Hamferð​ - "Támsins likam" (2018)

Metal Blade Records
Mundo Metal [ Resenha ]


De tempos em tempos, me vejo ouvindo um álbum mais vezes do que o normal. É comum eu ser cativado de surpresa e aquela bagaça entrar tão fundo na minha mente que eu aperto o play sem nem pensar. “Porra, tô com tempo livre aqui. Deixa eu ouvir o novo do Molejão de novo”. 

Tá, isso não acontece com Molejão pra mim, mas os homens do mar mais viris das Ilhas Faroé (sim, Ilhas Faroé, lugar que conta com menos habitantes que o puteiro do seu bairro em dia de pagamento), mais conhecidos pela alcunha de Hamferð, entraram na minha cabeça e tomaram minhas memórias mais rápido do que quando eu vi a bunda da Paolla Oliveira pela primeira vez. O Hamferð não é exatamente uma nova banda, já que andam por aí desde 2008, mas essa é a minha primeira vez ouvindo os caras, e porra, como eu fiquei feliz em ter feito isso. Claro, esses faroeses feroeses faroés habitantes dessa porra de território são tudo menos anônimos, porém, já que seu principal membro é nada menos que Jón Aldará, do Barren Earth. O som aqui se assemelha a Swallow the Sun, Clouds e um pouco de Draconian nas partes mais lentas e mais densas.


Assim como o álbum todo ataca direto do coração e na alma, sem firulas ou demoras, não há sentido em eu ficar tecendo palavras, rasgando seda e falando dos orgasmos que cada música te proporciona separadamente, então o negócio é ir direto ao ponto: A carga emocional acerta em cheio e não existem notas fora de seus lugares aqui. Desde os primeiros segundos de "Fylgisflog", onde o mar faz sua aparição de gala, ao final majestoso com o "Vápn í anda", épico e doloroso, o álbum te mantém prendendo a respiração e hipnotizado pelas performances e passagens profundamente inspiradas. 

Esse é um dos álbuns mais emocionantes, complexos, cativantes e atmosféricos que eu ouvi recentemente, e meu segundo favorito do ano até a data da publicação dessa resenha, perdendo só pro monstruoso ‘White Horse Hill’ do Solstice. As histórias, a consistência, o instrumental e a execução de ‘Támsins likam’ são uma prova de que o Hamferð terá uma longa vida na cena do Metal. E essa maravilhosa peça de arte veio das Ilhas Faroé, de todos os lugares, o que torna a aura e a experiência geral ainda mais impressionantes. Compre, alugue, pirateie, baixe, grave uma fita, não importa: ouça isso o mais rápido possível.

Nota: 9

Formação: 

Remi Johannesen (bateria)
John Egholm (guitarra)
Theodor Kapnas (guitarra)
Esmar Joensen (teclado)
Jón Aldará (vocal)
Ísak Petersen (baixo)

Faixas:

1. Fylgisflog 
2. Stygd 
3. Tvístevndur meldur 
4. Frosthvarv 
5. Hon syndrast 
6. Vápn í anda

Redigido por Bruno Medeiros

Melhores Álbuns do Mês: Fevereiro (2018)


Se janeiro foi a ressaca do ócio e das gorduras acumuladas em duas semanas de festas com família e depois putaria com amigos, em fevereiro o índice brasileiro de loucuras vai a mais de 9000 na famigerada data onde o álcool toma conta do sangue e plumas, látex, purpurina e vergonha se misturam no corpo. Mas como o Metal caga um balde pra credo, feriados e trios elétricos carregando cantores de qualidade duvidosa e populares suados, tivemos mais um mês de puras delícias e alentos para o headbanger que prefere se desligar do fenômeno da massa e usar o carnaval pra curtir um som. 

Minha namorada já sabe distinguir Pagan de Black, US Power de Power Europeu e não aguenta mais ouvir o novo play do Necrophobic (porque ela não gosta de “voz de demônio”), e vai continuar a aprender se remoendo de raiva com a quantidade de riffs, viradas, leads, gritos e solos que continuam chegando porque o que ela curte mesmo é Shakira e Michael Bublé, mas tem um companheiro doente por Metal. Ao passo que a pilha movediça de promos de 800 bandas aparecem pra análise e vão engolindo corpo e mente, a energia vital do corpo vai se esvaecendo e a vontade de mandar um shift+del na caixa de emails e nunca mais entrar no metalstorm, metal archives ou metal o caralho a quatro pra ver o que de interessante saiu vai aumentando, mas temos um vício e precisamos alimenta-lo, vou fazer o quê? 

Os destaques principais desse mês vão para as bandas que lançaram suas pérolas de forma independente, mandando um belo foda-se pra gravadoras burras que não tem competência de distinguir uma banda boa de um peido. Além disso, é fácil notar a ausência de gigantes do certame como o Therion, que mandou em seu ‘Beloved Antichrist’ um álbum bem legal mas com quase QUATRO PORRAS DE HORAS (aí fode o balaio, Johnssão), o Angra que dividiu o país e criou uma guerra santa entre os fãs e os que cagam pra Bittencourt, Sandy e companhia, e o Royal Hunt, que facilmente poderia ter roubado um lugarzinho na lista com o ótimo ‘Cast In Stone’, mas bateu na trave; claro, isso sem falar em outras jóias como Insulter, Seyminhol, Aenimus, Thaurorod, Harakiri for the Sky e tantas outras. Então chega de falar merda e vamos ao que interessa, porque a pilha só tá aumentando...


Battlesoul - Sunward and Starward 
(Death/Folk/Power)
CDN Records


Essa salada musical maravilhosa é a arma de escolha do Battlesoul, banda Canadense que mostra ao mundo seu terceiro trabalho em ‘Sunward and Starward’. Bela pedida pra fãs de Ensiferum, Blackguard e, em menor escala, Falconer.


Crescent - The Order of Amenti 
(Blackened Death)
Listenable Records


Os escravos das pirâmides estão de volta com seu segundo ataque em ‘The Order of Amenti’. Os Egípcios de Cairo mostram todo seu poder de fogo e sua riquíssima história mais uma vez, lembrando que o Nile pode ser o líder do combo mitologia egípcia/Death Metal, mas quando o trabalho vem de dentro da cultura o negócio fica sério.


Frozen Crown - The Fallen King 
(Power)
Scarlet Records


Power Metal e Itália na mesma frase pode assustar os populares de mente simples para a música, mas aqui a parada é forte e a atitude invejável. Com a virtuosa Talia Bellazecca debulhando nos riffs e solos e a talentosa Giada Etro encantando nos vocais, o Frozen Crown criou em ‘The Fallen King’ um dos melhores plays do ano até agora, e meu álbum favorito de Power Metal em 2018.


Funeratus - Accept the Death 
(Death)
Extreme Sound Records


Fui pego de surpresa quando vi o retorno do Funeratus, que não lançava um full-lenght desde ‘Echoes In Eternity’ (2004). A tempestade de vingança vinda de Mococa, SP, debulha tudo em seu caminho e mostra que Fernando Trepador, André Nálio e Gustavo Reis não perderam nada de sua brutalidade.


Hammer of Daemons - Barbarian Assault 
(Thrash)
Independente


Os bárbaros saxões consolidam seu ótimo trabalho iniciado em 2016 – apesar de contar com membros já veteranos na música – em ‘Hellfire (Beyond the Iron Curtain)’ com uma mescla interessante entre o Thrash Metal e elementos mais tradicionais e épicos. Ótimo para aqueles que procuram algo fora da caixinha.


Necrophobic - Mark of the Necrogram 
(Death/Black)
Century Media Records


Destruição, casas pegando fogo, pilhagens, saques, morte, caos. ‘Mark of the Necrogram’ é mais um testamento de que com o Necrophobic não se brinca. Se é louco.


Saxon - Thunderbolt 
(Heavy)
Silver Lining Music


Os vovôs mais avassaladores desse lado de Yorkshire tomaram seu chazinho das 17hs, encaixaram as dentaduras e subiram no pódio pela VIGÉSIMA SEGUNDA vez em ‘Thunderbolt’, prova de que a fonte da juventude eterna existe e esta nas mãos dos Lordes Paul Quinn, Biff Byford, Nigel Glocker, Nibbs Carter e Doug Scarratt. Respeitem os mais velhos, porque eles sabem o que fazem.


Solstice - White Horse Hill 
(Epic Doom)
Independente


Enquanto escrevo sobre o Solstice, lendário e magnífico ato, uma lágrima cai do meu rosto. Foram vinte anos de espera até que White Horse Hill - terceiro full dos Britânicos veteraníssimos e eruditos - saísse do forno, e valeu cada segundo de espera. Muito acima do comum, o álbum eleva o nível de inteligência e performance da própria banda e se torna, através do código mais honroso e épico possível, uma obra atemporal, atmosférica e extremamente poderosa. Meu álbum xodó de 2018 até agora.


Visigoth - Conqueror’s Oath
(Heavy/Power)
Metal Blade Records


Ao tocar de coração e fazer o que eles amam, esses guerreiros de Salt Lake City, EUA, de todas as porras de lugares possíveis pra se fazer Metal, estão redefinindo o gênero para as gerações futuras, mantendo os elementos centrais do que é aclamado no estilo como a visão mais pura da música e adicionando idéias frescas - embora não inteiramente originais - pro caldeirão. Todos ajoelhem-se ao Visigoth, conquistadores do Metal.


Xenoblight - Procreation 
(Technical Thrash/Death)
Independente


Riffs ensurdecedores e porradaria constante misturam o Thrash e o Death da forma mais técnica possível com ‘Procreation’, debut dos Dinamarqueses do Xenoblight. Atitude correta, capa linda e atmosfera mais Metal, impossível.


Menções Honrosas:


Master’s Hammer - Fascinator 
(Black/Experimental)
Jihosound Records


Ocultismo, espíritos, lendas Tchecas e outras maluquices são a marca registrada dos mestres do Black Experimental, liderados pelo titã Franta Štorm, multi-instrumentista e excêntrico nas horas vagas. Amenizando um pouco no Black pra experimentar mais ainda, o Master’s Hammer não exagera na dose de elementos alienígenas, porém, e mostra qualidade impecável em mais uma obra.


Nydvind - Tetramental I: Seas of Oblivion 
(Pagan)
Malpermesita Records


Terceira obra completa dos Franceses Stig, Hingard e Nesh, já rodados na cena, ‘Tetramental I: Seas of Oblivion’ é uma jornada ao profundo sub-consciente e à arte em sua forma mais orgânica e depressiva. Ótima rendição de um estilo tão rico quanto o Pagan Metal.


Sacred Leather - Ultimate Force 
(Heavy/Thrash)
Cruz del Sur Music


O que seria de nós sem uma dose de alta energia e Metalzão sem firulas e frescuras? É pra isso que o Sacred Leather esta aqui: entregar o mais puro aço, pilotar as motos mais velozes e, claro, criar uma capa viril com uma pantera prestes a dar seu bote. Cintos de bala, jaquetas de couro e riffs intermináveis!


Sculptor Void - The Rending Light 
(Thrash)
Independente


Vektor, Voivod e Nocturnus são alguns nomes que vieram à mente enquanto ouvia ‘The Rending Light’, debut dos Thrashers Alemães do Sculptor Void. Tem como ser ruim?


Warshipper - Black Sun 
(Death)
Independente


Banda formada recentemente em Sorocaba, SP, o Warshipper alia temas sci-fi ao Death Metal e entrega uma ótima primeira impressão em ‘Black Sun’. Das linhas vocais rasgadas e agressivas de Renan Roveran à cozinha cirúrgica e prolífica de Rodolfo Nekathor e Roger Costa, os Sorocabanos estão no caminho certo para o respeito e reconhecimento na cena.



Redigido por Bruno Medeiros

Judas Priest​ - "Firepower" (2018)

Epic Records

Mundo Metal [ Lançamento ]



E eis que 4 anos após "Redeemer Of Souls", aqui estou eu novamente escrevendo uma resenha sobre um álbum novo do Judas Priest. Me lembro bem o que aconteceu naquela época e, por isso, é muito gratificante poder analisar "Firepower" com a consciência 100% limpa. Voltando um pouco, às vésperas do lançamento em 2014, a minha ansiedade era muito parecida com a que eu sentia há alguns dias atrás (já em 2018), a grande diferença é que "Redeemer Of Souls", diferente de "Firepower," infelizmente não supriu as minhas expectativas e, apesar de não ser um trabalho de todo ruim, fui coerente com meu sentimento de decepção e fiz severas críticas ao registro. Não é fácil apontar defeitos em um disco gravado por uma banda ao qual você admira desde a adolescência, porém jamais entregaria uma análise que não fizesse jus ao que eu realmente senti quando fiz as audições. Não me arrependo. Para os haters que me xingaram na época, proponho o seguinte, compararem "Redeemer" com o novo trabalho e falhem miseravelmente ao tentar manter as suas argumentações pífias do passado...

Sem mais delongas, vamos ao que interessa!

É bom que se diga logo de início, até por que acredito que este seja o principal fator que garantiu ao Judas Priest um álbum com tamanha qualidade. A escolha de Andy Sneap para fazer a produção de "Firepower" foi mais do que um acerto, foi um tremendo tiro certeiro e direto ao alvo. Há bastante tempo que Andy vem realizando ótimos trabalhos com bandas veteranas de Heavy Metal e o cara parece saber direcionar como ninguém e conseguir extrair aquele gás a mais dos velhinhos (Accept e Saxon que o digam).

Todo o contexto dramático que envolveu a composição do disco parece ter contribuído também para um resultado favorável. Pelo que foi noticiado pelos próprios integrantes, Glenn Tipton precisou se superar a cada dia para conseguir gravar todas as faixas e, querendo ou não, acredito que todos sabiam que este poderia ser o último registro de uma das grandes lendas do Metal mundial. Todo esse esforço jamais poderia ser em vão e o álbum precisava ser digno de toda a grandeza do Priest.


Nós, os reles mortais que apenas aguardávamos ansiosamente e nem sonhávamos com nada disso que acontecia nos bastidores, começamos a ter o vislumbre de que uma grande obra nasceria quando as faixas de abertura do trabalho foram disponibilizadas para audição. Primeiro a impactante "Lightning Strike" e depois a furiosa "Firepower", ambas com uma pegada tão contundente que causou até o estranhamento de alguns incrédulos. A grande verdade é que essas duas músicas foram capazes de realizar um fenômeno interessante, pois até os headbangers que vinham demonstrando descontentamento com os últimos discos do grupo, voltaram as suas atenções para a chegada de "Firepower". 

Se a expectativa já era grande, obviamente ficou maior ainda. O medo de que o álbum decepcionasse era um sentimento que chegava a incomodar, mas os deuses do Metal não permitiriam que tamanha injustiça acontecesse e, justo no disco que, provavelmente, promete ser o último da carreira da banda, seria um pecado que apresentassem algo diferente do que o Judas senso Judas com maestria e toques de brilhantismo.


Toda a comoção gerada às vésperas do lançamento pode ser justificada após a audição, e que audição meus amigos. A sequência inicial é simplesmente arrasadora! 

As já mencionadas "Firepower" e "Lightning Strike" abrem o registro empolgando, mas somente quando se inicia "Evil Never Dies" é que começamos a ter a verdadeira noção do que estaria por vir. Aquele riff classudo calcado no mítico "British Steel" invade os falantes e a nostalgia é imediata, mas além do refrão imponente e dos solos inspirados da dupla Tipton/Faulkner, é Halford quem emociona na segunda metade da faixa. Com uma performance digna dos grandes clássicos 'priestinianos', o Metal God desfere agudos como nos bons tempos e é humanamente impossível terminar este som sem estar gritando: "evil! never dies!".

A próxima é mais uma das que foram previamente disponibilizadas: "Never The Heroes". E para aqueles que não viram nada de excepcional na composição, ela se encaixa perfeitamente na sequência do disco e é dona de um dos refrões mais bonitos do quinteto em muito tempo. Em "Necromancer" temos aquele Heavy Metal direto, reto e sem frescuras, daqueles que empolgam logo na primeira audição. Já em "Children Of The Sun" e "Rising From Ruins", a cadência dita o ritmo e mais uma vez, somos surpreendidos por belíssimas construções e um feeling absurdo.



Passando um pouco da metade da audição, a energética "Flame Thrower" traz um toque de modernidade e lembra a todos que o Judas Priest nunca foi uma banda datada ou limitada a determinada sonoridade. "Spectre" se destaca pelo impecável trabalho de guitarras e, principalmente, pelos solos fabulosos (talvez os melhores do registro). Quando o dedilhado que marca o início de "Traitors Gate" começa, nem o mais otimista dos fãs poderia imaginar a explosão de riffs que viria a seguir. Coisa linda! Aqui temos sem dúvidas, uma das melhores músicas do Judas desde "Painkiller" (Senão a melhor!). Nesta faixa, ainda devo destacar a perfeição que é o trabalho da parte rítmica formada pelo baterista Scott Travis e o baixista Ian Hill, pois ambos contribuem e muito para esse resultado final desconcertante e primoroso.

A parte final de "Firepower" ainda rende algumas boas surpresas, já que "Never Surrender" é um convite imediato a adentrar numa máquina do tempo e descer lá por volta de 1982, onde a banda flertava com o Hard Rock de maneira incrível. Esta canção poderia facilmente estar em "Screaming For Vengeance" ou "Defenders Of The Faith". O encerramento acontece com "Lone Wolf" e "Sea Of Red", na primeira, uma composição mais moderna que poderia entrar facilmente em algum álbum solo de Halford ou até mesmo no aclamado "War Of Words" do Fight, já a segunda, é uma linda balada repleta de sentimento que com certeza arrancará lágrimas dos mais emotivos.


Em suma, temos finalmente um registro digno das grandes obras do Judas Priest e, mais do que isso, um álbum que dificilmente ficará de fora das listas de melhores do ano. "Firepower" não decepciona em hora alguma e sua principal diferença em relação ao trabalho anterior, é que mesmo nas faixas onde não se vê todo aquele brilhantismo costumeiro, ainda assim consegue manter o ouvinte preso a audição. Se na minha análise de "Redeemer Of Souls", eu fui duro com as palavras e ressaltei uma série de detalhes que me impediam de dar uma grande nota ao disco, nesta resenha temos a redenção de uma lenda do Heavy Metal. Me sinto absolutamente satisfeito com o resultado final e totalmente à vontade para finalizar o texto com o mítico chavão: THE PRIEST IS BACK! 

Audição obrigatória!

Nota: 9
*Nota do site The Metal Club: 8.89

Integrantes:

Rob Halford (vocal)
Glenn Tipton (guitarra)
Richie Faulkner (guitarra)
Ian Hill (baixo)
Scott Travis (bateria)

Faixas:

01. Firepower
02. Lightning Strike
03. Evil Never Dies
04. Never The Heroes
05. Necromancer
06. Children of the Sun
07. Guardians
08. Rising From Ruins
09. Flame Thrower
10. Spectre
11. Traitors Gate
12. No Surrender
13. Lone Wolf
14. Sea of Red

 Redigido por Fabio Reis

*A nota do site The Metal Club é sujeita a modificações de acordo com as avaliações dos seus usuários. Acesse, avalie e veja se sua nota bate com a nossa:


Lione/Conti​ – Lione/Conti (2018)

Frontiers Records
Mundo Metal [ Lançamento ]


Fabio Lione (Angra, Vision Divine, ex-Rhapsody of Fire) e Alessandro Conti (Luca Turilli's Rhapsody, Trick or Treat) poderiam ser arqui-inimigos; eles poderiam lutar até a morte por um lugar no topo da cena do Metal Italiano, falar mal um do outro ou até mesmo sair na mão no meio da rua, e eu não ficaria surpreso. Em vez disso, os dois loucos uniram forças e, bem como Russell Allen e Jørn Lande antes deles, apostam no estilo “Power duet” de tocar música com seu primeiro álbum, ‘Lione/Conti’, lançado há pouco via Frontiers Records.

Mas no quesito comparação, os novos Mario e Luigi da cena Power Metal  comem os plays Allen/Lande com farinha, frango e tudo mais que tiverem direito. A dupla ataca com velocidade e destreza na estréia do projeto paralelo - que não se afasta muito do que eles costumam fazer em suas principais bandas musicalmente falando, mas diminuem bastante na dose de açúcar – e com a ajuda de pesos pesados da cena Italiana como Simone Mularoni (baixo, guitarra, DGM) e Mario Lanciotti (bateria, Elvenking), oferecem uma experiência surpreendentemente boa de Power Metal, alternando entre músicas rápidas e mais diretas como a faixa de abertura "Ascension" e a ótima "Misbeleiver", e mais emocionais e voltadas à melodia como "You're Falling" e "Somebody Else". Os desempenhos instrumentais e de performance geral são de primeira qualidade, especialmente quando a composição parece ser feita sob medida pra cada estilo vocal, seja no pitch mais alto e limpo de Conti ou na nova abordagem de canto - mais baixa e densa - de Lione, e a produção e mixagem cristalinas, claras e visivelmente bem trabalhadas.


Como eu disse, ‘Lione/Conti’ é uma grande surpresa em um ano já empilhado de delícias no Power Metal (já temos coisas bem legais pipocando por aí, como os novos plays do Mike Lepond’s Silent Assassins, Imperial Age, Frozen Crown, Visions of Atlantis, Thaurorod e Nova Reign, além de muito som bom ainda por vir) e com certeza vai agradar todos os que curtem o gênero, principalmente os que preferem seu prato de Power servido sem as altas doses de açúcar que fariam qualquer diabético ser visitado pelo ceifador em questão de segundos. Recomendado.

Nota: 8.3
*Nota do site The Metal Club: 8.78

Formação:

Alessandro Conti (vocal)
Fabio Lione (vocal)
Simone Mularoni (baixo, guitarra)
Marco Lanciotti (bateria)
Filippo Martignano (teclado)

Faixas:

1. Ascension 
2. Outcome  
3. You're Falling 
4. Somebody Else  
5. Misbeliever 
6. Destruction Show  
7. Glories  
8. Truth  
9. Gravity  
10. Crosswinds

Redigido por Bruno Medeiros​

*A nota do site The Metal Club é sujeita a modificações de acordo com as avaliações dos seus usuários. Acesse, avalie e veja se sua nota bate com a nossa:


Judas Priest - "Stained Class" (1978)

Mundo Metal [ Álbuns Aniversariantes ] 


No sábado passado quarto álbum de estúdio dos britânicos do Judas Priest completou 40 anos de seu lançamento. Gravado entre outubro e novembro de 1977 no Chipping Norton Recording Studios, em Oxfordshire (exceto “Better By You, Better Than Me”, que foi no Utopia Studios, em Londres), “Stained Class” é considerado um dos maiores clássicos da vasta discografia dos “Metal Gods”.

Produzido por Dennis Mackay e pela própria banda, além de James Guthrie que foi o produtor de “Better By You…”, o trabalho mostrou-se uma produção mais limpa e nítida em relação aos trabalhos anteriores do Priest. Além disso, todas aquelas influências do rock progressivo e pitadas de blues oriundas dos álbuns anteriores também desapareceram em “Stained Class”, que marca a transição da banda do Hard Rock para o Heavy Metal propriamente dito, assim, levando mais peso para as suas músicas.

Curiosamente, este é o único disco do Judas Priest que tem composição criada por todos os integrantes da banda. O baixista Ian Hill, por exemplo, foi um dos co-criadores de “Invader”, enquanto o, então, baterista Les Binks contribuiu na autoria de “Beyond The Realms Of Death”. Após este álbum, o processo de criação das músicas sempre predominou entre Rob Halford, K.K. Downing e Glenn Tipton.

Aliás, no disco anterior – “Sin After Sin” (1977) -, o grupo optou em contar com os serviços de Simon Phillips nas gravações. Porém, na turnê, o baterista escolhido foi Les Binks. Os integrantes do Priest ficaram tão impressionados com a performance dele, que pediram para que o músico ficasse. Assim, Binks foi o titular das baquetas nas gravações de “Stained Class”, “Killing Machine/Hell Bent For Leather” (1978) e do ‘live’ “Unleashed In The East”, de 1979.

Liricamente, “Stained Class” é o trabalho que mais traz temas sombrios e violentos do quinteto britânico. Como podem ser visto em temas como “Saints In Hell”, que fala sobre o inferno; “Savage”, que aborda sobre as brutalidades atribuídas a tribos nativas pelo colonialismo; “Heroes End”, que lamenta as inúmeras pessoas feitas em lendas por morte prematura; além da faixa-título que fala sobre o homem sendo corrompido. Além disso, há o famoso cover do Spooky Tooth – “Better By You, Better Than Me” -, que deu uma tremenda “dor de cabeça” na banda.

No verão de 1990, o Judas Priest sofreu um processo de ação civil em que os pais de dois jovens alegaram que os rapazes foram induzidos a cometer suicídio por conta de suposta mensagem subliminar que “Better By You, Better Than Me”. Porém, um deles disparou a arma contra a própria cabeça, mas conseguiu sobreviver mais três anos. A mídia da época usou o episódio para impor um grande sensacionalismo contra o grupo. No entanto, nada ficou provado contra o Judas Priest ou que eles tenham incentivado a prática de suicídio. É provável mesmo que as causas possíveis do suicídio eram que eles sofriam abuso.


O incidente envolvendo os dois sujeitos aconteceu em 23 de dezembro de 1985, quando os jovens James Vance, de 20 anos, e Raymond Belknap, de 18, passaram horas e horas bebendo, fumando e supostamente estariam escutando Judas Priest na cidade de Sparks, Nevada, nos EUA. Depois do “porre”, os dois teriam ido ao parque, que ficava próximo de uma Igreja, munidos de uma espingarda calibre 12 dispostos a tirarem suas próprias vidas. Belknap puxou o gatilho contra o próprio queixo e morreu na hora. Já Vance, após atirar contra si próprio, conseguiu sobreviver com graves lesões faciais, porém, devido às complicações, faleceu três anos depois.

A capa foi feita por Roslav Szaybo, que introduziu o logotipo clássico da banda, substituindo o logo de estilo gótico das versões anteriores.

A revista britânica Metal Hammer, em 2004, classificou “Stained Class” como o mais pesado álbum de Metal de todos os tempos.

Em 2001, o disco foi remasterizado e acrescido de duas faixas bônus. A primeira delas é “Fire Burns Below”, gravado durante as sessões de “Ram It Down”, em 1988, com Dave Holland na bateria. Enquanto a segunda canção é uma versão ao vivo de “Better By You, Better Than Me” gravado em 13 de setembro de 1990 no Foundations Forum, em Los Angeles, Califórnia, com Scott Travis nas baquetas.

Com certeza, se você curte os clássicos do “Metal Gods”, esse é um de seus álbuns favoritos. Obrigatório em qualquer coleção para quem aprecia o bom, velho e clássico Heavy Metal.

Faixas:

1. Exciter (Halford / Tipton)
2. White Heat, Red Hot (Tipton)
3. Better By You, Better Than Me (Wright)
4. Stained Class (Halford / Tipton)
5. Invader (Halford / Tipton / Hill)
6. Saints In Hell (Halford / Downing / Tipton)
7. Savage (Halford / Downing)
8. Beyond The Realms Of Death (Halford / Binks)
9. Heroes End (Tipton)
Faixas bônus:
10. Fire Burns Below (Halford / Tipton)
11. Better By You, Better Than Me (live) (Wright)

Formação: 

Rob Halford: voz
K.K. Downing: guitarras
Glenn Tipton: guitarras
Ian Hill: baixo
Les Binks: bateria

Dave Holland: bateria em “Fire Burns Bellow”
Scott Travis: bateria em “Better By You, Better Than Me”

Redigido por Rodrigo N. Fiuza

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