sábado, 16 de janeiro de 2016

O impacto do Punk na cena Metal


Hoje irei abordar um tema que muitos fãs e apreciadores de Metal insistem em ignorar e às vezes até detratar, as vezes criando polêmicas e rixas ao meu ver desnecessárias. Gostaria de falar sobre o quanto o Punk, tanto em sua musicalidade quanto na sua ideologia e atitude foi importante influência para vários segmentos do Metal. Além disso, mostrar também o contrário, que foi o quanto o Heavy Metal foi impactante para a cena Punk e Hardcore depois de um tempo.

Pra começar precisamos voltar um pouco na história, mais precisamente do meio até o fim dos anos 70 que foi quando o Punk deu seu primeiro “boom”, primeiro nos EUA, com Ramones, Dead Boys e cia e depois na Inglaterra onde se consolidou com os Sex Pistols, The Clash e outras. Uma época que muitos jovens cansadas do pragmatismo do Rock progressivo da época , cansados daquela onda “paz e amor” e revoltados com alguns regimes políticos, resolveram se juntar e formar suas bandas. O intuito era fazer um som mais rápido, mais sujo e direto, sem se preocupar muito com técnica.

E claro, esse som mais rápido e mais “cru”, aliado a atitude rebelde logo chamou a atenção e angariou jovens do mundo todo ao movimento, incentivando várias pessoas a formarem suas bandas. Porém, não demorou para a música Punk evoluir e bem no final dos anos 70 e começo dos anos 80 foi quando foram surgindo as primeiras bandas de Hardcore fazendo um som ainda mais rápido e visceral. O surgimento do Hardcore inclusive culminou com o surgimento do Motörhead, que apesar de não se rotular, tinha clara influência da sonoridade Punk. Além disso, as primeiras bandas de Metal extremo na Europa começavam a aparecer, como o Venom, Hellhammer, Sodom, Tormentor (pré-Kreator) etc, todas influenciadas por aquele Punk de outrora.


Quem imaginaria que aquele Heavy Metal clássco, bem tocado, com composições mais intrincadas ia se moldar e partir pra esse tipo de som cada vez mais rápido, mais cru, muitas vezes até não tão bem gravado e mais rebelde? Daí começamos a entender um pouco do impacto da música Punk sobre os estilos de Metal que viriam a surgir dai pra frente. Logo na cola, veio o “boom” de bandas nos EUA como Metallica, Slayer (essa gravou até um álbum de covers somente com canções de Punk Rock), Exodus e outra que em resposta ao Glam Metal da época (parecido com a revolta dos Punks contra a psicodelia e Rock Progressivo) juntaram o peso do Heavy Metal que já estava consolidado, vide a NWOBHM, com a velocidade do Punk e Hardcore para criarem um estilo que até hoje é um dos mais apreciados e influentes, que é o Thrash Metal.

Em poucas palavras, diria que o Punk Rock e o Hardcore foram seminais para a criação da vertente que conhecemos como Thrash Metal e para a evolução das vertentes mais extremas conhecidas hoje em dia. O mais engraçado, é que toda essa influência se voltou, pois muitas bandas de Hardcore do meio dos anos 80, com o passar do tempo, foram deixando seu som cada vez mais metalizado, o que todos conhecem como Crossover ou Crossover Thrash, como conhecemos as pioneiras D.R.I., S.O.D. por exemplo, além de bandas de Nova Iorque como o Agnostic Front e Cro-Mags que não demoraram a lançar discos mais voltados ao Metal.

Sem contar dos inúmeros estilos devirados do Punk e Hardcore, como o Crust, vertente essa que influenciou até o Black Metal, onde podemos citar nomes como Amebix, Disrupt e Doom, o Grindcore, que por sua vez influenciou o Death Metal, trazendo bandas como Napalm Death, Repulsion, Terrorizer e Brujeria, além do já citado Crossover Thrash. Todos importantíssimos até hoje para criação de novas bandas e estilos.


No Brasil temos também ótimos representantes, como Cólera, Olho Seco, Lobotomia e Ratos de Porão (essas duas últimas também tiveram uma grande influência de Metal lançando ótimos discos de Crossover)

Apenas gostaria de finalizar dizendo que, apesar de algumas pessoas insistirem em negar e querer desmerecer essa influência e dizer que o Metal foi se moldando sozinho, é sempre bom voltar na história e pelo menos aceitar e respeitar os pioneiros, sem eles, muitas bandas que muitos idolatram nem teriam existido.

Por Leonardo Aguiar

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