sábado, 13 de agosto de 2016

Clássicos: Warlock - "Burning The Witches" (1984)


O maravilhoso ano de 1984 revelou tantos álbuns de magnitude inimaginável, tantos citados aqui por dezenas e dezenas de vezes, alguns até centenas de vezes, tanto que é considerado o ano do apogeu do heavy metal.

Eu estava lá naquela época difícil: álbuns importados aos olhos da cara, fitas k-7 piratas a preços exorbitantes, muitas vezes gravadas com o cu dos mercenários que exploravam a galera que queria ter, mas não podia. Uma das ondas que mais curtíamos era adquirir fotos de nossos ídolos que saiam em revistas internacionais e eram vendidas por muitos e muitos vinténs da época.

De todos os meus ídolos, os que eu tinha um número maior de fotos eram Rob Halford, Paul Di'anno, Ronnie James Dio e Doro Pesch. Na ocasião eu, mesmo nunca tendo gostado de loiras, era aficionado pela imagem da "Metal Queen", tanto que tinha uma camiseta dela, pintada a mão.

Como muitos sabem, Doro era vocalista da banda alemã Warlock e, naquele ano, eles lançaram o debut "Burning the Witches", aclamado, na época, pela qualidade das composições e a voz rouca anasalada de Doro, a la Bonnie Tyler, fez muito sucesso.
A beleza física de Doro Pesch fez com que a maioria deixasse de prestar atenção na capacidade individual de cada músico da banda, inclusive a dela mesma, pois, ela nunca foi uma vocalista excepcional, diferente dos demais componentes que eram muito acima da média.

Os guitarristas Rudy Graf e Peter Szigeti eram dois duelistas fantásticos, bem no estilo de Hermann Frank e Wolf Hoffmann do Accept e KK Downing e Glenn Tipton do Judas Priest. A rifferama que eles apresentaram nesse álbum foi algo tão apaixonante que ele virou vício, na época. O baixista Frank Rittel era outra sumidade, fazia o que queria com seu instrumento, marcante e preciso, foi uma das melhores e mais atuantes bases da ocasião. O batera era Michael Eurich, tinha um estilo muito similar a Dave Holland do Judas e Hermann Rarebell dos Scorpions, e cumpriu seu papel com muita dignidade.


As canções... ah, as canções! O álbum começa com um petardo esmagador, um riff grudento da veloz "Signs of Satan" e dá uma cadenciada em "After the Bomb", uma balada sincopada e de muito peso, e "Fade Dark" segue a batida compassada da anterior, duas composições onde o baixo é a alma das audições.
A velocidade volta a aumentar em "Homicide Rocker". Nela o destaque é Doro e as guitarras de Rudy e Peter, um duelo pra lá de estarrecedor.

"Without You" é uma daquelas baladas grudentas tipo "mela cueca" a la Scorpions, mas é de uma magnitude ímpar, uma das melhores de todos os tempos. O sentimento que Doro emprega é, realmente, algo de outro mundo. Uma das baladas que mais ouvi na vida.
Vem a seguir Metal Racer e a velocidade volta à tona juntamente aos riffs acachapantes. E tome solo soberbo. A letra é bastante gratificante, apesar de simplória, sem rimas fáceis e com início, meio e fim. Aliás, essa é uma constante em todas as outras letras do álbum.

Tudo muito bem constituído para a apresentação da faixa título "Burning the Witches". Nela, a banda juntou todos os recursos utilizados nas canções anteriores, o que acarretou numa composição bastante complexa e repleta de variações. Um heavizão de encher os olhos (e ouvidos) que culmina com as guitarras de Rudy e Peter, pra variar.

Em "Hateful Guy" a cozinha (baixo e bateria) introduz a deixa para um riff inicial e um grito fantástico da loira. A seguir um riff viciante, muito parecido com um riff de outra banda que não me lembro qual, mas tenho certeza que alguns de você me ajudarão a recuperar a memória que já dá sinais de declínio. Um heavy curto, grosso e certeiro.

Burning the Witches encerra com mais uma balada muito gostosa, "Holding Me". Aqui, acho Doro superando expectativas, mas a atenção devida deve ser dada à base, às guitarras e à letra. Pra mim, a confirmação da perfeição que é este álbum. Tão perfeito quanto outros tantos e tantos lançados no ano consagrado da década de ouro, 1984.


Integrantes:

Doro Pesch (vocal)
Rudy Graf (guitarra)
Peter Szigeti (guitarra)
Frank Rittel (baixo)
Michael Eurich (bateria)

Faixas:

1. Signs of Satan 
2. After the Bomb 
3. Dark Fade 
4. Homicide Rocker 
5. Without You 
6. Metal Racer 
7. Burning the Witches 
8. Hateful Guy 
9. Holding Me

por Luís Henrique Campos

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