terça-feira, 16 de maio de 2017

Seven Kingdoms​ - "Decennium" (2017)

Napalm Records

Mundo Metal [ Lançamento ] 



Enquanto o mundo se deliciava com os contos sádicos e cruéis de George R.R. Martin e suas Crônicas de Gelo e Fogo – conjunto de livros que tomou proporções bizarramente gigantes com o lançamento da série da HBO baseada na obra, “Game of Thrones” -, se espantando, chorando, gritando e jurando morte ao autor quando um personagem favorito sucumbia aos dedos gelados da morte, O Seven Kingdoms já dava a letra sobre essa parada há muito tempo (segura os hipsters!). Na ativa desde 2007, os nativos de Deland, Florida (EUA) assaltam a cena hoje marginalizada do Power Metal com trabalhos de gosto extremamente requintado, riffs nervosos e vocal mais limpo que essa sua carinha de nenê desde então. 

‘The Fire Is Mine’, último play dos estadunidenses, fez maravilhas pra banda ao coloca-la num patamar de cult pela impressionante qualidade apresentada, o que para ‘Decennium’ – mais nova empreitada do Seven Kingdoms – poderia servir como algo negativo, já que a pepita foi uma das melhores do gênero naquele ano; tarefa árdua, então, para os irmãos Keith e Kevin Bird, Camden Cruz, Aaron Sluss e Sabrina Valentine. 

Mas olha só que coisa linda: como estamos falando de uma galera competente, criativa e fiel ao estilo que amam, a molecada mais Euro-Power dos Estados Unidos abre as portas para o sucesso mais uma vez já na primeira música de ‘Decennium’. “Stargazer” detona os céticos e surpeende os desavisados freneticamente à la Stratovarius e Battle Beast antigo; insantaneamente grudenta e cheia de riffs cortantes mas elegantes, a faixa entrega exatamente o que eu estava esperando há 5 anos de forma magistral, o que a banda continua fazendo pelas próximas 6 músicas. “Undying” serve como mais uma entrada ao prato principal por vir, num estilo um pouco mais agressivo que sua antecessora, mas nunca menos cativante, e então, logo na terceira pedrada, vem o golpe especial: “In the Walls”, inspirada no conto homônimo de H.P. Lovecraft; essa é com certeza uma das melhores composições da carreira do Seven Kingdoms. Sabrina simplesmente oblitera, disseca e come a carcaça de qualquer outra vocalista do gênero (e de muitos outros) aqui, com uma performance perto da perfeição em seus agudos e uma atitude na voz sem rival; melhor música de Power Metal de 2017, e não tem nem graça.


“The Tale of Deathface Ginny”, “Castles in the Snow” e “Kingslayer” mantêm a alta qualidade do play com leads refrescantes e boas letras. A primeira têm um início meio Blind Guardian e lentamente se transforma em um hino mais melódico na ponte e refrão. A segunda aposta na magia e fantasia com um toque meio Hammerfall/meio Helloween, mas sem perder a identidade, enquanto que a terceira é a dose obrigatória de “Game of Thrones” do álbum contando a história do maior molhador de calcinhas dos Sete Reinos, playboy medieval e maníaco incestuoso Jamie Lannister, conhecido na obra como Regicida, em suas ações para matar o Rei Louco Aerys II Targaryen. 

A parte final do álbum, porém, não é nem de longe a delícia sonora que passou, e a impressão que passa é que o suco de criatividade pode ter acabado. Não há músicas ruins ou completos lixos aqui, mas de fato “The Faceless Hero” e “Hollow”, por exemplo, não mostram atuações bombásticas ou sequer soam tão orgânicas; na verdade, a velocidade da bateria e o baixo não tão proeminente atacam um pouco a mística e a sinergia dessas últimas faixas com relação à primeira metade do trabalho. Nada tão preocupante, mas que claramente resulta numa queda de produção. Aliás, a produção aqui é o que se espera de um álbum de Power Metal: bom dynamic range, instrumentos espaçados e atenção mais visível a solos e ao vocal, cortesia dos mestres no assunto Jim Morris (sim, ele mesmo, a lenda) tomando as rédeas da gravação e o prodígio Jacob Hansen fazendo as honras na masterização.


Sou fã de carteirinha assumido de Power Metal, em todas as suas variações. Dessa forma, escuto muitos (muitos mesmo) álbuns do gênero e por isso tenho total segurança no que vou dizer: ‘Decennium’ é, de longe, mas longe MESMO, o melhor play do estilo em 2017 até o momento. Da voz inacreditável de Sabrina aos riffs encorpados e composições extremamente sóbrias e não forçadas, o lançamento vai facilmente figurar nas playlists Power mundo afora por muito tempo. Fãs do gênero em geral vão se encantar com a banda – especialmente amantes de Divine Ascension ou Triosphere, por exemplo -, mas qualquer headbanger com meio neurônio deve dar uns minutinhos de atenção a essa boa obra. Mais do que recomendado.

Nota: 8.5

Formação: 

Keith Byrd (bateria)
Kevin Byrd (guitarra)
Camden Cruz (guitarra)
Sabrina Valentine (vocal)
Aaron Sluss (baixo)

Faixas:

01. Stargazer 
02. Undying 
03. In the Walls 
04. The Tale of Deathface Ginny  
05. Castles in the Snow 
06. Kingslayer  
07. The Faceless Hero 
08. Neverending  
09. Hollow  
10. Awakened from Nothing 


Redigido por Bruno Medeiros

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