sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Fear Factory

Uma apresentação energética e impecável 

(10/10/15 – Clash Club)



Após um hiato de três anos, Fear Factory, um dos principais representantes do Metal contemporâneo, retorna a terras brasileiras para executar na integra o seu segundo álbum de estúdio, “Demanufacture”. Lançado em 16 de junho de 1995, o álbum é considerado pelos fãs e pela crítica especializada como a obra prima da banda e também um divisor de águas para o Metal na década de noventa. Levando em conta a relevância que “Demanufacture” possui não apenas para a banda, mas para o cenário da música pesada mundial contemporânea, nada mais justo que a banda comemorar o 20° aniversário desse registro tocando todo o seu repertório, não é mesmo? E foi exatamente isso que a banda fez.

Na tarde de 10 de outubro, me encontrei com o meu amigo Diego Thrashwölf e fomos em direção a Clash Club, o local no qual o evento foi programado para ocorrer. Ao chegarmos a casa, algo chamou muito a nossa atenção. Uma vez que a banda foi um dos principais responsáveis pela sonoridade do Metal atual, esperávamos encontrar muitos fãs bem jovens e apreciadores de estilos controversos, como o Nu Metal, entretanto, para a nossa surpresa, a maioria esmagadora dos presentes eram fãs de Death Metal, comprovando que a sonoridade da banda consegue agradar públicos diversos.

Pouco depois da apresentação da banda de abertura, Marrero, os “roadies” e técnicos da banda norte americana preparam os instrumentos, instigando o público, que ficava cada vez mais ansioso. O teste da bateria foi de cair o queixo. O peso do pedal duplo já apontava que o que viria a seguir iria fazer a casa vir abaixo sem muito esforço. Logo, o guitarrista Dino Cazares e Cia. sobem ao palco e todos os fãs deliram com os “samples” que ecoam pelos P.A’s, anunciando assim o início do show. O “frontmen” Burton C. Bell entra em cena e profere com seu sotaque americanizado “São Paulo!” e pronto! A casa veio abaixo! A faixa de abertura do “setlist”, “Demanufacture”, mal começa a ser executada e já foi recebida com um caloroso “mosh pit”, especialmente quando Burton urra os versos “I am the thorn/In your eye”.


Sem tempo para respirar, os “riffs” cortantes de “Self Bias Resistor” entram em cena e convidam todos a cantarem e a agitarem incontrolavelmente. Todos os músicos se destacam individualmente. O novo baterista, Mike Heller (Malignancy, Control/Resist e Azure Emote) e o atual baixista, Tony Campos (Asesino, Ministry, Prong, ex-Brujeria, ex-Soulfly, ex-Cavalera Conspiracy) provaram ser substitutos perfeitos para os integrantes anteriores, enquanto que Burton e Dino simplesmente dispensam apresentações. A apresentação prossegue com “Zero Signal”, canção que ficou conhecida por figurar na trilha sonora do longa metragem “Mortal Kombat – O Filme” (1995) e claro, com “Replica”, um hino e um clássico indiscutível não apenas do álbum, mas da carreira dos músicos como um todo. Os primeiros acordes da faixa se iniciaram e “stage divings” já estavam ocorrendo simultaneamente. Todos cantaram a plenos pulmões, especialmente o refrão marcante e poderoso da canção. Uma fã, diga-se de passagem, chegou a subir no palco e cantou o refrão ao lado de Burton.

A cadenciada e não menos furiosa “New Breed” veio a seguir. O seu “groove” devastador também não fez feio e levou todos os presentes a mais uma viagem industrial e insana. Amenizando um pouco o clima aparentemente interminável de pancadaria, a banda prosseguiu com o “cover” de Head of David, “Dog Day Sunrise”. É realmente impressionante como cada música executada pela banda possui a sua própria face e atmosfera, proporcionando assim um espetáculo extremamente prazeroso de se assistir. Na sequência, vieram “Body Hammer” e “Flashpoint”, outras duas pauladas certeiras. Os integrantes não perderam o pique e entregaram um desempenho poderoso das composições e a plateia respondeu da melhor forma possível, jamais tornando o show monótono.

Um “sample” precede a igualmente poderosa “H-K (Hunter-Killer)”. A “performance” dos músicos permaneceu impecável do início ao fim, assim como em “Pisschrist”, cuja execução ao vivo é algo inacreditável. As transições vocais de Burton transmitem um clima realmente único e hipnotizante. Impossível ficar indiferente a algo desse porte! Atmosférica do início ao fim, “A Therapy for Pain” é a última composição de “Demanufacture” e é com ela que a banda encerra a primeira parte de seu “setlist”. Sua execução foi simplesmente belíssima e fascinante, sem mais.

Para a surpresa de todos, a banda retorna ao palco para tocar mais algumas composições. Sem enrolação, já mandam as duas primeiras faixas do excelente “Obsolete” (1998), “Shock” e “Edgecrusher”. O público urrou, cantou, “bangueou”, pulou e agitou com uma intensidade grandiosa e invejável. É importante lembrar que em 07 de agosto desse ano, a banda lançou “Genexus”, o seu nono álbum de estúdio. Após executarem as duas primeiras músicas da segunda parte do “setlist”, Burton indaga para a plateia se eles gostariam de ouvir algo do novo trabalho de estúdio. O público ovaciona que sim e então, os integrantes apresentam “Dielectric”, “single” que recentemente ganhou um videoclipe promocional. Logo após, a banda prossegue com “Archetype”, outra composição que foi recebida com um enorme sorriso estampado nos rostos de todos os presentes.


Burton anuncia que irão tocar a primeira música criada pela banda, faixa de abertura do “debut” “Soul of a New Machine”: “Martyr”! Cada verso desse hino foi cantado a plenos pulmões e novamente houve uma reação fantástica do público, com direito a mais “stage diving” e “mosh pit”. Como diz o ditado popular, tudo o que é bom, dura pouco e foi com essa música que a banda encerrou a sua apresentação. Posso dizer simplesmente que foi um dos melhores shows que já tive o privilégio de assistir. A qualidade da apresentação foi simplesmente inacreditável. Os músicos tocaram cada composição com um vigor admirável, algo realmente maravilhoso de se ver e ouvir. Após o show, conversando com amigos meus que também assistiram a apresentação, ficamos imaginando como seria perfeito se em 2018 o Fear Factory retornasse a terras brasileiras para comemorar o 20° aniversário de “Obsolete”. Só digo uma coisa sobre isso: se isso ocorrer, estaremos aguardando ansiosamente, pois shows desse calibre são sempre mais que bem-vindos!


Setlist:
Demanufacture 
Self Bias Resistor 
Zero Signal 
Replica 
New Breed 
Dog Day Sunrise (Head of David cover)
Body Hammer 
Flashpoint 
H-K (Hunter-Killer) 
Pisschrist 
A Therapy for Pain

Encore:
Shock 
Edgecrusher 
Dielectric 
Archetype 
Martyr

Banda:
Burton C. Bell (Vocal)
Dino Cazares (Guitarra/”Backing Vocals”)
Tony Campos (Baixo/”Backing Vocals”)
Mike Heller (Bateria)


Escrito por David Torres