quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Manowar: do menos expressivo ao melhor álbum


A sessão “do mais fraco ao melhor álbum” foi criada com o objetivo de tentar elencar os álbuns de determinadas bandas, do menos expressivo ao mais significativo. Os critérios usados para o ranking são diversos, como aceitação crítica do álbum em questão, importância do lançamento para a época, nível técnico em comparação a outros trabalhos da banda e fator diversão (obviamente), entre outros.

Note que não há aqui certezas ou leis, apenas uma análise feita por mim para decidir a ordem dos álbuns baseado nas informações acima e, portanto, se seu álbum favorito estiver abaixo no ranking ou se aquele play que você acha uma merda estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata. De qualquer forma, tentarei potencializar ao máximo os critérios técnicos acima e minimizar interferências pessoais.

Após mais de um mês sem o ranking (mea culpa), voltamos em força máxima com aqueles seres besuntados em óleo vestindo nada mais do que uma tanga de texugo, e que têm em um só dedo mais metal e atitude do que você terá na sua vidinha medíocre inteira: Manowar. Criada em 1980 na cidade de Auburn, em New Jersey – EUA, a banda formada por Joey DeMayo e Ross Friedman (mais conhecido por nós mortais como Ross the Boss) teve início em uma conversa dos dois numa turnê do Black Sabbath – banda para qual DeMayo trabalhava como técnico de baixo – que tinha como banda de abertura a Shakin Street, onde Ross the Boss era guitarrista. E o resto, como dizem, é história.


Com mais de 35 anos de carreira e uma legião de fãs molhadinhos os seguindo de perto, o Manowar é um dos principais (senão o principal) responsáveis pela alcunha ‘True Metal’, conhecida e adorada por todos nós headbangers por ser a vertente da cena que idolatra o verdadeiro metal sem frescuras e massacra os posers que só querem usar aquele cinto de bala de plástico e uma jaquetinha deprimente com patches do Metallica e Iron Maiden. Então, sem mais delongas, vamos visitar essa discografia e descobrir quais são os melhores plays de Eric Adams, Joey DeMayo e companhia; se discordarem, podem roubar meu visú depois. 

Every one of us has heard the call
Brothers of True Metal proud and standing tall
We know the power within us has brought us to this hall
there's magic in the metal there's magic in us all

(…)

Now the world must listen to our decree
We don't turn down for anyone we do just what we please
got to make it louder, all men play on ten
If you're not into metal, you are not my friend!

11 – The Lord Of Steel (2012)


Sem surpresas aqui. Produção horrível (ainda mais pra uma banda que se vangloria de ter sido pioneira – no Heavy Metal - em gravar faixas com som 7.1 Dolby Surround), linhas de guitarra irrisórias e melodias estranhas. Lord of Steel é mais feio que suas fotos no facebook, mais fraco que sua determinação na vida e menos expressivo do que sua importância na sociedade. Em resumo, o Lord of Steel é você: medíocre.

10 – Gods Of War (2007)


Gods of War é um álbum bom. O problema é que as linhas vocais, de baixo, guitarra (de todos os instrumentos, na verdade) não casam bem com a atmosfera épica abordada no álbum, e as canções acabam saindo fracas, pálidas. Isso se agrava ainda mais quando notamos que a temática Viking é revisitada à exaustão na cena do metal mundial, e feita com muito mais competência por bandas muito menores e inexpressivas que o Manowar. A idéia foi até boa, mas a execução saiu bem abaixo do esperado.

9 – Fighting The World (1987)


Eu absolutamente adoro esse play, me julguem. Acho as três primeiras faixas mais ‘Happy Metal’ do que qualquer coisa que o Helloween tenha lançado (amadores), mas esse é o problema quando você quer ser um guerreiro de Odin que molha sua espada no sangue de virgens e sonha em ir pra Valhalla: você tem que ser fodão, e não feliz e saltitante. Há aqui, obviamente, ótimas faixas que são consideradas clássicas até hoje como a destruidora “Violence and Bloodshed”, a faixa título – mais grudenta que esse ranho que você limpa na manga do casaco - e o hino “Black Wind, Fire and Steel”; Fighting the World é, sem dúvidas, o álbum mais diversificado da carreira do Manowar, e o que possui a maior veia comercial, por consequência.

8 – The Triumph Of Steel (1992)


Como sempre, há ótimas músicas em The Triumph of Steel como a matadora, magnífica e destruidora de posers “Metal Warriors”, a ótima “The Power of Thy Sword”, com uma atuação impecável de Eric Adams, e a boa balada “Master of the Wind”. O play peca um pouco, porém, em misturar demais elementos que não conseguem grudar o ouvinte, como na simplória “Burning” e na longa (longa demais) “Achilles, Agony and Ecstasy in Eight Parts”.

7 – Warriors Of The World (2002)


Me lembro da longa espera, que parecia nunca ter fim, de 6 anos entre o último álbum do Manowar e Warriors of the World; as expectativas eram muito altas e a banda teria que comparecer à altura. De fato, o álbum tem boa qualidade, mas mais uma vez é um misto de ótimas músicas e várias das chamadas ‘fillers’, que estão lá apenas para compor o tempo de duração do trabalho. Claro, temos “Call to Arms”, “House of Death” e a faixa-título, mas também vemos faixas estranhas, como as patrióticas “An American Trilogy” e “The Fight for Freedom”, e uma infeliz adaptação da famosa ária “Nessun Dorma”, de Giacomo Puccini. Talvez Adams, DeMayo, Columbus e Logan tenham ficado emocionados demais com os ataques de 11/9/2001.

6 – Kings Of Metal (1988)


O início de “Wheels of Fire” já mostra que os filhos de Conan não estavam pra brincadeiras aqui. Da porradaria ao hino épico, passando por uma das maiores baladas de todos os tempos em “Heart of Steel” e chegando na inconfundível, visceral e genial “Hail and Kill”, sobra sangue, aço e flecha pra todo mundo em Kings of Metal. Foi aqui, obviamente, que os estadunidenses ganharam a alcunha de ‘reis do metal’.

5 – Louder Than Hell (1996)


‘Bebeu água da privada, Bruno, ta louco? Louder Than Hell melhor que Kings of Metal?!’. É, eu também fiquei surpreso. Mas analisando música por música, a época que os dois álbuns saíram e fatores como execução e proficiência, Louder Than Hell leva a melhor por alguns centímetros. Além do mais, vemos aqui muitos temas que viriam a ser adorados pelos fãs e críticos, como “Return of the Warlord”, “The Gods Made Heavy Metal”, “Outlaw” e o petardo que faz chorar “Brothers of Metal”. Que atire a primeira pedra quem nunca cantou esse som abraçado com o amigo, mais louco que o Burzum, num churrasco por aí.

4 – Into Glory Ride (1983)


“Warlord”, “Gloves of Metal”, “Gates of Valhalla”, “March of Revenge (By the Soldiers of Death” e uma capa de cunho extremamente duvidoso com Joey DeMayo vestido de Cavaleiro do Zodíaco e Eric Adams de Elvis Presley. Como não amar?

3 – Sign of the Hammer (1984)


A faixa-título sozinha já é suficiente pra colocar Sign of the Hammer em uma posição confortável na discografia do Manowar. Mas aqui há muito mais do que os olhos podem ver: produção excelente, inspiração ímpar e o lançamento de não só um, mas dois álbums de altíssimo nível num espaço de menos de 4 meses tornam o play num dos melhores trabalhos da banda.

2 – Hail to England (1984)


Como eu disse, foram duas sapecadas no ouvido num espaço curtíssimo de tempo, começando por esse poderoso álbum. São 7 músicas, 7 clássicos; uma performance de gala de um dos maiores vocalistas de todos os tempos, uma virtuose sem limites de um guitarrista que transbordava talento, um ser endiabrado e selvagem destruindo o kit de bateria e um líder intelectual no auge de sua prosa. Hail to England é uma aula de True Metal.

1 – Battle Hymns (1982)


“Metal Daze” foi a primeira música do Manowar que ouvi, e foi amor à primeira audição. Battle Hymn é, sem sombra de dúvidas, um dos mais influentes e respeitados álbums da história do Heavy Metal, e não é exagero algum chama-lo de atemporal, transcedental. De “Fast Taker” à brilhante “Battle Hymn”, não há o que se tirar nem colocar nessa pepita de ouro forjada pelos próprios deuses da música pesada. Magnífico.

Espero que tenham gostado! Mandem sugestões para as próximas bandas a ser ranqueadas.

por Bruno Medeiros