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Hamferð​ - "Támsins likam" (2018)

Metal Blade Records
Mundo Metal [ Resenha ]


De tempos em tempos, me vejo ouvindo um álbum mais vezes do que o normal. É comum eu ser cativado de surpresa e aquela bagaça entrar tão fundo na minha mente que eu aperto o play sem nem pensar. “Porra, tô com tempo livre aqui. Deixa eu ouvir o novo do Molejão de novo”. 

Tá, isso não acontece com Molejão pra mim, mas os homens do mar mais viris das Ilhas Faroé (sim, Ilhas Faroé, lugar que conta com menos habitantes que o puteiro do seu bairro em dia de pagamento), mais conhecidos pela alcunha de Hamferð, entraram na minha cabeça e tomaram minhas memórias mais rápido do que quando eu vi a bunda da Paolla Oliveira pela primeira vez. O Hamferð não é exatamente uma nova banda, já que andam por aí desde 2008, mas essa é a minha primeira vez ouvindo os caras, e porra, como eu fiquei feliz em ter feito isso. Claro, esses faroeses feroeses faroés habitantes dessa porra de território são tudo menos anônimos, porém, já que seu principal membro é nada menos que Jón Aldará, do Barren Earth. O som aqui se assemelha a Swallow the Sun, Clouds e um pouco de Draconian nas partes mais lentas e mais densas.


Assim como o álbum todo ataca direto do coração e na alma, sem firulas ou demoras, não há sentido em eu ficar tecendo palavras, rasgando seda e falando dos orgasmos que cada música te proporciona separadamente, então o negócio é ir direto ao ponto: A carga emocional acerta em cheio e não existem notas fora de seus lugares aqui. Desde os primeiros segundos de "Fylgisflog", onde o mar faz sua aparição de gala, ao final majestoso com o "Vápn í anda", épico e doloroso, o álbum te mantém prendendo a respiração e hipnotizado pelas performances e passagens profundamente inspiradas. 

Esse é um dos álbuns mais emocionantes, complexos, cativantes e atmosféricos que eu ouvi recentemente, e meu segundo favorito do ano até a data da publicação dessa resenha, perdendo só pro monstruoso ‘White Horse Hill’ do Solstice. As histórias, a consistência, o instrumental e a execução de ‘Támsins likam’ são uma prova de que o Hamferð terá uma longa vida na cena do Metal. E essa maravilhosa peça de arte veio das Ilhas Faroé, de todos os lugares, o que torna a aura e a experiência geral ainda mais impressionantes. Compre, alugue, pirateie, baixe, grave uma fita, não importa: ouça isso o mais rápido possível.

Nota: 9

Formação: 

Remi Johannesen (bateria)
John Egholm (guitarra)
Theodor Kapnas (guitarra)
Esmar Joensen (teclado)
Jón Aldará (vocal)
Ísak Petersen (baixo)

Faixas:

1. Fylgisflog 
2. Stygd 
3. Tvístevndur meldur 
4. Frosthvarv 
5. Hon syndrast 
6. Vápn í anda

Redigido por Bruno Medeiros

Judas Priest​ - "Firepower" (2018)

Epic Records

Mundo Metal [ Lançamento ]



E eis que 4 anos após "Redeemer Of Souls", aqui estou eu novamente escrevendo uma resenha sobre um álbum novo do Judas Priest. Me lembro bem o que aconteceu naquela época e, por isso, é muito gratificante poder analisar "Firepower" com a consciência 100% limpa. Voltando um pouco, às vésperas do lançamento em 2014, a minha ansiedade era muito parecida com a que eu sentia há alguns dias atrás (já em 2018), a grande diferença é que "Redeemer Of Souls", diferente de "Firepower," infelizmente não supriu as minhas expectativas e, apesar de não ser um trabalho de todo ruim, fui coerente com meu sentimento de decepção e fiz severas críticas ao registro. Não é fácil apontar defeitos em um disco gravado por uma banda ao qual você admira desde a adolescência, porém jamais entregaria uma análise que não fizesse jus ao que eu realmente senti quando fiz as audições. Não me arrependo. Para os haters que me xingaram na época, proponho o seguinte, compararem "Redeemer" com o novo trabalho e falhem miseravelmente ao tentar manter as suas argumentações pífias do passado...

Sem mais delongas, vamos ao que interessa!

É bom que se diga logo de início, até por que acredito que este seja o principal fator que garantiu ao Judas Priest um álbum com tamanha qualidade. A escolha de Andy Sneap para fazer a produção de "Firepower" foi mais do que um acerto, foi um tremendo tiro certeiro e direto ao alvo. Há bastante tempo que Andy vem realizando ótimos trabalhos com bandas veteranas de Heavy Metal e o cara parece saber direcionar como ninguém e conseguir extrair aquele gás a mais dos velhinhos (Accept e Saxon que o digam).

Todo o contexto dramático que envolveu a composição do disco parece ter contribuído também para um resultado favorável. Pelo que foi noticiado pelos próprios integrantes, Glenn Tipton precisou se superar a cada dia para conseguir gravar todas as faixas e, querendo ou não, acredito que todos sabiam que este poderia ser o último registro de uma das grandes lendas do Metal mundial. Todo esse esforço jamais poderia ser em vão e o álbum precisava ser digno de toda a grandeza do Priest.


Nós, os reles mortais que apenas aguardávamos ansiosamente e nem sonhávamos com nada disso que acontecia nos bastidores, começamos a ter o vislumbre de que uma grande obra nasceria quando as faixas de abertura do trabalho foram disponibilizadas para audição. Primeiro a impactante "Lightning Strike" e depois a furiosa "Firepower", ambas com uma pegada tão contundente que causou até o estranhamento de alguns incrédulos. A grande verdade é que essas duas músicas foram capazes de realizar um fenômeno interessante, pois até os headbangers que vinham demonstrando descontentamento com os últimos discos do grupo, voltaram as suas atenções para a chegada de "Firepower". 

Se a expectativa já era grande, obviamente ficou maior ainda. O medo de que o álbum decepcionasse era um sentimento que chegava a incomodar, mas os deuses do Metal não permitiriam que tamanha injustiça acontecesse e, justo no disco que, provavelmente, promete ser o último da carreira da banda, seria um pecado que apresentassem algo diferente do que o Judas senso Judas com maestria e toques de brilhantismo.


Toda a comoção gerada às vésperas do lançamento pode ser justificada após a audição, e que audição meus amigos. A sequência inicial é simplesmente arrasadora! 

As já mencionadas "Firepower" e "Lightning Strike" abrem o registro empolgando, mas somente quando se inicia "Evil Never Dies" é que começamos a ter a verdadeira noção do que estaria por vir. Aquele riff classudo calcado no mítico "British Steel" invade os falantes e a nostalgia é imediata, mas além do refrão imponente e dos solos inspirados da dupla Tipton/Faulkner, é Halford quem emociona na segunda metade da faixa. Com uma performance digna dos grandes clássicos 'priestinianos', o Metal God desfere agudos como nos bons tempos e é humanamente impossível terminar este som sem estar gritando: "evil! never dies!".

A próxima é mais uma das que foram previamente disponibilizadas: "Never The Heroes". E para aqueles que não viram nada de excepcional na composição, ela se encaixa perfeitamente na sequência do disco e é dona de um dos refrões mais bonitos do quinteto em muito tempo. Em "Necromancer" temos aquele Heavy Metal direto, reto e sem frescuras, daqueles que empolgam logo na primeira audição. Já em "Children Of The Sun" e "Rising From Ruins", a cadência dita o ritmo e mais uma vez, somos surpreendidos por belíssimas construções e um feeling absurdo.



Passando um pouco da metade da audição, a energética "Flame Thrower" traz um toque de modernidade e lembra a todos que o Judas Priest nunca foi uma banda datada ou limitada a determinada sonoridade. "Spectre" se destaca pelo impecável trabalho de guitarras e, principalmente, pelos solos fabulosos (talvez os melhores do registro). Quando o dedilhado que marca o início de "Traitors Gate" começa, nem o mais otimista dos fãs poderia imaginar a explosão de riffs que viria a seguir. Coisa linda! Aqui temos sem dúvidas, uma das melhores músicas do Judas desde "Painkiller" (Senão a melhor!). Nesta faixa, ainda devo destacar a perfeição que é o trabalho da parte rítmica formada pelo baterista Scott Travis e o baixista Ian Hill, pois ambos contribuem e muito para esse resultado final desconcertante e primoroso.

A parte final de "Firepower" ainda rende algumas boas surpresas, já que "Never Surrender" é um convite imediato a adentrar numa máquina do tempo e descer lá por volta de 1982, onde a banda flertava com o Hard Rock de maneira incrível. Esta canção poderia facilmente estar em "Screaming For Vengeance" ou "Defenders Of The Faith". O encerramento acontece com "Lone Wolf" e "Sea Of Red", na primeira, uma composição mais moderna que poderia entrar facilmente em algum álbum solo de Halford ou até mesmo no aclamado "War Of Words" do Fight, já a segunda, é uma linda balada repleta de sentimento que com certeza arrancará lágrimas dos mais emotivos.


Em suma, temos finalmente um registro digno das grandes obras do Judas Priest e, mais do que isso, um álbum que dificilmente ficará de fora das listas de melhores do ano. "Firepower" não decepciona em hora alguma e sua principal diferença em relação ao trabalho anterior, é que mesmo nas faixas onde não se vê todo aquele brilhantismo costumeiro, ainda assim consegue manter o ouvinte preso a audição. Se na minha análise de "Redeemer Of Souls", eu fui duro com as palavras e ressaltei uma série de detalhes que me impediam de dar uma grande nota ao disco, nesta resenha temos a redenção de uma lenda do Heavy Metal. Me sinto absolutamente satisfeito com o resultado final e totalmente à vontade para finalizar o texto com o mítico chavão: THE PRIEST IS BACK! 

Audição obrigatória!

Nota: 9
*Nota do site The Metal Club: 8.89

Integrantes:

Rob Halford (vocal)
Glenn Tipton (guitarra)
Richie Faulkner (guitarra)
Ian Hill (baixo)
Scott Travis (bateria)

Faixas:

01. Firepower
02. Lightning Strike
03. Evil Never Dies
04. Never The Heroes
05. Necromancer
06. Children of the Sun
07. Guardians
08. Rising From Ruins
09. Flame Thrower
10. Spectre
11. Traitors Gate
12. No Surrender
13. Lone Wolf
14. Sea of Red

 Redigido por Fabio Reis

*A nota do site The Metal Club é sujeita a modificações de acordo com as avaliações dos seus usuários. Acesse, avalie e veja se sua nota bate com a nossa:


Lione/Conti​ – Lione/Conti (2018)

Frontiers Records
Mundo Metal [ Lançamento ]


Fabio Lione (Angra, Vision Divine, ex-Rhapsody of Fire) e Alessandro Conti (Luca Turilli's Rhapsody, Trick or Treat) poderiam ser arqui-inimigos; eles poderiam lutar até a morte por um lugar no topo da cena do Metal Italiano, falar mal um do outro ou até mesmo sair na mão no meio da rua, e eu não ficaria surpreso. Em vez disso, os dois loucos uniram forças e, bem como Russell Allen e Jørn Lande antes deles, apostam no estilo “Power duet” de tocar música com seu primeiro álbum, ‘Lione/Conti’, lançado há pouco via Frontiers Records.

Mas no quesito comparação, os novos Mario e Luigi da cena Power Metal  comem os plays Allen/Lande com farinha, frango e tudo mais que tiverem direito. A dupla ataca com velocidade e destreza na estréia do projeto paralelo - que não se afasta muito do que eles costumam fazer em suas principais bandas musicalmente falando, mas diminuem bastante na dose de açúcar – e com a ajuda de pesos pesados da cena Italiana como Simone Mularoni (baixo, guitarra, DGM) e Mario Lanciotti (bateria, Elvenking), oferecem uma experiência surpreendentemente boa de Power Metal, alternando entre músicas rápidas e mais diretas como a faixa de abertura "Ascension" e a ótima "Misbeleiver", e mais emocionais e voltadas à melodia como "You're Falling" e "Somebody Else". Os desempenhos instrumentais e de performance geral são de primeira qualidade, especialmente quando a composição parece ser feita sob medida pra cada estilo vocal, seja no pitch mais alto e limpo de Conti ou na nova abordagem de canto - mais baixa e densa - de Lione, e a produção e mixagem cristalinas, claras e visivelmente bem trabalhadas.


Como eu disse, ‘Lione/Conti’ é uma grande surpresa em um ano já empilhado de delícias no Power Metal (já temos coisas bem legais pipocando por aí, como os novos plays do Mike Lepond’s Silent Assassins, Imperial Age, Frozen Crown, Visions of Atlantis, Thaurorod e Nova Reign, além de muito som bom ainda por vir) e com certeza vai agradar todos os que curtem o gênero, principalmente os que preferem seu prato de Power servido sem as altas doses de açúcar que fariam qualquer diabético ser visitado pelo ceifador em questão de segundos. Recomendado.

Nota: 8.3
*Nota do site The Metal Club: 8.78

Formação:

Alessandro Conti (vocal)
Fabio Lione (vocal)
Simone Mularoni (baixo, guitarra)
Marco Lanciotti (bateria)
Filippo Martignano (teclado)

Faixas:

1. Ascension 
2. Outcome  
3. You're Falling 
4. Somebody Else  
5. Misbeliever 
6. Destruction Show  
7. Glories  
8. Truth  
9. Gravity  
10. Crosswinds

Redigido por Bruno Medeiros​

*A nota do site The Metal Club é sujeita a modificações de acordo com as avaliações dos seus usuários. Acesse, avalie e veja se sua nota bate com a nossa:


Desalmado - "Save Us from Ourselves" (2018)

Independente
Mundo Metal [ Lançamento ]


Quem é fã de música pesada em geral não pode se queixar do atual momento que vivemos. Digo isso pois estamos numa época onde esse estilo de música ganha cada vez mais representantes de muita qualidade – e peso, muito peso, diga-se de passagem. Seja em âmbito internacional ou aqui  mesmo em solo brasileiro, diversas bandas surgem dia após dia, produzindo trabalhos incríveis, memoráveis e que não devem em absolutamente nada  aos grandes feitos e obras primas dos gigantes do passado. Para os apreciadores de música extrema, então, é só alegria, visto que a quantidade  de grupos com essa proposta surgindo em todos os arredores do globo é absurda. Tendo esse pensamento em mente, falarei agora  sobre uma das bandas mais proeminentes do cenário do Grindcore nacional na atualidade: Desalmado! 

Formado em meados de 2004, inicialmente sob o nome de El Fuego, o grupo executa um Grindcore com pitadas generosas de Death Metal na mesma escola de titãs como Napalm Death, Terrorizer, Venomous Concept e muitos outros. Até o presente momento, o Desalmado possui em sua discografia  2 EPs, "Hereditas" (2008) e "Estado Escravo" (2014), um split, "In Grind We Trust" (2016), além de dois álbuns de estúdio, o auto-intitulado  "Desalmado" (2012) e seu mais recente trabalho, "Save Us from Ourselves", lançado no dia 06 desse mês. 

Mantendo a mesma pegada crua, mortífera e Old School dos registros anteriores, o segundo álbum da banda é uma avalanche impetuosa. Possuindo uma atraente e impactante ilustração de capa, desenvolvida pelo vocalista e baixista Jeca Paul (Hell Bullet), que também foi responsável por elaborar a arte de capa do single "Mass Hysteria", da banda paranaense de Thrash Metal Blackened, "Save Us from Ourselves" traz um Desalmado  ainda mais maduro e com sede por obliteração anti-musical. Trata-se de uma legítima compilação de nove hinos excruciantes da desgraceira em pouco mais de 25 minutos de duração, executados com uma precisão espantosa e invejável.

A ofensiva sonora tem início com "Privilege Walls", aquele típico arregaço que já conquista a atenção do ouvinte com seus riffs truculentos e mortais, cortesia do guitarrista Estevam Romera, além da linha de bateria brusca e arquitetada de modo inteligente por Ricardo Nutzman. Sua letra retrata problemas que ocorrem em nossa sociedade há muitos anos e jamais se cessam, como a intervenção maliciosa do Estado na vida das pessoas. A banda jamais guardou o seu posicionamento político para si e sempre promove altas bordoadas através de mensagens positivistas e revolucionárias. Nesse som, não é nem um pouco diferente, com o vocalista Caio Augusttus urrando sobre confrontar os opressores que assolam  nossa sociedade e organizar rebeliões pela busca de grandes mudanças. "It’s Not Your Business", a segunda faixa, começa de modo sutilmente introspectivo, porém, antes que o ouvinte se dê conta, uma onda de destruição em massa incinera os alto-falantes com a rigidez de um rolo compressor. Em tempo, essa pedrada traz versos  recheados de mensagens poderosas, onde a banda nos diz para mantermos nossas cabeças erguidas e jamais ficarmos em silêncio. 

Um breve crescendo progressivo antecede a terceira composição desse material, a faixa título "Save Us from Ourselves". Combinando passagens cadenciadas – e até um tanto atmosféricas, em alguns breves momentos – com trechos vertiginosos onde as viradas de bateria e os blast beats comem soltos, espancando os nossos tímpanos como se fosse um martelo, é um dos grandes destaques do trabalho. Diga-se de passagem, os momentos mais lentos também enfatizam os grooves criados pela "cozinha", encabeçada pelo baixista Bruno Leandro e pelo baterista Ricardo Nutzmann. Sua letra aborda, como já aponta seu título, o fato de termos nos tornado vítimas de nós mesmos graças aos horrores que nos cercam diariamente, uma realidade muito triste e contundente. A composição em si completa totalmente a proposta da letra, possuindo uma vibração desesperadora e apocalíptica, em especial nos  riffs mais arrastados e cadenciados. O riff introdutório e que se repete no refrão é simples e matador na mesma proporção, captando com  perfeição o espírito carregado e desesperançoso da música.


A bateria dá o tom inicial de "Black Blood", outro hino sobre a luta contra os malfeitores inescrupulosos de nosso mundo que desejam nosso sangue e corpos submissos a seus intentos. Nela, a devastação prossegue com sucesso, é claro. As palhetadas são sujas e exatas, e as linhas de bateria jamais soam tocadas de modo preguiçoso. Há muita velocidade, mas também há espaço para variações, algo que proporciona um tempero  especial. Um sopro fúnebre de guitarra nos prepara para mais um cataclismo: "Blessed by Money"! Logo após as primeiras e instigantes notas da composição cessarem, um novo terremoto de riffs e arranjos viscerais se inicia. Eis aqui outro destaque da obra, tanto pela sua letra, que retrata como o dinheiro se tornou praticamente uma divindade para o homem, como pelo desempenho da banda em transmitir a sua mensagem musicalmente. Há peso e velocidade de sobra, as ambientações caóticas também se destacam e as alterações rítmicas são construídas de modo estratégico.

Eis que entra em cena "Bridges to a New Dawn", composição que ganhou um videoclipe promocional. Essa também é a faixa mais longa do trabalho, contendo pouco mais de 04 minutos de duração e é certamente uma das melhores músicas do disco. Trata-se de um som mais cadenciado e viciante, mas também possui seus trechos mais insanos. Essa pedrada se inicia vagarosamente e os integrantes da banda se empenham muito,  entregando uma performance irrepreensível. Sempre menciono que algo que me admiro muito Desalmado é o feeling que esses caras possuem para  tocar Death/Grind. O quarteto sabe dosar bem as suas influências e conduz cada música com muita personalidade. Além de não soarem como uma mera cópia de bandas clássicas do estilo, possuem muita identidade e composições como essa deixam isso mais do que claro. Há um sentimento intenso de melancolia mesclado com ódio em suas notas e que expressa perfeitamente a mensagem que a letra do grupo deseja transmitir, onde temos a metáfora de  "pontes para um novo amanhecer", representando o conflito de todos aqueles que batalham arduamente pelo que é seu por direito e pela justiça  como um todo. 

Impulsiva e totalmente ideal para o moshpit, "Corrosion" é tão direta quanto sua letra, jamais possuindo tempo para firulas e/ou frescuras  desnecessárias. Com uma letra que retrata a opressão dos tiranos sobre as massas e como devemos enfrentá-los, a banda ainda possui espaço até  para incluir uma espécie de referência a "Multinational Corporations" (Napalm Death), no verso "Paralisado pelo medo, governança das corporações/Regime fascista, genocídios de nações famintas". Possuindo um groove muito envolvente em sua abertura, "Binary Collapse" é, com toda certeza, outra de minhas favoritas do play. Abordando uma temática diferenciada, falando acerca das consequências drásticas de termos nossa privacidade e vida invadidas, por meio de metáforas, o grupo  nos entrega o que eu posso chamar de "modelo perfeito de Grindcore", pois tudo é calculado e colocado em prática milimetricamente. Sonzeira  daquelas!

Encerrando o álbum, temos "Exist and Resist". Por sinal, foi a escolha perfeita para encerrar esse registro, tanto pela sua temática como pela  performance do quarteto em si, que nos brinda mais uma vez com um som recheado de notas viciantes e assombrosas. A luta das classes oprimidas contra os déspotas, corruptos e exploradores é novamente levantada pelo grupo. O discurso próximo ao encerramento da música é perfeito e forte  como uma rocha, principalmente sua última linha:

"As nações sobreexplotadas, mantidas cautivas por um sistema de opressão e espoliação
Rebelde pelas mãos de seu povo, cansado e massacrado pelo flagelo do chicote.

Todos os trabalhadores do mundo, maiorias exploradas,
Mulheres, raças oprimidas, pessoas nativas, unem-se!
Chegou o momento em que a luta é necessária, enfrentando nossos atormentadores para despertar para um novo amanhecer,
Uma nova sociedade: livre, igualitária e para um mundo onde nosso destino está em nossas mãos!

Sem mestres, sem deuses, sem senhores escravos!"

A essa altura, não tem muito o que enrolar a respeito de um trabalho como esse. Dispondo de uma energia furiosa, peso volumoso e muita atitude  tanto na sonoridade como em suas letras, "Save Us from Ourselves" é um lançamento que chama a atenção do fã da música extrema sem qualquer  esforço e evidencia ainda mais o potencial do Desalmado, que soa cada vez mais profissional e maduro a cada dia. Um registro absolutamente  indispensável para os ouvintes de Grindcore e sonoridades extremas! Para quem se interessar em conferir esse trabalho, disponibilizamos logo após o texto o link do bandcamp da banda onde é possível ouvir o álbum na íntegra

Nota: 9.0

Formação:

Caio Augusttus (vocal)
Estevam Romera (guitarra)
Bruno Leandro (baixo)
Ricardo Nutzmann (bateria)

Faixas:

1. Privilege Walls 
2. It’s Not Your Business 
3. Save Us from Ourselves 
4. Black Blood 
5. Blessed by Money 
6. Bridges to a New Dawn 
7. Corrosion   
8. Binary Collapse 
9. Exist and Resist 

Redigido por David "Fanfarrão" Torres

Bandcamp:

Visigoth​ - "Conqueror’s Oath" (2018)

Metal Blade Records
Mundo Metal [ Lançamento ] 


Você já deve ter lido meus elogios à NWOTHM (New Wave of Traditional Heavy Metal) e como eu digo que o movimento é uma adição maravilhosa pra nossa rica cultura. Bandas como Air Raid, Ambush, Enforcer, RAM, Midnight Priest e Skull Fist nos mimam com contos épicos e som da velha escola, mantendo a chama do Metal mais do que viva. E também, é claro, existe o Visigoth

Trazendo a epicidade de grandes como Manilla Road, Cirith Ungol e Omen com um pouco de Doom à la Grand Magus, ao mesmo tempo que adicionam elementos novos a esses sons consolidados, os nativos de Salt Lake City queimaram tudo com riffs caralhudos e grandeza pura em sua estréia com 'The Revenant King' (2015). Três longos anos depois, os visigodos voltaram com ‘Conqueror’s Oath’ e uma missão quase impossível: superar seu antecessor.


Mantendo a mesma formação do primeiro disco, mas mudando um pouco do seu estilo de composição, os americanos, fico feliz em dizer, não  decepcionam os fãs do Metal épico. Começando já na sacanagem com "Steel and Silver", Jake Rogers (vocal), Leeland Campana (guitarras), Jamison Palmer (guitarras), Matt Brotherton (baixo) e Mikey T. (bateria), mostram desde o início o motivo pelo qual são uma das bandas mais aguardadas, celebradas e respeitadas por aí hoje em dia. Épica, grandiosa e inspiradíssima, a música permanece fiel ao título do álbum e sacia toda a fome do metalhead pelo som dos bons tempos.

"Warrior Queen", primeiro single lançado pelos caras em 2018, é com certeza a música que lembra mais 'The Revenant King'. A aura mais direta e animada dita a parada, mas os refrões já característicos liderados pela voz única de Rogers fazem outra viagem mágica pro lado épico do metal; isso sem mencionar o último verso e ponte, que são um show à parte.


Deixando a espada e a feitiçaria pra trás e atacando a jugular sem dó vem "Outlive Them All", uma música “putaquepariu” de linda ilustrada num ataque rápido e certeiro, no que é com certeza uma das melhores composições da carreira desses arrombados. Você vai querer esmagar sua cabeça na parede, beber seu próprio sangue escorrendo do seu rosto e depois matar todos os seus inimigos em uma fúria cruel, cega e orgásmica; essa porra é pura felicidade. 

"Hammerforged" e "Traitor's Gate" consolidam essa pequena mas notável mudança de som de uma atmosfera Doom pra uma mais (US) Power Metal. A primeira é um verdadeiro hino pra meter o punho no ar e bater cabeça, com mais uma puta performance de refrão, enquanto "Traitor's Gate" atinge direto nos corações moles, com um início melancólico que de repente explode em uma faixa agressiva combinando perfeitamente com a letra, banquete pros entusiastas do trve cvlt.


Se eu tivesse que escolher o ponto mais fraco aqui, seria "Salt City". Prestando homenagem à sua terra natal, o Visigoth acerta nas doses de atmosfera mas peca um pouco na execução, fazendo com que a música seja basicamente só uma versão Heavy Metal de "Detroit Rock City". A segunda metade do álbum é, de fato, mais fraca do que a primeira, mas "Blades in the Night" e a faixa título passam longe de serem as famosas “fillers” ou mesmo músicas medíocres: ambas fazem bem seu trabalho, cada uma em seu próprio estilo. "Blades in the Night" é um Metal direto e sem firulas, com pouco espaço pra outros elementos frufru, e "Conqueror’s Oath" é a música mais densa e lenta aqui; essa tem uma abordagem mais pura e triste, com bateria e guitarras simples que destacam os vocais e a mensagem lírica em vez do próprio instrumental. 

O Visigoth conseguiu fazer o que parecia quase impossível ao ultrapassar a qualidade do maravilhoso debut em ‘Conqueror’s Oath’, seja na parte lírica, de composição, instrumental ou de produção. Eu raramente fico com arrepios nos dias de hoje ouvindo um som, mas dessa vez foi batata, não tive a mínima chance; então acredite em mim, irmão, quando digo: este álbum é a definição do que o Metal representa, significa e é. Ao tocar de coração e fazer o que eles amam, esses guerreiros de Salt Lake City, de todas as porras de lugares possíveis pra se fazer Metal, estão redefinindo o gênero para as gerações futuras, mantendo os elementos centrais do que é aclamado no estilo como a visão mais pura da música e adicionando idéias frescas - embora não inteiramente originais - pro caldeirão. Todos ajoelhem-se ao Visigoth, conquistadores do Metal.

Nota: 9.3
*Nota do site The Metal Club: 9.34

Formação:

Jamison Palmer (guitarra)
Leeland Campana (guitarra)
Jake Rogers (vocal)
Matt Brotherton (baixo)
Mikey T. (bateria)

Faixas:

1. Steel and Silver  
2. Warrior Queen 
3. Outlive Them All  
4. Hammerforged 
5. Traitor's Gate 
6. Salt City 
7. Blades in the Night  
8. The Conqueror's Oath 

Redigido por Bruno Medeiros

*A nota do site The Metal Club é sujeita a modificações de acordo com as avaliações dos seus usuários. Acesse, avalie e veja se sua nota bate com a nossa:


Whipstriker​ - "Merciless Artillery" ( 2017)

Mundo Metal [ Lançamento BR ]


Uma das muitas novidades vinda dos últimos dias de 2017 é o quarto full da banda de Speed Metal carioca Whipstriker. O disco foi batizado de “Merciless Artillery” e foi lançado apenas um ano após seu antecessor “Only Filth Will Prevail”. O trabalho proporciona ao ouvinte uma audição marcante onde um Speed Metal totalmente old school é executado com muita energia e vigor. 

Os vocais de Vik Whipstriker (Victor Vasconcellos) se assemelham bastante aos de Cronos e em praticamente todas as canções, nota-se a influencia de nomes seminais como os de Venom, Bulldozer, Possessed e até mesmo Motorhead. 

“Merciless Artillery” em português significa “artilharia sem misericórdia”. Pode-se considerar que tal nome descreve de forma absolutamente fidedigna a sequência matadora de composições contidas no registro. Da primeira à última faixa, o Whipstriker não reduz a dinâmica rápida e destruidora em nenhum segundo sequer, mantendo a coesão com seus discos anteriores e ainda adicionando novos elementos a musicalidade simples, porém extremamente funcional da banda.


O álbum abre com a faixa título e tem na sequência “Rape Of Freedom” e “Calm After Destruction”, uma trinca inicial escabrosa e que te fará bangear loucamente. Os riffs são cortantes, os andamentos são sempre acelerados e a sensação que temos é que fizemos uma viagem no tempo diretamente para meados de 1985. O álbum ainda conta com  as ótimas “Mantas Black Mass”, “Soldier Of Sodom” e “Warspell”, que seguem sem deixar a qualidade cair e mantém o pique até o encerramento com “Enemies Leather” e “Bestial Hurricane”. Em nenhuma das músicas há qualquer resquício de descanso para os ouvidos, pois a pancadaria reina suprema e ininterrupta. 

A produção e masterização ficaram a cargo de “Joel Grind”, que por sua vez realizou um ótimo trabalho mantendo aquela sujeira absolutamente necessária em trabalhos dessa natureza, as faixas ficaram com aquele jeito oitentista e creio que em “Merciless Artillery”, o Whipstriker finalmente atinge a sonoridade que sempre buscou. 

Álbum indicado à todos os amantes do Speed Metal old School e, principalmente, aqueles que apreciam a primeira geração do Black Metal. 

Nota: 8,0

Integrantes:

Vik Whipstriker  (baixo e vocal)
Hugo Golon (guitarra e bateria)

Faixas

1 – Merciless Artillery
2 – Rape of Freedom
3 – Calm After Destruction
4 – Mantas Black Mass
5 – Soldier of Sodom
6 –  Warspell
7 – Enemies Leather
8 – Bestial Hurricane 

Redigido por Cristiano Ruiz​

Saxon​ - "Thunderbolt" (2018)

Silver Lining Music
Mundo Metal [ Lançamento ]


Lá se vão 40 anos desde que o Saxon iniciou as suas atividades e ingressou na NWOBHM. Durante todo esse tempo, lançaram 22 álbuns de estúdio, se transformaram em um dos nomes mais icônicos do estilo e o resto é história. Pense comigo, o normal para qualquer banda nestas condições seria estar se encaminhando para uma despedida dos palcos, afinal, se não é muito normal um grupo de Rock/Metal durar 4 décadas (sem paradas ou longos hiatos), é ainda mais difícil encontrar um que seja relevante para a cena atual. 

Analisando este histórico, eu poderia lhes dizer que "Thunderbolt" é um álbum ok, que foi feito pra cumprir tabela, um tanto burocrático e sem o pique de antigamente. Só que a realidade é outra amiguinho, o Saxon está pouco se lixando pros padrões de normalidade e mesmo com toda essa bagagem, posso facilmente afirmar que o quinteto inglês é, de longe, a melhor veterana em atividade (talvez dividindo o posto com o Accept). A nova empreitada demonstra uma banda com muito gás e a disposição de jovens sedentos e apaixonados pelo que fazem.

Qual seria o truque para tamanha longevidade? Talvez este segredo jamais seja revelado, mas o que realmente nos interessa é que a espera valeu muito a pena, "Thunderbolt" é um disco com pedigree. Já faz bastante tempo que o nome Saxon é sinônimo de qualidade, porém as vezes os coroas conseguem se superar e apresentar um registro com aquele toque a mais de brilhantismo, e é exatamente o que podemos conferir nas 11 composições que integram o novo álbum. 

A primeira observação relevante é com relação a diversidade musical encontrada no disco, há faixas velozes e cheias de energia, canções épicas com refrões grudentos e músicas mais cadenciadas, pesadas e com andamento mid-tempo. Pode-se dizer que "Thunderbolt" traz um mix muito interessante de quase tudo que o grupo já produziu em sua longa trajetória e essa variedade, aliada a uma disposição de faixas bem assertiva, faz com que a audição não se torne cansativa em momento algum. Este é um álbum que você escuta e o tempo parece passar mais rápido que o normal, tanto isso é verdade  que ao chegamos ao final da última música, o pensamento que vem a mente é o de: "Nossa! Já acabou?".

A abertura com a introdução "Olympus Rising" culmina nas ótimas "Thunderbolt" e "The Secret Of Flight", neste ponto a impressão é a de que teremos um disco conceitual e baseado na mitologia grega. A arte da capa desenvolvida por Paul Raymond Gregory deixa algumas pistas de que esta tese se confirmaria, porém a grande realidade é que temos alguns temas épicos ligados ao assunto, mas há também diversidade lírica acompanhando a variedade musical. Sobre as faixas, "Thunderbolt" é aquela composição tipicamente Saxon, com um riff inicial marcante e um refrão poderoso, enquanto isso, "The Secret Of Flight" possui um ritmo energético carregado de ótimas melodias que servem de base para a história de Ícaro, personagem mitológico que tenta deixar a cidade de Creta voando, mas que tem suas asas incendiadas e cai nas águas do mar Egeu.


"Nosferatu" traz um ritmo cadenciado e é repleta de ótimas climatizações. Em algumas poucas audições, o refrão "Nosferatu/ Creature of the night/ Nosferatu/ Darkness Kills the light", ficará gravado no seu subconsciente e vai te fazer um enorme favor, você nem vai perceber, mas estará cantarolando esta maravilha involuntariamente e vai finalmente esquecer os versos bisonhos de "Vai Malandra", da Anitta. "They Played Rock And Roll" é um capítulo á parte nesta audição, um dos maiores destaques do trabalho e sobre ela em específico, falarei mais detalhadamente adiante. O disco segue com a pesadíssima "Predator", com riffs e linhas de guitarra que lembram um pouco o Accept na fase "Objection Overruled" e os vocais guturais de Johan Hegg (Amon Amarth), que se encaixaram inusitadamente bem junto com a voz de Biff Byford. 

Em "Sons Of Odin", voltamos a ter uma canção épica e, sem demagogia, Biff ao longo dos seus quase setenta anos idade, ainda está cantando muito e fazendo inveja a muitos novatos por aí. Depois desse hino (sim, essa faixa é um hino!), temos a veloz "Sniper", com um riff fantástico e a energia necessária pra te fazer sacudir loucamente esse pescoço cheio de torcicolo. "A Wizard's Dream" nos traz uma dose de clichês, com alguns "ô ô ô's" bem encaixados e uma letra que resgata rei Arthur, Merlin, Lancelot e toda a Távola Redonda. 

Nos aproximando do final, "Speed Merchant" é despojada, possui linhas de guitarra e solos excelentes e, sejamos francos, se Biff é um fenômeno, Mr. Paul Quinn não deixa por menos e, juntamente com Doug Scarratt, formam uma dupla impecável nas seis cordas. O fechamento deste belíssimo registro vem com "Roadie''s Song", uma composição que nos remete ao início da carreira desses velhinhos fantásticos e encerra a audição com gostinho de quero mais.

Como prometido, vamos nos aprofundar um pouco em "They Played Rock And Roll", a composição que mais me chamou a atenção em "Thunderbolt". Todos sabem que está uma faixa que homenageia Lemmy Kilmister e o Motorhead, mas diferente de outras muitas homenagens (e sem menosprezar qualquer uma delas), o Saxon conseguiu realmente fazer algo digno, emocionante e, acima de tudo, verdadeiro. 

A música é veloz, resgata o espírito indomável do líder do Motorhead e possui uma letra cheia de citações emblemáticas. É arrepiante escutar a voz de Lemmy no meio da canção repetindo a icônica frase "We are Motorhead, and we play Rock and Roll!". Parabéns ao Saxon por este tiro certeiro cheio de sentimento, homenageando um dos maiores ícones do Rock de todos os tempos!


Para concluir, e é impossível finalizar esta análise sem falar de produção, o trabalho do produtor Andy Sneap é fantástico. Todos as timbragens soam perfeitas e pode-se afirmar que Andy é "o cara" no que se diz respeito em produzir bandas veteranas de Heavy Metal. Seu trabalho é consistente e, como bem mencionado pelo amigo Marcos Garcia​ do blog Metal Samsara, seria muito interessante vê-lo produzir um álbum do Iron Maiden, afina, se vem dando certo com Accept, Saxon e Judas Priest, por que não com a velha Donzela? 

Nota: 9
**Nota do site The Metal Club: 8.72

Integrantes:

Paul Quinn (guitarra)
Biff Byford (vocal)
Nigel Glockler (bateria)
Nibbs Carter (baixo)
Doug Scarratt (guitarra)

Faixas:

1. Olympus Rising
2. Thunderbolt
3. The Secret of Flight
4. Nosferatu (The Vampires Waltz)
5. They Played Rock and Roll
6. Predator
7. Sons of Odin
8. Sniper
9. A Wizard’s Tale
10. Speed Merchants
11. Roadie’s Song
12. Nosferatu (Raw Version)*

Redigido por Fabio Reis​ 

**A nota do site The Metal Club é sujeita a modificações de acordo com as avaliações dos seus usuários. Acesse, avalie e veja se sua nota bate com a nossa:


Babylon A.D.​ - "Revelation Highway" (2017)

Frontiers
Mundo Metal [ Lançamento ]


Várias bandas de Metal e Hard Rock dos anos 80 tem voltado a ativa nos últimos anos, as vezes com apenas um ou dois integrantes originais e lançando álbuns de qualidade mediana. Não é o caso do Babylon AD, que não somente voltou com toda a sua formação original, como também lançou o melhor álbum da sua discografia, e um dos melhores do estilo no ano de 2017.
   
Recordando um pouco sobre a trajetória da banda, ela apareceu em 1988 em São Francisco, Califórnia, e logo chamou a atenção da gravadora Arista, que estava ligada no circuito de clubes atrás de novas bandas que proliferavam por lá. Lançaram em 1989 o auto intitulado álbum , que continha os singles” Bang Go the Bells", "Hammer Swings Down" e "The Kid Goes Wild", esta última inclusive fazendo parte da trilha sonora do filme Robocop 2 (1990). Em 1992 , a banda lança o segundo full, “Nothin Sacred”, que rende os singles Bad Blood" e "So Savage The Heart". Após isso, caíram no ostracismo ,como já comentamos em outras ocasiões, devido ao Interesse das gravadores e do público pela onda grunge.

   
Após anos de inatividade (tivemos apenas o lançamento de 1 álbum ao vivo e outro com gravações de demos), o Babylon AD faz seu retorno com todos os integrantes originais em 2014, assinam em 2016 com a gravadora Frontiers (sempre eles) e agora em Novembro de 2017, lançam o novo álbum, “Revelation Highway”.
   
O disco abre com uma faixa tipicamente Babylon AD, a agitada “Crash and Burn”. Com um excelente riff inicial e de cara já temos a certeza que o vocalista Derek Davis (que também produziu o álbum), está em plena forma. Seguimos com a mais cadenciada “Fool On Fire”, mas que mantém o peso e a energia. “One Million Miles“ e “Tears” conduzem a direção do álbum para um clima mais melódico, mas seguindo com muita qualidade nas composições. 
  
“She Likes To Give It” faz a alegria dos hard rockers, tanto na temática (explicita no título) como no seu andamento. E devo avisar que o refrão ficará na sua cabeça durante horas. Adiante temos “Rags To Riches”,  dando sequência ao álbum com aquela influencia Heavy Metal com grandes riffs e solos de guitarra matadores. “Last Time For Love” traz a melodia de volta, faixa que tocaria tranquilamente nas rádios, na época em que estas eram ouvidas e tocavam Rock ‘n’ Roll . ”I´m No Good For You“ é mais uma faixa forte e pesada, abrindo caminho para a ‘hard-festeira’ “Saturday Night”. O álbum se encerra com mais uma pérola, “Don´t Tell Me Tonight”, com seu contagiante andamento Hard/Heavy.

   
Extremamente gratificante verificar o retorno de uma banda, com sua formação original completa, praticando seu som clássico, mas ao mesmo tempo não se apegando ao passado e 
acrescentando ingredientes que sua sonoridade tão boa ou até mesmo melhor do que era antes. Um grande álbum que não foi lançado apenas para “cumprir tabela”. Trocemos para que o Babylon AD desta vez consiga dar sequência em sua carreira e possa nos brindar com mais álbuns desse nível no futuro. Se você é fã do estilo, vá atrás desse álbum, sem medo de ser feliz.

Nota: 9,0

Integrantes:

Derek Davis (vocal, guitarra acústica e teclado)
Ron Freschi (guitarras)
John Mathews (guitarra e teclado)
Robb Reid (baixo) 
Jamey Pacheco (bateria) 

Faixas:

1. Crash and Burn
2. Fool on Fire
3. One Million Miles
4. Tears
5. She Likes to Give It
6. Rags to Riches
7. Last Time for Love
8. I’m No Good for You
9. Saturday Night
10. Don’t Tell Me Tonight

Redigido por José Henrique Godoy​

Corrosion Of Conformity​ - "No Cross No Crown" (2018)

Nuclear Blast
Mundo Metal [ Lançamento ]


Mais de 35 anos desde sua fundação, o Corrosion of Conformity da Carolina do Norte é uma banda como nenhuma outra. Carinhosamente abreviada como COC, em sua longa carreira, eles se mudaram do Punk/Hardcore da Costa Leste dos Estados Unidos, para se tornarem uma das principais referencias do Stoner/Southern/Sludge, lançando álbuns que influenciaram uma geração.

Haverá aqueles entre nós que só aceitam a versão Crossover dos anos 80 como o sendo o COC "real", mas para a grande maioria, foi com a adição do carismático frontman Pepper Keenan que a banda encontrou sua verdadeira sonoridade.

O COC possui um passado instável, mas nunca lançou música ruim ou subpartida, mas desde que Pepper Keenan se retirou para se concentrar no Down, a unidade perdeu seu ímpeto e magia. 13 anos se passaram desde que o vocalista/guitarrista gravou o último álbum com a banda, 18 anos desde que os membros fundadores colaboraram entre si e mais 24 anos desde que o COC lançou sua obra prima, "Deliverance" (1994)

Agora contando com o line-up clássico, Mike Dean (baixo), Woody Weatherman (guitarra) Reed Mullin (bateria) e novamente capitaneados por Pepper Keenan (guitarra/vocal), quarteto esse que criou bestas seminais, a banda recuperou o poder, o espírito e traz a baila, em seu novo trabalho, para o deleite de seus ávidos fãs, uma sonoridade similar a de registros como "Deliverance" (1994) e "Wiseblood" (1996). 

Felizmente, este novo álbum não é simplesmente uma releitura desses clássicos. "No Cross No Crown", é uma extensão desse espírito e arte intemporais que se beneficia do crescimento dos caras como músicos desde o lançamento desses álbuns reverenciados.

Presumia-me que o título do álbum fizesse referencia a um slogan do Punk, "No Gods No Masters", mas eis que para minha surpresa o mesmo se deve a um dos vitrais da sala de vestimenta de uma igreja inglesa do século 16, local em que a banda passou em tour, representada por um homem perseguido com a inscrição "No Cross No Crown", título esse que serve apenas como um ponto de partida temático, segundo o próprio Keenan.


A produção de John Custer, velho conhecido da banda, é primorosa e equilibrada, o resultado é um álbum pesado e ao mesmo tempo minimalista, trazendo de volta a estética pioneira da banda, contendo aquele clima "sabbathianico" arrastado e visceral aliado a composições intrincadas, as quais muitos fãs do COC clamaram por anos. 

Logo de inicio, o novo trabalho transmite uma sensação dramática de poder envolta numa espécie de neblina psicodélica se elevando na grandiosa intro "Novus Deus", uma canção profunda envolvida por um bumbo emitindo batimentos cardíacos, a primeira canção propriamente dita, "The Luddite" possui tambores que ressoam fundo nos tímpanos, uma pista alimentada por um riff absolutamente infeccioso e com uma sonoridade firmemente alicerçada no blues, na sequencia temos, "Cast the First Stone", peça que engrena o álbum de forma energética, uma canção extremamente cativante. 

"Wolf Named Crow", é um dos vários interlúdios do álbum, permitindo que o ouvinte respire evitando a monotonia acentuando elementos mais pesados.

"No Cross", desliza suavemente com sua majestade acústica e melodia surreal, trilha que possui a capacidade da absolvição de algo que poderia nos destruir ou nos definir, soa como um sombrio Leonard Cohen. 

"Little Man", a canção perfeita para dirigir numa estrada deserta, janelas abaixadas, fumando um cigarro, enquanto se ouve ao fundo o rolar dos pneus no asfalto escaldante, contém ritmos variados, que a tornam uma pista assassina. 

"Matten's Diem", faixa acústica arejada, que faz você se sentir como se nada a sua volta importasse, esses pequenos interlúdios, funcionam como uma espécie de marcadores, sem letras para desvendar.

"Forgive Me" com seu balanço delgado sob uma armadura de riffs furiosos e solos temperamentais, conseguindo ser pesada e vulnerável ao mesmo tempo. 

"No Cross No Crown" este é o ponto culminante do registro ou o crescendo do conto, o curso principal nesta festa primordial é o casamento entre o vocal de Keenan e os picos distorcidos das guitarras que nos conduzem a uma melodia hipnotizante. 

"A Quest to Believe (A Call to the Void)" Depois de tudo dito e feito, saindo de algo tumultuado ou passando por um processo, queremos acreditar que havia um propósito, às vezes conseguimos isso após uma conclusão, mas às vezes é apenas uma viagem que deveríamos fazer para chegar ao próximo lugar. Seja qual for o caso, esta canção é a essência quando falamos em liberdade de criação, ondas da guitarra ecoam no crânio, os tambores trotam como se estivessem enviando uma mensagem subliminar.

Esses são apenas alguns dos destaques do álbum, pois estou apenas arranhando a superfície daquilo que é apresentado pela banda. 

O crédito do registro é em grande parte devido a sua atmosfera coesa e densa, ao incrível trabalho de guitarras, a energia de riffs e solos, não só apenas pesados, mas também melodicamente sutis, das guitarras de Weatherman/Keenan impulsionados pelas linhas de baixo groovy de Mike Dean e do tambor direto e ininterrupto de Reed Mullin, além é claro das variadas tomadas vocais de Keenan que funcionam sinergicamente trazendo resultados realmente incríveis. 

Neste ponto, o COC desconhece claramente quaisquer inseguranças ou limitações e trabalha em sincronia para garantir que as músicas funcionem de forma eficiente, e é essa mentalidade que resultou num álbum muito acima da média quando comparado com os trabalhos mais recentes dos caras.


A banda soa tecnicamente mais proficiente, o que não é nenhuma surpresa dada a quantidade de experiência acumulada desde "In The Arms of God" (2005), ultimo álbum do COC com essa formação. 

O álbum trás em seu conteúdo 15 faixas, as quais não demonstram qualquer sinal de fadiga, em quase uma hora de duração. Embora eu goste de registros longos, o álbum poderia ter se beneficiado com alguns cortes. As trilhas instrumentais, embora funcionem como ótimos ganchos, não são realmente necessárias. Apesar disso, "No Cross No Crown" deve ser considerado um triunfo e sua proposta acaba funcionando muito bem.

Esteja ciente de que não é um registro de fácil digestão e provavelmente não irá agarra-lo de imediato, digo isso por experiência própria, há muito para desempacotar, o mesmo requer rotações múltiplas para ser devidamente absorvido.

"No Cross No Crown" é um registro realmente atraente e implacável em sua intensidade, Keenan, Weatherman, Dean e Mullin ainda possuem uma química inegável e esse poço parece estar muito longe de secar. 

Nota: 9,0

Formação:

Mike Dean - baixo/backing vocals
Woody Weatherman - guitarra/backing vocals
Reed Mullin - bateria/backing vocals
Pepper Keenan - guitarra/vocal

Faixas:

01. Novus Deus
02. The Luddite
03. Cast the First Stone
04. No Cross
05. Wolf Named Crow
06. Little Man
07. Matre's Diem
08. Forgive Me
09. Nothing Left to Say
10. Sacred Isolation
11. Old Disaster
12. E.L.M.
13. No Cross No Crown
14. A Quest to Believe (A Call to the Void)
15. Son and Daughter

Redigido por Claudio Santos​

Wail​ - "Resilient" (2018)

Indigoboom
Mundo Metal [ Lançamento ]



O Heavy Metal em geral sempre teve, desde seu início, algumas regiões no mundo como sendo foco de proliferação de bandas. Tivemos a Inglaterra na época da NWOBHM, Detroit e Los Angeles em épocas diferentes nos Estados Unidos, regiões da Alemanha, e definitivamente, uma das regiões que mais tem nos mandado bandas nas últimas duas décadas é a Escandinávia. Noruega, Dinamarca, Finlândia e Suécia brigam pela liderança na “exportação de bandas” de todos os estilos, do AOR ao mais brutal Black Metal.
    
O Wail é oriunda da Noruega e no dia 02 de janeiro de 2018 lançou o seu álbum de estréia, “Resilient”. A banda foi formada em 2015, na cidade de  Lillehammer  (famosa por ter sido sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1994 – página de Metal também é cultura). Ainda pouco ou quase nada conhecidos, eles praticam um Heavy Metal tradicional com toques de Hard rock e até Power Metal, em alguns momentos lembrando os seus conterrâneos mais conhecidos, o TNT e outras bandas oitentistas.
        
A arte da capa nos remete direto para as bandas de Heavy Metal do início dos anos 80, com um desenho não muito trabalhado, mas que dá uma ideia do que iremos encontrar na parte que mais importa: o som produzido pelos noruegueses.


A abertura vem com “Never No More”, uma excelente música, mas de saída já damos de cara com o principal problema do álbum: a produção. Não que seja uma produção ruim, mas nos passa a impressão que o álbum foi feito para o vocalista Joakim Joreng aparecer mais que a banda. Sua voz potente aparece lá na frente e o restante dos instrumentos lá no fundo. Um excelente riff e um refrão do tipo “ cante junto”, agregado a bons solos de guitarra que nos remetem ao velho Maiden (mas bem de longe ok?) fazem esta faixa de abertura a melhor do álbum. 
   
Na sequência temos  “He Is finally Here”, que começa mais pesada, com um riff, forte, mas lá está a voz do nosso excêntrico vocalista na frente de tudo novamente (deem uma olhada nas fotos de divulgação e depois me digam o que acharam da gravatinha do cara). Esta Faixa lembra um pouco do que nosso saudoso Dio fez na fase mais dourada da sua carreira solo (de “Holy Diver” à “Dream Evil”). A audição segue com “By Your Hand”, a mais “TNT” do álbum, grande riff de abertura, que fará Ronnie Le Tekkro (mentor do TNT) orgulhoso. Os caras aprenderam bem ouvindo seus álbuns.

“Dark Messiah” altera totalmente o clima do álbum, com uma bela intro de piano, e logo entrando com riffs que nos levam ao Maiden novamente, mas como citei antes, sempre mantendo aquela distancia saudável no que se refere a qualidade. Uma boa música, mas que não acrescenta muito.

  
Vamos adiante e chegamos a “Initiation” e aqui, creio que seja o ponto mais baixo do álbum, uma música que tenta emular aquelas passagens épicas do Manowar, com partes faladas e sussurradas pelo nosso “cantante”, mas a impressão que fica é que eles tiveram a pretensão de construir algum tipo de hino para ser cantado pelas plateias nos seus futuros shows, porém não foram muito bem sucedidos (eu acho). No final, damos graças por ela ter apenas 2:45 min. Totalmente dispensável. 

“Thrill Of The Hunt” coloca as coisas nos trilhos novamente, boa música, com uma pegada mais Power Metal, bons riffs e bom refrão, novamente naquele clima “canta junto com a gente, pessoal!”. Bons solos de guitarra também. ”Mary” inicia com uma introdução de baixo, e é a primeira vez que lembramos que a banda tem baixista em todo o disco. Mais uma vez, um bom riff de guitarra, outro bom refrão e um excelente solo. ”Protector” também inicia com o baixista Tokjell Hagen Voll dando o tom, faixa rápida com uma pegada bem NWOBHM, e creio que nessa, Joakin tem sua melhor performance vocal em todo o álbum.
    
Chegamos ao final com a faixa título “Resilient” e ela possui um riff que nos lembra também o TNT-fase-Heavy-Metal. No meio da música há passagens mais lentas com a adição de alguns teclados em destaque e bons solos de guitarra.
    
O álbum vai agradar a apreciadores de Heavy Metal tradicional e Hard Rock, mas repito, a produção poderia ser mais caprichada. Um problema que identifiquei é uma certa indefinição quanto ao estilo do Wail, basta ver as diversas influências e semelhanças com bandas de estilos diferentes citadas. Por ser o primeiro disco dos noruegueses, podemos relevar estes pequenos problemas e esperar que a banda melhore nos trabalhos futuros, o registro tem boas composições e os músicos muito potencial. Vale a audição.

Nota 7,5

Integrantes:

Joakin Joreng (vocal)
Thor B. Gundensen (guitarra)
Kin-Ruben Sletten (guitarra)
Tokjell Hagen Voll (baixo)
Simen Hagen Voll (teclado)
Memet Odegaaed Cataltepe (bateria)

Faixas:

01. Never No More
02. He Is Finally Here
03. By Your Hand
04. Dark Messiah
05. Initiation
06. Thrill of the Hunt
07. Mary
08. Protector
09. Resilient

Redigido por José Henrique Godoy​

Deathgeist​ - "Deathgeist" (2017)

Mutilation Productions
Mundo Metal [ Lançamento BR ]


O Thrash Metal mundial tem nos trazido muitas agradáveis surpresas atualmente, tanto as mais clássicas bandas quanto as mais novas têm nos premiado com belíssimos trabalhos. Algumas seguindo o modelo da velha escola oitentista e outras com um Thrash mais atual, porém não menos qualificado. O ano de 2017 nos trouxe muitos lançamentos que surpreenderam e ser surpreendido por um álbum é muito bom, melhor ainda é quando esse trabalho bate exatamente com a expectativa que tínhamos anteriormente ao seu lançamento.

Pra entendermos melhor o Deathgeist, vamos voltar aproximadamente 5 anos no tempo, quando em 2013, a banda paulistana Bywar resolveu encerrar as suas atividades dois anos após o lançamento do ótimo “Abduction”, deixando um vazio no cenário undeground brasileiro e, principalmente, nas pessoas que curtiam sua musicalidade. No ano de 2017, dois dos integrantes do Bywar, Adriano Perfetto (voz e guitarra) e Victor Regep (guitarra) se juntaram ao baixista Mauricio Bertoni e ao baterista Goro para formar um novo grupo de Thrash Metal batizado de Deathgeist.


Os dois singles lançados antes da apresentação oficial do disco foram “Day Of No Tomorrow” e “Death Razor”, ambos deixaram uma excelente impressão e a promessa de um debut arrasador. Nessas duas composições, percebemos uma banda que foca no Thrash clássico, mas está aberta a novas influências. Ambas as faixas são bem técnicas, agressivas e repletas de riffs marcantes, as construções lembram um pouco o Bywar, mas claramente o Deathgeist possui identidade própria.

O debut honônimo demonstra muito vigor e prima pela homogeneidade. Além das duas faixas pré-apresentadas, as ótimas “Thrash Metal Fire”, “Captured By Hell”, “Ghost Of Torture”, “Mass Holocaust”, “Where Evil Rules” e “Witching Spirit” merecem ser destacadas e em todas elas, o que podemos conferir é um Thrash Metal old school com uma pitada moderna que além de fazer toda a diferença, ainda evidencia que os integrantes não estão presos ao passado.


Inegavelmente, as comparações com o Bywar irão acontecer, e nem poderia ser de outra forma dada a importância da banda, porém o que temos de concreto é que o Brasil e o mundo ganharam um novo nome com enorme potencial e capacidade técnica. Indico muito este primeiro álbum do Deathgeist a todos os amantes de Thrash Metal, vale cada segundo do tempo investido.

Nota: 8,7

Formação:

Adriano Perfetto (vocal e guitarra)
Victor Regep (guitarra)
Goro (bateria)
Maurício Bertoni (baixo)

Faixas:

1.  Intro   
2.  Thrash Metal Fire   
3.  Day Of No Tomorrow   
4.  Captured By Hell   
5.  Ghost Of Torture   
6.  Death Razor   
7.  Mass Holocaust   
8.  Where Evil Rules   
9.  Witching Spirit

Redigido por Cristiano Ruiz​

Anvil​ - "Pounding The Pavement" (2018)

SPV/Steamhammer
Mundo Metal [ Lançamento ]


O primeiro critério ao analisar "Pounding The Pavement" é possuir o entendimento que Steve "Lips" Kudlow (guitarista, vocalista e líder da banda) não pretende se distanciar da sonoridade característica do Anvil e a cada novo registro do power trio, o que será apresentado é sempre aquele "mais do mesmo" imponente, competente e sem sustos.

O novo registro foi gravado nos estúdios Soundlodge (Alemanha) e o produtor escolhido foi Jörg Uken. O disco traz basicamente a continuidade do que foi mostrado no álbum anterior, o bom "Anvil Is Anvil" (2016), porém com um pouco mais de punch e inspiração. A produção ajuda bastante, já que se limita a fazer o básico em um trabalho como este, deixando o som limpo, mas com aquela "sujeira" necessária.

Obviamente não estamos diante de nenhuma obra fantástica ou capaz de ditar tendências, porém é nítido o esforço de Lips e cia em fazer as composições soarem tão old school quanto possível. Em diversos momentos, percebemos referências aos grandes clássicos dos primórdios, portanto, se você é fã de discos como "Metal On Metal", "Forged In Fire", "Strenght Of Steel" e até mesmo do debut "Hard 'N' Heavy", uma audição cuidadosa desta nova empreitada irá lhe soar extremamente agradável e nostálgica.


Algumas faixas são realmente boas e merecem menções, caso das excelentes "Nanook Of The North" e "Smash Your Face" (ambas arrastadas e com melodias extremamente fortes e cativantes), "Ego" (o primeiro single disponibilizado ainda em 2017) e as velozes "Black Smoke" e "Warning Up", esta última com um show da parte rítmica comandada pelo monstro Robb Reiner (bateria) e pelo baixista Chris Robertson.

Se você é um entusiasta da sonoridade básica, crua e sem frescuras que o Anvil executa muito bem há mais de três décadas, "Pounding The Pavement" não será nenhuma surpresa. Porém se você é um ouvinte de primeira viagem, esta talvez seja uma boa introdução ao trabalho desta grande representante do Metal oitentista.  

Recomendo!

Nota: 8

Integrantes:

Robb Reiner (bateria)
Steve "Lips" Kudlow (guitarra e vocal)
Chris Robertson (baixo)

Faixas:

01. Bitch In The Box 
02. Ego 
03. Doing What I Want 
04. Smash Your Face 
05. Pounding The Pavement 
06. Rock That Shit 
07. Let It Go 
08. Nanook Of The North 
09. Black Smoke 
10. World Of Tomorrow 
11. Warming Up 
12. Don´t Tell Me (bonus track)

Redigido por Fabio Reis

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