sexta-feira, 14 de abril de 2017

Resenha: Black Anvil - "As Was" (2017)

Relapse Records



O Black Anvil é um grupo estranho. Basicamente, é uma banda de Black/Thrash criada por Paul Delaney (vocais, baixo), Gary Bennett (guitarras, vocais) e Raeph Glicken (bateria, vocais), que tocaram em várias outras bandas de NYHC – principalmente Kill Your Idols – e decidiram um dia tentar brincar nas águas turbulentas do Heavy Metal (mais precisamente, na paulada visceral que é o Metal extremo), o que é corajoso, visto que a comunidade do Metal extremo tende a desgostar de Hardcore (e todos os “cores”, na verdade) ou até odiar completamente. Mas então calma ai: Hardcore e Black Metal são quase opostos, seriam esses caras gênios e tão multi-facetados assim pra conseguir criar duas frentes tao ambíguas?

Bom, os loucos estão por aí desde 2007 e já lançaram 3 álbuns antes desse, então tocar Black Metal, pelo menos, eles já sabem. Mas em ‘As Was’, sua quarta jornada a fim de explorar o gênero, falham da mesma maneira que no passado: soam insinceros, ocos, com certa falta de personalidade, alimentados por algo diferente do que a simples paixão pela música. Vou falar logo de cara então que esse play tem só 3 músicas boas: a faixa de abertura “On Forgotten Ways”, a seguinte “May Her Wrath Be Just” e a ótima, na verdade, “Nothing”. Essas definitivamente merecem atenção e possuem bons elementos e atmosfera. Mas é aí que esta; as coisas meio que param por aqui. As outras cinco músicas são uma mistureba de um Heavy pintadinho de Black com vocais rasgados, partes arrastadas com pouco propósito e feeling e até algumas passagens góticas randômicas. A faixa título, “As Was”, é o exemplo perfeito dessa salada, já que tenta estar em todos os lugares ao mesmo tempo mas acaba não alcançando nenhum, com levadas e riffs misturados, bateria simplória e mecânica e até uma sessão baladinha no meio, só porque sim. Aliás, existem algumas várias passagens do play em que os vocais mudam de rasgados e guturais para limpos e depressivos – forjando uma aura Doom ou Gothic -, mas infelizmente não transitam tão levemente quanto a banda pensou. “Two Keys: Here’s the Lock” e “Ultra” consolidam o que falei sobre a falta de propósito, soando extremamente disconexas e achatadas. Claro, a parte instrumental do álbum é boa porque os caras sabem tocar, a produção é bem decente e a mixagem ótima, fazendo com que cada instrumento apareça onde é requisitado, mas nada que empolgue.


Como eu falei algumas vezes, ‘As Was’ é um álbum medíocre com apenas algumas partes que valem à pena e, por isso, merece uma nota equivalente a seu som. Fãs das formas puras do Black Metal, aviso: fiquem longe disso aqui. O ouvinte ocasional e curiosos em geral podem até achar algo de valioso no álbum, mas não encantador, garanto .


Integrantes: 

R.G. - Bateria
P.D. - Baixo & Vocal
Sos  - Guitarra

Faixas:

01. On Forgotten Ways
02. May Her Wrath Be Just
03. As Was
04. Nothing
05. As an Elder Learned Anew
06. Two Keys: Here's the Lock
07. The Way of All Flesh
08. Ultra

Nota: 5.5

Por Bruno Medeiros

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