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Blaze: falando sobre seus álbuns com o Iron Maiden e sobre o projeto de reunir os três cantores em um show especial


O vocalista Blaze Bayley, ex-Iron Maiden e atualmente em carreira solo, foi recentemente entrevistado pelo jornalista britânico Mitch Lafon e respondeu algumas perguntas sobre o seu passado no Iron Maiden. Quando questionado sobre seus álbuns à frente da Donzela estarem finalmente obtendo reconhecimento por parte dos fãs, Blaze comentou o seguinte:

"Sim, é um sentimento muito bom quando as pessoas se aproximam, alguns deles não estavam por perto no momento em que esses álbuns foram lançados e eu tenho grandes histórias sobre eles. Algumas pessoas são realmente honestas e dizem: "Bem, eu não gostava disso na época e não tive escolha senão voltar atrás e ouvi-los, porque eu tinha escutado todo o resto até a exaustão, então eu voltei atrás e resolvi ouvi-los sem aquele tipo de ligação emocional de meu cantor favorito deixou minha banda favorita". Então isso é algo que eu comecei a entender. É uma sensação muito boa, realmente, eu me sinto muito privilegiado por ter feito parte daquela era. Onde havia tantas mudanças na indústria e a própria banda era uma parte disso. Eu acredito que esses registros, os CDs, estão resistindo ao teste do tempo e acho que eles sempre terá um significado mais profundo. Eu estou muito feliz com isso, é muito bom conhecer fãs que se aproximam de mim e dizem: "Bem, este ainda é um dos meus álbuns favoritos."


Há algum tempo, o cantor vem demonstrando a vontade de realizar um último show com o Iron Maiden, a idéia consiste em reunir os três vocalistas que passaram pela banda e fazer uma apresentação especial, onde cada um deles cantaria as músicas mais emblemáticas que gravaram com o grupo. Ao ser questionado sobre esse projeto, Blaze Bayley explicou:

"Seria principalmente para os fãs, sério. Eu apenas penso que seria muito divertido. Posso imaginar também as argumentações furiosas depois do show, sobre quem é o melhor cantor, assim como elas duraram por anos e anos. Então eu acho que seria muito divertido. E é muito legal quando uma banda do tamanho do Maiden resolve voltar no passado e fazer algo assim, é um tanto nostálgico. Eu acredito que os fãs realmente gostariam disso. O Maiden está se movendo para a frente, eles estão sempre inovando. Os álbuns que eles fizeram recentemente foram realmente bons e fizeram algumas coisas realmente diferentes neles. Mas eu apenas acho que isto seria muito divertido, quando Paul estiver bem o suficiente para fazê-lo. Acredito que seria algo grande. Eu não acho realmente que isso vá acontecer, mas adoraria que acontecesse."

Iron Maiden: as dez músicas que mereciam mais destaque segundo a Metal Hammer


De acordo com a revista Metal Hammer algumas canções do Iron Maiden foram subestimadas durante a carreira da banda, sendo assim, a revista selecionou dez composições da donzela que mereciam mais destaque, são elas:

01. Only The Good Die Young (1988)


02. Flash Of The Blade (1984)


03. Burning Ambition (1980)


04. Sun And Steel (1983) 


05. Total Eclipse (1982)


06. Back In The Village (1984)


07. The Thin Line Between Love And Hate (2000)


08. The Book Of Souls (2015)


09. The Longest Day (2006)


10. Invasion (1980)


Nós do Mundo Metal gostaríamos de saber, vocês leitores concordam com a lista selecionada pela Metal Hammer? Mudariam algo? Comentem ! 

Bruce Dickinson: dando exemplo através de pequenas ações


É natural no meio do Rock e Metal, ouvirmos relatos e histórias de fãs que endeusam e enaltecem alguns rockstars, por suas posturas polêmicas e modos de vida do tipo "sexo, drogas e Rock and Roll". Virou algo tão natural que as pessoas não percebem que tais atitudes influenciam diretamente nas performances da banda/músico com o passar dos anos e ao invés de se conscientizarem, tentam copiar o que seus ídolos fazem e a teoria do "Live Fast, Die Young", parece ser algo corriqueiro para muitos. 

Geralmente o resultado desse estilo de vida, gera consequências nada agradáveis para os próprios músicos e todos os dias, nos deparamos com artistas que um dia encantaram multidões, porém atualmente tem muita dificuldade para apresentar shows que podemos classificar apenas como medianos. 

É claro que não estamos aqui para julgar ninguém, porém envelhecer bem, traz longevidade para o trabalho das bandas e proporciona apresentações em alto nível. Um dos grupos que envelheceu muito bem, sem dúvidas é o Iron Maiden, afirmo isso sem entrar nos méritos de considerar ou não os últimos álbuns bons ou ruins, mas sim na qualidade apresentada nos shows do grupo. 

Sempre tive uma opinião formada sobre artistas renomados no Metal. Não precisamos gostar do que os caras fazem em suas vidas particulares, não precisamos tê-los como exemplo a ser seguido e não temos que concordar com suas posições políticas ou religiosas. Basta que a música feita por eles nos agrade e vamos continuar consumindo seu material e admirando seu talento. Não escutamos Black Sabbath (um exemplo) por que Ozzy foi um verdadeiro maluco e quase morreu de overdose muitas vezes, mas sim por que suas composições nos inspiram e agradam aos nossos ouvidos.

Vez ou outra iremos nos deparar com bandas ao qual gostamos muito e seus integrantes nos decepcionam cada vez que dão uma entrevista ou declaração, isso é normal. Precisamos aprender que tal acontecimento não irá desmerecer a música apresentada pelo grupo e se os caras preferem ser destacados na mídia dessa maneira, é uma escolha pessoal de cada um. Óbvio que como um amante do estilo e sabendo que tais figuras são formadoras de opiniões, gostaria que passassem bons exemplos, usassem seu tempo fora dos palcos para fazer coisas uteis ou relevantes.

Apesar de não render manchetes bombásticas e sensacionalistas, acreditem, isso acontece com mais frequência do que pensamos. Um grande exemplo de músico que se destaca por suas ações tanto no palco como fora dele, é o cantor Bruce Dickinson. Vocalista de uma das maiores banda de Heavy Metal de todos os tempos, esgrimista profissional, escritor de livros e piloto de avião, o músico é também conhecido por sua seriedade e caráter.

Recentemente, o cantor foi envolvido na história do pequeno Rossi Starbrook, um garotinho de apenas seis anos de idade e que através da influência de seus pais, ama o Iron Maiden e principalmente, Bruce Dickinson. O fato que difere essa história da de muitos meninos pelo mundo, é que Rossi sofre de leucemia desde os quatro anos e apenas começando a sua jornada, tanto na vida como através da música, viu na luta de Bruce contra o câncer que o afastou dos palcos por algum tempo, uma inspiração.


Quando o Maiden foi anunciado como headliner do Download Festival 2016, Rossi Starbrook gravou um vídeo cantando "Aces High" e por obra do destino, o vídeo "viralizou" por toda a internet e chegou até Bruce Dickinson e os organizadores do evento. O resultado é que Rossi e seus pais ganharam o direito de ver o show de sua banda preferida, porém a surpresa maior foi quando o senhor Bruce Dickinson concedeu alguns minutos de seu dia para conhecer o seu pequeno fã.

Nas palavras Leanne, a mãe do garoto: "Ele fala bastante, mas ficou mudo ao encontrar com Bruce. Foi um momento incrível, pude ver meu garotinho feliz e isso valeu muito. Não tenho como agradecer a todos que proporcionaram esse momento" 

São pequenas atitudes que fazem diferença e tenho a total convicção que independente do destino de Rossi, Bruce Dickinson em alguns poucos minutos, pode ser muito mais que o cantor do Iron Maiden, mas sim uma pessoa capaz de trazer esperança e proporcionar um momento único e inesquecível na vida de um menino que luta pra continuar vivo a cada dia.

Esta não é a primeira vez que um músico do Metal se destaca fazendo mais do que tocar, não é nem a primeira vez que o próprio Bruce Dickinson se propõe a realizar tais atos, mas é talvez a mais recente e se o Heavy Metal possui os adeptos e admiradores do estilo inconsequente de ser, temos também aqueles que através de atos como este, nos enchem de orgulho.

Bruce merece ser aplaudido de pé!

por Fabio Reis

Blaze Bayley: show com o Iron Maiden reunindo os três vocalistas que passaram pela banda?


O vocalista Blaze Bayley mais uma vez expressou a vontade de realizar um último concerto com o Iron Maiden, mas não seria qualquer show e sim algo orientado para os fãs, onde a idéia do vocalista consiste em ter além dele, também Bruce Dickinson e Paul Di'Anno no palco, cada um cantando as canções de suas épocas. 

A idéia realmente é muito legal e Blaze inclusive disse que encontraria seus ex-companheiros de banda no Download Festival que ocorreu no fim de semana passada e sugeriria isso a Steve Harris. 

Será que rola?


Iron Maiden: assista ao vídeo oficial para a faixa "Death Or Glory"


O Iron Maiden, lendária banda britânica responsável pelo lançamento de alguns dos mais clássicos álbuns da história do Heavy Metal, vem divulgando o seu último trabalho, "The Book Of Souls", lançado em setembro de 2015.

Como parte desta divulgação, o sexteto acaba de lançar o vídeo clipe para a faixa "Death Or Glory", gravado ao vivo na "The Book Of Souls Tour". Confira:




Discos trintões: Iron Maiden - "Somewhere In Time" (1986)


Em 1985 o Iron Maiden havia se tornado um verdadeiro gigante e lançado álbuns tão épicos, que era simplesmente inconcebível pensar que a banda um dia iria apresentar trabalhos como "Virtual XI" ou "The Final Frontier". De 1980 até 1984, foram 5 registros perfeitos onde a ascensão havia sido constante e ininterrupta, culminando na "World Slavery Tour", a maior turnê que a Donzela um dia sonhou fazer e inclusive, rendendo uma passada rápida pelo Brasil no primeiro Rock In Rio.

"Iron Maiden" (1980), "Killers" (1981), "The Number Of The Beast" (1982), "Piece Of Mind" (1983) e "Powerslave" (1984), representam a essência do que era o Heavy Metal na época e certamente, 9 em cada 10 bandas, tinham os britânicos como referência, inspiração ou exemplo a ser seguido.

O que fazer quando se chega a este estágio de grandeza? Como se superar? Quais os próximos passos?

Foi essa atmosfera que o Maiden vivenciou ao compor "Somewhere In Time" e como todos sabem, apesar do disco hoje ser considerado um clássico, na época de seu lançamento não foi bem assim e o álbum foi o primeiro da carreira do grupo a dividir opiniões.

Na arte, um dos melhores trabalhos (senão o melhor) de Derek Rigs, inspirada no filme de ficção cientifica "Blade Runner", é a mais detalhada e cheia de nuances entre todas. Apresenta um Eddie futurista carregando uma arma e capa e contracapa se complementam, nem mesmo os músicos deixaram de aparecer na ilustração e o número de referências a fatos do passado e presenta do Maiden são inúmeros.


Nas composições em si, o que mais desagradou o público foi o fato da banda tentar levar o tema futurístico para dentro da musicalidade e para isso, investiram nas famigeradas guitarras sintetizadas, o que segundo alguns, serviu para tirar o peso da banda. De certa forma esta afirmação é correta, já que as canções de "Somewhere In Time" não possuem aquele punch de "Piece Of Mind" ou "Powerslave", porém as construções e melodias presentes no álbum são simplesmente fantásticas.

O trabalho de guitarras da dupla Murray/Smith beira a perfeição e os famosos duetos entre os dois músicos aparecem com muito destaque durante todo o registro. Steve Harris desenvolveu linhas belíssimas, Nicko é responsável por andamentos diferenciados e se o disco não é tão pesado, é repleto de músicas com ritmos acelerados. Bruce estava numa forma exuberante, melódico, agressivo e interpretativo como nunca, sem dúvidas um dos grandes destaques individuais, apesar de não participar do processo de composição, que ficou a cargo de Harris e Smith e a exceção foi Murray, que apresentou "Deja Vu".

Como singles, foram escolhidas "Wasted Years" e "Stranger In A Strange Land", a primeira com uma das introduções mais famosas da banda, um refrão grudento e o solo de Adrian, que é no mínimo marcante, a segunda é a mais cadenciada do disco e detentora de uma melodia crescente que culmina em outro refrão daqueles que fixam no subconsciente, vale destacar que a faixa ainda possui outro grande solo de Adrian Smith, o cara estava demais e em "Somewhere In Time", nos presenteia com uma de suas melhores performances.

"Heaven Can Wait" acabou se tornando uma das favoritas dos fãs e a mais executada ao vivo, porém este é um álbum que possui algumas das canções mais injustiçadas de toda a carreira da banda, me refiro a "The Loneliness Of The Long Distance Runner" e "Alexander The Great", sendo que esta segunda nunca chegou a ser executada ao vivo, uma pena...


Pode-se dizer que o sexto disco de estúdio do Iron Maiden não é daqueles em que a assimilação é imediata e precisou passar pelo teste do tempo para que pudesse ser chamado de clássico. É claro que isso aconteceu e não poderia ser diferente, pois mesmo buscando uma sonoridade que fugia dos padrões antes adotados e capaz de chocar muitos dos headbangers mais conservadores da época, o trabalho é detentor de momentos excepcionais, onde a competência e a criatividade garantem um resultado mais do que satisfatório.

O registro ainda faz parte da era clássica da banda, que na minha visão termina com o disco posterior a este, "Seventh Son Of A Seventh Son" (1988), o último dos álbuns realmente fantásticos que o Maiden concebeu. Após ele, momentos inspirados, muitos outros nem tanto e alguns erros homéricos, que de forma alguma apagam ou desmerecem a história deste grande ícone do Heavy Metal mundial.

Up The Irons!


Integrantes:

Bruce Dickinson (vocal)
Steve Harris (baixo)
Adrian Smith (guitarra)
Dave Murray (guitarra)
Nicko McBrain (bateria)

Faixas:

1. Caught Somewhere In Time
2. Wasted Years   
3. Sea Of Madness   
4. Heaven Can Wait 
5. The Loneliness Of The Long Distance Runner  
6. Stranger In A Strange Land 
7. Déjà Vu
8. Alexander The Great  

por Fabio Reis

Iron Maiden: os 33 anos de Piece Of Mind (1983)


Após o sucesso absoluto de “The Number Of The Beast” e o recrutamento de Nicko McBrain para o grupo, a ‘Donzela de Ferro’ rumou para as Bahamas onde se iniciou o processo de gravação do seu próximo trabalho de estúdio e em 16 de Março de 1983 era lançado o disco “Piece Of Mind”. 

No quarto disco de estúdio inegavelmente podemos notar o quanto a banda apresenta uma grande evolução comparando com os álbuns anteriores, Steve Harris contou com a contribuição de Adrian e Bruce para as composições, mas Harris estava crescendo como compositor e escreveu sozinho grande parte das canções, como a faixa de abertura “Where Eagles Dare”, “Quest For Fire”, a clássica “The Trooper” e a faixa de encerramento do disco “To Tame a Land”. 

Após iniciar o disco com a empolgante “Where Eagles Dare”, segue-se com “Revelations” e em seguida a favorita do grupo: “Flight Of Icarus”, que através da adaptação feita por Dickinson conta a história mítica de Ícaro, que construiu uma prisão para capturar um Minotauro, como medida de saída, Ícaro construiu também asas de cera para sair da prisão e sem seguir os conselhos de seu pai sobre voar, ele voa em uma altitude sem limites fazendo com que o sol derretesse suas asas e fazendo com que Ícaro despencasse até a morte. 

Seguida de “Die With Your Boots On” inicia-se a clássica “The Trooper”, além de ser escolhida como principal single do disco, a canção imortalizada pelos fãs da Donzela, The Trooper tornou-se um hino absoluto da banda. A canção possui referência á guerra de Crimeia (1853-1856), que envolvia o Império Czarista Russo contra alianças entre franceses, ingleses e o Império Otomano e o Reino da Sardenha. 

A capa do single conta com o trabalho de Derek Rigg, que traz o mascote Eddie segurando uma bandeira esfarrapada da Grã Betanha e como a canção retrata a visão de um soldado inglês desde então Bruce se veste com um simbólico uniforme militar da época portando também uma bandeira britânica em todas as apresentações do grupo. 


O disco segue com as impecáveis “Still Life”, “Quest For Fire”, “Sun And Steel” e encerra com a modernosa “To Tame a Land”, inspirada no romance de Frank Hebert. Na verdade a canção viria a se chamar “Dune” mas a banda não conseguiu os direitos autorais, porém conseguiu relatar toda a história dentro da canção sem ter que pagar um centavo por isso.

Piece Of Mind é mais que um simples disco, é literalmente uma obra prima, que inclui de riffs magníficos á canções marcantes e cheias de histórias. Sendo assim, podemos considerar “Piece Of Mind” clássico mundial absoluto e não deixou nada a dever ao antecessor “The Number Of The Beast”.




Faixas: 

1. Where Eagles Dare
2. Revelations
3. Flight Of Icarus
4. Die With Your Boots On
5. The Trooper
6. Still Life
7. Quest For Fire
8. Sun And Steel
9. To Tame a Land



Integrantes: 


- Steve Harris (Baixo/Voz)
- Dave Murray (Guitarra)
- Adrian Smith ( Guitarra/Voz)
- Bruce Dickinson (Voz)
- Nicko McBrian (Bateria)




por Rafaela Souza

Iron Maiden - The Book Of Souls (2015)


Começo avisando: Quem for um fã xiita, amante incondicional ou que faz parte daquele grupo de pessoas que pensam que apenas pelo fato de ser um álbum do Iron Maiden, é sinônimo de música boa e que pelo passado glorioso que a banda possui, qualquer crítica é descabida e indevida. Favor nem perder tempo em ler esta análise. 

Até agora, só o que vi foram resenhas feitas no mesmo dia em que o trabalho vazou, onde claramente sob o calor e emoção da primeira audição, foram rasgados elogios a revelia e a sensação que me era passada, era a que estávamos diante de uma obra de arte suprema, perfeita e sem ressalvas, o que sinceramente não condiz com o conteúdo do disco. Se por um acaso você resolver prosseguir com a leitura, saiba que estará diante de uma resenha feita por um admirador profundo da velha donzela, que escutou o novo registro no mínimo 15 vezes em sua totalidade e algumas faixas em específico, ainda mais vezes. Estou aqui para apontar o que o álbum tem de bom e também os seus defeitos, portanto, se a verdade te incomoda, se prepare pra ficar desapontado, vamos lá...

Quando foi anunciado o track list de "The Book Of Souls", juntamente com a respectiva duração de cada faixa, confesso que fiquei um tanto decepcionado. Não esperava um disco longo como este, repleto de músicas extremamente grandes e o primeiro pensamento que me ocorreu, foi o de que seria um álbum cansativo, ainda mais progressivo que os anteriores e as chances de algo que pudesse realmente remeter a era de ouro da banda eram bem escassas. Nutria alguma esperança, afinal estamos nos referindo ao Iron Maiden, não há como negar o talento dos músicos envolvidos e sendo assim, sempre esperamos que algo realmente fora dos padrões nos surpreenda. 

De certa forma, esta surpresa até se consolidou, pois mesmo com 94 minutos de duração e músicas com 8, 10, 13 e até mesmo 18 minutos, o trabalho fugiu da mesmice e poucos são os momentos em que acontecem as famigeradas introduções lentas e sem fim que antecedem as músicas de fato. Ao contrário disso, há diversas faixas mais diretas e que lembram o Maiden de outrora. "Speed Of Light", "Death Or Glory" e "When The Rivers Run Deep" são bons exemplos disso.


Outras composições que considero bem interessantes são "The Great Unknown", "The Book Of Souls", "Tears Of A Clown" e "The Red And The Black". Estas me agradaram bastante e são os momentos mais empolgantes do trabalho com folga. Cheias de passagens instrumentais impecáveis, uma ótima interpretação de Bruce e um inspiração que há um bom tempo sentia estar ausente nos álbuns do Maiden. Os antecessores, "A Matter Of Life And Death" e "The Final Frontier" não conseguiram me empolgar e com exceção de poucas faixas, considero registros bem medianos. Já este novo álbum, na minha visão, é bem mais complexo e musicalmente superior ao que a banda vinha apresentando de alguns anos pra cá. 

Essa observação não serve de parâmetro pra considerar o mais recente lançamento da Donzela excepcional, pois ser melhor que "The Final Frontier" em uma discografia que possui obras impecáveis como "Piece Of Mind", "Powerslave", "Seventh Son Of A Seventh Son" e tantos outros, não é lá uma tarefa tão difícil assim. É óbvio que os anos se passaram, os músicos envelheceram e esperar que lancem novamente um disco com a pegada de um "The Number Of The Beast", seria um pensamento absolutamente infantil de minha parte, mas acredito de verdade que a banda tenha ainda potencial para gravar trabalhos melhores e mais relevantes que estes últimos.

Chegamos ao momento em que muitos fãs aficionados ficarão irados e ao ler minhas próximas frases, provavelmente me odiarão eternamente e alguns mais extremistas, vão repudiar veementemente e considerar uma heresia o que relato. Sinceramente, não faço média, não escrevo elogios desmerecidos e lembro a todos que uma resenha nada mais que a opinião de quem a escreve, esta é a minha. 

Pela primeira vez desde "Brave New World", o grupo possuía um material realmente bom em mãos e "The Book Of Souls" não conseguiu atingir a grandiosidade que a banda almejava por que peca pelos excessos nele contidos. Ao mesmo tempo em que possui diversas qualidades, momentos memoráveis e algumas canções com muito potencial, também é um trabalho presunçoso, com doses cavalares de repetições e exageros notórios. Acredito que algumas canções ficaram um tanto deslocadas e um registro com 60 minutos de duração, contendo apenas o que de melhor o grupo tivesse composto, teria atendido todas as expectativas e obtido um resultado bem mais plausível e condizente com o que os fãs esperavam.


Isto pode soar um tanto agressivo, mas na verdade não é. Nem estou me referindo aqui ao tempo de duração das composições, mas sim ao fato de o Maiden alongar por demais algumas delas, repetindo refrões incessantemente ou criando algumas introduções que sinceramente, ficam sem pé nem cabeça quando a música "engrena" de fato. "Shadows Of The Valley" é o maior exemplo disso, possui uma introdução que nos remete de imediato ao álbum "Somewhere In Time", mais especificamente ao clássico "Wasted Years" e automaticamente, é criada toda uma expectativa e quando a música começa de fato, percebe-se que o começo foi estrategicamente "colado" ali e não tem ligação nenhuma com o restante da canção. Em minha opinião, um tiro no pé, assim como a morna "The Man Of Sorrows" sendo colocada pra anteceder a faixa mais longa do álbum, a diferente e em alguns momentos entediante, "Empire Of The Clouds". 

"If Eternety Should Fail" abusa do direito de repetir o refrão e acaba se tornando bem cansativa, ainda mais possuindo quase 9 minutos. Outro ponto que sou obrigado a mencionar, é Nicko McBrain criar exatamente as mesmas linhas de bateria desde "Brave New World". Todas as viradas, levadas e ritmos são absurdamente previsíveis e iguais. É criado um abismo entre a evolução dos três guitarristas, que em contrapartida, a cada álbum parecem se entrosar mais e aprender a trabalhar melhor como um trio e a evidente mesmice da cozinha formada pelos excepcionais Harris e McBrain.

A visão que criei sobre "The Book Of Souls", é que é um bom álbum, apenas isso. Melhor que os anteriores, com um esforço enorme e louvável por parte dos integrantes em trabalhar em equipe novamente.  Possui ótimas idéias e um número considerável de equívocos. Um álbum com potencial enorme, mas com erros de execução. Como eu previa, é cansativo e provável que com o tempo, a maioria dos fãs vá eleger de 5 a 6 canções favoritas e pular o restante. Talvez seja muito pra uma banda que estava desacreditada por grande parte de seus fãs mais antigos, mas é pouquíssimo para o talento que estes músicos fabulosos possuem.

Tracklist:

Disc: 1
01. If Eternity Should Fail
02. Speed of Light
03. The Great Unknown
04. The Red and the Black
05. When the River Runs Deep
06. The Book of Souls

Disc: 2
01. Death Or Glory
02. Shadows of the Valley
03. Tears of a Clown
04. The Man of Sorrows
05. Empire of the Clouds



Escrito por Fabio Reis

Iron Maiden - The Number Of The Beast (1982)


33 anos de um dos mais importantes e influentes discos da história do Metal

Existem álbuns e registros que são produzidos e lançados e alcançam um nível de importância quase indescritível. Hoje, 22 de março de 2015, é o aniversário de 33 anos de um trabalho que se enquadra perfeitamente nessa categoria: “The Number Of The Beast”, terceiro álbum de estúdio da banda que hoje é uma das mais consagradas da história do Heavy Metal, o Iron Maiden. Dono de uma belíssima e estonteante arte de capa concebida pelo mago Derrick Riggs, se tornou um dos discos mais importantes e influentes de toda a história do Metal e isso é inquestionável.

O Iron Maiden foi um dos primeiros nomes do movimento que ficou conhecido mundialmente como New Wave Of British Heavy Metal (Nova Onda do Heavy Metal Britânico). Após dois álbuns gravados através do selo da EMI Records, que por sinal até hoje é a gravadora pela qual a banda lança os seus discos, “Iron Maiden” (1980) e “Killers” (1981), o até então vocalista Paul Di'Anno é demitido devido ao seu comportamento destrutivo e uso abusivo de drogas, principalmente a cocaína. Di'Anno é substituído pelo novato vocalista do Samson, Bruce Dickinson. Com o passar dos anos, Dickinson passou a ser considerado um dos maiores “frontmens” do Metal devido a sua grande energia, carisma, presença de palco e claro, sua voz! Eis que em 22 de março de 1982 é lançado “The Number Of The Beast”. A troca de vocalistas culminou também em uma mudança na sonoridade do grupo, que passou a ser ainda mais melódica e trabalhada, o que viria a influenciar diretamente nos trabalhos posteriores.

O disco já abre com as excelentes linhas de bateria de Clive Burr (1957-2013) e os “riffs” pesados e empolgantes da dupla de guitarras formadas por Murray e Smith, além do excepcional baixo de Steve Harris. “Invaders” é pessoalmente uma das minhas músicas favoritas da banda, ao lado de outras desse grande trabalho e em pouco mais de três minutos de duração, nos brindam com um som avassalador e que já nos apresenta a potencia vocal do até então estreante Dickinson. Os lindos dedilhados de “Children Of The Damned” dão início a essa brilhante segunda música do disco. Seus andamentos, “riffs”, solos, linhas vocais... tudo é simplesmente perfeito! Uma verdadeira obra-prima! 

Uma introdução se inicia e logo a bateria de Burr dá início a “The Prisoner”, uma música empolgante que mais uma vez mostra como Bruce Dickinson se encaixou perfeitamente ao som do Iron Maiden: a química, a sintonia e o entrosamento dos músicos é sensacional! Mais um grande clássico! Também é interessante saber que essa música foi inspirada em uma série de TV dos anos 60, estrelada por Patrick McGoohan. Na série, o agente abandona o serviço secreto britânico e é preso quando chega em casa. Ele é levado para “The Village”, onde os nomes são trocados por números. Ele é o número 6. Na medida que o sujeito avança na hierarquia, seu número diminui até o 1, que manda no lugar. Daí o motivo da introdução que ouvimos no início da canção, que faz parte do segundo episódio do seriado, “The Chime Of Big Bem”.

“We want information, information, information.”
“Who are you?”
“The new number two.”
“Who is number one?”
“You are number six.”
“I am not a number, I am a free man.”
“HAHAHAHAHAHAHAHA.”

“22 Acacia Avenue” é a música que dá continuidade a esse belo registro. Essa música dá continuidade à saga da personagem “Charlot The Harlot” que a banda criou na música de mesmo nome, presente no primeiro álbum. O que dizer desse som? Simplesmente avassalador! Começando de forma vagarosa, a música se torna cada vez mais empolgante a cada “riff”, cada acorde, cada linha de baixo e bateria, cada verso cantado e a cada mudança de andamento. A banda simplesmente destrói! A mais pura essência do Heavy Metal tradicional exala por cada passagem. O que dizer sobre os solos dessa música? São simplesmente hipnotizantes e repletos do mais genuíno “feeling”! Certamente uma das melhores faixas do álbum.


E eis que chega a vez da quinta faixa se iniciar:
“Woe to you, Oh Earth and Sea... For the Devil sends the beast with wrath, because he knows the time is short...
Let him who hath understanding reckon the number of the beast for it is a human number... It's number, is Six Hundred and Sixty Six...”

Sim, é a vez de um dos maiores hinos da banda e do Heavy Metal: “The Number Of The Beast”, a poderosa faixa-título e segundo “single” do álbum e que também ganhou um videoclipe muito conhecido, começa vagarosamente e logo dá início a uma verdadeira explosão sonora. Seus “riffs”, “cozinha” sempre impecável de baixo e bateria, solos mirabolantes, acompanhando de uma letra espetacular cujo refrão é conhecido por qualquer admirador da música pesada tornam esse som um dos mais importantes para a história do Heavy Metal.

Muitos não sabem, mas “The Number Of The Beast” foi inspirada em um pesadelo de Steve Harris após ele ter assistido ao clássico filme de terror “Damien: A Profecia II” (1978) e também no poema “Tam o'Shanter”, do escritor escocês Robert Burns (1759-1796). A introdução desse clássico contém duas passagens da Bíblia: Apocalipse 12:12 e 13:18. É incrível como após tantos anos ouvindo essa introdução ela continua soando da mesma forma, transmitindo uma atmosfera única e simplesmente perfeita. Uma obra prima!

Mais uma vez a bateria de Clive Burr dá início a uma das músicas do álbum e a música em questão é mais um hino da banda: “Run To The Hills”, o primeiro “single” desse grande disco e que também teve o mérito de ganhar um clássico videoclipe. Como classificar esse som de outra forma a não ser “hino”?! Novamente temos uma avalanche de “riffs” memoráveis, um refrão forte como uma rocha e tudo o que o ouvinte deseja escutar. 

Depois chega a vez de mais dois grandes sons, “Gangland” e “Total Eclipse”, que mais uma vez nos bombardeiam com um belo e competente trabalho instrumental, repleto de mudanças de andamentos espetaculares, passagens vocais altamente marcantes e “riffs” e solos inspiradíssimos. A banda simplesmente não perde a sua força em momento algum!

Pra finalizar essa verdadeira obra prima do Heavy Metal, somos brindados com uma música que ao longo do tempo de tornou um grande clássico e hino da banda: “Hallowed Be Thy Name”, último “single” do álbum e que na minha humilde opinião, já nasceu um clássico! Sua introdução vagarosa e lenta, com direitos a sinos ecoando pelos alto-falantes logo dão espaço para uma verdadeira explosão sonora extremamente empolgante e cativante. A sua letra descreve perfeitamente as palavras de um indivíduo prestes a ser executado, tudo muito bem acompanhado com o brilhante trabalho instrumental criado pela banda. Os vocais de Dickinson arrepiam e arrebentam a todo o momento, assim como toda a banda, que sempre esbanja “feeling” e criatividade. E assim se encerra esse brilhante e importantíssimo registro de Heavy Metal.

Quando “The Number Of the Beast” foi lançado, infelizmente, nem tudo foi tão a favor da banda. Grupos extremamente religiosos e conservadores pregavam que a banda era satânica e queimaram diversos materiais que tinham qualquer envolvimento com o Iron Maiden. Como resposta a esses atos, Steve Harris fez a seguinte declaração: “Foi louco. Eles ficaram completamente do lado errado da vara. Eles, obviamente, não tinham lido as letras. Eles só queriam acreditar em todo esse lixo sobre sermos satanistas”. Absurdos a parte, ninguém ficou indiferente ao lançamento do disco, como se pode notar.
Esse álbum, aliás, além de marcar a entrada de Bruce Dickinson para a banda, também foi a saída do até então baterista Clive Burr, que por sinal, faleceu há dois anos, em 12 de março de 2013, devido a uma esclerose múltipla que acabou adquirindo. Todos os fãs certamente sabem que o trabalho de Clive jamais será esquecido e permanecerá sempre vivo em nossas memórias.


Após esse álbum, diversas mudanças ocorreram com a banda. O álbum sucessor, o igualmente clássico e excelente “Piece Of Mind” (1983) marca a entrada do até hoje baterista da banda, Nicko McBrain, um músico talentosíssimo e carismático e com o passar dos anos e dos lançamentos, a banda apresentaria mudanças e experimentações em suas composições, passaria por reviravoltas que culminariam em saída de integrantes, entrada de novos e retorno de membros que saíram, mas é claro que não vou entrar nesse assunto, pois isso já é outra história...

Tracklist: 
01. Invaders 
02. Children Of The Damned 
03. The Prisoner 
04. 22 Acacia Avenue
05. The Number Of The Beast
06. Run To The Hills
07. Gangland
08. Total Eclipse
09. Hallowed Be Thy Name

Lineup:
Bruce Dickinson (Vocal)
Steve Harris (Baixo e “Backing Vocals”)
Adrian Smith (Guitarra e “Backing Vocals”)
Dave Murray (Guitarra)
Clive Burr (Bateria)

Escrito por David Torres

Iron Maiden - Somewhere in Time (1986)




Em algum lugar no tempo: Os 28 anos de Somewhere in Time


Há exatos 28 anos, a lenda do Heavy Metal Iron Maiden lançava um de seus registros mais cultuados, “Somewhere in Time”, o sexto álbum de estúdio da carreira dos britânicos e um álbum que apresenta uma sonoridade que se diferencia dos trabalhos anteriores da “Donzela de Ferro”. Gravado nos estúdios Compass Point Studios, em Nassau, nas Bahamas e Wiseeloord Studios, em Hilversum, na Holanda e novamente produzido por Martin Birch (que trabalhou com a banda desde o álbum “Killers”, de 1981 até “Fear of the Dark”, de 1992, quando se aposentou), “Somewhere in Time” foi lançado em 29 de setembro de 1986, através da gravadora EMI Records. Após o lançamento do histórico registro ao vivo “Live After Death”, lançado em um ano antes, em 1985, a banda comandada por Steve Harris decidiu experimentar algo completamente diferente em seu novo disco. Apresentando uma deslumbrante e altamente hipnotizante arte de capa com temática futurística inspirada no clássico filme de ficção científica “Blade Runner – O Caçador de Androides”, de 1982, esse sexto disco de inéditas aposta em uso de sintetizadores pela primeira vez na carreira do Iron Maiden. A incursão desses elementos e o experimentalismo inserido nesse trabalho também dividiu a opinião de alguns fãs mais radicais que preferiam a sonoridade mais direta dos discos anteriores. No álbum de estúdio anterior, o igualmente excelente “Powerslave”, a banda já apresentava um legítimo “divisor de águas” em sua carreira. Ainda assim, com “Somewhere in Time”, o Iron Maiden deu um grande passo adiante, desenvolvendo algo realmente novo à partir daí.


É incrível o clima altamente atmosférico proporcionado nas faixas ao longo do álbum. O ouvinte realmente entra no universo criado pela banda e vivencia toda uma experiência surreal e fantástica assim que a obra se inicia. As primeiras notas da faixa de abertura são altamente cativantes e abrem o álbum de forma estupenda. “Caught Somewhere in Time” é uma grande faixa e é realmente uma pena que tenha sido tocada tão pouco ao vivo, assim como várias outras músicas desse brilhante registro. Logo de cara, o ouvinte percebe que a banda entrega um trabalho mais técnico e experimental, abrindo com uma faixa com um tempo de duração um tanto longo, com pouco mais de sete minutos de duração. E o que nós temos nessa primeira música é um trabalho realmente genial de músicos de primeira linha e que estavam vivendo um de seus melhores períodos. Grandes e pulsantes linhas de baixo, uma dupla de guitarras virtuosíssimas, um grandioso trabalho de bateria e vocais arrasadores ecoam pelos alto-falantes. Sem deixar a qualidade do trabalho cair, temos em seguida aquele que é um dos maiores “singles” e clássicos da carreira da “Donzela”, “Wasted Years”. A faixa já abre com os seus marcantes e grudentos acordes, abrindo caminho para os vocais potentes de Bruce Dickinson. A “cozinha” de baixo e bateria conduzida pelos exímios Steve Harris e Nicko Mc Brain é simplesmente perfeita e as guitarras gêmeas de Adrian Smith e Dave Murray são simplesmente de outro mundo. A faixa ganhou ainda um videoclipe que foi muito veiculado na época de seu lançamento. No videoclipe, a banda explora as modificações de sua carismática mascote, Eddie, “The Head” ao longo das fases da banda.


A ótima “Sea Of Madness” é a terceira faixa do trabalho e apresenta variações de andamento muito bem conduzidas, grandes melodias, um refrão sensacional e um desempenho espetacular de todos os integrantes. Abrindo de forma vagarosa, “Heaven Can Wait” é outro tremendo clássico da carreira dos britânicos. Contando com um espantoso desempenho da “cozinha” encabeçada por Steve Harris e Nicko McBrain, com um magnífico trabalho de guitarras de Dave Murray e Adrian Smith e vocais sempre poderosos de Bruce Dickinson, é uma excelente composição que conta com um andamento empolgante, refrão marcante, variações rítmicas muito bem construídas, além de um coro sensacional próximo aos solos de guitarra na metade da música. Eis que é a vez da espetacular “The Loneliness of the Long Distance Runner”. Novamente abrindo de forma lenta com uma bela introdução de guitarras, a faixa ganha velocidade e peso assim que entra a voz de Dickinson. Novamente trazendo um fantástico refrão, essa quinta faixa é simplesmente irresistível, sendo magistral e empolgante do início ao fim. O baixo de Steve Harris e a bateria de Nicko McBrain rapidamente dão espaço para as guitarras de Dave Murray e Adrian Smith introduzirem outro grande “single” do álbum, a estupenda “Stranger in a Strange Land”. A faixa conta com uma tocante introdução, grandiosas passagens vocais e solos e harmonias de guitarras belíssimas e vertiginosas. Tal qual “Wasted Years”, também ganhou um videoclipe promocional.


A dupla de guitarristas Adrian Smith e Dave Murray introduz a cativante “Déjà Vu”, que se inicia mais uma vez lentamente e em questão de alguns segundos ganha peso e velocidade. Curiosamente, essa sétima faixa é a de menor duração do álbum, contudo, é uma composição igualmente formidável, bem na linha da banda, com um pegajoso e incrivelmente maravilhoso trabalho instrumental, onde mais uma vez cada membro se destaca individualmente. Os vocais de Bruce Dickinson, por sua vez, são um espetáculo à parte, diga-se de passagem. O disco vai chegando ao fim e uma rápida narração dá espaço para a introdução arrebatadora da maravilhosa “Alexander the Great”, a oitava e última faixa do álbum. É realmente impressionante como a banda consegue manter o pique e a criatividade em alta da primeira a última composição do trabalho, mesmo se utilizando de recursos da qual não utilizava até então, como os sintetizadores que aparecem nas faixas. O que se ouve nessa última canção é simplesmente extraordinário. Tudo é assombrosamente bem conduzido e construído: um caprichadíssimo e virtuosíssimo trabalho de guitarras, marcações e linhas portentosas de baixo, desempenho excepcional de bateria e vocais completamente irrepreensíveis. E é com essa épica composição que a banda encerra esse sublime trabalho de estúdio. Existem álbuns que realmente são tão impressionantes que parecem surpreender os ouvintes mesmo após diversas décadas. “Somewhere in Time” é, com certeza, uma obra prima atemporal. Quanto mais você ouve o trabalho criado pela banda, é possível notar elementos diferentes e isso faz com que o ouvinte embarque cada vez mais nessa legítima viagem estereofônica proporcionada pelos músicos da banda. E que essa “viagem” nunca tenha fim!


01. Caught Somewhere in Time
02. Wasted Years
03. Sea Of Madness
04. Heaven Can Wait
05. The Loneliness of the Long Distance Runner
06. Stranger in a Strange Land
07. Déjà Vu
08. Alexander the Great

Bruce Dickinson (Vocal)
Steve Harris (Baixo/“Backing Vocals”)
Adrian Smith (Guitarra/“Backing Vocals”)
Dave Murray (Guitarra)
Nicko McBrain (Bateria)


Escrito por David Torres Dos Santos

Iron Maiden - Uma retrospectiva dos últimos anos.


É de conhecimento de todo "Headbanger" que se preze, que o Iron Maiden está entre as maiores, mais populares e bem sucedidas bandas de todos os tempos, influenciando diretamente uma infinidade de grupos no decorrer de sua trajetória. Detentora de clássicos imortais e álbuns maravilhosos, a banda capitaneada por Steve Harris arrebatou uma legião de fãs desde que apareceu ao mundo com o seu poderoso "debut" em 1980.

O ápice da criatividade da "Donzela" e o seu auge em termos de musicalidade e inspiração aconteceu na década de 80, com álbuns incontestáveis que fazem parte da história do Metal. Com a chegada dos 90's e a notória decadência de muitas bandas conceituadas, ainda emplacaram o bom "Fear Of The Dark" (1992), antes da saída do competentíssimo e carismático Bruce Dickinson.

Neste ponto da carreira, o Maiden passou a ter problemas e a colecionar mais erros do que acertos. Nada contra o vocalista Blaze Bayley, muito pelo contrario, acho "The X-Factor" um grande trabalho. O problema é que em meio a tantos nomes que poderiam substituir Bruce Dickinson, Steve Harris optou pelo que menos se assemelhava tecnicamente com Bruce e que possuía um estilo totalmente diferente, tanto no timbre de voz quanto na presença de palco. A troca de "Frontman" acabou se tornando traumática e gerando insatisfação por parte dos fãs, além de diversas críticas da media.

Enquanto o Iron Maiden encontrava dificuldades em se manter no topo, seu ex-vocalista Bruce Dickinson se lançava em carreira solo. Após dois álbuns que não acrescentaram muita coisa ao Metal, "Balls To Picasso" e o experimental "Skunkworks", Bruce resolve fazer o que sabe de melhor, convocou seu ex-companheiro de Maiden, Adrian Smith, e aliados ao talentoso Roy Z, lançam dois trabalhos irrepreensíveis: "Accident Of Birth" (1997) e "The Chemical Wedding" (1998). Estes dois registros trouxeram grande visibilidade a carreira de Bruce e na mesma velocidade que sua carreira ascendia, o Iron Maiden ia desmoronando com o fiasco de "Virtual XI"(1998).

Como já era imaginado, Blaze foi o "Bode Expiatório" da vez e deixou a banda pela porta dos fundos. Steve Harris, sem pensar muito, resolveu trazer de volta Bruce Dickinson, que se negou a voltar a menos que o convite fosse estendido a Adrian Smith também. Assim sendo, a "Donzela de Ferro" passou a ter a formação dos sonhos de qualquer fã, com três guitarristas e o vocalista que gravou seus maiores clássicos. Tudo eram rosas e "Brave New World" (2000) se mostrou um álbum forte e cheio de energia, um digno trabalho do Maiden. Ótimas composições, criatividade em alta e muitos outros sinais de que a banda retornava aos bons tempos. Quem em sã consciência pensaria que um grupo pra lá de tarimbado, com músicos de extrema competência e com compositores natos em seu "Line Up" poderia fazer qualquer coisa que não soasse no mínimo excepcional?

O que acontece é que "Dance Of Death" (2003), "A Matter Of Life And Death" (2006) e "The Final Frontier" (2010) foram trabalhos bem abaixo da média e nos fazem pensar: Por que uma banda com tantas virtudes não consegue mais lançar um álbum que seja compatível com sua história? Vários fatores podem ser levados em consideração, mas creio eu, que Steve Harris tem se equivocado em determinadas atitudes.

É de conhecimento geral, que todas as músicas feitas por qualquer membro da banda, deve receber a aprovação de Harris, que as modifica e dá a elas o tratamento que achar necessário. Um outro ponto que precisa ser levantado é que a inspiração e criatividade de Steve não tem estado em seus melhores momentos há muitos anos. Suas composições tem seguido padrões que não vem agradando a maioria dos fãs, muitas delas são muito longas e soam progressivas demais, as faixas mais diretas estão cada vez mais escassas e o Maiden não emplaca um Hit há muito tempo.

Muitos "monstros" consagrados vem sofrendo com a idade e lançando registros dúbios, não dando muita esperança de conseguir novamente surpreender os ouvintes com um trabalho realmente relevante, o Maiden frequentemente é colocado entre estas bandas mas se pararmos para analisar todos os fatos com cautela, estas comparações me soam injustas. Bandas como Black Sabbath, Judas Priest, Deep Purple e algumas outras podem até lançar álbuns atualmente, algumas delas com certa qualidade até, mas nitidamente sofrem com a ação implacável do tempo. Fato este que não ocorre com o Iron Maiden, tendo em vista as apresentações ao vivo que continuam impecáveis.

O que fica claro pra mim é que especificamente neste caso, o "fracasso" destes últimos lançamentos são pura e exclusivamente culpa de um desvio na sonoridade habitual da banda, somados a "mão de ferro" de Steve Harris e sua atual pouca inspiração. De todas as bandas já em fim de carreira, principalmente as que se encontram em uma fase pouco proveitosa, a que mais tem condições de reverter este quadro é o Iron Maiden. Steve sempre primou por ser um bom líder e saber o que é bom para a banda, vem cometendo alguns deslizes em sequência, mas tem total ciência de que precisa lançar um trabalho de peso novamente. É um estrategista e o mais provável que aconteça, vislumbrando um futuro lançamento, é que assim como fez o Judas Priest, a "Donzela" também aposte em um álbum mais tradicional e sem experimentalismos desnecessários.

Existe um grande porém ao pensarmos nesta possibilidade, o Judas sofre demais com o envelhecimento e consequente perda de voz de Rob Halford, sem contar a saída de K. K. Downing que por anos a fio formou uma das maiores duplas de guitarristas do mundo ao lado de Glenn Tipton. No caso do Maiden, não existem baixas e Bruce continua cantando como nunca, um trabalho da banda que deixe de lado os devaneios progressivos e soe mais tradicional, fatalmente acertaria em cheio no alvo.

O que nos resta é aguardar o próximo álbum, sem muitas esperanças de que lancem algo tão importante ou da relevância dos álbuns feitos na década de 80, mas sempre se lembrando que não falamos de qualquer banda, falamos de uma lenda, um grupo onde existem 3 compositores natos que entendem tudo de Heavy Metal. Se Steve Harris, Bruce Dickinson e Adrian Smith entrarem em um consenso e resolverem compor um disco a moda antiga, alguém se aventuraria a dizer que seria vão? Acho que não.

Up The Irons!



Escrito por Fabio Reis

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