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Lançamento: Gruesome - “Dimensions Of Horror” (2016) (EP)


Dizer que Chuck Schuldiner deixou um legado monstruoso no Metal é uma redundância de proporções quase estratosféricas, entretanto é sempre muito importante pontuar tal feito, pois o Metal Extremo evoluiu monstruosamente após o surgimento do Death, banda que certamente foi uma das mais emblemáticas da história do gênero repulsivo e visceral batizado de Death Metal. Muitos anos após o lançamento de clássicos como “Scream Bloody Gore” (1987), “Leprosy” (1988) e “Spiritual Healing” (1990), o trabalho de Schuldiner permanece sendo reverenciado e homenageado por diversos artistas. Tendo isso em mente, temos o quarteto estadunidense Gruesome.

Formada em 2014 por Matt Harvey (vocal e guitarra), Daniel Gonzales (guitarra), Robin Mazen (baixo) e Gus Rios (bateria), a banda produziu duas demos no mesmo ano de seu surgimento, além de um estonteante álbum de estúdio, o esmagador “Savage Land”. Trazendo uma sonoridade que é indubitavelmente um tributo aos dois primeiros álbuns do Death, o grupo chamou a atenção dos amantes do Old School Death Metal e o disco foi considerado por muitos como um dos melhores trabalhos do estilo naquele ano. Depois de um hiato de dois anos, o grupo ressurge com um EP tão maravilhoso como o seu debut, “Dimensions of Horror”. O registro, lançado em 16 de maio desse ano, através do selo Relapse Records, traz novamente uma ilustração de capa grotesca e primorosa, mais uma vez uma cortesia do renomado artista Ed Repka, além de seis faixas absolutamente fantásticas e devastadoras. 

Um riff poderoso e grudento inicia “Forces of Death”, a faixa de abertura desse pequeno e mortal trabalho. Em questão de segundos, nossos tímpanos são martelados impiedosamente por uma sinfonia vil e malevolente. Palhetadas insanas, uma “cozinha” implacável e visceral e vocais pútridos e guturais compõem a receita do quarteto, que continua com a sua incansável e bela homenagem a cultuada banda do eterno “filósofo” do Death Metal. A segunda faixa, “Raped by Darkness”, é ainda superior e já se inicia com arranjos intrincados. Nela, temos variações de andamento bem construídas e alucinantes e a sua atmosfera é monstruosamente sufocante. O título da canção também é perfeito, pois traduz toda a crueza que a letra e o som pedem. É muito importante mencionar que a letra da música foi inspirada no clássico filme de terror “The Evil Dead – A Morte do Demônio” (1981).

Brindando a todos com mais sangue e podridão, surge “Amputation”, uma paulada cortante e mortal que não desapontará nenhum fã de som brutal e direto ao ponto. “Hellbound”, a quarta faixa, se inicia com um riff cadenciado que remete totalmente a “Infernal Death”, a faixa de abertura de “Scream Bloody Gore” (Death) e em seguida introduz mais uma boa dose do mais genuíno Old School Death Metal. Indecente. Cru. Mortal. Perfeito!  O registro prossegue com “Seven Doors”, cujo riff inicial é extremamente convidativo e conduz o ouvinte a mais uma composição visceral e de muito bom gosto, mesclando passagens cadenciadas com momentos frenéticos e destruidores. Incumbida de encerrar o disco, temos uma faixa título de primeira. “Dimensions of Horror” apresenta um riff inicial bem construído e um trabalho de guitarras fantástico, como um todo. Pra variar, não faltam mudanças de ritmo e todos os integrantes se destacam individualmente. 

Sucintamente, “Dimensions of Horror” entrega exatamente o que o ouvinte de Death Metal espera ao ouvir um trabalho do estilo. Músicas completamente sujas, violentas, bem arquitetadas e viciantes integram esse pequeno registro, que certamente figurará entre os melhores trabalhos do gênero lançado nesse ano tão produtivo para a música pesada. Por fim, se você é fã de Death Metal e/ou Metal Extremo como um todo e ainda não ouviu essa banda, faça um favor a si mesmo e a seus ouvidos e confira o trabalho desse quarteto. 



Integrantes:

Matt Harvey (vocal/guitarra)
Daniel Gonzalez (guitarra)
Robin Mazen (baixo)
Gus Rios (bateria)

Faixas:

1. Forces of Death 
2. Raped by Darkness 
3. Amputation 
4. Hellbound
5. Seven Doors 
6. Dimensions of Horror

por David Torres

Gruesome: assista ao novo vídeo clipe para a faixa "Dimensions Of Horror"



Um dos maiores representantes do Death Metal atual, a banda norte-americana Gruesome, lançou o criativo e sangrento videoclipe de "Dimensions Of Horror", composição que estará presente no EP homônimo que será lançado oficialmente no dia 20 de maio, via Relapse Records. 

A sonoridade permanece influenciada pelos primeiros trabalhos de estúdio do Death e certamente quem escutou e aprovou o primeiro álbum de estúdio, "Savage Land" (2015), irá se deliciar com "Dimensions Of Horror". 


Confira abaixo o novo videoclipe da banda e relembre um pouco do disco anterior:






Gruesome - Savage Land (2015)


Uma homenagem bem feita aos primórdios do Death

Ainda estamos no primeiro semestre de 2015 e excelentes lançamentos estão chegando com uma velocidade surpreendente. Um excelente exemplo dessa nova leva de grandes registros que estão chegando é o formidável “Savage Land”, lançado no dia 17 de abril pela Relapse Records. Estamos diante de um registro devastador desde a sua estonteante arte de capa, cortesia do mestre das ilustrações Ed Repka, até o último acorde executado no disco. Encabeçada por um bom time de músicos, Matt Harvey (Exhumed, Dekapitator, ex-Repulsion), Robin Mazen (que já foi "roadie" de bandas como Dethklok, Dark Tranquility e Fear Factory), Daniel Gonzalez (atualmente no Possessed) e Gus Rios (ex-Malevolent Creation), a banda não decepciona e desempenha algo muito prazeroso de se ouvir. Os urros rasgados, o instrumental e o estilo sujo das composições apresentadas nesse trabalho são totalmente calcados nos dois primeiros álbuns do Death, “Scream Bloody Gore” (1987) e “Leprosy” (1988), mas principalmente no segundo.

A faixa de abertura normalmente é aquela que se incumbe de conquistar e cativar o ouvinte e com esse disco não é diferente. Ele se inicia com a fantástica faixa-título, “Savage Land”, um arrasa-quarteirão repleto de “riffs”, solos implacáveis e mudanças de andamento bem encaixadas e empolgantes. Vale mencionar que ela ganhou um videoclipe bem interessante, utilizando trechos de filmes tensos, como o clássico "cult" e polêmico "Holocausto Canibal" (1980), fazendo alusão a capa do álbum. Por sua vez, um “riff” melódico e singelo dá início a violenta “Trapped in Hell”, um legítimo assalto sonoro que implode os alto-falantes em questão de segundos.

A devastação prossegue com “Demonized”, cujo início se dá com palhetadas cadenciadas e furiosas que lembram muito a abertura de “Open Casket”, uma das melhores faixas do clássico álbum “Leprosy”, do Death. Rapidamente, os “riffs” conduzem para um ritmo frenético e alucinante. Há diversas quebras durante o som e é impossível não se lembrar dos clássicos trabalhos do finado “filósofo” do Death Metal Chuck Schuldiner. Outro destaque são os belíssimos solos de guitarra que temos nessa faixa, repletos de “feeling” e atmosfera. Uma música arrasadora!


Mantendo o espírito da podreira em alta, temos mais uma sequência matadora de músicas. “Hideous” e “Gangrene” são duas composições bem construídas e espetaculares. Os urros rasgadíssimos são a “cereja do bolo”, o retoque perfeito para a podridão apresentada. A fantástica “Closed Casket” vem logo após, com toda a sua selvageria bárbara. Os fãs mais ávidos de Death certamente já perceberam que o nome dessa música é um trocadilho com a já mencionada anteriormente “Open Casket. Existem trechos em que a música fica mais lenta que, pessoalmente, me remetem a “Choke On It”, a última faixa do “Leprosy”, contudo, creio que isso seja perfeitamente compreensível, afinal, esse belo petardo é um tributo às obras gravadas por Chuck Schuldiner e sua trupe. É importante mencionar que temos um convidado muito especial nessa música, o guitarrista James Murphy (Cancer, Disincarnate, ex-Death, ex-Obituary, ex-Testament), uma participação mais do que bem vinda e que agrega mais charme para o álbum como um todo.

Visceral até o último “riff”, “Psychic Twin” é mais uma investida mortal e infalível dos músicos. Aqui nós temos os mesmos ingredientes das faixas anteriores, entretanto, utilizados de forma sábia e coesa, jamais deixando o álbum maçante. Acordes bastante climáticos dão início ao “riff” arrastado de “Gruesome”, a faixa que batiza o nome da banda e que encerra esse malévolo registro. Novamente, os apreciadores do Death notarão uma belíssima homenagem à banda. O “riff” de abertura é uma referência óbvia a “Infernal Death”, a faixa de abertura de “Scream Bloody Gore”, do Death e a música em si é pura destruição e sujeira, tudo do mais alto nível e qualidade. Palhetadas velozes e pesadíssimas, urros grotescos e uma “cozinha” infernal de bateria e baixo fazem desse som mais uma experiência caótica.


Como se não bastasse, ainda temos duas faixas bônus para encerrar essa obra com uma sanguinolenta chave de ouro, dois “covers” para ninguém botar defeito. O primeiro é “Land of No Return”, do Death. Essa releitura é certamente a homenagem mais clara que a banda poderia entregar ao Death e fizeram da melhor forma possível, concebendo assim uma releitura muito bem feita e que não deve em nada a clássica versão original, lançada originalmente na Demo “Mutilation” (1986) e posteriormente relançada como faixa bônus do “debut” “Scream Bloody Gore”. O segundo “cover” é “Black Magic”, um dos muitos “hinos” dos Thrashers californianos do Slayer, presente no cultuado “debut” “Show No Mercy” (1983). O que dizer sobre essa versão?! Mais um tributo fabuloso a uma das mais importantes bandas da história do Metal. A interpretação dada pelos músicos deixou o som ainda mais agressivo e insano, sem qualquer chance de receber críticas negativas.

“Savage Land” é uma verdadeira reverência aos primórdios do Death, principalmente “Leprosy”, trazendo uma sonoridade totalmente pútrida e que mesmo não sendo inovadora, merece e muito ser conferida. Sem sombra de dúvidas já um dos melhores lançamentos do ano no gênero. Se o grande mestre Chuck Schuldiner estivesse vivo, ficaria muito orgulhoso ao ouvir esse grande trabalho.


Tracklist:

01. Savage Land 
02. Trapped in Hell 
03. Demonized 
04. Hideous 
05. Gangrene 
06. Closed Casket 
07. Psychic Twin 
08. Gruesome

Lineup:

Matt Harvey (Vocal / Guitarra Principal)
Daniel Gonzalez (Guitarra Rítimica e Principal)
Robin Mazen (Baixo)
Gus Rios (Bateria / Guitarra Principal)

Músico Convidado:
James Murphy (Guitarra Principal na Faixa 6)


Escrito por David Torres

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