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Violator - Ao vivo na Avenida Paulista

Mundo Metal [ Live Review ]



Imaginem a seguinte situação: você acaba de chegar em casa, exausto e completamente destruído após uma tremendo show de Thrash, liga o computador, acessa o seu Facebook... e descobre que a banda que você acabou de assistir decidiu fazer – aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo – uma apresentação gratuita às 09h da manhã. PxQxPx! Pois bem, foi exatamente isso que ocorreu comigo, meus caros amigos, e certamente não fui o único a ser surpreendido dessa maneira.

Após realizarem uma apresentação absolutamente monstruosa e irrepreensível no Sesc Belenzinho no último sábado (20), os Thrashers brasilienses do Violator proporcionaram um segundo round para os seus apreciadores no dia seguinte. De acordo com o guitarrista Capaça, como muitos fãs não conseguiram garantir ingresso para comparecer ao show do Sesc, optaram por fazer essa "brincadeira" de última hora e, sem dúvida alguma, foi uma atitude muito louvável e extremamente bem-vinda. Quem não pôde comparecer ao show anterior conseguiu ter uma nova uma oportunidade de assistir a banda antes do hiato e alguns fãs que haviam comparecido na apresentação de sábado puderam ter mais um "gostinho" da violência sonora dos caras.

É pouco mais de 09h da manhã e um grupinho de fãs se aglomera em volta da banda. O sempre carismático vocalista e baixista Poney faz uma breve saudação: "Bom dia, Av. Paulista!". Saudação essa no tom mais irônico e bem-humorado possível, afinal, os caras estavam simplesmente prestes a obliterar o asfalto, a calçada e tudo ao seu redor com seu repertório altamente infeccioso, cortesia do mais insano e visceral Thrash Metal com pegada oitentista... Em plena manhã de domingo! Não é todo dia que temos o privilégio de testemunhar tamanha desgraça – no melhor sentido da palavra, oras!

"Infernal Rise", a faixa de abertura do último trabalho produzido pela banda, o EP "The Hidden Face of Death" (2017) inicia a curta, porém ótima apresentação. As notas da composição agridem brutalmente o ambiente, como uma onda de resíduos altamente tóxicos em contato com alguma superfície. Após o encerramento desse som, Poney fala que estão tocando no palco das maiores manifestações da Patolândia, mencionando até o prefeito de São Paulo, João Dória. O músico não perde a oportunidade de chamar Dória de "coxinha de camisa de grife", provocando risos em todos.

Essa troca de palavras para o público é a ponte perfeita para o quarteto executar uma música que retrata precisamente o infame círculo interminável dos tiranos: "Endless Tyrannies", do último álbum da banda, "Scenarios of Brutality" (2013). É importante mencionar que, a princípio, muitos dos presentes demonstravam sinal de cansaço, inclusive a própria banda, afinal, a performance na Paulista foi uma ideia muito repentina. Os músicos e os fãs que haviam comparecido ao Sesc na noite anterior estavam visivelmente cansados e aqueles que não haviam ido ao show de sábado também, muito provavelmente pelo fato de ser uma manhã de domingo e um show marcado de última hora. Apesar disso, tanto a banda como os presentes foram se animando mais e mais no decorrer da apresentação e isso foi perceptível nesse segundo som que tocaram.

Depois, temos outro discurso de Poney a respeito da solidariedade e contra o fascismo. "Que isso espalhe cada vez mais a nossa solidariedade e não deixe esse fascismo diário dessa classe média terrível que a gente tem no Brasil dominar, sacou? Nós somos bem mais do que isso, essa 'coxinhada' aí, velho. Nós somos bem mais!", diz o músico. Ele explica que a próxima música que irão tocar fala a respeito da desocupação de Pinheirinho, que, diga-se de passagem, foi um acontecimento muito trágico ocorrido há seis anos.

Apenas para contextualizar, para que não se recorda, o episódio na qual Poney se refere ocorreu em 22 de janeiro de 2012, quando a Polícia Militar de São Paulo (PMSP) e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) da cidade de São José dos Campos (SP) promoveram uma violenta invasão à ocupação que ficou conhecida como Pinheirinho. O motivo dessa invasão era exercer um mandato de reintegração de posse promulgada pela Justiça Estadual. Esse fatídico episódio ficou conhecido como o "Massacre do Pinheirinho", uma vez que as forças policiais se utilizaram de brutalidade desmedida para intimidar e desalojar os moradores. Como já era de se imaginar, os residentes recusaram sair do local, optando por resistir e provocando consequências devastadoras: famílias desabrigadas, pessoas gravemente feridas, encarceramentos e, de acordo com algumas fontes, até mortes. "Que aquela tragédia não se repita, que a gente esteja atento pra que não se repita.", finaliza Poney. E tome "Respect Existence or Expect Resistance", outra pedrada crua e diretíssima de "Scenarios of Brutality". A recepção do som? Muito positiva, com alguns dos presentes se aproximando mais da banda para poder cantar a letra da música com intensidade.

Nesse momento, ocorre uma situação um tanto engraçada. "Cuidado aí com o ônibus aí, cara! Não é perigoso não?", diz o frontman, assustado ao ver um ônibus passar muito perto de uma grade onde alguns fãs estavam. O músico agradece a todos novamente e continua: "A cidade é nossa mesmo, cara e a gente têm que usar como a gente quiser, é nossa...", finalizando com "A gente é criado pra ter medo de usar a cidade, pra ter medo da gente mesmo se expressar, né cara? A gente é criado com medo da Polícia e com medo... com medo muito razoável mesmo, eu acho..." – Todos caem na gargalhada nesse momento – "Mas enfim, é muito bom a gente poder tá aqui fazer as coisas e dizer 'Não cara, isso aqui é nosso também e a gente existe, tamo aqui, é isso aí'. Então, muito obrigado a todos vocês!", conclui ele, culminando numa salva de palmas geral.

O vocalista/baixista acrescenta que o guitarrista Capaça se mudará em três semanas e é realmente muito bom poder fazer essa despedida, ressaltando que jamais imaginou que tocariam na Avenida Paulista um dia. Nesse instante, Poney também agradece a Capaça por todo trabalho que o integrante fez pela banda e, obviamente, o público também responde, aplaudindo logo em seguida. Pra finalizar esse breve intervalo, é claro, já emenda um "Foda-se Jair Messias Bolsonaro!", culminando em um "AEEEEE!!!!" proferido de forma uníssona por todos. Eis que é hora da singela canção em homenagem ao controverso candidato a presidência ser executada, da forma mais suja, crua e agressiva possível. "False Messiah",  anuncia Poney ao microfone e então, a música ecoa como uma manifestação violentíssima, encorpada e assustadoramente potente. Uma execução estupidamente impecável!

Assim que a música é encerrada, Poney anuncia que vão tocar o último som e é interrompido do modo mais brusca e hilária possível. "Eu acabei de chegar, caralho!", fala uma transeunte muito entusiasmada, que vestia um par de óculos que mais parecia um binóculo. Essa interrupção gera risos em todos, deixando o momento ainda mais descontraído tanto para os presentes como para a banda em si. Poney até brinca nesse momento "Pô, cara! Eu nem tinha notado que você não tinha chegado antes". Na realidade, ressalto que essa personagem havia parado para assistir a apresentação pouco depois da mesma ter se iniciado e já havia provocado risos em todos exatamente no momento em que chegou, diga-se de passagem, gritando algo como "Aeee! Rock'n'Roll!"

Sem perder tempo, Poney agradece a presença de cada um mais uma vez e novamente, é surpreendido por um improviso muito aleatório e inusitado do guitarrista Capaça, algo que arranca ainda mais risadas. O frontman menciona que o Violator completou 16 anos nesse ano e ressalta novamente a pausa que a banda fará, reforçando como o grupo sempre foi uma reunião de amigos feita por amigos, acreditando muito no jeito de produzir da forma mais simples e underground e como foi um prazer trabalhar com pessoas muito boas ao longo de todos esses anos e evidentemente, agradece mais uma vez a cada um dos fãs ali presentes, resultando em mais uma salva de palmas igualmente sincera de todos.

"Sem pagação de pau!", diz Poney, imitando hilariamente um dos bordões icônicos do igualmente carismático Alex Camargo, frontman da banda de Death Metal gaúcha Krisiun, deixando tudo ainda mais descontraído e divertido. E dá-lhe "Ordered to Thrash", instrumental arrasa-quarteirão do álbum de estreia do quarteto, o emblemático "Chemical Assault" (2006). que faz com que todos "bangueiem". Nem preciso dizer que quando chega o trecho do "Thrash!!!" todos berraram ao mesmo tempo, correto? Preciso sim, seus fanfarrões! Pense num coro polifônico altamente insano. Pra variar, os fãs pedem mais uma música e adivinhem? Rola mais um "Foda-se Jair Messias Bolsonaro", apenas para causar aquela discórdia marota, dessa vez acompanhado de um belo coro por parte de todos: "Ei, Bolsonaro! Vai tomá no cu!!!"

Agora, como dizem, a porra realmente ficou séria a seguir, quando o hino "UxFxTx (United for Thrash)" começou. De repente, um incendiário circle pit tomou conta da calçada, algo realmente insano. Detalhe importantíssimo: como já mencionei antes no texto, alguns dos fãs que estavam no circle pit –  incluindo quem vos escreve – já haviam agitado muito no show ocorrido na noite anterior, entretanto isso não impediu em nada da dose ser repetida com muito gosto. O resultado de toda essa onda de histeria e Thrash visceral foi uma performance arrasadora não apenas da banda ou do público, mas sim de todos. Realmente, nada mal para um show improvisado em plena manhã de domingo e ainda por cima após um show que já havia sido excruciante o suficiente.

Para encerrar com uma sangrenta chave de ouro, ainda tivemos outra pedrada do debut "Chemical Assault". "Enquanto alguns estão destinados a nascer, outros estão destinados a morrer." Sim, era hora de "Destined to Die" e claro, para não deixar a insanidade parar, Poney pede para todos abrirem o circle pit novamente. Posso ser bem honesto? Ele nem precisava ter pedido! A roda tomou conta da calçada mais uma vez, provavelmente ainda mais insana e caótica, se me permitem dizer. E da forma mais monstruosa e visceral possível a apresentação atingiu seu fim.

Mais uma vez, o Violator não apenas realizou uma apresentação impactante, como também mostrou novamente o motivo de possuir uma legião de admiradores bem fiéis. Após o encerramento da performance, ainda conversaram bastante com o fãs, tiraram fotos e tudo mais, como já era de se esperar. Infelizmente, o quarteto entrará em um hiato por tempo indeterminado e sabe-se lá quando retomarão as atividades. Vão deixar saudades! Uma coisa é certa: já deixaram sua marca cravada no cenário da música pesada independente, tanto pelas músicas como pela postura e atitude.

Por hora, não vejo outra forma de encerrar esse texto desejando boa sorte ao Capaça em sua empreitada profissional na Irlanda e claro, os meus mais sinceros agradecimentos ao Violator por sempre ter proporcionado um bom trabalho dentro do Thrash Metal brasileiro. Em tempo, quem sabe Poney e os membros remanescentes não montam algum projeto paralelo igualmente barulhento e caótico, não é mesmo? Seria demais!  Aliás, um retorno do Possuído Pelo Cão, então, seria simplesmente avassalador e claro, que o Violator retome as atividades o mais breve possível. Nós agradecemos muito desde já!

Mais alguma coisa? Mas é claro! UxFxTx!

Integrantes:

Pedro "Poney Ret" Arcanjo (vocal/guitarra)
Pedro “Capaça” Augusto Dias (guitarra)
Marcio Cambito (guitarra)
David “Batera” Araya (bateria)

Setlist:

1. Infernal Rise
2. Endless Tyrannies
3. Respect Existence or Expect Resistance
4. False Messiah
5. Ordered to Thrash
6. UxFxTx (United for Thrash)
7. Destined to Die

Redigido por David "Fanfarrão" Torres

Violator - Sesc Belezinho (20.01.18)

Mundo Metal [ Live Review ]


Falar do Violator é algo bem complexo. Pense numa banda que consegue ser amada e odiada com a mesma proporção. Formada em Brasília (DF) no início dos anos 2000, período que foi marcado pelo ressurgimento com força total do Thrash Metal, a banda rapidamente se consolidou com uma das mais queridas da safra atual do estilo graças a seus dois álbuns, "Chemical Assault" (2006) e "Scenarios of Brutality" (2013), bem como os EPs "Violent Mosh" (2004) e "Annihilation Process" (2010), angariando gradativamente uma legião de fãs.

Jamais escondendo suas crenças e ideias e sempre se posicionando politicamente contra as mazelas que atormentam as minorias diariamente, o grupo também passou a ser alvo de árduas críticas, principalmente após o episódio em que publicaram uma foto em sua página oficial do Facebook trazendo o vocalista/baixista "Poney Ret" mostrando o dedo do meio durante uma das apresentações da banda com a legenda "Foda-se Jair Messias Bolsonaro!". Creio que essa frase totalmente "carinhosa" é autoexplicativa e dispensa muita dissertação. A repercussão nas redes sociais foi enorme e até hoje é enxergada de uma forma controversa por muitos, que alegam que os músicos são militantes e que apenas fazem esse tipo de coisa para chamar atenção. 

Particularmente, discordo desse pensamento. Como sempre digo, uma boa parcela de bandas e gêneros musicais que flertam com o Hardcore/Punk sempre se manifestaram abertamente em causas políticas e sociais, inclusive tecendo severas críticas a diversas figuras políticas também, principalmente dentro do Thrash, uma das vertentes mais contestadoras do Metal. Assim que o Violator anunciou uma única apresentação em São Paulo, no Sesc Belenzinho, diversos fãs correram para garantir os ingressos do show. 

Promovendo o seu mais recente lançamento, o EP "The Hidden Face of Death", lançado no fim de 2017, o show do quarteto contou não apenas com as músicas inéditas e matadoras que compõem esse pequeno registro, como muitas composições já consideradas clássicas da banda, incluindo pauladas que os músicos não tocavam há algum tempo, para a surpresa e felicidade de todos. Infelizmente, a essa altura do campeonato, todos já sabem que o guitarrista Capaça vai se mudar para a Irlanda e por esse motivo, a banda vai entrar num hiato por tempo indeterminado. Uma notícia bastante triste para todos os fãs e que certamente motivou muitos a comparecerem em peso a esse evento estupidamente caótico, insano e totalmente energético que rolou nesse último sábado (20).

A abertura do Sesc Belenzinho ocorreu às 19h30 e nesse horário, era possível ver o quarteto brasiliense fazendo a passagem de som antes da destruição em si começar algumas horas depois. Aos poucos, o local foi enchendo e 21h30 em ponto, ovacionados por todos os presentes, Pedro "Poney Ret" Arcanjo (vocal/guitarra), Pedro “Capaça” Augusto Dias (guitarra), Marcio Cambito (guitarra) e o integrante com o melhor apelido possível, David "Batera" Araya (bateria), sobem ao palco e dão início a um espetáculo de devastação sonora quase indescritível. Literalmente, é hora da violação começar!

Quando ecoam os arranjos da introdução de "Infernal Rise" – música de abertura do novo EP "The Hidden Face of Death e também a composição que iniciou esse show – a sensação que se teve é como se estivéssemos assistindo a uma ode ao hino "Hell Awaits" (Slayer), devido ao seu andamento inicial fúnebre, cadenciado e altamente atmosférico. O público urrava e agitava no mesmo ritmo do som, algo que sempre faz toda diferença numa performance desse tipo. 

Havia uma faixa de segurança próximo ao palco e levando em consideração o tipo de público que existe no Thrash, especialmente se tratando de uma banda como o Violator, nem preciso dizer que a mesma veio abaixo em questão de segundos após a apresentação começar, não é mesmo? E isso foi apenas o começo do ataque impetuoso de Poney e cia. Assim que a introdução instrumental se encerra, Poney faz uma breve saudação e induz todos a se matarem impiedosamente no moshpit e nos stage dives. Quem já viu ao menos uma vez a banda em ação tem uma boa noção do poder de fogo que esses caras possuem e nessa noite, não foi nem um pouco diferente. Tivemos uma legítima aula de Old School Thrash Metal! 

Logo após tocarem a primeira pedrada do set, Poney interage novamente com o público, saudando mais uma vez cada um dos presentes. Então, ele emenda dizendo que "O círculo dos tiranos continua a girar e a girar e agirar...". Eis que somos golpeados com requintes de crueldade por "Endless Tyrannies", de "Scenarios of Brutality", outro ataque sonoro cujos danos mal podem ser descritos, tamanha a crueza de suas notas. Apenas imagine o caos em sua mais pura forma. Na sequência, Poney menciona que a Veja publicou uma matéria sobre a banda, algo que jamais imaginou que poderia ocorrer um dia na carreira do grupo. O frontman também brinca com o fato do evento não ter contado com bandas de abertura e dá muita ênfase no complexo momento atual que o país vive, bem como sobre o Violator estar sempre ao lado dos gays, lésbicas e minorias oprimidas em geral, discurso sempre presente nas apresentações dos caras e que sempre incomoda a muitos, como estamos saturados de saber. 

Sem perder tempo, Poney anuncia "Respect Existence or Expect Resistance", outro som de "Scenarios of Brutality", que por sinal reflete exatamente o que foi dito no discurso que a antecedeu.  Esse som é violentamente emendado com uma duplinha igualmente moedora de ossos: a instrumental "Death Descends (Upon this World") do mesmo álbum e a obrigatória "Atomic Nightmare", do debut "Chemical Assault". O resultado da execução dessas músicas não poderia ser outro a não ser o mais agressivo possível. Imagine um rolo compressor obliterando cada centímetro da pista e do palco. Pois bem, agora imaginem isso 666x mais!

Um clima de suspense antecede a excruciante introdução de "Futurephobia", a única representante do EP "Annihilation Process" que foi tocada na noite. Como já era de se esperar, todos os presentes agitaram mais uma vez sem parar, cantando o refrão simples e direto a plenos pulmões. Novamente, temos uma breve pausa e Poney troca mais algumas palavras com os presentes, enfatizando que 2018 é um ano de luta para todos nós e claro, por se tratar de um ano marcado pelas eleições presidenciais e seus candidatos pra lá de controversos, pra não dizer corruptos, inescrupulosos... e até racistas, homofóbicos e afins – ops, eu já disse! – rolou um belo "Foda-se Jair Messias Bolsonaro!" em alto e bom som, sucedido por um coro em uníssono de todos: "Ei, Bolsonaro! Vai tomá no cu!" Esse momento do show é a deixa para a segunda faixa do último EP ser executada com potência total. Sim, falo a respeito de "False Messiah", que contou com uma performance avassaladora, com boa parte do público feminino promovendo ininterruptos stage dives, enquanto outra parcela dos fãs debulharam tudo no circle pit, fazendo a pista girar incessantemente e do modo mais colérico possível. 

Por sinal, algo que sempre enche o orgulho do fã de Rock/Metal em apresentações como essas é justamente essa interação única e impagável entre a banda e seu público. É algo que simplesmente não tem preço e claro, ver todos os presentes se respeitando e agitando juntos, lado a lado, é sempre magnífico. São exatamente atitudes como essas que fazem da música pesada – seja ela o Metal, o Hardcore/Punk ou qualquer outra vertente igualmente intensa e visceral do Rock – ser o que ela é. 

Antes de darem continuidade ao repertório, Poney pede para todos agitarem ao máximo, afinal esse seria o último show antes do hiato. Em seguida, é a vez da infecciosa "Toxic Death", outra representante de "Chemical Assault" dilacerar cada parte do Sesc Belenzinho. O moshpit rolava na pista como uma máquina de destruição em massa incontrolável, jamais parando e cada vez mais violento e mortal. E os stage dives? Cada vez mais loucos e incessantes, sem mencionar os fãs que subiram ao palco durante a performance de diversas músicas do set – inclusive nessa aqui – e cantaram alguns trechos ao lado de Poney.

"After Nuclear Devastation", a última faixa de "Chemical Assault", dá continuidade ao extermínio, nunca deixando qualquer um ficar indiferente. É hora de mais um pequeno intervalo e nesse momento, Poney ressalta mais uma vez que todos são bem-vindos em seus shows, sempre mencionando o quanto reforça isso nas apresentações da banda. Também fala a respeito da mudança do guitarrista Capaça, que se mudará para a Irlanda em breve e aproveita para dissertar sobre a conexão entre a banda e seu público, falando sobre como o Metal pode sim unir cada vez mais os seus fãs e proporcionar momentos como esse, terminando por agradecer mais uma vez a presença de todos. Evidentemente, o público aplaude e em seguida, o frontman anuncia que vão tocar uma música que está fora do repertório da banda há algum tempo. Contra a polícia, é a vez de "Let the Violation Begin", a primeira faixa do EP "Violent Mosh". O público foi ao delírio, afinal, trata-se de uma pedrada que não era tocada ao vivo há um bom tempo. Vale mencionar que ainda rolariam mais algumas surpresas bem agradáveis até o encerramento do show. 

Nesse momento, Poney interage novamente com os fãs, explicando que pela primeira vez o Violator tocaria com três guitarristas e sem qualquer demora, recruta ao palco o guitarrista Felipe Nizuma (Braindeath, ex-Blasthrash), figurinha conhecida no meio urderground. Durante essa pausa, Poney também reconhece alguns amigos e parceiros do cenário da música pesada independente no meio da plateia, como Diego Nogueira (Anthares, Blasthrash) e aproveita para contar um relato insano e engraçado que ocorreu quando tinha cerca de 17 anos de idade, quando houve um tiroteio em um show do Blasthrash: "Fugimos oito pessoas num Voyage 81 do Dario, cara, com equipamento e tudo e fomos parar no Madame Satã!", culminando em risos por parte dos presentes. 

Em seguida, ele diz que a próxima música do setlist também não era tocada ao vivo há muito tempo e era dedicada a todos e para aquele momento, em especial. "Os maníacos do Thrash!", o frontman grita ao microfone. E tome "Thrash Maniacs", mais uma pedrada clássica de "Violent Mosh", que surge rasgando tudo com seus riffs e levada atrozes. De fato, foi a música mais apropriada para aquele momento da apresentação. Os Thrashers de plantão não deixaram pedra sobre pedra. Outra dobradinha infernal vem a seguir: a avassaladora instrumental "Ordered to Thrash" e a matadora "Destined to Die" e claro, ambas mantiveram a chama da apresentação com a mesma intensidade. Impossível não entrar em um transe quase que psicótico quando todos gritam em uníssono "Thrash!" durante a "paradinha" mortal de "Ordered to Thrash" e mais difícil ainda é se conter com os riffs alucinantes de "Destined to Die", que por sinal, também contou com a participação especial do vocalista Thiago Nascimento (D.E.R., Urutu).

Infelizmente, o final da apresentação está próximo. Poney afirma que estão muito felizes de fazer esse encerramento e que o evento exalava uma sensação de missão cumprida e para a alegria de todos, é anunciado que tocarão outra desgraceira Old School que estava fora do repertório há algum tempo: "The Plague Never Dies", outra bordoada esmagadora de "Violent Mosh". Sou um tanto quanto suspeito pra falar dessa música, pois é uma de minhas favoritas da banda e nem tinha esperanças de vê-la ao vivo e até arregalei os olhos assim que ela foi anunciada. O que falar a respeito? Fomos presenteados com mais uma performance aniquiladora. O gran finale não poderia deixar de ser o hino "UxFxTx (United for Thrash)", que como de costume, levou metade dos fãs para o palco durante sua estupenda execução, finalizando a apresentação da forma mais apoteótica possível.

Por fim, ainda me faltam palavras para descrever a destruição que ocorreu nesse último sábado. De forma simples, clara e direta, foi uma apresentação totalmente irrepreensível, intensa e insana do início ao fim. Ao término do show, Poney ainda desceu do palco e foi muito atencioso com os fãs, como sempre, tirando fotos e interagindo com todos sem exceção, sem nenhum estrelismo típico de tantas bandas e artistas que vemos por aí. Aliás, muitas bandas do meio deveriam aprender com eles, diga-se de passagem! 

Já mencionei isso diversas vezes e repito: o Violator é uma daquelas bandas que passei a admirar e respeitar mais e mais com o tempo, não apenas por produzirem um som veloz e intenso de qualidade, mas principalmente pelo fato de serem caras realmente muito legais, algo que faz total diferença. Pra finalizar, é uma pena que esse tenha sido o último show do grupo por conta do hiato, pois certamente vão deixar saudades. Ao menos na data de ontem (21) ainda tivemos mais um pouco de destruição no show gratuito e improvisado de última hora na Avenida Paulista. Para os interessados, em breve providenciarei outra resenha especialmente para essa apresentação, portanto, fiquem atentos!

UxFxTx!

Integrantes:

Pedro "Poney Ret" Arcanjo (vocal/guitarra)
Pedro “Capaça” Augusto Dias (guitarra)
Marcio Cambito (guitarra)
 David “Batera” Araya (bateria)

Músicos convidados:
Felipe Nizuma (guitarra em "Thrash Maniacs")
Thiago Nascimento (vocal em "Destined to Die")

Setlist:

1. Infernal Rise
2. Endless Tyrannies
3. Respect Existence or Expect Resistance
4. Death Descends (Upon This World)
5. Atomic Nightmare
6. Futurephobia
7. False Messiah
8. Toxic Death
9. After Nuclear Devastation
10. Let the Violation Begin
11. Thrash Maniacs 
12. Ordered to Thrash
13. Destined to Die
14. The Plague Never Dies
15. UxFxTx (United for Thrash)

Redigido por David "Fanfarrão" Torres

Violator: nova polêmica nas redes sociais


Em 6 de junho de 2016, os Thrashers brasilienses do Violator causaram uma enorme polêmica na internet quando postaram em uma de suas redes sociais, a frase "Foda-se Jair Messias Bolsonaro". Na época, houve uma discussão política generalizada entre pseudo defensores da esquerda e da direita, com direito a membros da banda debatendo com fãs e haters.

Pois bem, eis que na noite passada, 17 de abril, o quarteto resolveu causar nova polêmica, desta vez usando uma foto do vocalista King Diamond segurando a cabeça de Michel Temer e Eduardo Cunha, com a seguinte legenda: "Um ano da farsa hoje. Foi golpe, bichos."


Nós do Mundo Metal, acreditamos na liberdade de expressão e concordamos que a banda pode se posicionar da maneira que quiser, porém fica a pergunta: está correto utilizar a imagem de um músico de outra nacionalidade, que nem deve ter conhecimento sobre a política brasileira e se tiver, provavelmente não deve se importar nem um pouco? 

Gostaria de ver o Violator lançando bons álbuns (o que não acontece desde 2013) e menos engajado em causar polêmicas em sua página do Facebook, mas enfim, cada artista conduz sua carreira da forma que acha melhor...

Live Review: Violator


Dois anos após a sua última apresentação em São Paulo, o Violator, uma das bandas mais aclamadas do Thrash Metal brasileiro atual, retornou para um show ao lado das bandas Armadilha (SP), Damn Youth (CE), D.E.R (SP),. e Cemitério (SP). Ainda que a data escolhida, um sábado, dia 21 de janeiro, tenha sido um dia muito chuvoso, isso não impediu o público de comparecer em peso.

A abertura da casa ocorreu por volta das 16h. Uma coisa que merece ser elogiada de imediato é a organização da Clash Club. Os horários das apresentações das bandas foram respeitados, a playlist selecionada durante as pausas entre um show e outro foram muito bem escolhidas e condizentes com a proposta musical de cada grupo, ou seja, tudo dentro dos conformes. Por volta das 17h, a casa já estava aglomerada e o evento teve início com a apresentação da banda de Heavy/Speed Metal Armadilha. A banda, encabeçada por Pedro Zupo (vocal/bateria), Lucas “Alemão” Vieira (baixo) e Denys Garcia (guitarra) aqueceu o público com sua proposta musical oitentista.


Depois de um breve intervalo, foi a vez do quarteto cearense do Damn Youth dar sequência ao evento. Executando um Crossover/Thrash intenso, Jardel Reis (baixo), Italo Rodrigo (bateria), Camilo Neto (guitarra) e Elton Luiz (vocal) foram responsáveis por uma apresentação muito invejável e insana. Por mais que fossem desconhecidos por muitos, ganharam o prestígio dos presentes com sua performance dinâmica, amalucada, honesta e humilde. Destaque para o vocalista, que vestia uma bermuda florida no melhor estilo Anthrax nos anos oitenta! Hilário! O moshpit e o stage dive também comeram soltos nessa hora, porém a destruição estava apenas começando.

Após uma esmagadora aula de Crossover/Thrash, as coisas ficaram realmente sujas e brutais com o Grindcore ensurdecedor e totalmente dissonante do D.E.R. Pouco antes do show do grupo ter início, os telões da Clash Club exibiam uma introdução com imagens do presidente da República Michel Temer, o que já serviu para “preparar o terreno” para o caos eminente. Os “anti-músicos” Maurício Toda (baixo), Renato Figueiredo (guitarrista), Barata (bateria) e Thiago Nascimento (vocal) sobem ao palco e assim que o vocalista Thiago anuncia a primeira “anti-música”, “Quando a Esperança Desaba”, a pista se tornou um caos absoluto novamente. Pedradas com menos de um minuto de duração em sua maioria foram executadas com crueza e muito profissionalismo. Destaque para o insano baterista Barata, que também integra o excelente duo Test. Esse cara é um demônio em seu instrumento!


Na sequência, foi a vez do Cemitério mandar o seu Old School Death/Thrash Metal com temáticas influenciadas por filmes de terror dos anos setenta e oitenta. Essa apresentação da One Man Band de Hugo Golon teve como finalidade promover o EP “Oãxiac Odèz”, lançado no ano passado, em dezembro. Hugo Golon (vocal) e seus músicos de apoio Henrique Perestrelo (guitarra), Douglas Gatuso (baixo) e Skullkrusher (bateria) subiram ao palco e foram recebidos de forma extremamente calorosa. Petardos como a nova e já bem conhecida do público “Tara Diabólica”, “A Volta dos Mortos Vivos”, “Quadrilha de Sádicos”, “Sexta-Feira 13”, “Natal Sangrento”, “Pague Para Entrar, Reze Para Sair” e “A Vingança de Cropsy” foram tocados e a reação de todos foi assustadoramente positiva. O público bangueou, cantou e promoveu moshpits violentos, além de stage dives frenéticos e intermináveis.

Eis então que era a hora da atração principal subir ao palco! O telão da Clash Club já exibia uma arte com o logo do Violator e não demora nada para que Batera (bateria), Capaça (guitarra), Marcio Cambito (guitarra) e Pedro "Poney Ret" Arcanjo (vocal/baixo) subam ao palco, já mandando a massacrante instrumental “Death Descends (Upon This World)”, do segundo álbum da banda, “Scenarios of Brutality” (2013). Próximo ao fim da música, a banda para de tocar devido a um problema técnico com o amplificador e o frontman Poney, bem humorado e descontraído como sempre, declara que um show do Violator totalmente profissional e sem falhas não existe e que por mais que se dediquem isso sempre acontece. Todos caem na gargalhada!


A apresentação prossegue com a faixa de abertura do debut do grupo, “Chemical Assault” (2006), a moedora de ossos “Attomic Nightmare” e “Endless Tyrannies”, ambas recebidas com um moshpit generoso, que perdurou por toda a apresentação, além de stage dives dementes e ininterruptos. Algo que gostaria de pontuar é que nem tudo disso é positivo. Curtir e aproveitar ao máximo um show é excelente e todo fã tem esse direito. O problema é o desrespeito que muitos têm nessas horas. Sempre tem aquela galera que não quer apenas entrar no mosh e curtir com os amigos, mas que busca arranjar confusão, encontrar uma desculpa esfarrapada para bater nos outros e descontar a sua raiva em quem não tem nada a ver, enfim, atitudes completamente desnecessárias e esdrúxulas. Como diz a mensagem por detrás da letra de “Mosh Jocks”, música do Possuído Pelo Cão, se você é um desses valentões que apenas quer se aparecer e criar confusão, “Leave this fuckin’ place!” (“Caia fora dessa porra de lugar!”).

Antes de iniciar a próxima música, Poney faz um breve discurso sobre o atual momento que a política vive e é claro que o público decide cantar em coro “Ei, Bolsonaro! Vai tomá no cu!”. Eis então que a banda executa uma nova música que estará no próximo registro, “False Messiah”. O repertório da apresentação continua com as ótimas “Toxic Death”, “Echoes of Silence”, “Respect Existence or Expect Resistance”, além da nova “Infernal Rise”. Após o término dessa última música, Poney menciona que é a primeira vez que tocaram esse som ao vivo.  Sem perder tempo, a banda retoma a pancadaria com “After Nuclear Devastation”, a obrigatória “Futurephobia”, além de mais uma instrumental espetacular, a arrasa-quarteirão “Ordered to Thrash”.


Minutos antes de iniciarem a penúltima música do setlist, Poney conta uma história hilária explicando que a próxima composição que irão tocar foi feita para todos fazerem a dança de "bater o pentagrama" e então ele demonstra essa inusitada “dança”, fazendo todos caírem na gargalhada mais uma vez. E dá-lhe “Destined to Die”, uma das melhores composições de “Chemical Assault”. Para encerrar o show de forma apoteótica, é claro que tivemos “UxFxTx (United For Thrash)”, que fez todos agitarem com o máximo de intensidade pela última vez. Em poucas palavras, foi  uma apresentação digna de aplausos, muito bem-humorada, insana e intensa.

Os integrantes do Violator também demonstraram, mais uma vez, que são muito humildes e atenciosos com os fãs. Os caras estavam o tempo todo ao lado da plateia, assistiram a apresentação de todas as demais bandas do evento antes de chegar a sua vez de subir ao palco, sempre sorridentes e descontraídos com todos que interagiam com eles. Independente do posicionamento político de seus integrantes, não há como dizer que são más pessoas, muito pelo contrário.

Agora, falando a respeito do evento em si de forma geral, foi simplesmente fantástico. Eventos independentes muitas vezes merecem elogios justamente pela energia que possuem e esse aqui merece aplausos não apenas pelas bandas e pelos shows propriamente ditos, mas pelo conjunto de tudo: produção e organização de qualidade, bandas e shows de primeira, um local de fácil acesso ao metrô e meios de transporte em geral e por último, mas jamais menos importante, o público, afinal, sem ele, não existe nada!



Setlist (Cemitério):

Intro – Olhos da Morte
Tara Diabólica
A Volta dos Mortos Vivos
Quadrilha de Sádicos
Sexta-feira 13
Oãxiac Odéz
Ela Voltou (Pra Levar a Sua alma)
Encarnou no Seu Cadáver
Damien (Taurus)
A Última Casa à Esquerda
O Dia de Satã
A Sentinela dos Malditos
Natal Sangrento
Pague Para Entrar, Reze Para Sair
A Vingança de Cropsy

Setlist (Violator):

Death Descends Upon This World
Attomic Nightmare
Endless Tyrannies
False Messiah
Toxic Death
Echoes of Silence
Respect Existence or Expect Resistance
Infernal Rise
After Nuclear Devastation
Futurephobia
Ordered to Thrash
Destined to Die
UxFxTx (United For Thrash)


Texto e fotos por David Torres


Violator: "Foda-se Jair Messias Bolsonaro"


Na noite do dia 3 de junho, a banda Violator, após uma postagem sobre política, causou polêmica em sua Pagina Oficial no Facebook, postando a imagem abaixo, onde "ofendem" uma figura publica e politica das mais controversas e conservadoras. 

Alguns fãs mais exaltados partiram para o ataque e deixaram mensagens malcriadas, até mesmo com xingamentos, enquanto outros defenderam os músicos com unhas e dentes, transformando uma página onde o assunto principal deveria ser a música, em um verdadeiro palanque eleitoral.

Opinião Mundo Metal: 

Desde seus primórdios, o Thrash Metal foi influenciado e inspirado fortemente na postura e atitude punk da década de 70 e na Hardcore dos anos 80, surgiu como uma voz oposta aos chamados ditames “da moralidade e dos bons costumes”.

Não é de agora, que o Thrash assim como diversos sub estilos dentro do Metal teve uma postura de contestação social ou politica, sendo, executando uma sonoridade extrema até os ossos para chocar ou usando temas referentes, sejam políticos ou sociais, ao momento vigente nas letras de suas canções.

Acusam o Violator de tentar se promover com o episódio, apenas por demonstrar uma opinião politica a qual está fortemente ligada a sonoridade e temática da mesma, o engraçado, se não fosse trágico, é que até dias atrás a banda era considerada, por esses mesmos que a criticam hoje, como sendo uma das melhores do estilo.


Se levarmos em conta esse raciocínio estapafúrdio, bandas americanas também deveriam ser execradas em suas páginas, pois a maioria é contrária aos posicionamentos conservadores do candidato a presidência dos EUA, Donald Trump, figura tão ou mais polêmica que a nossa versão tupiniquim.

Ver fãs defendendo tudo aquilo que o estilo repudia, é lamentável e evidencia o total desconhecimento das letras e ideologias das bandas. Ponham em suas cabeças de uma vez por todas e deixem de lado essa polarização sem sentido que só emburrece e idiotiza o debate, tirando o verdadeiro foco do que realmente deve ser discutido.

Ser contrário a um lado não quer dizer que se é a favor do outro.

Qual sua opinião sobre o assunto?

por Claudio Santos

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