domingo, 10 de julho de 2016

A trinca perfeita do Judas Priest


Algumas bandas, mesmo com longas carreiras e uma grande quantidade de álbuns lançados, não conseguem atingir a chamada perfeição em nenhum de seus lançamentos. Este fato não as desmerece e nem torna suas discografias menos interessantes, mas sem dúvidas, quem não gostaria de ter associado a sua trajetória, um daqueles discos acima de qualquer crítica, excepcionais da primeira à última faixa e sempre mencionados por todos os headbangers como clássicos absolutos?

Muitos nomes consagradas conseguiram apresentar obras de arte ao menos uma vez, mas grupos como o judas Priest, fogem de qualquer padrão e ao longo dos anos alcançaram momentos mágicos como este mais de uma vez e possuem em sua discografia, alguns discos que podem ser chamados de obras primas.

Citarei aqui três pérolas que o grande Priest nos brindou e que considero simplesmente acima do bem e do mal: "British Steel" (1980), "Defenders Of The Faith" (1984) e "Painkiller" (1990).  Obviamente, três trabalhos que dispensam apresentações, possuidores de musicalidades ímpares, à frente de seu tempo e repletos de clássicos e performances arrebatadoras por parte dos integrantes.


Muitas das canções imortais do grupo estão em "British Steel", lançado em 1980, o registro é de uma qualidade absurda e também praticamente um sinônimo do termo Heavy Metal. O álbum foi lançado quando a NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal) estava em franca ascensão e acabou associando o Judas ao movimento, mesmo a banda tendo sido formada muitos anos antes. Aproveitou-se do acontecido e moldando sua musicalidade aos padrões do que vinha sendo lançado na época, o grande Judas abocanhou uma parcela significativa dos fãs e entusiastas da NWOBHM com este lançamento.

Musicalmente, o que temos é praticamente uma coletânea de hinos do Heavy Metal, composições do porte de "Rapid Fire", "Metal Gods", "Grinder", "Breaking The Law", "United" e "Living After Midnight", são desfiladas uma após a outra e o resultado não poderia ser outro, é um dos mais premiados registros do Priest e também, o primeiro grande sucesso da banda, um dos trabalhos de maior repercussão na época. Simplesmente obrigatório!



Em "Defenders Of The Faith", a sonoridade do grupo era outra, com algumas faixas extremamente velozes e outras repletas de ritmos pegajosos, horas flertando com o Speed Metal e em outros momentos, com o Hard Rock, o Priest como sempre, se transmutava mais uma vez.

Músicas como "Jawbreaker", "The Sentinel", "Love Bites", "Some Heads Are Gonna Roll", "Rock Hard Ride Free" e "Freewheel Burning", são do mais alto bom gosto e expressam toda a classe da banda. Com uma precisão cirúrgica, as composições exibem duelos estonteantes dos guitarristas K. K. Downing e Glenn Tipton, uma das maiores duplas de todos os tempos e apresenta Halford em seu ápice, cantando como nunca, com performances fabulosas e alcançando timbres e notas invejadas por grande parte dos vocalistas de Metal da época.



Antes do aclamado "Painkiller", a banda vinha de uma sequência que desagradou grande parte dos fãs, "Turbo" foi um dos mais criticados lançamentos do grupo e "Ram It Down", apesar de soar melhor e sem os famigerados sintetizadores, acabou não emplacando grandes clássicos. O que uma banda de renome como o Priest faz quando a situação não está boa? Simples, lança um dos maiores discos de todos os tempos!

"Painkiller" deixou todos de queixos caídos e para muitos, é considerado a obra máxima do Judas. Canções como "Hell Patrol", "Night Crawler", "Metal Meltdown", "A Touch Of Evil" e a faixa título "Painkiller", representam uma verdadeira destruição sonora que não deixa pedra sobre pedra. Com toda certeza é um dos discos mais frenéticos e emblemáticos de toda a história, praticamente reinventando a sonoridade do grupo e dando novas definições sobre como um álbum de Heavy Metal deveria soar.

Ah! Ia quase me esquecendo: performance brilhante de Rob Halford, solos e riffs matadores de K.K. Downing e Glenn Tipton. parte rítmica precisa e sólida de Ian Hill e  Scott Travis. Perfeição!



É claro que álbuns como "Sad Wings Of Destiny", "Sin After Sin", "Screaming For Vengeance" e "Stained Class", poderiam estar tranquilamente nesta trinca, porém como em tudo relacionado a música, as análises são simplesmente uma questão de gosto e tratando-se de Judas Priest, temos um grande leque de álbuns sensacionais para avaliar...

por Fabio Reis