sexta-feira, 1 de maio de 2015

Iron Maiden - The Number Of The Beast (1982)


33 anos de um dos mais importantes e influentes discos da história do Metal

Existem álbuns e registros que são produzidos e lançados e alcançam um nível de importância quase indescritível. Hoje, 22 de março de 2015, é o aniversário de 33 anos de um trabalho que se enquadra perfeitamente nessa categoria: “The Number Of The Beast”, terceiro álbum de estúdio da banda que hoje é uma das mais consagradas da história do Heavy Metal, o Iron Maiden. Dono de uma belíssima e estonteante arte de capa concebida pelo mago Derrick Riggs, se tornou um dos discos mais importantes e influentes de toda a história do Metal e isso é inquestionável.

O Iron Maiden foi um dos primeiros nomes do movimento que ficou conhecido mundialmente como New Wave Of British Heavy Metal (Nova Onda do Heavy Metal Britânico). Após dois álbuns gravados através do selo da EMI Records, que por sinal até hoje é a gravadora pela qual a banda lança os seus discos, “Iron Maiden” (1980) e “Killers” (1981), o até então vocalista Paul Di'Anno é demitido devido ao seu comportamento destrutivo e uso abusivo de drogas, principalmente a cocaína. Di'Anno é substituído pelo novato vocalista do Samson, Bruce Dickinson. Com o passar dos anos, Dickinson passou a ser considerado um dos maiores “frontmens” do Metal devido a sua grande energia, carisma, presença de palco e claro, sua voz! Eis que em 22 de março de 1982 é lançado “The Number Of The Beast”. A troca de vocalistas culminou também em uma mudança na sonoridade do grupo, que passou a ser ainda mais melódica e trabalhada, o que viria a influenciar diretamente nos trabalhos posteriores.

O disco já abre com as excelentes linhas de bateria de Clive Burr (1957-2013) e os “riffs” pesados e empolgantes da dupla de guitarras formadas por Murray e Smith, além do excepcional baixo de Steve Harris. “Invaders” é pessoalmente uma das minhas músicas favoritas da banda, ao lado de outras desse grande trabalho e em pouco mais de três minutos de duração, nos brindam com um som avassalador e que já nos apresenta a potencia vocal do até então estreante Dickinson. Os lindos dedilhados de “Children Of The Damned” dão início a essa brilhante segunda música do disco. Seus andamentos, “riffs”, solos, linhas vocais... tudo é simplesmente perfeito! Uma verdadeira obra-prima! 

Uma introdução se inicia e logo a bateria de Burr dá início a “The Prisoner”, uma música empolgante que mais uma vez mostra como Bruce Dickinson se encaixou perfeitamente ao som do Iron Maiden: a química, a sintonia e o entrosamento dos músicos é sensacional! Mais um grande clássico! Também é interessante saber que essa música foi inspirada em uma série de TV dos anos 60, estrelada por Patrick McGoohan. Na série, o agente abandona o serviço secreto britânico e é preso quando chega em casa. Ele é levado para “The Village”, onde os nomes são trocados por números. Ele é o número 6. Na medida que o sujeito avança na hierarquia, seu número diminui até o 1, que manda no lugar. Daí o motivo da introdução que ouvimos no início da canção, que faz parte do segundo episódio do seriado, “The Chime Of Big Bem”.

“We want information, information, information.”
“Who are you?”
“The new number two.”
“Who is number one?”
“You are number six.”
“I am not a number, I am a free man.”
“HAHAHAHAHAHAHAHA.”

“22 Acacia Avenue” é a música que dá continuidade a esse belo registro. Essa música dá continuidade à saga da personagem “Charlot The Harlot” que a banda criou na música de mesmo nome, presente no primeiro álbum. O que dizer desse som? Simplesmente avassalador! Começando de forma vagarosa, a música se torna cada vez mais empolgante a cada “riff”, cada acorde, cada linha de baixo e bateria, cada verso cantado e a cada mudança de andamento. A banda simplesmente destrói! A mais pura essência do Heavy Metal tradicional exala por cada passagem. O que dizer sobre os solos dessa música? São simplesmente hipnotizantes e repletos do mais genuíno “feeling”! Certamente uma das melhores faixas do álbum.


E eis que chega a vez da quinta faixa se iniciar:
“Woe to you, Oh Earth and Sea... For the Devil sends the beast with wrath, because he knows the time is short...
Let him who hath understanding reckon the number of the beast for it is a human number... It's number, is Six Hundred and Sixty Six...”

Sim, é a vez de um dos maiores hinos da banda e do Heavy Metal: “The Number Of The Beast”, a poderosa faixa-título e segundo “single” do álbum e que também ganhou um videoclipe muito conhecido, começa vagarosamente e logo dá início a uma verdadeira explosão sonora. Seus “riffs”, “cozinha” sempre impecável de baixo e bateria, solos mirabolantes, acompanhando de uma letra espetacular cujo refrão é conhecido por qualquer admirador da música pesada tornam esse som um dos mais importantes para a história do Heavy Metal.

Muitos não sabem, mas “The Number Of The Beast” foi inspirada em um pesadelo de Steve Harris após ele ter assistido ao clássico filme de terror “Damien: A Profecia II” (1978) e também no poema “Tam o'Shanter”, do escritor escocês Robert Burns (1759-1796). A introdução desse clássico contém duas passagens da Bíblia: Apocalipse 12:12 e 13:18. É incrível como após tantos anos ouvindo essa introdução ela continua soando da mesma forma, transmitindo uma atmosfera única e simplesmente perfeita. Uma obra prima!

Mais uma vez a bateria de Clive Burr dá início a uma das músicas do álbum e a música em questão é mais um hino da banda: “Run To The Hills”, o primeiro “single” desse grande disco e que também teve o mérito de ganhar um clássico videoclipe. Como classificar esse som de outra forma a não ser “hino”?! Novamente temos uma avalanche de “riffs” memoráveis, um refrão forte como uma rocha e tudo o que o ouvinte deseja escutar. 

Depois chega a vez de mais dois grandes sons, “Gangland” e “Total Eclipse”, que mais uma vez nos bombardeiam com um belo e competente trabalho instrumental, repleto de mudanças de andamentos espetaculares, passagens vocais altamente marcantes e “riffs” e solos inspiradíssimos. A banda simplesmente não perde a sua força em momento algum!

Pra finalizar essa verdadeira obra prima do Heavy Metal, somos brindados com uma música que ao longo do tempo de tornou um grande clássico e hino da banda: “Hallowed Be Thy Name”, último “single” do álbum e que na minha humilde opinião, já nasceu um clássico! Sua introdução vagarosa e lenta, com direitos a sinos ecoando pelos alto-falantes logo dão espaço para uma verdadeira explosão sonora extremamente empolgante e cativante. A sua letra descreve perfeitamente as palavras de um indivíduo prestes a ser executado, tudo muito bem acompanhado com o brilhante trabalho instrumental criado pela banda. Os vocais de Dickinson arrepiam e arrebentam a todo o momento, assim como toda a banda, que sempre esbanja “feeling” e criatividade. E assim se encerra esse brilhante e importantíssimo registro de Heavy Metal.

Quando “The Number Of the Beast” foi lançado, infelizmente, nem tudo foi tão a favor da banda. Grupos extremamente religiosos e conservadores pregavam que a banda era satânica e queimaram diversos materiais que tinham qualquer envolvimento com o Iron Maiden. Como resposta a esses atos, Steve Harris fez a seguinte declaração: “Foi louco. Eles ficaram completamente do lado errado da vara. Eles, obviamente, não tinham lido as letras. Eles só queriam acreditar em todo esse lixo sobre sermos satanistas”. Absurdos a parte, ninguém ficou indiferente ao lançamento do disco, como se pode notar.
Esse álbum, aliás, além de marcar a entrada de Bruce Dickinson para a banda, também foi a saída do até então baterista Clive Burr, que por sinal, faleceu há dois anos, em 12 de março de 2013, devido a uma esclerose múltipla que acabou adquirindo. Todos os fãs certamente sabem que o trabalho de Clive jamais será esquecido e permanecerá sempre vivo em nossas memórias.


Após esse álbum, diversas mudanças ocorreram com a banda. O álbum sucessor, o igualmente clássico e excelente “Piece Of Mind” (1983) marca a entrada do até hoje baterista da banda, Nicko McBrain, um músico talentosíssimo e carismático e com o passar dos anos e dos lançamentos, a banda apresentaria mudanças e experimentações em suas composições, passaria por reviravoltas que culminariam em saída de integrantes, entrada de novos e retorno de membros que saíram, mas é claro que não vou entrar nesse assunto, pois isso já é outra história...

Tracklist: 
01. Invaders 
02. Children Of The Damned 
03. The Prisoner 
04. 22 Acacia Avenue
05. The Number Of The Beast
06. Run To The Hills
07. Gangland
08. Total Eclipse
09. Hallowed Be Thy Name

Lineup:
Bruce Dickinson (Vocal)
Steve Harris (Baixo e “Backing Vocals”)
Adrian Smith (Guitarra e “Backing Vocals”)
Dave Murray (Guitarra)
Clive Burr (Bateria)

Escrito por David Torres

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