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Venom Inc.: Tonny Dolan responde Cronos após ser chamado de "imitação barata"


Em uma recente entrevista ao Heavy Metal Mixtape, Tony Dolan foi questionado sobre o que pensa das declarações de Cronos sobre o Venom Inc. ser uma imitação barata do verdadeiro Venom, o baixista e vocalista foi direto e respondeu:

"Não tenho que pensar nada sobre isso. Cronos pode reclamar pelo resto de sua vida se isso o faz se sentir feliz, estamos apenas fazendo o nosso trabalho e o resto não tem nenhuma importância".

O músico ainda explica que: "Nós apenas contamos a história real. Ele escolhe uma espécie de série estranha de fatos alternados. A biografia oficial no site que ele administra mudou seis vezes em dez anos, é difícil manter algo assim para ser honesto. Ele faz o que faz e espero que ainda o faça bem, mas além disso, não nos importamos. O nome Venom Inc. e o logotipo que usamos é o mesmo projetado originalmente por Abaddon (ex-membro do Venom e atualmente no Venom Inc.) com a adição do Inc."

A polêmica teve início em 2006 quando Mantas (outro ex-membro do Venom e atualmente no Venom Inc.) declarou o seguinte:

"Para sermos totalmente honestos, estamos deixando os fãs decidir (qual dos dois Venoms é o verdadeiro), há alguns fãs de Cronos, mas eu acho que todas as batalhas que temos tido, nós estamos ganhando. Todos que encontramos depois do show dizem que nós somos o verdadeiro Venom e isso é o que eles estavam esperando. Todos que tenho conversado e assistiu a outra versão ao vivo, basicamente tem me dito que o coração, a alma e o espírito do Venom está conosco."

Essa é uma briga que ainda vai longe...

Curiosidades: Venom - Cronos, Mantas, Abaddon e... Jesus Christ?


Poucos sabem, mas o Venom em uma fase anterior a gravação de seu primeiro álbum, chegou a ser até mesmo um quinteto. Pouco antes de "Welcome To Hell" ganhar vida, o grupo já era um quarteto e quando os integrantes resolveram adotar os pseudônimos, além de Cronos, Mantas e Abaddon, havia um vocalista que curiosamente escolheu o pseudônimo Jesus Christ.

O nome desse cara era Clive Archer e ele teve dois papeis importantes no desenvolvimento do Venom e do próprio Black Metal. Apesar de ser contra a temática satanista do grupo, Clive usava um tipo de corpse paint bem característico, usando um produto que fazia com que sua face ficasse enrugada (craquelada) e parecesse que estava quebrando, tal tipo de pintura acabou sendo uma das grandes influências para as bandas do estilo anos mais tarde.


A outra contribuição de Clive foi a de emprestar todos os seus equipamentos ao grupo, mesmo depois de deixar o Venom por divergências ideológicas, o músico cede sua aparelhagem para que o trio (à partir deste momento) pudesse seguir em frente.

Outra curiosidade pouco divulgada é que esta não seria a primeira vez que o cristianismo iria "dar uma força" aos precursores do Black Metal, pois logo após o lançamento do clássico álbum "Black Metal" (1982), o Venom foi banido de praticamente todos os estúdios de Newcastle e acreditem se quiser, quem cedeu espaço para a banda ensaiar foi uma igreja católica. Existem até algumas fotos clássicas onde Cronos sacaneia a paróquia invertendo um crucifixo fixado na parede.


É isso amiguinhos, a banda mais capirota do início dos anos 80, ensaiou numa igreja e teve um vocalista com pseudônimo Jesus Christ. Hoje em dia isso daria uma treta maligna hein...

Obs: antes que apareçam os mimizentos, não estamos fazendo apologia a nada, apenas retratando um fato curioso do mundo da música.


Venom - Black Metal (1982)


“Lay Down Your Souls to the Gods Rock’n’Roll” 
32 anos de Black Metal

No dia 01 de novembro de 1982 foi lançado através da Neat Records um dos registros mais importantes da história do Metal: “Black Metal”, o segundo álbum de estúdio dos britânicos do Venom. Após um “debut” matador e que também e considerada como um dos grandes pilares do Metal, a banda, que na época consistia em um “power trio” composto por Conrad “Cronos” Lant (vocal e baixo), Jeff “Mantas” Dunn (guitarra) e Tony “Abaddon” Bray (bateria) lança um disco de qualidade superior e que demonstra ainda mais o poderio dos músicos. Contando com uma simples, porém marcante arte de capa, além de músicas importantíssimas para a carreira do Venom, o álbum é também extremamente memorável por usar o termo "Black Metal" pela primeira vez. Até hoje, diversos fãs de Metal discutem o gênero em que a banda e o álbum se encaixam. Ouvindo o conjunto da obra, é possível ver claramente que a banda executa uma sonoridade voltada para o Speed/Thrash Metal. O lado “Black Metal” está presente sim, entretanto não na sonoridade executada pelo grupo e sim no conteúdo anticristão e satânico das letras. Ainda que o Venom não seja uma banda de Black Metal e que o álbum não seja, por consequência, um trabalho dessa vertente musical, é inegável a influência e a extrema relevância que a banda e esse registro têm para o Metal Extremo e, por conseguinte, para o Black Metal, é claro. Há poucos dias atrás, essa grande joia da música pesada completou o seu aniversário de 32 anos e certamente deixar de revisitar esse grande trabalho seria um grande pecado, não é mesmo?! 

Antes de qualquer coisa, o álbum é dividido em dois lados, sendo eles “Black” (Lado A) e “Metal” (Lado B). Uma curta introdução sonora inicia o lado “Black” e rapidamente abre espaço para os “riffs” infames e crus do hino “Black Metal”, faixa título do álbum e clássico indiscutível do Metal. Logo de cara o ouvinte se depara com um andamento veloz e empolgante, acompanhando por um refrão que é simplesmente um dos maiores mantras já escritos dentro do Metal: 

“Black Metal
Black Metal
Black Metal
Black Metal
Black Metal
Lay down your soul to the gods Rock'n'Roll!”


Após uma tremenda abertura, é a vez de “To Hell and Back”, faixa mais cadenciada, porém não menos interessante por conta disso, muito bem conduzida pela guitarra afiada de Mantas e pela veloz “cozinha” de bateria e baixo comandada respectivamente pelo baterista Abaddon e pelo “frontmen” Cronos. Uma introdução antecede a terceira música do disco, “Buried Alive”, outro grande destaque do álbum, com seu ritmo arrastado e pegajoso. Já “Raise the Dead” é um tremendo “Speed Metal” contagiante, uma grande música que não deixa a qualidade do trabalho decair. Em seguida, temos a igualmente sensacional “Teacher’s Pet”, apresentando “riffs” grudentos, levadas empolgantes de bateria, além dos vocais rasgados e inconfundíveis de Cronos. Um grande petardo, para variar!

Eis que é a vez do lado “Metal” da obra e ele se inicia com “Leave Me in Hell”, a sexta música do álbum. Essa composição é um Heavy Metal visceral e sujo, beirando algo na linha do Motörhead, contando novamente com um trabalho de primeiro do “power trio”. A cadenciada e altamente contagiante “Sacrifice” é incumbida de dar continuidade a obra e não faz feio frente as canções anteriores, entregando ainda mais doses incessantes de “riffs” cortantes. Cronos e Cia. voltam a mostrar o seu lado mais “Speed” com a portentosa “Heaven’s on Fire” que conta com palhetadas afiadas do início ao fim, além de uma “cozinha” sempre veloz e completamente entusiástica. 

Quando o ouvinte acredita que o álbum não poderia ficar ainda melhor, se iniciam os acordes do hino “Countess Bathory”, clássico eterno da banda e presença mais do que obrigatória nos shows. Com letra inspirada na famosa condessa húngara Isabel Bathory, que entrou para a História devido a uma suposta série de crimes hediondos e sádicos que teria cometido, é uma música espetacular, grudenta e muito bem conduzida, apresentando novamente um trabalho excepcional dos músicos, incluindo belos “riffs”, mudanças de andamento bem construídas e inseridas de forma adequada, linhas de bateria bem executadas e vocais perfeitamente rasgados que combinar perfeitamente com o instrumental. “Don't Burn the Witch”, por sua vez, também é uma ótima faixa e traz novamente um andamento moderado e repleto de “riffs” ríspidos e crus. Finalizando esse grande registro, temos uma curta “Preview” da épica “At War with Satan”, cuja versão completa está no álbum posterior de mesmo nome, que se trata de um trabalho semi-conceitual que conta a história de uma guerra entre o Céu e o Inferno, um conflito na qual o Inferno vence.


“Black Metal” é um daqueles muitos trabalhos que, por mais que os anos se passem, sempre irá brilhar mais e mais com o passar do tempo. Uma grande obra, influente até o âmago de sua essência para centenas de artistas, músicos e bandas mundo afora.
“Lay Down Your Souls to the Gods Rock’n’Roll!”


Lineup:

Conrad “Cronos” Lant (Vocal / Baixo)
Jeff “Mantas” Dunn (Guitarra)
Tony “Abaddon” Bray (Bateria)

Tracklist:

Lado A (“Black”): 
01. Black Metal
02. To Hell and Back
03. Buried Alive
04. Raise the Dead
05. Teachers’ Pet

Lado B (“Metal”): 
06. Leave Me in Hell
07. Sacrifice
08. Heaven’s on Fire
09. Countess Bathory
10. Don't Burn the Witch
11. At War with Satan (“Preview”)

Venom - Existe vida sem CRONOS sim senhor!


Após a saída de Cronos do Venom para dedicar-se a uma carreira solo, em 1987, cogitou-se que esse seria o fim definitivo da banda, que ficou meio que com seu rumo indefinido, vide o fato de seu baterista Abaddon após a esse ocorrido se dedicar a um novo projeto chamado Sons of Satan.

As coisas começaram a tomar um novo rumo quando Abaddon, após conseguir convencer Mantas a trabalhar junto com ele nesse novo projeto, reata o contato com Cronos e por via de uma conversa telefônica entre eles, resolver perguntar se haveria algum problema de ele usar o nome Venom, que não demonstra nenhuma objeção a isso, levando em conta o fato de Abaddon e Mantas serem também membros fundadores da banda.

Então, após a formação da banda ser completada com Tony Dolan, ex-vocalista e baixista do Atomkraft e que ganha o apelido de "Demolition Man" e o guitarrista Al Barnes, inicia-se a fase mais peculiar da carreira da banda.

Com essa nova espinha dorsal (Mantas, Abaddon e Demolition Man) o Venom gravou 3 álbuns ("Prime Evil" [1989], "Temples of Ice" [1991] e "The Waste Lands" [1992]) que se diferenciam de tudo que haviam feito até então. Se até então a banda prezava pela crueza do som, nessa nova fase alguns novos elementos foram incorporados ao som, como partes mais melodiosas em suas músicas, o uso de sintetizadores, talvez por uma influência maior de Mantas no processo criativo, que já havia feito experimentações similares em seu disco solo, o magnífico "Winds of Change" (1988), onde chega a flertar com o Hard Rock e AOR.


Infelizmente, foram álbuns que apesar da qualidade absurda que possuem, meio que passaram batido por parte de crítica e público na épóca, tal fato pode ser creditado a pouca paciência por grande parte dos fãs com Dolan, que insistiam em pedir a volta de Cronos à banda, e também ao crescimento de interesse do público por vertentes mais pesadas do Heavy Metal que ganhavam força no mercado, como o Thrash e o Death Metal.

Se você nunca escutou esses álbuns ou sequer sabia que o Venom havia lançado algo sem Cronos nos vocais, por favor, deixe qualquer preconceito ou radicalismo de lado e faça esse favor aos seus ouvidos, escute essas três verdadeiras pérolas do Heavy Metal e tire suas próprias conclusões.


Escrito por Wellington Dias

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