Tony Iommi é o guitarrista e fundador da lendária banda de heavy metal Black Sabbath e um ícone das 6 cordas, mas você sabia que ele não tem uma parte de dois dedos da sua mão direita? Acredito que quase todos saibam.
Tony Iommi é um dos maiores guitarristas do mundo de todos os tempos, porém antes do Black Sabbath, Tony sofreu um acidente no seu trabalho que poderia ter custado sua carreira musical.
"Antes do BLACK SABBATH eu costumava trabalhar numa fábrica. Um dia, quando eu coloquei a minha mão em uma das máquinas, ela desceu e acabou cortando as pontas dos meus dedos fora. Eu achei que não iria tocar nunca mais. Fiquei muito triste. Mais tarde, um empresário me trouxe uma gravação de Django Reinhardt (um ícone do jazz, que tocava apenas com três dedos) e isso realmente me fez voltar a tocar." Afirmou Iommi em uma entrevista dada ao Times Online em 2006.
Pelo fato de o fazer usar cordas mais macias e próteses nas pontas dos dedos anular e médio da mão direita, faz com que algumas sonoridades sejam únicas e características de Iommi. Conseguimos imaginar o Sabbath sem Ozzy, mas acredito que não tem nem como passar pela cabeça sem Tony Iommi, o verdadeiro coração do Sabbath.
Sobre sua maneira de tocar, Tony afirma: "Aquilo definitivamente mudou o meu estilo. Eu tive que encontrar formas diferentes para tocar os acordes e fazê-los soar bem. (Os médicos do) hospital me aconselharam a parar de tocar, mas eu não aceitava isso, então tive que arranjar um jeito para tocar confortavelmente. Eu fiz essas pontas de dedo usando um pedaço de garrafa que eu tinha derretido e que fui modelando ao redor do meu dedo. Foi um método meio rústico, mas funcionou para mim."
O acidente ocorreu quando o guitarrista tinha apenas 17 anos, conforme mostra acima "Django Reinhardt" foi a maior inspiração para o guitarrista nunca desistir. Já as cordas macias que citei, na verdade são cordas de banjo, uma afinação nada comum para uma guitarra de Heavy Metal. Sobre outras curiosidades, desde que voltou a tocar, Tony começou a testar diversas maneiras de tocar, como por exemplo as que deram certo: usar afinação das cordas mais graves e usar a entrada de baixo nos amplificadores, tudo isso só agregava em uma maneira única de tocar.
Será que á males que vem para o bem? Neste caso, não tenho dúvidas. Deixem dicas nos comentários dos próximos artigos do "Superações".
"Dehumanizer" é com toda a certeza, um dos melhores álbuns de Heavy Metal da década de 90, um verdadeiro oásis no deserto. É também um dos mais pesados de toda a carreira do Black Sabbath (senão o mais pesado) e promove a volta da inesquecível formação que excursionou na promoção de "Heaven And Hell" (1980) e gravou "The Mob Rules" (1981).
A banda passou por alguns momentos de incerteza durante a maior parte da década de 80 e começava a se acertar lançando bons discos com o vocalista Tony Martin, porém após um show em que o eterno Ronnie James Dio se apresentou ao lado de Geezer Butler, surgiu uma vontade de ambos em gravar novamente com o Black Sabbath. É claro que Tony Iommi inicialmente não gostou da idéia e precisou ser convencido a aceitar tais mudanças.
Após um período de negociações, Tony Martin e o baixista Neil Murray foram demitidos para que Dio e Geezer retornassem, nas baquetas o responsável ainda era Cozy Powel, porém quis o destino que Powel fraturasse uma costela e impedido de tocar, a escolha lógica foi a de chamar Vinny Appice.
Nas gravações, estava claro que dificilmente a banda conseguiria se manter com essa formação por muito tempo, Iommy e Dio não se bicavam e diversas discussões ocorreram. A guerra de egos fez com que o álbum demorasse mais do que o previsto para ser finalizado, porém no dia 22 de junho de 1992, "Dehumanizer" finalmente chegava às lojas.
Se internamente os ânimos estavam a flor da pele, o resultado da junção de músicos tão talentosos não poderia gerar outro resultado musicalmente, um disco singular, inspirado, classudo e que gerou uma excepcional resposta comercial à banda. Dio estava soberbo, Iommi compôs riffs sensacionais e a parte rítmica comandada pelo baixo de Geezer Butler e a bateria de Vinny Appice era pesada e precisa.
Diversas faixas de "Dehumanizer" merecem destaque. A poderosa faixa de abertura "Computer God", as viscerais "TV Crimes" e "Time Machine", além das pesadas, porém melodiosas "After All (The Dead)", "I" e "Master Of Insanity", são os maiores exemplos da qualidade absurda contida no décimo sexto disco de estúdio do Sabbath.
O trabalho rendeu uma extensa turnê ao grupo, inclusive com uma histórica passagem pelo Brasil. Uma curiosidade é que quando tocaram por aqui, não havia versão nacional lançada do álbum e a grande maioria dos fãs presentes no Olímpia, Ibirapuera (SP) e Canecão (RJ) não conheciam as músicas do novo registro. Coisas que acontecem no Brasil...
Assim como nos anos 80, o que era bom durou pouco e como diz a lenda, Ozzy na época anunciava sua aposentadoria (sim, é isso mesmo!) e pediu ao Black Sabbath que abrisse alguns shows de sua banda solo, segundo as más línguas Dio se negou prontamente a fazer tais shows e deixou o grupo sem maiores explicações.
Brigas, desentendimentos e egos à parte, "Dehumanizer" é um disco brilhante, ótimo do início ao fim e nada será capaz de apagar isso. Clássico!
Muitos detestam covers, outros adoram, os motivos para reações tão diferentes são os mais variados possíveis. Quem não gosta geralmente é adepto da teoria de que são raras as ocasiões em que uma versão fica tão boa quanto a original, já os que gostam, são os headbangers que possuem a mente mais aberta e para estes, ouvir novas adaptações para os clássicos de suas bandas favoritas, não significa substituir as originais, mas sim ganhar uma maneira diferente e atualizada de escutar uma música já conhecida.
Ambas as opiniões são válidas, mas se existe uma verdade a respeito desse tema, é que em meio a diversos tributos pífios e caça niqueis, versões ruins e clássicos "assassinados", muitas bandas conseguiram apresentar adaptações muito boas para canções pra lá de manjadas.
Neste artigo apresentaremos uma playlist com 10 versões de clássicos do Black Sabbath. A mítica banda nascida na cidade de Birmingham, Inglaterra, em 1968, conhecida por muitos como uma das primeiras bandas de Heavy Metal do mundo. O grupo também é responsável pelo embrião de outros subgêneros dentro do estilo, é possuidora de uma vasta e proveitosa discografia e músicos extremamente talentosos passaram pela banda.
Com fases e formações distintas e sempre capitaneado pelo riffmaker Tonny Iommi, o Sabbath sempre nos brindou com grandes trabalhos e serviu de referência para inúmeras bandas. Aqui, vamos conhecer algumas das melhores versões para clássicos do grupo.
Boa audição!
10 - Ugly Kid Joe - N.I.B.
O Black Sabbath exerceu influência sobre praticamente tudo o que veio depois dele e no começo da década de 90, o Ugly Kid Joe, uma banda de sucesso momentâneo que emplacou alguns hits como "Everything About You" e a balada "Cats In The Cradle", participou de um tributo ao Sabbath e mandou muito bem nesta versão para o hino "N.I.B.".
9 - Iron Savior - Neon Knights
O grupo capitaneado por Piet Sielck e Kai Hansen (nos primeiros trabalhos) é conhecido por ótimas versões e participações notáveis em tributos. Nesta versão para "Neon Knights", originalmente gravada no clássico "Heaven And Hell" (1980) e imortalizada na voz de Ronnie James Dio, o Iron Savior dá um show de energia e nos brinda com uma execução impecável.
8 - Megadeth - Paranoid
Uma banda de Thrash Metal tocando Black Sabbath? No decorrer desta lista o amigo leitor verá que isso é mais natural do que se pensa. O Megadeth tocou o hino "Paranoid" como se fosse uma canção composta pela banda e com isso, a canção ganhou velocidade, agressividade e um solo de tirar o fôlego.
7 - Powerwolf - Headless Cross
Todos sabemos que a fase com Tony Martin nos vocais não é nem de longe a preferida dos fãs, porém é inegável que os álbuns gravados com o vocalista possuem muitas qualidade e por que não, alguns clássicos. Sem dúvidas, "Headless Cross" é um deles e os alemães do Powerwolf, gravaram a faixa no EP "The Rockhard Sacrament" (2013). O cover ficou extremamente fiel é um verdadeiro deleite!
6 - Pantera - Electric Funeral
O Pantera gravou alguns covers do Sabbath, talvez o mais conhecido deles seja o de "Planet Caravan", presente no álbum "Far Beyond Driven" (1994), porém a que considero a melhor versão da banda, é sem dúvida alguma, "Electric Funeral". Originalmente gravada em "Paranoid" (1970), a canção ganhou peso, agressividade e um toque de modernidade que caiu muito bem, destaque para a performance de Phil Anselmo, um show à parte!
5 - Bruce Dickinson - Sabbath Bloody Sabbath
Gravada em 1994, época em que Bruce havia deixado o Iron Maiden e portanto, o músico está acompanhado da banda Godspeed. O cantor demonstra as suas habituais interpretações que quase sempre são impecáveis e a clássica "Sabbath Bloody Sabbath", gravada pela primeira vez no registro homônimo de 1973, ganha uma roupagem única, com guitarras bem pesadas e vocalizações fantásticas.
4 - Iced Earth - Black Sabbath
Em 2001, o Iced Earth gravou um disco tributo aos seus maiores ídolos ("Tribute To The Gods") e sem dúvidas, o Black Sabbath estaria incluído nesta seleção. O que não era tão óbvio é que a versão para a faixa "Black Sabbath" fosse executada de forma tão espetacular. O vocalista Mathew Barlow rouba a cena e é o responsável por uma performance simplesmente perfeita e acima de críticas.
3 - Faith No More - War Pigs
Apenas recapitulando, tivemos até aqui bandas dos mais variados estilos dentro do Metal e todas elas nutrindo uma característica em comum: a influência do Black Sabbath em sua música. Seja no Thrash, Heavy, Death, Doom, Hard ou qualquer outro gênero, os quatro rapazes de Birmingham se tornaram referência e até mesmo em bandas impossíveis de se rotular como o Faith No More, eis que lá está a sonoridade única do Sabbath servindo de molde e inspiração. "War Pigs", um dos maiores hinos do grupo, ganhou esta belíssima versão que rendeu o bronze em nosso ranking.
2 - Sepultura - Symptom Of The Universe
Não é novidade alguma que o maior expoente do Metal nacional em todos os tempos se inspirou em muito no que Iommi e companhia fizeram ao longo dos anos. Na época do álbum "Roots" e portanto, quando o Sepultura obteve o seu maior pico de popularidade, o quarteto mineiro gravou esta versão mega pesada para "Symptom Of The Universe". O resultado foi tão excepcional que levou a nossa prata.
1 - Enola Gay - Heaven And Hell
Acredito que a grande pergunta que todos devem estar se fazendo agora é: mas quem é esse tal de Enola Gay? Justa essa pergunta, já que a banda realmente não é um medalhão e é pouco conhecida pela grande maioria dos headbangers.
Vamos lá, o Enola Gay é uma banda de origem alemã, foi fundada em meados da década de 80, lançou apenas três discos, todos nos anos 90 e voltados ao Power Metal, porém depois disso simplesmente sumiu. Só que... antes disso participaram de um tributo ao mestre Dio e deixaram essa belezura de cover que rendeu o nosso primeiro lugar.
"And the Oscar goes to..."
Espero que você tenha gostado da lista e se não, que tenha ao menos se divertido ao escutar versões diferentes de canções há muito tempo conhecidas, agora se você não gosta de covers de maneira alguma, a nossa intenção não é a de convencer ninguém, mas sim levar música boa aos nossos leitores.
Sendo assim, a mesma lista que apresentamos com adaptações feitas por outras bandas, está abaixo, disponibilizada em suas versões originais com o grande Black Sabbath.
O Black Sabbath como todos sabem, continua em sua turnê derradeira, a "The End Tour", que inclusive passará pelo Brasil no final do ano.
No último dia 7 julho, o lendário quarteto original de Birmingham, Inglaterra, se apresentou no festival Monsters Of Rock na cidade de Helsinki, Finlândia.
Assista alguns dos melhores momentos da apresentação através dos links abaixo:
Após três grandes e excelentes registros do lendário grupo de heavy metal Black Sabbath (“Black Sabbath”, “Paranoide” e “Master Off Reality”) um novo trabalho de estúdio estava por vir e chamara “Vol. 4”.
Como Rodger Bain havia deixado às produções do grupo, os próprios integrantes do Black Sabbath trataram de cuidar do processo de criação de seus discos, mais tarde contaram com a ajuda de Patrick Meehan para produção do disco. Em maio de 1972 iniciaram as gravações do novo registro de estúdio na Record Plant Studios, em Los Angeles, Estados Unidos. O uso de entorpecentes pelos integrantes da banda fez com que o processo de gravação durasse um pouco mais de tempo em relação aos registros anteriores.
Uma curiosidade sobre o título do disco, é que primeiramente teria o nome de “Snowblind”, mas a gravadora não permitiu, pois o termo faz referência ao uso de cocaína e na época a droga era um problema sério, podendo assim causar problemas polêmicos para a banda.
Vol. 4 contém a mesma sonoridade pesada que o Black Sabbath já vinha executando, mas explorou também composições mais progressivas, como por exemplo, “Changes”, considerada a maior balada da banda, o instrumental é composto de cordas e piano, cantada na voz do Ozzy à letra retrata o fim de um relacionamento, mais propriamente foi inspirada no fim do relacionamento de Bill Ward.
“Wheels Of Confusion/ The Straightener” abre o álbum com peso e sem muitos rodeios já ganha velocidade com o solo de Iommi. O prelúdio “FX” dá caminho para a potente “Supernaut” retomando o peso da banda com os riffs marcantes mais uma vez de Tony.
Um grande destaque para o disco é a faixa “Snowblind” era pra ser a faixa título do álbum, mas como não ocorreu, a música tornou-se muito conhecida e um clássico do disco, traz uma letra com duplo sentido referente ao uso de cocaína além de citar gelo, neve e confusões mentais.
Certamente apostar em composições mais sentimentais em um disco de heavy metal não é tarefa para qualquer banda, porém, mesmo o Black Sabbath arriscando o disco caiu no gosto dos fãs, rendendo para o grupo 500mil cópias vendidas nos Estados Unidos, em novembro do mesmo ano de lançamento (1972) e marcando assim o início de um novo estilo para o metal.
Ouvir "Heaven And Hell" hoje e dizer que se trata de um clássico supremo da música pesada pode soar redundante, porém quando o álbum foi concebido, acreditem se quiser, a história não era bem essa e o disco estava fadado ao fracasso.
Alguns motivos são os responsáveis por essa afirmação e os principais deles podem ser listados facilmente. Ozzy acabava de ser demitido por que os demais integrantes não conseguiam lidar mais com seus vícios, Bill Ward estava igualmente imerso nas drogas, Geezer Butler deixava o grupo por conta de seu divórcio e o Black Sabbath estava aparentemente se desintegrando.
Para ocupar o posto de Ozzy, o ex-Rainbow Ronnie James Dio foi chamado, porém sua forma de cantar e sua voz potente era o oposto do estilo do "madman", deixando os fãs desconfiados e temerosos, já que o o grupo vinha de dois trabalhos considerados fracos e muito abaixo dos primeiros registros clássicos da banda.
Geoff Nicholls (ex-Quartz) assumiu a posição de baixista, porém Geezer voltou em meio as gravações e Geoff acabou se tornando o tecladista oficial do grupo pelos próximos 23 anos. Apesar de nunca aparecer nas fotos promocionais e não ocupar um lugar de destaque no palco, ele sempre esteve lá.
Todas as faixas de "Heaven And Hell" foram compostas por Tony Iommi e o estreante Ronnie James Dio, que também escreveu todas as letras do álbum. A influência do baixinho foi seminal para que o disco emplacasse e por conta de seu estilo mais clássico, o Black Sabbath acabou fugindo da musicalidade mais densa e sombria, investindo em composições mais diretas e melodiosas, indo de encontro ao que as bandas britânicas começavam a apresentar com a NWOBHM.
O disco como um todo é magnífico, a produção de Martin Birch é brilhante e com este registro, o Black Sabbath arrebatou uma nova legião de fãs, se reinventando e ressurgindo das cinzas, provando a todos os incrédulos que ainda podia ser relevante. Apesar de "Heaven And Hell" ser detentor de oito faixas primorosas, não há como deixar de destacar os mega clássicos "Neon Knights", "Children Of The Sea" e a faixa título. Particularmente, "Die Young" e "Lonely Is The World", considero tão boas quanto as três mais aclamadas e certamente, ambas possuem lugar garantido no meu hall de melhores canções do grupo.
Uma curiosidade interessante a respeito desta época, é que a banda angariou fãs tão jovens, que nem sequer chegaram a conhecer os discos lançados em seus primórdios. O Sabbath foi simplesmente associado as bandas da NWOBHM e chegou até mesmo a relançar "Paranoid" (1970), fazendo com que o trabalho fizesse sucesso novamente e chagasse na 14ª posição no ranking da Billboard.
Na turnê de divulgação, Bill Ward não foi capaz de vencer as drogas e assim como Ozzy, foi substituído. Para o seu lugar, entra Vinny Appice e esta formação foi a responsável por gravar o excelente "The Mob Rules" um ano mais tarde, o último de inéditas na década de 80 que contaria com o talento do mestre Dio nos vocais.
Em 1982, o baixinho deixava o Black Sabbath para formar sua banda solo. O primeiro álbum lançado? Um tal "Holy Diver"... Conhecem?
Black Sabbath: 45 anos de um dos registros mais influentes e
importantes da história da música pesada
No distante dia 13 de fevereiro de 1970 foi lançado no Reino Unido, através da gravadora Vertigo, aquele que para muitos pode ser considerado simplesmente o primeiro registro oficial da história do Heavy Metal: o álbum de uma certa banda de Birmingham, Inglaterra. Essa banda inicialmente se chamava Earth e era formada pelo guitarrista Tommy Iommi, o baixista Geezer Butler, o baterista Bill Ward e o vocalista Ozzy Osbourne. Desnecessários maiores detalhes, certo?
A banda em questão é o Black Sabbath. Com um nome que era uma homenagem ao filme clássico de 1963, dirigido por Mario Bava, "As Três Máscaras do Terror", estrelado pelo ator cultuado do gênero de terror, Boris Karloff, o Black Sabbath é a banda que para muitos, se não foi a fundadora do Heavy Metal, foi a banda que disseminou esse grande estilo musical através do globo. Não vou entrar no mérito de discutir a famosa polêmica de "quem criou o Heavy Metal". O que realmente importa é que hoje, Sexta-Feira, dia 13 de fevereiro de 2015, esse grande álbum completa o seu aniversário de 45 anos. Portanto, vamos para o que realmente interessa que é o conteúdo desse belo trabalho desses quatros mestres da música pesada.
Esse excelente debut já abre com o "riff" marcante e perturbador da faixa-título. "Black Sabbath" foi lançada como o segundo "single" do álbum e simplesmente um verdadeiro hino do Heavy Metal, sem mais! Hoje em dia existem incontáveis vertentes e subgêneros do Metal, que soam mais pesados e variados entre si, de diferentes formas e estilos, isso não é novidade alguma. Entretanto, não importa o quão pesado sejam os "riffs" e acordes que outras bandas e vertentes componham, pois o "riff" de "Black Sabbath" é algo tão simples, único e peculiar que podem passar décadas e nunca vão criar algo como o que se ouve nesse disco de estreia.
O "riff" dessa música é simples, direto, pesado, cru e amedrontador. Aliados a brilhante e coesa "cozinha" de bateria e baixo de Bill Ward e Geezer Butler e aos vocais sinistros de Ozzy Osbourne, que se tornam mais desesperados a cada estrofe cantada, essa faixa foi muito criticada na época de seu lançamento, assim como a própria banda em si, que foi rotulada como satânica por inúmeras pessoas, devido ao peso das músicas que era algo que jamais havia sido ouvido antes, sem mencionar a temática das letras do grupo, que envolviam temáticas obscuras, com referências explícitas a "demônios" e temas envolvendo ocultismo.
Sem sombra de dúvida foi uma experiência única e totalmente inovadora para aquela época. O acorde de "Black Sabbath" foi apelido de o "acorde do demônio" naquela época, aliás. Esse hino prima também por ter uma mudança brusca de andamento no final, dando espaço para um mirabolante e brilhante solo de guitarra de Tommy Iommi. Simplesmente perfeito!
Sem perder o pique, vem a segunda faixa do disco, "The Wizard", o quarto "single" gravado pela banda. Essa faixa é algo maravilhoso de se ouvir. A gaita tocada por Ozzy logo no início da música já nos prepara para o que está por vir: um Blues Rock de primeiríssima, onde mais uma vez cada integrante possui um destaque em seus respectivos instrumentos. Os "riffs" de Iommi, aliados a competente "cozinha" de Butler e Ward e a gaita de Ozzy dão uma atmosfera única ao som! Simplesmente um clássico e uma música linda, sem mais comentários!
Em seguida se inicia a introdução de "Behind the Wall of Sleep". Outra faixa matadora! Após uma ótima e criativa abertura, os "riffs" de Tommy Iommi se aliam perfeitamente as estrofes cantadas por Ozzy Osbourne, criando uma sintonia perfeita, que fica ainda melhor contando com os trabalhos sempre bem feitos de baixo e bateria da dupla Butler e Ward. E quando a música vai chegando ao seu fim, Geezer Butler nos presenteia com um solo grandioso de contrabaixo! Simplesmente matador! E isso é apenas uma preparação para a próxima música...
Os acordes de baixo iniciam a introdução de um dos maiores clássicos da banda, "N.I.B", que é o terceiro "single" do álbum. Mais uma vez nos deparamos com uma grande música: excelentes "riffs" e solos de guitarra do eterno mestre Iommi, ótimos trabalhos de bateria e baixo e o vocal simples, porém perfeitamente encaixado de Ozzy. Essa música causou muita polêmica desde a época de seu lançamento, devido ao conteúdo de sua letra, especialmente por essa estrofe:
"Now I have you with me, under my power
Our love grows stronger now with every hour
Look into my eyes, you'll see who I am
My name is Lucifer, please take my hand"
Traduzindo:
"Agora tenho você comigo, sob meu poder
Nosso amor se fortalece a cada hora
Olhe em meus olhos, você verá quem eu sou
Meu nome é Lúcifer, por favor segure minha mão"
Também vale lembrar que o significado da sigla não é "Nativity In Black", como muitos alegam ser, mas uma referência a um apelido dado a Bill Ward por causa de sua barba, que parecia uma ponta de caneta ("pen nib", em inglês). Vale lembrar também que é uma das primeiras músicas que possui os efeitos de pedal "Wah-wah" em um baixo, como pode ser ouvido logo na abertura da música.
A quinta faixa do álbum foi o primeiro "single" a ser lançado pela banda, o "cover" de Crow, "Evil Woman". A banda executa uma ótima versão, onde cada integrante desempenha o seu trabalho perfeitamente. Uma ótima música! Abrindo de forma lenta e vagarosa, é iniciada "Sleeping Village", uma faixa com criativas mudanças de andamento, "riffs" e solos geniais. Uma ótima faixa, apesar de não ser nenhum clássico dentro da vasta discografia da banda.
O disco segue com "Warning", um "cover" de Aynsley Dunbar Retaliation. A versão do Sabbath dá ainda mais peso para o som e nos brinda mais uma vez com a performance excepcional de cada um dos integrantes da banda, que brilham em seus respectivos postos. Solos e "riffs" executados com perfeição por Iommi, "cozinha" estupenda de baixo e bateria pelos mestres Geezer Butler e Bill Ward, respectivamente.
Chega a hora da última faixa desse fantástico "debut", a maravilhosa "Wicked World". O baterista Bill Ward dá início a esse grande clássico, que fica ainda mais empolgante ao ouvirmos os "riffs" de Tommy Iommi. Mudanças sensacionais de ritmo e andamento fazem desse som um trabalho de gênio! Pessoalmente, uma das minhas músicas favoritas do disco. Há uma breve pausa na metade da música, que logo dá espaço para um solo genial de guitarra do mestre Iommi. Simplesmente de arrepiar! E é com essa bela música que esse grande clássico do Heavy Metal termina.
É completamente desnecessário mencionar a importância que o Black Sabbath tem para o Heavy Metal. A contribuição da banda e sua sonoridade são inquestionáveis e serviu de influência para toda a cena Metal que surgiu ao longo das décadas. Ao longo dos anos, a banda gravou verdadeiras obras-primas e excelentes materiais. Ainda que tenham passado por momentos conturbados, incontáveis mudanças de integrantes, principalmente vocalistas, a banda nunca perdeu a força que possui. São verdadeiros mestres naquilo que se propõem a fazer e isso é inegável! E que os mestres continuem na ativa pelo tempo que for, nos brindando e nos presenteando com a sua excelente música!