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Entrevista: Maestrick


Para quem não conhece a Maestrick, a banda executa um Prog Metal dos mais competentes, inclusive tendo uma resenha já feita pelo Mundo Metal sobre o seu primeiro álbum, o ótimo "Unpuzzle!". Leia clicando aqui.

À seguir, confira uma super entrevista que fizemos com o baterista Heitor Matos, em que ele nos conta um pouco sobre passado, presente e futuro da banda.

1 - Primeiramente, gostaria de parabenizá-los pelo trabalho de altíssima qualidade. Escutei o álbum "Unpuzzle!" e é um trabalho genial, eu não ouvia um álbum de Metal Progressivo tão bom há muito tempo.

Heitor Matos - É muito legal receber elogios desse tipo. Nós colocamos sempre o coração em primeiro lugar nas músicas do Maestrick e continuaremos assim. Agradecemos muito o elogio! 

2 - O disco foi lançado em 2011 e recebeu ótimas críticas. Estamos em 2016 e somente agora a banda apresentará um novo trabalho, o que ocasionou esse intervalo de 5 anos entre um lançamento e outro?

Heitor - Bom... Acho que o principal motivo é que, como não vivemos somente do Maestrick “ainda”, não dedicamos full time para a banda. Mas agora temos os dois vindouros que vai remediar esse hiato nas novidades do Maestrick. Nós estamos realmente muito felizes com os resultados, tivemos tempo pra pensar onde queríamos chegar e está sendo muito legal

3 - Vocês fizeram três apresentações bem marcantes num passado não muito distante, uma no festival Roça 'N' Roll em Varginha/MG, outra no ProgFest II em Lima, no Peru e recentemente no La Plata Prog Festival na Argentina. Quais as principais lembranças dessas datas? O que representou para a banda tocar nesses três grandes festivais? 

Heitor - Realmente, tocar nesses festivais com o primeiro álbum da banda foi incrível.
Tocar no Roça n’ Roll era um sonho já pra nós, praticamente todas as bandas brasileiras das quais nós ouvíamos quando pirralhos, tocaram no Roça.!


4 - Ainda este ano vocês lançaram um EP com versões de grandes clássicos e bandas que os influenciaram, em "The Trick Side Of Some Songs" temos versões de Queen, Yes, Jethro Tull, Beatles e etc. Estas são todas bandas clássicas de Rock, mas também vejo muito de Metal na musicalidade da Maestrick, quais as bandas de Metal que os influenciam? Digamos se fossem gravar um "The Trick Side Of Some Songs Part II" apenas com as influências de Heavy Metal, o que estaria no CD? 

Heitor - As influências do Maestrick são muitas, no Metal e adendos... Eu citaria Metallica, Helloween, Megadeth, Angra que é a banda que sempre tivemos orgulho de ter no Brasil. Tem bastante. Acho que pra escolher bandas pra fazer um segundo "TTSoSS" seria bem mais difícil que o primeiro! 
5 - A maioria das bandas que gravam álbuns de covers se limitam a tocar o mais próximo possível das músicas originais, mas vocês foram além, colocaram as suas características nas canções e as modificaram. O resultado foi fantástico! Esse processo foi natural ou vocês pensaram desde o início em fazer algo diferente? Por que?

Heitor - Acho que pra nós é natural, mesmo porque tentar reproduzir uma coisa que já gostamos da forma original, não faz sentido pro Maestrick. É claro que isso é uma opinião e não julgamos nenhuma forma de cover! O TTSoSS foi mais uma homenagem do que qualquer outra coisa.

6 - Ainda sobre "The Trick Side Of Some Songs", qual a motivação de ter lançado o EP, já que o novo álbum da banda deve ser apresentado também em 2016?

Heitor - A principal motivação foi a homenagem. Logo que fizemos a versão de Rainbow Eyes (Rainbow), pensamos em esticar um pouco mais o projeto e resultou no EP. As versões foram surgindo e fomos curtindo o resultado, de repente tava tudo formalizado e decidimos mixar e oficializar tudo! Foi um processo muito divertido essa composição do EP!

7 - O nome do novo disco será "Espresso Della Vita: Solare". O que os fãs podem esperar desse registro e musicalmente, quais as principais diferenças entre ele e "Unpuzzle!"?

Heitor - Esses dois discos foram resultado de uma época bem intensa do Maestrick. Posso adiantar que colocamos muito de nós mesmos dentro do contexto do álbum, mas nunca fugindo do contexto da banda. Musicalmente falando, nesse disco as pessoas vão ouvir onde queríamos chegar com relação a timbres principalmente. Eu sei que é clichê falar assim, mas o fato é que estamos realmente felizes com o resultado de tudo. O contexto por trás das letras é uma coisa muito diferente do “Unpuzzle!”, mas ainda sendo Maestrick. Nós testamos muito tudo, antes de aprovar as versões finais das músicas e isso foi bem legal. Bom, acho que falei demais! (risos) 

8 - A Maestrick segue como um power trio, porém o guitarrista Rubinho Silva gravou o EP "The Trick Side Of Some Songs" e acompanhou a banda em algumas apresentações. Ele será efetivado como membro da banda ou vocês estão a procura de um guitarrista fixo ainda? Para o novo álbum, quem é o responsável pelas guitarras?

Heitor - O Sr Rubens Silva é praticamente um membro da Família Maestrick, assim como temos as Backing Vocals que estão sempre conosco (Dani Castro e Carol Penhavel). São pessoas que sempre nos apoiaram e nos deram suporte em todos os aspectos. O Rubens tem os projetos dele e embora tenha sido cogitado para nos acompanhar nessa nova fase do Maestrick, por enquanto seguimos sem guitarrista.
Quem assumirá as guitas na gravação é o Sr Adair Daufembach, o que será uma honra pra nós também.

9 - Vocês participaram de um tributo ao inesquecível Ronnie James Dio este ano, gravaram a clássica "Rainbow Eyes" do Rainbow. Como aconteceu esse convite e como foi para a banda prestar esta homenagem a um dos músicos mais respeitados de todos os tempos?

Heitor - Como foi dito em uma resposta anterior, essa música foi o ponta pé inicial para nós decidirmos fazer o TTSoSS. O Fábio apresentou a ideia pra nós e abraçamos a causa como sempre. O Dio dispensa comentários... Foi um músico que contribuiu demais pra o que o Metal é hoje em dia. É o mínimo que dá pra fazer.


10 - Sobre a escolha da canção, algum motivo especial? 

Heitor - A música Rainbow Eyes é com orquestra e voz somente e isso nos deu certa liberdade de criar um arranjo em cima, porém foi um desafio também. 

11 - O Prog Metal é um estilo bem complexo e voltado para um público mais exigente. Grande parte das bandas do gênero acaba caindo no erro de fazer músicas altamente complexas e cheias de partes instrumentais infindáveis, algumas delas ganhando até mesmo taxações como "masturbação sonora". Isso não acontece com a Maestrick, pois apesar da técnica apurada e indiscutível que vocês possuem vocês nitidamente focam na música e a virtuose aparece apenas quando tem que aparecer, assim como a simplicidade. O que vocês pensam à respeito de bandas que colocam a técnica acima da música e qual o segredo de vocês para não cair nessa armadilha?

Heitor - É muito legal ouvir isso, muito obrigado de novo! Eu acho que o motivo principal de o Maestrick não trabalhar só pela técnica, é que admiramos e respeitamos uns aos outros, como pessoas também. E onde isso entra na música? O processo de criação do Maestrick tem uma energia muito boa, acreditamos que a energia é o ponto principal em tudo, e tendo essa Vibe positiva, nós fazemos as coisas realmente com o coração. Mas tem hora que dá umas escapadinhas pra mostrar algo do próprio instrumento. (risos)


12 - O cenário nacional vem demonstrando certo crescimento nos últimos anos, mas no meu conceito, ainda engatinha se comparado a cenas de países da Europa. Apesar de muitas bandas de extrema qualidade, o apoio continua sendo irrisório e os grupos precisam matar um leão por dia. Na opinião da Maestrick, quais as principais dificuldades encontradas para se fazer Metal no Brasil e o que poderia ser feito para que esse quadro pudesse mudar?

Heitor - Eu acho que vivemos em uma época que temos que mudar a cabeça. Temos que começar a ver uma banda como uma empresa, na qual fazemos música com o coração e todas as outras com a mente. Temos investimentos assim como em uma empresa, temos que ter um plano de ação e etc... É claro que isso é difícil de ser colocado em prática, porque estamos acostumados com a ideia de que banda será descoberta e tudo se resolverá. Realmente é difícil ver o que está acontecendo com o Rock no geral, mas reclamar só não trará a mudança.

13 - O Mundo Metal incentiva os músicos e bandas que realmente querem chegar a algum lugar e conquistar o seu espaço. Acreditamos em planejamento, foco e também em sonhos, portanto quase sempre repetimos essa pergunta nas nossas entrevistas. Quais os próximos objetivos do Maestrick? Qual o sonho, aquela situação que quando se tornar real, vocês vão poder dizer, "Chegamos onde queríamos"?

Heitor - Os próximos principais objetivos são: Primeiramente, continuarmos sempre convivendo como irmãos. Segundo, conseguirmos passar essa energia boa nesses dois próximos álbuns. Também citaria gravar um DVD, é um sonho do Maestrick e espero que esteja perto de se tornar realidade. Continuarmos crescendo como ser humano e como músicos, isso é muito importante também. Acho que pra falar “Chegamos onde queríamos” vai longe ainda, mesmo porque sempre estamos buscando algo novo. 

14 - Espaço aberto para que deixe um recado para fãs e amigos.

Heitor - Agradecemos imensamente a oportunidade de contar sobre o Maestrick. Foi uma excelente entrevista. Muito Obrigado. “Keep On Rock”.

Para maiores informações sobre a Maestrick, acesse os links abaixo:


por Fabio Reis

Entrevista: Hammerfall (Pontus Norgren)


O Hammerfall é hoje uma das maiores bandas de Heavy Metal em atividade e no próximo dia 3 de novembro, lançará o seu décimo álbum de estúdio, o aguardado "Built To Last". O redator Bruno Medeiros entrevistou o guitarrista Pontus Norgren e questionou o músico sobre diversos assuntos referentes ao passado, presente e futuro da banda. Confira a transcrição do bate papo na íntegra:

Bruno Medeiros: Bruno Medeiros do Mundo Metal aqui com o grande Pontus Norgren, guitarrista do Hammerfall. Como vai?

Pontus Norgren: Estou ótimo, obrigado!

Bruno: Vocês vão lançar um novo álbum em novembro, o aguardado Built to Last. Como esta a animação da banda em lançar esse primeiro registro com a Napalm Records?

Pontus: Na verdade, o contrato com a Nuclear Blast estava encerrado, por assim dizer, então nós realmente precisávamos melhorar e elevar o Hammerfall ao próximo nível, por isso começamos a procurar novas gravadoras e a Napalm apareceu com idéias e emoções parecidas com as nossas, e pareceu certo fechar com eles. Temos sempre que estar com as idéias alinhadas.

Bruno: O Hammerfall tem um novo lyric video para a faixa “The Sacred Vow”, que tem aquela vibração particular do Hammerfall, dos refrões épicos àquela atmosfera para cantar com os punhos no ar. A letra da música também faz referência a canções clássicas da banda como “Heeding the Call” e “Steel Meets Steel”. Como vem sendo a recepção dessa faixa até o momento pelos fãs e mídia?

Pontus: Tenho que dizer cara, eu estou mais ou menos surpreso com a recepção. Nós nunca tinhamos lançado um lyric video antes do (r)Evolution, e a Napalm disse ‘é assim que queremos fazer, porque hoje em dia é comum e bem recepcionado fazer lyric videos’, então nós concordamos. Tinhamos acabado de finalizar a produção do álbum então em nossa cabeça pensavamos no álbum como um todo. Quando a música foi lançada recebemos muitos elogios como ‘cara, isso é muito Hammerfall!’, ‘é exatamente o que o Hammerfall tem que fazer’, ‘é enérgico, refrescante’; cara, isso te deixa muito feliz, te acalenta o coração, então tivemos ótimas reações até agora.


Bruno: Eu tenho ouvido o Built to Last durante os últimos dias e notei que vocês estão apostando de novo no som mais clássico do Hammerfall, com bastante ‘oh-oh’s’ e faixas épicas. A música “Bring It!”, por exemplo, me lembrou um pouco do que o Grave Digger esta acostumado a fazer, principalmente nas linhas de guitarra, e “Hammer High” tem aquela pegada mais Warlord. Isso é algo que vocês pensam antes de escrever as músicas ou isso vêm naturalmente durante o processo de criação por terem influências no metal tradicional?

Pontus: Sim, sim. Todo o período de criação do álbum é tipo, bom, nós não sentamos ali, criamos 25 músicas e escolhemos entre elas, não. Nesse álbum especificamente tivemos basicamente o Joacim (Cans) e o Oscar (Dronjak) escrevendo as músicas. Infelizmente meu pai faleceu durante o período que estávamos escrevendo as letras, então não pude fazer parte do processo como fiz com o (r)Evolution. Então o Oscar veio com algumas idéias pra mim, me mostrou e eu adorei. É como eu disse: não são 25 músicas criadas e escolhidas dessa pilha, são músicas que vêm naturalmente e organicamente em estúdio. As melodias estão lá, então depois começamos a criar as linhas de guitarra e tudo o mais, e trabalhamos ao redor disso. Depois procuramos o feeling das linhas vocais, e tudo se encaixa. É um ótimo processo, e conseguimos resgatar aquela vibração dos álbums anteriores, antes do Infected, e depois do Infected acabamos tirando aquele tempo pra pensar. Nesse tempo nós pensamos e tiramos tudo o que era ruim e deixamos apenas o que é bom pra nós, e então começamos a criar as linhas pro (r)Evolution, mantendo o que tinhamos arranjado em termos de atmosfera para o Built to Last. Vimos o que deu certo e replicamos nesse álbum, desde a energia, o poder…e cara, nós estamos na meia idade, com 40 e tantos anos, e temos muita sorte em conseguir acender essa faísca de novo, ter aquele feeling de quando éramos moleques. Nós estamos muito felizes com isso, e eu espero que seja contagiante para os fãs.


Bruno: Falando um pouco mais do processo de criação das músicas, você teve um papel proeminente no (r)Evolution, escrevendo as letras para as faixas “Bushido”, “Tainted Metal” e “Wildfire”, que são bem diferentes entre si nos arranjos e etc. Como foi sua participação dessa vez na criação de conteúdo para o Built to Last?

Pontus: Tive uma participação mais singela nesse álbum, como disse, muito por conta do falecimento de meu pai. A parte boa é que trabalho muito como produtor e engenheiro de som; trabalhei no álbum ao vivo do Vicious Rumors e com algumas bandas aqui na Suécia, e fiz algo para o King Diamond, então as coisas ficam mais fáceis pra mim nesse quesito. O Oscar criou as bases e melodias das guitarras e eu acabei vendo – do meu ponto de vista como produtor – as melhores maneiras de executar e gravar, preenchendo as lacunas e tal, e o Joacim acabava criando as partes de vocais. Mas não fiz parte dessa vez do processo de criação do zero, sabe? Apenas contribui para terminar a construção das faixas.

Bruno: Você é membro do Hammerfall desde 2008 e já gravou 4 álbums com a banda (incluindo Built to Last). Como foi e como vem sendo a experiência nesses anos, fazer parte de uma das maiores bandas de heavy metal hoje em dia?

Pontus: Ah sim. Antes de entrar na banda, abri alguns shows para o Hammerfall com meu outro grupo, o The Poodles, e comecei a me dar muito bem na época com o Joacim e os outros. Conhecia o Anders Johansson (ex-baterista do Hammerfall) há muito tempo, nós temos uma amizade desde os anos 1980, então sempre conversávamos. Falamos nesse tempo sobre as músicas e tal, e quando me chamaram pra cobrir o Stefan (Elmgren), que queria se tornar um piloto de avião, eu pensei: ‘uau, ok. Isso é grande, isso vai ser grande.’ Eu nunca tinha cogitado isso, obviamente, e então do nada estava com os caras, tendo que fazer shows em festivais para 80.000 pessoas. E ai pensei: ‘ok, agora eu tenho que ir lá e me apresentar, tocar bem e substituir bem o Stefan’. Como disse ali, na minha idade, com mais de 40 anos, ter a chance de subir no palco e destruir, ser um rockstar, por assim dizer, é uma bênção. É muito trabalho, mas amo cada minuto.


Bruno: Substituir o Stefan Elmgren com certeza não é tarefa fácil, especialmente porque ele era um favorito dos fãs, mas você tem feito um ótimo trabalho desde o primeiro dia. Conte pra nós como foi o processo de adaptação ao entrar na banda, fazer amizade com os caras e como foi a recepção dos fãs nos álbums que você participou e nas performances ao vivo.

Pontus: Cara, tenho que dizer, eles me aceitaram como um membro da família muito rápido. Claro que, nas redes sociais e tal as pessoas reclamaram e eu entendo isso, porque as pessoas sentem falta do Stefan, obviamente. Ele teve o sonho rock ‘n’ roll dele por 10 anos, e aí decidiu seguir outro sonho rock ‘n’ roll que era o de ser um piloto. Algumas pessoas não entenderam isso, mas era o que ele queria; não queria mais fazer música, sabe? Ele tinha um papel importante no Hammerfall e algumas pessoas foram bem mal-educadas comigo, mas eu não ligo muito pra isso. Ele até retornou pra nos ajudar na turnê do (r)Evolution quando o Fredrik (Larsson, baixista) teve que voltar pra casa por causa dos filhos dele. O Stefan tocou baixo e nós alternamos os instrumentos durante o show, o que foi muito legal. Mas cara, agora eu sou parte do Hammerfall. Claro, eu ainda sou o novato (risos)! Mas eu entendo os fãs, de verdade. Todos tiveram o Stefan como um ídolo durante 10 anos e aí do nada ele desaparece e venho eu (risos). Mas faz parte, é parte do processo. Veja o Axl Rose com o AC/DC: ele teve que substituir um grande ícone, mas não estava lá pra apagar o anterior, e sim pra ajudar, apenas isso. E foi o que o Stefan fez comigo, ele chegou e basicamente disse: ‘pega aqui esse machado e use-o pelos próximos 10, 20 anos’.


Bruno: Gostaria de falar um pouco sobre o álbum Infected agora. Nele, a banda tentou uma abordagem diferente em vários aspectos, desde a aura mais densa e som mais sombrio à falta do mascote Hector na capa do álbum, mas voltou atrás com (r)Evolution. Qual foi a intenção principal com Infected e, na sua opinião, o que deu e o que não deu certo com o trabalho?

Pontus: O Infected é um dos meus álbums favoritos em termos de músicas individuais. Mas é como eu disse antes: havia algo de errado com as coisas na época. Nós passamos por dois managers diferentes num espaço muito curto de tempo, foi muito tenso. Procurávamos algo que sabíamos que já estava na banda, mas não conseguíamos encontrar, sabe? E isso fez a impressão de todo o álbum, transpareceu no trabalho. Se você ouvir o Infected vai ver claramente que, sim, existem músicas mais sombrias. Acho que isso pairava no ar à época, era algo contagioso, não de alguem especificamente tentando nos derrubar, mas de um conjunto de fatores e pessoas que tornaram a atmosfera assim. Um karma ruim, que infectou a banda. Então acho que o título do álbum foi bem propício, porque nós fomos contagiados por isso e pegamos essa ‘doença’ que não sabiamos que tinhamos, por assim dizer. Foi por isso que decidimos descansar um tempo separados após o álbum, pra purificar tudo de ruim e deixar apenas o bom. Falamos: ‘não vamos fazer nada relacionado ao Hammerfall durante um ano’, e cada um foi pro seu lado. Oscar escreveu um livro, Joacim fez alguns musicais, eu sai em turnês com outras bandas como engenheiro de som e o Fredrik ficou com sua outra banda. E então depois desse tempo nos reunimos e conversamos, e aí a faísca apareceu de novo, porque tinhamos limpado tudo de ruim e deixado isso pra trás. Agora íamos fazer o que queriamos, e não o que os outros demandavam, e isso se traduziu no (r)Evolution. Eu acho que os fãs sabiam que algo estava infectado também, e quando voltamos, voltamos mais fortes que nunca. Pra falar a verdade, nós não sabiamos se íamos voltar ou não, mas ainda bem que voltamos.


Bruno: Então vocês estavam pensando em voltar ao som mais tradicional depois do Infected ou voltaram atrás por conta de pedidos dos fãs?

Pontus: Tudo voltou naturalmente. Quando a faísca que falei, as músicas mais up-tempo, as apresentações animadas e a alegria de fazer música voltaram, o (r)Evolution se escreveu sozinho, pra falar a verdade. Pensamos em termos de produção e management e decidimos que tinha de ser simples, natural: ‘vamos deixar rolar, deixar as músicas limpas’, e conseguimos fazer isso no (r)Evolution. E agora, com o Built to Last, consolidamos essa idéia e elevamos ao próximo nível, mantendo essa energia. Aquele feeling de ter uma coisa de volta, isso é ótimo cara. Voltamos a ser adolescentes com isso.

Bruno: O Hammerfall tem uma turnê chegando em 2017 com o nome “Built to Tour”, com datas no continente europeu. Conte-nos sobre o que esperar desses shows que estão por vir e se há algum plano de fazer uma turnê mundial depois da Europa:

Pontus: Sim. No momento não temos nada oficial, mas o plano é tocar nessas datas da Europa, depois talvez na América do Sul, mais alguns outros países, e depois voltamos pra casa. Depois disso vamos tentar alguns festivais de verão na Europa, claro, e logo entramos em 2018. Vai ser um ano muito cheio. 

Bruno: Podemos espera-los no Brasil para a próxima turnê então, ótimo! Para concluir, poderia descrever o som do Built to Last em apenas uma frase?

Pontus: Ele vai chutar você na cara. 

Bruno: ahahahaha, ótimo! Gostaria de agradecê-lo, em nome do Mundo Metal, por tomar um pouco de tempo para falar conosco. Boa sorte com a turnê e o álbum, e continuem o ótimo trabalho!

Pontus: Obrigado, você também!

Entrevista: Woslom


Mantendo a tradição de sempre revelar nomes de respeito no Thrash Metal, o Brasil nos últimos anos apresentou um grande número de bandas no estilo, bandas ótimas e capazes de se destacar mesmo com as excelentes revelações internacionais. Certamente o Woslom é um dos melhores grupos desta safra e em 2016, chega ao seu terceiro trabalho de estúdio, um disco excepcional e com condições de ser equiparado a qualquer lançamento do gênero no ano.

"A Near Life Experience" consolida a banda como uma das principais do país e apresenta composições com alto grau técnico e criativo. Conheça um pouco mais sobre a trajetória do grupo através desta entrevista feita pelo redator Fabio Reis para o nosso blog.

Boa Leitura!


1 - Primeiramente, gostaria de registrar o meu apreço pela sonoridade de vocês, na minha opinião, uma das melhores bandas de Thrash Metal da atualidade e com uma discografia absolutamente perfeita até o momento, parabéns! 

Minha primeira pergunta é referente a distância entre o ano que marca o início das atividades do grupo, 1997, e o lançamento do primeiro álbum, 2010. Quais os fatores que impediram o Woslom de lançar seu álbum de estréia mais cedo?

Fernando: Obrigado pelas palavras. Bem, nós costumamos dizer que a banda iniciou-se mesmo em 2010 quando realmente decidimos fazer algo mais sério e sólido. Em 97 éramos apenas colegas de escola, eu (Fernando Oster) e o Chico (Francisco Stanich). Tivemos muitas mudanças de formação ao longo dos anos. Quando resolvemos realmente gravar o primeiro álbum, decidimos em manter o nome pois era um nome único criado por nós lá no passado. Então respondendo a sua pergunta, quem impediu de lançarmos o primeiro álbum antes fomos nós mesmos.

2 - "Time to Rise" (2010) foi muito bem recebido pela crítica e três anos depois, vocês lançaram "Evolustruction"(2013), outro disco muito elogiado. A banda acaba de lançar "A Near Life Experience"(2016) e novamente sobram ressalvas positivas ao trabalho executado. Como vocês se sentem vendo os álbuns de vocês sendo tão elogiados pela crítica?

Rafael: No Brasil, as dificuldades para se conseguir as coisas são imensas, então tudo é feito com muito esforço e dedicação. Anos de estudo em música e aprimoramento de nossos instrumentos são investidos para tentarmos proporcionar sempre o melhor. É um amor verdadeiro que temos pelo Heavy Metal, e termos esse retorno positivo do público e da mídia especializada sobre nossos discos nos honra demais. Agradecemos muito esse carinho e esperamos nos manter firmes nessa longa jornada em busca pelo melhor.


3 - "A Near Life Experience" é certamente um dos grandes discos do ano. Conte-nos um pouco sobre o processo de composição do álbum.

Rafael: Geralmente sou eu quem traz o embrião da canção (riffs e as idéias de harmonias sobre versos e refrões), pois os caras confiam bastante em mim para essa função. Posteriormente, filtramos as melhores idéias e trabalhamos na pré-produção. É legal dizer que as letras e temas são compostos por último no processo, mas nesse terceiro álbum, muita coisa surgiu antes e tivemos uma participação muito forte de todos, o que na minha opinião nos deu o melhor álbum até o momento.

4 - Percebo que a divulgação do novo trabalho tem sido bem forte e intensa. Vocês são assessorados pela Metal Media e o disco foi lançado pela Shinigami Records. Qual a importância desses dois nomes no notório crescimento da banda?

Fernando: A Metal Media está conosco desde o inicio, no lançamento do Time to Rise, já é uma parceria de longa data. Nós temos a nossa forma de trabalho e ela se encaixa perfeitamente na forma como a Assessoria trabalha também. Já a Shinigami veio agora no ultimo trabalho. Os dois primeiros nós optamos por um lançamento totalmente independente, porém nunca conseguimos dar foco em uma distribuição no território brasileiro. Então nós buscamos a Shinigami para fazer essa parte que nós não conseguíamos fazer direito. E tanto pra nós quanto pra eles tem sido muito bom.

5 - O Woslom fez três turnês européias e uma sul americana, qual o saldo que tiraram dessas excursões? Como sentem a recepção ao som de vocês e ao das bandas brasileiras internacionalmente?

Fernando: A nossa proposta sempre foi tocar o máximo possível, somos uma banda de palco e estrada, nós queremos levar nosso som aonde for possível e interagir diretamente com a cena. E claro, quanto mais ativo você for, mais coisas acontecem pra você, então sempre que for possível nós vamos excursionar por ai. O Brasil é muito respeitado lá fora e isso é devido ao Sepultura sem dúvidas. Então os headbangers acabam se interessando muito por conhecer bandas brasileiras pois sabem que aqui existe uma grande cena e um amor incondicional ao metal. E claro, o brasileiro por si só já é muito bem recebido em qualquer lugar e isso acaba sendo algo muito legal por onde nós passamos.


6 - É notória a dificuldade que as bandas brasileiras enfrentam e apesar de perceber uma melhora nos últimos anos, ainda está muito longe do ideal. Qual a maior dificuldade que vocês encontram no nosso underground hoje e quais os fatores que podem apontar como os que impedem um grupo de crescer?

Rafael: A dificuldade hoje para as bandas na minha visão se baseia nas novas tendências surgindo e não sabermos o que fazer quanto a isso. Formatos clássicos como apresentações ao vivo passam por mudanças com o aumento gritante de pessoas com acesso a internet na palma de suas mãos, e isso se torna um grande desafio para artistas independentes. Penso que prosperar nesse meio seja fruto de trabalho constante, planejamento e organização interna.

7 - Quais as bandas que mais influenciaram a sonoridade do Woslom?

Silvano: Com certeza todas as bandas de Thrash da Bay Area, como Metallica, Slayer, Megadeth, Testament, Exodus, Death Angel etc. Esses nomes influenciaram diretamente no som do Woslom, pois são bandas que temos o apreço em comum. Sem falar no Thrash Alemão, na nova geração do Thrash e também indiretamente as influências pessoais, como Motörhead, Iron Maiden, Mercyful Fate, entre muitas outras.


8 - Nos dois primeiros álbuns, vocês gravaram alguns vídeo clipes (ótimos por sinal), neste novo disco disponibilizaram duas faixas no canal oficial do Youtube, "Underwold Of Agression" e "Lords Of  War", existe a intenção de gravar um vídeo? Por que?

Silvano: Sim, inclusive estamos trabalhando nisso e muito em breve será lançado! Adianto que neste clipe traremos algumas imagens da nossa última turnê na Europa, com isso esperamos compartilhar as experiências que estávamos vivenciando em outros países. Por sermos uma banda underground, acreditamos que a maior forma para atingirmos o público, é divulgando nosso trabalho na internet. Sendo assim é essencial que tenhamos o vídeo clipe como mais uma ferramenta de divulgação.




9 - Como o Woslom enxerga a questão dos downloads e streamings? Realmente prejudica ou pode ser usado como um mecanismo de divulgação, o grupo está adaptado a essa “nova” realidade?

André: Nossa opinião sobre downloads é saber que hoje em dia é uma forma muito utilizada por essa nova geração, temos que estar sempre atualizados e disponibilizar todo tipo de material para divulgação sem julgar a maneira utilizada. Na verdade não nos prejudica, pelo contrário, cada vez mais pessoas conhecem nosso trabalho e isso é ótimo.

10 - Recentemente vocês fizeram alguns shows importantes, foram destaque no projeto Rock na Praça e tocaram ao lado do Angelus Apatrida em São Paulo. Conte-nos um pouco sobre estes momentos.

Silvano: O Rock na Praça foi uma iniciativa do Fabrício Ravelli, que faz com que esse evento cresça cada vez mais e traga o público para prestigiar ótimas bandas, com uma ótima estrutura e o melhor, de graça. Ele está ajudando para que a cidade tenha cada vez mais eventos como este e enraíze a cultura do Rock e Metal em São Paulo. O Rock na Praça foi um show marcante, pois tocamos para um público enorme na frente da galeria do rock, lugar mais do que especial para todo headbanger e tivemos uma ótima recepção. O show do Angelus Apatrida foi excelente, pois abrimos para uma banda da nova geração do Thrash, que gostamos demais. E agora em Setembro tocaremos no Maximus Festival que promete muito!!!

11 - Uma curiosidade minha, de onde vem e o que significa o nome Woslom? 

André: Woslom vem de um som que foi ouvido num ritual de iniciação. Ops não podemos falar sobre isso, risos.

12 - Espaço livre para que deixem um recado aos amigos e fãs.André: Gostaríamos de agradecer à todos amigos que tem nos ajudado. Se você conhece alguém que nunca ouviu o Woslom, ou nunca foi à algum concerto nosso, nos ajude apresentando nosso material. Obrigado a você Fabio Reis pelo espaço cedido para essa entrevista e por todo suporte. Esperamos encontrar todos vocês por aí!


O Woslom hoje é formado por:

Silvano Aguilera (vocal e guitarra)
Rafa Iak (guitarra)
Andre Mellado (baixo)
Fernando Oster (bateria)

Conheça algumas das mais marcantes composições pertencentes aos registros anteriores:









por Fabio Reis

Entrevista: Vítor Rodrigues (Voodoopriest)


Algumas bandas nascem para se tornar grandes e alguns músicos, parecem ter o estigma de realizar grandes trabalhos não importando quem os cerca. O Voodoopriest é uma dessas bandas que desde sua formação, parece predestinada a se tornar um grande nome da cena e Vítor Rodrigues, o vocalista do grupo, seja em sua ex-banda, o Torture Squad, ou a frente do Voodoopriest, nunca apresentou nada que não fosse de extrema qualidade.

Após mais de vinte anos de carreira, diversos álbuns gravados e uma trajetória pra lá de consistente, Vítor é um dos nomes mais respeitados do Metal nacional e continua sendo um poço de humildade e simpatia. O Mundo Metal realizou uma entrevista muito bacana com o vocalista e ela pode ser conferida a seguir.

Boa Leitura!

1 - Vítor, é uma honra para o Mundo Metal fazer esta entrevista, você é uma das grandes figuras do Metal nacional e é um cara super humilde, talentoso e com diversas histórias vividas ao longo dos anos. Sei que já deve ter respondido isso milhares de vezes, mas a primeira pergunta é sobre sua saída do Torture Squad, o que te motivou a deixar a banda e como foi tomar esta decisão?

Muito obrigado pela oportunidade em fazer essa entrevista e pelas palavras. Bom, essa pergunta com certeza foi aquela que mais respondi (risos), mas não tem problema nenhum porque faz parte da minha história. O motivo era fazer algo novo mas não sabia que seria tão rápido assim. Meu plano era dar um tempo, mesmo porque tinha perdido a minha mãe na época e isso de certa forma deu um baque grande na minha vida. Foi difícil, mas por um outro lado vejo que os fãs de metal ganharam duas bandas da pesada!


2 - Conte-nos como o Voodoopriest foi montado. A banda conta com grandes e experientes músicos da cena, como se juntaram e chegaram a decisão de formar um novo grupo?

Após centenas de mensagens maravilhosas por parte dos fãs, tanto nas redes sociais como no meu e-mail, isso me motivou muito a iniciar o processo de seleção de músicos para o meu projeto. Fiz várias listas e cheguei ao Covero e Renato De Luccas nas guitarras, Bruno Pompeo no baixo e Edu Nicolini na bateria. Com o passar do tempo, o comprometimento dos músicos foi crucial ao ponto do projeto dar lugar à banda Voodoopriest.


3 - A aceitação ao Voodoopriest foi muito grande e apenas com um EP e um álbum lançados, a banda já é considerada uma das grandes representantes do Metal nacional. Como é para você começar de novo, ter que percorrer todo o caminho novamente e como se sente em relação a esta ótima aceitação?

Em relação à ótima aceitação fico imensamente grato. A base de fãs que adquiri nos vinte anos de Torture Squad permaneceu fiel ao meu trabalho e sou eternamente agradecido por isso. Não é fácil recomeçar e trazer à luz uma nova banda mas existe algo da gente, e que eu agora entendo completamente, é que apesar das adversidades temos que continuar e acreditar sempre.



4 - O álbum "Mandu" foi com toda a certeza um dos melhores trabalhos lançados em 2014. O disco é conceitual e conta a história de um herói indígena, conte-nos um pouco sobre o conceito de "Mandu" e como chegaram a ele.

Quando estava iniciando minha pesquisa sobre qual tema seria abordado no nosso primeiro álbum, me deparei com uma resenha detalhada do jornalista piauiense Pedro Laurentino Reis Pereira falando sobre o livro Mandu Ladinoi de Anfrísio Lobão Castelo. Quando comecei a ler senti que daria uma ótima letra mas ao final dela percebi que daria um ótimo conceitual. Infelizmente não dispunha de muitas informações sobre o herói indígena porque as duas edições do livro não existia mais, e portanto comecei a montar a história de Mandu com as informações que eu tinha. Ou seja, foram muitas idas à biblioteca e montando a história como se fosse m quebra-cabeça. Foi desafiador mas o resultado final traduz a enorme satisfação que tenho desse disco. Sobre Mandu, ele foi um sobrevivente do massacre de sua tribo, os Aranis. Foi levado para um aldeamento jesuíta onde aprendeu latim, português, história e dessa forma ele pôde compreender as intenções do invasor branco. Ótimo estrategista, Mandu conseguiu deter o avanço dessas milícias por sete anos causando grandes problemas para a Coroa Portuguesa. Traído pelos índios Ibiapavas, Mandu foi alvejado com um tiro enquanto tentava salvar sua tribo. Caiu no rio e nunca mais seu corpo foi encontrado. Na parte instrumental já tínhamos algumas prontas e enquanto criávamos mais músicas fui adicionando as letras.


5 - Pretendem manter essa linha de álbuns conceituais futuramente ou não será uma regra?

É difícil de dizer porque vale muito do momento, da vibe. Mas, a priori, estenderemos um pouco mais o tema indígena que é riquíssimo com histórias fantásticas que ainda precisam ser contadas.


6 - Vocês lançaram todas as faixas de "Mandu" em formato de lyric vídeos e disponibilizaram no canal oficial da banda no Youtube. Assisti a todos os vídeos e achei a iniciativa sensacional, de quem partiu essa idéia e qual a intenção?

Valeu! Bom, a ideia dos lyrics vídeos foi de todos, mas o formato que foi apresentado foi do baixista Bruno Pompeo. Ele conhece aquele locutor que faz narrações de filmes e isso deu um lance bem legal nos vídeos. Como o álbum Mandu é conceitual, então foi natural a ideia de fazê-lo como se fosse capítulos de um filme. Aliás, uma curiosidade, na época da criação das músicas do álbum, rolou uma notícia de que o ator Paulo Betti estava seriamente interessado em fazer um filme baseado no índio guerreiro Mandu Ladino.


7 - Dois anos se passaram desde o lançamento de "Mandu", como anda o processo criativo do Voodoopriest, já trabalham idéias para novas músicas ou ainda é cedo?

O processo criativo é constante. Temos muitas ideias para o álbum novo e estamos sempre trocando ideias pelo e-mail. Não vejo a hora de entrar no estúdio para gravarmos o sucessor do álbum Mandu.



8 - Vítor, como uma pessoa que vive o underground diariamente, como você analisa a cena nacional hoje?

Bom, a cena existe e é forte. Você pode perceber que há shows e bandas fazendo seus discos, mas precisamos de uma renovação do público. Hoje temos uma geração voltada para a internet que vive atrás das telas dos computadores e celulares e não estão vivenciando esse universo. O underground brasileiro é forte, mas às vezes me pergunto onde estão aqueles fãs que lotam os festivais como o Monsters of Rock e demais shows internacionais. As bandas estão aí, os promotores de shows também, cabe agora ao público fazer a parte dele que é ir e prestigiar as bandas undergrounds.


9 - O Voodoopriest hoje faz parte do Levante do Metal Nativo juntamente com grandes nomes como Armahda, Arandu Arakuaa, Cangaço, Hate Embrace e outras. Conte-nos o que vem a ser o Levante e qual a sua importância para o Metal nacional.

O Levante do Metal Nativo nasceu da espontaneidade. A coisa foi se formando naturalmente. Quando lançamos o álbum Mandu, mantive contato com o Zândhio, guitarrista do Arandu Arakuaa e trocamos muitas ideias, ao mesmo tempo o Tato da banda Aclla entrou em contato comigo dizendo sobre o futuro disco deles, Pindorama, falaria sobre a chegada dos portugueses à terra de Pindorama, nome do Brasil em Tupi-Guarani, e ele também mantinha contato com o Zândhio e com o pessoal do Armahda, banda que faz um Power metal fantástico, à La Blind Guardian. Acrescentamos mais bandas que versam sobre a cultura indígena e história do Brasil e daí surgiu o Levante do Metal Nativo. A importância nós só saberemos com certeza no futuro, porém o Levante continua ativo e forte mesmo com a saída do Arandu Arakuaa por motivos particulares.


10 - Você é um dos músicos de maior experiência no Metal, quais os momentos que considera o ápice de sua carreira e o que Vítor Rodrigues ainda espera conquistar?

Existem muitos ápices que considero em minha carreira: A vitória no Wacken em 2007; subir e cantar Roots Bloody Roots com o Max Cavalera num festival na República Tcheca; e excursionar com o Overkill e Exodus em 2008. Todas foram muito especiais pra mim e guardo com muito carinho. Agora com o Voodoopriest quero continuar com um trabalho competente e arrojado para que eu tenha em breve mais momentos como estes que descrevi.



11 - Qual a dica que Vítor Rodrigues dá as bandas que estão começando agora?

Primeiro de tudo você tem que se perguntar se é isso que você quer fazer da sua vida. Se a resposta é sim então acredite até o fim. Não esmoreça nunca. Trabalhe muito e aprenda novas habilidades. Ler muito. Aprender inglês. Cuidar do corpo se exercitando. Por que tudo isso? Veja bem, para o pessoal que quer escrever e cantar em inglês, e que visa o mercado internacional, é de suma importância que aprenda a falar e a escrever corretamente. Dessa forma você conseguirá se comunicar perfeitamente com o público e torna sua apresentação mais profissional. Ler é outra dica importante porque gera conteúdo, e para a criação das letras é vital. Por fim, cuidar do corpo é uma necessidade, é a sua máquina, e com ela funcionando perfeitamente bem teremos energia para encarar viagens de uma cidade à outra, ensaios, shows em péssimas condições, enfim, invista em você e no seu talento.


12 - Muito obrigado pela entrevista e conte sempre com o Mundo Metal, espaço aberto para que deixe uma mensagem a amigos e fãs.

Caro Fabio Reis e amigos do site Mundo Metal, quero desejar a todos muita saúde e alegrias. Nós somos privilegiados por gostar de um estilo musical que nos alimenta com boa música. Não deixem a peteca cair. Vá aos shows e prestigiem as bandas nacionais. Precisamos muito do seu apoio para continuarmos criando música. Gratidão imensa por esse apoio. Vamos voodoozar!!!


Se você ainda não conhece o Voodoopriest, porém gosta de Metal extremo de qualidade, não perca mais tempo e faça a audição do álbum de estréia "Mandu", no canal oficial da banda. Link abaixo:


por Fabio Reis

Entrevista: Armahda


Não é novidade alguma que o Brasil revela excelentes nomes em praticamente todos os subgêneros do Metal, porém alguns são realmente diferenciados e logo que começamos a nos aprofundar um pouco em suas histórias, músicas, ideais e na maneira profissional com que apresentam seus trabalhos, é motivo de grande orgulho.

Uma das bandas que mais chamaram a atenção nos últimos anos foi a Armahda, uma banda nascida em 2011, com uma proposta musical bem definida e das mais interessantes. As influências músicas são muitas e o resultado é excepcional. O grupo lançou em 2013 o seu álbum de estréia denominado apenas "Armahda" e o Mundo Metal fez uma entrevista das mais legais com os integrantes da banda. Os assuntos tratados foram dos mais diversificados possíveis e você pode conferir tudo isso agora. 

Boa Leitura!



1. Primeiramente, uma honra entrevista-los! Quando escutei o álbum, fiz questão de adquirir o CD físico, primeiro pela qualidade sonora e segundo, por que acredito que falta no Brasil bandas de Metal que possuam conteúdo lírico e não apenas som. Gostaria de saber como este projeto foi criado, qual a motivação em mesclar o Heavy Metal com a cultura brasileira e fatos históricos de nosso país?

Maurício Guimarães: Muito obrigado pelo apoio! Ficamos felizes por ter escolhido comprar o álbum, pois é um jeito de realmente ajudar as bandas independentes. 
O Brasil, por muito tempo, ridicularizou a própria história e muitas escolas, por algum motivo, deixaram a história do Brasil e do Novo Mundo em segundo plano. A literatura é vasta e existem muitos trabalhos históricos e livros bem feitos, que nos estimularam a transformar o tema em música. Logicamente, fomos influenciados pelas grandes bandas de metal, que também fizeram músicas sobre acontecimentos históricos e a cultura de seus países de origem. Optamos por abordar temas interessantes e episódios importantes, unido a trabalho de pesquisa séria. Temos muitos temas para abordar.   

Renato Domingos: Também sabiamos que algumas bandas brasileiras já haviam escrito sobre nosso folclore, mas pouco era escrito sobre a nossa História.

2. As letras são uma parte importantíssima da música, porém muitos headbangers não dão a mínima para o que está sendo cantado. Qual a opinião da Armahda com relação a esse tipo de atitude?

Paulo Chopps: Eu acho que não existe alguém que ignore COMPLETAMENTE as letras, não todas, pelo menos. Quando se gosta bastante de uma música, é meio natural procurar saber pelo menos do que se trata. Não que vá querer ler e traduzir tudo né, mas pelo menos saber “ah, tal música fala sobe tal coisa, legal, assunto interessante”. Mas nossa proposta é justamente essa, já deixar claro que falamos exclusivamente sobre História do Brasil, indígena, colônia, império e república. Não vejo problemas em quem se preocupa apenas com a sonoridade, afinal somos fãs de heavy metal também, logo, queremos fazer uma música soar boa tanto quanto músicas que gostamos, temos algumas claras influências em nossas músicas, também é uma parte importante que nos preocupamos muito, mas acredito que a maioria dos fãs que adquirimos, nos conheceram e gostaram do nosso som por causa da temática mesmo, tão pouco explorada no rock / metal brasileiro. 

João Pires: acho que é uma parada cultural, por ser em outro idioma, nem sempre a gente para pra reparar nas letras ou vai atrás do que significam. Acho, também, que por ser um estilo mais técnico, às vezes o instrumental chama mais a atenção de quem curte o som do que o recado que tá sendo passado ali. Não dá pra recriminar ninguém que não preste atenção. Mas o Armahda valoriza muito o conteúdo da música, até por ser parte intrínseca da nossa proposta. Então nossas letras são feitas para serem lidas e a gente torce para que as pessoas leiam, absorvam, aprendam, discutam e, claro, cantem com a gente. 

3. No debut auto intitulado do grupo, todas as composições foram gravadas e compostas por apenas dois integrantes, Maurício Guimarães e Renato Domingos. Como aconteceram estas gravações? Apenas dois músicos gravando todos os instrumentos e conseguindo um resultado surpreendente como este é algo bem inusitado, conte-nos um pouco sobre este processo.

Maurício Guimarães: Gravei todas as vozes. Eu e o Renato gravamos todas as guitarras, violões e baixos, e o Rafael Zeferino, do estúdio Audio Fusion Bureau gravou a bateria, mixou e masterizou.  

Renato Domingos: Costumo dizer que tudo aconteceu de maneira despretensiosa. Começou com a ideia de registrar ideias antigas que se transformaria numa demo, que foi se transformando num EP e que no final de tudo acabou se transformando num álbum completo.    

João Pires: Alguns dos sons já existiam há anos, com detalhes diferentes de execução. Foi muito legal ver o resultado no CD. Foi isso que me animou a voltar à tocar metal com o Maurício e o Renato. Outra coisa que é legal de falar é o seguinte: com a banda formada, começamos a dar uns toques especiais aos sons. Por isso nossas versões ao vivo tem detalhes diferentes das versões do estúdio e sempre ouvimos elogios por isso.


4. Hoje o Armahda é uma banda de fato, com cinco integrantes fixos. Como chegaram a estes nomes e quais eram os pré requisitos para fazer parte da banda?

Maurício Guimarães: Eu e o Renato chamamos nossos amigos e estamos juntos nesse barco! Ale Dantas, João Pires, Paulo Chopps já ouviam música boa desde moleques e também já tiveram a experiência de tocar em bandas de música própria. O Jonis participou comigo do início das composições próprias, muito tempo atrás, mesmo na época em que eu não sabia compor.  

João Pires: Eu conheci o doidão do Maurício quando eu ainda estava no colégio. Convidamos ele pra tocar numa banda de covers. Tinha Helloween, Maiden, Gamma Ray. A banda acabou, mas continuei com ele, ainda com covers, mas ele já tinha começado a compor músicas próprias. Um belo dia, procurando guitarristas, entra no estúdio um cara que parecia ter saído do Senhor dos Anéis. E quando começou a tocar, pô, sabia todos os solos e bases dos covers que a gente tocava. Tocou pra cacete. Era o Renato. Daí eu saio da história, acabei focando na faculdade, no trabalho e etc. Mas trocávamos e-mails de vez em quando, Maurício sempre me chamando pra acompanhar a produção das músicas. Até o dia em que ele foi lá em casa e me entregou o CD pronto em mãos e falou que me queria na banda. Ouvi, reconheci nossas musicas antigas, adorei as novas, não tive como dizer não.

Ale Dantas: Apesar da banda ser relativamente recente, a amizade entre nós existe há muito tempo. Nossas antigas bandas nos ajudaram a amadurecer e fortalecer essa união conhecida como Armahda!!!!!!

5. O álbum de estreia do grupo foi considerado um dos grandes lançamentos de 2013, a qualidade é inegável e o material recebeu excelentes críticas na mídia especializada, vocês esperavam esta recepção? Como foi para os músicos, ver o disco sendo recebido desta maneira?

Renato Domingos: Foi muito gratificante para nós receber críticas positivas quando começamos a lançar as músicas como lyric-video no youtube e também iTunes, Spotify, nos motivando a lançar o álbum no formato físico em seguida.
Isso tudo ajudou a divulgar a banda bastante. Logo em seguida participamos do Programa Heavy Nation na rádio UOL, fomos matéria da Folha de S.Paulo e nosso nome foi indicado culminando na abertura do primeiro show da banda suéca Sabaton no Brasil.
Vale lembrar que esse foi o show de estreia do Armahda, no dia 7 de setembro de 2014. 

João Pires: eu não esperava não. Mas sempre achei o Maurício e o Renato uns caras com muito bom gosto pra compor. Então foi surpresa, sim, mas uma surpresa que eu achei merecida.

Ale Dantas: Sinceramente!? Não! Quando se trata de música, é muito complicado imaginar o rumo que as coisas vão levar. Temos inúmeros casos de bandas consagradas que lançaram ótimas músicas, mas que não tiveram resultado expressivo. Por outro lado, temos situações em não damos muito atenção e determinada música se torna viral. Mas são esses paradoxos que fazem valer o desafio!!!!
É obvio que todos nós nos importamos com o resultado, mas no nosso caso a enfase é  fazer o que gostamos. O resultado sempre será a cereja do bolo.

6. Em dezembro de 2015, a banda lançou um novo single, “The Last Farewell”, uma canção que presta uma homenagem a Dom Pedro II, conte-nos um pouco sobre o conceito da composição.

Maurício Guimarães: A expulsão da família imperial do Brasil foi um episódio histórico e também um tema pouco divulgado desde o surgimento da república. Criamos uma canção triste, lenta, e conseguimos entrevistar pessoas que sofreram consequências diretas do episódio: os descendentes da família imperial. Com este contato, recebemos a doação de um livro que, junto a outros estudos de renome, foi consultado para o embasamento histórico das letras. 

João Pires: Foi minha primeira gravação com o Armahda. Foi muito legal. E a parceria com o Rafa, nosso produtor, foi fundamental pra alcançar o resultado que a gente queria.


7. Mesmo o CD sendo lançado fisicamente, todas as composições da banda tem sido disponibilizadas para audição no Youtube através de belíssimos lyric vídeos. Qual a intenção do grupo com esta atitude, já que muitos acreditam que esse tipo de atitude acaba desmotivando a compra do material físico?

Renato Domingos: Temos como tema a História do Brasil, nada melhor que divulgar as músicas num formato que prioriza as letras, por isso os lyric-videos.

Paulo: Não são todas as músicas. Existem duas músicas no disco que não estão no Youtube, What Could Never Be e Pathfinder, mas mesmo assim, é uma das melhores maneiras de divulgar o trabalho. Afeta sim a venda de CDs mas, se não divulgarmos, como as pessoas nos conhecerão? Tem os dois lados da moeda, porque muitos não compram mesmo e ficam escutando pela internet, mas muitos fazem questão de comprar, porque além de gostarem de ter o material físico na mão, sabem que isso ajuda incrivelmente uma banda independente a continuar trabalhando né. Porém, a divulgação, mostrar nosso som por aí, é imprescindível.

João Pires: Acho que pra uma banda do nosso porte, ainda conquistando público e espaço, a venda de CDs não faz tanta diferença no caixa. A gente vende CDs de mão em mão, na raça, e esse lucro é logo reinvestido na banda. Então, pra nós, vale muito mais ter visibilidade, deixar nossos sons acessíveis para quem quer ouvir e, aí sim, com esses números, provar pra produtores, gravadoras, rádios e etc que, que temos um trabalho relevante e que está sendo consumido por metaleiros de todo o Brasil. E fora também!

Ale: O mundo mudou. Não existe mais aquela grande gravadora dos anos 80 que transformavam da noite para o dia pessoas comuns em celebridades. O CD ainda tem a sua importância, mas as mídias digitais acabam tendo um alcance maior. 
No final das contas, o mais gratificante é ser reconhecido e por isso, convido todos vocês para os nossos shows.


8. Existe uma previsão de lançamento para um novo álbum? Como anda o processo de criação para novas músicas?

Maurício Guimarães: Estamos trabalhando em novas músicas e está indo muito bem, com a participação de todos e com o objetivo de criar um novo álbum melhor que o primeiro.

Paulo: Fizemos um monte de previsões, mas as coisas são sempre mais complicadas do que a gente imagina. Então não sabemos quando, mas pretendemos em breve, o quanto antes. Queremos ter certeza de fazer um bom trabalho, então priorizamos a qualidade das músicas acima da velocidade de gravá-las. O que podemos garantir é que teremos algumas novidades ainda esse ano.

João Pires: a previsão é o quanto antes, conforme nossos calendários permitirem. E sim, já estamos trabalhando em material novo. Modestia à parte: está do caralho. 

9. A Armahda participou de grandes festivais como o Metal Land, dividindo o palco com bandas renomadas do Metal nacional como Sepultura, Krisiun e Claustrofobia, também fizeram a abertura de shows internacionais de nomes como o Sabaton e Vicious Rumors. Como foram essas experiências?

Paulo: Não poderiam ter sido melhores. Todos esses shows foram importantes, estávamos mostrando a cara lá, nos fazendo conhecer, ganhando novos fãs, vendendo nosso merchandising. Mas o que nos deixa realmente felizes é que estamos tocando. É o que gostamos: subir num palco e agitar a galera que está assistindo. E acho que nenhuma experiência vai se comparar ao nosso primeiro show, em 7 de setembro de 2014, na abertura do show do Sabaton. Fomos convidados a tocar pela própria banda, muitos dos que assistiram já nos conheciam, cantaram as músicas e gritaram o nome da banda antes do show começar, e muitos outros acabaram virando fãs depois de nos assistir. Isso foi experiência única, logo no primeiro show, no dia da independência do Brasil, tocar numa casa onde várias bandas que admiramos já tocaram, pra quase mil pessoas, e a galera ainda gritar "Armahda, Armahda, Armahda” antes de subirmos no palco. Não poderíamos começar de maneira melhor, isso é algo que nos surpreendeu demais e significa muito pra gente. Vamos lembrar desse dia pra sempre.

João Pires: Eu achei f***. Tocar ao lado desses caras que são parte da história do Metal nacional é uma honra. Mesmo que em palcos diferentes, deu pra mostrar nosso som pra uma galera que não conhecia e acompanhar ali dos bastidores o show de uns monstros. Ver de perto o Max Kolesne tocando naquela velô, é uma aula de batera de metal. 

Ale: Foram experiências maravilhosas. Lembro que durante as primeiras sessões de ensaio, o Renato lançou a noticia que a estreia seria com o Sabaton. Ao mesmo tempo fiquei feliz, apreensivo e ansioso. Nunca tínhamos tocado essas músicas ao vivo e não sabíamos como seriamos aceitos, mesmo porque geralmente o público não dá muita bola para a banda de abertura. Para a nossa surpresa, aconteceu tudo isso que o Paulo comentou.
Pouco tempo depois vem uma nova notícia! Vicious Rumors!  Poxa!!!!!Entao quer dizer que vou tocar com a banda que o Vinnie Moore fez seu primeiro registro?!?!?!?!?!?! ...e quando eu menos esperava, estava ao lado de uma das bandas que fizeram parte da minha adolescência.
Metal Land?!?!?! Outro momento memorável na trajetoria do Armahda. Tocar em festivais assim é muito gratificante pois além possibilitar a troca de experiência com bandas que estão na estrada há muito tempo, permite que o Armahda leve seu trabalho para novos horizontes.


10. Recentemente, foi criado um movimento interessantíssimo dentro da cena Metal brasileira, o Levante do Metal Nativo. A Armahda faz parte deste movimento ao lado de nomes como Voodoopriest, Arandu Arakuaa, Hate Embrace e outras, conte-nos um pouco sobre o que vem a ser o Levante e qual o seu conceito.

Maurício Guimarães: O Levante do Metal Nativo é a reunião das bandas de conteúdo diretamente relacionado à história e cultura do Brasil que topam divulgar seus trabalhos de modo coletivo. Hoje são 7 bandas espalhadas pelo Brasil. É muito bom ter contato com outros músicos de outros estados, o que permite uma confraternização, troca saudável de ideias, organização de eventos para divulgação dos sons e dos temas. O Vodoopriest e Aclla, de São Paulo, nós já conhecíamos, mas quando fui pro RJ, conheci o pessoal do Tamuya Thrash Tribe no estúdio e em shows e foi muito divertido. Eles me mostraram a cena metal da região, umas prévias do novo álbum (muito bom!) e demos boas risadas. Espero encontrar pessoalmente o pessoal do norte e nordeste também. Daí ficará mais fácil organizarmos outros shows do Levante do Metal Nativo (já rolou um em São Paulo, com Armahda, Tamuya Thrash Tribe e Vodoopriest). 
Espero que esse movimento cresça e se espalhe para a América Latina e o resto do mundo. Desejo que seja um movimento que facilite a vida de quem pretende conhecer um determinado país. Essa pessoa, procurando algumas bandas do Levante do Metal Nativo, poderá confiar que o conteúdo cultural e histórico será uma referência séria para conhecer o país através da música pesada. Afinal, todo o metaleiro ou metaleira, quando visita alguma nova região, certamente vai procurar a comunidade do metal pesado desse lugar, pois é como uma tribo.

11. Como a banda enxerga a cena nacional atualmente e quais os principais fatores que impedem o Metal brasileiro de se tornar grande como deveria?

João Pires: como consumidor, acho que os preços de shows são mais caros do que deveriam. Ir a todos os shows que dá vontade é inviável. E, nessa conta acho que as bandas nacionais saem perdendo, já que a galera prefere gastar com shows das bandas internacionais. O que é até compreensível. Mas também uma pena porque tem muita banda boa aqui. Então acho que a gente precisa fortalecer a cena pra cativar mais público. Felizmente tem rolado umas iniciativas legais nesse sentido como o Rock na Praça, Rock na Porta, Virada Cultural com mais bandas de Metal e por aí vai. Espero que essas iniciativas aumentem. 

Maurício Guimarães: O país está em crise e os preços de eventos internacionais estão muito caros. Se o público não comparecer nem aos eventos de metal nacional que estão com preços justos, teremos que nos reinventar. 

Ale : Apesar do movimento ter crescido, o metal nacional é algo que nunca foi popular. Nao quero fazer aquele discurso de vitima, mas gostaria de chamar a atenção das pessoas para olhar com mais carinho os trabalhos desenvolvidos aqui na nossa terra. Tem muita coisa boa que, as vezes por mero preconceito, acabam ficando de lado.

Renato Domingos: Vejo que hoje temos uma diversidade enorme de bandas e estilos. A tecnologia também ajuda as produções independentes e a divulgação. Abram os olhos e os ouvidos.


12. Espaço aberto para que a banda deixe um recado para seus amigos e fãs.

Paulo: Primeiramente, agradecer aos fãs que sempre nos dão muito apoio e um carinho incondicional. Não temos tantos fãs assim, mas esses poucos nos apoiam com tudo o que tem. São fãs de verdade e nos deixam muito felizes por isso e, se não fossem por eles, não chegaríamos até aqui. E em segundo, um pedido para que apoiem a cena de heavy metal nacional. Existem centenas de bandas sensacionais que precisam de reconhecimento e só nós que gostamos de boa música pesada podemos ajudar a fazer com que isso se espalhe cada vez mais. Valorizar o que é nacional.  A qualidade do nosso metal não está nada atrás das bandas internacionais, porém não temos tanto apoio, e é isso que precisa mudar. Só depende dos fãs.

João Pires: O Armahda é uma banda que se preocupa muito com a qualidade dos shows. A gente ensaia bastante e tá sempre tentando trazer umas novidades pra cima do palco. Então, galera, venham nos shows! É a parte mais divertida do rolê metal!  

Ale: Agradeço o apoio que temos recebido e convido a todos para os nossos próximos shows!!!!! Prometemos novidades.

Maurício Guimarães: Obrigado, amigos e amigas, pelo apoio. Muito obrigado mesmo! Venham nos shows, pois é diversão garantida. Só apóiem o metal nacional se o movimento merecer.

Renato Domingos: Obrigado a todos que direta ou indiretamente apreciam nosso trabalho. Mantenham o metal nacional e a nossa História vivos.

Para quem não conhece a sonoridade da banda, mas se interessou pela proposta, abaixo seguem alguns links de composições que integram o disco de estréia "Armahda" (2013).

Boa audição:









Muito obrigado a banda Armahda pela grande entrevista. Sucesso e contem sempre com o Mundo Metal !

por Fabio Reis

Entrevista: Maverick


A Maverick para quem ainda não conhece, é simplesmente uma das maiores revelações do Metal nacional. Diretamente da cidade de São José do Rio Pardo, o grupo literalmente invadiu a cena com o lançamento de seu primeiro álbum de estúdio, o fantástico "The Motor Becomes My Voice". 

A banda vem conseguindo ótimas avaliações a respeito de seu Thrash/Groove Metal e o vocalista e guitarrista Gabriel Sernaglia, conversou com o Mundo Metal, sem papas na língua e abordando diversos temas relevantes não apenas para a Maverick, mas para todo o cenário do Metal brasileiro.

Confira:

Gabriel, primeiramente é uma grande honra fazer essa entrevista com você, desde a primeira vez que escutei o som da Maverick através do programa Roadie Metal, sabia que vocês iam longe e acredito que não me enganei, a banda tem conseguido se estabelecer na competitiva cena brasileira e isso é só o começo. 


1 - Vocês lançaram o álbum “The Motor Becomes My Voice” em 2015 e esse disco proporcionou uma resposta surpreendente pra banda. Qual a sensação de ver um sonho se tornando real e ver tanta gente escutando a música da Maverick?

Gabriel: Grande Fabio Reis, primeiro de tudo, agradeço muito pelo interesse no nosso ‘trampo’ e parabenizo pelo trabalho sensacional que você vem desenvolvendo na Mundo Metal e na Assessoria Roadie Metal ao lado do Gleison, saiba que a honra é toda nossa, mestre!
É incrível sabe, a gente só passa a acreditar realmente nos sonhos quando eles começam a se realizar, é claro que em todo o processo de gravação a expectativa permaneceu sempre ali, mas sinceramente o resultado tem sido muito maior do que eu esperava. É como se você criasse um filho para ser médico e ele tivesse conseguido entrar na graduação de medicina nesse momento (risos). 

2 - O registro entrou em diversas listas de melhores lançamentos de 2015. Entraram na lista da Roadie Crew, na do Mundo Metal e inclusive, foram ranqueados internacionalmente, conte-nos um pouco sobre essas "premiações". Qual o grande portal que incluiu a Maverick em seu ranking, qual a posição e o que isso representou pra vocês?

Gabriel: Foi tudo extremamente surpreendente, bem surreal mesmo, até o momento, as resenhas haviam sido muito positivas, mas não tínhamos idéia dessa proporção, algo que achamos muito legal que rolou nas listas nacionais, é que fomos citados em listas tanto de especialistas, no caso da lista de vocês (Mundo Metal) e da Arena Metal, quanto pelo publico, caso da revista Roadie Crew, que foi uma lista segundo a votação dos leitores, o que torna a abrangência e o significado maravilhoso. No caso da lista internacional, foi o portal Headbangers Latinoamerica que desenvolveu uma lista com os 200 melhores lançamentos da America Latina de 2015, um fato engraçado que rolou nesse episódio, foi que recebemos uma mensagem do pessoal do site, a qual dizia que estávamos participando da votação, para pedirmos votos pra galera e tudo mais. O nosso pensamento foi o seguinte “América Latina?? Cara, não vamos nem pedir votos pra não passar vergonha (risos)”.
Quando saiu o resultado e percebemos que estávamos na 25ª posição da America Latina toda, foi um puta susto, foi emocionante de verdade... Chegamos a cogitar que pudesse ter sido erro de algum estagiário do site (risos).

3 - Com um primeiro álbum bem sucedido, a pressão aumenta para o lançamento do segundo. O que podemos esperar do sucessor de “The Motor Becomes My Voice”?

Gabriel: Acredito que a palavra seja evolução, tanto individual quanto coletiva, “The Motor Becomes My Voice” mostrou a nossa voz, o sucessor tem a obrigação de gritar mais alto, esperamos conseguir.


4 - É notória as influências de Sepultura e principalmente de Pantera nas composições do disco, quais as outras referências da banda e como trabalham tais influências para que não soe algo forçado ou mesmo uma mera cópia?

Gabriel: 
O processo de composição no nosso caso rola com muita naturalidade, nós nem chegamos a discutir qual área do metal iríamos tentar nos encaixar, nos juntamos, construímos esses sons e gravamos, acredito que o resultado soou exatamente como Maverick sabe? Quando você se da essa liberdade de criação, o resultado naturalmente é algo original, é claro que algumas das influências se destacam mais que as outras, talvez até por serem mais conhecidas, algumas resenhas citaram Machine Head como semelhança, e apesar de gostarmos muito, quase não ouvimos MH saca? O legal é que deixamos para a imprensa especializada nos classificar, pois sinceramente não tínhamos idéia de onde nos encaixar... No fim a maioria nos definiu como Thrash/Groove.  

5 - "Upsidown" é a primeira canção do trabalho logo depois da Intro "V-8", ela é também o primeiro single do disco e ganhou um lyric video. Por que a escolha de "Upsidown"?

Gabriel: A decisão foi unânime, a intenção era chegar na voadora e com os dois pés no peito saca? (risos) “Upsidown” já começa sem firula e com força, era essa a primeira impressão que queríamos passar.

6 - Vocês estão tocando bastante pelo underground e fizeram alguns shows importantes. Abriram pro Soulfly e pro Krisiun, dois grandes nomes do Metal nacional, qual a sensação de tocar com nomes que influenciaram diretamente na sonoridade da banda?

Gabriel: A sensação é incrível, os sonhos são sempre algo que vão sendo construídos por etapas, pessoalmente, tocar junto com o Max Cavalera, que é o meu maior ídolo, foi a realização de um desses sonhos, principalmente com o Soulfly, que podemos dizer seguramente que está entre as nossas 3 maiores influências, agora sobre o Krisiun... Quem não quer dividir o palco com uma das maiores e bem sucedidas bandas de Death Metal do planeta, foi uma honra que não cabe no peito!  


7 - Pessoalmente, qual a visão de Gabriel Sernaglia sobre o underground brasileiro? O que precisa melhorar e qual o principal fator que está impedindo que o nosso Metal se torne realmente grande?


Gabriel: Olha, se eu pudesse mudar algo, eu mudaria a UNIÃO e VALORIZAÇÃO...  A união sincera é muito rara, chega a ser quase nula, principalmente entre as bandas que parecem estar em uma competição constante umas com as outras. Enxergam as novidades das outras bandas como ameaça ou sei lá o que... Outras porque tocam determinado estilo já se sentem superiores indubitavelmente, mais true saca? Isso entre as bandas, mas acredito que com o publico a realidade não fuja muito disso. Uma cultura que já é tão escassa no nosso país como a “headbanger”, ser subdividida e fragmentada como tal, é certamente um grande erro.
A questão da valorização fala por si, e se você não se valorizar, ninguém vai... a grande maioria NÃO se valoriza, muitos cobram da cena a questão de apoiar o metal nacional, o que eu não deixo de concordar, mas a maneira como cobram enxergo como errada, compartilham nas redes sociais aqueles dizeres em forma de síndrome de vira-lata:“Paga 400 reais pra ver banda gringa e não paga 10 reais pra ver o amigo tocar”, primeiro que a simbologia aí já está errada, ninguém tem que pagar pra ver o amigo tocar, tem que pagar pra ouvir a banda tocar, e não por estar fazendo um favor pro amigo e sim porque é bom, já começa mendigando algo que naturalmente deveria ser valorizado, inclusive sugerindo um valor que não compra nem um Kinder Ovo hoje em dia. Mas acredito que seja um reflexo da postura das próprias bandas, mas seria algo que renderia um debate muito mais aprofundado.

8 - Vocês lançaram “The Motor Becomes My Voice” através de um grande selo nacional, a Shinigami Records, no que isso facilitou o trabalho de divulgação e inserção do nome Maverick na cena?

Gabriel: 
A Shinigami Records literalmente “Caiu do céu” para nós, de início, entramos em contato com eles em busca de um serviço que eles oferecem de “Assessoria de Prensagem”, onde eles cuidam de toda a parte burocrática da prensagem do disco, mas nada além disso. Quando enviei a master pra eles, o William que é o proprietário ouviu o álbum, gostou muito e nos ofereceu a oportunidade de ter o nosso debut lançado pela Shinigami Records, que acredito eu, foi o primeiro grande passo para nós, pois já acompanhávamos os lançamentos da gravadora e sabíamos do grande alcance que o trabalho deles proporcionaria. Grande gravadora, é uma honra muito grande trabalhar com eles.

9 - Ouvindo o álbum, fica evidente a qualidade da banda, mas um fator que me chamou a atenção é o pouco uso de solos de guitarra. Por que essa ausência? Nas próximas composições manterão esse formato, ou irão adicionar mais solos?

Gabriel: Essa pergunta é muito legal, e sempre nos fazem. Como já citado anteriormente, os sons foram surgindo naturalmente, acredito que acabamos reproduzindo a nossa personalidade musical com a mistura que são nossas influências. Na questão dos solos, tanto eu quanto o Caio (antigo guitarrista) tínhamos a característica de guitarristas “Riffeiros” e quisemos explorar ao máximo essa questão e nos apoiar em algo que tínhamos maior domínio e concretude, naquele momento não sentimos uma real necessidade de introduzir muitos solos, queríamos realmente que os destaques fossem os riffs groovados. Para as próximas composições pretendemos seguir a mesma estrutura, porém torná-la mais complexa. Para isso temos dois fatores que vão influenciar muito nessa complexidade, o fato da experiência no estúdio que até então, não tínhamos sequer entrado em um antes de gravarmos,  vamos com certeza buscar uma pré-produção, e o outro fator é a entrada do Cesar na guitarra, que é um guitarrista muito virtuoso e de perfil completamente diferente do meu, ele já é mais voltado para a questão dos solos e as primeiras experiências de novas composições tem sido muito legais, a galera que curte solos, dessa vez pode esperar por muitos, e com o mesmo groove de sempre.


10 - Sei que um momento muito especial pra banda, foi a apresentação no Roça N' Roll com grandes nomes da cena. Conte-nos sobre esse show (este dia) em específico.


Gabriel: Roça ‘N Roll foi insano! Entramos no cast do evento através da “Rinha de bandas” que é uma parte onde a organização dá espaço para as bandas autorais se inscreverem através de uma ficha de inscrição e envio de material. E com muita honra, dentre centenas de inscrições, fomos uma das 5 bandas selecionadas para integrar o cast do evento. Uma organização que trata igualmente tanto bandas que estão começando agora, quanto lendas da cena nacional e internacional merece o nosso respeito, e foi o que aconteceu no Roça, ao andar pelo backstage, hora você encontrava com o Amilcar e a galera do Torture Squad, depois conversava com o Mao (Garotos Podres), via o Aquiles Priester se aquecendo, o próprio Bruno Maia (organizador/Tuatha de Dannam) os caras do Amorphis (Finlândia)... sabe, e nós ali... juntos, como atração no mesmo evento.
O show soou como reflexo de tudo isso, tocamos por volta das 18:30h no palco principal, a galera respondeu da melhor forma possível a uma banda que a maioria dos presentes não conhecia, até então posso considerar com certeza o nosso melhor show, nunca vamos esquecer a galera gritando nosso nome e moendo nos moshs durante toda a apresentação, foi sensacional. É a oportunidade e o tratamento que faz toda a diferença na carreira de uma banda que está começando.  

11 - Acredito muito em planejamento e foco. Por isso gosto sempre de perguntar quais os próximos objetivos e passos que planejam dar. Gostaria de saber também, qual o sonho da Maverick, aquela situação que quando se tornar real, Gabriel Sernaglia vai poder dizer, "Cheguei onde queria".

Gabriel: Os objetivos são muitos, mas basicamente giram em torno da produção do próximo álbum, pretendemos nos focar totalmente a ele e extrair o nosso melhor, temos um videoclipe quase pronto e queremos gravar outros também, esperamos usar tudo o que aprendemos ao longo desse processo a nosso favor e tentar melhorar em todos os aspectos que pecamos e evoluir nos que acertamos.
Olha, eu gosto de ir vivendo e sonhando dia após dia, pode parecer muito pouco, mas eu nunca sequer pensei que conseguiria gravar um álbum e tão menos que ele fosse destacado como foi, e menos ainda que eu o tocaria nos lugares que toquei e com quem toquei, então de cabeça erguida posso dizer que já cheguei além de onde eu esperava...  Deixo o “querer” para todos os lugares que ainda não pensei chegar. Eu já estou no lucro! 

12 - Espaço aberto para que deixe um recado para fãs e amigos.

Gabriel: Aos leitores e aos nossos amigos, acreditem sempre em vocês e no que nasce no quintal de casa também, o Metal nacional é muito promissor, mas precisa de cada um de vocês, se valorizem e valorizem, diga não as panelas, as competições entre bandas, as comparações desnecessárias, não façam da verdade de vocês a verdade de sites de “metal-fofoca” ou de “youtubers sabe tudo”, procure, conheça, forme a sua própria opinião, às vezes a retórica convence, mas ela não é necessariamente verdadeira.
Acenda dentro de vocês o espírito de rebeldia e questionamento do Rock’nRoll outra vez, unam-se. Juntos tenho certeza que seremos sempre mais fortes.

UNIÃO e HUMILDADE sempre!

Confira a sonoridade forte e competente da Maverick, fazendo a audição de "The Motor Becomes My Voice" na íntegra:


por Fabio Reis

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