sexta-feira, 24 de junho de 2016

Stratovarius: do menos expressivo ao melhor álbum


A sessão “do menos expressivo ao melhor álbum” foi criada com o objetivo de tentar elencar os álbuns de determinadas bandas, do menos expressivo ao mais significativo. Os critérios usados para o ranking são diversos, como aceitação crítica do álbum em questão, importância do lançamento para a época, nível técnico em comparação a outros trabalhos da banda e fator diversão (obviamente), entre outros.

Note que não há aqui certezas ou leis, apenas uma análise feita por mim para decidir a ordem dos álbuns baseado nas informações acima e, portanto, se seu álbum favorito estiver abaixo no ranking ou se aquele play que você acha uma merda estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata. De qualquer forma, tentarei potencializar ao máximo os critérios técnicos acima e minimizar interferências pessoais.


Essa semana faremos um apanhado na discografia de uma das maiores bandas de Melodic Power Metal de todos os tempos, e sem dúvida o mais conhecido expoente Finlandês no Metal: Stratovarius.

Criada em 1985, à época faziam um som muito diferente do tocado hoje, com fortes influências de Black Sabbath e Ozzy Osbourne, e só em meados dos anos 1990 começaram a criar a identidade que alavancou a banda a uma das maiores da Europa naquele momento. Repleta de altos e baixos, mudanças de lineup e esquizofrenia sonora, o Stratovarius parece ter se encontrado novamente após a saída de Timo Tolkki e ultimamente vem lançando ótimos trabalhos, graças em grande parte ao novo guitarrista Matias Kupiainen e à liderança de Timo Kotipelto e Jens Johansson. Vamos então ao ranking de todos os 15 álbums de estúdio lançados até hoje, do menos expressivo ao melhor:

15 – Stratovarius


A falta de união resultante de constantes brigas entre Kotipelto e Tolkki deu cria ao pior álbum da carreira dos Finlandeses. Pífio, sem inspiração e feito nas coxas, o álbum homônimo do Stratovarius rendeu aos fãs e críticos duras opiniões, e com razão.

14 – Elements Pt. 2


Sinais de fadiga e canções pouquíssimo inspiradas fazem de Elements Pt. 2 um álbum difícil de engolir e fácil de esquecer. Poucas partes do trabalho podem ser aproveitadas como acima de ruins, e a produção abaixo do esperado não contribuiu para o resultado final. Ainda, o lançamento de Elements Pt. 1 apenas 9 meses antes sufocou ambos os trabalhos e fez os fãs coçarem a cabeça sobre o rumo da banda a partir daqui.

13 – Elements Pt. 1


Tecnicamente, ambas as partes de Elements ficam empatadas nesse ranking. A única diferençaem Elements Pt. 1 é a boa “Eagleheart” e uma ou outra passagem musicalmente superior em relação à sua segunda parte. Mais um álbum medíocre.

12 – Infinite


Um álbum que tem qualidades, mas que mostra uma banda tocando no automático. Infinite ilustra bem o começo do declínio do Stratovarius nos anos 2000 e traz composições bem mais fracas em relação a seus antecessores. Claro, faixas como “Hunting High and Low”, “Millenium” e “Phoenix” podem ser consideradas como hinos do Melodic Power Metal pelos fãs, mas o álbum como um todo abusa da melosidade e não propõe boas letras ou ganchos memoráveis.

11 – Polaris


O retorno triunfal. Polaris é um trabalho extremamente competente e responsável por rejuvenescer a fórmula batida no som do Stratovarius. A adição de Matias Kupiainen e Lauri Porra (porra, porra!) foi uma das melhores coisas que aconteceram na história da banda, sendo o primeiro emprestando sua habilidade natural de escrever boas linhas de guitarra, e o segundo com uma capacidade acima da média como liricista; esta é explícita, por exemplo, na ótima “Emancipation Suite” e na magnífica balada “When Mountains Fall”.

10 – Fright Night


Em Fright Night, Timo Tolkki mostra alguma influência em Yngwie Malmsteen e também uma veia Heavy Metal e mais direta, se compararmos com os álbums sequenciais e mais trabalhados com técnicas apuradas de guitarra. Dos primeiros acordes de “Future Shock” aos minutos finais de “Goodbye”, o álbum mantém sua qualidade e esboça um início promissor para a carreira dos Finlandeses.

9 – Elysium


Após o bom Polaris, Elysium continuou a nova abordagem adotada na nova fase da banda. Mais maduros e à vontade, cada membro consegue extrair o melhor de si e juntos entregam um ótimo álbum, com faixas memoráveis como “Under Flaming Skies”, “Infernal Maze” e a épica “Elysium”, maior faixa da banda até hoje com 18:07 minutos de duração.

8 – Twilight Time


O álbum mais pesado da extensa discografia do Stratovarius, sem sombra de dúvidas. Mais cadenciado e com ótimos riffs de Tolkki, Twilight Time continua o bom trabalho de Fright Night e mostra também boa qualidade nas linhas vocais. Tuomo Lassila injeta mais peso em seu kit de bateria e Antti Ikonen nos leva a uma viagem sombria com seus arranjos de teclado, tornando o play muito agradável.

7 – Eternal


Mais recente trabalho dos Finlandeses, Eternal infelizmente não consegue manter a constante melhora nos álbums do Stratovarius desde seu retorno, mas mesmo assim é digno de aplausos. Faixas fortíssimas, boa produção e notável performance de Timo Kotipelto contribuem para um trabalho heterogêneo, leve e divertido. Com músicas que vão desde mais densas, como “Man in the Mirror” e “Feeding the Fire”, até típicas composições melódicas como “My Eternal Dream” (melhor música do Stratovarius nos últimos 15 anos, na minha opinião), Eternal é digno de figurar entre os melhores álbums da banda.

6 – Dreamspace


Um dos meus álbums favoritos do Stratovarius. Timo Tolkki começa aqui a criar jóias e ensaia as genialidades que viriam depois, inclusive mostrando uma incrível gama de fórmulas musicais e atmosferas diferentes, como na magnífica “4th Reich”. Com mais de uma hora de duração, o trabalho nunca perde o rumo e sempre consegue surpreender com sua altíssima qualidade técnica e inspiração.

5 – Destiny


O último grande álbum do Stratovarius antes da queda nos anos 2000. Destiny é belo, sofisticado e muito bem esculpido. Com músicas rápidas, baladas, canções épicas e pesadas, é talvez o play mais diversificado da carreira dos Finlandeses. Destaque para as ótimas “Destiny” e “S.O.S.”.

4 – Nemesis


O auge da nova fase do Stratovarius veio com Nemesis, um trabalho considerado ótimo até por quem não é fã de Melodic Power Metal. Acessível e sofisticado ao mesmo tempo, o álbum é repleto de camadas, passagens memoráveis e surpresas. Inclusive, músicas como “Unbreakable”, “Castles in the Air” e “Dragons” destronaram muitas outras e hoje figuram como algumas das melhores composições do Stratovarius.

3 – Fourth Dimensios


Primeiro álbum do Stratovarius com a participação de Timo Kotipelto, que viria a se tornar um ícone do Power Metal nos anos seguintes. Mesclando perfeitamente peso e melosidade, Tolkki e companhia criaram uma obra-prima em Fourth Dimension e passaram a figurar de vez como protagonistas na cena do Metal Europeu a partir desse lançamento. Basta ouvir o início devastador com “Against the Wind” e “Distant Skies” para perceber a importância e a qualidade de Fourth Dimension.

2 – Visions


1. The Kiss of Judas
2. Black Diamond
3. Forever Free
4. Before the Winter
5. Legions
6. The Abyss of Your Eyes
7. Holy Light
8. Paradise
9. Coming Home
10. Visions (Southern Cross)

Preciso dizer alguma coisa?

1 – Episode


Verdadeiras jóias como a perfeita “Father Time”, a cativante “Will the Sun Rise?”, a porrada “Speed of Light” e uma das maiores baladas da história do Power Metal, “Forever”, fazem de Episode o álbum mais significativo e tecnicamente forte do Stratovarius. O pico criativo de Tolkki, aliado com a potência absurda de Timo Kotipelto, a sobriedade e competência de Jari Kainulainen, a genialidade de Jens Johansson e a brutalidade e velocidade ímpares do mito Jörg Michael resultou em um álbum que foi marco na história do Metal Melódico no mundo, e até hoje é visto como um dos melhores do gênero.

por Bruno Medeiros