domingo, 7 de maio de 2017

Kreator​ - "Gods of Violence" (2017)

Nuclear Blast Records

Mundo Metal [ Lançamento ]



Existem bandas que parecem soar como um bom vinho: quanto mais velhas ficam, mais maduras, técnicas e criativas se tornam, desenvolvendo trabalhos cada vez mais ricos, interessantes e que não devem em absolutamente nada ao seu passado glorioso. Certamente, quando falamos especificamente de Thrash Metal, uma delas é o Kreator. Combinando ainda mais técnica e melodias, porém sempre mantendo a essência agressiva da banda em cada composição, a banda prossegue trilhando a sua proposta musical atual, iniciada em “Violent Revolution” (2001). Os alemães estão ainda mais afiados, como se estivessem desafiando a si mesmos a cada lançamento e ao ouvirmos “God of Violence”, o seu décimo quarto álbum de estúdio, isso é bem notório. 

Contando com uma estonteante ilustração de capa concebida pelo ilustrador e designer alemão Jan Meininghaus (Bolt Thrower, U.D.O., Lost Society) e lançado via Nuclear Blast Records, o disco foi produzido por Jens Bogren (Sepultura, Amorphis, Katatonia) e gravado, mixado e masterizado nos estúdios Fascination Street, na Suécia. Sempre é complexo falar a respeito de uma banda consagrada e da qual apreciamos muito, uma vez que, dependendo do que falarmos, pode soar um tanto quanto tendencioso e como se estivéssemos tentando apenas enxergar os pontos positivos desses artistas, contudo, de forma breve, adianto que esse novo registro desses veteranos germânicos do Thrash Metal não fica nada atrás com aquilo que gravaram em seu passado pra lá de marcante.


O disco se inicia da melhor forma possível, com “Apocalypticon”, uma introdução progressiva, épica e totalmente atmosférica. Essa introdução, que certamente já é bem familiar para os fãs, que puderam ouvi-la em um dos primeiros teasers lançados para o álbum, prepara o terreno para o que está por vir nos próximos cinquenta minutos de duração. Um detalhe bastante curioso e que talvez muitos não saibam é que a banda italiana de Death Metal técnico/sinfônico Fleshgod Apocalypse foi a responsável pelas orquestrações aqui apresentadas. Sem sombra de dúvida, fizeram um trabalho magnífico. 

Eis que um rifferama agressivo surge em seguida, apresentando a primeira música desse registro, a explosiva “World War Now”. A composição conta com harmonias que são encaixadas com uma precisão cirúrgica, proporcionando um clima muito intenso. Mas e o desempenho desses senhores veteranos como um todo? Simplesmente fenomenal, para variar. As guitarras de Sami Yli-Sirniö e Mille Petrozza nos brindam com arranjos estupidamente perfeitos, a “cozinha” de bateria e baixo, composta respectivamente por Jürgen “Ventor” Reil e Christian “Speesy” Giesler possui um entrosamento descomunal, como sempre, conseguindo combinar passagens velozes com trechos cadenciados, tudo com muito feeling e vigor e os vocais inconfundíveis de Petrozza dispensam apresentações, soando melhores a cada trabalho lançado.


“Satan Is Real” é a canção que dá continuidade a obra. Sua letra e título, de acordo com o frontman Mille Petrozza, fazem alusão à relevância da religião nos tempos atuais. Trata-se de uma composição cadenciada, porém não menos interessante, contando com um peso charmoso e envolvente. Seu refrão é forte como uma rocha e o resultado final cumpre muito bem o seu papel. Por sua vez, “Totalitarian Terror”, a quarta faixa, é uma típica composição dos alemães, recheada de riffs viscerais, além de melodias milimetricamente concebidas. Os solos de guitarra são a cereja do bolo, assim como o refrão, bastante imponente e marcante.

Jamais perdendo tempo, Mille e Cia. nos entregam outro petardo, a faixa título. “Gods of Violence” foi uma das primeiras músicas a ser divulgada antes do novo álbum ser oficialmente lançado e certamente já nasceu para se tornar um clássico da fase atual da banda. É uma composição riquíssima e exuberante, na qual a banda prova definitivamente que evoluiu drasticamente desde o seu surgimento, combinando a rispidez e a selvageria do Thrash Metal com suas influências de Heavy Metal tradicional nos momentos mais harmoniosos. Os solos de guitarra são surreais e basta algumas pequenas audições para o ouvinte jamais esquecê-los. Tudo bem, ao ler essas linhas você, caro leitor(a), pode dizer que já ouve esse tipo de sonoridade desde os trabalhos gravados pela banda à partir de 2001, entretanto, nesse novo trabalho dos germânicos temos um novo passo evolutivo para a banda. Sem exageros, mas chega a ser sobrenatural essa evolução alcançada pelo Kreator, uma vez que tantas bandas buscam tal aprimoramento e nem sempre são bem-sucedidas nesse processo.


O registro prossegue com “Army of Storms”, na qual temos um início cadenciado, permeado por belas harmonias de guitarra. Não demora muito para a violência ser retomada e novamente temos uma saraivada de riffs encorpados. Possuindo um clima essencialmente épico, “Hail to the Hordes” consegue, em poucos instantes, teletransportar o ouvinte para a atmosfera sonora criada pela banda. Uma introdução construída por arranjos sutis e belíssimos marca o início da faixa seguinte, “Lion with Eagle Wings”. Em seu início, Mille emprega uma linha vocal amena e evidentemente, não demora para o lado agressivo da banda ser retomado. Mais um petardo de alto nível!

Outra composição já bem conhecida por todos vem a seguir! “Fallen Brother”, que ganhou um videoclipe promocional que homenageia grandes personalidades musicais, é uma canção cadenciada, porém tal como “Satan Is Real”, é bem construída e interessante, contendo um peso moderado e bastante eficiente. Seu ponto alto é certamente seu refrão grudento e poderoso. Um grito de Mille Petrozza inicia a décima faixa do álbum, “Side by Side”. A banda compila todos os ingredientes executados nas composições anteriores e executa novamente com muita sabedoria.


E finalmente chegamos a reta final do álbum! “Death Becomes My Light” é a última faixa do disco e também é a mais longa, diga-se de passagem. Ela possui um início vagaroso, que conta com dedilhados melódicos, enquanto os vocais sutis de Petrozza ecoam sobrepostos das notas que são tocadas. De repente, a canção implode numa nova tempestade de palhetadas portentosas. Essa canção encerra o álbum de maneira bastante satisfatória e apropriada, retomando para o ritmo lento e progressivo que a iniciou, o que proporciona uma atmosfera muito interessante.

O ano de 2017 mal começou e os fãs da música pesada foram presenteados com mais um álbum excepcional. Sem dúvida alguma, o disco já era bastante aguardando desde o último semestre do ano passado e não é para menos, uma vez que já faz cinco anos que “Phantom Antichrist”, o trabalho de estúdio anterior do Kreator, foi lançado.  
Certamente, os alemães conseguiram atingir as expectativas de muitos fãs, entregando mais um divisor de águas para sua vasta discografia. Ainda é muito cedo para afirmarmos quais serão os melhores lançamentos de Metal desse ano, mesmo se tratando especificamente de Thrash. Mesmo assim, “Gods of Violence” possui um potencial gigantesco e muito provavelmente figurará entre os grandes destaques de 2017, que já se iniciou muito bem a música pesada mundial. 


Integrantes:

Mille Petrozza (vocal/guitarra)
Christian “Speesy” Giesler (baixo)
Sami Yli-Sirniö Guitars (guitarra)
Ventor (bateria)

Faixas:

01. Apocalypticon 
02. World War Now 
03. Satan Is Real 
04. Totalitarian Terror 
05. Gods of Violence 
06. Army of Storms 
07. Hail to the Hordes 
08. Lion with Eagle Wings 
09. Fallen Brother 
10. Side by Side 
11. Death Becomes My Light 

   
Redigido por David Torres e Paulo Cavalcante

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...