sábado, 17 de dezembro de 2016

Lançamento: Crossed Crow - "Reap What We Sow" (2016) (EP)


O Metal extremo sempre foi uma das especialidades brasileiras e se pensarmos especificamente no Death Metal, existe uma infinidade de nomes que representam nosso país de maneira muito competente. Foi assim no passado e é assim no presente, já que uma geração de bandas possuidoras de muito talento vem surgindo e apresentando trabalhos do mais alto nível. 

A Crossed Crow é um desses grupos novos e que com apenas um EP lançado no último dia 2 de dezembro, demonstra um potencial incrível e mais do que isso, são detentores de uma musicalidade bem original e característica. A banda foi formada em 2012 em São Paulo e demorou alguns anos para conseguir encontrar a sua formação ideal, o que só ocorreu em 2015. Após mais de um ano de muitos ensaios e um processo de composição elaborado, William Menezes (vocal), Alessandro Yoshinaga (guitarra), Gustavo Ferreira (Guitarra), Luccas Vasconcellos (baixo) e César Betioli (bateria), concluíram todas as faixas que integram o EP "Reap What We Sow". 

A identidade do grupo é fruto de uma vasta gama de influências que vão desde o Death Metal mais tradicional de bandas pioneiras como Grave e Obituary, até a inclusão de partes climáticas que remetem a nomes como Opeth e ainda alguns elementos de Thrash Metal. Essa miscelânea resultou numa sonoridade forte, onde as músicas contidas no EP são marcadas muito mais pelo peso, cadencia e alternâncias rítmicas do que pela velocidade em si.


O material conta com momentos realmente empolgantes e algumas ressalvas devem ser feitas, principalmente com relação ao trabalho da dupla de guitarristas Alessandro e Gustavo nas faixas "Unfolding Paths" e "Unstoppable Cycle". Os caras conseguiram criar linhas viscerais, riffs realmente bons, solos que esbanjam feeling e ainda encaixar partes acústicas com belíssimos dedilhados que fizeram com que ambas as composições ganhassem um toque intimista fantástico.

A parte rítmica é bem segura e tanto o baixo de Luccas como a bateria de César trabalham em perfeita sincronia, não abrindo espaço para erros e dando total segurança à banda. Outro destaque latente é o vocalista William Menezes, que além de ser dono de um timbre forte e um gutural pra dar inveja em muita banda internacional renomada, ainda é o responsável por todo o conteúdo lírico e também pela arte da capa de "Reap What We Sow". 

A temática é outro ponto em que a Crossed Crow se distancia das demais bandas do gênero, já que apesar de não deixar o foco/tema primordial do estilo de lado, o aborda de uma maneira politizada e priorizando a destruição que o homem promove junto a natureza e as caóticas consequências que essas ações podem trazer para a raça humana.


Nas já mencionadas "Unfolding Paths" e "Unstoppable Cycle", o grupo encontra uma fórmula bem funcional, algo que muitas bandas demoram anos pra achar e o quinteto paulista já traz logo no seu trabalho de estréia. "The Ghost Road" apresenta uma nova faceta dessa mesma fórmula e apenas em "Abyss", a mais direta do registro, que a banda alterna e traz diferentes variações ao seu som característico. 

Nitidamente, a intenção do grupo com o EP "Reap What We Sow" é apresentar o "jeito Crossed" de fazer Death Metal e pode-se afirmar com total certeza que este objetivo é atingido com louvor. Todas as faixas são de extremo bom gosto e possuem construções bem acima da média, o trabalho é bem homogêneo e convence do primeiro ao último instante, nos deixando inclusive em grande expectativa com relação ao lançamento de um vindouro full lenght. 

A única crítica à respeito desse ótimo material é com relação a produção, que por ser independente e feita pelos próprios integrantes, acaba não valorizando como se deve a grandiosidade musical contida. Todos sabemos das dificuldades que é gravar em um bom estúdio e os custos de uma boa produção, tudo isso deve ser levado em conta, mas obviamente este EP produzido  por um profissional, facilmente iria figurar entre os melhores do ano no gênero. Devo deixar claro que o trabalho de produção é muito longe de ser ruim, só não está no mesmo patamar da qualidade altíssima das músicas e do talento inquestionável dos envolvidos.

Um dos discos que mais gostei do estilo, neste ano que foi marcado por excepcionais lançamentos. Altamente recomendado!


Integrantes:

William Menezes (vocal)
Alessandro Yoshinaga (guitarra)
Gustavo Ferreira (Guitarra)
Luccas Vasconcellos (baixo)
César Betioli (bateria)

Faixas:

1 - Welcome To... (Introdução)
2 - The Ghost Road 
3 -Unstoppable Cycle 
4 - Unfolding Paths 
5 - Abyss

por Fabio Reis

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