terça-feira, 16 de maio de 2017

Blaze Bayley - “Endure And Survive" (2017)

Blaze Bayley Recordings

Mundo Metal [ Lançamento ]



É simplesmente impossível começar uma análise sobre um novo álbum de Blaze Bayley sem mencionar o exemplo de superação e perseverança que é a sua trajetória. Depois de sair do Iron Maiden pelas portas do fundo e desacreditado por muitos, o cara jamais viveu do status de ter feito parte da banda e ao contrário de muitos músicos por aí, não perdeu tempo, deu início a uma carreira sólida onde álbuns fantásticos foram lançados e sem nenhuma dúvida eu afirmo, alguns desses trabalhos são muito superiores aos discos apresentados pela própria Donzela de uns anos pra cá. Se você não concorda com isso, ouça sem compromisso pepitas de ouro do calibre de "Silicon Messiah", "Tenth Dimension" ou "The Man Who Would Not Die" e prepare-se para se surpreender. 

Atualmente, Blaze passa por um momento muito tranquilo em sua carreira. Seus discos têm sido lançados de maneira independente pelo selo criado pelo próprio vocalista e por isso, o músico tem tido liberdade para criar, compor e gravar sem qualquer tipo de pressão externa. É talvez graças a essa boa fase que surgiu o desafio de escrever um disco conceitual, mas que pela complexidade da narrativa e a quantidade expressiva de boas idéias surgindo, o que era pra ser apenas um álbum acabou virando uma trilogia. Em março de 2016 chegou às lojas o primeiro capítulo da saga intitulada "Infinite Entanglement", e no último dia 3 de março de 2017, pouco menos de um ano depois, pudemos conferir a segunda parte da epopeia sci fi denominada “Endure And Survive (Infinite Entanglement Part II)". 

O roteiro criado por Blaze e que também vai ganhar um jogo de videogame em breve, é sobre o personagem William Christopher Black, que de início não sabe se é um humano ou uma máquina e é arremessado para uma missão de mil anos para encontrar um planeta misterioso descoberto pelo telescópio Keplar. No decorrer da jornada, questionamentos profundos sobre a natureza humana são feitos e a primeira parte da trilogia termina envolta em um clima denso e obscuro. É desse ponto que "Endure And Survive" prossegue e realmente podemos notar que os dois discos estão entrelaçados tanto pela temática, quanto pela parte musical que segue nos envolvendo e criando uma grande expectativa e curiosidade sobre como Blaze vai finalizar sua ficção.


No decorrer deste novo disco, o personagem central já tem conhecimento sobre a sua condição de máquina, mas descobre que existe nele uma consciência humana implantada. Em meio a uma série de dúvidas, William Black vai descobrindo aspectos de sua natureza e segredos de seu passado, a história atinge o clímax quando ele se depara com uma verdade aterradora e que coloca em risco a sua própria existência. Todo o desenrolar da trama é cantado com interpretações invejáveis de Blaze Bayley e nas partes em que o conflito do personagem é apresentado, o cantor dá um verdadeiro show ao transpassar toda a agonia e os sentimentos conflituosos de William Black. Através de muita sensibilidade musical e um nítido esforço em dar o seu melhor, Blaze nos envolve com a sua paixão pelo Heavy Metal e só isso já garante o meu respeito pelo trabalho.

A banda que acompanha o cantor é extremamente concisa e não há como não elogiar Chris Appleton, talentoso guitarrista que já havia me chamado atenção através de sua performance no Absolva. Aqui ele está mais afiado do que nunca e além dos solos extremamente bem feitos, o cara ainda se destaca com linhas, bases e riffs. A cozinha é muito segura também, Karl Schramm (baixo) e Martin McNee (bateria) mostram-se escolhas acertadas e formam uma dupla pra lá de funcional. O álbum ainda conta com diversas participações especiais como narradores, vocalistas de apoio e instrumentistas diversos, a intenção de Blaze foi a de apresentar um disco realmente diferenciado e que seja capaz de fazer o ouvinte adentrar o universo por ele criado. Tal intento é realizado com grande êxito e a quem se permitir, irá desfrutar de uma experiência conceitual de tirar o fôlego. 

Músicas como "Endure And Survive", "Escape Velocity", "Blood" e "Fight Back" trazem aquele Heavy Metal pesadão e encorpado já característico dos discos solo do vocalista. Essas composições trazem refrões muito bons e, com poucas audições, eles grudarão feito chiclete e não vão sair da sua cabeça por um bom tempo. Em "Eating Lies" e "The World Is Turning The Wrong Way" temos andamentos mais cadenciados, ótimas melodias e vocais poderosos, na balada "Remember" acontece um dueto entre Blaze e a cantora Anne Bakker e no final do registro a grandiosa "Together We Can Move The Sun" ainda é capaz de roubar a cena com seus mais de 8 minutos de pura magia e beleza. O trabalho termina envolto no mesmo clima de tensão e mistério de "Infinite Entanglement", trazendo uma horripilante revelação para a trama: William Christopher Black poderá morrer na última parte da trilogia.


Se você é fã de Blaze e conhece a qualidade costumeira de seus discos, sua admiração só vai aumentar com "Endure And Survive". Se ainda não conhece, ouça o álbum com a mente aberta e sem qualquer tipo de comparação com o trabalho do cara nos tempos de Iron Maiden, aqui a pegada é outra. Certamente este é um disco que diverte e reflete o momento atual do cantor, onde não precisa se preocupar em provar mais nada pra ninguém. É fã de Heavy Metal? Então essa é uma audição obrigatória pra você! 


Nota: 8,3


Formação:

Blaze Bayley (vocal)
Chris Appleton (guitarra)
Karl Schramm (baixo)
Martin McNee (bateria)

Músicos convidados:

Corvin Bahn (acordeon)
Anne Bakker (violino)
Thomas Zwijsen (violão)
Liz Owen, Melissa Adams, Joanne Kay Robinson & Luke Appleton (backing vocals)
Michelle Sciarrotta (backing vocals, violão e narração)
Rob Toogood (backing vocals e narração)
Aine Brewer (backing vocals e narração)

Faixas:

01. Endure And Survive 
02. Escape Velocity 
03. Blood 
04. Eating Lies 
05. Destroyer 
06. Dawn Of The Dead Son 
07. Remember 
08. Fight Back 
09. The World Is Turning The Wrong Way 
10. Together We Can Move The Sun 


Redigido por Fabio Reis