terça-feira, 7 de junho de 2016

Virgin Steele: do menos expressivo ao melhor álbum


A sessão “do mais fraco ao melhor álbum” foi criada com o objetivo de tentar elencar os álbuns de determinadas bandas, do menos expressivo ao mais significativo. Os critérios usados para o ranking são diversos, como aceitação crítica do álbum em questão, importância do lançamento para a época, nível técnico em comparação a outros trabalhos da banda e fator diversão (obviamente), entre outros.

Note que não há aqui certezas ou leis, apenas uma análise feita por mim para decidir a ordem dos álbuns baseado nas informações acima e, portanto, se seu álbum favorito estiver abaixo no ranking ou se aquele play que você acha uma merda estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata. De qualquer forma, tentarei potencializar ao máximo os critérios técnicos acima e minimizar interferências pessoais.

Essa semana contemplaremos uma grande banda estadunidense com uma história riquíssima e discos fenomenais: Virgin Steele.


Visto por muitos como o “primo pobre” do Manowar - o que é ridículo, na minha opinião, já que o Virgin Steele lançou trabalhos com qualidade nunca alcançada pelos “Kings of Metal” - a banda foi formada em 1981 pelo então guitarrista Jack Starr, e teve seu debut um ano depois com um álbum homônimo. David DeFeis, único membro remanescente da formação original e detentor de uma das maiores vozes do estilo, é o principal responsável pelo legado dessa, que é uma das bandas mais injustiçadas da história do Heavy Metal mundial, e dona de uma discografia extremamente heterogênea e respeitável, inclusive lançando trabalhos vistos como perfeitos e que com certeza aparecem em listas de melhores de todos os tempos de muitos headbangers, misturando de forma magistral o Heavy Metal com a Música Clássica.

Sem mais delongas, vamos à lista.
By the Gods!


14 – Nocturnes of Hellfire & Damnation (2015)


O álbum mais fraco da história do Virgin Steele é com certeza seu último, lançado ano passado. De qualidade altamente duvidosa e afetado diretamente pelo egocentrismo de David DeFeis, Nocturnes of Hellfire & Damnation mostra um Virgin Steele cansado e com um bloqueio criativo imenso, alternando entre passagens meramente aceitáveis e outras tão patéticas que devem ser consideradas como uma afronta aos fãs. Dos gritinhos insuportáveis de DeFeis, que não consegue calar a boca por mais que 5 segundos durante todo o álbum - e parece ter adotado essa abordagem de forma definitiva - a uma produção abaixo da média, esse trabalho foi provavelmente a gota d’água para a paciência dos ouvintes.

13 – Virgin Steele (1982)


O álbum de estréia do Virgin Steele não é em nenhum momento um trabalho ruim, mas podemos ver claramente a falta de experiência de DeFeis, Starr e companhia, principalmente na formação das letras e pelas passagens menos Heavy Metal colocadas no álbum claramente para tentar angariar fãs ou um contrato com uma gravadora. Nada contra, mas a abordagem simplista e a produção de baixa qualidade colocam o álbum numa posição baixa do ranking.

12 – The Black Light Bacchanalia (2010)


Um álbum extremamente complexo, e talvez por conta disso não muito aceito ou compreendido. DeFeis apresentou linhas vocais completamente diferentes do que estávamos acostumados, mostrando fadiga e menor alcance, e a ausência quase que total de solos de guitarra e performance significativa do grande Edward Pursino deixam The Black Light Bacchanalia tecnicamente inferior à maioria dos trabalhos do Virgin Steele.

11 – Life Among the Ruins (1993)


Aqui vemos o Virgin Steele pegando carona na onda Hard Rock que tomou conta da música pesada no final dos anos 1980 e começo dos anos 1990. Músicas como “Too Hot to Handle”, “Sex Religion Machine” e “Jet Black” demonstram que DeFeis tentou trilhar o caminho fácil para o sucesso, deixando em segundo plano a abordagem épica e letras trabalhadas e inteligentes.

10 – Noble Savage (1985)


O nome Noble Savage caiu como uma luva para o álbum, que mistura passagens sofisticadas e cultas, como “Image of a Faun at Twilight” com a rebeldia e agressividade da faixa título e de “Fight Tooth and Nail”, por exemplo. Um álbum extremamente digno e honesto, conquistou ao Virgin Steele uma exposição considerável.

9 – The Book of Burning (2002)


Tecnicamente uma compilação, The Book of Burning só figura nessa lista por ter várias músicas nunca antes lançadas pela banda, como “Conjuration of the Watcher”, “Rain of Fire” e “The Succubus”. De qualquer forma, a mixagem e arranjos infinitamente superiores aos originais para as músicas já conhecidas fizeram do álbum um trabalho digno e altamente respeitável, sem falar no serviço aos fãs ao reunir faixas de altíssima qualidade nunca ouvidas antes.

8 – Age of Consent (1988)


Na minha opinião, o primeiro grande álbum do Virgin Steele, e certamente o primeiro a conter arranjos que aliam música clássica com Heavy Metal. “The Burning of Rome (Cry for Pompeii)” é até hoje considerada uma das melhores composições da carreira do Virgin Steele e, aliada a faixas fortíssimas como “Let It Roar”, “Lion in Winter” e “We Are Eternal”, deixam o trabalho com uma qualidade alta. Se isso não fosse o bastante, a reedição de 1997 traz músicas ainda mais cativantes, como a bela “Perfect Mansions (Mountains of the Sun)” e “Coils of the Serpent/The Serpent’s Kiss”.

7 – Visions of Eden (2006)


Visions of Eden ilustra muito bem o lado mais crítico e pessoal de DeFeis e companhia, com uma abordagem curiosa sobre fatos bíblicos e a religião cristã em geral. Com arranjos perfeitos para cada música, o último grande álbum do Virgin Steele contém de faixas lindas e emocionantes como “God Above God” a músicas extremamente polêmicas e agressivas. Basta vermos uma das passagens mais conhecidas do trabalho, de “Black Light on Black”, para ver que DeFeis, Pursino, Frank Gilchriest e Joshua Block não estavam pra brincadeiras:

“Fuck you Adam,
Fuck you Eve
Fuck your God and his Infernal needs
Fuck your Children Poison seed
Like a cancer you’ll conceive”

6 – Guardians of the Flame (1983)


Um salto de qualidade gigante em relação a seu antecessor, Guardians of the Flame mostrou um pedaço da genialidade de Jack Starr e David DeFeis, que trilhariam caminhos separados após esse trabalho. “The Redeemer”, “Guardians of the Flame” e uma das mais belas canções feitas pela banda, “A Cry in the Night”, são até hoje favoritas dos fãs e muito bem vistas pelos críticos ao redor do mundo.

5 – The House of Atreus: Act II (2000)


O término da magnífica tragédia grega criada por DeFeis, temos aqui o fim de uma era perfeita de álbums para o Virgin Steele, iniciada em 1994. Um trabalho minucioso, complexo, emocional e extremamente pessoal, The House of Atreus: Act II triunfa como Heavy Metal e como música em geral, seja pelos arranjos cuidadosamente pensados, performances prolíficas e orgânicas de todos os membros ou pelo simples fator épico encontrado em todo o curso do álbum.

4 – Invictus (1998)


Fechando com chave de ouro a trilogia “Marriage of Heaven and Hell”, a história de Invictus vê os seres humanos sendo coroados como mestres de seus próprios destinos e escolhas, e marca também a coroação de uma banda como uma das maiores de todos os tempos. Há algo aqui para toda a gama de fãs de Heavy Metal, do mais casual e despretensioso ao mais crítico e extremista. “A Whisper of Death”, “Sword of the Gods”, “Dominion Day”, “Defiance” e tantas outras do álbum são mais do que suficientes para colocar Invictus como um dos melhores trabalhos da carreira desses Americanos.

3 – The Marriage of Heaven and Hell – Part One (1994)


Aqui começa a lista de três dos maiores álbums da década de 1990. A parte um da trilogia grandiosa idealizada por DeFeis é repleta de músicas memoráveis e acessíveis. O álbum nos introduz a uma história rica e muito bem elaborada, com um instrumental de altíssima qualidade e performances inspiradíssimas, principalmente por parte de Edward Pursino.

2 – The Marriage of Heaven and Hell – Part Two (1995)


Considerado por muitos como o melhor álbum do Virgin Steele e um dos primeiros álbums que ouvi na minha vida, The Marriage of Heaven and Hell – Part Two é perfeito. Canções como “A Symphony of Steele”, que mostra uma das melhores performances de estúdio de um vocalista, na minha opinião, “Prometheus the Fallen One”, que ilustra a maturidade e seriedade da banda em proporcionar a melhor experiência musical possível e “Emalaith”, a maior e mais épica canção criada por DeFeis são apenas algumas das passagens memoráveis e magníficas desse titã da música pesada. O pico de criatividade de dois gênios da música em qualquer estilo, atendendo pelos nomes David DeFeis e Edward Pursino, o álbum é sinônimo de excelência e primor técnico. Clássico, bonito, visceral, agressivo, complexo, honesto.

1 – The House of Atreus: Act I (1999)


Não tenho adjetivos suficientes para descrever esse trabalho. Nada do que eu possa escrever vai fazer justiça ao que representa The House of Atreus: Act I para a história da música. Ambicioso e grandioso, não existe aqui uma só passagem ou arranjo fora de seu lugar. Riquíssimo em detalhes e com atmosfera impecável, o trabalho é de tal qualidade que, na minha opinião, faz com que David Defeis seja elevado ao nível dos maiores compositores de todos os tempos, como Richard Wagner, Ludwig van Beetoven, Johann Strauss, Wolfgang Amadeus Mozart e Sebastian Bach. Composto de verdadeiras pérolas como “Kingdom of the Fearless (The Destruction of Troy)”, “Flames of the Black Star (The Arrows of Herakles)”, “Agony and Shame” e a emocionante “Gate of Kings”, é um trabalho atemporal e transcendental, e definitivamente não só um dos melhores álbuns de Heavy Metal de todos os tempos, mas sim um dos melhores álbuns de todos os tempos no mundo musical em geral.

Comente o que achou do ranking e envie seus pedidos para as próximas bandas que queira ver neste quadro!

por Bruno Medeiros

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