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Lançamento: Hammerfall - "Built To Last" (2016)


Era uma vez um grupo de guerreiros que se intitulavam os “Templários do Aço”; com um “coração gelado” como pedra e “renegados” pelo pecado definitivo, eles partiram em uma cruzada para ressucitar os tempos gloriosos da “era do metal”, “atendendo o chamado” dos bravos e “mantendo a chama acesa” por um longo período, trazendo esperança àqueles que ansiavam pelo retorno da era de ouro do Heavy Metal. Esses guerreiros estavam “destinados à glória”, e “sempre estariam”.

Eles haviam “nascido para governar”, e então o fizeram, por mais de uma década. Acendendo a “chama templária” acima das nuvens, enfrentaram muitos desafios, e quando “aço encontrou aço” esses bravos paladinos conquistaram tudo com “a lâmina implacável”, “cavalgando a tempestade” de “trovões carmesins” pelos “limiares” do tempo. Sob um “pacto de sangue”, eles pareciam imparáveis e alcançaram o “final do arco-íris” com seus “corações em chamas”, prontos para tudo. Rosén e Elmgren, dois dos melhores e mais nobres guerreiros de todos, foram atingidos em batalha e então decidiram tomar jornadas diferentes de seus irmãos, deixando a aliança fragilizada. Larsson, um dos primeiros Templários, retornou a fim de ajudar seus iguais e Norgren, proficiente homem do machado e mago do som, substituiu Elmgren em sua luta. Um dia, porém, tudo pareceu estranho, como se algo estivesse faltando; eles continuaram sua jornada usando “quaisquer meios necessários” para a conquista, mas algo os havia “infectado”. Seu guardião, Hector, foi igualmente afetado e se viu obrigado a abandonar o campo de batalha para se recuperar. Machucados e abatidos, os Templários pausaram sua eterna busca pelo espírito do Heavy Metal e se retiraram para cura e meditação.


E então, um inverno depois, os nobres heróis se juntaram novamente no espírito de “revolução”, com a esperança de um poderoso retorno às “origens”. Um tanto enferrujados, conseguiram performar melhor que em suas últimas guerras, mas esse novo esforço foi apenas uma forma de se desintoxicarem de todos os maus presságios que estavam assombrando sua cruzada. Dessa vez, no entanto, eles vêm para provar de uma vez por todas que foram “feitos para durar”: suas espadas estão mais afiadas, suas mentes estão limpas e seus martelos estão erguidos como nunca.

Uma das mais comemoradas e proeminentes bandas da nova geração do Heavy Metal esta de volta com força máxima. O Hammerfall lançará seu décimo álbum de estúdio no próximo dia 4 – seu primeiro via Napalm Records -, completando o retorno à velha forma iniciado com ‘(r)Evolution’ em 2014. Os amigos de longa data Joacim Cans e Oscar Dronjak lideram novamente o caminho para um play que com toda certeza vai restaurar sua fé na banda e colocar o Hammerfall no lugar de onde nunca deveria ter saído. Começando muito forte com “Bring It!”, os caras destroem completamente qualquer ceticismo que você poderia ter logo nos primeiros acordes, numa pegada Grave Digger nas linhas de guitarra e refrões poderosos e explosivos. A faixa levanta os ânimos e abre alas para duas outras ótimas pedidas: “Hammer High” e “The Sacred Vow”, previamente lançadas como vídeos no youtube; a primeira é um hino absoluto de proporções épicas. Só o início da música já faz você querer levantar of punhos e bater cabeça enquanto canta junto dos coros já característicos do Hammerfall; essa é uma daquelas músicas que vão ficar magníficas ao vivo, e com certeza se tornará um clássico. “The Sacred Vow” é mais ou menos como a “Hector’s Hymn” na medida de não ser exatamente destruidora, mas segura bem as pontas. É, no entanto, uma ótima faixa com várias referências a passagens clássicas como “Steel Meets Steel” e “Heeding the Call” – uma forma de escrita que gosto muito – e tem um das mais simples, mas mais magíficas, frases que ouvi dos caras em muito tempo: ‘fear the sound of metal, the sweetest sound of all’. Perfeito.


“Dethrone and Defy” acelera a parada e lembra algumas das passagens mais densas da banda, talvez algo como o que vimos em ‘Crimson Thunder’ e ‘Threshold’. Liderada por riffs, a faixa mantém a alta qualidade do trabalho. A balada “Twilight Princess” vem a seguir, e é absolutamente linda: começando com apenas uma guitarra acústica e voz de Joacim Cans, o som se transforma em uma viagem mágica e emocional para uma história triste. Sem exageros, essa é tão boa quanto as clássicas “Always Will Be” ou “Remember Yesterday”. Obviamente não é transcedental como a perfeita “Glory to the Brave”, mas é definitivamente forte. “Stormbreaker” mostra a tradicional veia rápida tão amada nas músicas do Hammerfall, com ótimos riffs e refrão avassalador. “Built to Last” é mais uma daquelas pra cantar com os punhos em riste: com construção mais cadenciada, poderia facilmente figurar no ‘Crimson Thunder’. “The Star of Home” aumenta o ritmo mais uma vez e tem alguns momentos mais Power Metal. Joacim entrega uma ótima performance aqui, especialmente no refrão, provando que os mais de 20 anos de atividade não prejudicaram sua voz. E então vem “New Breed”: uma clara homenagem ao som do Accept, ilustrada nas linhas de guitarra e atmosfera, especialmente, essa é um ode a todas as bandas de Metal que existem por aí. Por favor, por favor, ouça essa pepita o máximo que puder e absorva a mensagem: jovem ou velho, clássico ou moderno, as bandas e os fãs são todos iguais na comunidade do Metal e todos nós apoiamos as mesmas idéias e culturas. Fechando o álbum temos “Second to None”, a mais épica do bolo, que aos poucos vai de balada à mais sombria música do álbum, dependendo fortemente de arranjos de teclado e da voz de Joacim. 

Como você pode ver, os “Templários do Aço” ressurgem da escuridão e exorcizam seus demônios de uma vez por todas com ‘Built to Last’. Claramente um retorno ao som clássico, os caras resgataram com sucesso todos os elementos que faltaram nos últimos plays e, aliados a uma sensação de novo e ao prazer de fazer música de cada membro, tornaram esse em um álbum muito, muito bom, facilmente merecedor do nome Hammerfall. Então pegue sua espada e escudo, se junte aos Templários Suecos em mais uma cruzada à supremacia do Heavy Metal e “Let the Hammer Fall”!.

Nota: 8.5



Integrantes:

Oscar Dronjak (guitarra)
Fredrik Larsson (baixo)
Joacim Cans (voval)
Pontus Norgren (guitarra)
David Wallin (bateria)

Faixas:

01. Bring It!
02. Hammer High
03. The Sacred Vow
04. Dethrone And Defy
05. Twilight Princess
06. Stormbreaker
07. Built To Last
08. The Star Of Home
09. New Breed
10. Second To None

Por Bruno Medeiros

Entrevista: Hammerfall (Pontus Norgren)


O Hammerfall é hoje uma das maiores bandas de Heavy Metal em atividade e no próximo dia 3 de novembro, lançará o seu décimo álbum de estúdio, o aguardado "Built To Last". O redator Bruno Medeiros entrevistou o guitarrista Pontus Norgren e questionou o músico sobre diversos assuntos referentes ao passado, presente e futuro da banda. Confira a transcrição do bate papo na íntegra:

Bruno Medeiros: Bruno Medeiros do Mundo Metal aqui com o grande Pontus Norgren, guitarrista do Hammerfall. Como vai?

Pontus Norgren: Estou ótimo, obrigado!

Bruno: Vocês vão lançar um novo álbum em novembro, o aguardado Built to Last. Como esta a animação da banda em lançar esse primeiro registro com a Napalm Records?

Pontus: Na verdade, o contrato com a Nuclear Blast estava encerrado, por assim dizer, então nós realmente precisávamos melhorar e elevar o Hammerfall ao próximo nível, por isso começamos a procurar novas gravadoras e a Napalm apareceu com idéias e emoções parecidas com as nossas, e pareceu certo fechar com eles. Temos sempre que estar com as idéias alinhadas.

Bruno: O Hammerfall tem um novo lyric video para a faixa “The Sacred Vow”, que tem aquela vibração particular do Hammerfall, dos refrões épicos àquela atmosfera para cantar com os punhos no ar. A letra da música também faz referência a canções clássicas da banda como “Heeding the Call” e “Steel Meets Steel”. Como vem sendo a recepção dessa faixa até o momento pelos fãs e mídia?

Pontus: Tenho que dizer cara, eu estou mais ou menos surpreso com a recepção. Nós nunca tinhamos lançado um lyric video antes do (r)Evolution, e a Napalm disse ‘é assim que queremos fazer, porque hoje em dia é comum e bem recepcionado fazer lyric videos’, então nós concordamos. Tinhamos acabado de finalizar a produção do álbum então em nossa cabeça pensavamos no álbum como um todo. Quando a música foi lançada recebemos muitos elogios como ‘cara, isso é muito Hammerfall!’, ‘é exatamente o que o Hammerfall tem que fazer’, ‘é enérgico, refrescante’; cara, isso te deixa muito feliz, te acalenta o coração, então tivemos ótimas reações até agora.


Bruno: Eu tenho ouvido o Built to Last durante os últimos dias e notei que vocês estão apostando de novo no som mais clássico do Hammerfall, com bastante ‘oh-oh’s’ e faixas épicas. A música “Bring It!”, por exemplo, me lembrou um pouco do que o Grave Digger esta acostumado a fazer, principalmente nas linhas de guitarra, e “Hammer High” tem aquela pegada mais Warlord. Isso é algo que vocês pensam antes de escrever as músicas ou isso vêm naturalmente durante o processo de criação por terem influências no metal tradicional?

Pontus: Sim, sim. Todo o período de criação do álbum é tipo, bom, nós não sentamos ali, criamos 25 músicas e escolhemos entre elas, não. Nesse álbum especificamente tivemos basicamente o Joacim (Cans) e o Oscar (Dronjak) escrevendo as músicas. Infelizmente meu pai faleceu durante o período que estávamos escrevendo as letras, então não pude fazer parte do processo como fiz com o (r)Evolution. Então o Oscar veio com algumas idéias pra mim, me mostrou e eu adorei. É como eu disse: não são 25 músicas criadas e escolhidas dessa pilha, são músicas que vêm naturalmente e organicamente em estúdio. As melodias estão lá, então depois começamos a criar as linhas de guitarra e tudo o mais, e trabalhamos ao redor disso. Depois procuramos o feeling das linhas vocais, e tudo se encaixa. É um ótimo processo, e conseguimos resgatar aquela vibração dos álbums anteriores, antes do Infected, e depois do Infected acabamos tirando aquele tempo pra pensar. Nesse tempo nós pensamos e tiramos tudo o que era ruim e deixamos apenas o que é bom pra nós, e então começamos a criar as linhas pro (r)Evolution, mantendo o que tinhamos arranjado em termos de atmosfera para o Built to Last. Vimos o que deu certo e replicamos nesse álbum, desde a energia, o poder…e cara, nós estamos na meia idade, com 40 e tantos anos, e temos muita sorte em conseguir acender essa faísca de novo, ter aquele feeling de quando éramos moleques. Nós estamos muito felizes com isso, e eu espero que seja contagiante para os fãs.


Bruno: Falando um pouco mais do processo de criação das músicas, você teve um papel proeminente no (r)Evolution, escrevendo as letras para as faixas “Bushido”, “Tainted Metal” e “Wildfire”, que são bem diferentes entre si nos arranjos e etc. Como foi sua participação dessa vez na criação de conteúdo para o Built to Last?

Pontus: Tive uma participação mais singela nesse álbum, como disse, muito por conta do falecimento de meu pai. A parte boa é que trabalho muito como produtor e engenheiro de som; trabalhei no álbum ao vivo do Vicious Rumors e com algumas bandas aqui na Suécia, e fiz algo para o King Diamond, então as coisas ficam mais fáceis pra mim nesse quesito. O Oscar criou as bases e melodias das guitarras e eu acabei vendo – do meu ponto de vista como produtor – as melhores maneiras de executar e gravar, preenchendo as lacunas e tal, e o Joacim acabava criando as partes de vocais. Mas não fiz parte dessa vez do processo de criação do zero, sabe? Apenas contribui para terminar a construção das faixas.

Bruno: Você é membro do Hammerfall desde 2008 e já gravou 4 álbums com a banda (incluindo Built to Last). Como foi e como vem sendo a experiência nesses anos, fazer parte de uma das maiores bandas de heavy metal hoje em dia?

Pontus: Ah sim. Antes de entrar na banda, abri alguns shows para o Hammerfall com meu outro grupo, o The Poodles, e comecei a me dar muito bem na época com o Joacim e os outros. Conhecia o Anders Johansson (ex-baterista do Hammerfall) há muito tempo, nós temos uma amizade desde os anos 1980, então sempre conversávamos. Falamos nesse tempo sobre as músicas e tal, e quando me chamaram pra cobrir o Stefan (Elmgren), que queria se tornar um piloto de avião, eu pensei: ‘uau, ok. Isso é grande, isso vai ser grande.’ Eu nunca tinha cogitado isso, obviamente, e então do nada estava com os caras, tendo que fazer shows em festivais para 80.000 pessoas. E ai pensei: ‘ok, agora eu tenho que ir lá e me apresentar, tocar bem e substituir bem o Stefan’. Como disse ali, na minha idade, com mais de 40 anos, ter a chance de subir no palco e destruir, ser um rockstar, por assim dizer, é uma bênção. É muito trabalho, mas amo cada minuto.


Bruno: Substituir o Stefan Elmgren com certeza não é tarefa fácil, especialmente porque ele era um favorito dos fãs, mas você tem feito um ótimo trabalho desde o primeiro dia. Conte pra nós como foi o processo de adaptação ao entrar na banda, fazer amizade com os caras e como foi a recepção dos fãs nos álbums que você participou e nas performances ao vivo.

Pontus: Cara, tenho que dizer, eles me aceitaram como um membro da família muito rápido. Claro que, nas redes sociais e tal as pessoas reclamaram e eu entendo isso, porque as pessoas sentem falta do Stefan, obviamente. Ele teve o sonho rock ‘n’ roll dele por 10 anos, e aí decidiu seguir outro sonho rock ‘n’ roll que era o de ser um piloto. Algumas pessoas não entenderam isso, mas era o que ele queria; não queria mais fazer música, sabe? Ele tinha um papel importante no Hammerfall e algumas pessoas foram bem mal-educadas comigo, mas eu não ligo muito pra isso. Ele até retornou pra nos ajudar na turnê do (r)Evolution quando o Fredrik (Larsson, baixista) teve que voltar pra casa por causa dos filhos dele. O Stefan tocou baixo e nós alternamos os instrumentos durante o show, o que foi muito legal. Mas cara, agora eu sou parte do Hammerfall. Claro, eu ainda sou o novato (risos)! Mas eu entendo os fãs, de verdade. Todos tiveram o Stefan como um ídolo durante 10 anos e aí do nada ele desaparece e venho eu (risos). Mas faz parte, é parte do processo. Veja o Axl Rose com o AC/DC: ele teve que substituir um grande ícone, mas não estava lá pra apagar o anterior, e sim pra ajudar, apenas isso. E foi o que o Stefan fez comigo, ele chegou e basicamente disse: ‘pega aqui esse machado e use-o pelos próximos 10, 20 anos’.


Bruno: Gostaria de falar um pouco sobre o álbum Infected agora. Nele, a banda tentou uma abordagem diferente em vários aspectos, desde a aura mais densa e som mais sombrio à falta do mascote Hector na capa do álbum, mas voltou atrás com (r)Evolution. Qual foi a intenção principal com Infected e, na sua opinião, o que deu e o que não deu certo com o trabalho?

Pontus: O Infected é um dos meus álbums favoritos em termos de músicas individuais. Mas é como eu disse antes: havia algo de errado com as coisas na época. Nós passamos por dois managers diferentes num espaço muito curto de tempo, foi muito tenso. Procurávamos algo que sabíamos que já estava na banda, mas não conseguíamos encontrar, sabe? E isso fez a impressão de todo o álbum, transpareceu no trabalho. Se você ouvir o Infected vai ver claramente que, sim, existem músicas mais sombrias. Acho que isso pairava no ar à época, era algo contagioso, não de alguem especificamente tentando nos derrubar, mas de um conjunto de fatores e pessoas que tornaram a atmosfera assim. Um karma ruim, que infectou a banda. Então acho que o título do álbum foi bem propício, porque nós fomos contagiados por isso e pegamos essa ‘doença’ que não sabiamos que tinhamos, por assim dizer. Foi por isso que decidimos descansar um tempo separados após o álbum, pra purificar tudo de ruim e deixar apenas o bom. Falamos: ‘não vamos fazer nada relacionado ao Hammerfall durante um ano’, e cada um foi pro seu lado. Oscar escreveu um livro, Joacim fez alguns musicais, eu sai em turnês com outras bandas como engenheiro de som e o Fredrik ficou com sua outra banda. E então depois desse tempo nos reunimos e conversamos, e aí a faísca apareceu de novo, porque tinhamos limpado tudo de ruim e deixado isso pra trás. Agora íamos fazer o que queriamos, e não o que os outros demandavam, e isso se traduziu no (r)Evolution. Eu acho que os fãs sabiam que algo estava infectado também, e quando voltamos, voltamos mais fortes que nunca. Pra falar a verdade, nós não sabiamos se íamos voltar ou não, mas ainda bem que voltamos.


Bruno: Então vocês estavam pensando em voltar ao som mais tradicional depois do Infected ou voltaram atrás por conta de pedidos dos fãs?

Pontus: Tudo voltou naturalmente. Quando a faísca que falei, as músicas mais up-tempo, as apresentações animadas e a alegria de fazer música voltaram, o (r)Evolution se escreveu sozinho, pra falar a verdade. Pensamos em termos de produção e management e decidimos que tinha de ser simples, natural: ‘vamos deixar rolar, deixar as músicas limpas’, e conseguimos fazer isso no (r)Evolution. E agora, com o Built to Last, consolidamos essa idéia e elevamos ao próximo nível, mantendo essa energia. Aquele feeling de ter uma coisa de volta, isso é ótimo cara. Voltamos a ser adolescentes com isso.

Bruno: O Hammerfall tem uma turnê chegando em 2017 com o nome “Built to Tour”, com datas no continente europeu. Conte-nos sobre o que esperar desses shows que estão por vir e se há algum plano de fazer uma turnê mundial depois da Europa:

Pontus: Sim. No momento não temos nada oficial, mas o plano é tocar nessas datas da Europa, depois talvez na América do Sul, mais alguns outros países, e depois voltamos pra casa. Depois disso vamos tentar alguns festivais de verão na Europa, claro, e logo entramos em 2018. Vai ser um ano muito cheio. 

Bruno: Podemos espera-los no Brasil para a próxima turnê então, ótimo! Para concluir, poderia descrever o som do Built to Last em apenas uma frase?

Pontus: Ele vai chutar você na cara. 

Bruno: ahahahaha, ótimo! Gostaria de agradecê-lo, em nome do Mundo Metal, por tomar um pouco de tempo para falar conosco. Boa sorte com a turnê e o álbum, e continuem o ótimo trabalho!

Pontus: Obrigado, você também!

Hammerfall: Joacim Cans dá detalhes sobre o novo álbum


Em uma recente entrevista a revista Spark, o vocalista Joacim Cans contou alguns detalhes sobre o novo trabalho da banda. "Built To Last", o décimo álbum de estúdio do Hammerfall, será lançado no dia 3 de novembro e você pode ler abaixo alguns dos trechos mais importantes da entrevista.

A música mais difícil de cantar no novo álbum:

"É o lyric vídeo que nós lançamos, "The Sacred Vow ", porque o coro não era para ser cantado por mim, decidimos gravá-lo apenas como um coro porque o maldito é altíssimo, realmente não há como cantar tão alto. Mas no estúdio, eu estava em uma forma tão boa naquele dia, parecia que eu tinha respirado hélio e estava sob efeito de cocaína e metanfetamina, tudo ao mesmo tempo."

Sobre a performance do vocalista em "Built To Last":

"Eu sempre tento me renovar quando estou compondo as melodias vocais, é como: "Ok, como eu deveria abordar esta parte? Ah, talvez eu pudesse realmente ir mais alto desta vez!". E foi o que eu fiz em diversas canções, nunca cantei tons tão altos como fiz neste álbum."

Como o novo álbum está soando:

"Eu acho que tem um monte de novos elementos (no novo álbum), mas o mais importante de tudo é que ainda há uma grande quantidade de energia, apesar de estarmos chegando perto dos 40, soamos como uma banda jovem, com muita garra."

Hammerfall: ouça "The Sacred Vow", a mais nova música da banda


Enquanto o aguardado "Built To Last" não é oficialmente apresentado, os fãs podem escutar uma pequena prévia do que está por vir. A primeira composição disponibilizada para audição se chama "The Sacred Vow" e pode ser conferida através do link abaixo:


Pra quem espera por uma volta à sonoridade dos primeiros discos, a nova canção deve dar uma esfriada nos ânimos, já que segue exatamente o mesmo padrão que a banda vem adotando em seus trabalhos mais recentes. 

"Built To Last" tem previsão de lançamento para o dia 4 de novembro e será o décimo álbum de estúdio do Hammerfall.

Hammerfall: novo álbum em novembro, saiba mais detalhes


O Hammerfall, uma das mais respeitadas bandas da Suécia e responsável por alguns dos mais emblemáticos discos da década de 90, está pronta para o lançamento de seu décimo trabalho de estúdio.

O álbum se chamará "Built To Last" e será apresentado oficialmente no dia 4 de novembro via Napalm Records. Foi disponibilizado a arte do registro, novamente com o mascote Hector estampado na capa, o que mais uma vez traz expectativas sobre uma volta as raízes. 

Confira o tracklist e a capa abaixo.


 1. Bring It!
 2. Hammer High
 3. The Sacred Vow
 4. Dethrone And Defy
 5. Twilight Princess
 6. Stormbreaker
 7. Built To Last
 8. The Star Of Home
 9. New Breed
10. Second To None

Hammerfall - Glory To The Brave (1997)



Em meados da década de 90, o Power Metal melódico era uma espécie de febre mundial e bandas como Helloween, Gamma Ray, Stratovarius e Edguy, dominavam a cena. O Thrash estava adormecido e o Heavy apresentava pouquíssimos discos realmente relevantes. 

Neste cenário, Jesper Strömblad, guitarrista do In Flames, se une ao também guitarrista Oscar Dronjak, da recém formada Crystal Age e juntos, resolvem formar um projeto voltado ao Heavy Metal mais tradicional. Tal projeto foi batizado de Hammerfall e em 1996, durante todo o verão e parte do outono, os músicos trabalharam na criação das composições que fariam parte do primeiro álbum da banda. 

Jesper inicialmente seria o baterista do grupo, mas depois de 
participar do processo de criação das canções, surpreende-se 
com a qualidade do material e percebe que o Hammerfall alçaria vôos mais altos, jamais sendo um mero projeto e sim uma banda de fato. O músico então decide priorizar o In Flames e sede seu posto ao baterista Patrik Räfling. Os demais integrantes da banda nesta época eram Joacim Cans (vocal), Stefan Elmgren (guitarra) e Fredrik Larsson (baixo), que após as gravações seria substituído por Magnus Rosén.

Desta forma, em 1997, é lançado oficialmente um dos grandes trabalhos da década, o magistral "Glory To The Brave". O disco é uma espécie de reboot no estilo, trazendo uma musicalidade extremamente tradicional, influenciada por nomes dos saudosos anos 80 e correndo na contramão de tudo o que era apresentado neste período. Além disso, o registro é o grande responsável por uma grande restruturação no selo Nuclear Blast, que exclusivamente investia em trabalhos voltados ao Metal extremo e com o sucesso do Hammerfall, resolve abrir espaço e apostar em nomes pertencentes a outras vertentes do Metal.



A estréia da banda não trás nenhuma novidade ao gênero, porém mostra composições executadas de maneira muito competente e trazendo de volta uma musicalidade que parecia estar fadada ao esquecimento. O resgate foi muito bem visto e rapidamente o álbum caiu nas graças de bangers de todo o mundo, fazendo com que o Hammerfall se tornasse uma das maiores promessas da época e conquistasse rapidamente uma legião de fãs.

Faixas como "The Dragon Lies Bleeding", "The Metal Age", "Hammerfall", "Steel Meets Steel" e "Stone Cold", além de chamar a atenção por sua fidelidade ao Heavy Metal tradicional, ainda demonstravam um elevado grau de inspiração e feeling. O grupo ainda fez uma homenagem a uma de suas grandes referências, gravando "Child Of The Damned", do Warlord. 

Certamente, este é um álbum que merece o status de clássico e foi um dos mais importantes discos gravados nos anos 90. Serviu pra apresentar o Hammerfall ao grande público e mostrou que o Heavy em sua forma mais tradicional ainda era capaz de despertar interesse.

Simplesmente obrigatório!





Integrantes:

Joacim Cans (vocals)
Oscar Dronjak (guitarra)
Stefan Elmgren (guitarra)
Fredrik Larsson (baixo)
Patrik Räfling (bateria)

Faixas:

01. The Dragon Lies Bleeding
02. The Metal Age
03. Hammerfall
04. I Believe
05. Child Of The Damned
06. Steel Meets Steel
07. Stone Cold
08. Unchained
09. Glory To The Brave

por Fabio Reis

Hammerfall - (r)Evolution (2014)


Como muitos, eu estava aguardando este novo álbum do Hammerfall com muitas expectativas. Pela arte dacapa previamente revelada, algumas entrevistas da banda e após escutar as duas faixas disponibilizadas para a audição, tudo levava a crer que iriam promover uma "volta às raízes" de seus primeiros álbuns.

De antemão, adianto que "(r)Evolution" não se trata de um resgate da musicalidade dos primórdios do grupo. Possui algumas poucas faixas que remetem a esta fase, mas não são a maioria no trabalho. Este fato não faz com que o álbum se torne ruim, mas decepciona um pouco aqueles que aguardavam algo na linha dos primeiros registros.

No geral, não vejo muita diferença entre "(r)Evolution" e os lançamentos anteriores. A mesma sonoridade de "Infected" e "No Sacrifice No Victory", mas com a pompa de trazer de volta o mascote Hector na capa.Como não acho os últimos álbuns ruins, considerei o novo trabalho bem aceitável. "Infected", por exemplo, apesar de ter sido muito criticado, segue a fórmula de sempre que consagrou a banda, com o diferencial das letras terem trocado as cruzadas, batalhas, reis, templários e dragões por temas mais obscuros.


Usando o título do novo álbum, "(r)Evolution" não revoluciona e muito menos mostra uma evolução, apenas mantém o atual nível de composições que o Hammerfall vem apresentado há um certo tempo. Quem não gostou do que a banda vem fazendo nos últimos 2 registros, provavelmente não irá gostar deste, quem vinha apreciando continuará tendo a mesma opinião de sempre.

"Hector's Hymn", "Bushido", "Ex Inferis", "Origins" e "Wildlife" são os grandes momentos do álbum e garantem uma audição proveitosa, porém, sem surpresas. Outras faixas que considero interessantes são: A faixa título "(r)Evolution", "Tainted Metal" e "We Won't Back Down", porém essas três, com menos brilho e empolgação.

Os destaques negativos ficam para as dispensáveis "Live Life Loud", a fraquíssima balada "Winter Is Coming" e "Evil Incarnate", que até começa bem, mas possui um final chatíssimo.



No conjunto total da obra, o Hammerfall lançou mais um bom álbum, mas é só isso. Passa muito longe dos ótimos "Glory To The Brave", "Legacy Of Kings", "Renegade" e "Crimson Thunder", mas também não pode ser taxado como um disco ruim. Com toda certeza, não entrará na minha lista de melhores do ano, mas também não será um trabalho dispensável, que vou simplesmente esquecer e nunca mais ouvir.

No término da audição, a impressão que fica é que a banda possui um potencial muito maior do que o que vem apresentando. "(r)Evolution" agradará os fãs mais xiitas mas passará incólume pela maioria dos apreciadores do Metal. É um álbum burocrático, que eu, particularmente, esperava mais.

Faixas:

01 - Hector's Hymn
02 - (r)Evolution
03 - Bushido
04 - Live Life Loud
05 - Ex Inferis
06 - We Won't Back Down
07 - Winter Is Coming
08 - Origins
09 - Tainted Metal
10 - Evil Incarnate
11 - Wildfire


Integrantes:

Joacim Cans - (Vocal)
Oscar Dronjak - (Guitarra, Teclados)
Pontus Norgren - (Guitarra)
Fredrik Larsson - (Baixo)
Anders Johansson - (Bateria)


Escrito por Fabio Reis


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