenda Germânica Fausto, ‘The Black Halo’ eleva o lado sinfônico e melódico da banda à última potência com hits como “The Haunting (Somewhere In Time)”, “March of Mephisto” e “Soul Society”. Mas é nas partes épicas (não o álbum, esse já já falamos) que Khan, Youngblood, Grillo e Barry brilham: “Memento Mori” e “Serenade” chegam a ser falta de educação com outras bandas, de tão maravilhosas. Poético, inteligente e genioso, ‘The Black Halo’ coroou o pico criativo do Kamelot.

1 – Epica (2003)


Curiosamente, não há muito o que se dizer quando algum artista consegue atingir um nirvana criativo. É algo tão raro, mas tão raro, que quando acontece nos vemos obrigados a buscar palavras pomposas no dicionário ou explicações mirabolantes pra justificar o feito, e quase sempre em vão. Divertido, grudento e melódico, mas denso, profundo e erudito, ‘Epica’ transcende o Heavy Metal e pode facilmente rivalizar com os melhores trabalhos fonográficos de todos os tempos, sem demagogia. De momentos despretensiosos e minimalistas em “Center of the Universe”, “Farewell” e “The Edge of Paradise” a passagens de inteligência assustadora como em “Descent of the Archangel”, “The Mourning After (Carry On)” e “III Ways to Epica”, o Kamelot conseguiu criar uma jóia perfeita. Bravo.

Por Bruno Medeiros

Testament: do menos expressivo ao melhor álbum


A sessão “do mais fraco ao melhor” foi criada com o objetivo de tentar elencar os álbums de determinadas bandas, do menos expressivo ao mais significativo. Os critérios usados para o ranking são diversos, como aceitação crítica do álbum em questão, importância do lançamento para a época, nível técnico em comparação a outros trabalhos da banda e fator diversão (obviamente), entre outros. Note que não há aqui certezas ou leis, apenas uma análise feita por mim para decidir a ordem dos álbums baseado nas informações acima e, portanto, se seu álbum favorito estiver abaixo no ranking ou se aquele play que você acha uma merda estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata. De qualquer forma, tentarei potencializar ao máximo os critérios técnicos acima e minimizar interferências pessoais.


Essa semana seremos agraciados por um dos maiores expoentes do Thrash Metal da Bay Area em todos os tempos, a banda injustiçada, o reserva imediato do Big Four, aquela que sempre lança álbuns acima da média e tem pouco reconhecimento; ou aquela banda supervalorizada, aquela que levanta sombrancelhas de muitos e arranca esbravejos de “nem é tão boa assim”, aquela que é só mais uma em um mar de bandas que tocam a mesma marcha “rebelde” característica e já datada da região Californiana: o Testament.

Elementar que não preciso contar aqui a história da banda e/ou suas conquistas (obviamente, o foco dessa sessão é outro), que tem como protagonistas o ex-Sérgio Mallandro e atual Indígena mais true do universo Chuck Billy, o virtuoso de madeixas grisalhas e tiozão sexy Alex Skolnick e o dono da porra toda Eric Peterson, além, é claro, de inúmeros coadjuvantes e membros de suporte ao longo da história, desde mais notáveis e poderosos como Greg Christian, Dave Lombardo, James Murphy e Paul Bostaph à menos proeminentes como Steve Smyth ou Jon Dette. Fato é que, no alto de seus 30 anos de carreira, os monstros sagrados de Oakland não mostram sinais de cansaço e até hoje vêm quebrando portas, chutando sacos e ganhando mídia e fãs mundo afora.

Pois bem, já falei demais, então vamos ao que interessa: eis abaixo, do menos expressivo ao mais cabuloso álbum, a discografia do Testament.

11 – Demonic (1997)


Díficil falar de ‘Demonic’ sem receber de volta respostas como “lixo total”, “uma bosta cagada” ou “horrível”. Já ouvi, porém, muitos falarem bem e reconhecerem alguma qualidade nesse play que, segundo os critérios usados para a montagem do ranking, acaba mais por pecar do que por acertar. A escolha de Billy e companhia de navegar por águas nunca testadas pela banda tornam o álbum indigesto, num misto de perda de identidade nos vocais, timbres mal-mixados nas guitarras e uma bateria meio lata de lixo, meio [inserte aqui algum instrumento tribal bizarro]. Se essa foi a primeira tentativa do Testament em fazer algo mais pesado que Thrash, que seja a última. Os fãs de metal extremo agradecem.

 10 – The Ritual (1992)
  

O auge da exposição midiática do Testament se deu um pouco antes de ‘The Ritual’ ser gravado. Isso resultou aqui – como também em muitas outras bandas no final dos anos 1980 e começo dos anos 1990 - mais uma vez, em uma infecção de um vírus nocivo, destruidor e castrador chamado “mídia mainstream”, que faz com que a maioria das bandas se tornem marionetes de um sistema fonográfico tosco e formulaico. No nosso cenário musical isso também afeta bandas (principalmente à época) e o Testament também teve seu momento MTV. Chuck Billy entrega uma performance inversamente proporcional àquela com seus grunhidos cheios de catarro vista em ‘Demonic’, dessa vez limpando ainda mais suas cordas e abusando das linhas melódicas. Má idéia.

9 – Souls of Black (1990)


‘Souls of Black’ representa uma leve mudança de sonoridade no Testament, iniciada com seu antecessor ‘Practice What You Preach’. A leveza e virtuose tomaram as vezes de protagonistas e deixaram a ferocidade e veia crítica tradicionais do Thrash Metal em segundo plano. Claro, há ainda no play inúmeros elementos da banda que tomaram os corações dos fãs, e a adição dessa vertente mais acessível acabou por funcionar bem nesse álbum. Canções como a faixa-título, “Face in the Sky” e “Malpractice” ilustram bem a fase da banda, que registrou saldo positivo com a virada da década.

8 – Low (1994)


Álbum trevoso, álbum formoso. ‘Low’ divide opiniões mas tem seu valor, ao apresentar ao mesmo tempo uma volta ao proto-thrash de outrora e renovar a própria banda com elementos agressivos. O problema maior com ‘Low’ é restar entre ‘The Ritual’ e ‘Demonic’ - dois álbums antagônicos musicalmente -, passando a impressão de estar perdido no limbo conceitual e de identidade para a banda, que foi os anos 1990. Faixas como “Trail of Tears”, “Shades of War” e “Dog Faced Gods”, porém, seguram bem o rojão e mantêm a qualidade do trabalho.

7 – The Formation of Damnation (2008)


O retorno triunfal não foi tão triunfal assim. Claro, devemos tirar o chapéu principalmente para Chuck Billy, que havia há pouco vencido uma batalha tão dura (essa travada contra o cancer), e para as linhas de guitarra renovadas e inspiradas de Peterson e Skolnick, mas há que se levar em consideração a adoção – mais uma vez – de elementos mainstream e vertiginosamente plastificados (talvez por demanda do mercado à época) decorrentes, suspeito, do acordo firmado entre a banda e a Nuclear Blast. Canções como “More Than Meets the Eye” e “The Evil Has Landed” contrastam com a faixa título e “The Persecuted Won’t Forget”, por exemplo, duas porradas desenfreadas e calamitosas, trazendo ao ouvinte uma sensação de “montanha-russa” entre melosidade e agressividade que acabou não funcionando como deveria. De qualquer forma, ótimo álbum.

6 – Practice What You Preach (1989)


Não há muito o que se tirar de ‘Practice What You Preach’. Todos os elementos que amamos no antigo Testament estão aqui, mas curiosamente não há tantos clássicos no play como em outros mais antigos (e mais novos também). A produção ficou a cargo da lenda Alex Perialas (Overkill, Accuser, Anthrax, Exciter, Holy Moses e uma caralhada de outras) mais uma vez e o feeling, poder e performance estão todos lá. No entanto, algo de estranho com o play o impede de figurar entre os melhores da banda até hoje, e não me pergunte o que é porque eu não sei explicar.

5 – Brotherhood of the Snake (2016)


Um dos álbuns mais aguardados do ano, o retorno da lenda, e a perpetuação do Testament como o gigante ativo mais competente vieram na forma de ‘Brotherhood of the Snake’…mais ou menos. É notório que a banda ainda performa em alto nível e tem lenha pra queimar por mais algum tempo, mas no contexto de criação de hype em cima de 4 anos desde seu último petardo aliado a declarações de Chuck Billy dizendo que esse álbum seria só porrada e se quiséssemos algo mais melódico teríamos que esperar o próximo trabalho acabaram machucando um pouco o produto final. Declaração essa que, nos primeiros acordes da segunda música do play, “The Pale King”, já cai por terra. Obviamente há agressividade, tenacidade e até doses de raiva no álbum, mas a parte melódica existe sim e, inclusive, toma conta de boa parte de ‘Brotherhood of the Snake’. Mesmo assim, o mais novo filho dos thrashers tem qualidade o suficiente pra figurar no top 5 da banda.

4 – The Gathering (1999)


Agora sim, filho da puta! ‘The Gathering’ pegou ‘Demonic’ pelo pescoço, torceu, jogou na parede, tirou as tripas e enforcou aquele pedaço de mediocridade com elas. O play entrega tudo que seu antecessor não pôde (obrigado, Dave Lombardo), abaixando um pouco o tom de obscuridade e aumentando os elementos clássicos de Thrash Metal. Só os primeiros minutos de “D.N.R.” obliteram toda a década de 1990 do Testament e retomam o prestígio dos loucos de Oakland. Agressividade, técnica, performance, produção e mixagem impecáveis.

3 – Dark Roots of Earth (2012)


Aqui sim podemos ver o lado feroz e versátil prometido por Chuck em ‘Brotherhood of the Snake’. ‘Dark Roots of Earth’ coloca o Testament novamente no mapa 4 anos após seu retorno definitivo, e o faz de forma magistral. “Rise Up”, “Native Blood”, “True American Hate”, “Man Kills Mankind”…todas as músicas ilustram diferentes e proficientes características dos membros da banda e são executadas com paixão, competência e, o mais importante, liberdade de criação.

2 – The New Order (1988) 


Tirando o tiro no pé que foi o cover de Aerosmith “Nobody’s Fault”, ‘The New Order’ é musicalmente perfeito pra seu tempo e de, certa forma, até atemporal. Clássicos absolutos como “Trial by Fire”, “Into the Pit”, “Disciples of the Watch” e a destruidora “The Preacher” elevam o trabalho a um dos mais importantes do gênero nos anos 1980 e, não fosse o álbum abaixo, certamente o mais importante da história do Testament.

1 – The Legacy (1987)


Eis aqui a “magnum opus” do Testament. Acredito que essa primeira posição da sessão ranking foi a mais fácil até agora, dada a importância, técnica, paixão, apelo e condução musical de ‘The Legacy’ em relação aos demais álbuns da banda. Um marco no Thrash Metal mundial e um dos melhores trabalhos já feitos na Bay Area, o play mostra uma banda centrada, energizada e animada em fazer música, o que transparece com facilidade nas composições. Clássico atrás de clássico, porrada atrás de porrada, ‘The Legacy’ leva a medalha de ouro com louvor, disparado.


Por Bruno Medeiros


Running Wild: do menos expressivo ao melhor álbum


A sessão "do mais fraco ao melhor" foi criada com o objetivo de tentar elencar os álbuns de determinadas bandas, do menos expressivo ao mais significativo. Os critérios usados para o ranking são diversos, como aceitação crítica do álbum em questão, importância do lançamento para a época, nível técnico em comparação a outros trabalhos da banda e fator diversão (obviamente), entre outros.

Note que não há aqui certezas ou leis, apenas uma análise feita por mim para decidir a ordem dos álbuns baseado nas informações acima e, portanto, se seu álbum favorito estiver abaixo no ranking ou se aquele play que você acha uma merda estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata. De qualquer forma, tentarei potencializar ao máximo os critérios técnicos acima e minimizar interferências pessoais.


Pra começar da melhor forma possível, hoje teremos um dos maiores expoentes do Heavy Metal mundial e uma das bandas que mais influenciou novos grupos pelo mundo afora: o Running Wild.

Criado em 1979 pelo então garoto Rolf Kasparek, a banda obviamente dispensa as minhas apresentações e certamente mora nos corações da maioria dos headbangers do Brasil e do mundo. Primeira banda a utilizar a temática pirata no mundo do Metal, o Running Wild é responsável por alguns dos melhores álbuns de todos os tempos e um ótimo ponto de partida para esta nova seção. Sem mais delongas, aqui estão todos os discos lançados pelos Privateers Alemães até hoje, do menos expressivo ao melhor da carreira.

Ready for Boarding!

15 - Resilient (2013)


Resilient é o mais recente álbum da carreira dos Alemães. Considerado pela crítica como um trabalho medíocre, é fácil ver fãs mais radicais da banda torcerem o nariz para composições como “Adventure Highway” ou “Desert Rose”. Claramente a mais fraca disposição de uma banda que outrora lançou álbums quase perfeitos.

14 - Rogues en Vogue (2005)


Rogues em Vogue é considerado por muitos como o declínio definitivo da carreira de Rock ‘n’ Rolf. Muito abaixo da média e inspirado pelos devaneios do frontman como compositor, o álbum não agradou à epoca e até hoje é bastante criticado.

13 - Shadowmaker (2012)


Seria Shadowmaker o retorno triunfal de uma das maiores bandas de todos os tempos? Essa foi a pergunta que todos nós nos fizemos quando Rolf anunciou o retorno do Running Wild apenas 3 anos depois de encerrar as atividades do grupo. Apesar de pequenos lapsos do antigo Running Wild, como “Sailing Fire” e “Dracula”, a pegada mais Hard e menos rápida adotada a partir de 2000 tomou conta mais uma vez da (falta de) criatividade de Rolf, resultando em um retorno acompanhado de um belo asterisco.

12 - Victory (2000)


Para muitos, o começo do fim. Apenas dois anos depois de um belo álbum com The Rivalry, o lançamento de Victory pegou os fãs de surpresa com uma pegada bem mais lenta e com o abandono quase que completo da temática pirata tão amada pelos fãs. Um álbum mediano com um ou outro ponto forte e muitos pontos fracos.

11 - The Brotherhood (2002)


The Brotherhood conseguiu resgatar de certa forma o prestígio perdido com Victory, com canções dignas do Running Wild como “Welcome to Hell”, The Ghost” e, curiosamente, uma das melhores composições da carreira da banda com “Pirate Song”. No entanto, ainda haviam muitas influências Hard e claramente Rolf não era mais o mesmo, o que pudemos ter certeza com o lançamento dos álbums posteriores.

10 - Masquerade (1995)


Masquerade copiou as formulas adotadas em Pile of Skulls e Black Hand Inn e manteve uma sequência quase perfeita nos anos 1990 para o Running Wild. Com uma faixa título fortíssima acompanhada de uma introdução maravilhosa, o álbum é um ótimo exemplo do Speed/Power Metal alemão, e poderia facilmente figurar mais acima no ranking.

9 - Branded and Exiled (1985)


O álbum marcou o fim de um ciclo mais sério e anárquico da banda, e contém composições para sempre clássicas como a faixa título, “Chains and Leather” e “Fight the Oppression”. Uma bela ilustração da fase mais rebelde e sombria do Running Wild.

8 - Pile of Skulls (1992)


Pile of Skulls foi lançado pouco mais de um ano após o aclamado Blazon Stone, e é um álbum extremamente técnico e honesto. Com uma produção à frente de seu tempo na cena do Metal, o trabalho manteve o alto nível apresentado na fase de ouro do Running Wild e segurou bem a metade do pico criativo de Rolf.

7 - The Rivalry (1998)


Considerado o último grande álbum do Running Wild, The Rivalry entregou composições memoráveis como “Kiss of Death”, “Return of the Dragon” e “Ballad of William Kidd”. É inclusive o álbum favorito de muitos fãs devido à gama de diferentes linhas musicais, de faixas cadenciadas à mais rápidas.

6 - Under Jolly Roger (1987)


O álbum mais marcante para grande parte dos fãs de Running Wild que tiveram a sorte de terem acompanhado seu lançamento. A mudança considerável no estilo da banda e a adoção dos temas piratas, aliados a uma musicalidade ímpar, fizeram de Under Jolly Roger um dos álbums mais importantes da década de 1980 para o Metal Europeu, e o início de uma dinastia que duraria muito tempo.

5 - Gates to Purgatory (1984)


Um início de carreira avassalador, influências do que viria a ser o Black Metal, composições memoráveis, honestidade com os fãs e atitude mais Metal impossível. Foi assim que o Running Wild apareceu para o mundo, destruindo tudo em seu caminho com Gates to Purgatory. Extremamente respeitado por headbangers de todas as cenas, desde o mais casual até o mais extremo.

4 - Blazon Stone (1991)


O álbum mais versátil da carreira dos Alemães. Com letras magníficas e atmosfera cativante, Blazon Stone apresentou aos fãs o lado mais inteligente de Rolf Kasparek, desde composições críticas como “Slavery” a épicas como “Little Big Horn”.

3 - Port Royal (1988)


A consolidação como reis do metal pirata e o motivo pelo qual Rock ‘n’ Rolf é um dos melhores compositores de todos os tempos. Faça um desafio consigo mesmo: tente achar uma música ruim, ou até mesmo medíocre em Port Royal. Conseguiu?

2 - Black Hand Inn (1994)


Meu álbum favorito do Running Wild e um dos melhores álbums de todos os tempos, na minha opinião. O ritmo frenético e épico ao mesmo tempo faz com que Black Hand Inn seja um dos trabalhos mais acessíveis da carreira dos Alemães, com clássicos absolutos como “Souless”, “The Phantom of Black Hand Hill” e a melhor música da história do Running Wild (na minha opinião), “The Privateer”.

1 - Death or Glory (1989)


A epítome do que Running Wild representou para a cena do Metal. Um nível de criatividade inacreditável, atenção máxima aos detalhes, produção cristalina e verdadeiros hinos do Metal são apenas alguns dos elementos que fazem Death or Glory ser tão especial. Divertido, profundo, crítico e, mais importante, feito com paixão e respeito ao que é a cena do Heavy Metal.

Esta seria a sua ordem? Comente. Nos apresente o seu gosto e faça a sua sequência!

por Bruno Medeiros

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