segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Os melhores álbuns do mês: agosto de 2017


Todos nós amamos listas assim. Adoramos ver coisas que curtimos sendo reconhecidas e gostamos mais ainda de reclamar de um xodó que não recebe as honras que temos toda a certeza de merecerem. Por essas e outras, vamos começar esta maravilhosa guerra contra os headbangers e cravar os melhores álbuns do mês, todos os meses a partir de agora. Já deixo claro aqui que a lista é inteiramente de minha autoria e não reflete os gostos, opiniões e eventuais loucuras dos outros membros do Mundo Metal, então se quiser espernear, discutir amigavelmente ou sair na mão com alguém, pode me procurar; elogios e tapinhas nas costas tambêm são bem-vindos.

Ao passo que o fim do ano vai chegando, meu gás vai diminuindo e talvez eu tenha deixado passar algumas obras maravilhosas, já que eu tenho ouvido muito álbum merda nos últimos tempos (talvez meu dedo e intuição não sejam mais os mesmos). De qualquer forma, me orgulho de ser um doente mental e ter sérios problemas com minha necessidade patológica de ouvir o maior número de lançamentos possíveis, seja de estilos que amo de paixão como Epic Heavy, Death/Doom ou Power (sim, eu amo Power, e quanto mais açucarado melhor, foda-se), ou de sub-gêneros que não tenho apreço nenhum como Post-Metal e Stoner. 

Dito isso, vamos ao que interessa. Pra variar, o mês de agosto foi recheado de lindezas satânicas, plays aguardados e diversidade na cena, então a tarefa foi árdua e as escolhas chorosas. Depois digam o que acharam da seleção, o que faltou, o que na lista deveria ser obliterado da face da Terra de tão ruim e o que diabos eu ainda estou escrevendo quando eu deveria estar ouvindo a caralhada de álbuns que já sairam em Setembro. Spoiler: não tem Accept!

PS: As bandas seguem em ordem alfabética e não ordem de melhor para o pior, porque isso já seria cruel demais com o redator. 

Akercocke – ‘Renaissance in Extremis’ (Prog Black/Death)


Sexto álbum de estúdio dos britânicos e a prova que dez anos de hiato não machucaram em nada esses malucos. Técnica apurada, loucuras instrumentais, letras poderosas e a certeza de que uma das mais virtuosas e melhores bandas de Londres em atividade é o Akercocke.


Cormorant – ‘Diaspora’ (Black/Folk)


Já pela capa dá pra ver a maluquice que é ‘Diaspora’, quarto trabalho dos estadunidenses do Cormorant. Essa bagaça aqui tem mais de uma hora de marretadas e lapsos de virtuose divididos em apenas quatro músicas, uma melhor que a outra. Se quer uma hora bem gasta, ouça essa parada.


Demon Eye – ‘Prophecies and Lies’ (Heavy/Doom)


Psicodélico e arrastado na medida certa. Terceira obra dos estadunidenses, esse aqui é só deitar na cama e viajar.


Incantation – ‘Profane Nexus’ (Death)


É Incantation, é profane, macabro e brutal. Não preciso dizer mais nada.


Jack Starr’s Burning Starr – ‘Stand Your Ground’ (Heavy/Power)


O veteran guitarrista e seus comparsas tão veteranos quanto surpreendem mais uma vez com mais de uma hora do melhor que o US Metal tem a oferecer. Obrigatório para os fãs tradicionais do bom e velho Metal



Lör – ‘In Forgotten Sleep’ (Epic Prog/Folk/Power)


Poderia colocar esses moleques como “inclassificáveis”, tamanhos são os elementos, nuances e influências em ‘In Forgotten Sleep’. Basta dizer que essa delícia em forma de música provavelmente vai estar na minha lista de melhores do ano...no geral.


Portrait – ‘Burn the World’ (Heavy)


Apesar de serem relativamente novos na cena, os caras do Portrait têm uma maturidade absurda e tocam como verdadeiros gigantes da cena. ‘Burn the World’ é a quarta obra dos caras e vale cada riff, verso e refrão. Que delícia, cara! 


Pyrrhon – ‘What Passes for Survival’ (Technical Death)


É difícil saber o que se passa na cabeça de Doug Moore. Suas idéias são tão tenebrosas e sua teia de pensamento tão complexa, que o simples fato de o cara conseguir transcrever suas neuroses nas letras do Pyrrhon já é motivo suficiente pra aplausos. Mas ainda temos a velocidade desenfreada, os riffs recheados de ódio e as camadas de técnica presentes no terceiro play da banda. Imperdível e obrigatório.


Sons of Crom – ‘The Black Tower’ (Epic Heavy/Black)


Suécia e Finlândia são dois dos países mais caralhudos na história do Metal. O que acontece então se juntarmos um filho da puta Sueco e um arrombado Finlandês? Acontece o Sons of Crom e seus orgasmos fonográficos. Épico, sombrio e minuciosamente mannufaturado, ‘The Black Tower’ ganhou facinho um lugar nos melhores do mês.


Vulture – ‘The Guillotine’ (Speed/Thrash)


Os caras são da High Roller Records, se vestem como os doidos do Exciter e tocam como os bastardos do Razor. Que debut, amigo, que debut.


Menções honrosas:

Crimfall – ‘Amain’ (Symphonic Power/Viking)


Os prodígios de Helsinki entregam mais uma bela obra cheia de passagens épicas e bombásticas. Prato cheio para os pseudo-Vikings de plantão.


Dark Avenger – ‘The Beloved Bones: Hell’ (Power)


Quem me conhece sabe que eu não babo ovo pra banda nenhuma e sou da idéia de não apoiar qualquer merda de banda que nasce por aqui só por ser Brasileira; então se o Dark Avenger esta aqui, merece estar. Mário Linhares e sua trupe conseguiram aliar as características do Power mais denso com letras e história muito bem feitas, nesse que é um dos melhores trabalhos brazucas do ano, com toda a certeza.


Paganizer – ‘Land of Weeping Souls’ (Death)


Mais um veteraníssimo representante do Death Metal entregando fogo, poder e destruição. Rogga Johansson conseguiu de novo, meus amigos.



Leprous – ‘Malina’ (Prog)


Apesar de não ser muito fã da abordagem completamente Prog (prefiro a mistura com outros gêneros), é impossível não rasgar seda pros Noruegueses do Leprous. Mais uma vez, um trabalho viciante e profundo. 


Venom Inc. – ‘Avé’ (Black/Speed)


O trio mais trevoso que você conhece sambou na cara das inimigas (mais precisamente, do Chronos mesmo) e surpreendeu a todos com essa pedrada no saco aqui. Demolition Man, Abaddon e Mantas não estão pra brincadeiras, e Avé é prova concreta disso.


Redigido por Bruno Medeiros

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Nile - "What Should Not Be Unearthed Tour"

Mundo Metal [ Live Review ]



Após a saída do guitarrista e vocalista Dallas Toler-Wade, os fãs de Nile ficaram bem chateados, ou pelo menos a maior parte deles. Isso é perfeitamente compreensível. Dallas integrava a banda há anos e sua importância para o grupo era, evidentemente, muito grande. O músico possui um timbre gutural característico e principalmente nos trabalhos mais recentes, teve uma participação muito expressiva. Entretanto, a vida continua e a música nunca pode parar. Pouco após a saída do integrante, Karl Sanders, o líder da banda, recrutou Brian Kingsland (vocal/guitarra) e certamente, os apreciadores brasileiros do grupo estavam muito ansiosos para conferir a performance ao vivo desse novo line up. A turnê sul-americana de "What Should Not Be Unearthed" (2015), o oitavo e mais recente álbum dos veteranos do Brutal/Technical Death Metal, contou com apenas uma única apresentação aqui no Brasil. O evento ocorreu nesse último sábado (26), no Manifesto Bar, em São Paulo/SP.

Com abertura programada para às 18h, uma fila repleta de fãs da banda e de Metal Extremo em geral se formou no local e como já era de se esperar, a ansiedade daqueles que compareceram era nítida. Sem banda de abertura, pouco mais de 20h, Karl Sanders (vocal/guitarra, Brad Parris (vocal/baixo), Brian Kingsland (vocal/guitarra) e George Kollias (bateria) entram em cena, ovacionados por todos os presentes. A climática instrumental "Ushabti Reanimator", de "What Should Not Be Unearthed", ecoa e prepara não apenas a banda, mas também o seu público para a devastação sonora que está para ter início. Curiosamente, antes de ir ao show, separei alguns dias da semana para revisitar a discografia do Nile e enquanto ouvia novamente o mais recente trabalho dos estadunidenses, pensei em como seria apropriado os músicos utilizarem essa faixa instrumental como introdução para o show. Foi uma sábia escolha!

Logo após a composição se encerrar, o quarteto inicia sua apresentação com a clássica e obrigatória "Sacrifice Unto Sebek", do brutal "Annihilation of the Wicked" (2005). Seu riff de abertura e de encerramento é muito grudento e muitos dos presentes fizeram um coro cantando o mesmo a plenos pulmões. À respeito da execução do som em si com o novo line up, sem comentários! A banda realmente provou que está em grande forma, mesmo sem a presença de Dallas. A comunicação entre eles era muito natural e isso ficou bem perceptível durante toda a apresentação. Destaque também para o baixista e vocalista Brad Parris, que vestia uma camiseta do Krisiun. É sempre muito bom ver artistas de outros países prestigiando grandes bandas de nosso país e boa parte do público certamente aprovou o tributo feito pelo músico. 

O repertório do show prossegue com outro grande clássico, "Defiling the Gates of Ishtar", uma das faixas mais icônicas do segundo álbum do grupo, "Black Seeds of Vengeance" (2000). Sou muito suspeito pra falar da banda, mas algo que sempre me chamou a atenção na sonoridade produzida por eles, além da temática e letras brilhantes, é a atmosfera criada por seus integrantes e ver suas composições executadas ao vivo comprova muito bem essa experiência. Sim, há muito peso e brutalidade, contudo há um clima místico e sobrenatural que permeia cada música concebida pelos estadunidenses.  

Brad Parris faz um breve discurso mencionando que é muito bom voltar ao Brasil. A última passagem da banda em solo brasileiro havia acontecido no Open the Road Festival III, em maio de 2015. O vasto universo da música pesada mundial é sempre recebido de forma calorosa na América do Sul e a satisfação de músicos que praticam esse estilo musical sempre fica estampada em seus rostos, diga-se de passagem. Sem mais delongas, Parris anuncia que a próxima música que vão tocar é o single de "Those Whom the Gods Detest" (2009), a matadora faixa de abertura "Kafir!". Sua execução foi completamente intensa e irrepreensível, levando todos a cantarem sua letra e a "banguearem" incessantemente. 

"Obrigado! Saludo, motherfuckers!", diz um carismático Karl Sanders, que assim como todos os integrantes da banda, demonstrava estar bem a vontade. "Hittite Dung Incantation", a segunda faixa de "Those Whom the Gods Detest" dá sequência ao show, mantendo o mesmo padrão de agressividade e claro, qualidade. O guitarrista e vocalista Brian Kingsland diz que esse é o último show da turnê e anuncia a próxima música, "In the Name of Amun", a única composição de "What Should Not Be Unearthed" a ser tocada. O mais recente trabalho do Nile foi muito bem recebido por muitos fãs e a performance dessa música comprovou isso mais uma vez, pra variar.

Os músicos fazem mais uma breve pausa e Brad Parris apresenta ao público o mais recente integrante da banda, Brian Kingsland, que veio ao Brasil pela primeira vez. Aplaudido por todos, a performance da banda prossegue com "The Fiends Who Come to Steal the Magick of the Deceased", uma das melhores de "At the Gate of Sethu" (2012). A alternância de vocais presente nessa composição transmite um clima único e sobre-humano, ainda mais quando tocada ao vivo. Kingsland anuncia em seguida que tocarão algo clássico e dá-lhe a pedrada visceral "The Howling of the Jinn", do álbum de estreia "Amongst the Catacombs of Nephren-Ka" (1998). O termo brutalidade define bem a execução desse pandemônio musical.

Após a performance da última música, algo bastante inusitado aconteceu. Karl Sanders aponta o seu dedo para um dos fãs que estava próximo ao palco e diz algo bastante "carinhoso": "Ei, você! Você mesmo! Se você apontar essa câmera mais uma vez na minha cara, vou enfiá-la no seu c*!". Provavelmente, o flash da câmera do sujeito estava atrapalhando o músico, porém engana-se quem pensa que esse momento esfriou a apresentação, muito pelo contrário. O fã se desculpou e em seguida, Sanders esboçou um sorriso e esticou o seu braço para cumprimentá-lo. Realmente, tanto ele como os demais músicos esbanjavam carisma e entrosamento com seu público o tempo todo. 

Em seguida, Parris faz outro breve discurso e menciona que irão tocar uma música de "In Their Darkened Shrines" (2002). Um fã grita "Sarcophagus!" e Parris responde "Não é essa!" e então, mandam "Kheftiu Asar Butchiu", numa performance estupendamente violenta. Curiosamente, a próxima composição a ser tocada foi justamente "Sarcophagus". Seu ritmo mais arrastado e atmosférico deixou todos os presentes hipnotizados durante sua execução e claro, não há como deixar de ressaltar o clima único e marcante proporcionado por seus arranjos finais. Essas notas finais, minimalistas, são capazes de provocar um arrepio na espinha de qualquer um. Assim que a música se encerra, Sanders anuncia outra composição do mesmo álbum, a fantástica "Unas, Slayer of the Gods". Particularmente, essa é minha música predileta da banda. Poderosa, repleta de passagens e trechos altamente marcantes e muito feeling. Sua performance ao vivo é simplesmente um deleite. Épica demais!

Infelizmente, a apresentação estava chegando ao fim. Parris agradece a todos mais uma vez e diz que vão tocar a saideira, que não poderia ser outra a não ser a devastadora "Black Seeds of Vengeance", que sempre encerra os shows do grupo. A introdução instrumental "Invocation of the Gate of Aat-Ankh-es-en-Amenti" ecoa e então, o quarteto entrega sua última pedrada da noite, finalizando sua performance com chave de ouro e muita desenvoltura.

Ao término do show, os rostos dos presentes esbanjavam aquele olhar de plena satisfação. Em poucas palavras, para aqueles que se perguntam se o Nile está realmente bem com sua nova formação, a resposta é sim, com certeza. Existe muita química nesse novo line up e ainda que Dallas Toler-Wade deixe saudades, a banda prova que possui não apenas forças para prosseguir, como também muita lenha para queimar. Que continuem nos presenteando com grandes álbuns e shows como esse.

Integrantes:

Karl Sanders (vocal/guitarra)
Brad Parris (vocal/baixo)
Brian Kingsland (vocal/guitarra)
George Kollias (bateria)

Setlist:

1. Sacrifice Unto Sebek
2. Defiling the Gates of Ishtar
3. Kafir!
4. Hittite Dung Incantation
5. In the Name of Amun
6. The Fiends Who Come to Steal the Magick of the Deceased
7. The Howling of the Jinn
8. Kheftiu Asar Butchiu
9. Sarcophagus
10. Unas Slayer of the Gods
11. Black Seeds of Vengeance

Texto e fotos por David "Fanfarrão" Torres

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Testament - "Brotherhood of the Snake Tour"

Mundo Metal [ Live Review ]



Dois anos após sua última passagem pelo Brasil, ao lado do Cannibal Corpse, os Thrashers veteranos da Bay Area, Califórnia (EUA) do Testament retornam ao nosso país para promover a turnê de seu mais recente trabalho, "Brotherhood of the Snake", o 11º álbum de estúdio do grupo. Os músicos estadunidenses estão em um momento muito produtivo de sua carreira e a expectativa dos fãs da banda certamente era alta. Em São Paulo, o show foi programado para o último sábado (19), no Carioca Club, localizado na região de Pinheiros. Coincidentemente, o último show da banda aqui em São Paulo também foi realizado nesse local. Ainda que o clima estivesse frio e pouco amigável, engana-se quem pensa que isso impediu uma invejável legião de fãs e apreciadores de comparecerem ao evento.

A abertura da casa ocorreu às 18h e pouco após, teve início a atração de abertura, Circle of Infinity, banda de Death/Black Metal oriunda de Limeira (SP). Edson Moraes (vocal/guitarra), Allan Farias (guitarra), Celsão (baixo) e Alexandre Bento (bateria) realizaram uma apresentação curta, porém muito eficiente e dinâmica, que certamente teve uma resposta positiva por parte do público, em especial aqueles que também apreciam Metal Extremo. O ápice do show dos caras foi quando o frontman Edson Moraes anunciou que prestariam uma homenagem ao eterno Chuck Schuldiner (Death, Control Denied) (R.I.P. 2001) e a banda executa um cover de "Zombie Ritual", clássico obrigatório do Death. 

E então, pouco mais 20h, ovacionados pelo público, Gene Hoglan (bateria), Steve DiGiorgio (baixo), Eric Peterson (guitarra), Alex Skolnick (guitarra) e Chuck Billy (vocal) entram em cena, mandando logo de cara a faixa de abertura de seu novo álbum, a matadora faixa título "Brotherhood of the Snake". Além da performance sempre empolgante e irrepreensível do quinteto, não posso deixar de mencionar o fato de boa parte dos presentes já conhecerem bem as letras do álbum, cantando a plenos pulmões. Na sequência, mandam outra pedrada, a excepcional "More Than Meets the Eye", de "The Formation of Damnation" (2008), música que já se tornou obrigatória em suas apresentações, assim como a música seguinte, "Rise Up", do aclamado "Dark Roots of Earth" (2012). Essa composição já nasceu um hino, não há muito o que dizer. Existe uma dinâmica muito grande quando ela é tocada, em especial quando o sempre carismático frontman Chuck Billy profere "When I say rise up, You say war" e todos os presentes respondem, em uníssono, "War!", em alto e bom som.

O show prossegue com mais duas novas, "The Pale King", que recebeu um videoclipe oficial e a porrada "Centuries of Suffering", música que faz jus a seu título agressivo. Desnecessário dizer que o moshpit já estava comendo solto na pista, não é mesmo? Por sua vez, a clássica e cadenciada "Electric Crown", do álbum "The Ritual" (1992), põe todos a cantar sua letra e refrão grudentos na sequência. Os integrantes fazem uma pequena pausa e Chuck diz que a próxima música é dedicada ao pessoal do moshpit. Sim, senhoras e senhores fanfarrões! É hora de "Into the Pit"! Uma roda generosa se abriu na pista, com todos os presentes agitando incessantemente. Quem estava fora dela, "bangueou" e enlouqueceu da mesma forma, é claro. A destruição continua com "Stronghold", uma das faixas mais legais do novo álbum, seguida da clássica "Low", do álbum homônimo de 1994, que fez muitos "banguearem" sem parar com seus riffs pegajosos e repletos de groove.

Assim que terminam de tocá-la, Chuck menciona que São Paulo é sempre um lugar especial para a banda e indaga ao público se todos ainda estão praticando o que pregam. Exatamente, havia chegado o momento da clássica "Practice What You Preach", do álbum homônimo de 1989. O moshpit simplesmente não tinha fim, ainda mais que outro hino da banda foi tocado na sequência, "The New Order", do clássico disco de mesmo nome lançado em 1988. Depois dessas duas pedradas obrigatórias, o vocalista deixa o palco por alguns minutos para os instrumentistas da banda tocarem a excelente instrumental "Urotsukidôji", do álbum "Low". Esse foi, de longe, o momento de maior tranquilidade do show, uma vez que todos os presentes pararam para assistir a virtuose repleta de feeling e atmosfera dos quatro músicos. Destaque total para as linhas do baixo monstruoso e pulsante de Steve DiGiorgio, que aliado a bateria do genial Gene Hoglan, forma simplesmente uma das "cozinhas" mais fenomenais do Metal.

A apresentação prossegue com uma trinca matadora de clássicos: "Souls of Black", do álbum homônimo de 1990, "Over the Wall" e "Alone in the Dark", ambas do álbum de estreia "The Legacy" (1987). Sem comentários! O público não deixou barato e se entregou a essa belíssima aula de Thrash Metal, é claro. Antes de executarem "Over the Wall", o grande baterista Gene Hoglan trocou algumas poucas palavras com o público, incentivando, de forma bastante humorada, o público a agitar ainda mais. O bis ficou reservado para outra cacetada obrigatória nos shows do grupo, "Disciples of the Watch", de "The New Order", que encerrou a performance de forma impactante e apoteótica. Ao término da apresentação, Chuck apresentou cada um dos integrantes da banda ao público e agradeceu a todos pela noite especial.

Em poucas palavras, foi uma apresentação realmente destruidora, como já era de se esperar. O Testament é um dos muitos grupos veteranos do Metal que demonstra estar muito vivo, tanto pelos seus novos lançamentos, como pelo seu desempenho ao vivo. Seus músicos esbanjam carisma, sempre interagindo com a plateia, demonstrando que realmente curtem o que fazem e "praticam o que pregam". Que continuem assim pelo tempo que for, pois nós, apreciadores da boa música pesada, agradecemos imensamente. 

Integrantes:

Chuck Billy (vocal)
Alex Skolnick (guitarra)
Eric Peterson (guitarra)
Steve DiGiorgio (baixo)
Gene Hoglan (bateria)

Setlist:

1. Brotherhood of the Snake
2. More Than Meets the Eye
3. Rise Up
4. The Pale King
5. Centuries of Suffering
6. Electric Crown
7. Into the Pit
8. Stronghold
9. Low
10. Practice What You Preach
11. The New Order
12. Urotsukidôji
13. Souls of Black
14. Over the Wall
15. Alone in the Dark

Encore:
16. Disciples of the Watch

Texto e fotos por David "Fanfarrão" Torres

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Suffocation - "... Of The Dark Light" (2017)

Nuclear Blast Records

Mundo Metal [ Lançamento ]



A espera para os fãs foi um tanto grande, pois já faz quatro anos desde o último lançamento - o excelente “Pinnacle Of The Bedlam” (2013) - mas terminou este ano e o público se empolgou com a notícia divulgada: o Suffocation estava retornando com uma nova pedra filosofal do décimo oitavo portão do inferno, "... Of The Dark Light". Com quase 30 anos de estrada, os novaiorquinos de Long Island surgem com mais um petardo para os amantes da música extrema, repleto de técnica e riffs que conseguem se encaixar de forma magistral. Desde seu início no longínquo ano de 1989, a horda americana nunca descansou e sempre nos presenteou com várias marretadas de qualidade, sem perder qualquer noção de identidade e capacidade musical e de inspiração para compor. E, mais uma vez, eles estão de volta com um disco que vai ampliar a coleção dos famintos por Metal extremo e Death Metal em geral. Sua fusão de técnica, Groove e pura brutalidade implacável foram inspiradoras para muitas outras bandas, o que ampliou e diversificou o estilo; "Effigy Of The Forgotten" (1991) esta aí até hoje para provar isso.

Como toda grande banda, o Suffocation também detém uma lista de integrantes que passaram por ela com alguns retornos e pausas. Mesmo assim, o conjunto jamais perdeu seu rumo e continuou a mostrar qualidade álbum após álbum, com uns seguindo mais a linha tradicional do estilo e outros explorando mais o lado Groove da coisa, mas sempre mantendo sua real forma de tocar e sem desapontar seus fãs. Obviamente, porém, seus clássicos continuam intactos e dificilmente serão superados ou  igualados.

Desde sua reformulação em meados de 2002, o Suffocation voltou a seguir seu caminho destilando todo seu arsenal renovado e com muito mais vigor e vontade de destruir caixas de som e tímpanos sensíveis ao meio. Sim, eles estavam de volta e seguiram até os dias de hoje, quando em 2008 assinaram com a Nuclear Blast Records e continuaram seu caminho pelas labaredas infernais da música insana e voraz. Em 2012, o Suffocation lançou seu penúltimo álbum, "Pinnacle Of Bedlam" - o qual marcou o retorno do baterista Dave Culross, que havia tocado no EP “Despise the Sun” (1998), mas que deixou novamente o grupo após 2014. Apesar do curto tempo em sua nova passagem pela banda, contudo, Culross deixou novamente uma marca bastante positiva, contribuindo para a qualidade tradicional das baquetas sufocadoras de vias aéreas frágeis.


Agora, então, contando com o baterista Eric Morotti (Killitorous, ex-Epocholypse, Blind Witness), lançam o tão aguardado disco em que o guitarrista e líder da banda, Terrance Hoobs, chegou a comentar que era um momento muito aguardado por eles. Durante os últimos quatro anos o Suffocation havia se concentrado em compor este disco e não poderiam estar mais orgulhosos, e que de fato se tratava do disco mais brutal dos americanos até então. "...Of The Dark Light" foi produzido pela própria banda sob a supervisão de Joe Cincotta (Obituary) e gravado no Full Force Studios. A mixagem e masterização ficaram por conta do renomado produtor/engenheiro de som Chris "Zeuss" Harris (Hatebreed, Arsis, Suicide Silence), enquanto a arte da capa foi criada por Colin Marks (Origin, Fleshgod Apocalypse, Kataklysm).

Com uma ilustração bastante enobrecida, a expectativa que se fez presente foi a de que seria um disco arrebatador de tropas invasoras sem prévio aviso. Eis que a vitrola é ligada e...que susto! O volume estava alto e não havia percebido antes! Eu até diria para tirarem as crianças da sala, mas as crianças de hoje estão muito frescurentas e precisam aprender o que é bom para se ouvir, então é melhor deixar. Estou falando da faixa de abertura, “Clarity Through Deprivation”, que já inicia espancando os falantes sem dó e nenhuma piedade. Os cavernosos riffs seguem de vento em popa tombando embarcações com seu maremoto sonoro com várias quebras e mudanças de ritmo formidáveis. Os vocais guturais de Frank Mullen estão perfeitos, trazendo toda a agressividade que a vertente pede. Os blast beats são realmente intensos e mantêm a bateria completamente apocalíptica com diversas mudanças de andamento; características imprescindíveis em um som técnico e qualificado. Antecedendo o solo há uma exibição musical de primeira linha junto aos breakdowns, o que se segue até o final. Em seguida já avistamos outro míssil explodindo a caixa, onde Eric Morotti inicia causando fendas no fundo do mar com seus pedais duplos super potentes: o nome da dona dessa extinção em massa é “The Warmth Within the Dark”, e vemos que o tempo passa rápido conforme os riffs se encaixam hipnotizando o ouvinte, o fazendo querer derrubar sua própria casa apenas com as mãos! Ilusão isso? Não quando se ouve Suffocation! Há aqui uma sequência mais cadenciada, onde peso e técnica seguem intactos, mostrando que esse realmente é um dos discos mais pesados dos caras.

Passamos para a terceira faixa, “Your Last Breaths”, e o que vemos é uma quebra de ritmos ainda maior, como se a dona morte saísse por aí girando sua foice como um bastão de Kung Fu açoitando qualquer um sem saber de quem se trata. Destaque aqui para as corridas incitantes das guitarras com solos dignos de entoarem no próprio vale das sombras.  Esta é uma música mais cadenciada e impositora se comparada com as anteriores. E sem muito tempo para respirar, surge ecoando das profundezas do inferno “Return to the Abyss”, faixa que recebeu um lyric video para a divulgação do disco (o que posso dizer é que escolheram a faixa certa como divulgação). “Nem todos nós nascemos iguais predeterminados a subir ou cair” é apenas o início do que se encontra aqui. Quem ama as variações do Death Metal com certeza irá gostar desta faixa,  repleta de riffs variados e solos ultra velozes de Terrance Hobbs e Charles Errigo, como se se o cramunhão estivesse dirigindo uma carreta sem freio e na contramão.


A ideia é não deixar o barulho infernal parar, então não é à toa que “The Violation” começa devastando tudo e jogando seu vizinho chato para outro quarteirão, tamanha a porradaria certeira e nocauteadora de ouvidos sensíveis e desacostumados com os urros vindos do além. Trata-se de uma faixa incineradora de lares ortodoxos com todas as nuances pretendidas em um som típico, enquanto o baixo de Derek Boyer segue mantendo o alicerce firme. Sem descansar, já temos em seguida a faixa título, outra música de destaque que lembra o som de duas bandas: Kreator e Immolation. A primeira mais por conta do nome lembrar o clássico EP ‘Out of the Dark...Into the Light’ (1988), e a segunda por seu andamento e destaque maior para o baixo - lúgubre e bastante denso - de Boyer.

“Some Things Should Be Left Alone” é a faixa seguinte e logo de cara mostra que “algumas coisas devem ser deixadas sozinhas”, ou seja, a pancadaria está à solta, sozinha, desenfreada, e continua mantendo o padrão de qualidade do disco. A penúltima canção se inicia e mal percebemos que o álbum está no fim, com um ar de “fim dos dias” exalado pelos falantes até aqui. “Caught Between Two Worlds” chega quebrando pescoços e dorsais aos montes, sem trégua. Como um elefante desgarrado, os instrumentos vão deixando seu rastro de putrefação e escuridão com riffs, contratempos, pontes e mais riffs, além de solos capazes de introduzir o ouvinte ao sacrifício sumário, desabando prédios, desintegrando porta-aviões e encouraçados! Não à toa dizem que tudo que é bom dura pouco, ou quase tudo. E em se tratando de Death Metal, porém, costuma ser assim.

Enfim, chega a parte ruim do disco: a última. Nem parece que já tocaram todas as músicas e você, caro leitor, perceberá que o tempo passou depressa mesmo com toda atenção em cada acorde, em cada harmônico, dissonância e equilíbrio de cada instrumento, cada virada de bateria e tremular do baixo. Eis que “Epitaph of the Credulous” dá as caras e segue com o linchamento de acéfalos pelo planeta afora. Com pura agressividade, técnica, feeling e mente aberta para inserir vários ingredientes dentro de um contexto musical sem descaracterizar seu trabalho, o Suffocation nos entrega uma verdadeira pepita digna de aplausos de quem é adepto da vertente e surpresa por quem não é, ou não consome nada do estilo. Ouça sem moderação alguma!

Nota:  9,1

Formação:

Frank Mullen (vocal)
Terrance Hobbs (guitarra)
Charles Errigo (guitarra)
Derek Boyer (baixo)
Eric Morotti (bateria)

Faixas:

01. Clarity Through Deprivation
02. The Warmth Within the Dark
03. Your Last Breaths
04. Return to the Abyss
05. The Violation
06. Of the Dark Light
07. Some Things Should Be Left Alone
08. Caught Between Two Worlds
09. Epitaph of the Credulous

Redigido por Stephan Giuliano

God Dethroned - "The World Ablaze" (2017)

Metal Blade Records

Mundo Metal [ Lançamento ] 



Você não odeia quando uma banda é tão consistente, os membros são tão bons como músicos e os álbuns são tão fodidos, que raramente temos algo de ruim pra meter o malho? Não? Bem, eu odeio, porque isso não é divertido pra competição e pros fãs em geral, e eu me alimento de álbuns horrendos e podres porque eles me fazem ser um resenhista melhor - e mais odiado. God Dethroned, aquele quinteto pútrido e irritante dos Países Baixos, se dissolveu depois de 'Under the Sign of the Cross', em 2012, e organizou uma reunião em 2014 para tocar uma quantidade seleta de shows nas terras estupradas por corrupção, sodomia e putas de Instagram (a qual chamamos “Planeta Terra”) - e pelo mar também, já que os caras se apresentaram no cruzeiro mais demoníaco do mundo, 70k Tons of Metal, que foi, adivinhem? Sim, foda pra caralho; que sem graça - mas não mostraram nenhuma promessa de lançar um novo play, até o final de 2016. Então, quando finalmente acenaram o lançamento de um novo trabalho, eu pensei: "ok, esses putos vão gravar um novo CD; agora vou conseguir falar merda e destruir eles. Não tem como uma banda voltar tão rápido assim ao topo de sua forma, depois de encerrarem completamente suas atividades e perder pelo menos alguma alegria de tocar música, certo?” 

Então, veja bem, eu estava bem animado pra dizer algumas palavras sobre ‘The World Ablaze’, décimo álbum de estúdio do sempre competente Henri Sattler (guitarra, vocal) e seus ajudantes Michiel van der Plicht (bateria, Apophis), Jeroen Pomper (baixo, ex-Absorbed), e Mike Ferguson (guitarras, Detonation, ex Picture), porque eu finalmente me vingaria dos outros nove plays desses arrombados impossíveis de tacar o pau por serem tão destruidores. O álbum começa com "A Call to Arms", uma introdução lenta com uma atmosfera assassina e um simples mas tocante solo de guitarra apresentando o que estava por vir. E então "Annihilation Crusade" começa com uma manada de riffs clássicos do God Dethroned. A atmosfera visceral, a porradaria brutal e técnica, as linhas de baixo comendo os ouvidos...estava tudo lá, arruinando minhas esperanças de esse ser finalmente o álbum ruim da carreira do God Dethroned; não poderia ser...não, não! Me acalmei e escutei o álbum inteiro pela primeira vez - pulsos cortados, lágrimas salgadas caindo da minha bochecha - esperando por uma colisão, um erro de produção ou masterização, uma nota fora de tom...nada. Não foi antes da quarta vez me torturando com a intenção sádica de falar mal da lenda do Death/Black holandês que eu percebi que essa era uma batalha perdida. O God Dethroned estava de volta, e eles estavam obliterando os inimigos com ferocidade, brutalidade e “foderosidade” na forma de música.


'The World Ablaze' resgata muito bem o que seu antecessor (‘Under the Sign of the Iron Cross’) fez e o executa com competência. As linhas mais melódicas e a atmosfera exótica estão presentes em músicas como "On the Wrong Side of the Wire" e "The 11th Hour", enquanto a brutalidade e a pompa podem ser vistas nas faixas mais venenosas como "Close to Victory", “Messina Rage" e "Breathing Through Blood"; essa última mais cadenciada e pesada, quase que Doom, com um riff em escala maravilhoso. Os grunhidos de Sattler soam viris como sempre e a sintonia das guitarras relembra um pouco da banda na era ‘Ravenous’, injetando uma boa quantidade de distorção e trabalho de pedal. A cozinha suporta lindamente a rifferama, com van der Plicht roubando o show batendo nas peles e pratos com a raiva de mil cornos que acabaram de descobrir suas mulheres com outro cara. Passagens mais densas também fazem aparições aqui: "Königsberg" e "Escape Across the Ice (The White Army)" cuidam dessas emoções contando a história triste do Exército Branco, uma confederação de forças anticomunistas que lutou contra os bolcheviques na Guerra Civil Russa; bem daora. As letras, aliás, não são lá peças de arte Shakespearianas, mas conseguem cumprir bem seu objetivo. A mixagem também é ponto positivo, com o lendário Dan Swanö fazendo um puta trabalho e entregando um álbum mais singular e de personalidade através de sua visão única, o que é chover no molhado, já que estamos falando de um verdadeiro Rei Midas da produção.


Como Swanö disse com sabedoria: "Este álbum é uma ótima combinação de todos os tipos de tempos e estilos que o gênero tem para oferecer, cada um executado com perfeição esmagadora, refrões cativantes e ganchos melódicos memoráveis! Ele vai cair bem entre os fãs de Bolt Thrower." Então, é isso aí; ‘The World Ablaze’ é um retorno estelar da banda que nunca deveria ter encerrado suas atividades. O fato de o álbum não ter pontos fracos me deixou com raiva pra caralho, porque eu estava pronto e disposto a ser um dos primeiros seres humanos a colocar a carreira animalesca do God Dethroned em cheque. Em vez disso, o que eu encontrei foi uma pérola Death cuidadosamente trabalhada, que deve ser ouvida por todos os fãs do gênero. Não é tão visceral como ‘The Christhunt’ ou tão prolífico como 'The Toxic Touch', mas definitivamente já figura na prateleira de cima de lançamentos dos guerreiros holandeses. Infelizmente, porém, vou ter que esperar que a próxima banda matadora solte seu ‘Virtual XI’ ou ‘Risk’ da vida pra que eu possa alimentar minha necessidade sociopática de apontar o catastrófico. Maldito seja, God Dethroned.

Nota: 8.5

*Nota do site The Metal Club: 8.20

Formação:

Henri Sattler (guitarra e vocal)
Michiel Van Der Plicht (bateria)
Jeroen Pomper (baixo)
Mike Ferguson (guitarra)

Faixas:

1. A Call to Arms 
2. Annihilation Crusade 
3. The World Ablaze 
4. On the Wrong Side of the Wire 
5. Close to Victory 
6. Königsberg 
7. Escape Across the Ice (The White Army) 
8. Breathing Through Blood 
9. Messina Ridge 
10. The 11th Hour 

Redigido por Bruno Medeiros

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Suicidal Tendencies - "Join The Army" (1987)

Mundo Metal [Discos Trintões]



Quatro anos após o lançamento do álbum de estreia da banda, o Suicidal Tendencies retorna com um trabalho igualmente fantástico. Lançado em 09 de junho de 1987, através do selo Caroline Records, “Join The Army” marca a saída do guitarrista Grant Estes, que é substituído por Rocky George, músico extremamente emblemático na carreira da banda e que executa solos ainda mais trabalhados e técnicos, além da troca do baterista Amery Smith para R.J. Herrera, que também proporciona uma nova pegada para o grupo. A banda, que até então executava um som voltado para o Hardcore Punk, inseriu elementos de Thrash Metal, resultando na sonoridade Crossover Thrash que emergia naquele período.

Os riffs de Rocky George abrem a ótima faixa de abertura “Suicidal Maniac”. De cara, já é perceptível que o trabalho instrumental está mais complexo e maduro. Bateria muito bem encaixada e executada, palhetadas destruidoras e um vocal simples, porém carismático e eficiente fazem desse som um verdadeiro clássico da banda e do Crossover como um todo. A segunda faixa é a cadenciada “Join The Army”. A canção incorpora arranjos mais “funkeados”, remetendo aos primórdios do Red Hot Chili Peppers, além de bandas como Mordred e Scatterbrain. Aqui nós temos um “groove” muito envolvente na maior parte da composição, contudo temos também um trecho rápido e agressivo no meio da canção. Outro grande destaque do álbum.

“You Got, I Want” também possui um groove matador e conta com variações rítmicas fantásticas. Na sequência, temos “A Little Each Day”, que também é um dos grandes momentos do álbum. A “cozinha” encabeçada pelo baixista Louiche Mayorga e pelo baterista R.J. Herrera é fenomenal e precisa, enquanto a guitarra de Rocky George é um espetáculo a parte. A quinta faixa é “The Prisoner”, uma faixa mais rápida, apresentando uma melodia envolvente, acompanhada por riffs poderosos e um ótimo solo de guitarra. Em seguida, somos pegos de surpresa por nada mais nada menos que “War Inside My Head”! Essa faixa dispensa apresentações. Um dos maiores clássicos do Suicidal Tendencies, com seus riffs e passagens marcantes, além de seu refrão grudento e poderoso. Um hino obrigatório nos shows da banda!


O disco dá continuidade com “I Feel Your Pain”, que é outro grande destaque do álbum. O trabalho de guitarra é impecável e repleto de feeling, o vocal é brilhantemente raivoso e seu refrão é intenso e viciante. Outra das melhores do álbum! “Human Guinea Pig” é outro faixa marcante no álbum, com grandes riffs, bateria furiosa e um belo solo de guitarra. Vale lembrar que essa música não está presente na versão em LP e em fita cassete, apenas na versão em CD, como faixa bônus. Eis que é a vez de outro grande clássico da carreira da banda dar as caras! “Possessed To Skate” é uma faixa divertidíssima! Sua letra marcante e o seu trabalho instrumental irrepreensível fazem dessa canção uma das muitas da história da música pesada mundial que já nasceu um clássico.

A décima faixa desse registro é “No Name, No Words”. Mais uma vez a banda executa tudo com precisão e eficiência. Bons riffs e um trabalho portentoso da “cozinha”. Abrindo de forma progressiva e logo ganhando um ritmo veloz, “Born to Be Cyco” é uma grande faixa para “banguear” e “moshar” sem parar. Uma das muitas composições da banda que consegue transmitir o que o Suicidal Tendencies realmente é! “Two Wrongs Don’t Make A Right (But They Make Me Feel A Whole Lot Better)” é a penúltima faixa e mantém o ritmo insano e agitado das faixas anteriores, apresentando mudanças interessantes de andamento. O final do disco fica reservado para a faixa “Looking In Your Eyes”, que tem um “riff” bastante animado, ótimas linhas de bateria, um solo de guitarra com bastante feeling, marcação de baixo precisa e os vocais de Mike Muir que casam perfeitamente com o instrumental.

Quem acompanha a banda sabe que o Suicidal Tendencies já se aventurou por diversos terrenos musicais, mas um fato é que a banda tem uma contribuição muito significativa tanto para a cena Hardcore Punk como para o Metal, tendo lançado grandes álbuns ao longo dos anos. Possuindo uma legião de fãs e admiradores realmente invejável, é mais uma daquelas bandas que torcemos para que continue na ativa, sempre nos presenteando com novos trabalhos. Em tempo, “Join the Army” é um item obrigatório a todos os apreciadores de Hardcore Punk e Crossover Thrash!

SUICIDAL FOR LIFE!!!

♫ War inside my head-can you sense it
War inside my head-can you see it
War inside my head-can you feel it
War inside my head
Can you hear the-pain
Can you see the-pain
Can you sense the-pain
Can you feel the-pain
Can you help the-pain
Can you fix the-pain
Can you hear the war inside my head ♫

Formação:

Mike Muir (vocal);
Rocky George (guitarra);
Louiche Mayorga (baixo);
R.J. Herrera (bateria).

Faixas:

1. Suicidal Maniac
2. Join The Army
3. You Got, I Want
4. A Little Each Day
5. The Prisoner
6. Was Inside My Head
7. I Feel Your Pain (Bonus Track)
8. Human Guinea Pig (Bonus Track)
9. Possessed To Skate
10. No Name, No Words
11. Born To Be Cyco
12. Two Wrongs Don’t Make A Right (But They Make Me Feel A Whole Lot Better)
13. Looking In Your Eyes

Redigido por David "Fanfarrão" Torres

Steel Panther - "Lower the Bar" (2017)

Open E Music

Mundo Metal [Lançamento]



Houve um tempo em que as bandas do chamado“Glam Metal”dominavam o cenário da música, não somente no mainstream, mas também no underground - acredite, apesar de muitas terem buscado emplacar nas paradas, essas mesmas ficaram soterradas no esquecimento, e a lista é grande – isso aconteceu da segunda metade da década de 80 até meados da década de 90. Com o passar dos anos o estilo foi perdendo força, mas sempre existiram bandas aqui e ali nos brindando com obras dignas. No início do novo século, a Suécia mais uma vez, resolveu entrar na jogada e revelar uma grande quantidade de bandas do estilo ao mundo e isso serviu de exemplo para que outros locais pudessem apresentar ao mundo seus representantes. Os americanos do Steel Panther entraram em cena de forma chamativa não apenas no visual espalhafatoso, típico do Glam, mas com um conteúdo lírico que é tudo que o PMRC detestaria encontrar na época em que estava em atividade. E pra quem só conhece a banda pelas polêmicas ligadas ao seu “senso de humor”,se assusta com a seriedade em que a parte musical é construída, afinal músicos como Michael Starr, Russ Parish, Lexxi Foxxx e Stix Zadinia são dotados de técnica e senso de composição indiscutível e a prova está em álbuns como “Hole Patrol”(2003), “Feel The Steel”(2009), “Balls Out”(2011), “All You Can It”(2014) e é claro o mais recente álbum de inéditas, “Lower The Bar”.


Lançado no final de março, com a produção a cargo de Jay Ruston, “Lower The Bar” já começa com tudo aquilo que o fã está acostumado, ou seja, aquele hard rock despojado, festeiro e direto. “Goin´ In The Backdoor” e “ Anithing Goes” abrem ao melhor estilo Van Halen, principalmente por parte de Michael, dono de um timbre que em alguns momentos se assemelha ao de David Lee Roth. “Poontang Boomerang” é outra faixa que se destaca e traz aquela linha “grooveada” mais voltada ao que muitas bandas faziam no início dos anos 90. Outras merecedoras de menção são “That's When You Come In”, uma balada pop que é mais ou menos aquilo que o Bon Jovi tenta fazer hoje em dia e erra feio, a safadinha “Pussy Ain't Free”(o título já diz tudo), “Wasted Too Much Time” com um “q” de Aerosmith e dona de um riff principal mais do que grudento, daqueles em que o ouvinte fica cantarolando, e finalmente “I Got Wath You Want”, composição de estrutura oitentista, carregada de emoção e que certamente se tornará presença no set list da banda, a melhor do play! 

A edição especial ainda trás dois bônus, daqueles que é impossível não parar tudo o que estiver fazendo para prestar a atenção. “Red Headed Step Child”, com um clima a lá Led Zeppelin e se o ouvinte for mais atento, também perceberá algo de Whitesnake. Já o segundo é a bela “Momentary Epiphany”, regida a belos arranjos de piano e leves orquestrações, fugindo totalmente da imagem de putaria que a banda transmite.


“Lower The Bar” pode não soar revolucionário ou coisa do tipo, aliás, a banda nunca quis “reinventar a roda”, porém, quanto mais conheço os trabalhos do Steel Panther, tenho a certeza de que são acima de qualquer coisa, músicos de altíssimo nível, que por mais que sejam lembrados pelas sátiras em suas letras e pela postura visual, a música sempre falará mais alto. 

Nota: 8

*Nota do site The Metal Club: 7.62

Formação:

Michael Star (vocal)
Russ Parish (guitarra)
Lexxi Foxxx (baixo)
Stix Zadinia (bateria)

Faixas:

1 - Goin' in the Backdoor 
2 - Anything Goes 
3 - Poontang Boomerang 
4 - That's When You Come In 
5 - Wrong Side of the Tracks (Out in Beverlly Hills)  
6 - Now the Fun Starts 
7 - Pussy Ain't Free 
8 - Wasted Too Much Time 
9 - I Got Wath You Want 
10 - Walk of Shame 
11 - She's Tight 
12 - Red Headed Step Child (Bonus Track)  
13 - Momentary Epiphany (Bonus Track)

Redigido por Elton Justo

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Skulled​ - "Eat Thrash" (2017)

Independente

Mundo Metal [ Lançamento ]



Contrariando o que diversos fãs puristas imaginam ou dizem, o movimento Neo Thrash jamais teve o pedantismo de substituir os grandes ícones do estilo, e sim o de prestar homenagem e dar continuidade a uma das vertentes mais populares do Heavy Metal. Por tanto, vamos parar de compara-lo com nossos "heróis" do passado de uma vez por todas! Pois o legado, a importância e a influência dos mesmos, estão eternizados e imortalizados, em toda sua resplandecência, sob a forma de álbuns antológicos.

Não adianta também reclamar da falta de "inovação", quase tudo dentro do estilo já foi devidamente explorado, a maioria absoluta das bandas da nova geração, apenas recicla o que foi feito há quase 40 anos, o que não é demérito algum, combinando para isso elementos tradicionais do Thrash Metal oitentista com elementos contemporâneos.

Este é o conceito de banda que pode ser encontrado nas fileiras da tropa teutônica do Skulled de Bremen. 
A combinação fundada em 2008 se utiliza exatamente dos mesmos artifícios do passado, acrescido, aqui e ali, de atitudes punks turbulentas. 
O resultado dessa combinação? Um Thrash de alta octanagem, viciosamente divertido, furioso, rápido e selvagem, um verdadeiro açoite frenético e incansável. 

"Eat Thrash" segundo registro desencadeado pelos germânicos é o tipo de álbum que literalmente dispara uma bala de prata através de seu crânio. Quero dizer, Skulled parece saber muito bem o que faz, sem fazer perguntas, oferecendo de forma intransigente um festival de riffs, que reverberam por todos os lados, tão agressivos e divertidos quanto viciantes, uma verdadeira sinfonia tóxica, impossível não banguear. 

Esse novo trabalho, auto produzido, nos oferece uma quantidade generosa e crocante da velha escola Thrash, mas em desacordo com suas raízes teutônicas, sua sonoridade possui um forte sabor Bay Area, uma verdadeira colcha de retalhos frankensteiniana composta por Metallica, Anthrax, Slayer, Vio-Lence, Death Angel, dentre outros, em seus dias glória, não deixando nenhuma fuga para o ouvinte. 

A ilustração da capa, criada pelo bielorrusso radicado nos EUA, Andrei Bouzikov (Violator, Vektor, Toxic Holocaust, Municipal Waste, Bio-Cancer, Nervosa, etc.), mostra uma mão fantasmagórica preparando-se para puxar o gatilho de uma arma escondida em certo tipo de sanduíche, imagem essa mais que apropriada.

Os "duelos" entre as guitarras de Olli e Janes são caóticos e empolgantes, contendo solos e riffs cativantes e infernalmente divertidos. O baixo de Lenz não é apenas audível, mas pesadamente ensurdecedor e maravilhosamente profundo. A bateria de Tim é precisa, rápida e frenética utilizando-se de uma amálgama de ritmos impiedosos, explorando inexoravelmente seu kit. Os vocais de Nordic são agressivos, ásperos e urgentes e em certos momentos melodiosos, soam como um excêntrico e improvável híbrido de Chuck Billy e Dave Mustaine.


Liricamente, não espere nada sobre temas complexos, o contexto politico social recorrente às diversas bandas de Thrash passa bem longe desse registro, o que se ouve são temas relacionados ao estilo. 

A faixa de abertura "Death, Destruction" serve como um pressagio ao que está por vir, um Thrash rasteiro e violento, desfilando coros polifônicos ameaçadores, uma constância na totalidade do registro, no melhor estilo oitentista. 

Uma introdução melodiosa anuncia a faixa título, "Eat Thrash", seguida de um riff assassino e explosivo tal como uma bomba de nêutrons, dilacerando tímpanos desavisados, um verdadeiro hino do Thrash moderno em potencial.

"Riot Of The Rats" inicia-se com uma introdução melodiosa, mas dessa vez acústica, seguida de uma detonação rítmica fulminante e um riff infernalmente tóxico. 

"Guts On Wheels" possui uma pegada mais cadenciada aonde nota-se claramente nos vocais de Nordic a influencia do front man do Megadeth.
O fato curioso, é que o riff principal da canção remete estranhamente ao de "Bulls On Parade" do Rage Against The Machine. 

"Shell Shock" a faixa mais longa da bolacha, Thrash cadenciado com riffs cremosos e espumantes muito bem concebidos, oferecendo uma enorme variedade de ritmos e alternâncias, deixando clara a capacidade inventiva da banda. 

"Kate Mosh" seria uma "homenagem" a um dos ícones da beleza, Kate Moss? Denota-se nessa faixa a face bem humorada de seus integrantes, a canção possui aquela pegada moshing old school divertidíssima. 

"Revengeance" faixa que remete as bandas NYHC, introdução pulsante e poderosa de baixo, o qual segue implacavelmente e de forma vigorosa durante toda a canção, aliado a riffs pesadíssimos e arrastados. 

"Protect & Sever" riffs cavalgados e hipnotizantes, rugem selvagemente a todo o instante, os solos abusam de dissonâncias evidenciando a influência velada de Slayer em sua melhor forma. 

"R.A.W."  riffs intensos zumbindo incessantemente, aliados a um solo dissonante cortante, agindo como se fosse uma motosserra abrindo seu crânio.

"Satan In My Drink" faixa que encerra o registro de forma mais que satisfatória, riffs viciosamente deliciosos e frenéticos, com direito a um interlúdio infeccioso. 

"Eat Thrash" é um registro brilhantemente executado, exibindo uma seção rítmica totalmente assoberbante, riffs maciçamente fascinantes, uma harmonia soberbamente trabalhada e um vocal incrivelmente proficiente.
O poder, o intelecto e a imaginação central do Thrash Metal clássico oitentista associado em perfeita harmonia à sensibilidade contemporânea.

♫ Now Eat Thrash... 
Yes, that mother-fuckin' Thrash!! ♫

Nota: 8,0

*Nota do site The Metal Club: 8.16

Formação: 

Tim Dasenbrock (bateria)
Oliver "Olli" Ralle (guitarra)
Lennart "Lenz" Ebbers (baixo)
Jan "Nordic" Hölscher  (vocal)
Jannes Stoll (guitarra)

Faixas:

01. Death, Destruction
02. Eat Thrash
03. Riot Of The Rats
04. Guts On Wheels
05. Shell Shock
06. Kate Mosh
07. Revengeance
08. Protect & Sever
09. R.A.W.
10. Satan In My Drink

Redigido por Claudio Santos 

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Firespawn - "The Reprobate" (2017)

Century Media

Mundo Metal [ Lançamento ]



Formado em 2012 sob o nome original de Fireborn, o Firespawn é um “supergrupo” de Death Metal sueco e “The Reprobate” é o segundo disco da carreira da banda, sucessor do debut “Shadow Realms” (2015).

Atualmente o termo “supergrupo” foi um tanto quanto banalizado, entretanto essa é a única descrição possível para o Firespawn. O baixista é Alex Friberg (Necrophobic), os guitarristas são Victor Brandt (Entombed AD) e Fredrik Folkare (Unleashed, ex-Necrophobic). No comando das baquetas fica Matte Modin (Sarcasm, ex-Dark Funeral, ex-Defleshed, ex-Infernal) e o frontman é ninguém menos que o lendário vocalista L-G Petrov (Entombed, ex-Nihilist, ex-Morbid). É ou não uma formação estelar para os padrões do Death Metal?

Devido ao cacife dos integrantes, é mais do que normal que se criasse uma enorme expectativa referente aos trabalhos que poderiam ser desenvolvidos e, para aumentar ainda mais tal sentimento, o primeiro disco não foi totalmente convincente. Dois anos mais tarde, “The Reprobate” mostra que a banda voltou melhor e mais encorpada, porém nem tudo são flores.


Como era de se esperar, na sonoridade do Firespawnn é notório o uso de muitos ingredientes utilizados por Entombed A.D. e Entombed. assim como fica evidente as influencias de outras bandas como Amon Amarth e Behemoth, ou seja, esse é um álbum que conta com esporádicas variações melódicas nas musicas, bem como alguns toques de Death Metal progressivo. 
Nada muito diferente do que o Firespawn já havia apresentado anteriormente, mas dessa vez, a grande sacada foi tentar ao máximo não sacrificar a brutalidade em detrimento a demonstrações de técnica e virtuose exacerbada. Conseguem isso em partes.

Outro aspecto que melhorou muito a avaliação foi a quantidade de faixas realmente relevantes, o disco está repleto daquelas canções que dão vontade de ouvir mais vezes. Sem duvidas, “The Reprobate” proporciona uma audição muito mais empolgante que o seu antecessor, mas se a banda melhorou em alguns aspectos, em outros ainda continua a repetir alguns erros, um deles é que mesmo tentando ser mais brutal, ainda falta um pouco de agressividade, parece que os suecos se esqueceram que o Death Metal é um estilo extremamente pesado, rápido e agressivo.

Isso sem contar o principal e mais grave erro, em “The Reprobate” fica evidente não a falta de criatividade, mas o uso moderado dela, não que seus músicos não sejam criativos ou não tenham capacidade para o ser, é que a meu ver, toda a criatividade do estrelado line-up se concentrou em suas bandas principais, fazendo com que algumas composições apresentem um festival de riffs repetitivos que fazem o álbum parecer maior do que realmente é. Em suma, o disco alterna bons momentos com algumas faixas sem sal e que dão a impressão de serem iguais as anteriores.


Os pontos altos do álbum são as excelentes “Serpent Of The Ocean”, “Full Of Hate”, “The Reprobate” e “General's Creed”, esta ultima, é facilmente a melhor do álbum devido, principalmente, a velocidade alucinante e ao melhor solo de todo registro. Por essas quatro faixas, pode-se dizer que o Firespawn evoluiu em relação ao primeiro disco e deve continuar esse processo evolutivo.

Talvez não seja esse o álbum que se espera de uma banda com tamanha qualidade individual e, definitivamente, esse não será o melhor disco de Death Metal do ano, mas como premio de consolação, posso afirmar que “The Reprobate” é um disco muito bom e sua audição tem alguns momentos que realmente empolgam, ainda que não seja nada excepcional. É um bom trabalho de uma banda que, até agora, não comprovou as expectativas geradas e se mostrou comum mesmo com uma formação tão excepcional. 

Nota: 7.5

*Nota do site The Metal Club: 7.39

Formação:

Alex Friberg - Baixo
Matte Modin - Bateria
Victor Brandt - Guitarra
Fredrik Folkare - Guitarra 
L-G Petrov - Vocal

Faixas:

01. Serpent of the Ocean
02. Blood Eagle
03. Full of Hate
04. Damnatio Ad Bestias
05. Death by Impalement
06. General's Creed
07. The Whitechapel Murderer
08. A Patient Wolf
09. The Reprobate
10. Nightwalkers

Redigido por Vitor Hugo Quatroque

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terça-feira, 18 de julho de 2017

Walpyrgus​ - "Walpyrgus Nights" (2017)

Cruz Del Sur Music

Mundo Metal [ Lançamento ] 



Você não esta cansado de ouvir sempre a mesma coisa de bandas que se dizem old-school mas apresentam som modernoso? Quer voltar aos tempos áureos de cabeleira, cinto de bala, jaqueta jeans cheia de patches, onde o pensamento mais importante na sua cabeça era o próximo show, e não a próxima conta? Procura aquela sensação de saciedade através da música bem tocada, honesta e com preço acessível? Não precisa procurar mais! O Mundo Metal orgulhosamente apresenta um novo produto, criado pelos mais competentes e profissionais cientistas do mercado Heavy Metal, com o objetivo de reacender a chama da felicidade e devolver aquele brilho aos seus olhos! Diretamente dos laboratórios da Carolina do Norte, nos EUA, um conglomerado veterano dos palcos composto por ninguém menos que Scott Waldrop (guitarra, Twisted Tower Dire), Jonny Aune (vocais, Twisted Tower Dire, Viper (US)), Jim Hunter (baixo, Twisted Tower Dire, While Heaven Wept, October 31), Charley Shackelford (guitarra, Daylight Dies) e Peter Lemieux (bateria, Viper (US)) traz a solução para todos os seus problemas de depressão com uma visão clássica do Hard Rock/Heavy Metal na veia dos já líderes absolutos de venda Iron Maiden, Scorpions, Black Sabbath e até Ramones!

Fizemos as melhores pesquisas do mercado e temos certeza que ‘Walpyrgus Nights’ é o produto certo pra você! Com mais de 4 anos de rodagem, uma única dose de Walpyrgus por dia já te transporta para os anais da melhor época da sua vida, desde riffs acessíveis e já característicos de Waldrop em “Lauralone” e “Palmystry” até os vocais duplos que – estudos mostram – têm o mesmo efeito de um chá de gengibre e limpa sua garganta em pouco tempo! Mas não é só isso! Temos aqui também músicas de extremo requinte metálico como a faixa de abertura, “The Dead of Night” e o épico final com “Walpyrgus Nights”; duas canções que prometem grudar os fones de ouvido às orelhas e nunca soltar!

Como o item foi cuidadosamente pensado em agradar VOCÊ, até uma veia punk foi injetada nos trabalhos finais, já que “Dead Girls” começa com linhas de guitarra perfeitas para aqueles que têm saudade dos bons anos 1970. A faixa, inclusive, é de tão boa qualidade que passou por todos os testes técnicos do Inmetro e já esta apta a figurar como abertura de um seriado sobre garotas vampiras motoqueiras! Sensacional! E o que falar das pequenas cápsulas de harmonias ricas, melódicas e energéticas como a bela e mágica “She Lives”, que com certeza fará você dançar como nunca? Com apenas 2:47 de duração, é perfeita para pessoas de todas as idades e pode ser tocada sem cansar!


O ritmo alto-astral também não ficou de fora com a representante dos ouvintes mais animados, “Somewhere Under Summerwind”, trilha perfeita para aqueles dias ensolarados na estrada viajando com a mamãe, o papai e a titia! Pensa que acabou? Claro que não! Vemos aqui também ótimas linhas de guitarra em cascata, cozinha poderosa e presente, além, é claro, de ganchos e mudanças de ritmo perfeitamente condizentes com a produção e mixagens cristalinas, dignas de sua atenção incondicional! E se você ligar nos próximos 30 minutos para nossa central de atendimento dizendo o código “WalpyrgusTeclado” vamos entregar - completamente GRÁTIS - orquestrações, guitarras adicionais e linhas maravilhosas de teclado de ninguém menos que Tom Phillips, co-fundador do While Heaven Wept e profundo estudioso de música clássica! Ainda, as primeiras quinhentas cópias adquiridas também vêm com um cover virtuoso de “Light of a Torch” do grande Witch Cross. Imperdível!

Pra completar, daremos também para todos os compradores uma linda embalagem do artista Gustavo Sazes (Morbid Angel, Arch Enemy, Firewind). Corra, porque uma oferta tão boa como essa só acontece por tempo limitado! De Hard Rock a Heavy Metal, não importa seu estilo favorito: ‘Walpyrgus Nights’ é o produto essencial e imperdível que estava faltando na sua casa. Aceitamos todos os cartões de crédito, ticket restaurante e até vale-transporte como forma de pagamento! Tá esperando o quê? Compre, compre!

Nota: 8

Nota do site The Metal Club: 8.24

Formação:

Jim Hunter (baixo)
Scott Waldrop (guitarra)
Charley Shackelford (guitarra)
Jonny Aune (vocais)
Peter Lemieux (bateria)
Tom Phillips (teclado, orquestrações, guitarras adicionais)

Faixas:

1. The Dead of Night 
2. Somewhere Under Summerwind  
3. Dead Girls 
4. Lauralone 
5. Palmystry  
6. She Lives 
7. Light of a Torch (Witch Cross cover)  
8. Walpyrgus Nights

Redigido por Bruno Medeiros

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