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Death - "Scream Bloody Gore" (1987)

Mundo Metal [ Discos Trintões ]



Em 1983, na Flórida, o guitarrista e vocalista Chuck Schuldiner, ao lado de Rick Rozz, formou o Mantas, a banda despontou como uma grande promessa do Metal extremo ao lançar em 1984 a demo “Death by Metal”. Após isso, o conjunto trocou seu nome para simplesmente Death, em 3 anos a banda gravou diversas “tapes” e “lives” até que em 87 saiu do “forno” o primeiro álbum de estúdio. Este debut é considerado um dos precursores do Death Metal, juntamente com o não menos importante “Seven Churches”(1985) do Possessed.

Nas gravações de “Scream Bloody Gore”, a banda era composta de apenas dois integrantes, Chuck, o responsável pelos vocais, guitarras e baixo, e Chris Reifert, o baterista.

Uma novidade que o disco trouxe para a época de seu lançamento foi a maior presença de elementos de Heavy Metal clássico para o som extremo que a banda se propunha a fazer. O disco tem momentos em que os riffs são arrastados e até mesmo melódicos, já durante as partes mais rápidas, é inegável a influência do Thrash Metal. A mistura de diferentes gêneros aliada a ao sentimento de inovação que sempre acompanhou Chuck, formam a receita básica do primeiro disco do Death.

Hoje em dia, ao colocar “Scream Bloody Gore” frente aos demais trabalhos da grandiosa carreira do grupo de Chuck, fica evidente que se trata do trabalho menos elaborado e complexo de todos, o que é algo até natural, afinal de uma maneira geral nenhuma banda em seu primeiro disco alcança o seu ápice em termos de composição e técnica.

Analisando friamente as 10 músicas contidas no disco, podemos facilmente perceber que em certos momentos os riffs parecem um tanto repetitivos (como já foi mencionado, a banda ainda não estava no seu auge criativo), ainda que mesmo assim, todos eles sejam muitos bons e muito bem encaixados.


Músicas como “Zombie Ritual” e a faixa titulo, possuem refrães bem “grudentos” e de fácil assimilação, mesmo com vocal gutural o entendimento das letras é relativamente fácil, fatos estes que tornam a audição muito mais agradável e diferenciada.

Referências a filmes trash de terror aparecem aos montes em “Scream Bloody Gore”, entre os homenageados mais famosos podemos listar "Night Of The Living Dead" ("A Noite Dos Mortos Vivos"), "Dawn Of The Dead" ("Crepúsculo dos Mortos") e a canção "Regurgitated Guts" faz referência a "The Gates Of Hell" ("Os Portões do Inferno"), filmes do diretor italiano Lucio Fulci, ao qual Chuck era fã assumido.

Não há duvidas de que o primeiro registro do Death trouxe consigo uma revolução musical para os headbangers da época, pois na mesma hora muitas bandas tentaram imitar o som apresentado neste álbum, e mais do que isso, passaram a escrever músicas com letras que possuíam o mesmo teor e as mesmas referências. Não é atoa que depois de Possessed e Death, a maioria das bandas de Death Metal nasceram escrevendo sobre temas como horror, carnificina e filmes.

O disco tem varias faixas consideradas clássicas: “Zombie Ritual”, "Baptized In Blood" e "Scream Bloody Gore” são as principais, mas ainda acrescento "Infernal Death" e "Torn To Pieces" na lista de destaques. E isso sem contar a grandiosa “Evil Dead” e sua excelente introdução, na minha opinião, a melhor composição do trabalho.

Este é certamente, um álbum pioneiro dentro de sua proposta e influenciou a música extrema como poucos. Se por um lado não se destaca por ser o mais complexo de seu criador, por outro, guarda até hoje espaço nas coleções pessoais de seus admiradores. Por fim, tendo em vista a grande variedade de bandas hoje existentes e a evolução do Death Metal atual, um disco como "Scream Bloody Gore” pode até não parecer tão extremo e brutal, mas a definição da revista Metal Forces sintetiza com perfeição a importância da obra para a época de seu lançamento: "Death metal em seu estado mais extremo, brutal, cru e ofensivo, o disco que separa os verdadeiros death metallers dos incontáveis modistas mundo afora".


Formação:

Chuck Schuldiner (guitarra, vocal e baixo)
Chris Reifert (bateria)

Faixas:

1. "Infernal Death"  
2. "Zombie Ritual"  
3. "Denial Of Life"  
4. "Sacrificial"  
5. "Mutilation"  
6. "Regurgitated Guts"  
7. "Baptized In Blood"  
8. "Torn To Pieces"  
9. "Evil Dead"  
10. "Scream Bloody Gore"


Redigido por Vitor Hugo Quatroque 

Chuck Schuldiner - O Hexagrama da virtuose extramundo


A história musical desse garoto prodígio começa em 1976 quando, devido à morte de seu irmão mais velho, ele ganhou um violão e frequentou a escola de música por quase um ano. Não contente com seu abandono da escola de violão clássico, seus pais, então o presentearam com uma guitarra, despertando assim, definitivamente, sua paixão pela música.
Nascido em 1967 como Charles Michael Schuldiner em Long Sland, de família judia, Chuck deixou um legado estratosférico nos anais da música pesada, sendo, inclusive, aclamado por uma legião de fãs como o "pai do death metal", subgênero extravagante e brutal do heavy metal.

Com a solidificação do thrash metal como febre entre os jovens headbangers da época, faziam-se necessárias e inevitáveis duas formas de pensamento: a velocidade e a brutalidade, conceitos difundidos à época como "quanto mais cru e sujo, melhor".

A iniciação

Em 1983, aos 16 anos, Schuldiner aliou-se aos amigos Rick Rozz e Barney "Kam" Lee para formar a banda Mantas, despertando assim, seu desejo incontrolável em compor. Inspirados em bandas que estavam no ápice de seus respectivos sucessos como Slayer, Metallica, Venom, Possessed, Iron Maiden, Kiss e Judas Priest, a banda, com inúmeras composições em sua lineup produziu, entre os anos de 1984 e 1986, um sem número de demo-tapes de valor inquestionável para o segmento, a maioria delas já sob o nome de Death e, entre elas, as que marcaram-na como precursora e criadora do death metal: "Death by Metal" e "Reign of Terror" em 1984, "Infernal Death" e "Rigor Mortis" em 1985 e "Back from the Death" e "Scream Bloody Gore Aborted Sessions" em 1986.

O Hexagrama da virtuose extramundo

O hexagrama, polígono estrelado de 6 pontas e composto por dois triângulos equiláteros superpostos, é considerado por místicos mundo afora como algo que representa o sobrenatural, a luta entre o bem e o mal, o poder da magia mal intencionada e mais um monte de asneiras cabalísticas. Para a comunidade judaico-cristã, é a Estrela de David, símbolo que representa o poder do povo de Salomão e/ou o renascimento do Cristo, aquele que foi e nunca mais voltou [sic!].

Já para a filosofia, o hexagrama é o símbolo que representa a conjunção entre a consciência cósmica (do universo) e a sapiência telúrica (da Terra) e o desenvolvimento filosófico de Schuldiner caminhou a passos largos por essas veredas. Em poucos anos ele assimilou o melhor da filosofia universal, desde os pensamentos analíticos de ponderação de Sócrates e Platão até as observâncias cético-realistas de Nietszch, Dostoiévsky e Schoppenhauer. O interessante no decorrer de sua produção lírica é a caracterização da obra de Dante Alighieri, "A Divina Comédia", a vida com o ela é entre o céu e o inferno da existência humana, onde o viés de cunho teosófico concerne às suas composições um enredo épico-conceitual.

Poeticamente, até mesmo porque a brutalidade e a velocidade do death metal não permitem um primor lírico, as letras de Schuldiner são marcadas por rimas fáceis e geometria crua, mas no contexto intrínseco, é uma viagem de difícil compreensão para aqueles que não têm como hábito, a leitura, a meditação e o entendimento da essência humana.


O debut

Voltando à música, que me desculpem os fãs mais fervorosos, o death metal, apesar das técnicas mirabolantes de guitarra e baixo, é algo de difícil degustação, salvo a exceção de algumas bandas mundo afora, exceções essas que têm como característica principal a influência da escola de Schuldiner, no mais, não passa de um amontoado de músicos barulhentos, repetitivos e de pouca verve sonora. E por que isso? Simplesmente porque a música necessita de 3 componentes básicos para ser de bom grado: harmonia, ritmo e melodia.

Sobre a harmonia sabemos que o death metal a tem de sobra. As técnicas extravagantes unidas às complexas escalas dão até um certo status de virtuosismo aos seus executantes, o ritmo é quase sempre o mesmo, de batida repetitiva, constante e incansável, entretanto, falta ao death metal a melodia (isto para a maioria das bandas, como já foi dito). A diferença da música de Schuldiner é exatamente essa, a melodia, que é farta e até extrapola os conceitos da musicabilidade e isto já podemos sentir em seu primeiro álbum de estúdio.

Em "Scream Bloody Gore", lançado em 1987, Schuldiner (já sem a companhia de Rozz e Kam Lee) aproveitou todos os elementos disponibilizados pelo avanço do speed, do thrash, do power e do black metal da primeira metade da década de ouro naquele, trazendo consigo Chris Reifert do Burnt Offering, que mais tarde iria assumir as baquetas da Autopsy. O debut da Death é alcunhado como o primeiro álbum de death metal da história. Sabemos que isso não é uma verdade absoluta, mas a projeção que alcançou junto à crítica especializada mais a aceitação imediata e inconteste pela juventude da época faz com que esse título seja mérito de honoris causa.

Num crescente estarrecedor, "Scream Bloody Gore" deixou marcado nas mentes dos amantes da música feia clássicos como "Zombie Ritual", "Batized in Blood", a sensacional e ultra veloz "Evil Dead", culminando com a faixa título. Poucos 34 minutos que nos valem como que uma prisão eterna e divinal em algum lapso de tempo perdido nas infinitas singularidades do universo.

O aperfeiçoamento 

A necessidade perfeccionista de Chuck exigia conecções e evoluções e, para tanto, Bill Andrews, baterista da Massacre e o retorno (mais uma vez) de Rick Rozz para auxiliá-lo nos trabalhos de guitarra. Além de uma melhora considerável na produção, a evolução técnica e lírica de Schuldiner é notadamente escandalosa. O álbum "Leprosy" é lançado um ano depois, em 1988.

Velocidade e técnica aprimoradas sem deixar de lado o quesito crucial de uma boa música: a melodia. Culminou, obviamente, numa "coqueluche epidêmica" dentro do universo metal, tanto para surgimento de milhares de bandas do estilo como para o arrebanhamento de fãs por todo o mundo. Chuck e Death marcavam, definitivamente, os emblemas da música pesada.
Temas como "Pull the Plug", "Forgotten Past" e a própria faixa "Leprosy" se tornaram sinônimo do que há de melhor entre todos os segmentos do heavy metal. Com o sucesso alcançado, turnê pela Europa e América do Norte, e foi no México que Chuck convidou um guitarrista que despontava como promessa, Paul Masvidal, da banda Seaweed de thrash metal e que viria, mais tarde, se tornar referência nas icônicas Master e Cynic.


A supra evolução

A audácia de Schuldiner fez-se presente na prova de fogo do terceiro álbum, o aclamado "Spiritual Healing, lançado em fevereiro de 1990. Chuck, em primeiro lugar, mudou a temática das composições, deixando o conceito deprimente e efusivo em relação à morte e atacando o âmbito social severamente, com críticas incisivas à imoralidade social humana, como pode se notar, imediatamente no título do álbum, "Cura Espiritual". Seu crescimento técnico e filosófico é notório e notável, sua percepção da realidade mesquinha da humanidade, mesmo precoce para seus 22 anos, faz com que sua figura passe a ser admirada não só pelo ufanismo de seus seguidores, mas também por sua acentuada intelectualidade.

Musicalmente, o álbum segue uma crescente técnica e sapiente. A capacidade de aprendizado e aperfeiçoamento de Chuck é assombrosa. Na lineup constam agora James Murphy (guitarrista da Hallow's Eve) e Terry Butler (baixista da Massacre), além de Bill Andrews na bateria. Murphy e Butler foram demitidos da banda logo após a turnê europeia que não contou com a participação de Chuck por descontentamento com a organização. a atitude deles em continuarem a turnê recrutando os roadies da banda em substituição a Schuldiner foi a gota d'água para que o gênio explosivo decidisse por não mais ter músicos fixos em sua companhia, optando, a partir de então, apenas por músicos contratados.

Explosão química e técnica

No ano seguinte, em 1991, são contratados Paul Masvidal, que naquele momento era guitarrista da Cynic, o novato Sean Reinert para a bateria e o magnífico baixista Steve DiGiorgio da Sadus para as gravações e lançamento do quarto álbum "Human". Numa produção refletiva e cristalina, o álbum conquistou picos de vendagem além de alcançar a midia televisiva como a primeira banda de metal extremo a ser ovacionada pela crítica com o clip de "Lack of Comprehension" veiculado exaustivamente pela MTV e outros meios afins. Composto de melodias intrincadas e técnica e performance inigualáveis até então, a veia progressiva de Schuldiner aflorou definitivamente, muito além dos traços dos álbuns anteriores, tornando o álbum em excelência da virtuose transcendental, algo jamais visto em qualquer lugar do planeta.

O filósofo

Para o quinto lançamento da banda, as saídas de Masvidal e Reinert ocasionaram a contratação de Gene Hoglan, ex- Dark Angel e Andy LaRocke, ex-King Diamond, duas presenças de soberania para a concepção de "Individual Thought Patterns", considerados por muitos como o ápice do desenvolvimento técnico da banda e, obviamente, de Schuldiner, coisa que não concordo. A tendência progressiva ainda mais acentuada (sinal de evolução), mas, com uma roupagem portentosa e assustadora, elevava Schuldiner ao título de virtuoso, dado o nível técnico e lírico de cada composição. "Overactive Imagination" e "Trapped In A Corner" alcançavam toda a sublimidade arraigada numa alma genial e, encerrando o álbum, a magistral "The Philosopher", que traduzia em flashs de lucidez, a introspectiva intelectualidade escondida sob os mantos da genialidade e somente vista entre os mestres do classicismo dos séculos 17, 18 e 19.


Misantropia

Após longa turnê, surge o momento da criação de um novo álbum, o sexto da banda. Por mais incrível que possa parecer, "Symbolic" é ainda melhor que o álbum anterior. Falar sobre as faixas mais consagradas no quesito técnica apurada é chover no molhado, pois Chuck se apresenta ainda mais soberbo, mas o lirismo aplicado, as letras de cada composição acabam se tornando o ponto alto da nova obra da Death, composições textualizadas no existencialismo, na psiquê humana e na misantropia.

"Perennial Quest", "Zero Tolerance", a faixa título e "Misanthrope" são poemas musicados que mostram a decadência da humanidade e o ódio de Chuck pela mesma. A tendência prog empurrou a banda para o classicismo jazzista e portanto, a necessidade da contratação de um guitarrista com essa aptidão, então veio Bobby Koelble da Azrael, banda de tecno-thrash de Minnesota. O desconhecido Kelly Conlan é o baixista contratado, dado o experimentalismo laboratorial evidente em Schuldiner.
Nesse mesmo tempo, Chuck inicia os trabalhos de seu novo projeto,a banda Control Denied, o que levaria a Death a um hiato de 3 anos e meio.

Catarse

Em 1998 a banda lança "The Sound of Perseverance", seu derradeiro álbum.
Os contratados: Richard Christy, bateria; Shannon Hamm, guitarra e Scott Clendenin, baixo, todos músicos contratados e aproveitados do projeto Control Denied.

O álbum é ainda mais técnico e mais progressivo, também e obviamente, é mais soberboso e introspectivo. Chuck abandona os guturais e passa a cantar nas bases da linha thrash, mais agudo, mais rasgado. Canções como "Scavenger Of Human Sorrow", "Spirit Crusher", "To Forgive Is to Suffer" e "A Moment Of Clarity" demonstram que a evolução de Schuldiner é incessante ou indomável tal a magnitude de sua proeminente deidade.

Há uns dias alguém comentou que a pior música de "The Sound of Perseverance" é a cover de "Painkiller" do Judas Priest. Eu fiquei admirando a diferença entre a genialidade de Schudiner e a idiotização da opinião de um ufanista desinformado e nada crível. Posso apenas lamentar a ausência de intelecto de um ser que, com tal tipo de pensamento (se é que pensa), provavelmente só ocupa lugar no mundo, sem produzir algo útil ou louvável de apreciação.


Negando o controle

A majestade se viu na obrigação de respeitar seus súditos e para tanto decidiu desvincular seu novo projeto Control Denied da massa seguidora da Death. Suas intenções eram de diminuir o poder e a agressividade de suas canções. Como fizera em "The Sound of Perseverance", reduzindo a força dos vocais guturais, ele contratou Tim Aymar, um vocalista mais melódico e recontratou Steve DiGiorgio para as nuances da cozinha de sua nova banda.

"The Fragile Art of Existence" é uma experimentação prog/power com todas as característica de prog/death desenvolvidas por Schuldiner na Death. A diferença é a suavidade melódica das vocalizações.
Com todo o arsenal de recursos criativos que lhe eram inerentes, Chuck, que já apresentava problemas de saúde ainda não diagnosticados, insinuava o quão frágil era (e é) a existência de um ser. Era tão sensível sua percepção que não precisamos entender os versos de suas canções nesse álbum, basta fechar os olhos e atentar apenas ao título de cada uma delas: "Consumido", "Espere o Inesperado", "Quando a Ligação se Torna Ausente" e "A Frágil Arte da Existência".

Morte, legitimidade e eternidade

Depois de lutar por dois anos contra um raro tipo de câncer cerebral, diagnosticado quando do lançamento do debut da Control Denied, ajudado financeiramente por fãs do mundo todo, já que o underground, por mais que seja genial, não rende grandes fortunas aos seus conspiradores, Chuck Schuldiner faleceu um dia após sua alta do hospital que negava o tratamento sem o devido pagamento antecipado, isso no dia 13 de dezembro de 2001.

Certo dia eu disse que a obra de Chuck só era reconhecida em virtude de sua precoce morte e não por sua genialidade em levar ao topo do virtuosismo a complexidade da música feia e brutal e com isso consegui uma legião de demônios a me odiar, mas é assim que sempre acontece, você só é bom depois que morre.

Numa só existência, as homenagens póstumas de "Porões do Underground", "Midas Touch", "Obras Sui Generis" e não uma ou duas "Trincas de Ases", mas sim, um "Octeto de Ases", coisa que só é possível encontrar escondida sob as mangas dos grandes gênios que sempre estarão a nos surpreender.

por Luís Henrique Campos

Death: relançamento de "Scream Bloody Gore" é disponibilizado para audição na íntegra!


O catálogo com todos os álbuns do Death foi novamente disponibilizado para venda e cada disco ganhou versões absolutamente incríveis, repletas de bônus e além disso, as faixas foram totalmente remasterizadas e remixadas. 

Esse trabalho foi realizado pela Relapse Records e o novo capítulo desta série trata-se do relançamento do mítico debut da banda. "Scream Bloody Gore" (1987), que será oficialmente lançado no dia 20 de maio.

O álbum será triplo e trará versões demos, canções jamais lançadas e diversos outros atrativos. A notícia boa é que para quem não tem a grana pra comprar a nova versão do material, poderá escutá-lo na íntegra, acessando o seguinte link:





Death: faixa inédita liberada para audição



O Death é sem dúvidas, uma banda icônica e seminal para o desenvolvimento do Death Metal, seus álbuns são essenciais para o gênero e a notícia de que a Relapse Records irá disponibilizar todo o catálogo da banda em edições expandidas, remasterizadas, remixadas e repletas de faixas bônus, deixou os fãs da banda em polvorosa.

O primeiro dos registros a ser lançado, será o mítico debut "Scream Bloody Gore" (1987) e além de todo o cuidado em dar uma melhor roupagem as canções, o registro virá com uma série de materiais ainda não lançados. O disco será lançado no dia 20 de maio, como um CD triplo, e virá recheado de Demos, versões ao vivo em estúdio e muitas outras surpresas.

Foi disponibilizada para audição, a faixa "Legion Of Doom", presente na Demo Tape do Mantas, uma outra banda formada por Chuck em 1983. A canção seria lançada no primeiro trabalho do Death e chegou a ser gravada nas sessões de gravação da Florida por Chuck Schuldiner e Chris Reifert, porém jamais foi lançada. A composição estará presente no CD dois de "Scream Bloody Gore" e pode ser ouvida através do link abaixo:



Confira o tracklist dos 3 CDs que marcam o início dos relançamentos da discografia do Death:

Disco 1

01. Infernal Death
02. Zombie Ritual
03. Denial Of Life
04. Sacrificial
05. Mutilation
06. Regurgitated Guts
07. Baptized In Blood
08. Torn To Pieces
09. Evil Dead
10. Scream Bloody Gore
11. Beyond The Unholy Grave
12. Land Of No Return

Disco 2

13. Torn To Pieces (Original Florida Session)
14. Legion Of Doom (Original Florida Session)
15. Scream Bloody Gore (Original Florida Session)
16. Sacrificial (Original Florida Session)
17. Mutilation (Original Florida Session)
18. Land Of No Return (Original Florida Session)
19. Baptized In Blood (Original Florida Session)
20. Regurgitated Guts (Rehearsals 08-20-1986)
21. Sacrificial (Rehearsals 08-20-1986)
22. Sacrificial - Take 2 (Rehearsals 08-20-1986)
23. Torn To Pieces (Rehearsals 08-20-1986)
24. Do You Love Me? V1 (Rehearsals 08-20-1986)
25. Infernal Death (Rehearsals 08-20-1986)
26. Zombie Ritual (Rehearsals 08-20-1986)
27. Beyond The Unholy Grave (Rehearsals 08-20-1986)
28. Do You Love Me? V2 (Rehearsals 08-20-1986)
29. Denial Of Life (Rehearsals 08-20-1986)

Disco 3

30. (Part Of) Scream Bloody Gore (Rehearsals 5/28/86)
31. Legion Of Doom (Rehearsals 5/28/86)
32. Beyond The Unholy Grave (Rehearsals 5/28/86)
33. Scream Bloody Gore (Rehearsals 5/28/86)
34. Torn To Pieces (Rehearsals 5/28/86)
35. Mutilation (Rehearsals 5/26/86)
36. Torn To Pieces (Rehearsals 5/26/86)
37. Zombie Ritual (Rehearsals 5/26/86)
38. Land Of No Return (Rehearsals 5/26/86)
39. (Part of) Evil Dead (Rehearsals 5/26/86)
40. Baptized In Blood (Rehearsals 5/26/86)
41. Infernal Death (Rehearsals 5/26/86)
42. Denial of Life (Rehearsals 5/26/86)
43. Death Metal (Rehearsals 5/26/86)

Death - Spiritual Healing (1990)


Death: Pútrida Cura Espiritual: Os 25 anos de Spiritual Healing


Após terem lançado dois grandes clássicos incontestáveis do Death Metal, “Scream Bloody Gore” (1987) e “Leprosy” (1988), os norte-americanos do Death retornam com ainda mais força e criatividade em seu terceiro registro de inéditas, o espetacular “Spiritual Healing”. Hoje, 16 de fevereiro, essa magnífica obra do Metal Extremo completa o seu aniversário de 25 anos. Lançado no ano de 1990 pelo selo da extinta Combat Records e contando com a co-produção do experiente Scott Burns (Terrorizer, Sepultura, Cannibal Corpse, Obituary), esse registro traz ainda mais técnica, “feeling” e arranjos mais elaborados que os dois trabalhos anteriores da banda, sendo um trabalho menos sujo e visceral, entretanto possuindo um padrão de qualidade à altura. 

Gravado e mixado nos estúdios de Morrisound Recording, em Tampa, Florida (EUA) e novamente trazendo uma belíssima arte de capa concebida pelo talentosíssimo ilustrador Edward J. Repka, o disco se inicia com “Living Monstrosity”, uma esmagadora faixa de abertura que já entrega palhetadas afiadíssimas, aliadas a um estupendo desempenho da “cozinha” de bateria e baixo e vocais perfeitamente urrados por Chuck Schuldiner. Logo nessa primeira faixa temos mudanças bruscas de andamento, brilhantemente construídas, por sinal, trazendo uma atmosfera surreal que cai como uma luva no final. Os solos também são alucinantes e vertiginosos. “Riffs” pesados e arrastados iniciam a segunda faixa do álbum, “Altering The Future”. Aqui nós temos furiosas levadas de bateria que passam por mudanças criativas ao longo da música, além de solos de guitarra repletos de “feeling” e urros ainda mais macabros e intensos. Quando Schuldiner urra o nome da canção, sente-se um arrepio genuíno na espinha. Simplesmente devastador!


A banda dá continuidade ao trabalho com “Defensive Personalities”, música que conta novamente com um desempenho nervoso e estupendo de cada integrante. Os pedais duplos de Bill Andrews são estupendos e a dupla de guitarras formada por Chuck Schuldiner e James Murphy brilha intensamente, trazendo mais uma vez uma mescla perfeita de melodias e peso infernal. Iniciando de forma vagarosa e progressiva, “Within the Mind” é novamente uma ótima faixa, jamais diluindo a qualidade do que se ouviu até agora. Os solos no final são um verdadeiro arrasa-quarteirão!

Logo após, é a vez da belíssima faixa-título aparecer. “Spiritual Healing” conta com uma nova sucessão de “riffs” e arranjos que carregam uma atmosfera densa e obscura que combina com a temática abordada por Chuck Schuldiner. Aliás, as guitarras tocadas pouco antes de Chuck urrar o nome da música são espetaculares e proporcionam um clima altamente soturno e misterioso. O grandioso desempenho instrumental da banda aliados aos vocais tenebrosos de seu “frontmen” fazem dessa composição um tremendo clássico.

“Low Life” é a sexta faixa desse grande petardo e nela temos ainda mais “riffs” e harmonias, além é claro de potentes levadas de bateria. Há também alguns trechos mais “grooveados” e bem interessantes, que permitem Chuck urrar de forma ainda mais feroz e violenta e os solos são novamente velozes e bem encaixados. Uma grande música! O final dessa obra fica reservado para “Genetic Reconstruction” e “Killing Spree”, duas faixas que esbanjam ainda mais "riffs", solos velozes, vocais destruidores e arranjos que remetem a faixas anteriores, encerrando esse terceiro registro em excelente forma.


O Death sempre foi uma banda que evoluiu a cada lançamento, graças à mente de Chuck Schuldiner que sempre soube agregar novos elementos e musicalidades de forma única, sempre contando com músicos diversos e talentosos. Nesse trabalho de estúdio, Schuldiner contou com mais um grande time de músicos, sendo eles o guitarrista James Murphy (James Murphy (Carreira Solo), Cancer, Disincarnate, ex-Obituary, ex-Konkhra, ex-Testament) e o baterista Bill Andrews (Ex-Massacre). Apesar de ter sido creditado no álbum como o responsável pelas quatro cordas do registro, o baixista Terry Butler (ex-Massacre, ex-Six Feet Under, Obituary, Denial Find) apenas se juntou ao grupo quando as gravações do álbum já haviam sido concluídas. O responsável por tocar o instrumento nesse trabalho foi Chuck. “Spiritual Healing” foi o terceiro capítulo da jornada da banda que infelizmente foi interrompida pela morte precoce de seu “frontmen” como todos sabem. Contudo, o legado pútrido e genial da banda permanece intacto e tão poderoso como nunca.

Tracklist:

01. Living Monstrosity
02. Altering the Future
03. Defensive Personalities
04. Within the Mind
05. Spiritual Healing
06. Low Life
07. Genetic Reconstruction
08. Killing Spree

Lineup:

Chuck Schuldiner (Vocal / Guitarra / Baixo) (R.I.P. 2001)
James Murphy (Guitarra)
Bill Andrews (Bateria)

(*) Terry Butler (Baixo) - Foi creditado como baixista no álbum, mas apenas juntou-se ao grupo quando o trabalho já estava pronto.


Escrito por David Torres

Death - Individual Thought Patterns (1993)


Algumas pessoas nascem com um toque de genialidade, vivem para brilhar e desenvolvem obras simplesmente perfeitas. Ainda não consegui entender direito essa "regra" da vida, e talvez nunca a entenda, mas muitos desses seres de talento imensurável se vão muito cedo, alguns cedo demais.

Chuck Schuldiner foi um desses casos de extraordinário brilhantismo. Visionário, dono de um estilo único e inovador, cravou seu nome pra sempre na história da música. Décadas se passarão, mas seu legado sempre será lembrado e aclamado.


O Death foi, é e sempre será fonte de inspiração para inúmeras bandas. Com uma discografia irretocável, primorosa por sua diversidade e originalidade, nos agraciou com trabalhos sublimes onde a musicalidade transcendem os limites da perfeição.

Uma destas obras inenarráveis é "Individual Thought Patterns", um álbum intrincado, de extremos, cheios de nuances e dotado de uma inspiração absurda. Composições do porte de "The Philosopher", "Overactive Imagination", "Jealousy", "Mentally Blind", "In Human Form" e a faixa título, são uma verdadeira viagem dentro da mente criativa inalcançável de Chuck.

Como de costume, Schuldiner além de reger com maestria a "orquestra" Death, neste registro em específico, se cercou de músicos com características ímpares, cheios de virtuose, "feeling" e a extrema capacidade de compreender totalmente o universo vasto que era a sonoridade proposta pela banda.


Na minha humilde opinião, "Individual Thought Patterns" possui a melhor formação já vista em um álbum do estilo. Simplesmente 4 músicos extraordinários e que dispensam apresentações, Andy LaRocque (guitarra), Steve DiGiorgio (Baixo) e Gene Hoglan (Bateria), encabeçados por uma das maiores lendas que o Mundo do Metal já viu, Chuck Schuldiner.

Death é inigualável, Chuck um gênio e este álbum, a perfeição máxima. Impossível que alguém possa viver/morrer em paz sem apreciar esta obra. OBRIGATÓRIO e INQUESTIONÁVEL. 


Escrito por Fabio Reis

Death - Human (1991)


23 anos de um grande divisor de águas na carreira da banda

Lançado em 22 de outubro de 1991 pela Relativity Records, "Human" é o quarto álbum de estúdio do Death, uma das bandas mais importantes e aclamados do Death Metal e do Metal extremo em geral. Após três grandes trabalhos de estúdio, a banda liderada pelo eterno ''filósofo'' do Death Metal Chuck Schuldiner (13/05/1967 - 13/12/2001) decidiu mudar o direcionamento das composições da banda para algo ainda mais elaborado, com letras mais profundas e inteligentes. 

O disco abre com a ótima "Flattening of Emotions", que se inicia de forma lenta e progressiva, já revelando ao ouvinte que o que está por vir trata-se de algo diferente do que foi realizado anteriormente pelos músicos. Com um "line up'' que conta com o exímio baixista Steve DiGiorgio (citando algumas bandas, Sadus, Anatomy of I, Charred Walls of the Damned, atualmente no tributo DTA (Death To All) e ex-Testament), o guitarrista Paul Masvidal (Cynic, Gordian Knot, Æon Spoke e o tributo DTA) e o baterista Sean Reinert (Cynic, Anomaly, Levi / Werstler, Æon Spoke e o tributo DTA), a banda já apresenta logo nessa primeira faixa uma sequência incrível de "riffs" e variações rítmicas. Logo após, temos a fantástica "Suicide Machine", onde temos uma marcação pulsante de baixo, linhas de bateria variadas e muito bem construídas, palhetadas certeiras, solos mirabolantes, além dos característicos vocais urrados do "frontmen" Chuck Schuldiner.


Sem jamais deixar o ouvinte cair no sono, a banda já emenda com "Together as One". Abrindo de forma explosiva, a música novamente traz uma "cozinha" estonteante e devidamente calibrada, encabeçada pelo talentosíssimo baixista Steve DiGiorgio e pelo criativo baterista Sean Reinert. As guitarras de Paul Masvidal e de Chuck Schuldiner, por sua vez, são puro "feeling", combinando técnica e engenhosidade de uma maneira simplesmente brilhante. As mudanças de andamento são um espetáculo a parte. Palhetadas sujas e pausadas introduzem "Secret Face", a quarta música do álbum e novamente podemos ouvir o amadurecimento da banda nesse quarto registro de estúdio. Essa faixa traz um andamento mais cadenciado início e que, à medida que a música caminha, passa por interessantes e bem construídas variações rítmicas, indo de momentos mais contidos e pausados para trechos impetuosos e realmente rápidos. Essa canção novamente abre espaço para cada músico brilhar individualmente, cada um esbanjando o seu talento no momento apropriado. As harmonias e os solos de guitarra são simplesmente fantásticos. 

Eis que é hora da clássica e bem conhecida "Lack of Comprehension". Seu início é uma completa viagem harmoniosa, com suas belas e suaves melodias de guitarra, compondo uma linda e progressiva introdução que, logo em seguida, abre caminho para "riffs" intensos, solos mirabolantes e ainda mais mudanças de ritmo e andamento, jamais diluindo a qualidade do que foi apresentado até agora ao ouvinte. Vale lembrar também que essa música ganhou um videoclipe, o primeiro da banda, diga-se de passagem. "See Through Dreams" se inicia mostrando o lado visceral da banda, com seus "riffs" crus e sujos, sempre permitindo a surpreendente criatividade dos músicos ecoar pelos alto-falantes, apresentando mais um grande desempenho de guitarras, uma "cozinha" de baixo e bateria descomunal e vocais agressivos e sempre bem encaixados.


A instrumental "Cosmic Sea" é a penúltima faixa do álbum e é uma composição completamente atmosférica. Se a banda já havia apresentado um extraordinário trabalho até agora, o que se escuta aqui não fica nem um pouco atrás, sendo um delirante espetáculo de técnica e "feeling" puros. Uma grande faixa, sem dúvida. Uma curiosidade é que essa faixa foi utilizada em um jogo para computador chamado "Damage Incorporated". "Vacant Planets" é a faixa que se incumbe de fechar esse quarto e brilhante álbum de estúdio, entregando mais uma sequência de arranjos e palhetadas espalhafatosas, uma fantástica e inacreditável sucessão de solos excepcionais e um vistoso desempenho de baixo e bateria.


Produzido pelo experiente Scott Burns (famoso por ter produzido grandes pérolas do Metal Extremo, além de ter trabalhado com a banda nos álbuns "Leprosy" (1988), "Spiritual Healing" (1990) e ''Individual Thought Patterns"(1993)), "Human" é um dos muitos álbuns de Death Metal lançados na década de 1990 que eleva não apenas o Death Metal, mas o Metal Extremo como um todo a um novo patamar, apresentando um conteúdo lírico e musical amplo e completamente diversificado. Temos composições pesadíssimas e que conseguem ser extremamente belas ao mesmo tempo, agradando até mesmo ouvintes de estilos completamente diferentes devido a sua grande variação na construção das músicas e sua criatividade absurda. Dizer que Chuck Schuldiner era um gênio sem sombra de dúvida é redundante, não é mesmo?! 


Lineup:

Chuck Schuldiner (Vocais/Guitarra) (R.I.P. 2001)
Steve DiGiorgio (Baixo)
Paul Masvidal (Guitarra)
Sean Reinert (Bateria)


Tracklist:

01. Flattening of Emotions
02. Suicide Machine
03. Together as One
04. Secret Face
05. Lack of Comprehension
06. See Through Dreams
07. Cosmic Sea
08. Vacant Planets 



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