segunda-feira, 24 de abril de 2017

Obituary​ - "Obituary" (2017)

Relapse Records

Mundo Metal [ Lançamento ]



Era uma vez uma grande banda, Obituary. Nos dias dourados, eles entregavam porrada atras de porrada de Death Metal avassalador, que moldou uma base de fãs inteira e derreteu cérebros nos EUA e no mundo. Rivalizando seus irmãos da Flórida, como Deicide, Cannibal Corpse e Morbid Angel, eles foram a nata da colheita quando se tratava de performances cruas e sujas, e tiveram atenção mais do que merecida com dois dos grandes álbuns de Death Metal de todos os tempos: ‘Slowly We Rot’ e ‘Cause of Death’. Como o gênero mudou ao longo dos anos, assim o fez também o Obituary. Mas enquanto o Death Metal se tornava mais pesado, os nativos da Flórida estavam tentando caminhar no lado mais "groove" das coisas e/ou fazer seu som mais Thrash. ‘Back from the Dead’ e ‘Frozen in Time’, por exemplo, foram vistos como esforços sem brilho por uma banda - uma vez lendária e formidável – que era agora apenas uma sombra de si mesma. 'Darkest Day' levantou os espíritos dos caras um pouco, mas os irmãos Tardy deslizaram na banana mais uma vez em seu último play, 'Inked in Blood'.

Essa montanha-russa musical me preocupou quando eu descobri que o Obituary estava pra lançar seu décimo álbum esse ano, simplesmente intitulado 'Obituary'. A morte, o enxofre, as partes de corpo voando e a violência reinariam suprema desta vez ou os caras seguiriam trabalhos anteriores menos esmagadores?


Pra responder a essa pergunta de cara, eu digo que 'Obituary' é, musicalmente, mais ou menos como seu antecessor. Enquanto que a proficiência instrumental esta aqui, as canções não seguem realmente o status lendário da banda, e em vez de serem viscerais e poderosas, soam na verdade rasas e esquecíveis. As duas primeiras músicas, "Brave" e "Sentence Day", são realmente bem legais. A primeira começa em uma explosão de espectro Thrash, enquanto a segunda é surpreendentemente semelhante no departamento de riffs, embora com sua própria identidade; na verdade, é uma das melhores do play com levadas matadoras e um solo incrível. Se todas as outras faixas fossem a metade de "Sentence Day" em poder e execução, teríamos um forte candidato para o álbum do ano com essa bagaça. Mas é exatamente aqui que os problemas começam: a parte média do disco é - como eu disse acima - totalmente esquecível, com a maioria das canções soando muito parecidas, em uma mistura de Groove Metal e pitadas de Thrash e Death. "A Lesson In Vengeance" é um exemplo perfeito da falta de inspiração que invadiu as mentes dos irmãos Tardy. "End It Now", "Kneel Before Me", "It Lives" e "Betrayed" (todas apresentadas na parte sem brilho do álbum) tambêm se encaixam no perfil de ser o que todo o álbum é: musicalmente competente, mas privado de qualquer tipo de ousadia ou gana. Eu me peguei mais vezes do que não me perguntando qual música eu estava ouvindo, porque - e eu não tenho como enfatizar isso o suficiente - todas elas soam muito parecidas uma com a outra, tanto letra quanto música, sendo no verso, ponte ou no refrão.

"Turned to Stone" e "Ten Thousand Ways to Die" tentam escapar das garras da indiferença com uma melhor exibição vocal de John Tardy e um trabalho mais pesado de guitarra - que quase flerta com o Stoner - de Trevor Peres e Kenny Andrews, que na real entregam um solo de derreter cuecas no meio dessa primeira e roubam o show completamente na segunda, a melhor música do álbum. Donald Tarly (bateria) e Terry Butler (baixo, famoso por bandas como Death e Six Feet Under) estão decentes, mas às vezes entregam performances muito mecânicas e automáticas. Em termos de produção, o álbum segue a mesma mistura e engenharia de registros anteriores dos estadunidenses, o que é satisfatório.


Resumindo, ‘Obituary’ é ame ou odeie. O desempenho dos membros da banda é bem agradável em muitas partes, mas se mostra totalmente sem inspiração em outras, e a construção arrastada das músicas funciona muito bem em duas ou três faixas, mas transforma outras músicas em verdadeiros soníferos. A qualidade geral do álbum é boa, esses caras ainda conseguem chutar algumas bundas aqui e ali, mas este registro é extremamente esquecível e diplomático. Claramente cautelosos há um bom tempo, o Obituary ironicamente profetizou sua própria morte em seu primeiro álbum, em 1989: eles estão, de fato, apodrecendo lentamente.


Integrantes: 

Donald Tardy - Bateria
Trevor Peres - Guitarra
John Tardy - Vocal
Terry Butler - Baixo
Kenny Andrews - Guitarra


Faixas: 

01. Brave
02. Sentence Day
03. A Lesson in Vengeance
04. End It Now
05. Kneel Before Me
06. It Lives
07. Betrayed
08. Turned to Stone
09. Straight to Hell
10. Ten Thousand Ways to Die
11. No Hope (Bonus Track)


Nota: 6.25

Por Bruno Medeiros