terça-feira, 16 de maio de 2017

Bolido​ - “Heavy Bombers” (2017)

Independente

Mundo Metal [ Lançamento ]



Chile, pais que fica na "beirada" do continente americano, cortado pela maravilhosa cordilheira dos Andes, com direito a ser o berço da teoria da Evolução, uma vez que Darwin visitou a Patagônia e conseguiu bolar uma baita teoria. E assim como na teoria de Darwin, a cena do metal Chileno evoluiu muito. Há alguns anos mal ouvíamos falar de bandas chilenas, mas com o avanço da internet e claro, da qualidade existente, muitas bandas Chilenas (e também Peruanas) como Dorso, Evil Attack, Fastidio!, Armoured Knight, Iron Spell, Gangrena, Fibra de Acero, Fireland, Acero Letal, Acero Nacional e Acero Bélico se tornaram acessíveis e mais agradáveis para os fãs de metal.

Não é diferente com a Bolido, uma banda das províncias de Santiago, onde 4 jovens decidiram se juntar em meados de 2010 e o resultado é uma das melhores bandas de Heavy Metal da cena Chilena atual. Johnny Trivino (Guitarra/Vocal), Vic Deimos (Baixo), Andy Gun (Bateria) e Max Taylor (Guitarras) lançaram em 2014 o ótimo disco "W.A.R. (We Are Rock)", com músicas muito bem feitas e cheias de características próprias. O registro serviu para angariar alguns fãs fora do continente chileno, porém a grande surpresa ainda estava por vir e para nossa felicidade, mesmo após a saída de Andy, a banda seguiu em frente,  e nos apresenta simplesmente um dos melhores álbuns do ano até o momento. 

Heavy Metal Tradicional simples e conciso é o que ouvimos em "Heavy Bombers", com influências 'Priestinianas' bem perceptíveis - principalmente em passagens vocais - e também exibindo uma enorme variedade de outras referências, o grupo consegue transpassar uma identidade muito forte. O álbum inicia de forma gloriosa ao som da marcha de guerra "The Absolute Dominion Of The Skies", o trabalho conjunto entre as guitarras cavalgadas e a bateria focada em pedais duplos fazem a música adquirir peso e classe. O baixo de Vic realiza um grande trabalho e impossibilita qualquer oportunidade de se ter um espaço vazio na música. Os vocais, claramente inspirados em nomes extremamente relevantes como Halford, Gallagher, Ward, Tony Moore e outros, chama a atenção pela versatilidade, combinando de forma harmoniosa com as bases rápidas e as passagens mais tradicionais do som. O solo de Johnny absorve toda a característica clássica da banda e não prima pela rapidez ou virtuose, mas se encaixa perfeitamente na proposta da canção usando muito feeling.  O término desta faixa se encaixa perfeitamente com a introdução da segunda, onde um riff trabalhado de forma concisa entra em ação, "Never Ending Road" segue contínua e saudosista, possui um andamento mais simples e no solo, Jhonny soa mais despojado e direto.


"War Machine" vem na sequência e soa como um clássico da NWOTHM. Rápida, trabalhada em palhetadas sucintas e detentora de uma bateria bem produzida e composta, atinge seus tímpanos como um ataque metálico do mais puro Heavy Metal. Em "Rock N' Roll Days", o saudosismo toma forma e a banda revisita os grandes clichês do estilo, a música é construída em cima de ritmos básicos e nem por isso deixa de ser extremamente contagiante. Com bases simplórias e firmadas em power chords, soa totalmente old school e vai cair nas graças de qualquer fã da boa e velha década de 80! 

É fato que o álbum como um todo evidencia o Metal Tradicional e clássico, mas como um 'Bombardeiro Pesado' (sim, estou me referindo a "Heavy Bombers"), a faixa título surge despejando um riff matador e aqui temos uma composição mais pesada. A música é muito bem feita e os instrumentos combinam entre si, as melodias se encaixam perfeitamente com o vocal de Johnny e é um dos destaques latentes do álbum. Simplesmente fantástica. Seguindo temos duas faixas bem diferentonas, uma um tanto pop e outra extremamente despojada e divertida, com um ritmo dançante e uma veia Rock N’ Roll. Me refiro a “The Heroes” e "Win, Lose Or Draw" respectivamente. Talvez possamos até chamar esses caras de "heróis", pois ao ouvir está faixa temos mais uma comprovação de que o bom e velho Heavy Metal não vai morrer tão cedo, ele consegue se reinventar mesmo quando é executado com extrema simplicidade. Como bons heróis, Johnny e cia parecem não se importar se vão "vencer, perder ou empatar", o que realmente importa é manter as características requintadas da banda e tudo isso, dando passos além do óbvio e mantendo a classe costumeira oriunda dos sagrados anos 80.

Costumo dizer que em praticamente todo play de Metal temos uma balada, e este não foge da regra, "Real Nature" é a baladinha de “Heavy Bombers” e, não sei por qual motivo, ela me lembrou de algumas músicas do Triumph. Mas calma! Por que mesmo assim ela tem suas passagens mais metalizadas, só que sem perder o seu formato inicial e com direito a solo de Sax (cara, como isso valorizou a música!). Realmente muito boa e com toda certeza irá agradar a qualquer ouvinte que a ouça e tenha mente aberta. Nos aproximando do final do disco, "Supersonic" quebra a calmaria com um andamento rápido e ao mesmo tempo pegajoso, conta com o solo mais rápido do disco e talvez os vocais mais poderosos de todo o trabalho, sendo ele agressivo, melodioso e explosivo. E como se fosse uma pós-explosão, vem a penúltima faixa do petardo, "Revenge". Não menos excepcional que a composição anterior, porém possuidora de características mais despojadas, com riffs mais subjetivos e que serve muito bem como uma sobremesa deliciosa após um prato principal suculento. A sobremesa ainda se estende a última música, uma reprise da faixa de abertura, só que de executada de maneira instrumental.

Um outro fator que me chamou atenção para o disco, é a arte da capa, que combina e representa de maneira sucinta o verdadeiro bombardeamento que é a audição deste grande lançamento. "Heavy Bombers" é um trabalho que certamente será lembrado daqui alguns anos como um dos clássicos da NWOTHM, e será copiado por jovens ambiciosos e apaixonados por Heavy Metal, assim como os integrantes destas novas bandas reverenciam os ícones dos anos 80. Cabe somente a nós não deixarmos que está verdadeira pepita de ouro passe despercebida pelo mundo do Metal! 


Nota: 8,8

Formação:

Johnny Trivino (guitarra e vocal)
Vic Deimos (baixo)
Max Taylor (guitarras)

Faixas:

01. The Absolute Dominion Of The Skies
02. Never Ending Road
03. War Machine
04. Rock N' Roll Days
05. Heavy Bombers
06. The Heroes
07. Win, Lose Or Draw
08. Real Nature
09. Supersonic
10. Revenge
11. The Absolute Dominion Of The Skies (Reprise)


Redigido por Yurian "Dollynho" Paiva