segunda-feira, 17 de abril de 2017

Fight - "War of Words" (1993)

Enquanto isso, nos anos 90...



E então, depois de um disco impecável, considerado por muitos o melhor disco de heavy metal dos anos 90, um dos mais talentosos vocalistas de metal da história decide sair da banda que o consagrou. Sim, estamos falando do Painkiller e do maestral Rob Halford. Mas, muita calma, não vou falar desse disco aqui, e sim de uma das obras primas do Halford infelizmente esquecida por muitos.

A banda – Fight

Ao ver as fotos do Fight você pode pensar “ah não, lá vem o Halford com uma banda mezzo alternativa, mezzo grunge”, ao ver camisetas e bermudas e sem NADA de couro ou spike. Ledo Engano. 
Halford foi a fundo no peso já plantado no Painkiller, incluindo elementos que deixaram esse álbum singular e incrível. E para garantir tudo isso trouxe, a tira colo, Scott Travis (bateria – Judas Priest) e mais um time sensacional. Brian Tilse e Jay Jay Brown (respectivamente guitarra e baixo – Cyanide) e Russ Parrish (guitarra – atualmente no Steel Panther).

O álbum – War of Words

Pegue o seu CD (afinal, estamos falando de anos 90), coloque no seu player e tome um soco na cara com a “painkillistica” do álbum, Into the Pit (e não, não é um cover do Testament). Essa música é capaz de levantar qualquer banger que se preza do túmulo para balançar a cabeça. Rápida, pesada, cheio de bumbos e riffs extremos. Essa música lembra Painkiller? Sim, tem alguns elementos. Isso é ruim? JAMAIS! 

O segundo som, Nailed to the Gun já não é tão rápido, mas é tão grandioso quanto o primeiro. Segue uma linha de riffs mais tradicionais e poderia estar em qualquer disco do Judas, sem problema algum. Já Life in Black é muito arrastada, lenta e pesada na medida certa e o riff de abertura é simplesmente incrível, arrepiando a alma! Immortal Sin continua o CD e a qualidade não cai um segundo. Destaque para a voz do Halford que nessa música é mais grave que o normal e cai como uma luva para o riff.
A música título do álbum vem na sequência e é mais um petardo. Cadenciada e grooveada na medida certa e cheia de bumbo, mostrando o quanto o Scott Travis é versátil no seu kit. E nesse som, diferente do anterior, Halford canta em tons muito altos, seguido muito bem por Jay Jay Brown, com uma voz mais grave no refrão. Laid to Rest é menos cadenciada, tem uma pitada de groove, mas o que prevalece é o peso.


For All Eternity é a música mais linda desse CD, sem sombra de dúvida. Aquela balada metal cheia de feeling e harmonia assombrosa. Mais uma vez, um show de interpretação do Halford, mostrando que não é apenas um grande vocalista, mas também um interprete de qualidade inquestionável.
Little Crazy me lembra a época que a MTV passava metal na programação em qualquer horário. Cansei de ver esse clipe passando no meio da tarde. Música muito boa, mas sinceramente é a “menos boa” do CD. Escutando ela isoladamente, sem conhecer o CD, você percebe a qualidade, mas ela se perde nesse álbum. Bem diferente de todo o resto, bem mais “comercial”, mas como já disse, grande música (para ouvidos e mentes abertas, é claro).

Contortion é mais reta e tradicional, um ótimo som, mas na sequência temos Kill It e Vicious, que são duas músicas que me remetem aquele tipo de som da época feito por White Zombie, Pantera e com uma pitada de NIN, o que para mim é muito bom. Porém escute ela você mesmo e tire suas próprias conclusões.

Já Reality – A New Beginning, é mais reta, direta, menos groove e mais certeira. E então você acha que o disco acabou, mas depois de quase 5 minutos de silencio, começa Jesus Saves, que pra mim é a mais música mais Judas daqui. Com seu tempo em 4 por 4, riffs e vocais mais simples e diretos, mas isso não quer dizer que é uma música ruim, pelo contrário! Encerra o CD de forma ótima e inesperada.

Vale destacar as letras desse álbum. Sem nenhum clichê metal e tratando de temas muito mais sociais e pessoais.
Disco impecável, cheio de variações que se encaixam muitíssimo bem, tornando uma obra prima na carreira desse que é (ou foi) um dos melhores vocalistas de metal de todos os tempos.

BÔNUS: Já que estamos falando de anos 90 e comentei do Pantera no meio do texto, procurem uma música chamada Light Comes Out of Black, que é nada mais, nada mesmo que o Pantera com o Halford no vocal. Essa música foi trilha sonora de Buffy, a caça vampiros. O casamento do riff do Dime com a voz do Halford é de chorar!


Por Leandro Maurício dos Santos