quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O monstro Danny Lilker


Nascido como Daniel Lilker, ele também é conhecido como Dan ou Danny Lilker, um multi-instrumentista que carrega em seu nome a genialidade de tocar seu baixo com distorções tão absurdamente engendradas como que nos faz viajar pelo universo seleto dos grandes virtuoses guitarristas. Além do baixo, Danny toca piano, bateria, guitarra e se aventura pelos campos da voz.

Precocemente, aos 16 anos, juntamente com Scott Ian, em 1981, fundou a tão aclamada banda Anthrax. Nos primórdios da composição da banda, Danny aparecia tocando guitarra, mas no percurso de formalização da lineup, ele assumiu a responsabilidade das 4 cordas, dando espaço a Greg Walls (ex Hittman) para o gerenciamento das guitarras solo.

Foram duas demos e um single até o lançamento do debut "Fistful of Metal" em 1984, um dos embriões do thash metal. Inexoravelmente, o que mais assombra (apesar da perfeição de todos) na composição desse debut são as performances de Lilker e do hoje magnânimo mestre das baquetas Charlie Benante. A lineup desse petardo atemporal, eterno e divinal se completa com Dan Spitz nas guitarras solo e Neil Turbin nos vocais. Uma obra além da compreensão de simples mortais como nós. Danny também aparece na formação da banda em duas faixas do EP "Armed and Dangerous", prenúncio do fantástico "Spreading the Disease" de 1985 que já contava com o fantástico Frank Bello no baixo.

Danny deixava o Anthrax para fundar o Nuclear Assault, outra banda de thrash metal, mas com muito mais velocidade. Dois anos após a formação da banda surge o álbum que mostrou vários caminhos para a concepção do thrash crossover. Pra mim é, indubitavelmente, um dos 5 melhores álbuns de thrash de todos os tempos, o magnífico "Game Over", isso sem falar do álbum "Survive", outra esplêndida obra. A velocidade de Danny é o que comanda a carnificina debutante do Nuclear Assault, mas as atuações de John Connelly na guitarra e nos vocais somadas ao brilhantismo incostestável de Anthony Bramante, guitarrista que anos mais tarde participaria de outro dos álbuns mais perfeitos que meus ouvidos já escutaram, o "Cyberchrist" da banda Phantom.


No Nuclear Assault, Danny vive entre idas e vindas, obviamente devido a quantidade de compromissos que tem com outras bandas, desde os primórdios oitentistas.

Paralelamente, em 1985, a verdadeira genesis do crossover surge das ideias do irriquieto Scott Ian do Anthrax. Entediado à espera dos resultados de produção de "Spreading the Disease", ele tenta algumas experimentações relacionadas ao hardcore mais grosso e sujo que o thrash. Mas como fazer algo mais rápido, pegajoso e asqueroso que o thrash metal e menos musicalmente pobre que o hardcore-punk? Primeiramente com músicos que andam à velocidade da luz e tenham em suas virtudes o conhecimento profundo de seus instrumentos: Charlie Benante e Danny Lilker... não existem melhores e mais completos. Muita harmonia e virtuosismo necessita algo podre para amadurecer a ideia: Billy Milano, vocalista da banda hardcore The Cryptos e componente da roadie crew do próprio Anthrax.

Surge, então, o projeto Stormtroopers of Death ou S.O.D. como ficaram mais conhecidos. A irreverência de Scott, Charlie e, principalmente, Lilker faz com que, após o lançamento de uma demo composta de 63 canções, eles lançam o debut "Speak English or Die" (Fale Inglês ou Morra), uma sátira à pseudo obrigatoriedade do idioma inglês como garantia de sucesso em qualquer área de atuação. Letras compostas principalmente por LIlker, três dias de estúdio para a gravação, produção e mixagem e sucesso instantâneo de uma nova vertente do eixo punk-metal.

O homem que se move à velocidade da luz necessita algo mais visceral ainda. Após um projeto paralelo denominado "Extra Hot Sauce", onde toca bateria, Danny cria, em 1990, a banda Brutal Truth, uma das coisas mais magníficas e contagiantes dentro do universo grindcore, que estava se firmando como vertente dominante no final dos anos 80, ao lado do tão amado death metal. Música pra ouvidos resistentes à hecatombes, sismos e outros desesperos de enredo catastrófico. 

No baixo e nos vocais secundários, Danny é um primor de atitude violenta, o Brutal Truth é avassalador. Quanto mais velocidade, agressividade, impetuosidade e feiúra, mais se torna essencial a presença de Danny LIlker.


Mais algumas bandas onde Danny Lilker teve papel relevante para a sobrevivência do Heavy Metal nos anos 90 e sua posterior eternidade:

Exit-13 - Grindcore - baixo, piano e vocais
Hemlock (como Balth)- Black Metal - baixo
Holy Moses - Speed/Tharsh Metal - baixo e piano
The Ravenous - Death Metal - baixo
Crucifist - Black/Heavy Metal - baixo e vocais (grunhidos)
NunFuckRitual - Black Metal - baixo
Evil Wrath - Black Metal - baixo
Autopsy (live) - Death Metal - baixo

E a atual e sensacional Burring onde atua como baixista também com a alcunha de Balth

Danny Lilker é, também, um Midas Touch do Metal. Tudo aquilo que ele toca é ouro puro. Não há nada de medíocre ou mesmo mediano na carreira desse excepcional baixista, letrista e multi-instrumentista tão venerado por todo universo Heavy Metal.

por Luís Henrique Campos

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...