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Anthrax - “Among The Living” (1987)

Mundo Metal [ Discos Trintões ]



Depois de um tempo parada, a série “Discos Trintões” está de volta, dessa vez com os discos que completam trinta anos em 2017, e para recomeçar com tudo, nada melhor que um dos melhores trabalhos lançados por uma banda do “Big four”. Senhoras e senhores, hoje falaremos de “Among The Living” do Anthrax.

No fim de 1986, o Anthrax entrava em estúdio para gravar seu terceiro registro de inéditas e buscava repetir o sucesso de “Spreading The Disease” (1985) bem como a afirmação definitiva dos novos integrantes, Joey Belladonna e Frank Bello.

Para a produção, a banda recrutou o renomado Eddie Kramer, também creditado no EP “I'm The Man” (1987), essa parceria renderia algumas divergências na hora da mixagem, Kramer era favorável a um som mais polido e limpo e a banda queria algo mais visceral. Apesar das brigas entre as partes, no fim a vontade da banda prevaleceu sobre a do produtor, além de Kramer também fez parte da produção Jon Zazula.

Todas as músicas foram compostas em conjunto por todos os membros do Anthrax, as exceções são "I Am The Law" e "Imitation Of Life", que foram compostas junto com Dan Lilker (baixista no álbum “Fistful Of Metal” e um dos membros fundadores do grupo). 

As letras trazem muitas referencias a cultura “pop” em geral, "I Am The Law" é baseada no personagem Judge Dredd, "Efilnikufesin(NFL)" (que ao contrário lê-se “Nice Fuckin Life”) é sobre a vida de John Belushi (“Saturday Night Live” e “Os Irmãos Cara-de-Pau”), a faixa titulo é inspirada no romance “The Stand”, publicado em 1978 pelo escritor Stephen King, e que aqui no Brasil foi traduzido como “A Dança da Morte”.

O mestre do terror, aliás, ainda tem mais uma obra homenageada pela banda, a excelente “Skeleton In The Closet”, que retrata a obra “O Aprendiz” (no original “Apt Pupil”), por fim, a bela capa do álbum traz a figura do que seria o personagem "Henry Kane" presente no filme  “Poltergeist II - O Outro Lado” de Brian Gibson. 

As homenagens contidas neste álbum não ficaram apenas restritas a histórias de King ou personagens de filmes e HQ’s, uma bela e merecida homenagem, ainda que infelizmente póstuma, é para o falecido baixista do Metallica, o eterno Cliff Burton, morto em um acidente em setembro de 1986.


Musicalmente a banda se mostrou, em grande parte do disco, mais rápida que no antecessor “Spreading The Disease”, pode se dizer que nesse terceiro trabalho de estúdio, Scott e cia já estavam atingindo a plenitude do amadurecimento como músicos e banda. O sempre carismático Joey Belladonna, em seu segundo disco à frente do Anthrax conseguiu provar que mereceu a vaga que era de Neil Turbin e que anos mais tarde seria de John Bush (Armored Saint e Stone Soldier). 

Frank Bello também foi muito bem no baixo, vamos admitir que as linhas de baixo do Anthrax sempre foram um espetáculo a parte e nos anos que se seguiram, Bello confirmou seu nome como um dos mais importantes baixistas de Thrash Metal da história.

Quantos aos membros mais veteranos, primeiro deve-se dar as honras à dupla das seis cordas, Scott Ian e Dan Spitz, juntos eles criaram um festival de bons riffs, além é claro, dos solos na “velocidade da luz”, marca registrada da banda. Por fim o maior destaque individual de “Among The Living”, particularmente falando é claro, fica por conta das baquetas de Charlie Benante, somente a gravação de "Caught In A Mosh" deve ter custado algumas peles da bateria do senhor Benante.

Uma grande parte dos fãs da banda considera esse o auge do Anthrax, afirmação muito discutida e questionada ao longo dos anos, fato é que a formação com Belladonna e Frank seria eternizada como a melhor formação dos Nova-Iorquinos, formação que se manteve a mesma até “Persistence Of Time”(1990). 

Recentemente foi confirmado a noticia que a banda ira entrar em turnê de comemoração aos trinta anos desse disco, a turnê terá o nome de “Among The Kings” e trará o Anthrax executando o trabalho na íntegra.

O terceiro full-length do Anthrax conseguiu ser um marco para o estilo, ainda que para alguns seja um tanto quanto “superestimado”, a postura da banda e as canções encontradas aqui serviriam de inspiração para gerações inteiras de amantes da musica pesada, me incluo nesses influenciados e provavelmente o leitor desse texto também deve se incluir.


Integrantes: 

Joey Belladonna -Vocal
Scott Ian - Guitarra e backing vocals
Dan Spitz - Guitarra solo
Frank Bello - Baixo e backing vocals
Charlie Benante – Bateria

Faixas:

01. "Among The Living"   
02. "Caught In A Mosh" 
03. "I Am The Law"  
04. "Efilnikufesin (N.F.L.)"     
05. "A Skeleton In The Closet"     
06. "Indians"     
07. "One World"     
08. "A.D.I./Horror Of It All"     
09. "Imitation Of Life"   


Por Vitor Hugo Quatroque

Anthrax: tour comemorativa dos 30 anos de "Among The Living"


E a onda de nostalgia não para de atingir as bandas clássicas do Metal. O Anthrax é o próximo nome que vai realizar uma turnê comemorativa em 2017, o grupo irá homenagear um dos maiores clássicos do Thrash Metal, o mítico álbum "Among The Living" (1987). 

O disco será executado na íntegra juntamente com outras canções emblemáticas da banda. A excursão começará em fevereiro e já tem 8 datas confirmadas na Grã Bretanha, a idéia dos músicos é expandir a turnê para todo o mundo.

Mais detalhes em breve!

Saldo positivo nos lançamentos do Big Four?


Com o novo álbum do Metallica chegando as lojas nesta sexta feira, 18 de novembro, fecha-se o ciclo de lançamentos dos quatro grandes do Thrash estadunidense. A grande questão que fica pendente neste momento é: o saldo do Big Four foi positivo? 

O Slayer foi o primeiro a lançar e em setembro de 2015 apresentou o surpreendente "Repentless". Sem contar com Dave Lombardo nas baquetas e com Gary Holt (Exodus) substituindo o saudoso Jeff Hanneman, falecido em 2013, a banda mostrou enorme superação e mesmo com a ausência de um dos seus dois grandes compositores, as faixas contidas no novo trabalho foram capazes de chamar a atenção até mesmo dos fãs mais antigos. 

Logo no início de 2016, o próximo integrante do Big Four a colocar nas lojas seu mais novo disco foi o Megadeth. "Dystopia" foi lançado no final janeiro e apresentava a nova formação da banda, com o guitarrista brasileiro Kiko Loureiro (ex-Angra) e o baterista Chris Adler (Lamb Of God) ao lado de Dave Mustaine e David Ellefson. O registro agradou aos fãs com uma musicalidade moderna e um Thrash que prioriza o peso em detrimento da velocidade. 

Um mês mais tarde foi a vez do Anthrax lançar o seu "For All Kings". A única mudança na formação foi a entrada de Jonathan Donais substituindo Rob Caggiano e o trabalho caiu nas graças de toda a mídia, sendo o disco mais vendido do grupo desde o início da década de 90. Diversas faixas fazem menção a fase inicial da banda e mesmo com algumas composições soando mais modernas, a audição é bem balanceada e agradou a grande maioria dos fãs.


Com Slayer, Megadeth e Anthrax lançando registros de peso, a expectativa foi toda direcionada para o Metallica. "Hardwired... To Self-Destruct" será lançado oficialmente em alguns dias, porém todos já devem ter escutado o material, pois o disco vazou na internet.

Em se tratando de Metallica, esperar por uma avaliação unânime do público ou imprensa é pedir muito e como já era esperado, o álbum dividiu opiniões. Não podemos classificar "Hardwired... To Self-Destruct" como Thrash Metal, acredito que o ideal seja Heavy Metal com alguns elementos de Thrash e duas músicas legitimamente Thrash ("Hardwired" e "Spit Out The Bone"). Se por um acaso você pensa que isso diminuiu o disco, está redondamente enganado, pois o novo trabalho de James, Lars, Kirk e Robert Trujillo, segue com a evolução e mudança de postura iniciada em "Death Magnetic" e traz um Metallica tocando de maneira despojada, sem experimentalismos desnecessários e sem mudanças drásticas.  

O disco não é nem de longe inovador, porém passa a quilômetros de distância de tudo o que a banda fez nos esquecíveis anos 90 e início dos anos 2000. É o Metallica tocando Heavy Metal sem se preocupar com rótulos e só por esse motivo, já merece uma ressalva positiva. Para aqueles que argumentarem que nem de longe parece o Metallica dos velhos tempos, a minha resposta é simples, qual dos quatro trabalhos aqui apresentados lembra os melhores momentos do passado das respectivas bandas? Com exceção de algumas poucas músicas, nenhum deles foi composto pra se parecer com o passado glorioso, então o que vale pra um, vale pra todos.

Em um balanço geral, os quatro integrantes do Big Four apresentaram trabalhos dignos e confirmaram o ótimo momento do gênero. Se as bandas novas vem roubando a cena e lançando discos surpreendentes, os veteranos não vem deixando a desejar e também apresentam álbuns com qualidades inegáveis. 

Que ótima fase vivemos!

por Fabio Reis 


Anthrax: assista ao novo vídeo clipe para a faixa "Monster At The End"


E o Anthrax tem trabalhado muito neste ano, com a chegada de seu mais recente trabalho e a ótima aceitação por parte de público e imprensa, a banda tem se apresentado em diversos festivais e também inserido diversas de suas músicas novas nas paradas de sucesso mundo afora. 

A canção escolhida desta vez é a excelente "Monster At The End", a faixa ganhou um vídeo clipe que pode ser conferido no link abaixo:





Anthrax: assista a apresentação completa no Bloodstock Open Air


O Anthrax tem tido muitos motivos para se orgulhar ultimamente, além da sequência bem sucedida de álbuns que culminou no elogiadíssimo "For Alll Kings" deste ano, a banda conseguiu emplacar diversas músicas nas paradas de sucesso e ainda comemora seus 35 anos de existência. 

O grupo se apresentou no último dia 11 de agosto no Bloodstock Open Air e uma filmagem profissional foi disponibilizada. Assista ao show completo através do link abaixo:



Anthrax: assista ao lyric vídeo para a faixa "Zero Tolerance"


Após as polêmicas envolvendo as declarações do baterista Charlie Benante, onde o mesmo cita a possibilidade da banda não gravar mais nenhum álbum após "For All Kings" e a sequente mensagem publicada por Scott Ian, desmentindo e colocando a "culpa" na imprensa, eis que o Anthrax retoma o rumo natural das coisas e faz o que sabe melhor, divulgar a sua música. 

Foi disponibilizado neste dia 20 de junho, o novo lyric vídeo para a faixa "Zero Tolerance". Particularmente, uma das melhores do novo álbum, com trechos realmente empolgantes e que remetem a sonoridade do velho Anthrax dos anos 80. Confira:


Anthrax: segundo Scott Ian, declarações de Benante não procedem


Parece que os integrantes do Anthrax não estão falando a mesma língua, já que após algumas horas da entrevista dada pelo baterista Charlie Benante ao site EonMusic, onde o músico declarou que "For All Kings" provavelmente seria o último trabalho da banda, eis que o guitarrista e líder do grupo, Scott Ian, postou em suas redes sociais a seguinte mensagem:

"Não deixe que manchetes caçadoras de cliques enganem vocês. Haverá mais registros do Anthrax."

O que Scott precisa entender é que o problema não estão nas manchetes, mas sim nos membros da banda que estão se contradizendo e demonstrando ter posições antagônicas sobre um mesmo tema. 

Jogar a culpa na imprensa não muda as declarações de Charlie Benante e não resolve a situação interna do grupo.


Anthrax: Charlie Benante diz que "For All Kings" pode ser o último álbum da banda


Em recente entrevista ao EonMusic, o baterista Charlie Benante pegou todos de surpresa e contou que "For All Kings" pode ser o último disco de estúdio lançado pelo Anthrax. Confira o trecho da entrevista:

"Eu não sei se haverá um outro registro, é tudo o que posso dizer. Este pode ser nosso último disco. Eu prefiro parar em uma grande fase."

O jornalista que conduzia a entrevista pressionou Benante se essas declarações significavam um fim próximo do Anthrax, Charlie disse: "Eu não disse que isso irá acontecer, só disse que pode ser nosso último disco, é como me sinto no momento. Você sabe, é como algumas equipes esportivas, terão o melhor time em um ano, em seguida, voltam no próximo ano e muitos daqueles jogadores que estavam em falta, eles não estão mais. Não estou dizendo que qualquer um de nós vai estar ausente, mas talvez eu. acho que a inspiração pode não estar lá, então vamos aproveitar o momento presente."

Torcemos para que nada disso aconteça e Charlie Benante esteja apenas passando por um momento de incertezas.


Anthrax - For All Kings (2016)



O Thrash Metal talvez seja o estilo que mais sofreu mudanças e mais se reinventou com o passar dos anos. Se tornou grande na década de 80 e sofreu inúmeras metamorfoses, viu seus maiores representantes se tornarem sucesso estrondoso de mídia e com isso, mudarem sua musicalidade característica. Sofreu com a chegada dos anos 90 e foi até mesmo dado como morto.

Como uma fênix ressurgiu das cinzas no início do novo século e mais recentemente, assiste uma nova geração extremamente talentosa surgir e se mesclar com os ícones e pioneiros do estilo, caracterizando assim, uma era absurdamente frutífera e repleta de excepcionais lançamentos.

O Anthrax é uma das bandas que vivenciou cada uma das etapas relatadas e contra tudo e todos, se manteve na ativa. Viveu o seu auge nos 80's, ditou tendências e assim como muitos, se distanciou de sua identidade. Passou por períodos turbulentos, porém assim como o próprio Thrash, renasceu das cinzas.

O lançamento de "Worship Music" em 2011, trouxe o carismático Joey Belladonna de volta aos vocais do grupo e com isso, a expectativa de que os bons tempos voltariam. Com a chegada de "For All Kings", esse prognóstico se confirma e o que podemos escutar é uma coleção de composições repletas de inspiração e que em muitos momentos, nos remetem a fase clássica da banda.


Obviamente não se deve fazer a audição esperando algo como "Spreading The Desease" ou "Among The Living". Os tempos são outros, os músicos estão mais maduros e mudaram algumas de suas características, porém é certo que faixas como "You Gotta Believe", "For All Kings", "Evil Twin", "This Battle Choose Us" e "Zero Tolerance", trazem o Anthrax Thrash Metal de volta.

Ainda apostam em faixas mais cadenciadas e melodiosas, que estrategicamente, estão intercaladas com as mais rápidas. "Monster At The End", "Suzerain", "Defend Avenge" e "All Of Them Thieves", são a prova definitiva de que o Anthrax conseguiu evoluir, inovar, soar mais melódico e mesmo assim, não perder as suas principais marcas.

Jonathan Donais substituiu muito bem Rob Caggiano nas guitarras e deu um toque melodioso que caiu muito bem aos solos e linhas da banda. Joey Belladonna ainda canta demais e é capaz de fazer o que a grande maioria dos vocalistas de Thrash não se aventuram tentar. Charlie Benante e Frank Bello formam talvez a cozinha mais funcional da atualidade e Scott Ian, esse dispensa comentários, um verdadeiro monstro! Com uma pegada ímpar e riffs sensacionais, é a alma da banda.

A arte da capa ficou mais uma vez sob a responsabilidade do renomado desenhista Alex Ross, dono de todas as capas desde "We've Como For You All" (2003) e é sem dúvidas, uma das mais belas de toda a carreira do grupo.

"For All Kings" é de longe, o melhor álbum do Anthrax desde "Persistance Of Time" (1990) e deve agradar aos fãs de todas as fases. Um disco com musicalidade forte e que soa atual, ao mesmo tempo em que busca por elementos contidos em trabalhos clássicos. Consolida o ótimo momento da banda e sem dúvidas, deve figurar entre os melhores do estilo em 2016.

Integrantes:

Joey Belladonna (Vocal)
Scott Ian (Guitarra)
Jonathan Donais (Guitarra)
Charlie Benante (Bateria)
Frank Bello (baixo)

Faixas:

01. You Gotta Believe
02. Monster At The End
03. For All Kings
04. Breathing Lightning
05. Suzerain
06. Evil Twin
07. Blood Eagle Wings
08. Defend/Avenge
09. All Of Them Thieves
10. This Battle Chose Us
11. Zero Tolerance

Escrito por Fabio Reis

Anthrax - Sound of White Noise (1983)


22 anos do primeiro álbum com John Bush nos vocais

Com a chegada da década de noventa, o Thrash Metal acabou entrando em declínio e isso não é novidade alguma para aqueles que são apreciadores do estilo. Muitas bandas passaram a se aventurar por terrenos musicais completamente antagônicos, numa tentativa de se adequar ao mercado musical da época. Após terem produzido uma sequência realmente matadora e invejável de álbuns, os nova-iorquinos do Anthrax retornam com um trabalho mais controverso e que divide as opiniões entre fãs e ouvintes.

Lançado em 25 de maio de 1993, através da Elektra Records, “Sound of White Noise” é o primeiro álbum do Anthrax sem a presença de seu carismático vocalista, o excelente Joey Belladonna, que estava na banda desde 1984, tendo gravado os irrepreensíveis álbuns “Spreading the Disease” (1985), “Among the Living” (1987), “State of Euphoria” (1988) e “Persistence of Time” (1990). Para substituir o “frontmen”, Scott Ian e Cia. recrutaram o vocalista John Bush (Armored Saint), um músico de grande potencial, porém, cujo estilo vocal se diferenciava drasticamente de Belladonna. Essa mudança drástica resultou em um registro que muitos amam e muitos odeiam. Produzido por Dave Jerden (Alice In Chains, Armored Saint, Sacred Reich), o álbum possui uma tendência sonora mais comercial e até um tanto Grunge, mas que nem por isso fazem da obra um registro penoso e irrelevante. Aliás, muito pelo contrário!

Uma singela introdução marca abertura de “Potter’s Field”, a faixa de abertura. Não demora muito para os “riffs” cadenciados e “grooveados” da dupla de guitarristas Scott Ian e Dan Spitz ecoarem pelos alto falantes. O baterista Charlie Benante não está tocando tão rápido como antes, contudo, ainda executa batidas rápidas, firmes e consistentes. A voz de John Bush é a grande surpresa do registro, sendo um contraste completamente novo e diferenciado dos dois vocalistas anteriores da banda, Neil Turbin e Joey Belladonna. Bush, que anteriormente já havia gravado grandes álbuns em sua banda anterior, o Armored Saint, prova que é um vocalista competente e capaz de assumir a linha de frente do Anthrax. A bateria de Charlie Benante introduz “Only”, indiscutivelmente o maior clássico da fase com Bush nos vocais. É um dos grandes pontos altos do disco, possuindo melodias bem escritas, um solo bem construído e um refrão poderoso. Uma grande música que chegou a ganhar dois videoclipes promocionais.


O álbum continua em grande estilo com a arrasa quarteirão “Room for One More”. Os “riffs” pesadíssimos e cheios de “groove” rasgam os alto falantes e são absolutamente grudentos, assim como o seu refrão, que novamente é bem marcante e intenso, ficando na mente do ouvinte após pouquíssimas audições. Dan Spitz também executa um curto, porém eficiente solo de guitarra. Assim como na faixa anterior, essa música também recebeu um videoclipe promocional. “Packaged Rebellion” é uma música mais lenta e com uma pegada mais suave, mais o que nem de longe faz o som ser ruim. Mais uma ótima faixa, preenchida por bons “riffs” e harmonias instrumentais e vocais.

Energética e divertida, “Hy Pro Glo” também é um dos “singles” gravados para o disco e mais uma vez conta com um desempenho bastante apreciável da banda. Ian e Spitz dominam em suas palhetadas e a “cozinha” encabeçada por Frank Bello e Charlie Benante é bem sincronizada, pulsante e contagiante. A banda também chegou a produzir um videoclipe para essa faixa. “Invisible”, a sexta faixa, se inicia com um som de guitarra distorcido e com um ritmo crescente e progressivo. As baquetas de Benante são certeiras e precisas, assim como os “riffs” de Ian e Spitz e John Bush canta maravilhosamente bem, jamais desapontando.

Mais melódica e lenta, “1000 Points of Hate” é uma composição novamente louvável e interessante, possuindo mais uma vez um refrão marcante e passagens memoráveis. Nela temos a participação do DJ Terminator X, do Public Enemy, incorporando alguns “Scratches” de forma que na soa forçada. A semi balada “Black Lodge”, que também ganhou um videoclipe para divulgação na época, é uma música bastante apreciável e repleta de melodias bem elaboradas. A faixa se inicia lentamente e vai ganhando força aos poucos. Ela foi composta em parceria com Angelo Badalamenti, compositor de trilhas sonoras para filmes do cineasta David Lynch e também de séries de TV. “Black Lodge”, aliás, é o nome da dimensão alternativa na série de TV "Twin Peaks”. É importante mencionar que essa faixa não está incluída na versão em vinil.


Benante inicia “C₁₁ H₁₇ N₂ O₂ S Na”, a música que dá continuidade ao álbum. É uma faixa mais agitada e pesada, apresentando “riffs” eficientes e um trabalho instrumental e vocal bem incorporado. Para quem não sabe, o nome dessa música é a fórmula química para Pentatol de sódio, uma droga do soro da verdade. A penúltima faixa é “Burst”, que, ao menos em minha opinião, é a faixa mais fraca do álbum, trazendo os mesmos ingredientes das anteriores, mas sem possuir um atrativo novo e realmente interessante. Não é uma música ruim, apenas não é tão interessante quanto tantas outras que temos no disco. O álbum de encerra com “This is Not an Exit”, uma faixa começa bem cadenciada e ganha mais velocidade próxima ao seu encerramento. Uma boa música, encerrando o álbum com mérito e eficiência.

“Sound of White Noise” possui uma versão japonesa que inclui também um CD bônus, apresentando uma faixa inédita, “Noisegate”, além de três “covers”, “Cowboy Song” (Thin Lizzy), “Auf Wiedersehen” (Cheap Trick) e “Looking Down the Barrel of a Gun” (Beastie Boys). Também há uma música gravada durante essas sessões que foi aproveitada para a trilha sonora do filme estrelado pelo astro Arnold Schwarzenegger, “O Último Grande Herói”. Alguns anos depois, o álbum foi relançado mais duas vezes. Em 2001, através da Beyond Records, incluía além dos “covers” de Thin Lizzy e Cheap Trick, um “cover” do The Smiths, “London” e uma versão alternativa para “Black Lodge”, intitulada “Black Lodge (Strings Mix)”. Em seu segundo relançamento, agora em “digipack”, pela Nuclear Blast Records, passou a incluir os videoclipes das faixas “Only”, “Room for One More”, “Hy Pro Glo”, “Black Lodge” e “Black Lodge (Strings Mix)”.


Ainda que bastante injustiçado em sua época de lançamento e apresentando uma proposta musical bastante diferenciada dos trabalhos anteriores da banda, “Sound of White Noise” é um tremendo álbum de Metal, recheado de músicas de qualidade e que merecem ser escutadas repetidas vezes. Para aqueles que nunca deram a devida olhada nesse registro, recomendo bastante que o ouçam, pois vale e muito a pena!

Tracklist:

01. Potters Field 
02. Only 
03. Room for One More 
04. Packaged Rebellion 
05. Hy Pro Glo 
06. Invisible 
07. 1000 Points of Hate
08. Black Lodge 
09. C₁₁ H₁₇ N₂ O₂ S Na 
10. Burst
11. This Is Not an Exit

Lineup:

John Bush (Vocal)
Scott Ian (Guitarra Rítmica, "Backing Vocals" e Baixo de Seis Cordas na Faixa 6)
Dan Spitz (Guitarra Solo)
Frank Bello (Baixo e "Backing Vocals")
Charlie Benante (Bateria)

Participações especiais:
Vincent Bell (Guitarras - "Tremolo" na Faixa 8)
Angelo Badalamenti (Sintetizadoras, Orquestração e Guitarras Adicionais na Faixa 8)
Kenny Landrum (Teclados)
Terminator X ("Scratches na Faixa 7)


Escrito por David Torres

Anthrax - Among The Living (1987)


28 anos de Among the Living

Lançado em 22 de março de 1987 pela gravadora Island Records, “Among the Living” é o terceiro álbum dos nova-iorquinos do Anthrax e é também um dos registros mais importantes que já produziram, sendo influência total para centenas de bandas de Thrash Metal no cenário mundial.Esse álbum possui diversas curiosidades bem interessantes. Dentre elas, ele é dedicado em memória do finado baixista do Metallica, Cliff Burton, que faleceu aos 24 anos, meses antes do álbum ter sido lançado.

Produzido pela própria banda, em parceria com os produtores Eddie Kramer (que já realizou trabalhos para diversos artistas, como Kiss, Jimi Hendrix e Led Zeppelin) e Jon Zazula (Exciter, Metallica, Testament, Overkill e muitos outros) e apresentando uma curiosa arte de capa que figura o Reverendo Henry Kane, personagem do filme de terror “Poltergeist II: O Outro Lado” (1986), “Among the Living” completa hoje o seu aniversário de 28 anos e é um álbum bem diferente de seus antecessores, os igualmente destruidores “Fistful of Metal” (1984) e “Spreading the Disease” (1986), possuindo composições mais sujas e direcionadas para o Thrash Metal, agregando também influências da cena Hardcore Punk que inspirou diversas bandas do gênero. Ainda temos elementos de Speed e Heavy Metal tradicional, mas as músicas rumam para uma direção nova dessa vez. Seja como for, não rumam para uma direção negativa, muito pelo contrário!

O álbum se inicia com a marcante e poderosa faixa-título, “Among the Living”, que possui um início crescente e progressivo que em alguns segundos culminam numa sucessão de “riffs” pegajosos e sujos, acompanhados por um destruidor trabalho de bateria de Charlie Benante, guitarras perfeitamente encaixadas de Scott Ian e Dan Spitz, baixo bem conduzido por Frank Bello e vocais irrepreensíveis do sempre carismático Joey Belladonna. Também é importante mencionar toda a energia e clima divertido criado pelo quinteto, bem como os “backing vocals” inseridos nos momentos certos, elemento que se tornou uma das marcas registradas em centenas de bandas de Thrash Metal, incluindo o próprio Anthrax.

Sem dar tempo para o ouvinte respirar, a segunda música a dar as caras é o eterno hino “Caught in a Mosh”. O título já diz tudo, certo? Um verdadeiro ode ao mosh e ao Thrash Metal em sua mais pura e insana essência. Impossível ficar parado a chuva implacável de “riffs” que permeia esse som, assim como também é muito improvável não cantar o viciante e grudento refrão assim que ele se inicia:

“Can't stand it for another day
I ain't gonna live my life this way
Cold sweat, my fists are clenching
Stomp, stomp, stomp, the idiot convention

Which one of these words don't you understand?
Talking to you, is like clapping with one hand

What is it? - caught in a mosh
What is it? - caught in a mosh
What is it? - caught in a mosh
What is it? - caught in a mosh!”

Possuindo uma letra que é um verdadeiro tributo ao personagem dos quadrinhos Juís Dredd, “I Am the Law” é o primeiro “single” do álbum e mais um hino da carreira da banda, novamente trazendo uma levada totalmente empolgante. Ainda que seja uma faixa mais cadenciada e arrastada que a anterior, possui um trecho veloz próximo ao solo da música e mais uma vez possui um refrão energético e poderoso. É importante mencionar que o co-autor da música é ninguém mais, ninguém menos do que Danny Lilker (Blurring, Crucifist, Evil Wrath, Nuclear Assault, ex-Brutal Truth, ex-Holy Moses, ex-Stormtropers of Death e muitos outros), ex baixista da banda.


A ótima “Efilnikufesin (N.F.L.)” brinda os ouvintes com mais boas doses de “riffs” certeiros e precisos. O termo “Efilnikufesin” nada mais é do que “Nice Fucking Life” ao contrário e sua letra fala sobre a conturbada vida do ator John Belushi. Belushi ficou conhecido por seu estilo ousado e pelo seu humor atrevido. Ele faleceu aos 33 anos de idade em decorrência de uma overdose de cocaína e heroína em 5 de março de 1982. 

Palhetadas sujas dão início a excelente “A Skeleton in the Closet”, uma faixa que mescla velocidade e cadência, simultaneamente. Os vocais de Belladonna novamente estão perfeitos, assim como toda a banda, que executa o seu trabalho com vigor.

Uma levada percussiva tocada por Charlie Benante inicia outro hino, “Indians”, o segundo “single” gravado para o álbum. Dona de um refrão completamente grudento, “riffs” e solos perfeitos, “backing vocals” alucinantes e vocais exímios, a composição é simplesmente uma das maiores da carreira dos nova-iorquinos. A música chegou a ganhar um videoclipe que foi exibido exaustivamente pelo MTV. 

Sem perder tempo, o quinteto entrega “One World”, mais um arrasa-quarteirão recheado de “riffs” implacáveis, um impressionante desempenho de bateria, além de mais um refrão memorável. 

Logo após, temos “A.D.I./Horror of It All”, certamente a faixa mais técnica e complexa desse trabalho. Nela, temos uma bela introdução que se inicia com belos e complexos dedilhados, repletos de “feeling” e harmonia. Pouco depois, “riffs” pesados tomam conta dos alto-falantes e somos presenteados por mais um fantástico desempenho da dupla de guitarristas Ian/Spitz, uma “cozinha” de baixo e bateria em perfeita sincronia, trabalho conduzido respectivamente por Frank Bello e Charlie Benante, além de mais um refrão vigoroso e potente. Essa composição possui um ritmo cadenciado durante boa parte de seu tempo, ganhando mais velocidade e peso em seus minutos finais. A faixa figura na trilha sonora do clássico filme B “A Volta dos Mortos Vivos 2” (1988).

Finalizando essa obra-prima, “Imitation of Life” é a faixa mais suja, agressiva e veloz do álbum. Novamente co-escrita pelo ex-membro, Danny Lilker, essa faixa possui um baixo muito pulsante e uma bateria tocada mais uma vez de forma ensandecida, acompanhados por “riffs” ríspidos e vocais velozes e bem encaixados. Uma ótima forma de encerrar esse grande trabalho.

“Among the Living” é sem sombra de dúvidas um tremendo marco do Thrash Metal mundial. Muitos fãs e apreciadores ao redor do globo tem o álbum como o seu predileto e sua relevância para o estilo é simplesmente inquestionável, servindo de referência para diversos músicos e bandas até os dias de hoje.

Tracklist:
01. Among the Living
02. Caught in a Mosh
03. I Am the Law
04. Efilnikufesin (N.F.L.)
05. A Skeleton in the Closet
06. Indians
07. One World
08. A.D.I./Horror of It All
09. Imitation of Life

Lineup:
Joey Belladonna (Vocal)
Scott Ian (Guitarra Rítimica e “Backing Vocals”)
Dan Spitz (Guitarra Solo)
Frank Bello (Baixo e “Backing Vocals”)
Charlie Benante (Bateria)

Escrito por David Torres

Anthrax


O ano era 1981,  a cidade era Nova York, EUA, Scott Ian e Danny Lylker foram os responsáveis por fundar esta que é uma das maiores bandas de Metal norte americanas.

Algumas “Demos” foram lançadas e mudanças de formação ocorreram até que no final de 1983 o clássico debut “Fistful Of Metal” foi gravado com Scott Ian (Guitarra), Dan Spitz (Guitarra), Danny Lilker (Baixo), Charlie Benante (Bateria) e Neil Turbin (Vocais). Esta formação foi a responsável pelo termo Thrash Metal ser usado pela primeira vez na história, quando Malcom Dome, da revista Kerrang! o usou para definir a música “Metal Thrashing Mad”.

"Fistful Of Metal" é um álbum forte, com músicas que se tornaram clássicas tanto da banda como de todo o Thrash, Além da já citada "Metal Thrashing Mad", temos as avassaladoras "Deathrider", "Panic", "Howling Furies" e "Death From Above" como destaque.


Após a gravação do álbum, Scott acabou expulsando Danny Lilker da banda, para seu lugar fora chamado o sobrinho de Charlie Benante, Frank Bello, outro que deixou a banda alegando que as canções do Anthrax eram “muito fracas” foi o vocalista Neil Turbin, sendo substituído pelo magnífico Joe Belladona. Scott e Charlie assumiram a responsabilidade pelas composições deste ponto em diante, mostrando que Neil Turbin cometeu um grande equívoco.

Com esta formação lançam os “Full Lenghts” “Spreading The Desease” (1985), “Among the Living” (1987), “State of Euphoria” (1988) e “Persistence of Time” (1990).

Estes quatro álbuns formam a fase de ouro do Anthrax, onde a maioria de seus maiores “Hinos” foram compostos e onde a banda teve seu auge criativo e comercial. Músicas como “Madhouse”, “A.I.R.”, “Caught In A Mosh”, “I Am The Law”, “Indians”, “Be All, End All”, “Antisocial”, “Belly Of The Beast”, “Got The Time” entre muitas e muitas outras figuram entre os grandes clássicos do Thrash Metal e dão a banda o status de Lenda viva do estilo.


Após “Persistence of Time”, mais precisamente em 1992, para tristeza dos fãs, o grande Joe Belladona acaba sendo demitido da banda por “divergências musicais”, no mesmo ano é substituído por John Bush, que vinha obtendo algum destaque na cena Metal com sua banda, o ótimo Armored Saint.

"Sound Of White Noise" (1993) foi lançado em meio a especulações e expectativas. Se trata de um bom trabalho, porém com uma nova perspectiva, as composições não soam tão rápidas como antes e o Anthrax com o sucesso alcançado, resolvia "experimentar" novos elementos em seu som, assim como diversas bandas fizeram no início da década de 90.

Apesar da faixa “Only” ter se tornado um Hit/Clássico/Hino da banda, ter feito muito sucesso e garantido as boas vendagens do álbum, a realidade é que esta foi a única faixa realmente forte que a fase com John Bush nos vocais conseguiu produzir.

A sequência de álbuns com “Stomp 442” (1995), “Volume 8: The Threat is Real” (1998) e “We’ve Come for You All” (2003) apesar de possuírem qualidades inegáveis e apresentar canções muito boas, não se pareciam em nada com aquela banda despojada que conquistou a todos em seu início de carreira.


Com John Bush nos vocais, a banda alcançaria apenas mais um álbum de destaque, a regravação dos seus clássicos em “The Greater Of Two Evils” (2004), onde ficou muito claro que todos queriam ver o Anthrax soar como nos primórdios.

Em 2005, Joe Belladona é recrutado para gravar o Ao Vivo “Alive 2”, mas algumas arestas ainda precisavam ser aparadas antes que Belladona voltasse por definitivo em 2010 para as apresentações com o “Big Four Of Thrash” e a gravação de um novo álbum, que contaria com a formação clássica quase que toda reunida, apenas sem Dan Spitz.

"Worship Music" (2011) mostra um Anthrax totalmente reinventado, com o  "frontman" que todos os fãs queriam de volta e o melhor de tudo: Tocando Thrash Metal novamente. O novo álbum mostra claramente uma banda tocando com empolgação, prazer e a certeza absoluta de que os bons tempos voltaram. Pra ficar.

"Metal Thrashing ‘Fuckin’ Mad"



Escrito por Fabio Reis

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