sábado, 7 de fevereiro de 2015

Running Wild - Gates to Purgatory (1984)



Há 30 anos os portões para o purgatório se abriam

Lançado pela extinta Noise Records da Alemanha em 26 de Dezembro de 1984, Gates to Purgatory é o álbum de estreia da banda, e muito mais que uma estreia; uma estreia majestosa e certeira que marcou definitivamente a carreira do Running Wild e principalmente do Heavy Metal Alemão se tornando um clássico absoluto de uma das mais influentes banda da Alemanha. O álbum vendeu mais de 20 mil cópias em poucas semanas atingindo rapidamente o cenário underground da época e tendo direito à prensagens do álbum em outros países, com isso, tendo uma excelente aceitação com seu legado apenas no início. No mesmo ano, o grupo participou da antológica coletânea/split intitulada Death Metal com as músicas Iron Heads e Bones to Ashes.

Na época de lançamento de seu debut, o Running Wild ainda não tinha uma característica definitiva que viria só posteriormente com o tema ''pirata'' em 1987 com o álbum Under Jolly Roger. 
Vestidos com correntes, couros e cruz de ponta cabeça, tudo isso nada mais que era o reflexo de sua letras ''satânicas'', mas longe de dogmas ou algo parecido, e sim, como uma forma libertária, critica e sócio-político de se expressar. Na época a banda foi acusada pela igreja de ser satânica, mas isso em nada atrapalhou o direcionamento e carreira dos mesmos.

A arte do álbum que se trata de uma foto com um homem soldando os ''portões do purgatório'', este homem nada mais é que é Django, ex roadie da banda e muito amigo dos mesmos, sempre presente com a banda na época e praticamente desde o início, o mesmo foi convidado para fazer a arte do álbum. A foto foi tirada em uma fábrica do pai da namorada do baterista na época (Hanshe) que permaneceu até 1987 com o Running Wild.

Com a turnê pela Alemanha durando até por volta do segundo semestre de 1985, sempre com casas lotadas o grupo ainda nesse ano grava um vídeo ''bootleg'' oficial ao vivo na cidade de Bochum na Alemanha com o álbum tocado na íntegra com quase 1 hora e meia de show, além de músicas da demo, Split e o primeiro EP.

O álbum conta com uma formação clássica: Rolf (guitarras e vocal), Preacher (guitarra), Stephan (bass) e Hanshe (bateria), o que não duraria muito daí até então e logo Preacher seria substítuido por Majk Moti.


Com uma das discografias mais perfeitas e fieis do Heavy Metal a cada álbum e sem deixar a evolução de lado dentro de sua proposta, Gates to Purgatory tem um som rebelde, direto e ''simples'', com riffs cortantes, um clima obscuro e sombrio iniciando com Victim of States Power, talvez a faixa mais pegajosa do álbum, veloz com riffs perfeitos e um refrão extremamente marcante que dificilmente não te deixa quieto ao ouvir depois de entrar na cabeça, seguindo com Black Demon com seus riffs explosivos e um andamento mais tradicional diferente de sua antecessora altamente rápida. 

Com a terceira faixa agora cadenciada de vez, ''Preacher'' com ótimos riffs e um andamento ligeiramente lento, porém mantendo o mais alto nível, seguindo de mais um destaque do álbum, ''Soldiers of Hell'' que tem uma marca registrada do Running Wild. Aqui começou a técnica das guitarras dobradas do grupo e a música até ganhou uma nova versão no começo dos anos 90 bastante fiel à original. 

Quinta faixa e nada mais que Diabolic Force que faz muito jus ao nome! Rolf Kasparek exala seus agudos ''diabólicos'', o andamento das guitarras é bem direto, porém se destacando bem com excelente solos mais técnicos no final da música. Agora com a música mais rápida e visceral do álbum Adrian S.O.S. (son of satan), que tem o nome do próprio mascote da banda, é faixa mais curta e ''direta'' do álbum, porém contagiante do começo ao fim! Genghis Khan tem cara de clássica e cativante, aqui, a influência de Iron Maiden e Judas Priest é muito visível porém com a marca registrada de Rolf Kasparek. 

E agora terminando essa verdadeira obra de arte com Prisoner of Our Time, um verdadeiro hino do Running Wild com um refrão digno de ser antológico pra ser cantando com o público em show. Melódica e cativante!

Dificilmente destaco uma faixa desse álbum que mantém o mesmo nível a cada segundo.


''We are prisoners of our time
But we are still alive
Fight for the freedom, Fight for the right
We are Running Wild ''

Tracklist:

01. Victim of States Power
02. Black Demon
03. Preacher"
04. Soldiers of Hell
05. Diabolic Force
06. Adrian S.O.S.
07. Genghis Khan
08. Prisoner of Our Time

Faixas bônus de relançamento de 1988:

09. Walpurgis Night
10. Satan

Lineup:

Rolf Kasparek (Guitarras e vocal)
Stephan (Baixo)
Preacher (Guitarra)
Hanshe (Bateria)


Escrito por Fabrício Gabriel