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Accept - "The Rise Of Chaos" (2017)

Nuclear Blast

Mundo Metal [ Lançamento ]



Se você tem o hábito de assistir os telejornais diários, se interessa pela política mundial, acompanha os conflitos internacionais e tem um mínimo de percepção, provavelmente deve estar assustado e convicto que o mundo está a beira de um colapso. São inúmeras crises, revoluções, guerras, jogadas políticas e pontos de tensão espalhados por todo o globo, nunca se falou tanto em uma possível terceira guerra e os principais líderes mundiais parecem não estar muito preocupados com nada disso. Muito pelo contrário, eles colaboram de forma velada e muitas vezes, poderíamos até jurar que de maneira intencional, para o tal "surgimento do caos".

Tudo vai de mal a pior e apesar do Heavy Metal ser apenas um gênero musical, o estilo sempre possuiu bandas politizadas e capazes de passar mensagens importantes através de suas letras. Com uma situação amedrontadora e extremamente desfavorável como a atual, não foi nenhuma surpresa o conteúdo lírico que o Accept escolheu para seu mais novo trabalho de estúdio. Wolf Hoffmann e Peter Baltes, os dois membros originais e principal núcleo criativo da banda, se concentraram em temas cabais e explicitaram com brilhantismo a desordem que arrebata a sociedade atual.  

"The Rise Of Chaos" nos traz dez composições forjadas no mais puro aço, sem invencionices ou novas fórmulas e é constituído de tudo aquilo que fez do quinteto alemão o que ele é hoje. Estão presentes os riffs assassinos, a cozinha segura, os vocais fortes, os backing vocals bem encaixados e os refrões que grudam instantaneamente no seu subconsciente. Se você é um fã da banda, sabe mais ou menos o que esperar e, caso seja um ouvinte de primeira viagem, este disco certamente irá lhe impressionar.

Este é o quarto registro após o retorno da banda em 2010 e o primeiro sem dois membros da formação clássica. O guitarrista Herman Frank e o baterista Stefan Schwarzmann foram substituídos pelo ex-Grave Digger Uwe Lulis e o novato Christopher Williams. O Accept aposta mais uma vez na sua fórmula manjada, porém funcional de sempre e, como em time que está ganhando não se meche, a sonoridade do novo disco é uma eventual continuação do que vinha sendo apresentado nos ótimos "Blood Of The Nations" (2010), "Stalingrad" (2012) e "Blind Rage" (2014). 

O álbum se incia com a candidata a clássico "Die By The Sword". Com ritmo furioso, riff marcante e os vocais frenéticos de Mark Tornillo, a canção é quase um ode ao final dos tempos. Em seus primeiros versos fica claro o rumo sombrio proposto: "O mundo que nos rodeia está congelado pelo terror/ O equilíbrio do poder é uma coisa do passado/ Qualquer traço humano foi abandonado/ Estamos apenas afogando as almas em um rio de sangue.". E isso não é tudo, pois a letra escrita por Wolf, antes de nos avisar que "se você vive pela espada, você irá morrer pela espada", ainda traz a verdade assustadora: "Perdemos toda a compaixão e amor/ Lançamos nossas almas no vazio".


"Hole In The Head" vem logo na sequência e traz à tona o problema da adicção. Certamente, a questão das drogas não poderia ficar de fora em um disco como este e, sob um ritmo cadenciado e com um refrão perturbador, a mensagem fica clara: "Você me seduziu como um vampiro/ Você é uma maldição para toda a humanidade/ Um beijo da morte auto-infligido/ como eu pude ser tão cego."

A energia do Heavy Metal sobrepuja a cadência e quando a faixa título aparece, ela chega acompanhada de uma explosão de riffs e linhas certeiras, o ritmo é empolgante e a previsão soa quase como um anúncio: "É o começo do fim/ É o surgimento do caos". Um dos grandes destaques do álbum.

Se a proposta é abordar os grandes males do mundo, é claro que a lavagem cerebral imposta pelas instituições religiosas sempre terá cadeira cativa. Em "Koolaid", temos mais uma composição candidata a clássico e através de um andamento altamente cativante (beirando o Hard Rock), o Accept nos conta a real história dos fiéis levados à morte pelo pregador Jim Jones no final dos anos 70. Este foi o maior suicídio em massa da história, com mais de 900 pessoas mortas por envenenamento. Todas foram convencidas a tomar uma espécie de elixir salvador que as levariam ao paraíso, mas que na prática apenas serviu para ceifar suas vidas. O recado dado é bem direto: "Não beba o Koolaid!", em outras palavras, não seja um rebanho, não aja feito um idiota manipulado.

"No Regrets" é uma das mais rápidas e pesadas do disco e devo ressaltar o trabalho da parte rítmica, principalmente do estreante Christopher Williams. A canção fala sobre viver intensamente e não se arrepender de atitudes ou escolhas tomadas, apenas seguir em frente sem olhar pra traz. Apesar de todo o caos implantado, é preciso ter esperança em dias melhores.

Passando da metade da audição, um tema "diferente" aparece na grudenta "Analog Man". A tecnologia é uma realidade no mundo atual e ao mesmo tempo em que estamos envoltos em termos como updates, downloads, streamings e etc, somos convidados a conhecer um cara que não se enquadra no meio de todo esse avanço. "Eu nasci em uma caverna/ Onde o estéreo era responsável por toda a raiva/ O vinil com oito faixas governava o mundo/ Agora há telas planas em 3D/ Meu smartphone é mais inteligente do que eu/ Não consigo continuar, meu cérebro está começando a ferver.". Na verdade, esta faixa é uma brincadeira de Wolf e a letra faz referência a Mark Tornillo, o "homem analógico preso em um mundo digital".


Após um belíssimo momento de irreverência em meio a tantos assuntos preocupantes, "What Is Done Is Done" chega pra retomar a sobriedade e nos avisar que não se pode voltar atrás, você precisa pensar bem no que vai fazer por que "o que está feito, está feito". Se a bala deixar a arma, ela vai atingir o alvo e isso não pode ser mudado, as consequências precisam ser enfrentadas. O refrão é um dos mais pegajosos do disco e o trabalho de guitarras realizado por Wolf e Uwe merece nota.

Nos aproximando do final, "Worlds Colliding" apresenta a batalha interna que todos nós travamos com nosso eu interior. O certo e o errado, o bem e o mal, o ético e o antiético, tudo acontecendo ao mesmo tempo e gritando dentro de você. Aqui somos apresentados aos nossos conflitos e o dever de tomar decisões que afetarão não apenas as nossas vidas, mas a de todos que nos rodeiam. A idéia central é mostrar que as nossas escolhas influenciam e contribuem para o caos instaurado no mundo e a reflexão sobre o tema ainda evidencia que esse caos vem, na verdade, de dentro de cada um de nós.

"Carry The Weight" é detentora de ótimas melodias e é uma canção pulsante, as linhas de guitarra se destacam e o refrão é daqueles que você escuta uma única vez e já sai cantarolando.  O tema central é a manipulação ao qual somos impostos, existem pessoas fazendo acordos, tomando decisões e decidindo o rumo de nossas vidas, você não pode carregar o peso do mundo nas suas costas, mas precisa acordar e enxergar o que realmente está acontecendo debaixo do seu nariz. "Mais aviões caem do céu/ Olhe ao seu redor, inundações e terremotos/ Grandes corporações recebem isenções fiscais/ O euro está em baixa e agora há o Brexit/ O mundo está quebrado e você não pode consertá-lo". É uma letra assustadora, porém muito lúcida e faz uma ponte perfeita para o momento derradeiro do disco.

O encerramento traz a faixa mais pesada do álbum e como o título "Race To Extinction" sugere, retrata a nossa caminhada a largos passos para a extinção. É claro que o registro nos remete a assuntos pra lá de preocupantes, porém o Accept faz questão de nos dizer que a batalha não está perdida: "Podemos mudar essa história/ Nos adaptar e nos comprometer/ O equilíbrio é nossa prioridade/ Abra seus olhos".

Para os menos realistas que esperavam um disco capaz de reinventar a roda ou revolucionar a forma como o estilo é tocado, provavelmente "The Rise Of Chaos" não deve passar de um trabalho comum. Já os ouvintes pés no chão, aqueles que tem convicção de que um "mais do mesmo" bem executado sempre é melhor do que qualquer invencionice nonsense, certamente compreenderão a proposta e irão absorver muito melhor o conteúdo apresentado pela banda. É também importante mencionar que em todas as oportunidades que o Accept tentou se arriscar e percorrer caminhos diferentes do habitual, foi alvo de muitas críticas, sendo assim, é quase uma loucura imaginar que depois de três registros elogiadíssimos e muito bem sucedidos, Wolf e cia pudessem tentar algo fora da sua zona de segurança. Não iriam.


Hoje, o Accept é uma banda veterana extremamente consciente e conhecedora de todos os seus limites, talvez este seja o seu maior trunfo. Tendo em vista que um arroz com feijão bem temperado e bem feito é sempre mais saboroso que um prato caro, requintado e que não te sustenta, espero que os alemães mantenham exatamente a mesma categoria e classe ao compor novos álbuns. A nova empreitada dos alemães é certamente mais um gol de placa anotado em 2017.

Nota: 8,8
*Nota do site The Metal Club: 7.63

Formação:

Mark Tornillo (vocal)
Wolf Hoffmann (guitarra)
Uwe Lulis (guitarra)
Peter Baltes (baixo)
Christopher Williams (bateria)

Faixas:

1. Die By the Sword
2. Hole in the Head
3. The Rise of Chaos
4. Koolaid
5. No Regrets
6. Analog Man
7. What’s Done Is Done
8. Worlds Colliding
9. Carry the Weight
10. Race to Extinction

Redigido por Fabio Reis

*A nota do site The Metal Club é sujeita a modificações de acordo com as avaliações dos seus usuários. Acesse, avalie e veja se sua nota bate com a nossa:

Accept: novo álbum e show histórico no Wacken


O novo trabalho do Accept já tem título e data de lançamento, ele se chamará "The Rise Of Chaos" e será apresentado no dia 4 de agosto via Nuclear Blast. O álbum será o quarto disco que contará com os vocais de Mark Tornillo e promete manter o grupo em franca ascensão. 

Antes disso, no dia 3 de agosto, os mestres alemães se apresentarão no mítico festival Wacken Open Air, na tradicional "Night To Remember". O show será dividido em três partes e promete ser um espetáculo fabuloso. 

Na primeira parte, a 'banda tocará um set clássico, com faixas de todas as fases de sua importante trajetória, na segunda teremos o guitarrista Wolf Hoffmann interpretando algumas canções de seu último disco solo ("Headbangers Symphony") ao lado da Czech National Symphony Orchestra e por fim, na última etapa, o Accpet volta ao palco para tocar mais algumas músicas também na cia da Orquestra Tcheca. 

Segundo Wolf: "É sempre impressionante ver como as bandas levam esta noite a sério e quanto amor os artistas e a equipe organizadora colocam em seu trabalho para obter um resultado satisfatório. É uma grande tradição que destaca e documenta como nenhuma outra, o nível elevado da comunidade do Rock internacional. Queremos apresentar algo que o Accept nunca fez antes e esperamos dar algo realmente especial para os nossos fãs."

Accept: do menos expressivo ao melhor álbum


A sessão “do mais fraco ao melhor” foi criada com o objetivo de tentar elencar os álbums de determinadas bandas, do menos expressivo ao mais significativo. Os critérios usados para o ranking são diversos, como aceitação crítica do álbum em questão, importância do lançamento para a época, nível técnico em comparação a outros trabalhos da banda e fator diversão (obviamente), entre outros. Note que não há aqui certezas ou leis, apenas uma análise feita por mim para decidir a ordem dos álbums baseado nas informações acima e, portanto, se seu álbum favorito estiver abaixo no ranking ou se aquele play que você acha uma merda estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata. De qualquer forma, tentarei potencializar ao máximo os critérios técnicos acima e minimizar interferências pessoais.


Essa semana, uma das maiores bandas da história do universo conhecido e desconhecido, a esmagadora de bolas na parede e detentora do coração de metal, o Accept. Obviamente não preciso ficar falando das origens e história dos caras aqui porque todo mundo já conhece. Aliando as porradas do Heavy Metal com a característica veia erudita de seu criador e chefinho Wolf Hoffmann e o som sexy e cheio de peso do co-criador e dono dos cachinhos mais bem tratados do mundo do Metal, Peter Baltes, os Alemães são respeitados e amados ao redor do globo e nos surpreendem cada dia mais com vigor e amor à música ímpares. Vamos então revisitar a carreira vencedora dos eternos rebeldes e mestres do Metal teutônico, ‘cause we are Restless and Wild!

14 – Accept (1979)


O começo da carreira gloriosa e destruidora não foi tão glorioso assim. Accept  é um álbum extremamente cru e mostra um nível de imaturidade grande de Wolf, Baltes, Udo e companhia. Claro, temos aqui boas faixas como “Seawinds” e “Street Fighter”, mas o play não consegue se segurar numa posição elevada nessa discografia tão monstruosa. 

13 – Eat the Heat (1989)


Olha ele aí: o infame e irrisório Eat the Heat. Em uma clara tentativa de abraçar o mercado mainstream dos EUA, Wolf e seus comparsas recrutaram o então garoto David Reece e partiram para a estrada do Hard Rock, abandonando quase que completamente o Heavy Metal. O produto desse devaneio, você já sabe.

12 – Predator (1996)


Predator é o último álbum antes da segunda parada da banda e último com o gremlin Udo Dirkschneider nos vocais. Claramente fadigados e com vários problemas de relacionamento, os membros parecem tocar por obrigação no play e não passam muita segurança e feeling nas músicas. Há aqui, porém, boas canções como “Hard Attack”, “It Ain’t Over Yet” e “Crucified”.

11 – I’m a Rebel (1980)


Mais experientes e rodados, os garotos melhoram muito o nível do debut com esse play muito divertido, mas ainda em forma de proto-Heavy Metal. Alguns deslizes aqui e ali e uma produção abaixo da média (até para a época) derrubam I’m a Rebel e o fazem figurar em uma posição desconfortável.

10 – Deathrow (1994)


Muitos chamam Deathrow de o ‘Painkiller do Accept’, o que faz todo o sentido se olharmos pelo lado do peso e velocidade. Aqui é porrada atrás de porrada e Udo soa melhor do que nunca; as guitarras de Wolf estão mais pesadas e a cozinha de Baltes e Stefan Kaufmann esta impecável. 

9 – Objection Overruled (1993)


Objection Overruled é como uma mescla do Accept clássico e o que veríamos posteriormente em Deathrow. Aliando peso, feeling e um sentimento de revigoramento, o álbum foi aclamado por fãs e crítica na época como um retorno (quase) perfeito de uma lenda do Heavy Metal. Ótimo.

8 – Blind Rage (2014)


Álbum mais recente dos caras (até a data de publicação desse ranking), Blind Rage continua a nova trilogia com Mark Tornillo de forma competente e divertida. Não tem, porém, músicas tão marcantes quanto seus antecessores e peca um pouco no fator replay. É uma mescla, na realidade, de seus dois irmãos mais velhos que não possui tanta qualidade.

7 – Stalingrad: Brothers in Death (2012)


A sequência devastadora de um álbum magnífico. “Hung, Drawn and Quartered” já entrega a pancadaria desenfreada que vai ser o play, e músicas magistrais como “Shadow Soldiers” e “Revolution” mostram que Wolf e companhia não estavam pra brincadeiras e iriam continuar nos presenteando com som de qualidade por muito tempo.

6 – Russian Roulette (1986)


“Monster Man”, “TV War”, “Heaven Is Hell”…Russian Roulette é um dos meus álbums favoritos do Accept e foi muito difícil não coloca-lo em uma posição de maior destaque, mas as pepitas de ouro abaixo não me deixaram adotar a saída da paixão. Fica aqui também a menção honrosa da melhor capa do Accept em todos os tempos, com o nanico Udo tendo que praticamente ficar em pé pra se manter na mesma altura que seus camaradas.

5 – Breaker (1981)


Como disse Fabio Reis, não poderia deixar de colocar o Breaker no top 5 dos Alemães de jeito nenhum. “Starlight”, “Breaker”, “Son of a Bitch”, “Midnight Highway”; são muitos clássicos e o começo do auge que duraria quase uma década inteira. Mandatório.

4 – Blood of the Nations (2010)


Narizes torceram, sombrancelhas se levantaram e pontos de interrogação pairavam no ar e nas cabeças de todos os fãs com mais um retorno do Accept, agora sem seu frontman e membro mais carismático. E então vêm os primeiros acordes de “Beat the Bastards”, como um recado aos bastardos céticos que esperavam um álbum meia-boca. Ao invés disso, os vocais rasgados de Tornillo e uma faísca de inspiração de Wolf e Baltes tornaram Blood of the Nations um dos maiores retornos de uma banda na história da música. Não concorda? Você é dodói.

3 – Metal Heart (1985)


E aqui começa a trinca de ouro dos tiozinhos mais porradeiros da Alemanha. Metal Heart dispensa apresentações e ilustra o que todo headbanger sente: o orgulho de viver pelo metal, de sentir-se livre. É um álbum quase perfeito e definitivamente um dos melhores da década de 1980.  

2 – Balls to the Wall (1984)


Talvez um dos álbums mais icônicos de todos os tempos. Balls to the Wall tem todos os ingredientes necessários para formar um clássico: feeling único, verdadeiros hinos do estilo com a faixa-título, “London Leatherboys”, “Head Over Heels”, “Turn Me On” e “Winter Dreams”, atitude transbordando dos membros e muita, mas muita diversão. Uma verdadeira jóia do Heavy Metal mundial e um play respeitado por todos.

1 – Restless and Wild (1982)


O trabalho começa com “Fast as a Shark” e termina com “Princess of the Dawn”, esta bom ou quer mais? Vou deixar o tracklist aqui embaixo pra você mesmo avaliar o motivo pelo qual Restless and Wild é o melhor álbum da rica história do Accept. Caso tenha dúvidas, leia o tracklist de novo. Esse, meu amigo, é o que chamamos de álbum perfeito.

1 – Fast as a Shark
2 – Restless and Wild
3 – Ahead of the Pack
4 – Shake Your Heads
5 – Neon Nights
6 – Get Ready
7 – Demon’s Night
8 – Flash Rockin’ Man
9 – Don’t Go Stealing My Soul Away

10 – Princess of the Dawn

por Bruno Medeiros


Accept: "Mark pode cantar qualquer coisa que eu componha. Com Udo, era muito mais limitado"


O lendário guitarrista Wolf Hoffmann, foi entrevistado pelo "One On One With Mitch Lafon" e conversou abertamente sobre diversos assuntos referentes ao Accept. Abaixo, os trechos mais relevantes da conversa.

Sobre o novo álbum:

"Bem, nós estamos agora trabalhando duro para chegar a um número de canções suficientes para preencher um álbum. Peter está compondo o tempo todo, e nós estamos apenas passando por algumas ideias que temos recolhido ao longo do tempo e estamos escrevendo coisas novas sempre. Quando tivermos o suficiente, aí sim, vamos chamar Andy Sneap (produtor), chamar os outros caras, Mark e todo mundo, juntá-los e começar a trabalhar na gravação do novo álbum, acredito que vamos gravá-lo este ano, é este o objetivo, e então nós vamos lançá-lo no próximo ano, em 2017."

Como o Accept encara o lançamento de seus mais recentes álbuns:

"Para nós, é um processo muito importante, especialmente desde que escolhemos fazer a nossa reunião com Mark, o novo vocalista, nós realmente queríamos mostrar para os fãs e para nós mesmos que ainda poderíamos escrever novas canções relevantes, e é por isso que nós fizemos três álbuns em cinco ou seis anos, realmente os botamos pra fora, um após o outro e esses três álbuns são, de acordo com o ponto de vista de diversos fãs, tão fortes como a maioria das coisas que fizemos na década de oitenta, se não mais fortes, então eu acho que é muito importante para nós chegarmos a novas canções, porque você sabe, uma vez que você parar de tentar ou ficar apenas vivendo no passado, isso não seria  bom, tentamos permanecer relevantes e os fãs realmente apreciam isso."

Sobre Mark Tornillo e o produtor Andy Sneap:

"Ele nos inspirou muito a escrever canções, porque de repente, ele pode cantar muito bem qualquer coisa que eu componha. Com Udo, era muito mais limitado, tanto o que funcionou como o que não funcionou e Mark, cara, tudo que Peter e eu mostramos, ele pode executar e com isso, abriu muitas portas musicalmente, nos inspirou totalmente. Mas como eu disse antes, nós sempre nos manteremos perto do que os fãs do Accept estão querendo ouvir de nós, poderíamos escrever um monte de material que iria por outras direções e gêneros, mas nossos fãs realmente não apreciam muito e isso é também onde Andy Sneap entrou, especialmente durante a gravação de "Blood of The Nations" (2010). Ele de alguma forma, nos fez permanecer fiéis a nosso estilo, porque ele cresceu sendo um fã do Accept e ouvia nossos velhos álbuns, então ele entrou com a expectativa de "Tudo bem, vamos fazer mais um grande álbum do Accept, mas quero que soe como o que um fã do Accept gostaria de ouvir." Hoje é até que a morte nos separe, Andy Sneap é o cara (risos) Bem, ele é parte da família agora. Nós queremos que ele seja o produtor sempre, está definitivamente a bordo. Se ele tem tempo, nós definitivamente queremos que ele seja o único produtor, absolutamente."

Sem dúvidas, o Accept vive um grande momento e a sequência de lançamentos atuais, é das mais respeitáveis, dignas e competentes. "Blood Of The Nations" (2010), "Stalingrad" (2012) e "Blind Rage" (2014), é talvez a maior trinca lançada por uma banda veterana e conseguiu o que muitos grandes nomes tentam e poucos conseguem, apresentar novos clássicos. Nestes três discos, temos uma seleção de excepcionais composições que hoje em dia, são indispensáveis em uma apresentação da banda.

Clássicos: Accept - "Restless And Wild" (1982)


Ouvir "Restless And Wild" hoje e chamá-lo de clássico ou fundamental é uma tarefa fácil, porém sempre que escrevo sobre discos dessa grandeza, gosto de ambientar o leitor na época em que o álbum foi lançado. Neste caso em específico, tal intento é importantíssimo para que se tenha uma noção exata do que o Accept proporcionou ao Metal através de seu quarto trabalho de estúdio, sendo assim, bem vindo a 1982.

A NWOBHM estava em ebulição na Grã Bretanha e começava a influenciar diretamente na musicalidade de diversas bandas ao redor do mundo. O Accept nesta época, havia lançado dois álbuns que não emplacaram e apenas com seu terceiro trabalho, o magistral "Breaker" (1981), o grupo realmente se profissionalizou e passou a ter um produtor, empresário e a estrutura básica necessária. 

A atenção de todos estava voltada para a Inglaterra e só pra termos uma noção do que rolava, o Maiden havia lançado "The Number Of The Beast" em março, o Motorhead apresentou "Iron Fist" em abril e o Judas Priest, "Screaming For Vengeance" em julho. Não era fácil concorrer com os ingleses nessa época e mesmo em países longe da Europa, tínhamos grandes obras sendo concebidas, um exemplo é o debut do Manowar, "Battle Hymns", que chegou as lojas em junho.  

Foi em meio a esse turbilhão de clássicos absolutos que o até então modesto Accept, resolveu entrar em cena literalmente chutando a porta da frente e mostrando que a Alemanha queria dar a sua versão dos fatos. 

No dia 2 de Outubro de 1982, quando "Restless And Wild" foi oficialmente lançado e os primeiros headbangers tiveram acesso a primeira faixa do lado A, onde a mítica introdução, "heidi heido heida heidi heido heida heidi heido heida hahahahahahaha "  é rispidamente interrompida pelo som de um disco sendo riscado e o grito cortante e estridente de UDO Dirkschnider dá início ao hino "Fast As A Shark", o Heavy Metal acabava de ganhar mais um ícone.

"Fast As A Shark", é simplesmente uma das músicas de maior impacto sobre a cena Metal da época, influenciando diretamente na criação de estilos como o Speed Metal, Power Metal e até mesmo, uma referência para o Thrash que surgiria em seguida. Só que... o álbum era muito mais que a sua faixa de abertura!


Este é um daqueles raros casos onde a banda acerta em cheio no alvo e consegue conceber uma obra impecável, sem deslizes e absolutamente todas as suas músicas são acima da média. Durante a audição do disco, são desfilados clássicos e mais clássicos, "Restless And Wild", "Ahead Of The Pack", "Neon Nights", "Flash Rockin' Man", "Princess Of The Dawn" (a minha favorita), além da já mencionada canção de abertura. 

Os músicos apresentam performances fantásticas sem exceção e desde os vocais rasgados de UDO, os riffs e solos espetaculares de Wolf Hoffmann e a fantástica parte rítmica formada por Peter Baltes (baixo) e Stefan Kaufmann (bateria), o grupo mostra uma funcionalidade assombrosa.

Foi através deste registro que o Accept deu o passo mais significante da sua carreira, passando a ser conhecido internacionalmente e abrindo caminho para uma sequência invejável de grandes lançamentos. A trinca iniciada em "Restless And Wild", seria finalizada alguns anos depois com os mega clássicos "Balls To The Wall" (1983) e "Metal Heart" (1985), sendo considerada até hoje, como a fase de ouro da banda.

1982 foi um ano de extrema importância para a música pesada e eleger um disco como o melhor do ano, além de ser uma questão de gosto pessoal, é uma injustiça com os demais lançamentos. O que podemos afirmar com total convicção, é que este é o disco "mais Metal" gravado no ano e nenhuma música conseguiu ser mais impactante que "Fast As A Shark". Um verdadeiro marco.

Obrigatório em qualquer coleção que se preze!


Integrantes:

Udo Dirkschneider (vocal)
Wolf Hoffmann (guitarra)
Peter Baltes (baixo)
Stefan Kaufmann (bateria)
Herman Frank (guitarra)*** 

*** não tocou no disco, porém foi creditado

Faixas:

 1. Fast As A Shark
 2. Restless And Wild
 3. Ahead Of The Pack
 4. Shake Your Heads
 5. Neon Nights
 6. Get Ready
 7. Demon's Night
 8. Flash Rockin' Man
 9. Don't Go Stealing My Soul Away
10. Princess Of The Dawn

por Fabio Reis

Wolf Hoffmann: ouça a faixa "Scherzo"


O segundo álbum solo do lendário guitarrista do Accept, será lançado no dia 1 de julho e se chamará "Headbangers Symphony". Nele, Wolf Hoffmann mostrará versões da música clássica adaptadas ao Heavy Metal, a primeira faixa disponibilizada para audição é "Scherzo", uma adaptação do compositor alemão Ludwig van Beethoven. Confira o resultado no link abaixo:




Accept: UDO aceitaria fazer um show de despedida?



Como todos sabem, apesar da carreira solo de UDO ser de certa forma sólida, ela nunca teve a mesma magnitude ou o reconhecimento de seus tempos de Accept. O vocalista participou de uma série de shows com a banda e em 2005 resolveu não participar da reunião definitiva.

Para sorte do Accept e azar do baixinho, Mark Tornillo foi chamado para integrar o grupo e com ele, a banda deslanchou lançando três álbuns excepcionais.

Enquanto isso, UDO continuou lançando discos que nem de longe rendem a ele o sucesso de sua ex-banda e para piorar, começou a fazer shows tocando apenas músicas do Accept, o pretexto é o de que está será a última turnê que tocará tais músicas.

Em uma entrevista ao Rockpages.gr, UDO foi questionado se aceitaria fazer um último show com o Accept, eis a resposta:

“Se Wolf ou Peter me telefonassem e fizessem o convite, o que acredito que nunca aconteceria, simplesmente responderia a eles ‘divirtam-se e bye bye’."

Me engana que eu gosto!


Discos Trintões: Accept - “Russian Roulette” (1986)


Muito do respeito e historia que o nome Accept carrega foi conseguido graças a sua fase clássica que consiste nos 7 primeiros álbuns da banda. Em 1986 o ultimo registro dessa fase era apresentado ao mundo e “Russian Roulette” marca a despedida de Udo Dirkschneider e Jörg Fischer do grupo.

O disco tinha a dificílima missão de ser o sucessor do aclamado “Metal Heart”(1985), sabendo disso a banda não poupou esforços e já no ano seguinte, entregou aos fãs 10 novas faixas que juntas totalizam quase 44 minutos do que podemos chamar de uma verdadeira aula de musica pesada.

Já na primeira canção, a clássica “TV War”, percebemos o primeiro destaque do disco, o baterista Stefan Kaufmann, com bumbos duplos rápidos e muito bem executados. No decorrer das faixas é nítido como Stefan tem um repertorio variado nas baquetas e não se limita apenas a usar velocidade e força.
Nas 4 cordas, Peter Baltes mais uma vez mostra a sua tradicional consistência, as linhas são audíveis e destacam-se em meio ao instrumental, em partes pontuais de algumas faixas, Peter ainda atua como protagonista como por exemplo na música “It's Hard To Find A Way”.

O vocal de Udo Dirkschneider dispensa apresentações, o “baixinho” simplesmente é genial e nesse, que seria seu ultimo trabalho no grupo antes do magistral retorno em “Objection Overruled”(1993), analisar e elogiar  individualmente a sua contribuição é apenas chover no molhado.  Udo tem lugar garantido no hall dos mais emblemáticos vocalistas do Hevay Metal, ao lado é claro de nomes como Dio, Halford e King Diamond, entre outros.


Os guitarristas Wolf Hoffmann e Jörg Fischer são a “dupla dinâmica” das guitarras, Jörg assim como Udo, sai da banda pela porta da frente, ajudando a compor todos os excelentes riffs desenvolvidos no disco e ainda que sobrem elogios ao trabalho de Fischer, os solos do Sr. Hoffmann são memoráveis e merecem o devido destaque. O guitarrista está entre aqueles que podemos e devemos considerar gênios da música pesada, o que Wolf fez e ainda faz pelo Heavy Metal e pelo Accept, é comparável ao que Tony Iommi fez pelo Black Sabbath (logicamente sem comparar a dimensão das duas bandas). 

Os destaques do álbum são... O álbum por inteiro, afinal todas as faixas são ótimas e é muito difícil destacar duas ou três canções, visto que o alto nível desenvolvido é igualitário e bem distribuído em todas as dez composições. Este é um daqueles registros onde não se consegue parar de ouvir, conta com refrões viciantes, riffs deliciosos e letras muito bem escritas. 
  
Alguns problemas internos e divergências musicais, causaram uma ruptura em uma das mais sólidas bandas de todos os tempos e depois de “Russian Roulette”, demoraria alguns até o Accept se reestruturar totalmente e voltar a produzir material equiparável aos primeiros trabalhos. 

Atualmente, com a voz de Mark Tornillo, o grupo alemão ainda mostra toda a sua força e mesmo depois de tantos anos, servem de exemplo a outros nomes consagrados, já que o Accept ainda é capaz de criar e tocar como se estivesse no começo de sua carreira. Basta ouvir os últimos discos ou ir a algum de seus recentes shows para ter essa comprovação.

A trinca iniciada em “Balls To The Wall”(1983) e   complementada por “Metal Heart”(1985), foi devidamente fechada com “Russian Roulette”. Clássico após clássico, em seu sétimo álbum, um registro impecável, essencial e obrigatório a todo amante de Heavy Metal, o Accept chegou ao que considero a sua obra prima.



Line up:

Udo Dirkschneider (vocal)
Jörg Fischer (guitarra)
Wolf Hoffmann (guitarra)
Peter Baltes (baixo)
Stefan Kaufmann (bateria)

Faixas:

 1 - T.V. War
 2 - Monsterman
 3 - Russian Roulette
 4 - It's Hard to Find a Way
 5 - Aiming High
 6 - Heaven Is Hell
 7 - Another Second to Be
 8 - Walking in the Shadow
 9 - Man Enough to Cry
10 - Stand Tight

por Vitor Hugo Quartoque

Accept



Sem muito o que contestar, 2014 nos presenteou com uma gama altíssima de lançamentos de muita qualidade. O meu favorito entre todos os álbuns que escutei neste ano foi sem dúvidas, o trabalho do Accept, "Blind Rage".

Um registro que apesar de não mostrar nada de novo, surpreendente ou revolucionário, simplesmente confirma a ótima fase que vive o grupo. "Blind Rage" é o terceiro álbum em sequência que não pode ser chamado de nada menos que espetacular.

Desde a volta da banda, com UDO se negando a ocupar o posto de vocalista e a escolha de Mark Tornillo para substituí-lo, o Accept lançou 3 registros que não posso deixar de associar a série criada pelo grande Gilson, a "Trinca de Ases", desta vez na versão século XXI, com muita propriedade, foi escolhida como a primeira "trinca" do ano.

Vamos a ela:

Blood Of The Nations (2010) - Álbum de estréia de Mark Tornillo na banda, mostra um Accept totalmente renovado e cheio de inspiração, porém sem perder nenhuma de suas principais características. Um retorno digno e que de imediato, rendeu alguns clássicos. "Teutonic Terror", "Pandemic" e "Beat The Bastards" se tornaram obrigatórias nos shows e o registro ainda apresenta outros momentos de grande relevância, como em "No Shelter", "The Abyss", "Bucket Full Of Hate", "Rolling Thunder" e a fantástica faixa-título.

Stalingrad (2012) - Após a excelente repercussão de "Blood Of The Nations", os holofotes se voltaram novamente para o Accept e o anúncio de um novo trabalho gerou enormes expectativas como a muito tempo não ocorria.

O segundo registro depois do retorno, segue o mesmo padrão de composições de seu antecessor, porém com uma dose maior de inspiração. Novamente, algumas faixas se tornaram novos clássicos com imediata aceitação dos fãs. "Stalingrad", "Shadow Soldiers" e "Revolution" são "arrasa-quarteirões", mas o álbum ainda conta com as não menos brilhantes "Flash to Bang Time", "Hellfire", "Hung, Draw And Quartered" e "The Quick And The Dead".

Blind Rage (2014) - Tanto "Blood Of The Nations" quanto "Stalingrad" apresentaram a mesma fórmula e se deram muito bem. Confesso que fiquei com certo receio de ouvir um terceiro trabalho que contasse com as mesmas fórmulas e possuísse exatamente a mesma sonoridade.

Escutei Blind Rage cheio de ressalvas, o que fez com que a audição se tornasse ainda mais minuciosa que o de costume e fui simplesmente obrigado a me render ao MARAVILHOSO 'mais do mesmo' executado com soberania pela banda.

Não me lembro aqui de nenhuma banda já consagrada, lançando 3 trabalhos absolutamente inquestionáveis em sequência e mais do que isso, gerando NOVOS clássicos. Em "Blind Rage" existem mais deles, "Stampede", "Darkside Of My Heart", "Wanna Be Free" e "From The Ashes We Rise" são apenas algumas das candidatas.

Nesta trinca, temos o Accept sendo Accept, com muita inspiração e total soberania na arte de se fazer Metal. Pra mim, a banda mais relevante de Heavy Tradicional da atualidade em se tratando de grupos já consagrados.


Escrito por Fabio Reis

Accept - Blind Rage (2014)



Com toda certeza, um dos lançamentos mais aguardados do ano é este novo trabalho do Accept. Desde seu retorno, o veterano grupo alemão lançou dois grandes álbuns, "Blood Of The Nations" (2010) e "Stalingrad" (2012). Duas obras de excepcional qualidade e que não decepcionaram os fãs mais antigos como também conquistaram uma safra de novos ouvintes.
Os dois registros possuem todas as características marcantes da banda e o fato do ex-vocalista, o carismático UDO Dirkchneider, não ter aceitado participar da reunião, acabou por não fazer muita diferença. Mark Tornillo assumiu muito bem o papel e possui um timbre de voz muito parecido com o de seu antecessor. O Accept soou renovado, com ótimas novas canções, muito fiel as suas raízes e a alta qualidade dos últimos álbuns criaram toda uma expectativa para esta nova empreitada.

"Blind Rage" é um trabalho que acerta na mosca, apesar de mostrar uma banda que não se arrisca em nenhum momento fora de sua sonoridade habitual, contém tudo que um fã quer escutar em um álbum da banda. No decorrer das 11 faixas, o desfile de composições inspiradas e executadas com extrema paixão e feeling dão a sensação de que o grupo não envelheceu.




Se algumas bandas da velha guarda dão nítidos sinais de cansaço e seus últimos trabalhos não possuem a mesma garra e pique de suas épocas áureas, o Accept a cada álbum mostra que isso não se aplica a eles. O que fica evidente é que de longe, tanto "Blind Rage", quanto qualquer um dos dois trabalhos anteriores, mostram uma banda em alta e que continua numa total ascendência. Mesmo com tantos anos de carreira, estes verdadeiros mestres do metal alemão mostram uma vontade e garra que remete a grupos debutantes.

O novo trabalho se destaca como um todo, possui faixas muito acima da média , com momentos de velocidade e canções diretas como "Trial Of Tears", "Bloodbath Mastermind", "Final Journey" e "Stampede", que abre o álbum e é o primeiro single do registro, possui um vídeo clipe muito bem feito que foi disponibilizado a alguns meses atrás pela banda. As cadenciadas "Fall Of the Empire", "Wanna Be Free", "From The Ashes We Rise" e "The Curse" acertam em cheio e fazem com que o álbum possua uma alternância de ritmos bem agradável.



Além das já citadas, temos "Dying Breed" com um andamento pegajoso (no bom sentido) que vicia desde a primeira audição e faz o ouvinte repeti-la sequencialmente."Dark Side Of My Heart" trás um ar de modernidade e possui um refrão daqueles que ficam na cabeça e "200 Years", na minha opinião, a melhor faixa do álbum, é uma típica música do Accept, com "backing vocals" muito bem encaixados e uma levada que remete a álbuns clássicos da banda.
Um fato que merece ser lembrado e receber todos os louvores, é a competência e versatilidade de Wolf Hoffmann, suas linhas de guitarra são precisas, com características próprias e que primam por manter a sonoridade da banda intacta no decorrer de todos estes anos. Wolf consegue entrar para aquele grupo restrito de guitarristas, que possuem um estilo tão próprio e único, que ouvindo uma música aleatoriamente, com poucos segundos transcorridos e apenas algumas notas ou acordes, já é possível reconhecer quem está tocando.

Esta habilidade nata, faz com que os solos do álbum sejam espetaculares, daqueles que bandas como Iron Maiden, Judas Priest, e o próprio Accept eram especialistas. Solos que não necessitam de "mil notas por segundo" e possuem melodias de fácil assimilação, com muito sentimento e harmonias totalmente contagiantes.


O Accept com "Blind Rage", não nos trás nada de novo e nem de inovador, mas com certeza nos remete a um tempo em que o estilo a cada lançamento, nos trazia um novo clássico. É um trabalho forte, repleto de faixas que empolgam e possui a marca registrada da banda em cada uma das faixas. Pode ser chamado de "mais do mesmo" por muitos, mas como seria ótimo se todas as bandas consagradas, lançassem um álbum tão bom como esse vez ou outra.
Forte candidato a figurar na maioria das listas de melhores do ano. Nas primeiras colocações diga-se de passagem.


Tracklist:

 1 - "Stampede" 
 2 - "Dying Breed"    
 3 - "Dark Side of My Heart"    
 4 - "Fall of the Empire"    
 5 - "Trail of Tears"    
 6 - "Wanna Be Free"    
 7 - "200 Years"    
 8 - "Bloodbath Mastermind"    
 9 - "From the Ashes We Rise"    
10 - "The Curse"    
11 - "Final Journey" 

Lineup:

Mark Tornillo (Vocal)
Wolf Hoffmann (Guitarra)
Herman Frank (Guitarra)
Peter Baltes (Baixo)
Stefan Schwarzmann (Bateria)


Escrito por Fabio Reis


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