domingo, 2 de outubro de 2016

Savatage: do menos expressivo ao melhor álbum


A sessão “do mais fraco ao melhor álbum” foi criada com o objetivo de tentar elencar os álbuns de determinadas bandas, do menos expressivo ao mais significativo. Os critérios usados para o ranking são diversos, como aceitação crítica do álbum em questão, importância do lançamento para a época, nível técnico em comparação a outros trabalhos da banda e fator diversão (obviamente), entre outros.

Note que não há aqui certezas ou leis, apenas uma análise feita por mim para decidir a ordem dos álbuns baseado nas informações acima e, portanto, se seu álbum favorito estiver abaixo no ranking ou se aquele play que você acha uma merda estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata. De qualquer forma, tentarei potencializar ao máximo os critérios técnicos acima e minimizar interferências pessoais.

Voltamos essa semana com um dos maiores expoentes do Heavy Metal Estadunidense; uma banda extremamente respeitada por todos e adorada por milhares: Savatage. Criada em 1979 sob a alcunha de Avatar pelos irmãos Jon e Criss Oliva e pelo baterista Steve “Doc” Wacholz, o Savatage ganhou notoriedade e fama nos anos 1980 graças à voz única de Jon, ao timbre agressivo nas guitarras de Criss e às letras de extrema inteligência e gosto. Uma banda heterogênea, que já foi chamada de Hard, Heavy, Power e até Progressive Metal, teve em 2001 seu último play lançado e nutre até hoje a esperança de todos nós, reles fanboys, que aguardamos ansiosos o retorno do Jabba the Hutt do Metal (Jon, você esta gigante, sério, pare) e seus amigos de longa data.


Vamos então dissecar essa bela história e ver quais álbums se destacam na discografia tão rica dos nativos de Tampa e seu louco líder. Madness reigns, in the Hall of the Mountain King, oh yeah!

PS: Apesar de ser mais lindo que mulher de calça branca, o maravilhoso The Dungeons are Calling ficou de fora da análise por se tratar de um EP. Fica aqui a menção honrosa pra esse grande trabalho.

11 – Fight for the Rock (1986)


 Nunca foi tão fácil encontrar o álbum mais fraco de uma banda como com o Savatage. Fight for the Rock destoa muito dos demais, seja na sonoridade, qualidade de produção, mixagem ou letras. Um trabalho de gosto duvidoso e composições abaixo da média. 

10 – Dead Winter Dead (1995)


Vemos aqui um fenômeno estranho: Jon e Paul O’Neill – produtor da banda de longa data e um dos melhores amigos dos irmãos Oliva – haviam acabado de criar o Trans-Siberian Orchestra, grupo que compunha ou fazia arranjos de músicas natalinas na forma de Ópera Rock, e isso transbordou para o Savatage. Existem músicas de qualidade no play, como “This is the Time” e “Not What You See”, mas a mudança no estilo das composições machucou o produto final. O primeiro álbum do Trans Siberian Orchestra sairia apenas um ano depois de Dead Winter Dead, mas a semelhança no som de ambos deixou claro que a mente de Jon já não estava mais focada apenas em sua banda principal.

9 – Streets: a Rock Opera (1991)


O começo desse play é destruidor. “Jesus Saves” é, sem sombra de dúvidas, uma das maiores composições da carreira dos Americanos e “Tonight He Grins Again” é uma obra-prima. No entanto, o álbum vai gradualmente perdendo sua força e as muitas baladas podem até ser coerentes com a progressão da história contada, mas não ajudam na dinâmica do trabalho. Ao final de seus quase 69 minutos de duração você se sente mais cansado do que satisfeito com a experiência.

8 – Handful of Rain (1994)


Um ótimo álbum. Do começo devastador com “Taunting Cobras” ao final emocionante com “Alone You Breathe”, Handful of Rain é um dos mais heterogêneos trabalhos de Jon e companhia, indo desde faixas poderosas e marcantes a canções épicas como em “Chance”, que utiliza elementos característicos da segunda parte da carreira da banda, como os coros cantados em diferentes letras e vozes ao mesmo tempo. 

7 – Poets and Madmen (2001)


Último registro da carreira do Savatage, Poets and Madmen marca o retorno de Jon Oliva aos vocais principais da banda e contém músicas extremamente bem composas, como “There in the Silence”, “Morphine Child” e “Man in the Mirror”. Um dos plays mais agressivos e sombrios na discografia. 

6 – The Wake of Magellan (1997)


Na minha opinião, um álbum genial. Já com Zak Stevens consolidado como vocalista, Jon e companhia nos agraciaram com um álbum conceitual sobre a decisão de um navegador de morrer sozinho ao mar, velejando. Ele então descobre, no decorrer dos eventos da peça, que a vida merece ser vivida e cada minuto é tão importante quanto o último; dessa forma, ele retorna à costa revigorado e carregando uma bela mensagem. Essa grande história, aliada a elementos épicos e sinfônicos e execução magistral de Jon Oliva, Al Pitrelli, Chris Caffery, Jeff Plate, Johnny Lee Middleton e Zak Stevens (lineup fraco, hein) fazem de The Wake of Magellan uma verdadeira gema. 

5 – Power of the Night (1985)


O poder da noite! Jon e Criss seguiam em seus melhores momentos aqui com as pepitas “Warriors” e “Necrophilia”, além, é claro, da faixa título. Os únicos problemas com o álbum são a queda de rendimento em relação ao anterior e o ano de lançamento, perdendo força para estrondosos concorrentes como A Time of Changes do Blitzkrieg, Long Live the Loud do Exciter e Feel the Fire do Overkill, para citar alguns; foi um ano disputadíssimo na cena. 

4 – Gutter Ballet (1989)


Só a faixa título desse play já é o suficiente pra te fazer chorar, mas ainda temos “When the Crowds are Gone”, “Hounds”, “Mentally Yours”…sacanagem né? Criss Oliva transbordou feeling nesse álbum e Jon Oliva aparece com seus grunhidos mais agressivos que nunca e teclados magníficos; ótimo trabalho.

3 – Sirens (1983)


O ínicio magistral, fervoroso, fino, rebelde, sombrio, visceral. Esse álbum é considerado por muitos um dos melhores debuts de todos os tempos, e músicas como “Holocaust”, “Rage” e “Living for the Night” só contribuem para essa afirmação. Produção balanceada, performances quase perfeitas e a vontade rebelde de fazer música fazem de Sirens uma grande experiência.

2 – Hall of the Moutain King (1987)


Hall of the Mountain King marca o fim de uma era mais direta e crua para o Savatage. De uma forma maravilhosa, Jon, Criss e companhia entregam um álbum ao mesmo tempo enérgico, poderoso e sofisticado, com clássicos absolutos em “24 Hrs. Ago”, “Legions” e “Strange Wings, isso sem contar a faixa título transcedental. Não fosse o próximo monstro sagrado em forma de música, este seria o auge da carreira dos Americanos.

1 – Edge of Thorns (1993)


O começo puro, simples e magnífico regido pelos teclados inconfundíveis da faixa título e a primeira aparição de Zak Stevens são elementos que até hoje emocionam e movem milhares de fãs ao redor do mundo. Edge of Thorns foi o primeiro álbum do Savatage que ouvi e nunca vou esquecer de sua importância pra mim. Composições transcedentais como “He Carves His Stone”, “Follow Me” e a trinca perfeita em “Conversation Piece”, “All That I Bleed” e a sombria “Damien” elevam o álbum ao hall de obras-primas do Heavy Metal. O último suspiro musical de Criss Oliva antes de sua trágica morte não poderia estar melhor representado.

por Bruno Medeiros

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