sexta-feira, 14 de abril de 2017

Control Denied - "The Fragile Art Of Existence" (1999)

Enquanto isso, nos anos 90... 



Sempre que imaginei a forma de escrever essa coluna, pensei sempre em falar sobre a banda e depois sobre o disco. Mas pelo menos dessa vez, preciso falar do GÊNIO por trás de tudo isso.

Chuck Schuldiner

Se você não conhece esse cara, para agora de ler. Sério, para agora e vai atrás da história desse ícone do metal. O cara revolucionou tudo em termos de música pesada e não só em questão de peso ou música. As letras dele são profundas, realmente sinistras e te fazem pensar, filosofar, questionar coisas que você nem sequer imaginava.

Claro, houve uma evolução gradativa disso tudo que começou lá atrás com o Mantas (banda pré Death) e seu som cru e tosco e letras simplórias, até a chegada desse diamante lapidado e bruto ao mesmo tempo.
Vamos então a Banda.

Control Denied

Chuck já tinha seu nome garantido nos anais do metal com o excelente trabalho feito no Death, mas isso ainda era pouco para ele. 
E pensar que isso tudo começou lá atrás com Scream Bloody Gore, ultra visceral e brutal, chegando até então em The Sound of Perseverance, técnico, pesado, extremo e profundo. Mas ele precisava quebrar mais uma barreira. A do rótulo.

O Control Denied foi o passo além do Death Metal, foi o quebrar da última regra e o último respiro maior do filosofo misantropo, que infelizmente, já estava com câncer no cérebro e faleceu 2 anos após lançar esse maravilhoso álbum.

Porém o fato de ele já estar com câncer afetou e muito as letras desse disco, que fala sobre a morte (tema sempre abordado por ele), mas fala de perseverança e como lidar com situações complicadas. E tudo isso com o primor que só um refinado filósofo como ele, poderia transpor para uma música. Um dica a todos: acompanhem as letras desse álbum, junto com a música. Sinta todo o sentimento das letras, casando com os riffs. Isso aqui é uma das obras mais lindas que já ouvi.

E como não destacar os músicos desse disso? Temos figuras carimbadas do Death como, o homem que dispensa apresentação - Steve DiGiorgio no baixo, Richard Christy na bateria (me desculpa Gene Hoglan, mas esse cara...PQP!), Shannon Hamm e o próprio Chuck Schuldiner nas guitarras e além desse time, foi chamado o vocalista Tim Aymar, que é um dos destaques do álbum. Ele consegue transpor para sua voz todo o sentimento das melodias e letras.


O Álbum - The Fragile Art of Existence

Antes de falar sobre as músicas desse disco, eu quero avisar uma coisa. Isso não é pra ouvidos e mentes fechadas. Isso aqui meu amigo, é pra quem gosta de música pesada de qualidade, independente de rótulo. Se você gosta de bandas apenas porque elas “são fiéis aos estilo”, vai escutar um dos seus discos de cabeceira, porque isso aqui é muito além disso tudo. 

Bom, eu avisei.

O disco começa com Consumed e uma introdução linda e soturna ao mesmo tempo, mas que dura tempo suficiente pra dar espaço pro peso na medida mais que certa e um vocal rasgado e grandioso. No meio da música brota um som arrastado, um doom, deixando aquele ar sinistro e sem que você tenha tempo pra respirar, o peso volta “consumindo” você.

Breaking The Broken vem na sequência e não deixa a desejar, mesmo sendo mais “lenta” ou cheia de tempos quebrados, típicos de prog metal, mas sem deixar o cair o andamento do disco. Destaque para o trabalho vocal do Tim Aymar, porque sinceramente tem alguns agudos rasgados que parecem coisa de outro mundo.

Então começa um riff que poderia estar em um dos últimos álbum do Death, mas não. É melhor! Expect The Unexpected tem alguns dos melhores riffs do álbum. E em What If..., Steve DiGiorgio mostra o exímio baixista que ele é na sua introdução. Inexplicável!

Uma das passagens mais progressivas fica a cargo de When The Link Becomes Missing que começa com muito peso, mas no meio chega a ter apenas violão limpo e voz, e vai crescendo de forma absurda.

Não vou ficar aqui elogiando cada faixa, porque isso aqui já tá quase uma declaração de amor (rs) mas a faixa The Fragile Art Of Ecistence tem de tudo, heavy, prog, doom, death e é disso que se trata esse disco. Que é na minha opinião, um disco completo onde a máxima dita por Chuck Schuldiner prevaleceu. 

E qual essa máxima?

“Death Metal, Black Metal, Speed Metal, Thrash Metal. Tire a primeira palavra de todas elas e deixe uma só: Metal”
Esse disco tem tudo isso. Esse disco é METAL. Esse disco é a obra definitiva desse gênio.


Por Leandro Maurício dos Santos