sexta-feira, 14 de abril de 2017

Resenha: Witchery - "In His Infernal Majesty’s Service" (2016)


Geralmente, quando um bando de cabras de diferentes bandas conhecidas do povão e/ou respeitadas na cena se juntam pra fazer musiquinha, chamamos o resultado de “supergrupos”. Às vezes isso é bom e a banda acaba fazendo um som muito louco e até ultrapassa o de bandas originais de seus membros, às vezes o som é uma merda. Com o Witchery, é claro, me refiro à primeira afirmação, já que sua roupagem de Blackened Thrash Metal é nada menos que foda pra caralho. Com antigos e atuais membros de grupos como Arch Enemy, Mercyful Fate, Satanic Slaughter e The Haunted, esses caras não precisam de apresentação de um reles cabaço como eu, mas para aqueles que não sabem, aí vai: a banda foi formada em 1997 por Sharlee D’Angelo (baixo), Richard Corpse e Patrik Jensen (guitarras), e de vez em quando eles gostam de criar um monstrinho em forma de álbum e soltar nas selvas impiedosas da cena. 

Venho curtindo a banda há uns bons 10 anos agora, e sempre achei uma merda eles serem espremidos na entre-safra de compromissos do Patrik Jensen e seu The Haunted. Foram seis anos desde o último trabalho do Witchery, ‘Witchkrieg’ – trabalho esse que contou com os vocais do lendário frontman do Marduk, Legion – que recebeu críticas mistas da mídia especializada mas foi de uma forma ou outra aceito por todos. ‘In His Infernal Majesty’s Service’ tem algumas mudanças no lineup com Angus Norder (Nekokraft) e Christofer Barkensjö (Lill, ex- Kaamos) tomando conta dos vocais e bateria, respectivamente, mas o play basicamente continua de onde seu antecessor parou. Vemos aqui 13 músicas divididas em pouco menos de 45 minutos do mais completo Thrash feito pra bater cabeças, cerrar punhos e queimar posers, num trabalho repleto de linhas atmosféricas macabras, ótimos ganchos e leads pesados, e nenhuma das faixas ultrapassa a marca de 4 minutos, o que faz a experiência ser ainda mais visceral e frenética. Dou atenção especial ao meio do álbum, especialmente às músicas “Nosferatu” e “The Burning of Salem”. Curiosamente, essas têm praticamente a mesma construção e estilo musical de sons característicos do Sodom, e inclusive a voz de Angus lembra em algumas frases o mestre Tom Angelripper. Há tambêm pedaços mais balanceados (melodicos, até) como em “Zoroast” e “Feed the Gun”, que misturam um pouco o caldo, injetando uma dose de despretensiosidade ao produto. 

 

Elementos sombrios e negros como órgãos foram adicionados em “Escape from Dunwich Valley” a fim de criar a melhor atmosfera Black possível, enquanto “Oath Breaker” recebe um tratamento mais agressivo – algo parecido com Death – com pedais-duplos e distorções de guitarra bem colocadas. Algumas partes cadenciadas se fazem presentes em “Eye for an Eye”, mas essa acaba por falhar em se juntar ao resto das faixas, provavelmente por sua característica mais densa, leve e destoante das demais. A super-produção e a ausência de mais solos são os pontos fracos do álbum; esse tipo de Thrash (especialmente quando se coloca “Blackened” na equação) não precisa de produção cristalina com mixagem e overdubs aparentes e algumas vezes isso faz com que a experiência seja um tanto mecânica e extremamente moderna.

Quando o Witchery faz o que sabe, que é tocar um Blackened Thrash direto e agressivo, é onde ‘In His Infernal Majesty’s Service’ brilha: riffs puros, vocais guturais e poderosos e um tambor de guerra em forma de bateria infernal estouram seus alto-falantes e mostram pra todos esses moleques neo-thrash por aí como se faz (estamos de olho, Lost Society). Contudo, quando há um pouco de experimentação, o play perde um pouco de força e cai num lugar comum extremamente desconfortável (irônico, não?) do gênero. Em suma, é um álbum sólido e merecedor do nome Witchery; fãs de Thrash e Black vão cair matando no play e suas músicas curtas e atraentes. O que temos aqui não é nem lixo, nem mito; só um bom e divertido lançamento de um Metal Sueco que deu certo. Recomendado.


Integrantes: 

Sharlee D'Angelo - Baixo
Rickard Rimfält - Guitarra
Jensen - Guitarra
Chris Barkensjö - Bateria
Angus Norder - Vocal

Faixas:

01. Lavey-athan
02. Zoroast
03. Netherworld Emperor
04. Nosferatu
05. The Burning of Salem
06. Gilded Fang
07. Empty Tombs
08. In Warm Blood
09. Escape From Dunwich Valley
10. Feed the Gun
11. Oath Breaker


Nota: 7.7

Por Bruno Medeiros

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