quinta-feira, 20 de abril de 2017

Crônicas do Bigodón

Episódio 2




Beleza rapaziada do Rock Paulera!

Sou o Sr. Régis, um verdadeiro headbanger, sempre fiel ao estilo e totalmente contra as modernidades que infestam nossa música. Por não me dar muito bem com tecnologias -  tem muita frescura nessa internet -  me deram uma força algumas semanas atrás quando me apresentei aqui na página. Agora mais adaptado, - aprendi a escrever no Word vejam só - volto para compartilhar um pouco do meu vasto conhecimento e tentarei da melhor forma contribuir para que vocês, headbanger mais jovens, sigam o caminho do verdadeiro Metal.

Para inaugurar este quadro e dar início as minhas competentes análises, resolvi escolher uma banda bem conhecida por todos. Esses caras que um dia apresentaram álbuns fundamentais, lançaram recentemente um disco novo depois de um longo período sem grandes novidades. Estou me referindo ao gigantesco Slayer e seu mais novo petardo, o incrível “Repentless”.

Os fãs mais antigos como eu sabem que o Slayer foi uma das bandas que dominaram a cena oitentista. Com uma capacidade de despejar sobre nossas carcaças, uma quantidade generosa de clássicos, onde desde o debut “Show No Mercy” até “Divine Intervention”, a dupla Hanneman/King foi imbatível e depois desse domínio sequencial, decidiram encerrar as atividades com a intenção talvez de manter o legado construído intacto. Pararam no chamado auge como muitos esportistas fazem e fizeram no passado, essa foi uma época obscura na minha vida, não podia viver sem o Slayer e simplesmente me afastei um pouco da música pesada.  

Mas eis que o novo século chegou e com ele apareceu o Big Four. Não havia nenhuma possibilidade de acontecer tais shows sem a presença malévola do Slayer e acredito que por isso, a banda decidiu retornar das cinzas. Tentei encontrar algo no tal Google, mas não achei nada sobre o período de hiato, apenas ouvi e desouvi uma bandeca pretensiosa que sem mais nem menos, adotou o mesmo nome do poderoso Slayer pra lançar dois discos medíocres e ainda por cima, desse tal de "Nu Metal", uma barbaridade o que esses garotos arrogantes fizeram, usar o sagrado nome dos mestres supremos do Thrash pra fazer discos como esses engôdos musicais chamados "Diabulos In Musica" e "God Hates Us All"...

Bom, voltando ao que interessa, os quatro cavaleiros do apocalipse retornaram! E quando vi a capa blasfema de "Repentless", senti uma grande emoção e não pude me conter, confesso que até mesmo algumas lágrimas rolaram neste rosto enrugado. Não podia esperar para escutar novamente os riffs cortantes e certeiros de Jeff Hanneman e Kerry King. Tentei assistir a um videoclipe no "iutubi" (é assim que escreve né?), mas minha internet, mesmo com sua poderosa capacidade de UM MEGA - como evoluem essas tecnologias! - não carregou o vídeo, uma pena. 

Agradeço ao rapaz aqui da página que me passou o álbum - infelizmente ainda não aprendi a fazer "doulouds" pessoal - e graças a essa gentileza, rara em garotos dessa nova geração tendenciosa, pude ouvir esta obra suprema do Metal contemporâneo. 

"Repentless"! Que maravilha!

Dissertando sobre o disco, todo o seu conteúdo é empolgante e qualquer um que se intitule um headbanger de verdade, não há de contestar um clássico quando se depara com um. No disco estão lá os velhos guerreiros de sempre, Araya berrando e surrando seu baixo, Kerry King um tanto discreto, porém preciso, Jeff Hanneman destroçando como sempre em uma quantidade generosa de riffs insanos e por fim, Lombardo mostrando a técnica refinada que o transformou em uma verdadeira lenda das baquetas. Pois é, os caras ainda tem muita lenha pra queimar, ao contrário dessa molecada ardilosa que não entende absolutamente nada do assunto. Verdadeiros posers que infestam a cena!

Um fato curioso que não pude deixar de notar, é que em algumas faixas, os riffs me lembraram um pouco outra banda grandiosa, o Exodus do excepcional Gary Holt, nada muito evidente, mas um ouvido treinado como o meu não deixa passar nada meus amigos. Adorei a inspiração que Jeff e Kerry buscaram no lendário Exodus e sobre esses posers malditos que mencionei acima, o que tenho a dizer é simples: ou é Heavy Metal ou não é! Eu estou aqui para ensinar bons modos e mostrar que o verdadeiro som pesado ainda está vivo, essa galerinha movida a internet e Facebook precisa se conscientizar que não manjam nada de Metal e pior, ainda ficam se achando por aí... é por isso que vocês precisam de caras como eu. Um estudioso, um catedrático, um cara que sabe o que fala.  

Finalizando, ouçam o novo petardo do Slayer! E parem de dar moral para esses estilos e vertentes que ninguém entende nada, pois isso não é Metal. Nunca foi. Metal é o que está nesse álbum aqui. Até a próxima e procurem extrair algum conhecimento de minhas análises, é o mínimo que vocês podem fazer! 

"Se não é metal pra mim, não é música pra ninguém!"

*Fato curioso: em um dia desses, um perfeito idiota estava postando uma foto de Jeff Hanneman com os dizeres "R.I.P.", quase tive uma síncope. Imaginem! Se o cara está despejando riffs e solos poderosos em "Repentless", como pode uma coisa dessas? Ainda bem que aprendi a não acreditar em boatos de internet!

Att.
Sr. Régis Bigodón

Personagem criado por Fabio Reis
Texto redigido por Stephan Giuliano