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Lançamento: Brujeria - “Pocho Aztlan” (2016)


Dezesseis anos! Esse foi o tempo que os fãs de Brujeria tiveram que esperar para o lançamento do quarto álbum de estúdio da banda, “Pocho Aztlan”. Lançado no dia 16 de setembro, via Nuclear Blast Entertainment, esse quarto trabalho de estúdio prova que nem mesmo o tempo pode conter o poder desses veteranos. Imagine um disco poderoso, com faixas diferentes entre si, violentas e que respeitam o passado da banda. Pois é exatamente isso que temos aqui, portanto, “cabrón”, vamos “cruzar a fronteira” e adentrar no território desses senhores criativos e insanos.

Uma épica introdução conduz o ouvinte a “Pocho Aztlan”, uma composição repleta de groove e que serve como um aperitivo luxuoso para o que está por vir nos próximos quarenta minutos.  “No Aceptan Imitaciones”, a segunda faixa do álbum, já é uma velha conhecida do público, uma vez que a banda a toca ao vivo há algum tempo em suas performances ao vivo. Trata-se de uma composição excepcional! Um legítimo clássico da fase atual da banda, que mescla passagens rápidas e muito agressivas com outras mais cadenciadas e igualmente empolgantes. O refrão, então, é um deleite só! Muitos já sabem, mas sempre vale a pena ressaltar informações como essas: sua letra hilária é uma resposta direta ao guitarrista Dino “Asesino” Cazares (Fear Factory, Divine Heresy), ex-integrante do Brujeria e que atualmente também encabeça o Power Trio Asesino.

O petardo prossegue com “Profecia del Anticristo”, que possui uma levada percussiva e potente. O trabalho de bateria é excelente e os riffs são muito eficientes e cumprem o seu papel com excelência. Na sequência, temos a porrada “Ángel de la Frontera”, outra canção que já vendo sendo tocada nos shows do grupo. Riffs encorpados ecoam pelos alto-falantes, acompanhados por urros bem encaixados e uma cozinha potente de baixo e bateria. Também temos um refrão de fácil assimilação e um trecho totalmente atmosférico.

Dando continuidade ao trabalho, temos avassaladora “Plata o Plomo”, que ganhou um videoclipe promocional que apresenta violência gráfica extrema e verídica, bem nos moldes das capas dos primeiros registros da banda.  Um sample de uma matéria de noticiário televisivo antecede a composição. Assim que a criativa introdução se encerra, meus amigos, o caos invade os alto-falantes mais uma vez: instrumental pesadíssimo e irrepreensível, groove matador e um refrão grudento são as armas de Juan Brujo e seu clã de degenerados. Em suma, uma canção que já nasceu um clássico. Baita som!


Para os saudosistas dos primórdios da banda, temos uma composição que tem exatamente essa pegada: “Satongo”! Essa sexta faixa do disco é um verdadeiro tributo aos tempos de Death/Grind da banda e que mesmo sendo uma tremenda paulada, não deixa o groove e o feeling de lado. Outra grande canção que a banda já vem executando em suas apresentações ao vivo. Dando sequência ao trabalho, surge “Isla de la Fantasía”, a canção mais curta do álbum. A fúria do grupo jamais se cessa e a banda entrega mais uma porrada visceral e muito bem feita.

Grooveada e viciante, “Bruja” foi uma das primeiras músicas do novo disco a ser divulgada na Internet. Seu riff principal é simples e extremamente eficiente, ficando na mente do ouvinte sem muito esforço e mais importante, exala a atmosfera que o som exige. Com certeza é um dos grandes destaques da obra. Lançada anteriormente como single em 2014, meses antes da Copa do Mundo FIFA, “Mexico Campeón” é uma composição energética e divertidíssima cuja qualidade se equivale a todas as outras faixas do álbum.  

Temos também “Culpan la Mujer”, que é uma ótima faixa e não deve em nada as anteriores, entregando exatamente aquilo que o Brujeria sabe fazer de melhor: som pesado com variações criativas e muito groove. Em seguida, é a vez de “Codigos”. Seu trecho inicial lembra um pouco os minutos finais de “Ritmos Satánicos” (música do segundo álbum da banda, "Raza Odiada", de 1995), com Juan narrando uma introdução, acompanhado por um arranjo de guitarra. Pouco depois, toda a banda entra em cena. Nessa música temos variações de andamento interessantes, pra variar, bastante peso nas seis cordas, é claro, além de partes climáticas. 

Para finalizar esse álbum que foi tão aguardado por seus apreciadores, os “greñudos locos” entregam mais duas faixas sensacionais e que anteriormente haviam sido lançadas apenas como singles. “Debilador”, a penúltima música, é um verdadeiro arregaço! Viciante até dizer chega, conta com um riff principal sujo e que materializa musicalmente o que o Brujeria é. O groove próximo ao fim da composição é inquietante e fará todos banguearem incessantemente. Já a última faixa, nada mais é que “California Über Aztlan”, uma releitura sensacional e com a letra alterada para “California Über Alles”, do Dead Kennedys. Aliás, vale a pena relembrar que o próprio Jello Biafra já foi integrante do Brujeria bem nos primórdios da banda. Uma grande homenagem a esse clássico do Hardcore Punk mundial, que encerra o álbum da forma que ele merece, com qualidade indiscutível. 

Quanto mais tempo uma banda veterana fica sem lançar um material de inéditas, mais os fãs especulam se o resultado será algo realmente positivo e ainda que dezesseis anos seja um período muito longo, o Brujeria obteve um êxito em tanto com “Pocho Aztlan”. Trata-se de um disco genial, que mescla elementos de todas as fases da banda de forma madura e inteligente, agradando gregos e troianos.  Mais um grande disco dos músicos e claro, mais um lançamento de peso (literalmente!) desse ano tão produtivo.




Integrantes:
Juan Brujo (vocal)
Fantama (vocal)
Pinche Peach (samples/vocais de apoio)
Pititis (vocal/guitarra/vocal de apoio)
El Cynico (baixo/vocal)
Hongo (guitarra)

Convidados:
Juan Ramón Rufino Ramos (narração - faixa 1)
Hongo Jr. (bateria - faixa 1 a 11)
El Podrido (bateria - faixas 12 e 13)
El Embrujado (composição - faixa 1)
A Kuerno (composição - faixas 9 e 10)

Faixas:
1. Pocho Aztlan
2. No Aceptan Imitaciones 
3. Profecía del Anticristo 
4. Ángel de la Frontera
5. Plata o Plomo
6. Satongo
7. Isla de la Fantasía 
8. Bruja 
9. México Campeón 
10. Culpan la Mujer 
11. Códigos 
12. Debilador 
13. California Über Aztlan (Dead Kennedys cover)

Por David Torres

Política: O que os grandes ícones do Metal estadunidense pensam a respeito de Trump


Se o Brasil vive um momento conturbado na política com um processo de Impeachment pra lá de polêmico e um início de mandato cheio de escândalos do atual presidente em exercício, nos EUA a corrida presidencial vem sendo alvo de diversas especulações e graças as declarações do candidato Donald Trump e suas posições pra lá de questionáveis, há um grande debate em exercício no país.

Vocês devem estar se questionando o que o Metal tem a ver com isso não é? 

Bem, em estilos mais extremos como o Thrash e o Death Metal, é bem natural que as bandas se inspirem exatamente na política para elaborar as suas letras. Protestos e pontos de vista sobre o tema são bem naturais em álbuns de Metal, assim como é natural os integrantes das bandas se posicionarem a favor ou contra partidos e políticos em específico. 

O por que de tanto ódio e principalmente o falatório em cima do candidato republicano Donald Trump, se deve ao fato de que o megaempresário deu declarações em que acusava o México de enviar drogas e estupradores através da fronteira dos EUA e prometeu caso fosse eleito, "construir um muro" entre os dois países. 

O governo mexicano rebateu as acusações dizendo se tratar de idéias preconceituosas e desde então, músicos renomados do Metal vem emitindo as suas opiniões sobre a candidatura de Trump.

Eric Peterson, guitarrista do Testament, opinou sobre as eleições de 2016 em uma entrevista ao PlanetMosh:

"Eu realmente não sou um republicano, eu gostava de algumas das coisas que Donald estava dizendo, em primeiro lugar, você sabe, quando você retirar os trocadilhos, é bem legal. Ele teria sido o presidente perfeito nos anos 40, quando tudo era mais pró-americano e o mundo não era tão voltado para os EUA, seria ótimo, mas o mundo agora é todo globalizado e precisamos parar de falar sobre a construção de paredes, ele precisa ser mais global e não ficar dizendo, você sabe, "fora muçulmanos!'" ou "os mexicanos..." e eu tenho certeza que isso não significa que ele quer isso. Ele é mais como uma pessoa normal e está aprendendo que você não pode simplesmente dizer o que pensa na política, você simplesmente não pode. As pessoas vão realmente julgar o que ele disse, seria como eu me candidatando à presidência, provavelmente diria um monte de coisas estúpidas, mas eu não quis dizer isso. Eu só estou dizendo que, entendam, "eu penso em dizer isso, mas na verdade eu quis dizer de uma outra maneira" e eu acho que ele está descobrindo isso."

O guitarrista do Slayer Kerry King, como sempre, expressou sua opinião de forma menos polida e disse a revista Rolling Stone:

"Eu certamente não sou um analista político, mas eu acho que Hillary Clinton é a escolha correta. Trump é apenas um espetáculo que eu nem vou pedir desculpas a todos os seus seguidores. Eu acho que a razão pela qual ele é tão popular é porque ele é como a versão política da WWE, ele é sensacional como um wrestling e é por isso que a media americana o ama, ele é o maior mentiroso que eu já vi na política. Quer dizer, a maioria deles são mentirosos, mas ele apenas despeja mentiras na sua face"

Outro músico conhecido por tecer letras ácidas sobre a política global, principalmente sobre a dos EUA e que também falou sobre o tema foi o líder e fundador do Megadeth, Dave Mustaine. O guitarrista e vocalista conversou com um fã através do Periscope e quando questionado se era um fã de Trump, respondeu o seguinte:

"Eu sou um fã de Donald Trump. Bem, ele é um empresário muito bem sucedido e se eu vou votar nele? Isso não é da sua conta. Se eu fosse eu não iria lhe dizer e se não fosse, eu também não iria te dizer. O que eu posso te dizer é que não voto em Hillary, gostaria de votar a favor de Vic Rattlehead (a mascote da banda)"

Muitos outros artistas e personalidades expressaram as suas opiniões, o Brujeria até prestou uma "singela homenagem" a Trump em seu recém lançado single, "Viva Presidente Trump!". Confira a canção através do link abaixo:


Este é sem dúvidas o assunto do momento na terra do Tio Sam e os músicos ligados ao Metal em sua maioria, dão as suas opiniões sem que milhares de julgamentos ocorram, simplesmente cada um possui a sua visão e a expõe, bem diferente do que ocorre no Brasil, onde cria-se regras para tudo e qualquer declaração vira um debate sem fim e sem respeito algum ao próximo.

Recentemente a banda Violator expressou o seu sentimento, em forma de um xingamento ao político Jair Messias Bolsonaro em sua página oficial do Facebook, o resultado foi uma verdadeira guerra onde centenas de frases prontas e a maioria delas, sem embasamento algum, desferiram teorias nonsense e regras sobre como um headbanger deve se enquadrar politicamente para que tenha ou não direito de ouvir Metal. Uma tremenda babaquice de ambas as partes.

Gostaríamos de saber o que pensam a respeito das declarações dos músicos e como uma possível eleição de Donald Trump afetaria o mundo?

Observação importante: esta postagem é informativa e com a pergunta acima, pretendemos promover um debate de idéias, sem xingamentos e principalmente, contando com o respeito a idéias opostas. Ninguém é o dono da verdade suprema e cada indivíduo pode e deve exercer o direito de expor suas opiniões, porém sempre respeitando o próximo. Qualquer comentário desrespeitoso será imediatamente apagado.

por Fabio Reis

Brujeria: assista ao lyric vídeo para a faixa inédita "No Aceptan Imitaciones"


O Brujeria, ícone do Metal extremo, está às vésperas de lançar o seu quarto álbum de estúdio, "Pocho Aztlan". O disco será apresentado aos fãs no dia 16 de setembro e uma pequena prévia do que estar por vir veio na forma do single "Viva Presidente Trump!".

O grupo disponibilizou mais uma canção do vindouro trabalho e também o tracklist do disco. Confira o lyric vídeo oficial para "No Aceptan Imitaciones" no link abaixo:


A lista de faixas de "Pocho Aztlan" será a seguinte:

 1. Pocho Aztlan
 2. No Aceptan Imitaciones
 3. Profecia Del Anticristo
 4. Angel De La Frontera
 5. Plato O Plomo
 6. Satongo
 7. Isla De La Fantasia
 8. Bruja
 9. Mexico Campeon
10. Codigos
11. Debilador
12. California Über Aztlan (Dead Kennedys cover)

Brujeria: novo álbum será lançado em setembro, confira os detalhes


E eis que 16 anos após o Brujeria apresentar seu terceiro trabalho, o ótimo "Brujerizmo" (2000), os ícones do Death Metal/Grindcore anunciam o lançamento de mais um álbum de inéditas. O nome do disco será "Pocho Aztlan" e chegará as lojas no dia 16 de setembro, via Nuclear Blast.

Na formação atual do grupo, estão alguns nomes de peso do Metal extremo, incluindo Jeff Walker (Carcass), Shane Embury (Napalm Death) e Nicholas Barker (Benediction). Uma prévia do que está por vir foi apresentado recentemente, através do single "Viva Presidente Trump!", onde pudemos escutar toda a fúria, acidez e sarcasmo que o grupo utiliza como poucos. Confira a nova canção através do seguinte link:



Abaixo, a capa de "Pocho Aztlan".


Brujeria - Fuck Donald Trump Tour 2016


São Paulo - Clash Club - 16/05/2016

Dois anos após terem realizado a sua última apresentação em terras brasileiras, os veteranos do Grindcore/Death Metal do Brujeria retornam para realizar uma única apresentação, em São Paulo, na Clash Club, localizada na região da Barra Funda. Assim que o evento foi anunciado oficialmente, muitos reclamaram devido ao fato do show ter sido marcado em uma segunda-feira. Contudo, apesar dessa adversidade, além de outros problemas como o trânsito caótico da cidade grande, muitos fãs compareceram para conferir a esmagadora performance do grupo. 

A casa abriu às 19h e por volta das 20h o público pôde conferir a apresentação do Endrah, banda paulistana que executa uma mistura de Death Metal com Hardcore. A banda executou um “set” curto, porém perfeitamente agressivo e contagiante. A escolha do grupo para abrir o evento foi uma excelente pedida e sem sombra de dúvidas foi um fantástico aquecimento para a atração principal. Os músicos realizam uma apresentação energética e brutal. Destaque para a performance de palco arrasadora do vocalista norte americano Ryan “Relentless” Raes.

Por volta de 21h, a casa já estava lotada e o público estava cada vez mais ansioso, ovacionando o nome da atração principal, Brujeria!  Não demora nada para as luzes se apagarem e de repente, ecoa a icônica introdução de “Raza Odiada (Pito Wilson)”, narrada pelo genial Jello Biafra (ex-Dead Kennedys), que apesar de não mais integrar a banda, foi um de seus membros iniciais. Assim que se iniciam os arranjos iniciais da primeira música do “setlist”, a casa treme e todos os presentes agitam descontroladamente. 

Quem é fã da banda sabe que o grupo não conta com uma formação fixa, tanto que alguns dos músicos que estavam presentes na apresentação não participaram das gravações dos três álbuns de estúdio da banda, porém integram o grupo há algum tempo, seja em estúdio ou em shows. Nessa passagem pelo Brasil, vieram o baixista El Cynico (Jeff Walker, do Carcass), o guitarrista Aa Kuernito (Chris Paccou, do Hicks Kinison), o baterista Hongo Jr. (Nicholas Barker, do Lock Up), o vocal El Sangron, no lugar de Fantasma e a vocalista Pititis, que veio ao país pela primeira vez. 

O show prossegue com outro clássico mortal do álbum “Raza Odiada” (1995), “Colas de Rata”. A casa ficou semelhante a uma lata de sardinha no início da apresentação dos músicos, tamanha a loucura que se tornou a pista da Clash Club. O “mosh pit” estava realmente insano! Após uma breve pausa, os vocalistas El Sangron e Juan Brujo iniciam um diálogo que é conhecido por qualquer fã da banda que se preze:

“Cunto quiere ese coyote?”, indaga Brujo. El Sangron responde, junto com todos os presentes “Diez mil pesos”. Brujo faz um ar de ironia e diz “Pa todos?”. Sangron, acompanhado pelo público, responde “No, Jefe, Pa cada uno”. Brujo faz uma breve pausa e em seguida agarra o microfone com as duas mãos e em voz gutural urra “Pinch coyote ladron, hay que joder al guey”. E dá-lhe “La Migra (Cruza La Frontera II)”, um dos maiores sucessos da carreira do grupo. Se a casa estava um caos, naquele momento a balbúrdia alcançou um nível de proporções estratosféricas... No melhor sentido da palavra, é claro! Todos cantaram e agitaram sem parar! Sem comentários.


O “groove” matador de “La Migra (Cruza La Frontera II)” dá sequência a apresentação com louvor. Em seguida, a banda interage com o público e apresenta a vocalista Pititis. A música seguinte não poderia ser outra, a não ser “Pititis, Te Invoco”, de “Brujerizmo” (2000). A vocalista, ainda que cantasse e urrasse apenas alguns versos da composição, demonstrou bastante animação, além de ter sido bastante carismática com a plateia. Ainda do álbum “Brujerizmo”, tivemos a ótima “Vayan Sin Miedo” e a veloz e destruidora “El Desmadre”. 

A banda dá continuidade a apresentação com “Angel de la Frontera”, que é sucedida pelo hino “Marcha de Odio”, composição que sempre que é tocada é recebida calorosamente por todos. O grupo faz uma pequena pausa e explicam que a próxima música tem a ver com o guitarrista Hongo (Shane Emburry, do Napalm Death, Venomous Concept, Lock Up e tantos outros), que por sinal não acompanhou a banda nessa turnê, muito provavelmente pelo fato do Napalm Death estar excursionando também. E dá-lhe “Satongo”, uma música que não se encontra registrada em nenhum material da banda até o momento. 

Dando sequência ao show, o grupo executa mais dois sons de seu terceiro álbum de estúdio, a cadenciada “Sida de La Mente” e claro, a clássica “Brujerizmo”, canção que também é presença obrigatória nas apresentações dos músicos. Assim que os “riffs” de “Brujerizmo” entraram em cena, o público ficou ainda mais empolgado, cantando cada verso ao lado da banda. A composição seguinte também já é bem conhecida do grande público, em especial por ter sido uma resposta da banda ao ex-integrante do grupo, Asesino (Dino Casares, do Fear Factory, Divine Heresy e Asesino), que deixou a banda em meados de 2005. A música em questão é a divertidíssima e igualmente suja e violenta “No Aceptán Imitaciones”, faixa que integra a compilação “Obscene Extreme 2011”, coletânea que traz músicas de diversas bandas de Metal Extremo que tocaram na edição de 2011 do festival Obscene Extreme.

El Sangron pergunta ao público se gostam da canção “Anti-Castro” e todos respondem em uníssono que sim. E dá-lhe mais pancadaria! “Revolución” é executada na sequência e é novamente recebida com perfeição. Uma das coisas mais legais que ocorreu durante a execução dessa música foi o fato de Brujo levantar a bandeira do Brasil e vesti-la sobre seus ombros e costas enquanto cantava. O “riff” grudento de “División del Norte” entra em cena e convida todos a continuarem com a destruição. O público continuava agitando sem parar, dando diversos “stage divings” e cantando com intensidade os versos da música. Tal qual na execução da música anterior, Brujo continuou cantando com a bandeira de nosso país apoiada em seu corpo.


Mais duas canções de “Raza Odiada” foram executadas na sequência, “Consejos Narcos” e a clássica “La Ley de Plomo”. Infelizmente a apresentação da banda estava chegando ao fim e Brujo diz que irão tocar a última música da noite e que seria o maior clássico do Brujeria. É claro que estamos falando de “Matando Güeros”, composição do álbum homônimo de 1993, que encerrou a apresentação como sempre de forma apoteótica. Após o término da apresentação, o público clamava por mais, é claro. O vocalista Juan Brujo demonstrava estar muito feliz com a recepção da plateia, ainda que dissesse que não teriam como tocar outros sons. “¡Lo siento!”, ele diz. Além disso, também vale a pena comentar sobre quando Pititis jogou os “setlists” do show para o público que gritava mais alto. 

Peso, devastação, muita loucura, energia e diversão. Esses são alguns dos muitos argumentos que podem definir a apresentação do Brujeria na segunda-feira de 16 de maio. Certamente mais um grande show realizado pelos veteranos em terras brasileiras. Que a banda retorne para cá muitas e muitas vezes, pois os fãs certamente irão agradecer muito!

“¡¡¡VIVA MEXICO, CABRON !!!!” 

Setlist:
01. Raza Odiada (Pito Wilson)
02. Colas de Rata
03. La Migra (Cruza La Frontera II)
04. Hechando Chingasos (Greñudos Locos II)
05. Pititis, Te Invoco
06. Vayan Sin Miedo
07. El Desmadre
08. Angel de la Frontera
09. Marcha de Odio
10. Satongo
11. Sida de la Mente
12. Brujerizmo
13. No Aceptán Imitaciones
14. Anti-Castro
15. Revolución
16. División del Norte
17. Consejos Narcos
18. La Ley de Plomo
19. Matando Güeros

Banda:
Juan Brujo (Juan Lepe) (Vocal)
El Sangron (Vocal)
Pititis (Gabriela Dominguez) (Vocal)
Aa Kuernito (Chris Paccou) (Guitarra)
El Cynico (Jeff Walker) (Baixo)

Hongo Jr. (Nicholas Barker) (Bateria)

por David Torres

Brujeria: banda retorna com "single" inédito e matador



Dois anos após o lançamento de seu último "single", "Ángel Chilango" (2014), os veteranos do Metal Extremo Brujeria retornam com mais um pequeno, porém ótimo material, "Viva presidente Trump", um "single" lançado via Nuclear Blast America que traz duas composições inéditas, sendo elas a faixa título e "Pared de Muerte", onde a banda executa aquilo que sempre soube fazer de melhor, uma perfeita e única mistura de Grindcore e Death Metal, com muito peso, "groove", insanidade, criatividade, além do humor negro que sempre esteve presente em suas canções.

Confira abaixo a faixa "Viva presidente Trump"!




Brujeria – “Matando Güeros” (1993)



O Grindcore é um estilo que passou a ser adorado por uma centena de admiradores com o passar dos anos. Com seus “riffs” viscerais, suas levadas frenéticas de bateria, principalmente de “blast beats” e vocais urrados e guturais, esse estilo de música extrema se propagou mais e mais com o lançamento de trabalhos como o seminal e cultuado álbum “Scum”, do Napalm Death, que é tido por muitos como um dos pilares do movimento e cresceu mais e mais com o passar dos anos. 

Com um nome que significa “bruxaria” em espanhol, o Brujeria foi fundado em 1989 por Juan Brujo, Fantasma, Billy Gould (Faith No More, Fear And The Nervous System, Jello Biafra and the Guantanamo School of Medicine) e Dino "El Asesino" Cazares (Fear Factory, Asesino, Divine Heresy). Pouco depois, novos membros passaram a integrar a banda. Suas músicas, que são completamente cantadas em espanhol, são focadas em temas como satanismo, anticristianismo, sexo, imigração, tráfico de drogas e política. A banda já passou por diversas formações e já contou e conta com artistas de peso do Metal. Os integrantes do Brujeria tocam utilizando pseudônimos e alegam ser uma banda latina supostamente constituída por traficantes de drogas. Esse seria o motivo pelo qual esconderiam seus rostos com bandanas, além de seus verdadeiros nomes. Segundo os membros, eles são procurados pelo FBI. Obviamente tudo não passa de uma brincadeira dos músicos. 

Lançado em 06 de julho de 1993, através da gravadora Roadrunner Records, “Matando Güeros” é o álbum de estreia do Brujeria. O disco possui como temática principal a morte de estadunidenses brancos e a travessia da fronteira Estados Unidos-México, além de satanismo e tráfico de drogas. “Güero”, para quem não sabe, é uma gíria mexicana para alguém muito branco ou loiro. A foto da capa do disco mostra uma pessoa desconhecida segurando uma cabeça decapitada, que foi retirada do jornal sensacionalista mexicano ¡Alarma!. A temática violenta e ofensiva do álbum, bem como a sua grotesca capa fizeram o disco ser banido em muitos países. Um fato bastante curioso é que a cabeça decapitada que aparece na capa do disco foi apelidada de “Coco Loco” e terminou por se tornar uma mascote da banda. Como já era de se esperar, algumas lojas norte americanas e de outros países se recusaram a vender o álbum devido a sua capa controversa e devido a isso, a Roadrunner Records providenciou prensagens censuradas cujas capas apenas apresentavam o logo da banda e o título do álbum. Sem mais delongas, vamos dissecar esse que é um dos discos mais importantes da música pesada da década de 90.



Uma curta introdução, “Pura de Venta”, que simula um tráfico de drogas com um final não muito feliz abre as portas para a pancadaria de “Leyes Narcos”, que já se inicia com os vocais furiosos de Juan Brujo e “riffs” sujos e nervosos, acompanhados por uma “cozinha” altamente destrutiva. Como se vê, um começo realmente brilhante e que já deixa o ouvinte preparado para todo o caos que está por vir na próxima meia hora. “Sacrificio” tem um começo arrastado e alterna entre momentos rápidos e “paradinhas” mortais, que por sinal deixam o baixo em evidência nesses momentos. A quarta faixa é a curta e brutal “Santa Lucía” que conta novamente com uma levada feroz de bateria e “riffs” impiedosamente sujos. Uma marcação de baixo dá início a faixa título e hino da banda, “Matando Güeros” que possui um andamento mais cadenciado, contando sempre com a afinação baixíssima nas guitarras tão característica do Grindcore. Como mencionei anteriormente, é simplesmente um hino, dono de um refrão infame e altamente contagiante.

Em seguida, é a vez de “Seis Seis Seis”. Apresentando uma das muitas letras da banda com foco no satanismo, é uma faixa que possui um andamento cadenciado, mas que possui passagens rápidas e levadas mais rápidas de bateria próximo ao coro da música. “Cruza la Frontera” é uma das mais furiosas do disco e conta com “blast beats” esmagadores, “riffs” abominavelmente pesados e vocais rasgados. Vale lembrar que a sequência dessa faixa é “La Migra (Cruza la Frontera II), o maior êxito comercial da banda, lançada no álbum seguinte, “Raza Odiada”. Logo após é a vez de “Greñudos Locos” que ainda que mais cadenciada, é mais uma pedrada e atinge os ouvintes em cheio com sua pegada forte de bateria, suas palhetadas sempre sujas e intensas e os vocais sempre agressivos de Juan Brujo. Sem dar fôlego para respirar, recebemos mais um soco na boca do estômago, “Chinga de Mecos”, que nos espanca com “blast beats” desvairados, guitarras enraivecidas e vocais descontroladamente irados. “Narcos Satánicos” traz novamente um andamento arrastado e balanceado, porém, sem jamais perder peso e mantendo a mesma linha de som das músicas anteriores.

Os “riffs” cadenciados de “Desperado” vem logo em seguida e convidam os ouvintes a "banguearem". Pouco depois recebemos mais uma dose frenética de “blast beats” e levadas velozes de bateria acompanhados por vocais novamente urrados. O final da música se dá com o mesmo “riff” sujo e empolgante de abertura. A próxima faixa, “Culeros”, funciona com uma espécie de interlúdio e abre caminho para mais uma porrada sujíssima e certeira nos tímpanos, “Misas Negras (Sacrificio III)”, onde mais uma vez os integrantes demonstram que não estão para brincadeira. A décima quarta faixa do álbum é a ótima instrumental “Chinga Tu Madre”, que possui bons “riffs” e um competente trabalho de “cozinha”, especialmente de bateria. Dando continuidade, temos “Verga del Brujo / Están Chingados” onde novamente temos um ritmo denso e pesado, entretanto, mais estabilizado.

“Molestando Niños Muertos” tem um dos nomes mais abomináveis e vis para uma canção e é, pessoalmente, uma das minhas músicas favoritas do disco. Contando com guturais ainda mais furiosos, “riffs” estranhos e um “groove” matador, é uma ótima faixa. A sequência da terceira faixa do disco vem logo em seguida com a pesadíssima “Machetazos (Sacrificio II)”, certamente outra das mais pesadas do disco, contando com levadas violentíssimas de bateria, guturais grotescamente brutais e um trabalho estrondoso de guitarra. A penúltima faixa, “Castigo del Brujo”, é igualmente pesada e conta com “riffs” novamente intensos e graves, porém possui um ritmo mais moderado. “Cristo de la Roca”, por sua vez, encerra esse trabalho com sua levada cadenciada e suas guitarras sempre pesadas e encorpadas, que mutilam os tímpanos dos ouvintes pela última vez.



Narcotráfico, satanismo e música extrema combinados de forma brilhante e única. Isso resume bem o que é o Brujeria! “Matando Güeros” é um trabalho repulsivo, vil, sujo, cru e violentamente perfeito. Sua proposta antimusical e hedionda entrega para os seus ouvintes meia hora do mais genuíno Grindcore e Death Metal, executado com muita criatividade e brutalidade. O resultado é algo completamente único. Um marco para a música pesada como um todo e simplesmente uma obra indispensável a todos os amantes da música extrema!

♫ “Matando güeros - ¡¡Viva la raza!! 
Matando güeros - ¡¡Estilo Pancho Villa!! 
Matando güeros - ¡¡Satanas te cuida!! 
Matando güeros - ¡¡Matando güeros!!” ♫

“¡¡¡VIVA MEXICO, CABRON !!!!” 




Integrantes:

Juan Brujo (Juan Lepe) (Vocais)
Pinche Peach (Vocais adicionais/"Samples")
Asesino (Dino Casares) (Guitarra)
Hongo (Shane Embury) (Guitarra/Baixo)
Güero sin Fe (Billy Gould) (Baixo)
Fantasma (Pat Hoed) (Baixo/Vocal)
Greñudo (Raymond Herrera) (Bateria)

Faixas:

01. Pura de Venta 
02. Leyes Narcos 
03. Sacrificio 
04. Santa Lucía 
05. Matando Güeros 
06. Seis Seis Seis 
07. Cruza la Frontera
08. Greñudos Locos 
09. Chinga de Mecos 
10. Narcos Satánicos 
11. Desperado 
12. Culeros 
13. Misas Negras (Sacrificio III) 
14. Chinga Tu Madre 
15. Verga del Brujo / Están Chingados 
16. Molestando Niños Muertos 
17. Machetazos (Sacrificio II) 
18. Castigo del Brujo 
19. Cristo de la Roca 



Escrito por David Torres
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