quarta-feira, 19 de abril de 2017

Pantera - "Far Beyond Driven" (1994)

Enquanto isso, nos anos 90...




Já começo advertindo que se existe uma banda que foi soberana nos anos 90, essa banda foi o Pantera, e Isso não é questão de gosto, mas sim a apuração de um fato. Muitos bangers odeiam isso, mas não temos como contestar a importância deles nos anos 90, 2000 e além.

Até hoje podemos notar a influência deles em diversas bandas que tem uma sonoridade mais “moderna” (termo que todo banger mais conservador adora utilizar quando quer desvalorizar uma banda). E outro fato que posso citar aqui é, pouquíssimas bandas tiveram tanta importância, ou somaram tanto ao metal quanto esses caras.

Eu estava lá e vivenciei, foram tardes e mais tardes vendo a MTV passar meia dúzia de clips de música “enlatada” no Disk MTV e o Pantera sempre estava lá no meio, destoando e gerando um grande impacto para que não conhecia aquela massa sonora.

Mas vamos ao que acontecia naquela época, pelo menos em termos de música pesada. Tínhamos grandes bandas lançando discos questionáveis, como o X Factor do Iron Maiden lançado em 95 e o Load do Metallica lançado em 96. Portanto tínhamos bandas renomadas tentando se manter como grandes no cenário, mas tínhamos coisas boas acontecendo também, como é o caso do Slayer com o Divine Intervention e o Fight do nosso querido Halford com o War of Words (ambos já resenhados por mim por aqui)


A Banda – Pantera 

Mas o Pantera estava à frente disso tudo. Eles já tinham mostrado uma grande mudança em Cowboys From Hell, onde deixaram de ser “mais uma banda de heavy/hard/glam”, para mostrar o seu diferencial: uma mistura de peso e groove jamais vistos antes, pelo menos não com essa intensidade. E na sequencia mostram toda a sua força em Vulgar Display of Power, mais peso, mais groove (sempre na medida exata) e é impossível destacar o trabalho de Dimebag Darrell e Vinnie Paul, os irmão que são os responsáveis pela alma da banda, com guitarra e bateria únicas. Mas não temos como deixar de citar Phil Anselmo, com seus vocais que muitas vezes beiram o absurdo, sendo gritado ou não; e Rex Brown, um baixista que com linhas na medida exata, acrescentam mais peso a toda essa mistura. E com o passar dos anos, fica claro que a formula só funcionava com esses quatro juntos, pois mesmo o Damageplan (com Dimebag e Vinnie, ou seja, 50% do Pantera) não chega aos pés dos que eles já foram no passado. 

Mas agora vamos ao disco que levou eles ao mesmo patamar das grandes bandas de metal!

O Álbum – Far Beyond Driven

A agressão já começa na capa original (que foi censurada em muitos países, inclusive aqui), mas lembro de ter visto o LP brasileiro com a capa original logo no lançamento. Pena que não comprei... Hoje isso é raridade! Ela mostra um broca industrial (isso quer dizer, uma broca GIGANTE) entrando na bunda de alguém. Já a capa que entrou no lugar mostra a mesma broca perfurando o que parece um crânio esfumaçado.


Agora a música, é um arregaço atrás do outro. Strength Beyond Strength já começa com um riff rápido e certeiro. Ela é rápida e parece um trem desgovernado, mas no meio ela cadencía, fica lenta e pesada, no melhor estilo Pantera, mas voltando depois de um tempo a velocidade da luz.

Becoming tem uma abertura fantástica e o trabalho de guitarra e bateria dos irmãos nessa música é simplesmente singular, unindo técnica e feeling como dificilmente se vê hoje em dia. Música inspiradíssima! Já 5 Minutes Alone é simples, direta, cadenciada e poderosa. E como riffs poderosos transbordam aqui, I’m Broken é um show à parte. O peso da guitarra deste disco é absurdo, Dime consegue unir um peso gigantesco, mas ao mesmo tempo não temos sujeita. É possível ouvir cada acorde e nada soa embolado ou abafado.

Good Friends and a Bottle of Pills é a mais diferente do disco, chegando a ficar meio perdida no álbum. Ela é praticamente declamada enquanto a banda faz apenas um fundo musical. Na minha opinião se existe um ponto franco não só neste álbum, mas na carreira deles, é essa música.


E então começa Hard Lines, Sunken Cheeks, lentíssima e com uma cadencia e violência absurda. Ela acelera um pouco, mas o principal aqui é o quanto ela é arrastada e bruta. Uma das minhas preferidas! Alguém quer mais peso e uma leve pisada no acelerador? Slaughtered é tudo isso, mas a cadência que só eles sabem usar vem na sequência com 25 Years. É impressionante o quanto o Dime usa harmônicos e notas dissonantes com maestria e isso ecoa em todo esse álbum. 

Shedding Skin e Use My Third Arm são homônimos musicais, na questão de cadência e velocidade, mas é incrível o quando elas sem completam. Throes of Rejection é a última composição do Pantera do disco. E tome mais peso, técnica, dissonância, cadência e agressão. E o disco fecha com chave de ouro com o cover de Planet Caravan (Black Sabbath) e aqui vemos que Phil não é só gritaria, mas quando quer tem uma voz profunda e até melodiosa.

Infelizmente teríamos apenas mais dois discos de estúdio dessa que é, para mim, a principal banda dos anos 90. Eles praticamente pavimentaram tudo que iria surgir no Nu Metal, mas pena que a grande maioria das bandas não aprendeu todas as lições e não soube fazer nem metade do que esses 4 gigantes fizeram.

Aqui fica a minha homenagem ao cara que é uma das minhas grandes influências no meu instrumento, o monstro Vinnie Paul; e também aquele que definiu a guitarra nos ano 90, o mestre Dimebag Darrell.

Por Leandro Mauricio
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