Em uma recente edição do "The Classic Metal Show", o entrevistado foi Steve "Zetro" Souza, o vocalista do Exodus. O cantor explicou a quantas anda o processo de composição do novo álbum do grupo, como está o cronograma da banda para o lançamento, comentou sobre como foi a recepção dos fãs após sua volta e traçou um interessante comparativo entre a sua situação e a de bandas como Anthrax e Iron Maiden. Abaixo estão os melhores momentos desse bate papo.
Novo disco e cronograma para os próximos meses:
"Eu não posso dizer que nós não vamos fazer mais nenhuma turnê, se surgir, nós podemos fazê-la. Até porque nós nunca fizemos realmente uma turnê de "Blood In Blood Out" como headliner, mas posso te garantir que estamos escrevendo novas músicas. Após o primeiro dia do ano temos nos falado, falamos com nossa gestão, nossos agentes e entendemos a posição em que estamos. Sabemos o que timing e cosias assim significam, entao eu na estou dizendo isso pra deixar as pessoas ansiosas. Nós iremos para o Japão, vamos tocar no Loud Park, que está entre a turnê europeia com o Obituary, Prong e King Parrot, mas chegaremos em casa no dia 27 de novembro. As pessoas vão provavelmente relaxar durante os meses de Natal, mas com o mês de janeiro chegando ao fim, eu tenho certeza que Tom Hunting e Gary Holt vão estar juntos e será quando todo o processo começará. Nós estamos apostando que no próximo outono o disco deverá ser lançado. Estou pronto para trabalhar e tenho certeza que todo mundo na banda está bem, já discutimos sobre isso e definitivamente, algo como "Nós queremos tirar uma folga" não acontecerá, este não é momento de tirar uma folga, estamos tocando muito bem juntos e como uma unidade, a nossa música está soando realmente boa agora. As outras bandas que estão junto com a gente e tocando o mesmo estilo musical também estão indo muito bem, então eu acredito que todos nós precisamos nos manter capitalizando e continuar tocando. Enquanto vocês estiveram lá para nos ouvir, nós estaremos fazendo isso cara!"
Aceitação dos fãs após seu retorno:
"Bem, tenho que dizer que com muito amor, se houver ódio é mínimo. Quero dizer, apenas para ser honesto com você, eu não estou aumentando. Eu ainda consigo... acho que com duzentos e quarenta e poucos shows desde que voltei, em uma noite dessas, em Frankfurt, e eu ainda estou conseguindo um: "Estou feliz que você está de volta. É tão bom que você esteja de volta a banda". Eu ainda ouço isso toda noite. Então, eu os aprecio."
Seu papel no Exodus traçando um comparativo com outras bandas:
"Eu sou um fã de bandas onde no início da carreira, a formação era uma, eu entendo isso, eu realmente entendo. Eu não estou dizendo que John Bush não fez um grande trabalho com o Anthrax, ele fez um um trabalho infernal com o Anthrax, mas eu amo Joey Belladonna cantando no Anthrax e "For All Kings" é incrível. Eu acho que é assim que os fãs do Exodus viram a situação. Os caras ouviram e apesar de Paul Baloff ter sido responsável por uma parte muito grande do som Exodus, da direção do Exodus e da atitude do Exodus, eu acho que as pessoas olharam para mim como, 'Bem, isso cara é como uma espécie de.. é como Paul Di'Anno foi o primeiro vocalista do Maiden, mas Bruce Dickinson é a voz. Não estou dizendo que os registros com Blaze não eram bons, porque os álbuns que Blaze Bayley fez com o Iron Maiden, acredito que foi um tempo muito escuro e pesado para a banda, se você ouvir essas músicas, elas são boas músicas e eu acho que talvez seja isso o que aconteceu no meu caso."
Em recente entrevista ao programa Full Metal Jackie's, o guitarrista Gary Holt, atualmente membro de duas das mais emblemáticas bandas de Thrash Metal de todos os tempos, Slayer e Exodus, menciona diversos assuntos referentes ao atual momento de ambos os grupos. Confira alguns trechos do bate papo.
Ao ser questionado se havia algo na dinâmica do Slayer que ele nunca soube até se juntar a banda:
"Não acho que há realmente algo que eu não sabia. Nós nos conhecemos há muito tempo, foi algo como aparecer para tocar com caras que eu conheço desde que eu era garoto. Realmente não havia nada para aprender, foi apenas como estar vendo velhas caras e tocando algo diferente, mas com pessoas que eu conheço desde a infância do Thrash Metal. Foi um ajuste fácil de fazer."
Sobre como lida com o tempo livre, já que ser membro de duas bandas gera muito mais trabalho:
"Quando eu tenho tempo livre, eu só quero gastá-lo em casa com a minha esposa e filhos, família é tudo para mim, especialmente, você sabe... é como um bônus adicional da idade: minhas prioridades estão mais alinhadas. Eu não posso excursionar constantemente, os doze meses do ano, as pessoas próximas a mim me matariam. Felizmente para o Exodus, todos foram super-compreensivos e temos também um grande substituto como Kragen Lum, que me substitui quando eu não posso estar com a banda. Ele é um guitarrista incrível, é parte da família e toca todas as partes muito bem, como eu jamais poderia esperar que pudessem ser reproduzidas. Tem funcionado e os fãs realmente tem aceitado bem isso, tenho tentado encontrar algum tempo para voltar para a estrada com Exodus em breve."
Sobre a atual agenda e sua volta aos palcos com o Exodus:
"Há alguns festivais de verão agendados. Em seguida, no início de setembro, eu tenho o meu primeiro show com o Exodus depois de algum tempo. Faremos três shows com o Killswitch Engage, incluindo a minha primeira apresentação em San Francisco depois da volta de Zetro à banda. Tocaremos em Oakland antes, mas a primeira vez em San Francisco... eu estou ansioso por isso. Vai ser divertido."
Como anda o processo criativo para o novo álbum do Exodus:
"Estou começando a acumular riffs. Como em qualquer processo criativo, em especial para mim, eles vem como uma verdadeira enxurrada após um período de nada. Estou entrando nessa condição criativa real e começando a compilar mais e mais riffs e juntá-los. Me surpreendo olhando para a parede e pensando em letras. Normalmente, se você me vê olhando para o nada, isso significa que eu encontrei um lugar criativo. (Risos) Então, esperamos que no próximo ano, nós entraremos em estúdio."
Em recente entrevista ao National Rock Review, o vocalista Steve Souza foi questionado sobre um possível novo álbum do Exodus e se Gary Holt, mesmo ocupado com o Slayer, faria parte do processo criativo do disco. Leia a resposta de "Zetro":
"Já se passaram dois anos (desde a volta de Steve e o lançamento de "Blood In Blood Out"), o tempo voa e eu não vou a lugar nenhum. Gary está com o Slayer e ele tem ficado ocupado com o Slayer. Na verdade, desde que "Repentless" (mais recente álbum do Slayer) saiu, nós desejamos a ele toda a sorte, nós amamos o Slayer, mas todo mundo sabe que Gary é o Exodus e todos nós conversamos sobre um novo registro. Eu não vou me acomodar, nós vamos lançar um novo álbum e eu diria que em 2017, provavelmente no início do outono. Nós vamos conseguir isso porque vão ter se passado três anos e é a hora. Temos percorrido o mundo e nós realmente estamos discutindo sobre isso, é hora de começar a compor algumas coisas juntos e Gary sabe que é a hora, sei que ele está animado para fazê-lo, porque ele e eu realmente conversamos a respeito disso. Então, mais uma vez, os fãs não tem que se preocupar com nada. Nós não vamos tentar adiar isto por cinco ou seis anos, estou dedicado em tempo integral desde que voltei para o Exodus e é aqui que vou estar. Esta é outra coisa que você não terá que se preocupar, eu e a banda nos damos muito bem e é tudo muito diferente agora. Todo mundo está animado ao subir no palco e por isso o nosso desempenho é o que é. Então, se você já viu o Exodus nos últimos dois anos, posso te afirmar que você investiu bem o seu dinheiro, porque nós vamos lá e damos todo o nosso melhor. Eu amo isso e estou me divertindo."
Desde que foi anunciada que a nova turnê do Exodus teria uma data na cidade de Limeira, no interior de São Paulo, uma grande comoção e expectativa foi criada pelos vários fãs de toda a região. E não era pra menos, pois trata-se de nada mais nada menos que o Exodus, uma das mairoes e mais respeitadas bandas de Thrash Metal de todos os tempos. Ainda assim, infelizmente houve uma baixa, até já esperada por muitos, que foi a ausência do guitarrista, principal compositor e ídolo da banda, Gary Holt, anunciada poucos dias antes da tour começar. Como todos sabem, Gary também faz parte do cast do Slayer e anda tendo problemas em conciliar as duas agendas. Pro seu lugar foi recrutado Kragen Lum, que assim como o Lee Altus também integra a banda Heathen.
Enfim que chega o grande dia, e quero começar elogiando primeiramente a organização do evento, desde a bilheteria, até os funcionários da portaria e também do local do show, o já famoso Bar Da Montanha, que ultimamente tem recebido vários shows internacionais com uma bela estrutura para shows de médio e pequeno porte.
Com todo o público já presente eis que, pouco mais de 22 horas começa a introdução nos PA’s e a banda sobe ao palco para delirio de todos. Já começando a mil por hora com a faixa que abre o último disco de estúdio do Exodus, a ótima "Black 13", música rápida e direta, já dando a deixa pra emendarem mais uma do disco novo, que inclusive dá o nome ao álbum, "Blood In Blood Out", outro som extremamente veloz e pesado. É incrível como esse álbum novo resgatou um pouco daquele Exodus mais direto ao ponto, aquele Thrash mais cru que a algum tempo não ouvia.
Depois desse turbilhão, Zetro anuncia que mandarão um som do clássico álbum "Bonded By Blood", este era nada mais nada menos que "And Then There Were None" e ai que a casa veio a baixo, a alegria estampada no rosto de cada um presente era notável e contagiante. Em seguida para dar uma acalmada nos ânimos tocam uma música da fase Dukes, a extremamente pesada "Children Of A Worthless God", porém sem muito tempo pra respirar já mandam outro clássico, "Deranged", do primeiro álbum com Zetro nos vocais, "Pleasures of the Flash".
Falando em Zetro, sempre é bom ressaltar como o cara é carismático, interage o tempo todo com o público, você percebe que ele conversa com a galera "olho no olho", um verdadeiro frontman!
Depois de mais duas músicas do último álbum, "Salt The Wound" e "Body Harvest", mais uma vez o sinal de que a casa viria abaixo, e não é para menos, pois a clássica "Metal Command" foi anunciada e cantada por todos do inicio ao fim, um verdadeiro hino. Assim como "Piranha" que veio logo na sequência . A essa altura do campeonato o mosh já pegava fogo com a galera toda se divertindo e ajudando quem por acidente “caia” no chão, coisa muito legal de se ver nos shows.
A quebradeira continuava comendo solta com a matadora" "The Ballad Of Leonard And Charles" e depois com mais um clássico da banda, " A Lesson In Violence" que particularmente é uma das minhas preferidas. Logo após veio mais um som que ultimamente está em todos os setlists do Exodus, "Blacklist" do maravilhoso álbum "Tempo Of The Damned", com o refrão cantado em coro por todos. Depois mais uma música nova, "Wrapped in the Arms of Rage" e a também ótima "Impaler", infelizmente a galera já ia percebendo que o show estava chegando ao fim e esperava ansiosa pelo Bis.
E valeu demais a pena esperar pois, após alguns momentos de pausa eis que começa a introdução de "Bonded By Blood", agora posso dizer com toda a certeza, este foi o ponto alto do show, uma energia incrivel tomou conta do Bar Da Montanha, muitos pareciam não acreditar no que estava acontecendo, assim como para mim, pra muitas outras pessoas foi a primeira oportunidade de ver a banda ao vivo, ainda mais por conta do díficil acesso que temos para shows na capital, por conta de tempo, dinheiro e outros problemas cotidianos, deu pra sentir a emoção de cada um que ali estava.
"The Toxic Waltz" que obviamente não pode faltar e para fechar com chave de ouro, "Strike of the Beast" com o já caracteristico "wall of death". E assim se encerrava uma apresentação memorável do Exodus no interior paulista, uma banda perfeita e entrosada, com muita energia apesar do tempo de estrada e que sabe como interagir com seus fãs, numa noite para ficar guardada na memória de todos que puderam presenciar essa aula de violência sonora, de humildade, de carisma e profissionalismo.
Três Décadas de Violência: O Aniversário de 30 Anos de Bonded By Blood
No mundo da música, existem diversos trabalhos que por mais que o tempo passe, a sua relevância e qualidade permanecem intactas, como se tivessem sido gravados recentemente e hoje, 25 de abril, uma obra desse porte está comemorando o seu aniversário de 30 anos. De qual obra estou falando? “Bonded By Blood”, um dos registros mais importantes da história do Thrash Metal mundial, influência direta para centenas de bandas e músicos ao redor do planeta.
Produzido por Mark Whitaker (Lääz Rockit, Metallica) e lançado através da extinta gravadora Torrit Records, “Bonded By Blood” representa exatamente o que o Thrash Metal significa, ao pé da letra. Toda a energia, a fúria, a violência e a agressão que estão presentes em seus 40 minutos de duração são exatamente o que os admiradores do estilo mais almejam ao ouvir um trabalho do gênero. Ele também é dono de uma simples, porém extremamente eficiente ilustração de capa, com os dois irmãos gêmeos siameses se dilacerando, realizada por Donald J. Munz, que já trabalhou com bandas como Megadeth, Possessed e Slayer. A arte de capa, aliás, é outro fato vital para ele ser esse clássico inquestionável que é, diga-se de passagem.
Alguns segundos de silêncio e de repente os “riffs” afiadíssimos dos guitarristas Gary Holt e Rick Hunolt abrem esse belíssimo petardo, iniciando um dos muitos hinos presentes aqui. A faixa título, “Bonded By Blood” é um verdadeiro convite para o massacre que está apenas começando. O que nós temos aqui? Uma “cozinha” de bateria e baixo alucinante, composta respectivamente por Tom Hunting e Rob McKillop, um “riff” principal grudento, solos insanos e um refrão legendário, berrado com toda a intensidade e de uma forma desconcertante pelo finado Paul Baloff. E isso é apenas o começo, pois logo em seguida somos bombardeados pelo “Ataque do Êxodo”. “Exodus”, a faixa que dá nome a banda, é um Speed/Thrash lindo, cru e implacável, com mais uma grande refrão, forte como uma rocha e mantendo o mesmo pique insano da igualmente fantástica faixa de abertura.
Pisando um pouco no acelerador, temos a cadenciada e não menos fenomenal “And The There Were None”, mais um hino para nenhum ouvinte botar defeito, possuindo “riffs” diretos e que convidam todos a “banguearem” sem parar. Logo após, é a vez de todos receberem a sua “lição de violência”. As palhetadas viscerais de Holt e Hunolt iniciam aquele que é o legitimo mantra para a destruição e o caos, “A Lesson In Violence”. Retomando a mesma velocidade das duas primeiras músicas, essa composição é uma máquina assassina que apenas conhece o ódio e a devastação. Seus “riffs” e andamento são um prelúdio para a mais ensandecida ruína e seu refrão é o coro para a mais infame degradação. Uma música vil, doentia e esplêndida!
Em seguida, temos “Metal Command”. Preciso dizer o que ela representa? Se “A Lesson In Violence” é um ode a violência e ao caos, “Metal Command” é um ode ao Metal. Novamente temos nossos ouvidos atingidos por um “riff” principal maravilhosamente grudento, além de um refrão que fala por si. Mais uma composição que já nasceu um clássico! A bateria de Tom Hunting inicia “Piranha”, mais um hino que não deixa nenhum ouvinte indiferente. “Riffs” pungentes e solos desvairados, uma levada frenética de bateria e mais um refrão poderoso fazem dessa composição outro clássico indispensável em qualquer show da banda.
Dedilhados suaves e gentis introduzem a sétima faixa, “No Love”. Assim que a música se inicia, o ouvinte deve pensar que se trata de um momento de calmaria, provavelmente uma balada perdida no meio da destruição sonora, certo? ERRADO!!! Alguns instantes depois vemos que se trata apenas de uma bela, porém sarcástica introdução para mais um som agressivo e impiedoso. Ainda que mais cadenciada, é uma música violenta e pútrida e não faz a qualidade do disco decair por um segundo que seja. Logo após, é a vez de “Deliver Us to Evil”, a faixa mais longa, progressiva e técnica do álbum. Contando com interessantes mudanças de andamento, além de um exímio desempenho da dupla de guitarristas Holt/Hunnolt, é um grande som que se destaca das demais composições do trabalho devido a sua estrutura mais complexa e trabalhada.
O ultimato da banda se manifesta através de “Strike of the Beast”, onde a banda entrega mais uma avalanche destruidora que não deixa pedra sobre pedra, regada a muitos “riffs” claustrofóbicos, uma bateria demente e vocais rasgados e alucinados, encerrando assim essa jóia máxima do Thrash mundial. Provavelmente, a altura que o álbum se encerra, o ouvinte está com a cabeça tonta e o pescoço dolorido de tanto “banguear”.
Assim como diversos clássicos históricos, esse álbum também é dono de algumas histórias e fatos bastante curiosos. “Bonded By Blood” estava pronto desde o inverno de 1984, mas acabou sendo lançado apenas em 1985 devido a um conflito com a gravadora. Originalmente, o nome do álbum seria “A Lesson In Violence”, mas a banda não conseguiu encontrar uma ilustração que representasse esse título e optaram por alterá-lo. Também é importante mencionar que uma cópia em fita cassete do álbum, com o seu título original, foi amplamente distribuída após a conclusão do registro no final do verão de 1984, criando um imenso burburinho subterrâneo antes do lançamento oficial do LP. Contudo, o seu lançamento foi adiado, devido a problemas com a obra de arte conceitual do registro.
Vale lembrar também que uma excelente composição que ficou de fora desse petardo foi “Impaler”, música escrita originalmente pelo guitarrista Kirk Hamett (Metallica) e que foi tocada diversas vezes ao vivo. O Exodus acabou não inserindo ela no álbum, pois Hamett utilizou o “riff” principal dela em “Trapped Under Ice”, faixa de “Ride the Lightning” (1984), do Metallica. Contudo, com o lançamento de “Tempo of the Damned” (2004), a música finalmente foi inclusa em um registro de estúdio da banda.
Como todo clássico que se preze, “Bonded By Blood” foi relançado pela primeira vez em 1989, pela Combat Records, agora com uma nova capa, que incluía uma imagem em vermelho e preto de uma plateia, com o logo estampado com letras garrafais e o título do álbum logo abaixo. Essa versão também contava com duas faixas ao vivo, sendo elas, respectivamente, “And Then There Were None” e “A Lesson In Violence”, ambas ao vivo e com o segundo vocalista da banda, Steve “Zetro” Souza. Já, em 1999, a Century Media Records relançou o disco mais uma vez, incluindo as faixas bônus da prensagem da Combat Records, mas restaurando a arte de capa original.
Sujo. Veloz. Primitivo. Perfeito! Isso é “Bonded By Blood”, meus amigos. Uma verdadeira bíblia do Thrash Metal, sem mais! Visceral e direto, do jeito que deve ser! A banda inteira concebeu uma legítima obra prima que atravessa décadas e gerações sem perder nada de sua qualidade e importância. Paul Baloff pode não estar mais entre nós, mas certamente toda a sua insanidade também fez esse “debut” ser o que é. Ainda que ele jamais tenha sido um grande vocalista, era um sujeito que realmente amava o Metal e literalmente dava o seu sangue pela música que tanto venerava e, além disso, se esse registro é insano da forma que é, podem ter certeza de que isso se deve a personalidade de Baloff. Era um “frontmen” ensandecido e maníaco e cujo legado realmente jamais será esquecido. Pois é! 30 anos depois e a “lição de violência” continua, perversa e ininterrupta. E ela jamais irá terminar, tenham certeza disso...
Após um hiato de quatro anos sem lançar absolutamente nada em estúdio, os Thrashers norte-americanos do Exodus estão de volta e como sempre, destruindo tudo e entregando aos seus fãs aquilo que eles mais esperam: pancadaria de primeira, é claro! Há poucos meses atrás a banda demitiu o vocalista Rob Dukes, que estava na banda desde 2005 e havia participado dos registros de estúdio “Shovel Headed Kill Machine” (2005), “The Atrocity Exhibition... Exhibit A” (2007), “Let There Be Blood" (a regravação do clássico “debut” “Bonded By Blood” (2008) e “Exhibit B: The Human Condition” (2010). Pouco após a controversa saída do “frontmen”, foi anunciado que o ex-vocalista Steve “Zetro” Souza estava de volta ao Exodus e que um novo álbum seria lançado com ele assumindo os vocais. “Blood In, Blood Out” é o décimo álbum de estúdio da carreira dos californianos e será lançado oficialmente no dia 14 de outubro, pela Nuclear Blast. Produzido pelo sempre elogiado produtor e músico Andy Sneap (que já trabalhou com bandas como Carcass, Kreator e Nevermore) e apresentando uma extraordinária arte de capa concebida pelo artista Pär Olofsson (que já havia trabalhado com a banda em "Let There Be Blood"), “Blood In, Blood Out” possui um poder de fogo incontestável.
O álbum começa de forma lenta, com um “sampler” ecoando singelamente dos autofalantes, um trabalho concebido por Dan the Automator, um produtor de Hip Hop que já trabalhou com artistas como Gorillaz e Kasabian. Tendo conhecimento que um produtor de Hip Hop contribuiu para um álbum do Exodus, alguns fãs mais radicais podem ficar um tanto apreensivos a princípio, contudo, posso assegurar que essa participação em nada afeta a sonoridade praticada por esses veteranos. Em poucos segundos, as guitarras de Gary Holt e Lee Altus surgem, assim como o pulsante baixo de Jack Gibson e a balanceada bateria de Tom Hunting. O ritmo da música vai crescendo e acelerando aos poucos. Sem perder tempo, a voz rasgada de Steve “Zetro” Souza rasga os autofalantes e inicia a pancadaria em grande estilo. O que temos após isso?! Arranjos e “riffs” nervosos, solos insanos, alem de uma “cozinha” de bateria e baixo formidavelmente destruidora. Se a faixa de abertura já é excelente, o que dizer da faixa título? Explosiva, veloz e absurdamente matadora, “Blood In, Blood Out” parece nos levar de volta aos anos 80 tamanha a sua fúria assassina. Ouvindo essa faixa já é possível imaginar o estrago que ela fará ao vivo.
As guitarras de Holt e Altus marcam o início da terceira música do álbum, “Collateral Damage”, uma faixa um pouco mais cadenciada, entretanto, pesadíssima e que certamente mantém a qualidade do disco, contendo grandes “riffs”, solos e mudanças de andamento bem encaixadas. “Salt the Wound” vem logo em seguida e é uma composição que poderia estar facilmente presente em “Tempo of the Damned”, de 2004. É uma faixa bem cadenciada, onde mais uma vez temos um trabalho excepcional desses veteranos do Thrash. “Cozinha” pulsante e esmagadora, vocais maravilhosamente estridentes e “riffs” bem construídos se encontram presentes nessa quarta faixa. Outro “chamariz” dessa música é a participação de Kirk Hammet, guitarrista solo do Metallica, que gravou um solo de guitarra para ela. Kirk um dia já foi integrante do Exodus, porém havia deixado a banda para se juntar ao Metallica, história que muitos já estão mais do que saturados de ouvir. Hammet apenas havia participado de uma demo lançada pela banda no longínquo ano de 1982 e o solo que gravou para essa faixa foi sua primeira e única participação em um álbum de estúdio da banda.
Sem deixar o ouvinte entediar, “Body Harvest” traz novamente uma sequência de “riffs”, solos repletos de “feeling”, além de um trabalho virtuosíssimo de baixo e bateria. “BTK”, por sua vez, tem um início bem interessante, que vai crescendo aos poucos e induz o ouvinte a “banguear” a cada “riff”. Essa faixa também contém um ótimo refrão, além de contar com uma pequena participação do excelente vocalista Chuck Billy, do Testament. Ao ouvir esse som, o ouvinte provavelmente deve se sentir dentro de um dos trabalhos do Dublin Death Patrol, projeto na qual Chuck Billy e Steve “Zetro” Souza dividem os seus vocais poderosos. A sétima faixa é “Wrapped in the Arms of Rage”. Essa música traz mais “riffs” e solos ensandecidos, uma “cozinha” explosiva e vocais esganiçados, ou seja, mantém exatamente o padrão e o estilo incorporado pelo quinteto, sem dever nada ao ouvinte. A ótima “My Last Nerve” se incube de dar continuidade ao registro. Além de contar com “riffs” sempre impecáveis, traz harmonias belíssimas de guitarra em seu refrão, que caem com uma luva para a voz de “Zetro”. A “cozinha”, como sempre, é um espetáculo a parte. O baixo é sempre pulsante e a bateria sempre portentosa. Já os solos de guitarra são sensacionais e repletos de melodia, jamais soando forçados ou exagerados.
A furiosa “Numb” retoma a velocidade das faixas anteriores, abrindo espaço para mais pancadaria. E que pancadaria, diga-se de passagem! Mais uma vez temos uma aula de Thrash Metal com verdadeiros mestres no assunto. “Zetro” e Cia. simplesmente arregaçam, executando um trabalho vocal e instrumental fantástico. “Honor Killings” é a penúltima do álbum e não deixa por menos, espancando ainda mais os tímpanos do ouvinte com seus “riffs” afiadíssimos, suas levadas frenéticas de bateria, sua marcação sempre precisa de baixo e vocais rasgadíssimos. Um verdadeiro estrondo! É hora do álbum terminar e se já teve muita brutalidade até então, o encerramento desse trabalho não poderia ser muito diferente. “Food for the Worms” é um legítimo “soco na boca do estômago” do ouvinte, com seus “riffs” avassaladores e mudanças rítmicas formidavelmente devastadoras. Uma excelente maneira de encerrar esse décimo trabalho de estúdio!
O Exodus é uma daquelas bandas que jamais desapontou em seus álbuns. Ainda que tenham experimentado sonoridades e elementos diferentes entre si ao longo de sua carreira, é inegável que são uma banda com uma discografia invejável e sempre se mantiveram fiéis ao estilo que os consagrou. Além disso, é impressionante ver como a banda consegue presentear seus admiradores com algo que realmente não deve em nada com os trabalhos realizados anteriormente. “Zetro” e Cia. não são mais um bando de jovens eufóricos como nos anos 80, entretanto, possuem muita criatividade e energia dentro sim. Energia que os levou a realizar esse grande registro de estúdio que, certamente, figura entre os melhores lançamentos desse ano.
Tracklist:
01. Black 13 (Feat. Dan the Automator) 02. Blood In, Blood Out 03. Collateral Damage 04. Salt the Wound (Feat. Kirk Hammett) 05. Body Harvest 06. BTK (Feat. Chuck Billy) 07. Wrapped in the Arms of Rage 08. My Last Nerve 09. Numb 10. Honor Killings 11. Food for the Worms
Faixa bônus das edições digitais e limitadas: 12. Angel of Death (Angel Witch Cover)
Faixa bônus da edição japonesa: 12. Protect Not Dissect (Feat. Anthony "Rat" Martin)
Lineup: Steve "Zetro" Souza (Vocal) Gary Holt (Guitarra rítmica e solo) Lee Altus (Guitarra rítmica e solo) Jack Gibson (Baixo) Tom Hunting (Bateria e Percussão)
Após dois anos sem excursionar por terras brasileiras, os mestres do Thrash norte-americano Exodus retornaram mais uma vez ao Brasil nesse segundo semestre de 2014, passando pelas cidades de Brasília (02/10), São Paulo (04/10) e Rio de Janeiro (05/10).
Ontem, dia 4 de outubro, esses verdadeiros ícones da música pesada vieram para a capital paulista e realizaram um show "fabulosamente desastroso" no Carioca Club, casa de shows bem conhecida, localizada em Pinheiros - SP. Após a sua última passagem pelo Brasil, em 2012, muito se especulou com o retorno desta que é uma das maiores lendas não apenas do Thrash Metal mundial, mas do Metal como um todo. O motivo dessa especulação se deve a mudança repentina de vocalistas que foi anunciada poucos meses atrás, onde o até então atual “frontmen”, Rob Dukes, foi substituído pelo ex-vocalista Steve “Zetro” Souza, que havia gravado os álbuns “Pleasures of the Flesh” (1987), “Fabulous Disaster” (1989), “Impact is Imminent” ( 1990), “Force of Habit” (1992) e “Tempo of the Damned” (2004).
Dukes, por sua vez, estava na banda desde 2005, tendo gravado os álbuns “Shovel Headed Kill Machine” (2005), “The Atrocity Exhibition: Exhibit A” (2007), “Let There Be Blood”, a regravação do histórico “debut” “Bonded By Blood” (2008) e “Exhibit B: The Human Condition” (2010). A saída de Dukes continua sendo um assunto muito comentado entre todos e vale lembrar que a banda já estava preparando um álbum que desse uma continuidade aos temas abordados nos discos “The Atrocity Exhibition: Exhibit A” e “Exhibit B: The Human Condition”. Esse novo lançamento deveria ser “Exhibit C”, no entanto, a troca de “frontmens” fez com que todo esse planejamento fosse alterado, fazendo com que o novo registro de estúdio do Exodus recebesse o nome de “Blood In, Blood Out”.
Polêmicas à parte, o que ocorre é que o simples fato de uma banda do porte do Exodus vir ao Brasil já chama a atenção e com o retorno de um grande vocalista ao grupo certamente iria causar um estrondo entre os fãs e apreciadores do trabalho desses veteranos californianos, não é mesmo?
E causou estrondo realmente, quando um dos maiores ícones do Thrash nacional, o MX, estava no palco, o Carioca Clube se encontrava apenas com um bom público, mas a medida que foi se aproximando a hora em que o Exodus iniciaria sua apresentação, o local ficou abarrotado e perto de sua lotação máxima. Antes de destacar os concertos em si, é bom dizer que esta casa de shows, a cada dia que passa tem se tornado um dos melhores locais para apresentações de bandas de metal de médio porte. De qualquer lugar em que se esteja se tem uma visão total do palco e não se perde nenhum detalhe, o bar se localiza do lado esquerdo do ambiente e ocupa a extensão da pista quase que por completo, facilitando a compra de bebidas, doses e afins, além disso, a acústica é perfeita e em nenhum momento o som fica embolado. Realmente Satisfatório e digno de elogios.
Seguindo para as apresentações propriamente ditas, o MX executou um "Set List" coeso e sem frescuras, baseou-se em seu último lançamento, o ótimo "Re-Lapse" (2014), que nada mais é que uma regravação de seus maiores clássicos, com uma roupagem mais moderna, porém sem descaracterizar as músicas que anteriormente apareceram em álbuns como ''Simoniacal'' e ''Mental Slavery''. As faixas que foram tocadas não poderiam ser outras, "Dead World", "Fight For The Bastards", "Behind His Glasses" e os hinos "Jason" e "Dirty Bitch". Assim como nas apresentações de 1997, o MX fez um grande papel e justificou a escolha, que foi feita por meio de votação, para ser a banda de abertura.
Passaram-se alguns minutos e enfim, o "Inferno" se estabeleceu no Carioca Clube quando o Exodus subiu ao palco e executou os primeiros acordes de "Bonded By Blood". "Incendiário" é a palavra que define o início da apresentação, que seguiu com a energética "Scar Spangled Banner" e "And Then There Where None". A interação entre público e banda é de arrepiar, todos os presentes cantavam as letras em uníssono e a energia que emanava era contagiante.
"Iconoclasm", da fase com Rob Dukes foi lembrada e Steve 'Zetro' Souza não decepcionou, cantou com desenvoltura e a música parecia ter sido escrita para seus vocais. O ''frontman" do Exodus é o carisma personificado e executa TODAS as canções do "Set" com maestria. Tudo estava fantástico, mas quando "Fabulous Disaster" foi anunciada, a casa literalmente veio abaixo e os "Moshs" que já aconteciam desde o início tornaram-se insanos
“Children of a Worthless God” foi a segunda faixa do álbum “The Atrocity Exhibition: Exhibit A” a ser tocada e teve uma recepção calorosa da plateia, que cantou o refrão com muita energia. O hino “Piranha”, por sua vez, veio em seguida e o caos só aumentou, fazendo o público delirar completamente. A atmosfera que esse som proporciona é algo realmente indescritível.
Eis que em seguida tivemos uma surpresa extremamente agradável: a banda executou “Pleasures of the Flesh” na íntegra, diferente de quando tocaram em Brasília, há poucos dias, onde apenas tocaram a “Intro” da canção. Nem é preciso dizer que a multidão enlouqueceu ainda mais. Sem perder tempo, “Zetro” e Cia. decidiram mandar um clássico absoluto do Thrash Metal, “A Lesson in Violence”, tornando a pista, um verdadeiro cenário de destruição e violência, com “moshs” tomando conta e a pancadaria rolando solta. É, realmente deram uma lição e tanto...
Mais um hino veio logo em seguida, a empolgante “Metal Command”, que teve seu poderosíssimo e marcante refrão, novamente cantado por todos os presentes e, pouco depois, a cadenciada e esmagadora “Blacklist”, uma das melhoras faixas do excelente “Tempo of the Damned”, veio para enlouquecer ainda mais os fãs que não perdiam o pique por um segundo sequer. Novamente uma “performance” soberba de cada integrante da banda e isso apenas fez a massa clamar por mais. Os “riffs” furiosos de “War is My Shepard” trouxeram mais devastação para a casa e obrigou o público a cantar e gritar a plenos pulmões mais uma vez.
Um momento muito aguardado foi quando os músicos executaram o ultraclássico “Toxic Waltz”, emendando com a truculenta última faixa da obra-prima “Bonded By Blood”, “Strike of the Beast”. Todos já haviam agitado em todas as músicas do “set” e quando esses clássicos surgiram não poderia ser diferente. Os fãs não pararam por um segundo e fizeram jus ao que ambas as músicas representam. Chega a ser redundante mencionar que tivemos uma presença realmente massacrante do público. Uma surpresa bastante inesperada veio logo em seguida com a execução de “The Last Act Of Defiance”, a faixa de abertura de “Fabulous Disaster”. Foi possível ver um enorme sorriso estampado nos rostos de cada um dos presentes que não esperavam a presença dessa faixa no repertório. Obviamente, todos responderam muito bem ao presente dado pela banda. Chegava a hora de “Good Riddance”, a última música do show a dar as caras. Ainda que fosse a última da apresentação, o Carioca Club foi novamente trucidado pela multidão ensandecida, encerrando este grande evento de forma impecável.
O Exodus nessa passagem pelo Brasil, nos deixa algumas certezas. A primeira delas é a de que mesmo após mais de 30 anos de carreira, a banda se mantém afiadíssima e muito fiel as suas raízes no Thrash Metal. Steve ‘Zetro’ Souza, sem sombra de dúvidas, foi a melhor escolha possível para assumir novamente os vocais do grupo e se encontra em uma fase invejável. Vide seus trabalhos anteriores com o Hatriot.
A banda como um todo, esbanja carisma, garra e toca o que seu público quer escutar. Não tenho dúvidas que o novo trabalho será tão empolgante quanto todos os demais álbuns de sua extensa, porém proveitosa discografia. Faltaram algumas canções no Set? É claro que sim, cada fã da banda escolheria uma ou outra faixa que gostaria que fosse executada e a substituiria por alguma das presentes, mas a grande verdade é que este foi um dos poucos shows em que fui e que todos os presentes saíram com sorrisos largos de satisfação estampados nas faces.
Sinceramente, considero o Exodus um exemplo a ser seguido por muitos grupos “acomodados” que vejo por aí. Uma banda que foi uma das maiores responsáveis pelo surgimento do Thrash, passou por inúmeros momentos delicados em sua carreira, superou todos eles, se reinventando por diversas vezes e ainda mostra-se capaz de proporcionar momentos de puro êxtase como o desta memorável apresentação. Tem o meu total Respeito e Admiração.
“Time to run or fight
Off the strike of the beast”
Set List:
01 - Bonded By Blood
02 - Scar Spangled Banner
03 - And Then There Were None
04 - Iconoclasm
05 - Metal Command
06 - Fabulous Disaster
07 - Children Of A Worthless God
08 - Piranha
09 - Pleasures Of The Flesh
10 - A Lesson In Violence
11 - Blacklist
12 - War Is My Shepherd
13 - Toxic Waltz
14 - Strike Of The Beast
15 - The Last Act Of Defiance
16 - Good Ridance