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Judas Priest - "Stained Class" (1978)

Mundo Metal [ Álbuns Aniversariantes ] 


No sábado passado quarto álbum de estúdio dos britânicos do Judas Priest completou 40 anos de seu lançamento. Gravado entre outubro e novembro de 1977 no Chipping Norton Recording Studios, em Oxfordshire (exceto “Better By You, Better Than Me”, que foi no Utopia Studios, em Londres), “Stained Class” é considerado um dos maiores clássicos da vasta discografia dos “Metal Gods”.

Produzido por Dennis Mackay e pela própria banda, além de James Guthrie que foi o produtor de “Better By You…”, o trabalho mostrou-se uma produção mais limpa e nítida em relação aos trabalhos anteriores do Priest. Além disso, todas aquelas influências do rock progressivo e pitadas de blues oriundas dos álbuns anteriores também desapareceram em “Stained Class”, que marca a transição da banda do Hard Rock para o Heavy Metal propriamente dito, assim, levando mais peso para as suas músicas.

Curiosamente, este é o único disco do Judas Priest que tem composição criada por todos os integrantes da banda. O baixista Ian Hill, por exemplo, foi um dos co-criadores de “Invader”, enquanto o, então, baterista Les Binks contribuiu na autoria de “Beyond The Realms Of Death”. Após este álbum, o processo de criação das músicas sempre predominou entre Rob Halford, K.K. Downing e Glenn Tipton.

Aliás, no disco anterior – “Sin After Sin” (1977) -, o grupo optou em contar com os serviços de Simon Phillips nas gravações. Porém, na turnê, o baterista escolhido foi Les Binks. Os integrantes do Priest ficaram tão impressionados com a performance dele, que pediram para que o músico ficasse. Assim, Binks foi o titular das baquetas nas gravações de “Stained Class”, “Killing Machine/Hell Bent For Leather” (1978) e do ‘live’ “Unleashed In The East”, de 1979.

Liricamente, “Stained Class” é o trabalho que mais traz temas sombrios e violentos do quinteto britânico. Como podem ser visto em temas como “Saints In Hell”, que fala sobre o inferno; “Savage”, que aborda sobre as brutalidades atribuídas a tribos nativas pelo colonialismo; “Heroes End”, que lamenta as inúmeras pessoas feitas em lendas por morte prematura; além da faixa-título que fala sobre o homem sendo corrompido. Além disso, há o famoso cover do Spooky Tooth – “Better By You, Better Than Me” -, que deu uma tremenda “dor de cabeça” na banda.

No verão de 1990, o Judas Priest sofreu um processo de ação civil em que os pais de dois jovens alegaram que os rapazes foram induzidos a cometer suicídio por conta de suposta mensagem subliminar que “Better By You, Better Than Me”. Porém, um deles disparou a arma contra a própria cabeça, mas conseguiu sobreviver mais três anos. A mídia da época usou o episódio para impor um grande sensacionalismo contra o grupo. No entanto, nada ficou provado contra o Judas Priest ou que eles tenham incentivado a prática de suicídio. É provável mesmo que as causas possíveis do suicídio eram que eles sofriam abuso.


O incidente envolvendo os dois sujeitos aconteceu em 23 de dezembro de 1985, quando os jovens James Vance, de 20 anos, e Raymond Belknap, de 18, passaram horas e horas bebendo, fumando e supostamente estariam escutando Judas Priest na cidade de Sparks, Nevada, nos EUA. Depois do “porre”, os dois teriam ido ao parque, que ficava próximo de uma Igreja, munidos de uma espingarda calibre 12 dispostos a tirarem suas próprias vidas. Belknap puxou o gatilho contra o próprio queixo e morreu na hora. Já Vance, após atirar contra si próprio, conseguiu sobreviver com graves lesões faciais, porém, devido às complicações, faleceu três anos depois.

A capa foi feita por Roslav Szaybo, que introduziu o logotipo clássico da banda, substituindo o logo de estilo gótico das versões anteriores.

A revista britânica Metal Hammer, em 2004, classificou “Stained Class” como o mais pesado álbum de Metal de todos os tempos.

Em 2001, o disco foi remasterizado e acrescido de duas faixas bônus. A primeira delas é “Fire Burns Below”, gravado durante as sessões de “Ram It Down”, em 1988, com Dave Holland na bateria. Enquanto a segunda canção é uma versão ao vivo de “Better By You, Better Than Me” gravado em 13 de setembro de 1990 no Foundations Forum, em Los Angeles, Califórnia, com Scott Travis nas baquetas.

Com certeza, se você curte os clássicos do “Metal Gods”, esse é um de seus álbuns favoritos. Obrigatório em qualquer coleção para quem aprecia o bom, velho e clássico Heavy Metal.

Faixas:

1. Exciter (Halford / Tipton)
2. White Heat, Red Hot (Tipton)
3. Better By You, Better Than Me (Wright)
4. Stained Class (Halford / Tipton)
5. Invader (Halford / Tipton / Hill)
6. Saints In Hell (Halford / Downing / Tipton)
7. Savage (Halford / Downing)
8. Beyond The Realms Of Death (Halford / Binks)
9. Heroes End (Tipton)
Faixas bônus:
10. Fire Burns Below (Halford / Tipton)
11. Better By You, Better Than Me (live) (Wright)

Formação: 

Rob Halford: voz
K.K. Downing: guitarras
Glenn Tipton: guitarras
Ian Hill: baixo
Les Binks: bateria

Dave Holland: bateria em “Fire Burns Bellow”
Scott Travis: bateria em “Better By You, Better Than Me”

Redigido por Rodrigo N. Fiuza

Megadeth - "So Far, So Good.. So What!" (1988)

Mundo Metal [ Discos Trintões ]


Após um disco de estréia veloz e furioso, onde o principal foco era a competição particular de Dave Mustaine com seus ex-comparsas de Metallica, o Megadeth compôs um álbum que realmente deixou todo mundo de queixo caído. "Peace Sells... But Who's Buying?" até o momento, era algo inédito no estilo, era musicalmente avassalador, cheio de viradas inesperadas e trazia composições que além de altamente técnicas, eram agressivas e inteligentes. Até mesmo os integrantes das outras bandas que concorriam no cenário ficaram embasbacados e o trabalho serviu para firmar o grupo como uma das principais forças motrizes por trás do Thrash Metal.

Como tudo relacionado ao Megadeth estava cercado de incertezas e imprecisões, mudanças avassaladoras ocorreriam. Em 1987, o baterista Gar Samuelson e o guitarrista Chris Polland foram expulsos acusados de vender equipamentos da banda para comprar heroína. Para seus lugares foram chamados Chuck Behr e Jay Reinolds, que no mesmo ano daria lugar a Jeff Young. 

Com uma nova formação, entram em estúdio pra gravar "So Far, So Good... So What!" (1988). Um álbum de qualidades inegáveis e detentor de alguns clássicos como "In My Darkest Hour", "Set The World Afire" e o cover do Sex Pistols para o hino punk "Anarchy In The UK". Dave Mustaine vivia seu ápice criativo, porém sua vida pessoal era uma bagunça generalizada. Além de não se dar bem com os novos integrantes, arrumava brigas, confusões e além de tudo, foi preso inúmeras vezes, uma delas com 8 tipos de drogas injetáveis diferentes.


Tal período caótico se reflete nas composições, que apesar de em grande parte serem muito boas, em diversos momentos soam perdidas e sem aquela genialidade de "Peace Sells". Vale ainda destacar "Mary Jane" e a excepcional "Hook In Mouth", esta última com uma letra ácida e um instrumental poderoso. Muito dessa sensação de que o disco poderia ser melhor, deve-se a falta de entrosamento com os novos músicos e ao fato de que Mustaine havia se tornado uma panela de pressão prestes a explodir, e realmente ela explodiria.

Após uma turnê repleta de altos e baixos, Dave resolve se internar para cuidar de seus vícios e após alguns meses, sai da clínica se dizendo um novo homem. Imediatamente ele resolve reformular o Megadeth, mantendo apenas David Ellefson e chamando para o posto de guitarrista e baterista, nada menos que Marty friedman e Nick Menza. O que viria a seguir seria um tal de "Rust In Peace", que em termos de musicalidade e técnica simplesmente se tornaria um dos maiores e melhores álbuns de Thrash Metal da história...

Integrantes:

Dave Mustaine (vocal e guitarra)
Jeff Young (guitarra)
David Ellefson (baixo)
Chuck Behler (bateria)

Faixas:

01. Into The Lungs Of Hell
02. Set The World Afire
03. Anarchy in the U.K.
04. Mary Jane
05 502
06. In My Darkest Hour
07. Liar
08. Hook In Mouth

Redigido por Fabio Reis

Melhores Álbuns do Mês: Dezembro 2017


“Bruno, você é atrasado pra caralho, hein?” FODA-SE meu irmão! Dezembrão é época de encher a barriga de uva-passa e cair deitado na sarjeta com aquele espumante barato de atacadão que cheira a vômito, então não tive tempo de escrever essa porra antes. 
Quem achou que o último mês do ano passado foi morto tá mais perdido que puta em convento, então confere aí abaixo o que tivemos de melhor no apagar das luzes de 2017!
PS: Como já de praxe, os álbuns seguem ordem alfabética, e não de melhor para pior.


Ancient Empire – The Tower 
(Heavy/US Power)
Stormspell Records


Papai do céu, que espera foi essa! Joe Liszt, o filho da puta mais amado pelos headbangers, fez o favor de segurar as prensagens de ‘The Tower’ até o último minuto, e por isso não conseguimos a versão em CD dessa maravilha até agora, então nem vazar essa merda vazou, até o final do ano – motivo pelo qual o Mundo Metal não o colocou em nenhuma lista de melhores, porque com certeza teríamos feito diferente se tivéssemos escutado essa bagaça antes. Sofrimentos à parte, a espera valeu à pena nesse que é o MELHOR álbum do Ancient Empire até hoje: mais épico, mais riffs, mais magia e o fechamento de uma história pra lá de legal. Imperdível!


Crom – When Northmen Die 
(Power/Viking)
Pure Legend Records


Quarto álbum de estúdio do inteligentíssimo Walter “Crom” Grosse (ex-Sindecade, ex-Dark Fortress), ‘When Northmen Die’ segue a linha de seus antecessores com batalhas épicas e melancolia, dessa vez com um toque mais proeminente nas baladas e com as emoções à flor da pele. Inegável, porém, é a qualidade do álbum, que entrou em nossa lista de Power com bastante merecimento.


Deinonychus - Ode to Acts of Murder, 
Dystopia and Suicide 
(Doom/Black)
My Kingdom Music


Com mais de 25 anos de carreira e uma discografia destruidora, o Deinonychus não fez feio e retornou dez anos depois do fraco ‘Warfare Machines’ (2007) com uma obra de respeito. Acredite, o nome do álbum ilustra bem o som da parada, então prepare-se pra momentos de depressão e fúria!


Eldamar – A Dark Forgotten Past 
(Atmospheric Black/Ambient)
Northern Silence Productions


Mathias Hemmingby apareceu ao mundo em 2015 como um furacão, e em menos de três anos já conseguiu deixar os fãs de Atmospheric Black boquiabertos com sua rendição única e emocional do estilo. ‘A Dark Forgotten Past’ é o segundo álbum de estúdio da one-man band e mostra Mathias mais em contato com a natureza e seus sentimentos, mesmo que para mim a obra seja inferior a seu antecessor. É, de qualquer forma, um ode ao Black Metal em sua forma mais poética.


Feared – Svart 
(Death/Thrash)
Independente


Nunca gostei de Feared. A mistura Death/Thrash com elementos modernos, porém, é inegavelmente atraente e abre leque pra experimentações e instrumental fodidos, e com ‘Svart’, oitavo álbum dos Suecos, o tradicional Death tomou mais corpo e inundou os riffs e batidas do trabalho, resultando em uma destruição sonora de tirar o chapéu.


Grai – Ashes
(Pagan/Folk)
Noizgate Records


Meu queridinho do mês e, sem sombra de dúvidas, um dos melhores álbuns que ouvi em 2017, ‘Ashes’ marca dez anos de carreira desses maravilhosos bebedores de Vodka. Aliando o lado Folk com o melhor da música extrema, o Grai lançou aqui seu mais interessante e profundo trabalho até hoje, e se não fossem as limitações de estilo, com toda a certeza essa pepita de ouro teria encabeçado uma de minhas listas de final de ano. Obrigatório para fãs desse gênero lindo.


Hamka – Multiversal 
(Power)
Fighter Records


Fãs de Dark Moor e Fairyland, a cavalaria chegou! Épico, grandioso e opulento, ‘Multiversal’ é o segundo play dos Franceses do Hamka e oblitera quaisquer críticas a respeito do Power Metal. De forma refrescante e profissional, os caras (e a mina, já que a magnífica Elisa C. Martín é a capitã aqui) entregam um destemido play de Power com pitadas de elementos Folk do Oriente Médio e muita melodia pra provar mais uma vez que o estilo não morreu, e nem vai.


Midnight – Sweet Death and Ecstasy 
(Black/Speed)
Hells Headbangers Records


Jamie, Jameson Walters, James, ou simplesmente Athenar. Esse louco de pedra caralhudo é hoje o faz-tudo do Midnight, bandassa viril que manda um Black/Speed só pra quem troca pneu sem macaco. ‘Sweet Death and Ecstasy’ é mais êxtase do que morte, mas tem passagens extremamente agressivas e mais rápidas que aquela punheta que você tocava quando era adolescente. Se é louco!


Monads – IVIIV 
(Funeral Doom)
Aesthetic Death


Um dos estilos que costuma torcer narizes por aí, o Funeral Doom é vasto, rico e extremamente profundo assim que você começa a o entender. E quem entende da parada são os Belgas do Monads, que lançaram seu debut e provaram que mesmo os jovens têm seus demônios internos e lutas sentimentais, num álbum cheio de passagens emblemáticas do oculto e das profundezas da mente humana.


Nortt – Endeligt 
(Black/Doom)
Avantgarde Music


No antepenúltimo fucking dia do ano esse arrombado do caralho de nome engraçado me lança uma obra dessas, mêu! Segundo o próprio, o Nortt tem como estilo o “Pure Depressive Black Funeral Doom Metal”, e o cara banca a nomenclatura de forma magistral com composições visceralmente íntimas e depressivas. ‘Endelight’, quarto play de estúdio do Dinamarquês, entrega exatamente isso, e muito mais.


Menções Honrosas:

Defecto – Nemesis 
(Prog)
Black Lodge Records


Passagens intricadas, vocal grudento, composições instrumentais acima da média...e de quebra ainda rola um pouco de Power no meio! O Defecto vem trilhando o caminho árduo do Metal desde 2010, e seu segundo álbum de estúdio, ‘Nemesis’, é o testemunho de que os caras vieram pra ficar. É Prog Dinamarquês pô, precisa dizer mais?


Evilfeast – Elegies of the Stellar Wind 
(Atmospheric Black)
Eisenwald Tonschmiede


“Porra, Atmospheric Black de novo?” De novo sim, seu bosta, e se reclamar coloco três! O Evilfeast já vem destruindo mentes desde 1998 e, em contraste com o Eldamar, entra em contato com o Black Metal cru mais profundamente. GrimSpirit (também do Ravenmoon Sanctuary) usa de suas preferências épicas e góticas pra dar roupagem atemporal a seu som, e ‘Elegies of the Stellar Wind’, com toda certeza, coroa uma carreira feita somente de pontos altos.


Hooded Priest – The Hour Be None 
(Doom)
I Hate


O macabro e o assombroso se aliam ao peso e atração inerentes ao Doom no segundo álbum de estúdio dos Holandeses mais horripilantes de Asten (ok, a cidade é menor que um bairro pequeno de São Paulo, mas mesmo assim são horripilantes). Gosta de Age of Taurus, Candlemass, King Heavy...BLACK SABBATH? Então ouve aí, tá esperando o que?


Minas Morgul – Kult 
(Pagan Black)
Trollzorn Records


A banda Alemã de nome mais tr00 e foda desse lado do muro (Senhor dos Anéis, porra!) retorna em grande estilo com seus contos de paganismo e morte em ‘Kult’, sexto álbum do sexteto de Frankfurt. Sólidos e confiáveis, não há deslizes aqui; ouça!


Stormhold – Salvation 
(Heavy/Power)
Pure Steel Publishing


Não podemos ficar NUNCA sem uma boa dose de Metal descerebrado, despretensioso e alegre, certo? Então se liga no segundo play dos Suecos do Stronghold, que junta influências de Iron Maiden, Primal Fear e muito mais em ‘Nemesis’, aquele álbum perfeito pra você ouvir no carro ou na academia.



Redigido por Bruno Medeiros


Os Melhores Álbuns do Mês: Novembro 2017


Dezembrão chegou e não temos tempo pra mais porra nenhuma. Festas de confraternização, compra de presentes, viagens, fechamento de sei lá o que no seu trabalho...o bicho tá pegando! Então, meu amigo, esse mês não teremos um prefácio bonitinho e vamos direto ao que interessa: os álbuns mais deliciosos, viris, caralhudos e poderosos de novembro!

PS: Como já de praxe, os álbuns seguem ordem alfabética, e não de melhor para pior.

PS2: Não, Cannibal Corpse e Annihilator não conseguiram um lugarzinho no nosso ranking, então pode chorar que a gente gosta! VÁRIOS álbuns fodidos (não que o Annihilator seja um deles, porque putaquepariu, que play ruim) ficaram de fora, infelizmente é assim que as coisas são.

Aosoth – V: The Inside Scriptures (Black)
Agonia Records


Esses Franceses filhos da puta me lançam um play maravilhoso desses e encerram as atividades...vai entender. ‘V: The Inside Scriptures’ pega os elementos característicos do Black e os envolve em uma aura medieval e soturna únicas. Uma pena que o Aosoth debandou, pois os caras sempre fizeram bonito.


Elvenking – Secrets of the Magick Grimoire (Folk/Power)
AFM Records


Depois de um tempo sem lançar trabalhos à altura de seus primórdios, o Elvenking acertou em cheio de novo com ‘The Pagan Manifesto’ (2014), e ‘Secrets of the Magick Grimoire’ consolida a volta dos Italianos ao pódio do Folk/Power. Extremamente mágico e divertido, o álbum agrada tanto gregos quanto troianos por sua acessibilidade.


F.K.Ü. – 1981 (Thrash)
Despotz Records


Velocidade, porradaria e um verdadeiro ode aos melhores filmes e ícones da cultura do trash/terror de 1981; ah, e tem uns doidos tocando Thrash Metal no meio disso tudo também. Preciso dizer mais?


Lustre – Still Innocence (Atmospheric Black/Ambient)
Nordvis Produktion


O filho pródigo de Nachtzeit mantém o ritmo atmosférico e místico alcançado no decorrer de sua história e mais uma vez prova que o Atmospheric Black é um dos estilos mais ricos e profundos do Metal. Uma verdadeira viagem.


Moonspell – 1755 (Gothic)
Napalm Records


É notório que Fernando Ribeiro é um verdadeiro poeta e gênio de ocasião, e seus fiéis escudeiros o acompanham novamente nessa aula de história chamada ‘1755’, mais uma grandiosa vitória para os gajos do Moonspell. Melancólico e catastrófico, o trabalho é mais uma obra respeitável de uma das maiores bandas Portuguesas de todos os tempos.


Pink Cream 69 – Headstrong (Hard/Heavy)
Frontiers Records


Com trinta anos de história e doze álbuns de estúdio na bagagem, é difícil ver Dennis Ward, Alfred Koffler e companhia escorregarem na banana. ‘Headstrong’ marca uma das fases mais pesadas dos Alemães e mostra David Readman mais versátil do que nunca. Dose perfeita de Hard com o peso inconfundível do Metal.


RAM – Rod (Heavy)
Metal Blade Records


É fácil se sobrecarregar com a quantidade absurda de bandas tentando imitar o bom som tempos áureos do Metal. Há, é claro, um número decente de atos que fazem isso com honra e qualidade, como Ambush, Skull Fist, Wolf, Enforcer, Portrait, Trial, Air Raid, etc., e este quinteto Sueco, aqui o faz com maestria. Com mais uma ótima exibição de suas habilidades em 'Rod', o RAM faz mais do que abrir seu caminho na história do Metal: eles estão ajudando a trazer de volta a década de 1980 com força total. Álbum altamente recomendado.


Vhäldemar – Against All Kings (Power)
Fighter Records


O Vhäldemar mistura brilhantemente elementos de bandas como Grave Digger, Iron Savior, Stormwarrior, Manowar e até mesmo X-Wild - especialmente quando as linhas vocais mais rasgadas de Carlos Escudero aparecem - com suas próprias singularidades, que por sua vez resultaram em um dos álbuns de Power mais impressionantes, caralhudos e à prova de posers de 2017. Perversos e implacáveis, o quinteto espanhol inunda ‘Against All Kings’ com momentos inspiradores e atitude assassina.


W.E.B. – Tartarus (Symphonic Black/Gothic)
Apathia Records


Grécia e Metal extremo têm uma história longa de amor. Septicflesh e Rotting Christ podem ser as mais importantes da cena local em questão, mas os atenienses do Where Everything Begun (ou, simplesmente, W.E.B.) tentam tomar esse posto a cada álbum lançado. Ouso dizer que ‘Tartarus’, quarto trabalho de estúdio do quarteto, é disparado o melhor da carreira da banda. Um dos mais geniais e complexos álbuns de 2017.


Witchery – I Am Legion (Blackened Thrash)
Century Media Records


Sharlee D’Angelo, Richard Corpse, Patrik Jensen...o Witchery não sofre de carência de monstros da cena, e pra variar um pouco mostram seu poder de velocidade e Thrash negro com sétimo álbum de sua carreira. ‘I Am Legion’ honra com louvor o nome Witchery e com certeza borra algumas calças desavisadas por aí. Obrigatório para os fãs do Thrash trevoso!


Menções Honrosas:

Aetherian – The Untamed Wilderness (Melodic Death)
Lifeforce Records


Mais uma vez a Grécia aparece dando aula, dessa vez com os novatos do Aetherian. Bebendo da fonte do Death de Gotemburgo e adicionando pitadas próprias ao seu trabalho, os moleques refrescam os ouvidos e impressionam com ‘The Untamed Wilderness’, álbum debutante dos caras e prova mais do que irrefutável de que o Melodic Death Metal vai muito bem, obrigado.


Almanac – Kingslayer (Symphonic Power)
Nuclear Blast


O que acontece quando colocamos um verdadeiro gênio e erudito da guitarra como Viktor Smolski (ex-Rage, Mind Odyssey) com o poder cru e talento puro de grandes como Andy B. Franck (Brainstorm) e David Readman (olha ele aí de novo)? Acontece essa belezura aqui, o Almanac. Contando ainda com Jeannette Marchewka para completar o trio de vocalistas, Smolski conseguiu finalmente sua tão almejada liberdade para compor com ‘Tsar’ (2016), e abraçou de vez seu status de líder com essa obra maravilhosa aqui. Pedida perfeita para os fãs de seu trabalho e de Power Metal em geral.


Chaos Moon – Eschaton Mémoire (Funeral Doom/Black)
Blood Music


Mais um filhote de uma mente perturbada, o Chaos Moon mostra o lado macabro e depressivo de sua mente pensante, Alexander Poole (aqui como Esoterica), numa rendição muito acima da média em se tratando de Funeral Doom. Pitadas de Black completam o tempero especial de ‘Eschaton Mémoire’ e levam o trio ao melhor momento de sua carreira.


Niviane – The Druid King (Power)
Pitch Black Records


Leads à la Iron Maiden, medias músicas reminiscentes à Grave Digger e atmosfera pra fã nenhum de Power Metal botar defeito. O Niviane chegou de mansinho e roubou os corações da galera no Mundo Metal, e seu debut ‘The Druid King’ tem lugar cativo nas menções honrosas do mês por sua competência e naturalidade musical. Mais uma ótima banda a emergir dos EUA.


Sickle of Dust – Between the Worlds 
(Epic/Atmospheric Black)
Independente


Mais uma one-man band e mais um debut. Ash, criador e único membro do Sickle of Dust, consegue flutuar sua música por vários estilos extremos durante o curso de ‘Between the Worlds’, o que torna a peça extremamente revigorante e preciosa. Do épico ao melancólico, o experiente Russo convence e mostra que seu país também é um dos berços do Metal extremo. Um improvável clássico do underground.


Redigido por Bruno Medeiros

Melhores álbuns do mês: Outubro 2017



Há uma dose cavalar de loucura em tentar abraçar o mundo do Metal em pleno 2017 e caçar, destrinchar e avaliar dezenas (quando não chega na centena) de álbuns todo mês. Quem acha que o jornalista de carreira, pseudo-pensador e bostejador eventual William Waack tá fodido com seu recente escândalo de racismo ou que o ano do Palmeiras é digno de pena, nunca se deparou com um resenhista mergulhando nas águas negras da Metalosfera e nadando contra a corrente pra garimpar as pérolas lá no fundo, muitas vezes quase que imperceptíveis; isso sim é desesperador.

Relaxa, meu caro paladino da justiça social, isso é uma brincadeira e eu sei que os “Metal first-world problems” que eu enfrento não chegam nem perto de problemas de verdade, só que a porra da coluna é minha e eu reclamo o quanto eu quiser! Mas eu divago, vamos ao que interessa: a música!

De novo – e suspeito que pra sempre será assim -, escolher só 15 álbuns para a lista foi tarefa mais ingrata que escolher quem é a pior banda entre Slipknot e Korn. Outubro foi, definitivamente, o mês do Doom, Death, Power e suas vertentes, com o Black um pouco mais fraco (Blut Aus Nord lançou um bom álbum, pra variar, mas esse não é nem sombra de suas outras peças, e o Enslaved, que já nem considero Black mais, mandou pra galera um álbum só ok) e o Heavy completamente desnutrido e jogado às traças. No outro lado da moeda, como já disse, o Doom destruiu tudo e tem três representantes no ranking - além de bons álbuns que ficaram de fora como ‘Return’ do Ixion e ‘Curse of Conception’ do Spirit Adrift - e o Power deliciou os fãs das espadinhas, dragões e fantasia com obras de respeito como ‘The Great Brotherwar’ dos Alemães do Evertale e com os sempre divertidos Tierra Santa, Powerquest e Concerto Moon fazendo bonito com seus trabalhos. Pra variar, o Death também arregaçou as mangas e mandou seus filhotes Cannibal Corpse, The Black Dahlia Murder, Inverted Serenity e Damnation Defaced pra trabalhar, todos com resultado mais do que satisfatório. O Thrash, por sua vez, teve um mês morno mas mesmo assim enviou dois representantes pra nossa lista, o que prova que o estilo vai muito bem, obrigado.

Viu como é uma merda escolher só 15 plays? Pois é. Então se liga aí embaixo as pepitas que entendo como as melhores que esse puta mês nos proporcionou. Como já de costume, as escolhas seguem por ordem alfabética e não de melhor para pior.

Andras - Reminiszenzen... 
(Epic Pagan)


Os veteraníssimos do Andras mais uma vez provam que, mesmo da Alemanha, é possível conceber atmosfera e aura Pagãs matadoras. ‘Reminiszenzen...’ mescla o Inglês com o Alemão em suas letras e som Black com os elementos típicos do Pagan, em uma porradaria pra fã nenhum de Menhir e Black Messiah botar defeito.


Bell Witch – Mirror Reaper (Funeral Doom)


Funeral Doom é, para a maioria, insuportável. Também o é, porém, um gosto adquirido, e quando você entende a proposta e mensagem do estilo, vê que seu valor é inestimável. O Bell Witch entrega essa mensagem como ninguém, e ‘Mirror Reaper’ consolida a dupla estadunidense como uma das autoridades no assunto. Belíssimo trabalho.


Bestial Invasion – Contra Omnes 
(Technical Thrash)


Sim, caro amigo que, ao ler o nome da banda, ficou mais empolgado que cachorro no cio: Bestial Invasion é Thrash, e do melhor pedigree. Técnicos, rápidos, agressivos e inspirados, esses semi-novatos Ucranianos destroem tudo em seu caminho com ‘Contra Omnes’, segundo full dos caras e o melhor até agora. Mais do que mandatório para fãs de Watchtower, Sadus, Toxik e afins.


Communic – Where Echoes Gather 
(Progressive Heavy/Power)


O gigantesco trio Erik Mortensen (baixo), Tor Atle Andersen (bateria) e Oddleif Stensland (guitarra, vocal) retorna seis anos depois do mediano ‘The Bottom Deep’ pra recuperar o prestígio e explodir a mente de todos que duvidaram um dia da capacidade do Communic. ‘Where Echoes Gather’ é intricado, melódico e agressivo nas partes certas e, o mais importante, a volta à forma de uma das grandes bandas Norueguesas.


Hallatar – No Stars upon the Bridge 
(Atmospheric Doom/Death)


Banda fundada pelo multi-instrumentista e verdadeiro gênio Juha Raivio como uma homenagem à sua amada, Aleah Stanbridge, o Hallatar canaliza a tristeza de seu líder e transforma ‘No Stars upon the Bridge’ em uma montanha-russa de sentimentos. Com a bateria profunda e cheia de feeling de Mika Karppinen, e principalmente através dos vocais excelentes de Tomi Joutsen (Amorphis), Raivio teve a ajuda necessária para expor seus sentimentos e fazer desse trabalho um grandioso ode ao amor e ao sofrimento.


Keldian – Darkness and Light 
(Power Metal/AOR)


Sim, essa mistureba existe. Na ativa há mais de dez anos, a dupla dinâmica Christer Andresen (vocal, baixo, guitarra) e Arild Aardalen (keyboard) sempre lançou verdadeiras pepitas de ouro, e dessa vez não é diferente. Extremamente leve, divertido e inteligente, ‘Darkness and Light’ mistura os melhores elementos do Power Metal com pitadas de AOR e até algo de Synth Pop, num resultado que só esses Noruegueses malucos seriam capazes de criar: um dos melhores álbuns do ano.


Masters of Disguise – Alpha/Omega 
(Speed/Power Metal)


Que álbum caralhudo esse novo do Savage Gra…quer dizer, Masters of Disguise! Seguindo a fórmula de sua Alma mater, os Alemães obliteram prédios, varrem cidades e apagam os posers do mapa com velocidade sem igual, riffs cabulosos e atmosfera anos 1980 pra fã nenhum de Speed botar defeito. Imperdível.


Ne Obliviscaris – Urn 
(Extreme Prog Metal)


O Ne Obliviscaris é hoje, talvez, uma das bandas mais únicas da cena. Utilizando do violino como uma de suas armas, o quinteto Australiano surpreende mais uma vez com seu terceiro – e pra mim, o melhor disparado – álbum de estúdio. Emocional e erudito, mas poderoso e transgressor, ‘Urn’ com certeza vai aparecer em muitas listas de melhores do ano por aí.


Spectral Voice – Eroded Corridors of Unbeing 
(Death/Doom)


Compartilhando a maioria dos membros da magnífica Blood Incantation, o Spectral Voice destila seu veneno de forma lenta e brutal. Como quase tudo da Dark Descent Records, ‘Eroded Corridors of Unbeing’ respira Metal extremo e faz frente aos gigantes da cena facilmente. Depois de cinco demos e dois splits, finalmente somos agraciados com o debut de mais uma banda que se tornará gigante, fácil, fácil.


The King is Blind – We Are the Parasite, 
We Are the Cancer 
(Death)


Segundo trabalho dos Britânicos porradeiros. Linhas de guitarra à la Bolt Thrower, melodias orgânicas e inspiradíssimas que nos lembram grandes composições feitas por monstros como Anaal Nathrakh e doses generosas de poder bruto fazem de ‘We Are the Parasite, We Are the Cancer’ um dos mais tenebrosos e interessantes álbuns do mês.


Menções Honrosas:

Dr. Living Dead – Cosmic Conqueror 
(Thrash/Crossover)


A irreverência e liberdade musical dos Suecos mais retardados da cena são potencializadas em ‘Cosmic Conqueror’, quarto álbum de estúdio dos caras. Mais Thrash do que Crossover (graças a Deus), o petardo é visceral e cru nas medidas certas e consolida os doutores como uma força poderosíssima do estilo.


Exhumed – Death Revenge 
(Death/Grind)


Os reis do gore e splatter da Califórnia voltam com suas serras-elétricas e seus machados pra fazer picadinho de qualquer um que não aprecie seu sétimo full-lenght (não conto ‘Gore Metal: A Necrospective 1998-2015’ por motivos óbvios), ‘Death Revenge’. Prato cheio de entranhas e pedaços de dedos para os apreciadores de uma boa dose de sangue e gritos dentro do Metal!


Serenity – Lionheart 
(Power)


Ninguém segura os mestres do Symphonic Power Austríaco! Pouco mais de um ano depois do ótimo ‘Codex Atlanticus’, o Serenity nos agracia mais uma vez com uma pepita de ouro digna da discografia - já rica - dos nativos de Wörgl. ‘Lionheart’ tem a mistura perfeita entre o leve e o pesado, e já se tornou em pouco tempo uma das maiores obras do Serenity. Banquete para os fãs de Kamelot, Heavenly, Dragony e afins.


Sorcerer – The Crowning of the Fire King 
(Epic Doom)


As águas da Suécia devem ter néctar dos deuses ou algo do tipo, porque bandas matadoras brotam do país como a dengue brota no Brasil. Apesar de terem lançado apenas o segundo álbum da carreira do Sorcerer, o quinteto de Estocolmo é experiente na cena, e os caras usam isso a seu favor em ‘The Crowning of the Fire King’. Mágico, denso, cativante e cheio de feeling, o álbum foi uma das minhas primeiras escolhas certas pra figurar ao menos na minha lista de menções honrosas do mês. Gosta de Candlemass, Below, Doomshine e equivalentes? Então isso é obrigatório pra você.


Xanthochroid – Of Erthe and Ashen Act I e Act II (Epic/Melodic Black)


Vou roubar um pouco os meus próprios critérios aqui, mas seria injusto e burro da minha parte escolher só um desses álbuns, já que andam lado a lado e fazem parte de uma mesma história conceitual. O Zanthochroid, não é de hoje, vem fazendo barulho na cena com sua mistura interessantíssima de épico, sinfônico e melódico, com linhas guturais e limpas de vocal, elementos eruditos em suas composições e letras de fazer inveja à J.R.R. Tolkien (ok, nem tanto). Seu segundo e terceiro álbuns, ‘Of Erthe and Ashen Act I e Act II’ contam o prólogo de seu primeiro trabalho, lançado em 2012, de forma quase que teatral. Viciante e acessível, são perfeitos para seguidores de bandas como Ne Obliviscaris, Ihsahn, Moonsorrow e Amiensus.


Redigido por: Bruno Medeiros

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