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Savatage: do menos expressivo ao melhor álbum


A sessão “do mais fraco ao melhor álbum” foi criada com o objetivo de tentar elencar os álbuns de determinadas bandas, do menos expressivo ao mais significativo. Os critérios usados para o ranking são diversos, como aceitação crítica do álbum em questão, importância do lançamento para a época, nível técnico em comparação a outros trabalhos da banda e fator diversão (obviamente), entre outros.

Note que não há aqui certezas ou leis, apenas uma análise feita por mim para decidir a ordem dos álbuns baseado nas informações acima e, portanto, se seu álbum favorito estiver abaixo no ranking ou se aquele play que você acha uma merda estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata. De qualquer forma, tentarei potencializar ao máximo os critérios técnicos acima e minimizar interferências pessoais.

Voltamos essa semana com um dos maiores expoentes do Heavy Metal Estadunidense; uma banda extremamente respeitada por todos e adorada por milhares: Savatage. Criada em 1979 sob a alcunha de Avatar pelos irmãos Jon e Criss Oliva e pelo baterista Steve “Doc” Wacholz, o Savatage ganhou notoriedade e fama nos anos 1980 graças à voz única de Jon, ao timbre agressivo nas guitarras de Criss e às letras de extrema inteligência e gosto. Uma banda heterogênea, que já foi chamada de Hard, Heavy, Power e até Progressive Metal, teve em 2001 seu último play lançado e nutre até hoje a esperança de todos nós, reles fanboys, que aguardamos ansiosos o retorno do Jabba the Hutt do Metal (Jon, você esta gigante, sério, pare) e seus amigos de longa data.


Vamos então dissecar essa bela história e ver quais álbums se destacam na discografia tão rica dos nativos de Tampa e seu louco líder. Madness reigns, in the Hall of the Mountain King, oh yeah!

PS: Apesar de ser mais lindo que mulher de calça branca, o maravilhoso The Dungeons are Calling ficou de fora da análise por se tratar de um EP. Fica aqui a menção honrosa pra esse grande trabalho.

11 – Fight for the Rock (1986)


 Nunca foi tão fácil encontrar o álbum mais fraco de uma banda como com o Savatage. Fight for the Rock destoa muito dos demais, seja na sonoridade, qualidade de produção, mixagem ou letras. Um trabalho de gosto duvidoso e composições abaixo da média. 

10 – Dead Winter Dead (1995)


Vemos aqui um fenômeno estranho: Jon e Paul O’Neill – produtor da banda de longa data e um dos melhores amigos dos irmãos Oliva – haviam acabado de criar o Trans-Siberian Orchestra, grupo que compunha ou fazia arranjos de músicas natalinas na forma de Ópera Rock, e isso transbordou para o Savatage. Existem músicas de qualidade no play, como “This is the Time” e “Not What You See”, mas a mudança no estilo das composições machucou o produto final. O primeiro álbum do Trans Siberian Orchestra sairia apenas um ano depois de Dead Winter Dead, mas a semelhança no som de ambos deixou claro que a mente de Jon já não estava mais focada apenas em sua banda principal.

9 – Streets: a Rock Opera (1991)


O começo desse play é destruidor. “Jesus Saves” é, sem sombra de dúvidas, uma das maiores composições da carreira dos Americanos e “Tonight He Grins Again” é uma obra-prima. No entanto, o álbum vai gradualmente perdendo sua força e as muitas baladas podem até ser coerentes com a progressão da história contada, mas não ajudam na dinâmica do trabalho. Ao final de seus quase 69 minutos de duração você se sente mais cansado do que satisfeito com a experiência.

8 – Handful of Rain (1994)


Um ótimo álbum. Do começo devastador com “Taunting Cobras” ao final emocionante com “Alone You Breathe”, Handful of Rain é um dos mais heterogêneos trabalhos de Jon e companhia, indo desde faixas poderosas e marcantes a canções épicas como em “Chance”, que utiliza elementos característicos da segunda parte da carreira da banda, como os coros cantados em diferentes letras e vozes ao mesmo tempo. 

7 – Poets and Madmen (2001)


Último registro da carreira do Savatage, Poets and Madmen marca o retorno de Jon Oliva aos vocais principais da banda e contém músicas extremamente bem composas, como “There in the Silence”, “Morphine Child” e “Man in the Mirror”. Um dos plays mais agressivos e sombrios na discografia. 

6 – The Wake of Magellan (1997)


Na minha opinião, um álbum genial. Já com Zak Stevens consolidado como vocalista, Jon e companhia nos agraciaram com um álbum conceitual sobre a decisão de um navegador de morrer sozinho ao mar, velejando. Ele então descobre, no decorrer dos eventos da peça, que a vida merece ser vivida e cada minuto é tão importante quanto o último; dessa forma, ele retorna à costa revigorado e carregando uma bela mensagem. Essa grande história, aliada a elementos épicos e sinfônicos e execução magistral de Jon Oliva, Al Pitrelli, Chris Caffery, Jeff Plate, Johnny Lee Middleton e Zak Stevens (lineup fraco, hein) fazem de The Wake of Magellan uma verdadeira gema. 

5 – Power of the Night (1985)


O poder da noite! Jon e Criss seguiam em seus melhores momentos aqui com as pepitas “Warriors” e “Necrophilia”, além, é claro, da faixa título. Os únicos problemas com o álbum são a queda de rendimento em relação ao anterior e o ano de lançamento, perdendo força para estrondosos concorrentes como A Time of Changes do Blitzkrieg, Long Live the Loud do Exciter e Feel the Fire do Overkill, para citar alguns; foi um ano disputadíssimo na cena. 

4 – Gutter Ballet (1989)


Só a faixa título desse play já é o suficiente pra te fazer chorar, mas ainda temos “When the Crowds are Gone”, “Hounds”, “Mentally Yours”…sacanagem né? Criss Oliva transbordou feeling nesse álbum e Jon Oliva aparece com seus grunhidos mais agressivos que nunca e teclados magníficos; ótimo trabalho.

3 – Sirens (1983)


O ínicio magistral, fervoroso, fino, rebelde, sombrio, visceral. Esse álbum é considerado por muitos um dos melhores debuts de todos os tempos, e músicas como “Holocaust”, “Rage” e “Living for the Night” só contribuem para essa afirmação. Produção balanceada, performances quase perfeitas e a vontade rebelde de fazer música fazem de Sirens uma grande experiência.

2 – Hall of the Moutain King (1987)


Hall of the Mountain King marca o fim de uma era mais direta e crua para o Savatage. De uma forma maravilhosa, Jon, Criss e companhia entregam um álbum ao mesmo tempo enérgico, poderoso e sofisticado, com clássicos absolutos em “24 Hrs. Ago”, “Legions” e “Strange Wings, isso sem contar a faixa título transcedental. Não fosse o próximo monstro sagrado em forma de música, este seria o auge da carreira dos Americanos.

1 – Edge of Thorns (1993)


O começo puro, simples e magnífico regido pelos teclados inconfundíveis da faixa título e a primeira aparição de Zak Stevens são elementos que até hoje emocionam e movem milhares de fãs ao redor do mundo. Edge of Thorns foi o primeiro álbum do Savatage que ouvi e nunca vou esquecer de sua importância pra mim. Composições transcedentais como “He Carves His Stone”, “Follow Me” e a trinca perfeita em “Conversation Piece”, “All That I Bleed” e a sombria “Damien” elevam o álbum ao hall de obras-primas do Heavy Metal. O último suspiro musical de Criss Oliva antes de sua trágica morte não poderia estar melhor representado.

por Bruno Medeiros

Da série "EPerfeição": Savatage - "The Dungeons Are Calling" (1984)


EP é a sigla utilizada para designar o termo "extended play" e faz menção a discos que possuem duração maior que um single ou compacto simples, mas não possuem o tempo correspondente a um álbum completo, geralmente possuem 4 músicas, porém isso não é uma regra. Na década de 80, foram muitas vezes chamados de mini álbuns devido aos mini LP's.

Muitas bandas fazem uso até hoje do lançamento de EP's e desde que surgiram, muitos deles ficaram marcados como peças fundamentais nas discografias de diversos grupos. Chamamos de "EPerfeição" o EP que além de possuir material inédito, também é detentor de composições excepcionais, clássicas e fundamentais nas trajetórias das bandas.

Reza a lenda que o EP "The Dungeons Are Calling" foi registrado nas mesmas sessões de gravação do debut "Sirens" (1983), mas por questões de espaço no LP, acabou sendo retirado do conteúdo final do álbum e lançado um ano mais tarde como um EP "vitaminado".

O Savatage possuía quatro canções para o lançamento, "The Dungeons Are Calling", "By The Grace Of The Witch", "Visions" e "Midas Knight", para completar o set e dar um ar diferenciado ao material, regravaram mais duas faixas do período em que a banda ainda se chamava Avatar, as escolhidas foram "City Beneath The Surface" e "The Whip" e com a inclusão, o registro foi lançado no dia 22 de março de 1984, contendo 6 composições épicas.


A sonoridade do grupo nesta época deixou muitos dos headbangers mais tradicionais espantados, tamanho era o peso e a capacidade de levar o ouvinte para dentro das viagens sonoras que a banda imprimia em suas músicas. Os riffs de Criss Oliva já chamavam a atenção e neste EP eles aparecem em abundância, assim como seus solos precisos e repletos de feeling e os vocais únicos de Jon Oliva.

A faixa "The Dungeons Are Calling" abre os portões do inferno e traga o ouvinte para dentro das "masmorras" que, ao contrário do que muitos pensam, é uma canção que fala através de metáforas sobre o uso de drogas. "By The Grace Of The Witch" é outro clássico e possui um refrão daqueles que fixam no subconsciente e quando percebemos estamos o cantarolando sem nem perceber.

O disco segue com a rápida "Visions" e depois nos apresenta a majestosa "Midas Knight", com riffs cavalgados e um andamento que praticamente nos obriga a agitar. "City Beneath The Surface" é um hino da banda e também uma verdadeira porrada, uma composição completa, com uma introdução poderosa, ritmo alucinante, refrão marcante e riffs destruidores, a minha favorita do disco, que encerra com a fantástica "The Whip", talvez a que mais se encaixaria no debut da banda.

Em 2011, o disco de estréia foi relançado em CD trazendo "The Dungeons Are Calling" acoplado ao material e segundo as palavras do próprio Jon Oliva, "juntos como deveria ser desde o início". Item obrigatório em qualquer coleção e um dos responsáveis pelo Savatage ter sido considerado um dos principais nomes do Heavy/Power Metal estadunidense (US Metal) nos anos 80.


Integrantes:

Criss Oliva (guitarra)
Jon Oliva (vocal)
Keith Collins (baixo)
Steve Wacholz (bateria)

Faixas:

1. The Dungeons Are Calling
2. By The Grace Of The Witch
3. Visions
4. Midas Knight
5. City Beneath The Surface
6. "The Whip"

por Fabio Reis

Savatage - "Edge Of Thorns" (1993)



A primeira observação a se fazer deste trabalho, é que trata-se de um disco de extremos e de certa forma, divide a trajetória do Savatage em antes e depois de seu lançamento. 

Após sete discos de estúdio que contavam com a voz poderosa de Jon Oliva, o músico resolveu se afastar da banda, participando apenas do processo de composição e gravando os teclados de "Edge Of Thorns". O motivo? Simples! Jon acreditava que a banda não era tocada nas rádios por consequência de seus vocais rasgados e agressivos, além disso, a sequência de turnês vinha debilitando suas performances e no início dos anos 90, a voz do cantor estava nitidamente comprometida.

Após assistir a uma apresentação da banda Wicked Witch, Dan Campbell indicou e posteriormente apresentou Zak Stevens ao guitarrista Criss Oliva e ao produtor Paul O'Neil. O cantor caiu nas graças de ambos, apresentando uma técnica vocal excepcional e um timbre extremamente potente. Como precisavam com urgência de um novo vocalista, Zak foi imediatamente convidado a integrar o Savatage e sem perder tempo, se reúnem para trabalhar na criação do que viria a ser o oitavo registro da banda. 

Em 6 de Abril de 1993, "Edge Of Thorns" chegava as lojas de todo o mundo, impressionando a todos por conter uma musicalidade forte e um tanto diferente do que a banda havia mostrado até então. O disco surpreendeu de forma positiva e logo conquistou uma vasta gama de apreciadores.

A música do grupo havia mudado e evoluído; ao mesmo tempo em que algumas canções soavam mais acessíveis, em outras, o que se ouvia era a velha e conhecida musicalidade impactante que marcou todos os trabalhos anteriores. A cisma de Jon Oliva parecia se confirmar, já que sem a agressividade imposta por seu estilo de cantar e com a suavidade de Zak, finalmente o Savatage passou a ser tocado nas rádios dos Estados Unidos.



O álbum traz performances individuais arrasadoras de todos os integrantes e canções como a faixa título "Edge Of Thorns", "He Carves His Stone", "Lights Out", "Follow Me", "All That I Bleed", "Damien" e "Miles Away", conquistam de imediato e expõe um padrão altíssimo de qualidade. O trabalho estava fadado a marcar uma verdadeira guinada na trajetória do grupo, sendo de longe o mais maduro e repleto de canções com potencial para se tornarem hits radiofônicos. 

Chega a ser irônico fazer a audição deste álbum e constatar a performance fantástica de Criss Oliva. É claro que em todos os outros discos, o guitarrista sempre se destacou, mas em "Edge Of Thorns", o músico nos presenteia com uma exibição simplesmente mágica. Nas 13 composições do registro, temos um verdadeiro show de riffs, linhas e solos e a sensação que fica, é que de certa forma, o músico sabia que esta seria a sua despedida e nos brindou com o melhor que ele tinha a oferecer.

Na época, o trabalho vendeu muito bem, alavancou a carreira da banda e suas músicas foram tocadas como nunca. O clima era extremamente favorável, tinham acabado de realizar uma turnê pelos Estados Unidos e se preparavam para uma outra, tudo conspirava a favor do Savatage, menos o destino...

Ao voltar de um show com sua esposa no dia 17 de outubro de 1993, Criss Oliva sofre um acidente de carro, onde um caminhão que trafegava na contramão colide com o carro do jovem guitarrista. Criss morreu instantaneamente e sua esposa ficou gravemente ferida, o músico tinha apenas 30 anos de idade e nos deixou como legado, uma coleção de incríveis canções.

"Edge Of Thorns" é um dos grandes álbuns lançados nos anos 90 e um dos melhores do Savatage. Marca a entrada de Zak Stevens na banda e também é o último registro que conta com o talento e genialidade de Criss Oliva. Um disco sem ressalvas, que além de dar nota 10, está presente na minha lista pessoal de maiores registros de Metal de todos os tempos. 
Obrigatório!





Integrantes:

Zachary Stevens (vocal)
Criss Oliva (guitarra)
Johnny Lee Middleton (baixo)
Steve Wacholz (bateria)
Jon Oliva (teclados)

Faixas:

01. Edge Of Thorns
02. He Carves His Stone
03. Lights Out
04. Skraggy’s Tomb
05. Labyrinths
06. Follow Me
07. Exit Music
08. Degrees Of Sanity
09. Conversation Piece
10. All That I Bleed
11. Damien
12. Miles Away
13. Sleep


por Fabio Reis


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