sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Entrevista: Maestrick


Para quem não conhece a Maestrick, a banda executa um Prog Metal dos mais competentes, inclusive tendo uma resenha já feita pelo Mundo Metal sobre o seu primeiro álbum, o ótimo "Unpuzzle!". Leia clicando aqui.

À seguir, confira uma super entrevista que fizemos com o baterista Heitor Matos, em que ele nos conta um pouco sobre passado, presente e futuro da banda.

1 - Primeiramente, gostaria de parabenizá-los pelo trabalho de altíssima qualidade. Escutei o álbum "Unpuzzle!" e é um trabalho genial, eu não ouvia um álbum de Metal Progressivo tão bom há muito tempo.

Heitor Matos - É muito legal receber elogios desse tipo. Nós colocamos sempre o coração em primeiro lugar nas músicas do Maestrick e continuaremos assim. Agradecemos muito o elogio! 

2 - O disco foi lançado em 2011 e recebeu ótimas críticas. Estamos em 2016 e somente agora a banda apresentará um novo trabalho, o que ocasionou esse intervalo de 5 anos entre um lançamento e outro?

Heitor - Bom... Acho que o principal motivo é que, como não vivemos somente do Maestrick “ainda”, não dedicamos full time para a banda. Mas agora temos os dois vindouros que vai remediar esse hiato nas novidades do Maestrick. Nós estamos realmente muito felizes com os resultados, tivemos tempo pra pensar onde queríamos chegar e está sendo muito legal

3 - Vocês fizeram três apresentações bem marcantes num passado não muito distante, uma no festival Roça 'N' Roll em Varginha/MG, outra no ProgFest II em Lima, no Peru e recentemente no La Plata Prog Festival na Argentina. Quais as principais lembranças dessas datas? O que representou para a banda tocar nesses três grandes festivais? 

Heitor - Realmente, tocar nesses festivais com o primeiro álbum da banda foi incrível.
Tocar no Roça n’ Roll era um sonho já pra nós, praticamente todas as bandas brasileiras das quais nós ouvíamos quando pirralhos, tocaram no Roça.!


4 - Ainda este ano vocês lançaram um EP com versões de grandes clássicos e bandas que os influenciaram, em "The Trick Side Of Some Songs" temos versões de Queen, Yes, Jethro Tull, Beatles e etc. Estas são todas bandas clássicas de Rock, mas também vejo muito de Metal na musicalidade da Maestrick, quais as bandas de Metal que os influenciam? Digamos se fossem gravar um "The Trick Side Of Some Songs Part II" apenas com as influências de Heavy Metal, o que estaria no CD? 

Heitor - As influências do Maestrick são muitas, no Metal e adendos... Eu citaria Metallica, Helloween, Megadeth, Angra que é a banda que sempre tivemos orgulho de ter no Brasil. Tem bastante. Acho que pra escolher bandas pra fazer um segundo "TTSoSS" seria bem mais difícil que o primeiro! 
5 - A maioria das bandas que gravam álbuns de covers se limitam a tocar o mais próximo possível das músicas originais, mas vocês foram além, colocaram as suas características nas canções e as modificaram. O resultado foi fantástico! Esse processo foi natural ou vocês pensaram desde o início em fazer algo diferente? Por que?

Heitor - Acho que pra nós é natural, mesmo porque tentar reproduzir uma coisa que já gostamos da forma original, não faz sentido pro Maestrick. É claro que isso é uma opinião e não julgamos nenhuma forma de cover! O TTSoSS foi mais uma homenagem do que qualquer outra coisa.

6 - Ainda sobre "The Trick Side Of Some Songs", qual a motivação de ter lançado o EP, já que o novo álbum da banda deve ser apresentado também em 2016?

Heitor - A principal motivação foi a homenagem. Logo que fizemos a versão de Rainbow Eyes (Rainbow), pensamos em esticar um pouco mais o projeto e resultou no EP. As versões foram surgindo e fomos curtindo o resultado, de repente tava tudo formalizado e decidimos mixar e oficializar tudo! Foi um processo muito divertido essa composição do EP!

7 - O nome do novo disco será "Espresso Della Vita: Solare". O que os fãs podem esperar desse registro e musicalmente, quais as principais diferenças entre ele e "Unpuzzle!"?

Heitor - Esses dois discos foram resultado de uma época bem intensa do Maestrick. Posso adiantar que colocamos muito de nós mesmos dentro do contexto do álbum, mas nunca fugindo do contexto da banda. Musicalmente falando, nesse disco as pessoas vão ouvir onde queríamos chegar com relação a timbres principalmente. Eu sei que é clichê falar assim, mas o fato é que estamos realmente felizes com o resultado de tudo. O contexto por trás das letras é uma coisa muito diferente do “Unpuzzle!”, mas ainda sendo Maestrick. Nós testamos muito tudo, antes de aprovar as versões finais das músicas e isso foi bem legal. Bom, acho que falei demais! (risos) 

8 - A Maestrick segue como um power trio, porém o guitarrista Rubinho Silva gravou o EP "The Trick Side Of Some Songs" e acompanhou a banda em algumas apresentações. Ele será efetivado como membro da banda ou vocês estão a procura de um guitarrista fixo ainda? Para o novo álbum, quem é o responsável pelas guitarras?

Heitor - O Sr Rubens Silva é praticamente um membro da Família Maestrick, assim como temos as Backing Vocals que estão sempre conosco (Dani Castro e Carol Penhavel). São pessoas que sempre nos apoiaram e nos deram suporte em todos os aspectos. O Rubens tem os projetos dele e embora tenha sido cogitado para nos acompanhar nessa nova fase do Maestrick, por enquanto seguimos sem guitarrista.
Quem assumirá as guitas na gravação é o Sr Adair Daufembach, o que será uma honra pra nós também.

9 - Vocês participaram de um tributo ao inesquecível Ronnie James Dio este ano, gravaram a clássica "Rainbow Eyes" do Rainbow. Como aconteceu esse convite e como foi para a banda prestar esta homenagem a um dos músicos mais respeitados de todos os tempos?

Heitor - Como foi dito em uma resposta anterior, essa música foi o ponta pé inicial para nós decidirmos fazer o TTSoSS. O Fábio apresentou a ideia pra nós e abraçamos a causa como sempre. O Dio dispensa comentários... Foi um músico que contribuiu demais pra o que o Metal é hoje em dia. É o mínimo que dá pra fazer.


10 - Sobre a escolha da canção, algum motivo especial? 

Heitor - A música Rainbow Eyes é com orquestra e voz somente e isso nos deu certa liberdade de criar um arranjo em cima, porém foi um desafio também. 

11 - O Prog Metal é um estilo bem complexo e voltado para um público mais exigente. Grande parte das bandas do gênero acaba caindo no erro de fazer músicas altamente complexas e cheias de partes instrumentais infindáveis, algumas delas ganhando até mesmo taxações como "masturbação sonora". Isso não acontece com a Maestrick, pois apesar da técnica apurada e indiscutível que vocês possuem vocês nitidamente focam na música e a virtuose aparece apenas quando tem que aparecer, assim como a simplicidade. O que vocês pensam à respeito de bandas que colocam a técnica acima da música e qual o segredo de vocês para não cair nessa armadilha?

Heitor - É muito legal ouvir isso, muito obrigado de novo! Eu acho que o motivo principal de o Maestrick não trabalhar só pela técnica, é que admiramos e respeitamos uns aos outros, como pessoas também. E onde isso entra na música? O processo de criação do Maestrick tem uma energia muito boa, acreditamos que a energia é o ponto principal em tudo, e tendo essa Vibe positiva, nós fazemos as coisas realmente com o coração. Mas tem hora que dá umas escapadinhas pra mostrar algo do próprio instrumento. (risos)


12 - O cenário nacional vem demonstrando certo crescimento nos últimos anos, mas no meu conceito, ainda engatinha se comparado a cenas de países da Europa. Apesar de muitas bandas de extrema qualidade, o apoio continua sendo irrisório e os grupos precisam matar um leão por dia. Na opinião da Maestrick, quais as principais dificuldades encontradas para se fazer Metal no Brasil e o que poderia ser feito para que esse quadro pudesse mudar?

Heitor - Eu acho que vivemos em uma época que temos que mudar a cabeça. Temos que começar a ver uma banda como uma empresa, na qual fazemos música com o coração e todas as outras com a mente. Temos investimentos assim como em uma empresa, temos que ter um plano de ação e etc... É claro que isso é difícil de ser colocado em prática, porque estamos acostumados com a ideia de que banda será descoberta e tudo se resolverá. Realmente é difícil ver o que está acontecendo com o Rock no geral, mas reclamar só não trará a mudança.

13 - O Mundo Metal incentiva os músicos e bandas que realmente querem chegar a algum lugar e conquistar o seu espaço. Acreditamos em planejamento, foco e também em sonhos, portanto quase sempre repetimos essa pergunta nas nossas entrevistas. Quais os próximos objetivos do Maestrick? Qual o sonho, aquela situação que quando se tornar real, vocês vão poder dizer, "Chegamos onde queríamos"?

Heitor - Os próximos principais objetivos são: Primeiramente, continuarmos sempre convivendo como irmãos. Segundo, conseguirmos passar essa energia boa nesses dois próximos álbuns. Também citaria gravar um DVD, é um sonho do Maestrick e espero que esteja perto de se tornar realidade. Continuarmos crescendo como ser humano e como músicos, isso é muito importante também. Acho que pra falar “Chegamos onde queríamos” vai longe ainda, mesmo porque sempre estamos buscando algo novo. 

14 - Espaço aberto para que deixe um recado para fãs e amigos.

Heitor - Agradecemos imensamente a oportunidade de contar sobre o Maestrick. Foi uma excelente entrevista. Muito Obrigado. “Keep On Rock”.

Para maiores informações sobre a Maestrick, acesse os links abaixo:


por Fabio Reis