Mostrando postagens com marcador Omen. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Omen. Mostrar todas as postagens

Discos trintões: Omen - “The Curse” (1986)


Com o lançamento de “The curse”, a clássica banda Omen viria a finalizar uma das mais belas trincas de álbuns de toda a história do Heavy Metal, em seu terceiro disco a banda conseguiu entregar um trabalho a altura dos antecessores “Battle Cry” (1984) e “Warning Of Danger” (1985).

Mais uma vez ficava provado que existia Heavy Metal de qualidade fora da Inglaterra e também, que nem só de Thrash Metal vivia a terra do Tio Sam.  

“The curse” é composto de 10 faixas, sendo duas delas instrumentais (“S.R.B.” e “The Larch”), num total de pouco mais de 45 minutos de audição, o disco consegue conquistar os apreciadores de Heavy Metal tradicional e também os fãs de Power Metal.

O destaque individual sem sombra de dúvidas vai para o vocalista J.D. Kimball,  com certeza um dos melhores vocalistas do Metal norte-americano, sua voz inconfundível e muito potente se encaixa perfeitamente na proposta temática do grupo.

Diferente da maioria das bandas do N.W.O.B.H.M. (New Wave of British Heavy Metal), os californianos do Omen contavam “apenas” com um guitarrista, só que esse cara era Kenny Powell, conhecido por ter feito parte  do Savage Grace e um riffmaker de primeira. O forte de Kenny são além dos riffs grudentos, os belos, precisos e rápidos solos, na faixa instrumental “S.R.B.” o senhor Powell demonstra toda sua técnica e pode-se considerar como o ponto alto da sua participação individual no disco.

Mas para Kenny e principalmente Kimball brilharem era preciso uma dupla entrosada na “cozinha”, Jody Henry responsável pelo baixo e Steve Wittig o dono das baquetas entregam um trabalho bem coeso e eficiente.

Destaco as faixas “Holy Martyr”, a clássica “Teeth Of The Hydra” e também a já mencionada “S.R.B.”, que apesar de não contar com a voz de Kimball, ainda assim possui um dos melhores riffs de toda discografia do Omen e também demonstra de forma bem contundente, a qualidade dos integrantes como conjunto.

“The curse” não atingiu o sucesso comercial, assim como todos os outros álbuns da banda, mas é um disco a se destacar entre os ótimos lançamentos de 1986, para quem não conhece é uma ótima oportunidade de escutar e descobrir um trabalho épico, marcante e essencial.


Integrantes:

J.D. Kimball (vocal)
Kenny Powell (guitarra)
Jody Henry (baixo)
Steve Wittig (bateria)

Faixas:

 1 - The Curse
 2 - Kill on Sight
 3 - Holy Martyr
 4 - Eye of the Storm
 5 - S.R.B. (instrumental)
 6 - Teeth of the Hydra
 7 - At all Cost
 8 - Destiny
 9 - Bounty Hunter
10 - The Larch (instrumental)

por Vitor Hugo Quatroque

Lançamento: Omen - "Hammer Damage" (2016)


Eis um álbum difícil de analisar!

Primeiramente devo lembrar aos amigos que o Omen da atualidade é uma banda bem diferente daquela que nos encantou na década de 80. Citando somente a perda de J.D. Kimball, falecido em 2003 (R.I.P.), já temos um motivo palpável que impediria qualquer  tentativa de chegar próximo da sonoridade alcançada em discos como "Battle Cry" (1984)  e "Warning Of Danger" (1985).

O vocalista era dono de um timbre absurdamente original e após a sua saída, o grupo nunca mais foi o mesmo. Somente em 2003, com o álbum "Eternal Black Dawn", o Omen demonstrou que ainda poderia apresentar discos interessantes e que talvez, tivesse  ainda alguma lenha pra queimar.

O grande problema é que depois do registro de 2003, nada mais foi lançado e apenas em 2012 (quase dez anos depois), começaram alguns rumores sobre um possível novo trabalho. Quatro anos de especulações se passaram  até que "Hammer Damage" foi finalmente apresentado de forma oficial. A formação atual é basicamente a mesma de "Eternal Black Dawn", havendo apenas a substituição do baterista Rick Murray por Steve Wittig.

Tendo em vista que a banda vinha se apresentando regularmente ao vivo e os integrantes são os mesmos que gravaram o último disco do grupo, era praticamente certo que teríamos um álbum no mínimo do mesmo patamar correto? Errado!

"Hammer Damage" é um trabalho medíocre e vamos entender o por que disto.


É de conhecimento geral que uma produção bem feita é um fator primordial para que qualquer álbum se torne no mínimo audível. Da mesma forma que ótimas produções salvaram trabalhos medianos do fracasso total, o contrário também acontece e com mais frequência do que se pensa.

O que torna "Hammer Damage" medíocre como descrito acima, vai muito além de uma banda sem criatividade ou sem competência, mas esbarra em uma produção horrorosa, daquelas que fazem uma banda renomada parecer um grupo de adolescentes que mal tocam seus instrumentos e estão gravando a sua primeira demo tape.

O trabalho feito neste álbum é um exemplo claro de como não se deve produzir um disco de Heavy Metal. A bateria soa como se fosse eletrônica e Steve Wittig parece não ter sequer adentrado nos estúdios de gravação, as guitarras estão abafadas e sem punch, o baixo é quase inaudível e estes nem são os piores problemas. O maior erro foi com relação aos vocais de Kevin Goocher, pois se o cara não tivesse gravado "Eternal Black Dawn" e estivesse sendo apresentado em "Hammer Damage", a impressão que teríamos é que o Omen contratou um vocalista sem a menor condição de ocupar o posto, tamanho é o baixo nível dos vocais e a inexistência de uma produção, masterização e mixagem no mínimo decente.

Com todos estes problemas, as composições em si foram prejudicadas a um ponto em que fica praticamente impossível analisar o trabalho criativo da banda e com exceção de alguns raros momentos em que algumas faixas são tão boas, que mesmo com essa sonoridade amadora, ainda conseguimos perceber um pequeno resquício do velho Omen, "Hammer Damage" é totalmente descartável e nem deveria ter sido lançado.

É decepcionante ver um nome tão bem quisto no underground, após décadas de carreira lançar um disco tão pobre como este. É claro que esse revés não apagará o passado da banda e seus clássicos continuarão sendo tratados da forma que merecem, porém que fique a lição, lançar um trabalho apenas por lançar e sem executar todos os passos necessários, sempre resultará em registros medíocres.

Obs: a faixa a seguir está com uma produção MUITO acima da composição do álbum, pois foi disponibilizada em 2015 e depois disso, o álbum foi totalmente remodelado.




Integrantes:

Kevin Goocher (vocal)
Kenny Powell (guitarra)
Andy Haas (baixo)
Steve Wittig (bateria)

Faixas:

1. Hammer Damage 
2. Chaco Canyon   
3. Cry Havoc 
4. Eulogy For A Warrior 
5. Knights  
6. Hellas  
7. Caligula  
8. Era Of Crisis  
9. A.F.U. 

por Fabio Reis

Omen - "Battle Cry" (1984)



Para quem ouve o termo Power Metal e logo pensa em bandas extremamente melosas, repletas de composições que transbordam alegria e felicidade, cheias de corinhos marcantes, teclados em abundância e músicos virtuosos, certamente não conhece a cena estadunidense da década de 80. 

As bandas pertencentes ao underground norte americano em meados de 1984, geralmente faziam parte da cena Glam que aflorava, da Thrash que crescia de forma espantosa, principalmente na região da Bay Area de São Francisco, ou eram conhecidas por integrarem o chamado US Metal, que nada mais é que a resposta do Tio Sam ao movimento britânico NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal). 

Tais nomes pertentes ao US Metal, são justamente classificados como bandas de Power Metal, porém aqui, o estilo é apresentado de maneira mais encorpada e que nada se assemelha ao gênero que despontou alguns anos mais tarde na Europa.

Em meio a este cenário, um grupo californiano formado em 1983, despontou lançando uma sequência invejável de ótimos álbuns. Seu nome era Omen e quando o mítico "Battle Cry" (1984) foi apresentado, a banda era formada pelos músicos Kenny Powell (ex-Savage Grace) nas guitarras, Jody Henry no baixo, Steve Wittig na bateria e o saudoso J.D. Kimball (falecido em 2003) nos vocais.

Para quem é um amante do Metal, mas foca a sua atenção apenas nos nomes mais conhecidos e pertencentes ao mainstream, deve estar se perguntando "Que diabos é este disco que eu nunca ouvi falar?". Já os "estudiosos" do estilo, que acompanham os trabalhos lançados no underground e conhecem a verdadeira obra prima que é "Battle Cry", sabem bem o quanto este disco é primoroso e merecedor de cada elogio que será pontuado nesta resenha.



A primeira menção é com relação aos vocais de Kimball, dono de uma voz rasgada, mas que ao mesmo tempo soa bastante melodiosa. O vocalista apresenta um timbre forte e potente,  imprimindo um estilo diferente de praticamente tudo o que era apresentado na época e portanto, se destaca tanto em partes mais agressivas como nas que exigem um vocal mais brando e técnico.

A parte instrumental do disco é outro destaque latente, principalmente quando nos referimos a guitarra de Kenny Powell. O músico despeja excepcionais riffs, apresenta linhas das mais interessantes e tece solos inspiradíssimos durante cada uma das 10 canções do álbum. É claro que para Kimball e Powell aparecer dessa maneira, era necessário uma cozinha que trabalhe com precisão e a formada por Jody Henry e Steve Wittig, era sem dúvidas, uma das mais competentes e coesas da época.

A musicalidade de "Battle Cry" é das mais marcantes e algumas faixas do trabalho acabaram se tornando hinos do Metal underground. A diversidade rítmica é bem abrangente no registro e desde as composições mais diretas como "Death Rider", "Last Rites", "Be My Wench" e "Prince Of Darkness", até as  emblemáticas "The Axeman", "Battle Cry", "Die By The Blade" e a épica "Into The Arena", formam juntas um conjunto homogêneo que expressa de forma poucas vezes vista, a essência do Metal oitentista.

Após o disco de estréia, a banda ainda emplacou mais dois full-lenghts grandiosos, "Warning Of Danger" (1985) e "The Curse" (1986), além do EP "Nightmares" (1987), sendo reconhecidamente, um dos nomes mais representativos para a cena estadunidense quando o assunto é o Power/Heavy Metal de qualidade.

Infelizmente, assim como muitas bandas que eram promissoras, o Omen não se tornou um fenômeno de vendas e jamais chegou perto do sucesso comercial. Permanece até hoje estagnado nos porões mais obscuros do underground, porém com o diferencial de ter concebido algumas obras brilhantes e essenciais.

Disco arrasador, irretocável e é claro, obrigatório!




Integrantes:

Kenny Powell (guitarra)
Jody Henry (baixo)
Steve Wittig (bateria)
J.D. Kimball (vocal)

Faixas:

 1. Death Rider  
 2. The Axeman 
 3. Last Rites 
 4. Dragon's Breath 
 5. Be My Wench 
 6. Battle Cry 
 7. Die by the Blade 
 8. Prince of Darkness 
 9. Bring Out the Beast 
10. In the Arena



por Fabio Reis
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...