quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Accept: do menos expressivo ao melhor álbum


A sessão “do mais fraco ao melhor” foi criada com o objetivo de tentar elencar os álbums de determinadas bandas, do menos expressivo ao mais significativo. Os critérios usados para o ranking são diversos, como aceitação crítica do álbum em questão, importância do lançamento para a época, nível técnico em comparação a outros trabalhos da banda e fator diversão (obviamente), entre outros. Note que não há aqui certezas ou leis, apenas uma análise feita por mim para decidir a ordem dos álbums baseado nas informações acima e, portanto, se seu álbum favorito estiver abaixo no ranking ou se aquele play que você acha uma merda estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata. De qualquer forma, tentarei potencializar ao máximo os critérios técnicos acima e minimizar interferências pessoais.


Essa semana, uma das maiores bandas da história do universo conhecido e desconhecido, a esmagadora de bolas na parede e detentora do coração de metal, o Accept. Obviamente não preciso ficar falando das origens e história dos caras aqui porque todo mundo já conhece. Aliando as porradas do Heavy Metal com a característica veia erudita de seu criador e chefinho Wolf Hoffmann e o som sexy e cheio de peso do co-criador e dono dos cachinhos mais bem tratados do mundo do Metal, Peter Baltes, os Alemães são respeitados e amados ao redor do globo e nos surpreendem cada dia mais com vigor e amor à música ímpares. Vamos então revisitar a carreira vencedora dos eternos rebeldes e mestres do Metal teutônico, ‘cause we are Restless and Wild!

14 – Accept (1979)


O começo da carreira gloriosa e destruidora não foi tão glorioso assim. Accept  é um álbum extremamente cru e mostra um nível de imaturidade grande de Wolf, Baltes, Udo e companhia. Claro, temos aqui boas faixas como “Seawinds” e “Street Fighter”, mas o play não consegue se segurar numa posição elevada nessa discografia tão monstruosa. 

13 – Eat the Heat (1989)


Olha ele aí: o infame e irrisório Eat the Heat. Em uma clara tentativa de abraçar o mercado mainstream dos EUA, Wolf e seus comparsas recrutaram o então garoto David Reece e partiram para a estrada do Hard Rock, abandonando quase que completamente o Heavy Metal. O produto desse devaneio, você já sabe.

12 – Predator (1996)


Predator é o último álbum antes da segunda parada da banda e último com o gremlin Udo Dirkschneider nos vocais. Claramente fadigados e com vários problemas de relacionamento, os membros parecem tocar por obrigação no play e não passam muita segurança e feeling nas músicas. Há aqui, porém, boas canções como “Hard Attack”, “It Ain’t Over Yet” e “Crucified”.

11 – I’m a Rebel (1980)


Mais experientes e rodados, os garotos melhoram muito o nível do debut com esse play muito divertido, mas ainda em forma de proto-Heavy Metal. Alguns deslizes aqui e ali e uma produção abaixo da média (até para a época) derrubam I’m a Rebel e o fazem figurar em uma posição desconfortável.

10 – Deathrow (1994)


Muitos chamam Deathrow de o ‘Painkiller do Accept’, o que faz todo o sentido se olharmos pelo lado do peso e velocidade. Aqui é porrada atrás de porrada e Udo soa melhor do que nunca; as guitarras de Wolf estão mais pesadas e a cozinha de Baltes e Stefan Kaufmann esta impecável. 

9 – Objection Overruled (1993)


Objection Overruled é como uma mescla do Accept clássico e o que veríamos posteriormente em Deathrow. Aliando peso, feeling e um sentimento de revigoramento, o álbum foi aclamado por fãs e crítica na época como um retorno (quase) perfeito de uma lenda do Heavy Metal. Ótimo.

8 – Blind Rage (2014)


Álbum mais recente dos caras (até a data de publicação desse ranking), Blind Rage continua a nova trilogia com Mark Tornillo de forma competente e divertida. Não tem, porém, músicas tão marcantes quanto seus antecessores e peca um pouco no fator replay. É uma mescla, na realidade, de seus dois irmãos mais velhos que não possui tanta qualidade.

7 – Stalingrad: Brothers in Death (2012)


A sequência devastadora de um álbum magnífico. “Hung, Drawn and Quartered” já entrega a pancadaria desenfreada que vai ser o play, e músicas magistrais como “Shadow Soldiers” e “Revolution” mostram que Wolf e companhia não estavam pra brincadeiras e iriam continuar nos presenteando com som de qualidade por muito tempo.

6 – Russian Roulette (1986)


“Monster Man”, “TV War”, “Heaven Is Hell”…Russian Roulette é um dos meus álbums favoritos do Accept e foi muito difícil não coloca-lo em uma posição de maior destaque, mas as pepitas de ouro abaixo não me deixaram adotar a saída da paixão. Fica aqui também a menção honrosa da melhor capa do Accept em todos os tempos, com o nanico Udo tendo que praticamente ficar em pé pra se manter na mesma altura que seus camaradas.

5 – Breaker (1981)


Como disse Fabio Reis, não poderia deixar de colocar o Breaker no top 5 dos Alemães de jeito nenhum. “Starlight”, “Breaker”, “Son of a Bitch”, “Midnight Highway”; são muitos clássicos e o começo do auge que duraria quase uma década inteira. Mandatório.

4 – Blood of the Nations (2010)


Narizes torceram, sombrancelhas se levantaram e pontos de interrogação pairavam no ar e nas cabeças de todos os fãs com mais um retorno do Accept, agora sem seu frontman e membro mais carismático. E então vêm os primeiros acordes de “Beat the Bastards”, como um recado aos bastardos céticos que esperavam um álbum meia-boca. Ao invés disso, os vocais rasgados de Tornillo e uma faísca de inspiração de Wolf e Baltes tornaram Blood of the Nations um dos maiores retornos de uma banda na história da música. Não concorda? Você é dodói.

3 – Metal Heart (1985)


E aqui começa a trinca de ouro dos tiozinhos mais porradeiros da Alemanha. Metal Heart dispensa apresentações e ilustra o que todo headbanger sente: o orgulho de viver pelo metal, de sentir-se livre. É um álbum quase perfeito e definitivamente um dos melhores da década de 1980.  

2 – Balls to the Wall (1984)


Talvez um dos álbums mais icônicos de todos os tempos. Balls to the Wall tem todos os ingredientes necessários para formar um clássico: feeling único, verdadeiros hinos do estilo com a faixa-título, “London Leatherboys”, “Head Over Heels”, “Turn Me On” e “Winter Dreams”, atitude transbordando dos membros e muita, mas muita diversão. Uma verdadeira jóia do Heavy Metal mundial e um play respeitado por todos.

1 – Restless and Wild (1982)


O trabalho começa com “Fast as a Shark” e termina com “Princess of the Dawn”, esta bom ou quer mais? Vou deixar o tracklist aqui embaixo pra você mesmo avaliar o motivo pelo qual Restless and Wild é o melhor álbum da rica história do Accept. Caso tenha dúvidas, leia o tracklist de novo. Esse, meu amigo, é o que chamamos de álbum perfeito.

1 – Fast as a Shark
2 – Restless and Wild
3 – Ahead of the Pack
4 – Shake Your Heads
5 – Neon Nights
6 – Get Ready
7 – Demon’s Night
8 – Flash Rockin’ Man
9 – Don’t Go Stealing My Soul Away

10 – Princess of the Dawn

por Bruno Medeiros