É impressionante como o mundo pop abraçou o Metallica e mais impressionante ainda, como o Metallica se fundiu a esse universo. Quem em meados de 1983, na época em que "Kill 'Em All" foi lançado, poderia imaginar que aqueles garotos desajustados e rebeldes iriam ser os donos do disco de Metal mais vendido de todos os tempos? Quem poderia imaginar que o Metallica iria rodar filmes, documentários, ter grife de roupas própria, possuir toda a gama de produtos customizados e se tornar a maior banda (em termos de cifras) que o estilo conheceu?
Pois é, tudo isso aconteceu e obviamente para os fãs mais ortodoxos e ligados ao meio underground, a banda virou motivo de desprezo e até mesmo de piadas. Muitos simplesmente não seguem e nem conseguem digerir mais nada lançado pelo quarteto, porém é inegável que o Metallica ainda é uma banda que tem um papel importantíssimo na cena mundial.
O Heavy Metal num contexto geral teve um pico de popularidade enorme no início dos anos 90 e logo depois acabou perdendo espaço para outros estilos como o Grunge, o Rock alternativo e o Nu Metal, somente os gigantes como Metallica, Iron Maiden, Kiss, Black Sabbath e outros, conseguiram se manter na grande mídia e mesmo com o surgimento de excelentes novos nomes nos últimos anos, o Metal voltou a ser um estilo mais underground e sendo assim, fora dos grandes meios de comunicação.
Por que diabos então o Metallica ainda é importante para o Heavy Metal se os caras por exemplo, vão sair em turnê com bandas como Avenged Sevenfold, Volbeat e aceitam se apresentar ao lado de artistas pop como Lady GaGa?
É simples!
Por que em um show do Metallica você ainda vai ouvir músicas como "Creeping Death", "Battery", "Fight Fire With Fire", "Damage Inc.", "Blackened" e diversas outras. Essas músicas mesmo após anos, ainda são extremamente convincentes e continuam sendo o ponto de partida para que muitos adolescentes tenham o seu primeiro contato com o Metal.
Sendo assim, o Metallica pode não ser mais motivo de orgulho para os headbangers que os viram começar sua trajetória com épicos da grandeza de "Ride The Lightning" ou "Master Of Puppets", os trabalhos mais recentes podem até ser ignorados e extremamente criticados, mas para a nova geração, a banda ainda presta um grandioso serviço e enquanto James gritar "Whiplash!" ou "Die by my hand, I creep across the land" em suas apresentações ao vivo, ainda continuarão fazendo com que pessoas que talvez jamais iriam saber o que era Thrash Metal, se interessem pelo gênero e busquem conhecimento sobre outros nomes relevantes.
Particularmente, não considero o trabalho atual do Metallica como merecedor de muitos elogios e tão pouco de críticas exacerbadas, mas sou totalmente a favor da banda continuar a lotar arenas e tocar os seus clássicos para a molecada que só conhece bandas alternativas teens de pseudo Metal.
Devo iniciar esta resenha deixando claro que não escrevo para satisfazer fãs fanáticos e muito menos haters de plantão, portanto se resolver seguir adiante, tenha em mente que o que vai ler é uma análise que tenta fazer o máximo de justiça possível com relação ao novo disco, ponderando prós e contras, enaltecendo os bons momentos e também tecendo críticas quando necessário.
O Metallica desde os anos 90 divide opiniões e é praticamente impossível um novo álbum da banda não gerar sentimentos de amor e ódio. Isso é perfeitamente entendível, já que o quarteto de Los Angeles nunca se preocupou em seguir uma mesma fórmula para executar sua música. Depois de conquistar uma base sólida de fãs com seus quatro primeiros discos e chegar ao estrelato com o quinto, o grupo resolveu fazer uma série de experimentações em seus trabalhos subsequentes e como não poderia deixar de ser, causou muita polêmica.
Os fãs antigos se distanciaram e em contrapartida, a banda arrebatou uma nova geração de seguidores. Essa divisão é a grande responsável pela guerra de opiniões que temos hoje e enquanto muitos dos headbangers que acompanharam o Metallica em seu início, não medem palavras para criticar os registros mais recentes, a maioria dos fãs que foram arrebatados nos anos 90 possuem uma visão totalmente diferente, defendendo a idéia de que a banda sempre se transmutou e, sendo assim, não pode ser condenada pelas mudanças e pelo distanciamento do Thrash Metal.
Sempre que um disco do Metallica é lançado, o mundo da música pesada entra em ebulição e o que mais podemos ver são análises de fãs apaixonados, onde independentemente da qualidade do material, vão dizer que se trata de uma obra prima inconteste. É bem comum também a postura radical dos fãs que odeiam odiar a banda e mesmo que o álbum seja muito bom, como é o caso de "Hardwired…To Self-Destruct", irão desmerecer, taxar, fazer acusações e tentar impor a "má qualidade" do disco.
Acredito que pela diversidade musical encontrada em toda a discografia do grupo, é um erro primal e imperdoável ouvir o novo registro esperando uma sequência de "Master Of Puppets" ou de algum outro clássico do passado. O Metallica não é uma banda de Thrash Metal há muito tempo e o primeiro passo para uma audição satisfatória de "Hardwired…To Self-Destruct", é ter em mente que você irá ouvir um disco de Heavy Metal e apenas isso, sem demais classificações e principalmente, sem comparações descabidas. Obviamente que em algumas composições o disco irá lembrar uma passagem ou outra de algum momento do passado, porém isso não é uma regra.
Como sabemos, James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammet e Robert Trujillo, nos apresentam 12 novas músicas divididas em 2 CD's, o resultado disso são cerca de 77 minutos de Heavy Metal cru e simples, uma espécie de viagem por todo o acervo musical da banda. Se você escutar o álbum à procura apenas de boa música, irá encontrar todo o tipo de variação já feita pelo grupo, canções rápidas e viscerais como "Hardwired" e a avassaladora "Spit Out The Bone", canções cadenciadas, mas de extremo bom gosto como "Confusion" e "Now That We're Dead", canções com forte apelo midiático e refrões grudentos, caso de "Moth Into Flame", disparado o melhor refrão do disco e além disso, pérolas do porte de "Atlas Rise" e "ManUnkind".
É claro que nem tudo são rosas e temos alguns momentos em que a audição cai consideravelmente, particularmente não gostei de "Am I Savage" e "Halo On Fire", faixas arrastadas demais e sem aqueles momentos diferenciados que as outras composições apresentam. Ainda classifico "Here Comes The Revenge" e "Murder One" como músicas extremamente comuns e dispensáveis, não que sejam ruins, mas contrastam com o restante do registro e dão uma esfriada na audição.
Após ouvir cuidadosamente por diversas vezes, a impressão que "Hardwired…To Self-Destruct" deixa é a de que o Metallica acertou a mão novamente e lançou um trabalho muito bom, despojado e principalmente sincero. Apesar de ter gostado de "Death Magnetic", foi inevitável a sensação de que estavam forçando a barra e tentando desesperadamente soar como nos velhos tempos, já nesta nova empreitada não há nem sinal desse tipo de postura e tudo soa de maneira natural, o que parece é que os músicos finalmente chegaram a um consenso e deixaram com que a música simplesmente fluísse. O Resultado não poderia ser outro: satisfatório!
Talvez essa forçada de barra em fazer a banda soar Thrash novamente tenha vindo do produtor Rick Rubin e creio que seja até por esse motivo, que optaram por escolher Greg Fidelman dessa vez. James e Lars também participaram de produção e o novo trabalho soa como tem que soar, em qualquer uma das músicas o que você escuta é o Metallica sendo Metallica, como a muito tempo não se via. Poderia ser melhor? Poderia! Se descartássemos alguns exageros e diminuíssemos o número de canções, dando uma "enxugada" no material, ele certamente soaria mais dinâmico e aí sim, provavelmente teríamos uma obra realmente marcante e candidata a se tornar um clássico. Acredito que um tracklist de 8 faixas seria o ideal, porém é perfeitamente entendível as 12 canções, afinal a banda estava há 8 anos sem gravar, o que convenhamos, é totalmente desnecessário para uma banda do tamanho do Metallica.
Em suma, os fãs mais fervorosos podem e devem ficar extremamente contentes com o resultado final de "Hardwired…To Self-Destruct", pois ele supre todas as expectativas. É claro que discursos movidos apenas pela paixão, onde classificam o disco como algo épico e arrebatador devem ser descartados, mas temos enfim, um trabalho do Metallica que realmente não merece passar por toda essa explosão de críticas e discursos de ódio. Em minha humilde opinião, o disco não entra em uma lista de melhores do ano, porém passa a quilômetros de distância dos piores momentos do grupo e pode ser facilmente considerado como o melhor registro do Metallica desde "Black Album" (1991). Somente por este fato, já merece receber muitas ressalvas positivas.
Integrantes:
Lars Ulrich (bateria)
James Hetfield (guitarra e vocal)
Kirk Hammet (guitarra)
Robert Trujillo (baixo)
Faixas:
CD 01
01. Hardwired
02. Atlas, Rise!
03. Now That We're Dead
04. Moth into Flame
05. Dream No More
06. Halo on Fire
CD 02
01. Confusion
02. ManUNkind
03. Here Comes Revenge
04. Am I Savage?
05. Murder One
06. Spit Out the Bone
Como mencionei na análise o fato de que descartando algumas faixas, o disco possivelmente soaria mais dinâmico, vou propor uma brincadeira aqui e gostaria que o amigo leitor participasse. Montei um tracklist imaginário composto por apenas 8 faixas, inverti a sequência original e adicionei a faixa bônus "Lords Of Summer". Ouça o disco nessa ordem e opine se com menos composições e uma sequência diferente, "Hardwired…To Self-Destruct" ficaria ainda melhor.
Com o novo álbum do Metallica chegando as lojas nesta sexta feira, 18 de novembro, fecha-se o ciclo de lançamentos dos quatro grandes do Thrash estadunidense. A grande questão que fica pendente neste momento é: o saldo do Big Four foi positivo?
O Slayer foi o primeiro a lançar e em setembro de 2015 apresentou o surpreendente "Repentless". Sem contar com Dave Lombardo nas baquetas e com Gary Holt (Exodus) substituindo o saudoso Jeff Hanneman, falecido em 2013, a banda mostrou enorme superação e mesmo com a ausência de um dos seus dois grandes compositores, as faixas contidas no novo trabalho foram capazes de chamar a atenção até mesmo dos fãs mais antigos.
Logo no início de 2016, o próximo integrante do Big Four a colocar nas lojas seu mais novo disco foi o Megadeth. "Dystopia" foi lançado no final janeiro e apresentava a nova formação da banda, com o guitarrista brasileiro Kiko Loureiro (ex-Angra) e o baterista Chris Adler (Lamb Of God) ao lado de Dave Mustaine e David Ellefson. O registro agradou aos fãs com uma musicalidade moderna e um Thrash que prioriza o peso em detrimento da velocidade.
Um mês mais tarde foi a vez do Anthrax lançar o seu "For All Kings". A única mudança na formação foi a entrada de Jonathan Donais substituindo Rob Caggiano e o trabalho caiu nas graças de toda a mídia, sendo o disco mais vendido do grupo desde o início da década de 90. Diversas faixas fazem menção a fase inicial da banda e mesmo com algumas composições soando mais modernas, a audição é bem balanceada e agradou a grande maioria dos fãs.
Com Slayer, Megadeth e Anthrax lançando registros de peso, a expectativa foi toda direcionada para o Metallica. "Hardwired... To Self-Destruct" será lançado oficialmente em alguns dias, porém todos já devem ter escutado o material, pois o disco vazou na internet.
Em se tratando de Metallica, esperar por uma avaliação unânime do público ou imprensa é pedir muito e como já era esperado, o álbum dividiu opiniões. Não podemos classificar "Hardwired... To Self-Destruct" como Thrash Metal, acredito que o ideal seja Heavy Metal com alguns elementos de Thrash e duas músicas legitimamente Thrash ("Hardwired" e "Spit Out The Bone"). Se por um acaso você pensa que isso diminuiu o disco, está redondamente enganado, pois o novo trabalho de James, Lars, Kirk e Robert Trujillo, segue com a evolução e mudança de postura iniciada em "Death Magnetic" e traz um Metallica tocando de maneira despojada, sem experimentalismos desnecessários e sem mudanças drásticas.
O disco não é nem de longe inovador, porém passa a quilômetros de distância de tudo o que a banda fez nos esquecíveis anos 90 e início dos anos 2000. É o Metallica tocando Heavy Metal sem se preocupar com rótulos e só por esse motivo, já merece uma ressalva positiva. Para aqueles que argumentarem que nem de longe parece o Metallica dos velhos tempos, a minha resposta é simples, qual dos quatro trabalhos aqui apresentados lembra os melhores momentos do passado das respectivas bandas? Com exceção de algumas poucas músicas, nenhum deles foi composto pra se parecer com o passado glorioso, então o que vale pra um, vale pra todos.
Em um balanço geral, os quatro integrantes do Big Four apresentaram trabalhos dignos e confirmaram o ótimo momento do gênero. Se as bandas novas vem roubando a cena e lançando discos surpreendentes, os veteranos não vem deixando a desejar e também apresentam álbuns com qualidades inegáveis.
E como prometido, o Metallica liberou neste dia 31 de outubro, Dia Das Bruxas, mais uma canção que estará presente em seu vindouro novo álbum, o aguardado "Hardwired...To Self-Destruct".
O nome da composição é "Atlas, Rise!" e você pode conferi-la através do seguinte link:
A data do lançamento oficial do disco é no próximo dia 8 de novembro.
Durante á apresentação de ontem (27 de Setembro de 2016) realizado no Webster Hall, em Nova Iorque, o Metallica tocou pela primeira vez ao vivo a faixa "Moth Into Flame" do vindouro disco "Hardwired… To Self-Destruct".
Confira a execução da música através de um vídeo realizado por um fã:
Após 8 anos de hiato, o Metallica finalmente lançará o sucessor de "Death Magnetic" (2008). O nome do álbum será "Hardwired…To Self-Destruct" e tem previsão de lançamento para o dia 18 de novembro.
Juntamente com a data de lançamento e o nome do trabalho, o Metallica também disponibilizou o primeiro vídeo clipe oficial para a faixa "Hardwired", confira:
"Hardwired…To Self-Destruct" será um disco duplo, contendo cerca de 80 minutos de material inédito da banda. Uma segunda versão deluxe será comercializada e virá com um terceiro CD. Confira abaixo a arte de capa e o tracklist do álbum.
Nosso grande amigo Luís Henrique Campos, escreveu esta verdadeira pérola sobre o primeiro disco do Metallica.
Boa Leitura!
A internet, veículo criado com a intenção de disseminar a informação, deu um tiro no próprio pé a partir do momento que, como veículo de massa totalmente aberto à opinião de todos, transformou-se num purgatório de desinformação, conceitos pré estabelecidos, irracionalidade e necessidade de fama.
O fator principal dessa derrocada do esclarecimento de um fato histórico é a famigerada teoria da conspiração, que é, por origem filosófica, a hipótese especulativa degenerativa onde pessoas em conluio (confrarias) em prol de interesses próprios, através de arquitetação premeditada e tendenciosa, tomam como arma de manipulação um evento de embuste, de pouco embasamento que contraria a compreensão da verdade, mesmo que essa não absoluta. São tão absurdamente manipuláveis que tendem a evoluir pelo mecanismo da "inclusão" de provas contra sua própria fundamentação, de forma que causem a aparência de não falseáveis, movidas muito mais pela fé do que por qualquer episódio evidentemente comprovado.
Todo esse discurso para podermos divagar, dissertar e chegar à razão do quão portentosa e prejudicial é a informação corporativamente linear, tipo o paradoxal "livre arbítrio", pra lá e pra cá, navegando num plano sem a possibilidade de um terceiro caminho, hipótese única de algo tornar-se sólido, tridimensional.
Mas o que essa porra tem a ver com Metallica? Divaguemos pois...
Apesar de o álbum "Kill'em All" ter muito pouco ou quase nada de thrash metal, é inexoravelmente indiscutível sua importância para a fomentação dos alicerces que comporiam mais tarde toda a estrutura de sustentação da vertente, conhecida como "pilares do thrash metal".
À época já era evidente a cultura da rebeldia e do anarquismo, contrários ao psicodelismo setentista de "viagens astrais" [sic!] do universo clássico e progressivo do rock'n'roll. O punk rock inglês, o kaltrock alemão e a ressurreição do rockabilly influenciaram a gênese da NWOBHM, mas esta estava acorrentada aos grilhões da filosofia "nadavê" e da inércia e a juventude clamava por algo menos destrutivo, mas que ao mesmo tempo fosse destruidor, podemos assim dizer. Daí o aumento da velocidade, o culto ao obscuro, a verdade dita nas entrelinhas, o speed metal tomando forma e ganhando força. No entanto, a pobreza poética do visceral speed fez surgir a necessidade de um ruído mais dinâmico e ao mesmo tempo mais distorcido.
Kill'em All agrega exatamente esses componentes: Lirismo anarquista de livramento a la Schopenhauer e Nietzsche, estrutura musical simplista e mentes assoberbadas, ideias principalmente discutidas e difundidas em porões e garagens de pouco acesso a curiosos e críticos.
Estava deflagrado o poder da liberdade: Liberdade em criar!
Não importa se o Metallica usurpou esse ou aquele riff, essa ou aquela harmonia. Não importa se Mustaine foi chutado de lá, visto que dois bicudos não se beijam, e o egocentrismo em pauta, tanto dele quanto de Lars, só poderia dar em dissidência. O que importa é que eles criaram. Algo magistral. Único em toda face da terra.
Kill'em All é o único álbum que conseguiu emplacar mais de 10 riffs pegajosos e viciantes numa lista "Top10 Riffs Mais Pegajosos e Viciantes de Todos os Tempos".
O que dizer do riff de "Hit the Lights"? Absurdo, não? E o riff de "The Four Horsemen", este criação de Mustaine, mas que em "The Mechanix", apesar de ser o mesmo, é frouxo e sem sal, mesmo com toda virtuose do pato, predicado que passa longe de Hetfield ou Hammett.
A cavalgada em "Motorbreath" é um grude só e, em "Jump in the Fire" é coisa de se ouvir um sem número de vezes consecutivamente sem enjoar.
Até a chatice inicial de "Pulling Teeth", que, na verdade, é coisa de arrancar-se vários dentes sem anestesia, deixa qualquer um extasiado (ou anestesiado) pra poder conter-se em sua cadeira e não sair por aí destruindo tudo a chicotadas, como sugere o riff de "Whiplash", este que considero o mais visceral e pegajoso de todos os tempos.
"Pahntom Lord" é na mesma pegada de "Whiplash" e, em "No Remorse", o riff batidão é bem sugestivo para aquela repetitiva martelada na cabeça quando arquitetamos algum plano mal intencionado que, se idealizado, não nos venha causar remorso algum.
Em "Seek and Destroy" consta o riff que por mais tempo pode habitar a cabeça de um mortal sem danificar seu já quase desmiolado crânio. É algo tão alucinante que os menos atentos nem percebem a sensação de ter-se algo grudado na mente sem que nenhuma força do universo tenha a capacidade de extraí-la sem deixar sequelas.
Pra fechar essa obra revolucionária, a ultra veloz "Metal Militia" com outro dos mais sensacionais riffs que a eternidade pode proporcionar. Isso sem contar os diversos riffs intermediários de diversas passagens do álbum, uma verdadeira rifferama orgasmático-auricular.
Toda essa narrativa pra lembrar a vocês, caros leitores, que a banda Metallica sobrevive graças a esta criação do longínquo passado e às tantas teorias conspiracionistas sobre seus integrantes e, principalmente, sobre as intenções megalomaníacas de seu líder e fundador Lars Ulrich, um empresário bem sucedido que conquistou seu império com trabalho árduo, mas fazendo as coisas que gosta: vendendo seu produto de gosto duvidoso a abestalhados headbangers de ocasião sob a batuta de sua obra primeira que rendeu-lhe (e aos demais componentes da banda) a fama necessária pra poder gozar a vida coçando os sacos, dele e de Hammett, como sugerem tais teorias.
"Kill'em All" é uma obra que um dia foi underground, lá pelos anos 80, pois a intenção dos garotos na ocasião era ser underground, era fazer o proibido, o pouco aceito pelas convenções, era dar vazão à liberdade, sem a interferência de abutres da midia e sem intenções clara e exclusivamente monetárias, e eu tenho a prova aqui em vinil. Kill'em All é uma obra que ainda é underground, pois, apenas aqueles que realmente conhecem sua criação dão o devido valor. Aqueles que citam o debut do Metallica movidos pela onda da massificação são, verdadeiramente, papagaios de pirata que querem sair na foto, mesmo que de caricatura estereotipada, confundidos pelas semelhanças e ignorados pela pouca importância. Eu conheço vários fanáticos xiitas da banda e, quando os questiono sobre a história da mesma, quase, se não todos, desconversam como religiosos quando encurralados sobre sua incoerente crença, porém, quando pressiono não vejo os hits de "Kill'em All" nas playlists de seus celulares "funkeiros" e "alvejantes setefloristas: "- O importante é que eu curto o som dos caras!" é o que dizem.
Esqueçam o vindouro álbum da banda! Não será merda que o valha. Essa é a predisposição de uma banda que esqueceu o que é feeling, alma, liberdade. Umas das tantas que hoje não valem 30 moedas. Não porque sejam traidores de qualquer movimento anarquista, mas pelo abuso da autoridade e glória que a eles não mais pertence.
É, agora parece que é sério mesmo e não teremos que esperar muito mais para ouvir o que Lars, James, Kirk e Trujillo conceberam. Segundo James Hetfield, em entrevista concedida a NBC, o novo álbum está completamente gravado e se encontra em processo de mixagem, confira a declaração:
"Nós estamos mixando o álbum agora, por isso não vejo a hora dele ser lançado e ver ele chegar aos ouvidos das pessoas, estamos super empolgados sobre isso, tem levado um tempo para chegarmos ao resultado final e você sabe, isso é o que fazemos, adoramos tocar e o próximo álbum é exatamente o que queríamos que fosse. Por isso me sinto animado com o lançamento."
Em uma entrevista anterior ao Metal Forces, o baterista Lars Ulrich contou que a partir de junho, começariam a decidir o nome do álbum, portanto após 8 anos, finalmente teremos material inédito do Metallica novamente.