segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Clássicos: Black Sabbath - "Dehumanizer" (1992)


"Dehumanizer" é com toda a certeza, um dos melhores álbuns de Heavy Metal da década de 90, um verdadeiro oásis no deserto. É também um dos mais pesados de toda a carreira do Black Sabbath (senão o mais pesado) e promove a volta da inesquecível formação que excursionou na promoção de "Heaven And Hell" (1980) e gravou "The Mob Rules" (1981). 

A banda passou por alguns momentos de incerteza durante a maior parte da década de 80 e começava a se acertar lançando bons discos com o vocalista Tony Martin, porém após um show em que o eterno Ronnie James Dio se apresentou ao lado de Geezer Butler, surgiu uma vontade de ambos em gravar novamente com o Black Sabbath. É claro que Tony Iommi inicialmente não gostou da idéia e precisou ser convencido a aceitar tais mudanças. 

Após um período de negociações, Tony Martin e o baixista Neil Murray foram demitidos para que Dio e Geezer retornassem, nas baquetas o responsável ainda era Cozy Powel, porém quis o destino que Powel fraturasse uma costela e impedido de tocar, a escolha lógica foi a de chamar Vinny Appice.

Nas gravações, estava claro que dificilmente a banda conseguiria se manter com essa formação por muito tempo, Iommy e Dio não se bicavam  e diversas discussões ocorreram. A guerra de egos fez com que o álbum demorasse mais do que o previsto para ser finalizado, porém no dia 22 de junho de 1992, "Dehumanizer" finalmente chegava às lojas.


Se internamente os ânimos estavam a flor da pele, o resultado da junção de músicos tão talentosos não poderia gerar outro resultado musicalmente, um disco singular, inspirado, classudo e que gerou uma excepcional resposta comercial à banda. Dio estava soberbo, Iommi compôs riffs sensacionais e a parte rítmica comandada pelo baixo de Geezer Butler e a bateria de Vinny Appice era pesada e precisa.

Diversas faixas de "Dehumanizer" merecem destaque. A poderosa faixa de abertura "Computer God", as viscerais "TV Crimes" e "Time Machine", além das pesadas, porém melodiosas "After All (The Dead)", "I" e "Master Of Insanity", são os maiores exemplos da qualidade absurda contida no décimo sexto disco de estúdio do Sabbath. 

O trabalho rendeu uma extensa turnê ao grupo, inclusive com uma histórica passagem pelo Brasil. Uma curiosidade é que quando tocaram por aqui, não havia versão nacional lançada do álbum e a grande maioria dos fãs presentes no Olímpia, Ibirapuera (SP) e Canecão (RJ) não conheciam as músicas do novo registro. Coisas que acontecem no Brasil...

Assim como nos anos 80, o que era bom durou pouco e como diz a lenda, Ozzy na época anunciava sua aposentadoria (sim, é isso mesmo!) e pediu ao Black Sabbath que abrisse alguns shows de sua banda solo, segundo as más línguas Dio se negou prontamente a fazer tais shows e deixou o grupo sem maiores explicações.

Brigas, desentendimentos e egos à parte, "Dehumanizer" é um disco brilhante, ótimo do início ao fim e nada será capaz de apagar isso. Clássico!


Integrantes:

Ronnie James Dio (vocal)
Tony Iommi (guitarra)
Geezer Butler (baixo)
Vinny Appice (bateria)
Geoff Nicholls (teclado)

Faixas:

 1. "Computer God"   
 2. "After All (the Dead)"   
 3. "TV Crimes"   
 4. "Letters from the Earth"   
 5. "Master of Insanity"   
 6. "Time Machine"   
 7. "Sins of the Father"   
 8. "Too Late"   
 9. "I"   
10. "Buried Alive" 

por Fabio Reis