Em recente entrevista ao Metal Wani, o baterista Steve Asheim foi questionado sobre como andam as sessões de composição para o novo álbum do Deicide. O músico foi sucinto e respondeu:
"Temos cerca de oito ou nove músicas e vamos fazer mais três ou quatro, vamos nos reunir quando voltarmos desta turnê e se pudermos, terminaremos essas músicas juntos, queremos de dez à doze para o disco. Talvez entraremos no estúdio para começar a gravar a parte rítmica até o final do ano ou algo assim, podemos ter alguma coisa para o próximo ano, duvido que conseguiremos para este.
Preparem-se headbangers, pois o sucessor de "In the Minds of Evil" (2013) está a caminho!
Existem bandas e músicos que sempre foram cercados por constantes polêmicas e certamente, Glen Benton e sua banda, o Deicide, são um forte grande exemplo disso, tanto pela postura antirreligiosa e anticristã de Benton, como de suas letras e fatos que permeiam toda a trajetória da banda. Contudo, não irei adentrar nesse tipo de assunto e sim, revisitar o terceiro álbum de estúdio gravado por esses monstros do Death Metal. “Once Upon the Cross” foi lançado em 17 de abril de 1995, através da gravadora Roadrunner Records e hoje está completando 20 anos. Produzido pela banda, em parceria com o experiente produtor Scott Burns (Terrorizer, Napalm Death, Autopsy e outros), no lendário estúdio Morrisound Recording, em Tampa, Flórida (EUA), “Once Upon the Cross” é dono de uma das capas mais controversas da história do Metal e apresenta um Death Metal sem quaisquer firulas, totalmente sujo e visceral.
O álbum se inicia com um pequeno trecho extraído do longa metragem “A Última Tentação de Cristo (1988) e rapidamente abre caminho para os “riffs” imundos da faixa título, a clássica “Once Upon the Cross”. Os urros guturais de Glen Benton rasgam os autofalantes, assim como as guitarras cortantes dos irmãos Eric e Brian Hoffman e a bateria crua e nada misericordiosa de Steve Asheim. O álbum segue uma linha homogênea de composição, mas jamais desaponta. A truculenta “Christ Denied” dá continuidade ao massacre com mais uma pancada suja e direta, entregando palhetadas e solos insanos e frenéticos.
A profanação continua com uma sequência de faixas matadoras. Outro clássico, “When Satan Rules His World”, possui “riffs” que impulsionam o ouvinte a “banguear” ininterruptamente. Por sua vez, a igualmente fantástica “Kill the Christian” tem uma introdução ensurdecedora e incrivelmente veloz, rumando depois para um andamento mais cadenciado e extremamente devastador. A sonoridade lembra muito o Cannibal Corpse na época do “Butchered at Birth” (1991), o que é perfeitamente compreensível, levando em conta que o produtor Scott Burns esteve por trás das duas obras.
Um segundo trecho de “A Última Tentação de Cristo” introduz “Trick or Betrayed”, mais uma aula de destruição e heresias intermináveis com pouco mais de dois minutos de duração que não deixam pedra sobre pedra. A seguir, mais um clássico se inicia, “They Are the Children of the Underworld”, trazendo ainda mais doses incessantes de “riffs” assassinos, urros monstruosos e uma bateria sempre contundente.
Essa obra pútrida e malevolente tem o seu final reservado para uma trinca composta por ótimas composições, “Behind the Light Thou Shall Rise”, “To Be Dead” e “Confessional Rape”, que ainda que não possuam nada de diferente do que já foi ouvido nas faixas anteriores, mantém o mesmo pique das outras músicas com uma execução impetuosa dos membros da banda e encerra esse terceiro trabalho de forma bem convincente.
É importante mencionar que esse álbum é muito famoso por ter uma arte original que mostrava o tronco de Jesus Cristo completamente dilacerado, com ossos e vísceras expostos. A capa era tão explícita e chocante que fez com que a banda lançasse o disco com uma capa nova, que soou como uma brincadeira irônica com a censura, colocando um tecido branco sobre o corpo esquartejado. Para não perder a arte original, ela foi inserida dentro do encarte do álbum.
Vinte anos depois e “Once Upon the Cross” ainda é um grande disco de Death Metal. Ainda que exista uma polêmica exacerbada em cima da banda, especialmente de seu “frontmen”, Glen Benton, um fato inegável é que eles foram responsáveis pela criação de grandes álbuns do Metal Extremo desde o início da década de noventa. Para aqueles que curtem Death Metal e Metal Extremo em geral e nunca ouviram algum registro do Deicide ou nunca tiveram o interesse por conta das polêmicas alheias, sugiram que deixem de lado esse pensamento e parem para conferir seus trabalhos, especialmente os primeiros lançamentos da banda, como esse. Vale e muito a pena!