sábado, 7 de fevereiro de 2015

Pestilence - Consuming Impulse (1989)


25 anos de um dos álbuns mais indispensáveis do Death Metal mundial

No dia 25 de dezembro de 2014 foi o aniversário de 25 anos de um dos trabalhos mais cultuados e influentes de toda a história do Death Metal mundial, o fabuloso “Consuming Impulse”, segundo álbum da carreira do Pestilence, lançado no Natal de 1989, através do selo da extinta gravadora R/C Records e que mais tarde daria origem a gravadora Roadracer Records, atualmente chamada Roadrunner Records.

Formado nos Países Baixos em meados de 1986, o Pestilence iniciou sua carreira executando uma sonoridade calcada no Thrash Metal, porém, que perambulava de forma ainda sutil no terreno seco e áspero do Death Metal até o ano de 1988. Após terem lançado duas “demo tapes” “Dysentery” e “Penance” (ambas de 1987), além do ótimo “debut” “Malleus Maleficarum” (1988), a banda decide focar o som de seu novo lançamento em um algo ainda mais obscuro, sujo, atmosférico e intenso e é com essa intenção que surge o impecável segundo álbum, “Consuming Impulse”. Gravado no Music Lab Berlin, esse segundo registro de estúdio dos músicos leva a sonoridade da banda a um extremo completamente diferente e já aponta uma grande evolução técnica de cada integrante. A arte de capa é um espetáculo a parte e exala exatamente a agonia e o desespero contidos em cada composição do disco.

O álbum já se inicia com a insana “Dehydrated”, uma música que não tem dó nem piedade do ouvinte, metralhando os tímpanos do mesmo com “riffs” velozes, sujos e pesadíssimos. Quem ouviu o álbum anterior já enxerga de longe que a banda estava caminhando em uma direção ainda mais visceral e brutal. As palhetadas da dupla de guitarristas Patrick Uterwijk (que substitui de forma bastante eficiente o guitarrista Randy Meinhard) e Patrick Mameli são profundas e doentias, a “cozinha” é um verdadeiro massacre, promovido impiedosamente pelo baterista Marco Foddis e pelo “frontmen” Martin Van Drunen, que além de tocar o baixo, executa um vocal ainda mais urrado e violento que o trabalho anterior, soando como uma perfeita mistura das vozes agressivas do finado Chuck Schuldiner (Death, Control Denied), John Tardy (Obituary, Tardy Brothers) e Jeff Becerra (Possessed), entretanto, com uma voz ainda mais rasgada e que consegue captar todo o clima fúnebre e claustrofóbico das músicas.


The Process of Suffocation é uma faixa realmente sufocante e se inicia com um andamento mais cadenciado, mas jamais menos pesado e que ganha velocidade à medida que a música caminha. A terceira música a dar as caras é a magnífica “Suspended Animation”, uma composição repleta de “riffs” e solos afiadíssimos, urros bem encaixados, levadas frenéticas de bateria, além de conter um dos momentos mais climáticos e interessantes de todo o álbum, com a inserção de coros ao fundo, que além de proporcionar uma atmosfera sinistra e genial para a música, ainda são bem acompanhados pelo empolgante desempenho instrumental da banda, que praticamente obriga o ouvinte a “banguear” incessantemente. Um dos grandes pontos altos do álbum, sem dúvidas! Os urros de Van Drunen rasgam os autofalantes na poderosa “The Trauma”, que se inicia com palhetadas potentes que ganham mais velocidade à casa segundo, acompanhadas por uma “cozinha” sedenta por destruição e histéricos solos de guitarra de Patrick Mameli.

A portentosa bateria de Marco Foddis marca o início de “Chronic Infection”, uma faixa que possui trechos mais moderados e pausados, mas que em momento algum deixa de ser uma verdadeira experiência caótica, mantendo intacta a linha das composições desse belo petardo. Em seguida, temos a grandiosa “Out of the Body”, a primeira música da banda a ganhar um videoclipe promocional. Se você, caro leitor, imagina que o fato dela ter ganhado um videoclipe significa que o som em questão seria algo mais acessível ou comercial, devo avisar que você está redondamente enganado, pois mais uma vez temos a mesma intenção das faixas anteriores, ou seja, um verdadeiro massacre sonoro impiedoso. Os “riffs” aqui presentes são simplesmente grudentos e genuínos do Old School Death Metal e são perfeitamente acompanhados pelo brilhante desempenho do “frontmen” Martin Van Drunen, cuja voz transmite agonia e sofrimento genuínos a cada verso urrado.

Uma empolgante introdução recheada de palhetadas desvairadas e sujas e levadas abundantes de bateria inicia a excelente sétima faixa do álbum, “Echoes of Death”, uma composição que novamente traz peso, agressividade, técnica, velocidade e uma atmosfera sombria. Tudo na medida certa e sem jamais soar forçado ou desnecessário. As guitarras de Patrick Mameli e Patrick Uterwijk dão o tom de abertura da estonteante e grudenta oitava música do disco, “Deify Thy Master”. Possuindo um “riff” marcante e um refrão que não sai da cabeça e impulsiona o ouvinte a cantá-lo ininterruptamente, é um dos destaques dessa obra.


A breve, porém belíssima instrumental “Proliferous Souls” surge logo em seguida e proporciona um momento de calmaria em meio a toda a sinfonia agonizante que se ouviu até agora. Obviamente que essa calmaria não perdura por muito tempo e eis que somos brindados mais uma vez com uma genuína “pedrada”, “Reduced to Ashes”, a última faixa desse maravilhoso registro, que se inicia com “riffs” arrastados que rapidamente abrem caminho para vorazes e bruscas mudanças de andamento, passagens alucinadas de bateria, urros ainda mais desumanos e impetuosos e um desempenho bestial de guitarras, que encerra o álbum de forma precisa. Tecer elogios para “Consuming Impulse” é simplesmente “chover no molhado”. Trata-se nada mais, nada menos do que uma legítima joia do Death Metal mundial e é um item obrigatório na coleção de todo fã de Metal Extremo que se preze.

Tracklist:

01. Dehydrated 
02. The Process of Suffocation 
03. Suspended Animation
04. The Trauma 
05. Chronic Infection
06. Out of the Body 
07. Echoes of Death 
08. Deify Thy Master 
09. Proliferous Souls 
10. Reduced to Ashes

Lineup:

Martin Van Drunen (Vocal / Baixo)
Patrick Uterwijk (Guitarra Rítmica)
Patrick Mameli (Guitarra Solo)
Marco Foddis (Bateria)

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